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Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science

Print version ISSN 1413-9596

Braz. J. Vet. Res. Anim. Sci. vol.37 n.2 São Paulo  2000

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-95962000000200015 

Degradabilidade ruminal da matéria seca e proteína bruta de subprodutos da agroindústria, da pesca e de abatedouros em caprinos

Ruminal degradability of dry matter and crude protein of agroindustry, fish and slaughterhouse byproducts in goats

 

José Ricardo Soares Telles de SOUZA1; Ari Pinheiro CAMARÃO2; Luis Carlos RÊGO1

 

CORRESPONDÊNCIA PARA:
José Ricardo Soares Telles de Souza
Departamento de Zootecnia
Centro de Ciências Agrárias
Universidade Estadual do Maranhão
Cidade Universitária Paulo VI
65055-310 – São Luís – MA
e-mail: jsoares@uema.br

 

 

RESUMO

Caprinos foram utilizados num delineamento change-over 2 (5 x 5) para estudar a degradabilidade da matéria seca e proteína bruta dos subprodutos: farelo de soja1 (FS1), soja integral tostada (SIT), farelo de algodão (FA), farinha de carne e ossos 1 (FCO1), farinha de carne e ossos 2 (FCO 2), farelo de soja 2 (FS2), farinha de peixe (FP), torta de babaçu (TB), farinha de sangue (FSA) e farinha de vísceras de frango (FVF), pela técnica dos sacos de náilon in situ. O capim napier foi o único volumoso. A degradabilidade efetiva da PB foi de 68,47% para o FS1; 65,60% para o FS2; 60,71% para o FA; 65,69% para a SIT; 61,59% para a FCO1; e 62,58% para a FCO2, enquanto a degradabilidade efetiva da MS foi 75,48% para o FS1; 73,05% para o FS2; 52,39% para o FA; 70,38% para a SIT; 44,45% para a FCO1; 47,01% para a FCO2; 48,43% para a FP; 38% para a TB; e 53,82% para FVF, com r de 0,05/h.

UNITERMOS: Digestibilidade; Alimentos; Caprinos.

 

 

INTRODUÇÃO

As informações sobre o comportamento das lavouras de soja, algodão e babaçu no Brasil, nos últimos dez anos, apontam a produção de 172.707 t de farelo de algodão (FA) e 25.478 t de torta de babaçu (TB). O efetivo bovino é de 158.243.229 e de aves de 681.088.045 cabeças12. Dos subprodutos originados dessas espécies destacam-se as farinhas de sangue (FSA), de carne e ossos (FCO) e de vísceras de frango (FVF). A farinha de peixe (FP) vem ganhando importância devido à fração protéica ser de baixa degradabilidade ruminal e bastante digestível em nível de intestinos.

A técnica dos sacos de náilon in situ permite conhecer as frações PDR e PNDR dos alimentos, distinguindo os componentes que atendam exigências de N nos pré-estômagos e aminoácidos nos intestinos13,19. O FA e o FS atuaram como padrão, monitorando variações atribuídas à fermentação ruminal16.

Para determinação das constantes "a", "b" e "c", e da degradabilidade potencial (P), foi proposta a aplicação da fórmula P = a + b (1- e-ct)17. A degradabilidade efetiva foi calculada com emprego da taxa de passagem (constante " r"), através da fórmula P = a + bc / c + r1. As constantes, respectivamente para as frações MS e PB, alcançaram 20, 32 e 0,07; 13, 32 e 0,04 para o FS, em caprinos leiteiros11, 15, 30 e 0,22; 18, 37 e 0,17 para a FCO, com 50% de PB e 33, 65 e 0,08; 20, 79 e 0,08 para o FS, em caprinos sem raça definida18 e 16, 98 e 0,07 para a PB do FS, em ovinos alimentados com alta porcentagem de palha de cevada6. Greppi et al.10 observaram porcentuais, para constante "a", iguais a 28,21 e 41,43, quando o grão de soja foi tostado a 60ºC e 91ºC, respectivamente.

