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Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science

Print version ISSN 1413-9596On-line version ISSN 1678-4456

Braz. J. Vet. Res. Anim. Sci. vol.38 no.2 São Paulo  2001

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-95962001000200009 

Aerossolterapia nas doenças respiratórias em eqüinos

Aerosol therapy of equine respiratory disorders

 

Miriam Bastos da SILVA1; Didier H. DUVIDIER1; Dominique VOTION1; Tatiana ART1; Pierre LEKEUX1

 

CORRESPONDÊNCIA PARA:
Miriam Bastos da Silva
Université de Liège, Faculté de
Médecine Vétérinaire
Service de Physiologie
Bât. B42, Sart Tilman B-4000 Liège, Belgique - Bélgica
e-mail: pierre.lekeux@ulg.ac.be /
Miriam.BastosDaSilva@ulg.ac.be /
ddidier@ulg.ac.be /
Dominique.Votion@ulg.ac.be /
Tatiana.Art@ulg.ac.be

 

 

RESUMO

Affecções respiratórias na espécie eqüina são freqüentemente implicadas como uma das causas de fraco desempenho esportivo. A maior freqüência ocorre nas doenças do sistema respiratório inferior, como a doença pulmonar crônica obstrutiva (COPD), doenças inflamatórias das vias aéreas e hemorragia pulmonar induzida pelo exercício (HPIE). Classicamente, os tratamentos dessas enfermidades incluem as drogas de administração sistêmica, porém, a aerossolterapia é hoje conhecida por ser especificamente um dos melhores tratamentos dessas doenças. A finalidade deste trabalho é de descrever o equipamento e as drogas normalmente utilizadas na aerossolterapia em eqüinos.

UNITERMOS: Aerossolterapia; Eqüinos; Affecções respiratórias.

 

 

INTRODUÇÃO

A erossolterapia ou inalação de uma substância medicamentosa é um método de administração direta, apropriado no tratamento das doenças do sistema respiratório. Como as drogas são depositadas diretamente no trato respiratório, a aerossolterapia permite uma dosagem menor, além de ter rápida ação e diminuir a incidência de efeitos colaterais da toxicidade sistêmica. O aerossol contém as micropartículas de medicamento que, em relação ao seu estado físico, ou seja, líquido, gás ou sólido, podem ser produzidas através de um nebulizador, de um dosador de aerossol (metered-dose inhaler ¾ MDI) ou de um inalador de partículas secas.

Deposição de partículas no aparelho respiratório

Primariamente, a deposição das partículas de aerossol terapêutico nas vias respiratórias é determinada através de diferentes tamanhos das partículas, sendo mais profunda caso essas partículas tenham tamanho reduzido. A função de filtração das fossas nasais assegura a absorção das partículas de 5 a 10 µm no sistema respiratório superior, enquanto 90% das partículas menores que 0,5 µm são eliminadas segundo informações de Clarke; Pavia20. A maior parte do conteúdo do aerossol é depositada nos alvéolos, caso o tamanho das partículas seja menor que 2 µm66.

Dois mecanismos físicos principais induzem a deposição dos aerossóis no aparelho respiratório: impactação inerte e sedimentação, descritos por Brain; Valberg14 (Fig. 1). A impactação inerte é um fenômeno produzido quando uma partícula possui uma energia cinética superior à imposição da força do fluxo aéreo. Por inércia, essas partículas vão penetrar na parede das vias respiratórias. A impactação ocorrerá inicialmente nas curvas e bifurcações das vias aéreas, onde o fluxo inspiratório é relativamente mais turbulento. A importância da impactação aumenta em função do diâmetro das partículas, sendo que as maiores impactar-se-ão na orofaringe.

