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Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science

versão impressa ISSN 1413-9596versão On-line ISSN 1678-4456

Braz. J. Vet. Res. Anim. Sci. v.37 n.3 São Paulo  2000

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-95962000000300007 

Efeitos cardiorrespiratórios da associação de tiletamina/zolazepam em cães (Canis familiaris) pré-tratados ou não pela acepromazina

Cardiorespiratory effects of tiletamine/zolazepam in dogs (Canis familiaris) given acepromazin

 

Ellen Maria Pestili de ALMEIDA1; Newton NUNES1; Alexandra Pinheiro FANTINATTI1; Paulo Sérgio Patto dos SANTOS1; Aline Adriana BOLZAN1; Márlis Langenegger de REZENDE1

 

CORRESPONDÊNCIA PARA:
Newton Nunes
Departamento de Clínica e Cirurgia Veterinária
Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP
Campus de Jaboticabal
Via de Acesso Prof. Paulo Donato Castellane, s/n
14884-900 – Jaboticabal – SP
e-mail: newton@fcav.unesp.br

 

 

RESUMO

Avaliou-se o uso da acepromazina como pré-tratamento à associação de tiletamina/zolazepam. Para tanto, utilizaram-se 20 animais da espécie canina, machos e fêmeas, adultos, hígidos, divididos em 2 grupos de igual número. O grupo 1 (controle) foi pré-tratado com 0,1 ml/kg de solução salina a 0,9 % e o grupo 2 com 0,2 mg/kg de acepromazina, ambos por via intravenosa. Decorridos 20 minutos, todos os animais receberam, pela mesma via, 10 mg/kg da associação tiletamina/zolazepam. Imediatamente antes da medicação pré-anestésica (M1), antes da aplicação da associação (M2) e aos 15, 30, 45 e 60 minutos após a administração da tiletamina/zolazepam, realizou-se mensuração de: freqüência cardíaca (FC); pressão arterial sistólica (PAS), diastólica (PAD) e média (PAM); débito (DC) e índice cardíaco (IC); volume sistólico (VS); eletrocardiograma (ECG); freqüência respiratória (FR); CO2 ao final da expiração (ETCO2); saturação da oxiemoglobina (SpO2); e temperatura retal (T0). Observou-se estabilidade cardiovascular, miorrelaxamento e aumento do período hábil anestésico com o uso da acepromazina na medicação pré-anestésica. O tratamento estatístco dos valores numéricos pela análise de perfil mostrou que a acepromazina diminuiu a FR; entretanto, a SpO2 e ETCO2 não sofreram alterações estatisticamente significativas, permitindo concluir que o emprego da fenotiazina apresenta vantagens sobre o uso isolado da associação tiletamina/zolazepam, em cães.

UNITERMOS: Cão; Acepromazina; Tiletamina; Zolazepam; Anestesia.

 

 

INTRODUÇÃO

As associações de fármacos difundem-se cada vez mais na prática anestésica e visam promover o somatório das vantagens, bem como diminuir as desvantagens inerentes à ação individual de cada droga. Desenvolveu-se a associação tiletamina/zolazepam, nos anos 60, como agente útil para anestesia ou contenção química em várias espécies animais, visando melhora do relaxamento muscular esquelético, redução de episódios convulsivos, superior analgesia visceral e recuperação tranqüila da anestesia15,25. No entanto, o miorrelaxamento proporcionado é incompleto28, a analgesia visceral é menos evidente nos cães do que nos gatos, e o período de recuperação pode vir acompanhado de tremores intensos e excitação6,7,11,29. No Brasil, seu uso foi liberado pelo Ministério da Agricultura em 1988.

O emprego de fenotiazínicos, no pré-tratamento à associação de tiletamina/zolazepam, tem sido contra-indicado pelos fabricantes do anestésico. Por outro lado, vêm recomendando a utilização do sulfato de atropina na dose de 0,025 a 0,05 mg/kg, por aumentar o nível de segurança da anestesia, combatendo o choque vagal e diminuindo o excesso de secreções brônquicas e de salivação. Ao contrário, Pompermayer et al.22 falam desfavoravelmente em relação ao pré-tratamento com o anticolinérgico e indicam o uso de fenotiazínico, previamente à administração de tiletamina/zolazepam.