O marcador de fase líquida polietilenoglicol (PEG 4000) foi utilizado no estudo do volume e taxa de renovação ruminal. O turnover líquido mais rápido aumentou a diluição do meio, tornando o crescimento microbiano mais eficiente14. Souza et al.18 registraram 6,65 de volume ruminal e taxa de renovação do fluido de 1,59 vez/dia. Brun-Bellut et al.5 obtiveram 4,7%/h em caprinos secos e 4,2%/h em lactantes. Dietas mais fibrosas produziram maiores taxas3. Ao aplicar taxas de passagem de 2 e 8%/h, foi encontrada redução na degradabilidade efetiva da PB do FS de 84,4% para 58%18, reduzindo as vantagens em oferecer alimentos de baixa degradabilidade em condições de maior consumo de alimentos.

Predomina na soja a globulina, proteína solúvel e de bom valor biológico. Subprodutos do abate e da pesca, são ricos nas proteínas prolaminas e glutelinas, com extensiva presença de ligações dissulfídricas entre seus aminoácidos, o que as tornam menos acessíveis à degradação ruminal7. A solubilidade conseqüente ao calor afetou a distribuição de aminoácidos hidrofílicos e hidrofóbicos4,14.

Fornecendo uma proporção de 100 g de feno de uma gramínea/kg de concentrado a ovinos, acusaram-se, em 24 horas, respectivamente, para a MS e PB, desaparecimentos de 88,6% e 89% para o FS e 57% e 68% para a FP. O uso do grão de cevada, na mesma proporção, produziu taxas de 63,4% e 61,7% para o FS e 60,1% e 71,5% para a FP. A degradabilidade efetiva da PB do FS na dieta com cevada foi de 66% (r = 0,03/h) e 57% (r = 0,067/h), enquanto a dieta com gramínea produziu porcentuais de 71% (r = 0,046/h) e 66% (r = 0,06/h), respectivamente, com e sem restrição alimentar9.

As taxas de desaparecimento da PB do FS (77,5 e 84,9%) e FP (27,6 e 28,5%), em 24 horas de incubação, foram consideradas semelhantes ao se fornecerem, respectivamente, ad libitum, rações contendo 60 e 230 g de palha de cevada/kg de MS, a ovinos com peso médio de 20,4 kg6. Em caprinos, foram obtidos desaparecimentos efetivos (r = 0,05/h), respectivamente, para a MS e PB, de 39,1% e 27,5% para o FS e 36,9% e 38,8% para a FP, enquanto a espécie ovina atingiu 37,1% e 26,8% para o FS e 31,9% e 37,9% para a FP11. Greppi et al.10 registraram, em ambas as espécies, porcentuais de 53,5 e 62,2 para a MS da SIT processada a 60ºC e 91ºC, respectivamente.

Utilizando cabras em mantença alimentadas mantidas com cana-de-açúcar como único volumoso, Souza et al.18 notaram que a MS das FCO com 40% e 50% de PB tiveram degradabilidades semelhantes, mas ambas apresentaram menor porcentual do que o FS, a partir de 1,5 hora. Nos tempos 1,5; 3; 6; e 12 horas, a FCO 50 teve a proteína menos degradada do que a FCO 40. Entretanto, com 24 e 48 horas as tendências foram as mesmas, mas as diferenças não significativas. O FS teve a PB mais degradada do que as FCO, somente nos tempos de 12, 24 e 48 horas de incubação. A degradabilidade efetiva (r = 0,05/h) da MS e PB, respectivamente, foi de 73,9% e 67,9% para o FS; 38,1% e 53,7% para a FCO 40 e 38,1% e 48,4% para a FCO 50.

Os subprodutos protéicos, particularmente, são desejados na alimentação de ruminantes por serem fontes de aminoácidos necessários para a máxima síntese de proteína microbiana e digestão da matéria orgânica e promoverem o fluxo de aminoácidos de origem não-microbiana para os intestinos, elevando o desempenho7. A composição química de fontes protéicas é influenciada por muitos fatores que alteram a qualidade do produto final.

O NRC15 registra, para caprinos em mantença com peso médio de 30 kg, ingestão de 0,54 kg de MS, correspondente a 42,15 g/kg0,75 de MS. Cabras sem raça definida, com 40 kg de peso vivo, alimentadas com cana-de-açúcar consumiram por dia 0,86 kg de MS e 54 g por kg de peso metabólico18.