 

 

A sedimentação corresponde à deposição das partículas maiores, capazes de penetrar na parte periférica do trato respiratório. As partículas do tamanho de 1 a 5 µm são submetidas ao movimento de descida, até que sejam depositadas nas paredes das vias respiratórias. A penetração dessas partículas é favorecida pelo fluxo respiratório fraco provocado pela inspiração lenta e profunda. Isso ocorrerá principalmente nas vias aéreas mais profundas, onde o fluxo de ar é fraco e laminar. A sedimentação dessas partículas dependerá igualmente do tempo da pausa respiratória no fim da inspiração, permitindo o aumento do tempo necessário à deposição das partículas nas paredes dos brônquios.

Outros mecanismos de deposição são devidos à difusão (movimentos brownianos), forças elétricas e intercepção, porém a sua importância é provavelmente de pequena relevância para os aerossóis terapêuticos.

O diâmetro e a deposição das partículas de aerossol são influenciados pelas propriedades do próprio aerossol: viscosidade, densidade, pressão superficial da solução nebulizada e crescimento higroscópico51, assim como do paciente: anatomia fisiopatológica e modelo respiratório, segundo Pavia et al.55 e Timsina et al.69. A validação da cintigrafia em grandes animais tem proporcionado melhor compreensão na deposição de pequenas partículas nos seus pulmões, segundo Votion et al.75. Esses autores demonstraram, através do emprego desse método, que a deposição de partículas na área pulmonar em eqüinos é menor do que no homem. Contudo, em bovinos essa deposição é diferente da espécie eqüina, por causa das propriedades morfológicas e funcionais, como afirmaram Coghe et al.24

Qualidade mínima requerida das drogas na aerossolterapia

Nem todas as drogas normalmente conhecidas no tratamento sistêmico podem ser utilizadas na inalação. De fato, vários fatores físicos e químicos influenciam na ação de um aerossol, como por exemplo a viscosidade e a tonicidade. Geralmente, a solução aerossolizada deve ser isotônica. Alguns autores como Mann et al.46 demonstraram que um nebulizador hipotônico ipratrópio bromato causa broncoconstrição e que a reformulação com a solução isotônica pode impedir esse risco. Certos componentes da solução de aerossol podem causar broncoconstrição, como, por exemplo, benzalcônio EDTA, clorbutol, ácido edético e metabissulfito, que não deveriam ser incluídos nos aerossóis8,78.

Tipos de procedimentos na inalação

A aerossolterapia é normalmente produzida pela atomização de um líquido, com o emprego de ar comprimido (nebulização pneumática) ou vibração de um quartzo piezelétrico (nebulização ultra-sônica). Os aerossóis podem ser administrados pelo uso de um dosador de aerossol (MDI) ou através de um inalador de partículas secas (dry powder inhalers ¾ DPI) Genicot et al.37 Embora todos esses sistemas produzam partículas respiráveis, existe uma grande variação na eficiência de acesso das drogas nos pulmões, dependendo da combinação de compressores e nebulizadores74. Além disso, cada sistema de transporte e cada combinação de drogas tem uma característica única de deposição, que deverá ser estudada individualmente. Observa-se também que o material poderá ser contaminado com bactérias ou fungos. Por esse motivo, a desinfecção do equipamento (cúpulas, conectores e máscaras faciais) é muito importante.

1) Nebulizador pneumático

A nebulização pneumática (Fig. 2) possui um potente compressor de ar (no mínimo 6 bar) que gera um fluxo de ar ligado ao medicamento líquido para produzir o aerossol. Através da alteração de relação do fluxo gasoso, o tamanho das partículas de aerossol e também sua distribuição pulmonar podem variar. A principal desvantagem deste tipo de nebulizador é o barulho produzido pelo compressor. A geração de um aerossol com diâmetro menor que 5 µm requer um mínimo de fluxo de ar de 6 a 8 l/min22,23.