Os compostos fenotiazínicos, por apresentarem ação sedante, simpatolítica, ansiolítica e antiespasmódica13,20,24,30, causam uma ação antagônica às características indesejáveis da associação em pauta, sendo o objetivo do presente trabalho avaliar a viabilidade do emprego da acepromazina como pré-tratamento à anestesia dissociativa pela tiletamina/zolazepam, em cães.

 

MATERIAL E MÉTODO

Foram utilizados 20 cães (Canis familiaris), machos e fêmeas, sem raça definida, adultos, considerados sadios, fornecidos pelo canil do Hospital Veterinário "Governador Laudo Natel", da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias – FCAV/UNESP, Campus de Jaboticabal -SP. Para o estudo das variáveis de interesse, o total de animais foi dividido em dois grupos de 10 cães (Grupo 1 e Grupo 2), mantidos em jejum alimentar e hídrico por 12 e 3 horas, respectivamente, para, ato contínuo, receberem os fármacos.

Os animais foram contidos sobre uma calha em decúbito dorsal, sendo os quatro membros amarrados. Esta posição foi mantida por todo o período experimental. A área cervical ventral foi preparada cirurgicamente para introdução do cateter de Swan-Ganz, o qual foi posicionado na artéria pulmonar, conforme técnica descrita por Swan-Ganz, citado por Sisson26.

Os animais receberam os seguintes tratamentos:

GRUPO 1 – Aplicação de solução salina a 0,9% (placebo), por via intravenosa, na dose de 0,1 ml/kg e, após 20 minutos, a associação de tiletamina e zolazepama, na dose de 10 mg/kg pela mesma via.

GRUPO 2 – Aplicação de acepromazinab, por via intravenosa, na dose de 0,2 mg/kg e, após 20 minutos, aplicação da associação tiletamina-zolazepam, na mesma dose e via protocolados para o Grupo 1.

Os momentos próprios à mensuração das variáveis foram os seguintes: M1: imediatamente antes da administração da acepromazina ou placebo; M2: imediatamente antes da administração da associação tiletamina-zolazepam; M3: decorridos 15 minutos de M2; M4: decorridos 30 minutos de M2; M5: decorridos 45 minutos de M2; M6: decorridos 60 minutos de M2.

As tomadas dos valores relativos à freqüência cardíaca (FC), nos diferentes tempos (M1 a M6), foram efetuadas mediante estudo em eletrocardiógrafo computadorizadoc. Para o estudo das pressões arteriais sistólica (PAS), diastólica (PAD) e média (PAM), adotou-se monitor multiparamétrico, não-invasivo, tipo oscilométrico, cujo manguito foi adaptado ao membro torácico direito, acima da articulação úmero-rádio-ulnar. O débito cardíaco (DC) foi mensurado por meio de dispositivo microprocessadod para medida direta, segundo técnica de termodiluição. O índice cardíaco (IC) foi estabelecido por relação matemática, dividindo-se o valor de DC pela superfície corpórea em m2, estimada em função do peso, e o volume sistólico estimado matematicamente pela fórmula DC/FC.

A atividade elétrica do coração foi avaliada por eletrocardiograma nas derivações DI, DII, DIII, avL, avR e avF, simultaneamente, onde foram observados os valores referentes à duração e amplitude da onda P, respectivamente, Ps e PmV; intervalo entre as ondas P e R (PR), entre as ondas R (RR), entre as ondas Q e T (QT) e entre as ondas P e T (PT); duração do complexo QRS (QRSs) e amplitude da onda R (RmV). Para a avaliação automática dessas variáveis, empregou-se microcomputador padrão IBM-PCe, conectado ao eletrocardiógrafo através de interface de comunicação, respeitando-se os tempos concebidos para os demais itens. O registro de eventuais figuras eletrocardiográficas anormais foi feito continuamente ao longo do experimento.

A freqüência respiratória (FR) foi obtida em monitor multiparamétricof, cuja sonda sensora foi adaptada em máscara facial vedada. O estudo do CO2 expirado (ETCO2) foi obtido por leitura em monitor multifuncional e a saturação de O2 (SpO2) foi investigada por leitura em oxímetro digitalg, sendo o emissor/sensor do equipamento adaptado em região corpórea, dotada de "grau de transparência" compatível com a sensibilidade do dispositivo (mamas, prepúcio, lábios, língua). A temperatura retal foi mensurada mediante emprego de termômetro clínico, introduzido por via retal.