Este trabalho teve como objetivo estudar a degradabilidade da MS e PB de subprodutos da agroindústria, da pesca e de abatedouros, através da técnica dos sacos de náilon in situ, em caprinos.

 

MATERIAL E MÉTODO

O experimento foi desenvolvido na Universidade Estadual do Maranhão – São Luís – MA, de dezembro de 1996 a abril de 1997. Sete caprinos adultos sem raça definida, com peso médio de 30 kg, foram distribuídos em dois grupos de cinco animais, sendo que três deles participaram de ambos os grupos. Os tratamentos (subprodutos) incubados e comparados, separados em dois grupos, foram os seguintes: Grupo I: A - Farelo de soja 1 (FS1); B - Soja integral tostada (SIT); C - Farelo de algodão (FA); D - Farinha de carne e ossos 1 (FCO1); E - Farinha de carne e ossos 2 (FCO2). Grupo II: F - Farelo de soja 2 (FS2); G - Farinha de peixe (FP); H -Torta de babaçu (TB); I - Farinha de sangue (FSA); J - Farinha de víscera de frango (FVF).

A mistura concentrada basal, formulada com os subprodutos em estudo, e milho, fornecida para todos os animais, às 9 e às 15 horas, foi ajustada para atender aos requerimentos do NRC15. Como único volumoso foi utilizado o capim napier (Pennisetum purpureum Schum). O consumo foi registrado. A composição dos subprodutos, da mistura concentrada e do volumoso é fornecida na Tab. 1.

 

Tabela 1

Composição químico-bromatológica dos ingredientes da ração, em porcentagem, com base na matéria seca (São Luís - Maranhão, 1997).

 

Os sacos de náilon mediam 7 x 16 cm, com porosidade de 39,71 x 72,079 m, comportando amostras de 5 g de MS. As amostras sofreram tempos de incubação de 1,5; 3; 6; 12; 24 e 48 horas, sendo os sacos colocados no rúmen ao mesmo tempo, retirados nos períodos, lavados em água corrente, congelados em freezer a -20ºC e mantidos por 72 horas em estufa com ventilação forçada a 65ºC. A PB foi obtida pelo método micro Kjeldahl2 na amostra a 65ºC. A curva de desaparecimento das amostras foi determinada segundo Orskov; McDonald17, a degradabilidade efetiva, conforme o AFRC1, e o volume ruminal e taxa de renovação, pelo polietilenoglicol (PEG). O delineamento estatístico adotado foi em esquema do tipo change-over8, com dois quadrados-latinos (5 X 5). As médias foram comparadas pelo teste de Tukey com nível de significância de 5%.

 

RESULTADOS

O consumo médio diário do volumoso foi de 398 g, do concentrado, 100 g, e da ração completa 508 g. As Tab. 2 e 4 fornecem os resultados do desaparecimento da MS e PB dos alimentos em função dos horários de incubação. As Tab. 3 e 5 apresentam as médias das constantes "a", "b" e "c", das degradabilidades potenciais (P) e das degradabilidades efetivas p2, p5 e p8, da MS e PB. Não foi possível registrar valor para a constante "b" da MS da FSA, e da PB, das FP, TB, FSA e FVF. Os resultados dos parâmetros ruminais obtidos pelo emprego do PEG foram iguais a 6,09 para o volume ruminal, e 1,66 para taxa de renovação.

 

Tabela 2

Desaparecimento da matéria seca de subprodutos da agroindústria, da pesca e de abatedouros, em porcentagem, nos diferentes tempos de incubação ruminal, e coeficientes de variação (CV%) (São Luís - Maranhão, 1997).

Letras diferentes, na mesma linha, indicam diferenças significativas (p < 0,05); TI (h) = tempos de incubação.

 

Tabela 3

Desaparecimento da proteína bruta de subprodutos da agroindústria, da pesca e de abatedouros, em porcentagem, nos diferentes tempos de incubação ruminal, e coeficientes de variação (CV%) (São Luís - Maranhão, 1997).

Letras diferentes, na mesma linha, indicam diferenças significativas (p < 0,05); TI (h) = tempos de incubação.