 

 

Os nebulizadores pneumáticos disponíveis comercialmente em medicina humana são baratos e de fácil utilização. Infelizmente, o baixo fluxo de ar e relativamente a baixa pressão tornam esses aparelhos inapropriados para a espécie eqüina. Por esse motivo, um outro aparelho do mesmo tipo foi criado especialmente para cavalos. A eficiência desse novo tipo de aparelho, cujo aerossol deposita seu conteúdo diretamente nos pulmões desses animais, foi demonstrada por Votion et al.75.

2) Nebulizadores Ultra-sônicos

Nos nebulizadores ultra-sônicos (Fig. 3), o aerossol é produzido através da vibração do cristal piezelétrico, que emite ondas ultra-sônicas. Esses dispositivos podem produzir maior concentração de aerossol e, segundo Raabe57, são relativamente silenciosos. Entretanto, o seu uso é limitado, devido ao seu maior consumo de aerossol e à sua fragilidade. Além disso, o aerossol é produzido com partículas de maior diâmetro, gerando um grande fluxo de ar, melhor que o do nebulizador pneumático34. O efeito da administração medicamentosa tem sido demonstrado com esse tipo de nebulizador para cavalos que sofrem de DPOC60,65 e nos pôneis que são acometidos de obstrução do aparelho respiratório15.

 

 

3) Dosadores de aerossol (MDI)

Chamados de "metered-dose inhaler" (MDI), apresentam-se na forma de um reservatório (Fig. 4). Esses aparelhos mantêm sob pressão o medicamento em suspensão dentro de um solvente volátil, geralmente o clorofluorcarbonato (CFC), que em grandes doses pode sensibilizar o miocárdio, devido à presença das catecolaminas circulantes, provocando assim arritmias ventriculares. Os dosadores de aerossol geram pequenas gotas constituídas de uma fase sólida (partículas do medicamento) em suspensão dentro do solvente. Isso demanda a agitação do reservatório antes da utilização, a fim de obter uma mistura homogênea. A taxa de deposição foi aperfeiçoada graças à utilização das câmaras de expansão ("spacer"), permitindo a diminuição da velocidade de propulsão do aerossol, tendo como conseqüência direta a redução do impacto orofaringeano73. Assim, sendo mantido o aerossol na câmara de expansão, o paciente pode inalá-lo sem precisar sincronizar sua inspiração com a liberação manual do medicamento75.

 

 

A adaptação da inalação por meio do dosador de aerossol na espécie eqüina é efetuada por dois sistemas distintos: o primeiro requer a utilização de uma máscara facial, onde a câmara de expansão e o dosador de aerossol são adaptados, e foi demonstrado no Canadá por autores como Hoffman et al.40, Tesarowski et al.68, Derksen28. O segundo sistema evita o uso da máscara e consiste de uma câmara de expansão ("spacer"), onde o aparelho e a câmara do MDI são acionados (Fig. 4)28,29. Sua forma adapta-se em uma das narinas. O aparelho indica a inspiração e a exalação do cavalo e permite a sincronização entre o uso manual das drogas e a respiração.

4) Inalador de partículas secas (DPI)

Em medicina humana, os inaladores de partículas secas são fruto de observações das desvantagens dos outros métodos de inalação e da vontade de minimizá-los. Os inaladores de partículas secas (Fig. 5) são aparelhos de ativação respiratória, destinados a gerar o aerossol quando o fluxo inspiratório do paciente cruza o aparelho que contém o medicamento. O fluxo de ar pode ser muito maior na desagregação dessas partículas secas. No entanto, o paciente inspira o medicamento requerido na sincronização entre a liberação manual da droga e a sua inspiração69.

 

 

Existem dois tipos essenciais de DPI: o primeiro utiliza agentes que preenchem uma cápsula de gelatina, o segundo possui um reservatório que pode ser usado na base de múltiplas doses4.