A avaliação estatística foi efetuada por meio de análise de perfil5,14 para interpretação dos possíveis efeitos que levariam à alteração nas médias de cada variável estudada, nos diversos momentos, incluindo os testes das hipóteses de: interação entre grupos e momentos, efeitos de grupo, efeito de momentos, efeito de grupo, em cada momento, e efeito de momento dentro de cada grupo.

 

RESULTADOS

Tanto os animais que receberam a associação de tiletamina/zolazepam isoladamente como aqueles que receberam a acepromazina como pré-medicação perderam o reflexo postural após aproximadamente 1 minuto. Em ambos os grupos, os reflexos palpebrais e o tono mandibular reduzido foram mantidos durante o período experimental.

Os animais do grupo 1, após 17 ± 5,71 minutos decorridos do M2, e os animais do grupo 2, em 39 ± 11,39 minutos após M2, apresentaram contrações rítmicas dos músculos cervicais e movimento da língua.

Em seguida, ao momento 6, quando os animais foram desamarrados da mesa e colocados no chão, oito animais do grupo 1 apresentaram-se em posição quadrupedal e, destes, dois deambularam. Os demais mantiveram-se em decúbito esternal. Já nos animais do grupo 2, apenas um conseguiu levantar-se e manter-se em posição quadrupedal, enquanto os outros permaneceram em decúbito esternal.

As variações da FC foram semelhantes nos dois grupos, verificando-se aumento dos valores médios no momento seguinte à administração da associação de tiletamina/zolazepam. As médias de M3 a M6 foram maiores que de M1 e M2, em ambos os grupos (Fig. 1).

 

Figura 1

Variação dos valores médios de FC (bpm) em cães anestesiados pela associação tiletamina/zolazepam, pré-tratados com acepromazina (G2) ou placebo (G1). Jaboticabal, 1998.

 

A PAS e a PAM não produziram médias significativamente diferentes, ao longo dos momentos, dentro de um mesmo grupo nem entre grupos.

Ao comparar a PAD entre os grupos, observou-se que no M4 o G2 apresentou valores médios superiores ao G1. A análise individual dos grupos não mostrou diferenças significativas entre momentos, dentro do G1, entretanto, no G2, observou-se que a média de M4 foi superior à de M2.

Os valores médios do DC, de ambos os grupos, não se diferenciaram nem entre grupos, nem entre momentos em cada grupo.

O índice cardíaco não apresentou variações em nenhum grupo. A comparação entre grupos revelou que, a partir de M2, o G1 apresentou valores médios superiores aos do G2.

Em ambos os grupos, o volume sistólico comportou-se da mesma forma, não havendo diferença significativa entre eles. O estudo individual de cada grupo revelou que, no G1, a média de M2 foi superior às de M3 a M6 e, no G2, a média de M1 foi maior que a de M3 (Fig. 2).

 

Figura 2

Variação dos valores médios de VS (ml) em cães anestesiados pela associação tiletamina/zolazepam, pré-tratados com acepromazina (G2) ou placebo (G1). Jaboticabal, 1998.

 

Em ambos os grupos, não foram observadas arritmias cardíacas. O intervalo RR refletiu inversamente as variações ocorridas na FC, mostrando diminuição significativa, em ambos os grupos, após a admimistração da associação tiletamina/zolazepam.

A comparação entre grupos referente à FR revelou que, de M3 a M5, o G1 apresentou valores médios superiores ao G2. A análise de cada grupo mostrou que no G1 a média observada em M2 foi inferior às de M4 e M5, enquanto no G2 os valores não variaram significativamente entre si.

O ETCO2, na comparação entre grupos, revelou que em M3 o G2 apresentou valores médios superiores ao G1. O estudo de cada grupo, individualmente, revelou que no G1 não foram observadas diferenças significativas entre os momentos, enquanto, no G2, a média de M1 foi superior às de M5 e M6 e a de M3 foi maior que a de M6.