 

Tabela 4

Médias das constantes a, b e c, degradabilidade potencial (P) e efetiva (p) da matéria seca (p2, p5 e p8, com r igual 0,02; 0,05 e 0,08, respectivamente) (São Luís - Maranhão, 1997).

 

Tabela 5

Médias das constantes a, b e c, degradabilidade potencial (P) e efetiva (p) da proteína bruta (p2, p5 e p8, com r igual 0,02; 0,05 e 0,08, respectivamente) (São Luís - Maranhão, 1997).

 

DISCUSSÃO

Os caprinos usados, peso vivo de 30 kg, atingiram consumo de MS, em gramas por kg de peso metabólico, inferior aos descritos pelo NRC15 e por Souza et al.18, estes, alimentando caprinos de 40 kg de peso vivo, com cana-de-açúcar, FS, FCO e milho. A aplicação da técnica experimental foi precisa, biológica, breve e de baixo custo. A presença do FS1 e FS2, nos grupos caprinos, como alimentos padrões, permitiu reconhecer a estabilidade da fermentação e dos processos ruminais. Foi observada facilidade no manejo com os sacos e uniformidade nos procedimentos de lavagem pós-incubação, diferentemente do descrito por Nocek16.

Baseado nos dados de degradabilidade atingidos em 24 horas de incubação, supõe-se que os subprodutos da agroindústria sofreram maior influência da proporção de volumoso do que os subprodutos da indústria de abatedouros e da pesca. No presente experimento, do total da MS ingerida, a mistura concentrada constituiu 21,66%, enquanto o volumoso 78,34%. Em ovinos, no mesmo tempo, foi assinalada redução na degradabilidade da MS do FS ao fornecerem, em substituição a uma gramínea, 100 g de grãos de cevada por kg de uma mistura concentrada. A FP, por outro lado, não foi afetada9.

As diferenças entre os valores encontrados para a constante "a" dos subprodutos estudados e os obtidos por Hadjipanayiotou et al.11, Greppi et al.10 e Souza et al.18 podem revelar a influência da técnica de incubação e processo de obtenção dos subprodutos sobre o desaparecimento da MS. Grãos de soja tostados foram menos solúveis quando tratados à temperatura de 90ºC do que a 60ºC10. A constante "b" do FS1 e FS2 foi superior às encontradas por Hadjipanayiotou et al.11 possivelmente devido ao tratamento térmico. Altas temperaturas agem reduzindo a solubilidade dos nutrientes4,14. A constante "c" da FCO1 e FCO2 acusou valores bem superiores à de Souza et al.18, provavelmente por serem mais solúveis.

Os resultados revelaram que a MS das FCO, FP, TB e FVF era mais resistente ao desaparecimento ruminal ou ataque microbiano do que o FS1, FS2 e a SIT. A ausência de dados para as constantes "a", "b", "c", degradabilidade potencial (P) e degradabilidade efetiva (p5) da MS na FSA se justifica pela incapacidade de o alimento atingir seu platô de degradabilidade, possivelmente devido à insuficiência de tempos de incubação ou ao processamento do alimento.

Os dados de degradabilidade efetiva da MS apresentam uma tendência, sem qualquer estudo de significância estatística, de redução das taxas com o aumento do turnover, principalmente para os FS 1 e 2, SIT, FA, TB e FVF. O mesmo aconteceu nos trabalhos de Ganev et al.9 e Souza et al.18

As razões das variações existentes entre os resultados encontrados e a literatura revisada, para as constantes "a", "b" e "c", são amplas, uma vez que os alimentos, as dietas, os regimes alimentares, as fases fisiológicas, as espécies animais, a aplicação da técnica, além das características ambientais são diferenciadas. Por esta razão, Nocek16 e o AFRC1 propõem uniformização nos procedimentos experimentais, para facilitar comparações em semelhantes condições. Os valores das constantes encontrados por Hadjipanayiotou et al.11 (13, 32 e 0,04, respectivamente), para o FS, bem inferiores aos obtidos nos farelos de soja 1 e 2, deste experimento, acusam a importância do tratamento térmico sobre a solubilidade das proteínas, a qual depende da distribuição de aminoácidos hidrofílicos e hidrofóbicos das estruturas terciárias nas periferias de suas moléculas. O emprego do calor expõe os aminoácidos avessos à água provocando queda na solubilidade14. A mesma observação serve para comparar os dados da constante "a" da SIT obtidos, com os de Greppi et al.10

A abordagem supracitada, não necessariamente, deve servir para os subprodutos da indústria de abatedouros e pesca, uma vez que estes contêm em sua composição variável quantidade de proteínas de alto peso molecular, com extensiva presença de ligações dissulfídricas entre seus aminoácidos, o que os tornam menos acessíveis à atividade proteolítica e mais resistentes ao meio ruminal7. Isto pode explicar as diferenças existentes entre as farinhas de carne e ossos estudadas e as apreciadas por Souza et al.18.