A aerossolização das partículas secas ocorre quando o fluxo inspiratório do paciente através do inalador mantém a substância ativa na forma de pó micronizado. A micronização é um procedimento que ocorre quando o tamanho das partículas não ultrapassa 6 µm e favorece a deposição periférica. Além disso, ela permite que a substância ativa saia do inalador e, uma vez liberada no sistema respiratório, siga o fluxo aéreo32.

A separação da substância ativa ocorre graças ao turbilhão de ar criado pelo fluxo inspiratório dentro do inalador. A dispersão das partículas secas no aerossol é dependente da turbulência do ar criado dentro do inalador em relação ao fluxo aéreo absoluto. Entretanto, para cada modelo de inalador, a turbulência é proporcional ao fluxo inspiratório59. O aumento máximo do fluxo respiratório que o paciente poderá receber quando ele inala é inversamente proporcional à resistência específica desse inalador33. A maioria dos DPIs requer uma relação de fluxo inspiratório de 60 l/min para poder desagregar as partículas secas com eficiência. Por esse motivo, foi criada uma adaptação do DPI para os cavalos, que necessitam da máscara facial sem entrada de ar32.

Abordagem terapêutica das doenças respiratórias

Os medicamentos terapêuticos empregados em medicina humana continuam a ser indicados em eqüinos com problemas respiratórios agudos de recuperação rápida. A medicação normalmente utilizada pode ser classificada em relação a sua própria ação no sistema respiratório:

1) Broncodilatadores (b2 agonistas, anticolinérgicos, derivados das xantinas);

2) Estabilizadores das células mastócitas;

3) Substâncias antiinflamatórias (esteroidais e não-esteroidais);

4) Drogas de ação nos espaços mucociliares;

5) Antibióticos.

Na Tab. 1 encontram-se a classificação e os objetivos das drogas que são utilizadas em inalação nos cavalos. Existem outras substâncias que são utilizadas no aerossol em medicina humana, mas elas ainda não foram utilizadas em eqüinos e são administradas somente por via sistêmica. Elas serão apresentadas no final deste trabalho.

1) Broncodilatadores

1.1) b2 Agonistas

Essas substâncias têm uma ação de ligação dos adrenorreceptores na superfície das células dos músculos lisos, induzindo-os a um relaxamento. Podem exercer um papel no controle do transporte do muco da via aérea dos pacientes que sofrem de doença obstrutiva dos pulmões. Alguns estudos demonstraram o efeito dos b2 agonistas nos espaços mucociliares nos eqüinos e em medicina humana3,55,72. A utilização mais importante dos b2 agonistas é de induzir ou de manter a broncodilatação em eqüinos afetados com DPOC e nas doenças inflamatórias das vias aéreas inferiores.

Nos pôneis com DPOC, a aerossolterapia com pirbuterol é cumulativa em doses de 2.400 ¾ 3.200 µg, além de produzir transpiração, tremores e excitação26, entretanto, a dose de 800 µg causa efeito final de broncodilatação durante 30 min com um mínimo de efeito colateral. Outro estudo foi realizado por Derksen et al.29 em cavalos com DPOC, no qual se chegou à conclusão de que o pirbuterol pode ser inalado por via MDI, causando broncodilatação com uma dose de 600 µg/cavalo, sem efeitos colaterais. A ação dura aproximadamente uma hora.

1.2) Drogas Anticolinérgicas

Essas substâncias agem como agentes parassimpatolíticos e são inibidoras competitivas da acetilcolina com os receptores locais38,78. Um componente desta classe de drogas é a atropina. Nos eqüinos, o uso sistêmico da atropina induz ou mantém a estase gastrointestinal31, aumentando o risco de cólica, apesar da ação terapêutica ser de curta duração56.