Todas as médias de T0 observadas situaram-se dentro dos valores normais para a espécie. Nenhuma diferença foi observada quando os grupos foram comparados entre si. O estudo individual dos grupos demonstrou que, no G1, a média de M1 foi superior às de M3 a M6; as de M3 e M2 foram maiores que às de M4 a M6. No G2, as médias decresceram gradativamente a partir de M2 (Fig. 3).

 

Figura 3

Variação dos valores médios de T0 (ºC) em cães anestesiados pela associação tiletamina/zolazepam, pré-tratados com acepromazina (G2) ou placebo (G1). Jaboticabal, 1998.

 

DISCUSSÃO

Os resultados apresentados, quanto ao período hábil anestésico, mostraram que a acepromazina prolongou este tempo, o que está de acordo com a literatura, pois outros autores que associaram fenotiazínicos a cicloexaminas obtiveram respostas similares7,22. A sedação proporcionada pela acepromazina facilitou a manipulação dos animais durante o período de recuperação.

No grupo em que a acepromazina foi administrada, os tremores musculares foram menos intensos e demoraram mais para serem visualizados, ocorrência esta que pode ser atribuída ao fato de que os fenotiazínicos podem determinar relaxamento muscular15 devido à depressão do tronco cerebral e conexões com o córtex cerebral10.

Pôde-se observar, em ambos os grupos, aumento da FC a partir da administração da associação de tiletamina/zolazepam, que pode ser atribuído tanto à ação simpatomimética da tiletamina como à inibição do tônus vagal12,24,28,30. A literatura é unânime ao afirmar que as cicloexaminas aumentam a freqüência cardíaca3,15,17,18,25, mesmo quando a tiletamina é associada ao zolazepam6,29.

Os fenotiazínicos exercem bloqueio a-adrenérgico, o qual é importante por causar hipotensão, podendo desencadear taquicardia reflexa1,13,15,20, ou mesmo bradicardia4. Como neste experimento o grupo pré-tratado com acepromazina não apresentou queda na pressão arterial, justifica-se a não-ocorrência de taquicardia reflexa. Segundo alguns autores, os fenotiazínicos não alteram a FC8,9, o que explica os presentes achados.

A ausência de variações significativas nos valores de pressão arterial sistólica e média pode ser justificada pelo fato de que, apesar das cicloexaminas aumentarem a pressão arterial12,15 e os benzodiazepínicos pouco alterarem seus valores15,16, a tiletamina associada ao zolazepam leva à diminuição, seguida por aumento e estabilização deste parâmetro, em aproximadamente 15 minutos11. Como no presente experimento as variáveis foram mensuradas após este intervalo de tempo, essa resposta bifásica não pôde ser observada, provavelmente por já ter ocorrido estimulação direta do SNC, acompanhada pelo aumento do tônus simpático. Os resultados obtidos do G2 corroboram a literatura no que concerne ao uso de fenotiazínico como MPA à tiletamina/zolazepam, não alterando significativamente a pressão arterial22.

O volume sistólico decresceu a partir de M2, devido, essencialmente, ao aumento da freqüência cardíaca, observação esta que corrobora as de Short25 e Tracy et al.29. Estes citam que, apesar de o volume sistólico diminuir após a aplicação da associação, o débito cardíaco geralmente não se altera, sugerindo que a redução dos valores do volume sistólico está relacionada ao tempo de preenchimento cardíaco diminuído.

A freqüência respiratória no grupo 1 diminuiu em M2 e aumentou, significativamente, após a administração da associação tiletamina/zolazepam, mantendo os valores médios por 45 minutos. Relatos anteriores informam que a associação da tiletamina com o zolazepam leva ao aumento deste parâmetro6,25,29.

A depressão respiratória, observada no G2, pode ter ocorrido devido aos efeitos dos fenotiazínicos sobre a FR27. Entretanto, a redução na freqüência é normalmente compensada por aumento do volume corrente15. Os resultados confirmam os achados de Farver et al.8, que, associando a acepromazina à quetamina, encontraram diminuição significativa da FR após a administração de ambas as drogas.