Os porcentuais de degradabilidade efetiva expressam uma tendência de redução nas taxas com o aumento do turnover de 0,02/h para 0,08/h, principalmente nos FS 1 e 2, SIT e FA, ficando os subprodutos da carne menos afetados pela renovação ruminal. Dessa forma, seria mais vantajoso alimentar com FS e SIT animais de alta produção, com elevada capacidade de ingestão de MS18.

A impossibilidade de obtenção de valores para a constante "b" da MS na FSA e FVF e da PB, nas FP, TB, FSA e FVF, exigiria estender os tempos de incubação para além de 48 horas, como é habitual em experimentos de degradabilidade com volumosos16. O sucesso do procedimento, contudo, estaria dependente da solubilidade dos nutrientes, conseqüente do processamento.

O volume ruminal encontrado, ao contrário da taxa de renovação, foi inferior ao mencionado por Souza et al.18, ao trabalhar com porcentual (75%) de volumoso (cana-de-açúcar) semelhante. A cana-de-açúcar, por ser mais fibrosa, deveria exercer maior pressão sobre as paredes ruminais aumentando seu volume e atividade, fazendo com que o líquido ruminal ocupasse menos tempo na cavidade3.

 

CONCLUSÕES

1. Os farelos de soja 1 e 2 e a soja integral tostada, considerando-se taxa de passagem de 0,02/h, quando presentes na alimentação de caprinos, teriam a função básica de atender aos requisitos de proteína bruta ruminal, enquanto as farinhas de carne e ossos 1 e 2 e o farelo de algodão forneceriam consideráveis proporções de proteína bruta aos intestinos;

2. os farelos de soja 1 e 2, a soja integral tostada, as farinhas de carne e ossos 1 e 2 e o farelo de algodão, por apresentarem semelhantes degradabilidades efetivas, com taxas de passagem iguais a 0,05/h e 0,08/h, apresentariam o mesmo potencial em suprir proteína bruta ao rúmen e intestinos;

3. o tempo de incubação de 48 horas foi insuficiente para determinar a constante "b", e conseqüentemente as degradabilidades efetivas e potencias da PB da FP, FSA, FVF e TB, devendo-se com isto estender os tempos de incubação para 72 e 96 horas.

 

 

SUMMARY

Caprines were used in a change-over design to evaluate dry matter (DM) and crude protein (CP) degradability of the following byproducts: soybean meal 1 (SM1), heat-processed soybean (HPS), cotton seed meal (CSM), meat and bone meal 1 (MBM1), meat and bone meal 2 (MBM 2), soybean meal 2 (SM2), fish meal (FM), babasu meal (BM), blood meal (BLM) and chicken viscera meal (CVM) through in situ nylon bag technique. Napier grass (Pennisetum purpureum Schum) was fed as the only roughage. Effective degradability of CP was 68.47% (SM1), 65.60% (SM2), 60.71% (CSM), 65.69% (HPM), 61.59% (MBM1) and 62.58% (MBM2), while effective degradability of DM was 75.48% (SM1), 73.05% (SM2), 52.39% (CSM), 70.38% (HPM), 44.45% (MBM1), 47.01% (MBM2), 48.43% (FM), 38% (BM), and 53.82% (CVM), considering 0.05/h turnover (r).

UNITERMS: Digestibility; Foods; Goats.

 

 

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Recebido para publicação: 14/05/1999
Aprovado para publicação: 16/09/1999

 

 

1 Departamento de Zootecnia, Centro de Ciências Agrárias da Universidade Estadual do Maranhão – MA
2 EMBRAPA, Amazônia Oriental – AM