A dosagem da atropina de 0,02 mg/kg de peso vivo causa mudanças idênticas nos parâmetros pulmonares, quando é administrada por via sistêmica ou através da inalação, ou seja, causa efeitos colaterais indesejados, como taquicardia, midríase, aumento da viscosidade da secreção bronquial. Por esses motivos, esse medicamento não deve ser prescrito como um agente terapêutico em tratamentos de longa duração52. Entretanto, como componente colinérgico, essa substância tem sido identificada nos broncoespasmos observados em eqüinos com DPOC16 e é indicada também como um dos tratamentos ideais nesse tipo de doença do sistema respiratório.

O ipratrópio bromato é uma amônia quaternária, derivada da atropina, e virtualmente livre de efeito central quando utilizado na aerossolterapia, graças às suas propriedades químicas que o impedem de atravessar as barreiras das membranas alvéolo-capilares. Quando administrado pelo aerossol, induz a diminuição da relação de absorção nas vias aéreas e a sua concentração sangüínea é muito menor53. Em eqüinos com DPOC, a nebulização com ipratrópio bromato causa broncodilatação durante 6 horas na dosagem de 2,0 - 3,0 µg/kg de peso vivo60. Foi demonstrado que nessa mesma dose a inalação de partículas secas desses agentes melhora a função pulmonar dos cavalos afetados33.

Essa substância pode ser potencialmente benéfica no tratamento das doenças inflamatórias de pequeno grau das vias aéreas inferiores, desde que algumas evidências que também ocorrem nessa afecção, como a broncoconstrição de causa vagal, possam ser comprovadas40. Nesse caso, vários estudos devem ser ainda realizados para confirmar essa suspeita.

1.3) Derivados da Xantina

A teofilina e a aminofilina são conhecidos derivados da xantina. Nos cavalos, esses medicamentos são normalmente administrados pelas vias oral ou parenteral. Em medicina humana, muitos estudos demonstraram a eficácia dessas drogas durante a inalação, mesmo que a broncodilatação seja menor do que a obtida depois da inalação com os b2 agonistas13,25. Essas substâncias agem nos espaços mucociliares, o que tem sido atribuído ao estímulo do transporte mucoso na via aérea central19.

Somente 5% dos cavalos afetados com DPOC demonstraram uma resposta eficaz durante a administração intravenosa dos derivados da xantina56. Outro estudo determinou a correlação entre a concentração plasmática da teofilina por via intravenosa e seus efeitos na mecânica ventilatória pulmonar nos pôneis com obstrução da via aérea recorrente48. Esses autores concluíram que a teofilina é um broncodilatador eficaz numa concentração plasmática de 59 µmol/l. Contudo, doses acima de 84 µmol/l causam efeitos colaterais sistêmicos, ou seja, excitação e taquicardia. A eficácia terapêutica dos derivados da xantina é real para a espécie eqüina, mas a sua margem terapêutica é menor que nos homens30 e nenhum estudo foi publicado até hoje, nessa espécie, no que concerne à utilização dessa substância no aerossol.

2) Estabilizadores das células mastócitas

Acredita-se que o cromoglicato de sódio inibe a liberação de mediadores químicos nas células mastocitárias do músculo liso bronquial, e também previne o ataque da broncoconstrição19. O cromoglicato de sódio continua a ser bastante utilizado na profilaxia das doenças respiratórias, sem exercer nenhum efeito direto no músculo liso bronquial, bem como no antagonismo direto contra os mediadores inflamatórios1. No entanto, além de reduzir o estímulo vagal bronquial aferente, essa droga também pode reduzir o reflexo de broncoconstrição, diminuindo em seguida a hiper-reatividade bronquial não específica58.

Vários estudos testaram a ação preventiva da nebulização com o cromoglicato de sódio em cavalos com DPOC. Por exemplo, parece que a nebulização dessa droga em uma dose de 80 mg diários em 1 a 4 semanas previne os sinais de DPOC durante 3 semanas depois da exposição inalatória21,70. Contudo, Soma et al.65 constataram que a nebulização em cavalos, com uma dose acima de 500 mg de cromoglicato de sódio durante 2 dias consecutivos, antes da sua exposição ao estábulo, não foi suficiente como medida preventiva dessa doença.