A concentração de CO2 no volume final expirado (ETCO2), no grupo 1, não mostrou diferenças significativas entre os momentos, apresentando valores médios abaixo dos citados na literatura19,21,23, mesmo nos momentos 1 e 2. Sanders et al.23, utilizando a associação de tiletamina/zolazepam em cães, encontraram valores da variável abaixo de 35 mmHg, indicando hiperventilação. No presente trabalho, ocorreram variações significativas no grupo pré-tratado com acepromazina, ao longo dos momentos. A mais evidente foi o aumento após a aplicação da associação de tiletamina/zolazepam, seguida de redução após 15 minutos. Os resultados do ETCO2, em ambos os grupos, foram proporcionalmente inversos aos encontrados na FR, como esperado, o que está de acordo com os achados de Sanders et al.23.

Os achados relativos à oximetria confirmam as assertivas dos autores consultados, que afirmam serem a tiletamina/zolazepam23 e a acepromazina2 incapazes de alterar significativamente a SpO2.

A temperatura retal decresceu significativamente em ambos os grupos. Quando associados, tiletamina e zolazepam exercem efeitos depressores sobre a temperatura corporal nos cães25,29, o que pôde ser observado nos animais do grupo 1. De acordo com Muir III15, todos os fenotiazínicos promovem a queda na temperatura corporal, devido à hipotensão e ao desarranjo dos mecanismos termorreguladores no hipotálamo.

 

CONCLUSÕES

A análise dos resultados obtidos com o uso da acepromazina como pré-medicação na anestesia dissociativa pela associação tiletamina/zolazepam em cães permite concluir que:

- a acepromazina prolongou o período hábil anestésico;

- a acepromazina não interferiu na taquicardia, induzida pela associação de tiletamina e zolazepam;

- os fármacos em teste não atuaram significativamente sobre a pressão arterial, débito cardíaco, volume sistólico e eletrocardiograma;

- a acepromazina não atuou significativamente sobre a freqüência respiratória, SpO2 e ETCO2;

- as drogas em teste reduziram a temperatura retal;

- o emprego de acepromazina, no pré-tratamento à tiletamina/zolazepam, apresentou vantagens sobre o uso isolado da associação, em cães.

 

 

SUMMARY

The aim of this work was to evaluate the use of acepromazine as pre-treatment to tiletamine/zolazepam association. Twenty male and female healthy adult mixed breed dogs were used. The dogs were allocated in two groups of 10 animals each (G1 and G2). To G1 was administered 0.1 ml/kg of saline at 0.9 % (placebo), followed by 10 mg/kg of tiletamine/zolazepam 20 minutes later, both intravenously. Immediately before the pre-anesthetic medication (M1), before the anesthetic’s application (M2) and at 15, 30, 45 and 60 minutes after the administration of tiletamine/zolazepam association (M3 to M6, respectively), measurements of heart rate (HR), systolic, diastolic and mean blood pressures (SBP, DBP e MBP, respectively), cardiac output (CO), cardiac index (CI), systolic volume (SV), electrocardiogram (ECG), respiratory rate (RR), end tidal CO2 (ETCO2), oxihemoglobin saturation (SpO2) and body temperature (T0) were realized. For G2 the same methodology was used, replacing the placebo by acepromazine, at 0.2 mg/kg. The numeric data were submitted to analysis of profile that demonstrated cardiovascular stability and an increase of the anesthetic period with the use of acepromazine, and it was also observed, in G2, that, in spite of the decrease of RR, the SpO2 and ETCO2 values didn’t have significant alterations, allowing to conclude that the use of acepromazine presents advantages in the isolated use of the tiletamine/zolazepam association, in dogs.

UNITERMS: Dogs; Acepromazine; Tiletamine; Zolazepam; Anaesthesia.

 

 

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Recebido para publicação: 26/01/1999
Aprovado para publicação: 19/10/1999

 

 

1 Departamento de Clínica Veterinária da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP, Campus de Jaboticabal, Jaboticabal – SP
a Zoletil 50 – Virbac do Brasil Ind. e Com. Ltda – São Paulo – SP.
b Acepran 0,2 % - Univet S.A. Ind. Veterinária.
c Eletrocardiógrafo Digital Mod. ECGPC.
d Dixtal Mod. 2010 c/ Módulo p/ Débito Cardíaco.
e UIS Mod. Top Gold.
f Digimax 5000 Mod. ESFMN 2T – Digicare Ind. e Com.
g TAKAOKA mod. 9503.

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