3) Substâncias antiinflamatórias

3.1) Corticosteróides

A maioria das informações clínicas a respeito dos efeitos da inalação das drogas antiinflamatórias esteroidais são conhecidas no homem. Nesses pacientes, a inalação com corticosteróides é muito eficaz no controle da asma43,50. De maneira geral, elas inibem a secreção liberada pelas células inflamatórias e reduzem as concentrações dos produtos de origem da metabolização do ácido araquidônico, através da ciclooxigenase (prostaglandinas) e pela lipooxigenase (como as leucotrienas)71. Foi demonstrado por Barnes5 que elas suprimem a inflamação das vias respiratórias, diminuindo a transcrição dos genes que se unem com mediadores inflamatórios e com enzimas, ligados a esses processos. As drogas utilizadas são beclometasona, betametasona, triamcinolona, budesonide, fluticasona e flunisolida, que exercem um efeito tópico nos pulmões, mas são inativadas pelo fígado quando absorvidas pela parede intestinal45.

As pequenas doses prescritas de corticosteróides e a baixa taxa plasmática encontrada após inalação minimizam os efeitos colaterais sistêmicos6,18. No homem, os efeitos colaterais da aerossolterapia com costicosteróides incluem a candidíase orofaringeana, disfonia, tosse e rouquidão. Entretanto, essa incidência foi diminuída devido à utilização do MDI, que reduz a taxa de deposição orofaringeana com o aerossol.

Nos cavalos que sofrem de enfermidade das vias aéreas inferiores, é bem conhecida a melhora dos sinais clínicos que segue a terapia sistêmica com costicosteróides. A inalação de histamina induz a uma hiper-reatividade das vias aéreas, mas a injeção intramuscular de prednisolona durante um período de 3 dias diminui esses efeitos42. É possível que a administração sistêmica de corticosteróides cause efeitos colaterais indesejados, tais como supressão adrenal, predisposição para laminite e infecções. Por isso, esses medicamentos não devem ser utilizados com muita freqüência e devem ser prescritos em pequenas doses9.

Outro estudo demonstrou que a injeção intramuscular de triamcinolona foi eficaz para diminuir a obstrução das vias aéreas em cavalos com DPOC, mas esse efeito não foi significante para eqüinos que sofriam de dispnéia, nos quais os sintomas clínicos não foram reversíveis com a aplicação da atropina 44. Esses autores sugeriram que as lesões pulmonares irreversíveis impedem a cura da obstrução respiratória nos cavalos.

O dipropionato de beclometasona é um esteróide comum utilizado no tratamento dos homens asmáticos17. Essa droga é disponível para os eqüinos através da utilização com o MDI, em uma dose administrada de 3.750 µg de peso vivo durante um período de 2 semanas, via aeromáscara. Foi demonstrada no Canadá durante a redução da disfunção respiratória nos cavalos DPOC2.

3.2) Drogas antiinflamatórias não-esteroidais

Recentes estudos sugeriram que a inalação de medicamentos antiinflamatórios não-esteroideanos como nimesulida, indomethacina e ácido acetilsalicílico é eficaz no tratamento dos processos inflamatórios pulmonares, como foi demonstrado na prevenção da broncoconstrição em cobaias10.

Os sinais clínicos nos eqüinos com DPOC são o resultado da obstrução e inflamação pulmonar27 e o controle dessa resposta inflamatória é o objetivo mais importante da terapia dessa doença, assim como em outras enfermidades respiratórias. Entretanto, a administração do flunixin meglumine inibe a ciclooxigenase em pôneis com DPOC e não modifica o grau de obstrução das vias aéreas, devido à inalação da poeira contida no feno36. Apesar dessa afirmação, nenhum outro estudo foi consagrado à eficácia do aerossol não-esteroidiano em eqüinos.

4) Drogas que agem nos espaços mucociliares

A remoção do muco nas vias aéreas é determinada através de um número de fatores, tais como viscosidade, quantidade de muco e atividade ciliar. Esses processos são influenciados por várias afecções, como as infecções virais e bacterianas nos cavalos, além da DPOC.

As drogas mucocinéticas são usadas nos tratamentos das doenças pulmonares em eqüinos. As drogas mucociliares podem ser divididas em 5 grupos de acordo com os seus mecanismos de ação:

4.1) Drogas mucolíticas (água esterilizada, solução salina esterilizada, acetilcisteína, bicarbonato de sódio, glicolpropileno), que diminuem a viscosidade do muco e permitem uma atividade ciliar eficaz;

4.2) Drogas de ação sobre a pressão de superfície (glicerol, álcool etílico) que hidratam e emulsificam as secreções respiratórias;

4.3) Agentes broncomucotrópicos (expectorantes como a bromexina, iodeto de potássio etc.) que aumentam o volume e diminuem a viscosidade das secreções;

4.4) Promotores da ciliatura respiratória (b2 simpatomiméticos) que aumentam a freqüência dos batimentos;

4.5) Broncodilatadores (b2 simpatomiméticos e as bases xantinas), que permitem a dilatação das vias respiratórias obstruídas e melhoram a expectoração da secreção.

Muitas dessas substâncias mucolíticas eficazes atuam na pressão superficial e algumas drogas broncomucotrópicas podem ser aplicadas através da aerossolterapia nos eqüinos30. A ação de alguns desses medicamentos não está bem esclarecida, o que dificulta o entendimento do fraco efeito durante a recuperação clínica dos animais que receberam o aerossol.

5) Antibióticos

A execução da administração em aerossol tem sido sugerida quando a ação oral dos antibióticos não for eficaz. A via inalatória é uma alternativa mais atraente que a via oral, pois, de maneira geral, quando os antibióticos são administrados por via oral, o aumento da concentração plasmática é necessário para se alcançar um efeito máximo nas vias aéreas. Como conseqüência, a prescrição de grandes doses aumenta o risco de aparecimento de efeitos secundários. Os efeitos secundários potenciais devido à inalação de antibióticos incluem a resistência bacteriana e a seleção progressiva das camadas de resistência. A aerossolterapia com aminoglicosídeos, penicilina de largo espectro ou cefalosporinas tem sido utilizada para o tratamento das infecções pulmonares por Pseudomonas71.

Em cavalos adultos, as pneumonias bacterianas são causadas pelo estresse, que induz uma imunodeficiência transitória, como aquela provocada por uma infecção viral61. Nos casos de pneumonia em potros, tem sido relatada a eficácia da nebulização com a gentamicina, sulfato de kanamicina e sulfato de polimixina77. Para as doenças respiratórias infecciosas em cavalos adultos, alguns veterinários clínicos usam o ceftiofur sódico (Excenel) 1 para inalação. Esse antibiótico pode ser misturado com etanol antes do uso na aerossolterapia. A sua eficácia clínica tem sido demonstrada nas broncopneumonias em bovinos por Sustronck67, mas não em eqüinos. De fato, a eficácia da inalação com antibióticos em cavalos adultos ainda não foi publicada.

Outros agentes

1) Furosemida

Nos homens, a inalação com furosemida é bem conhecida por prevenir a asma induzida pelo esforço físico11 e pela proteção contra a indução com alergênico de reação asmática12. Em eqüinos, o furosemida é um potente agente natriurético que pode também deprimir a resposta de muitos agonistas no músculo liso e induzir o estímulo nervoso80. Essa atenuação da pressão pulmonar vascular tem sido atribuída na diurese induzida pela diminuição no volume do plasma e na redução do retorno venoso. Entretanto, a furosemida pode também favorecer o aumento da produção de prostaglandinas, resultando no aumento da capacidade vascular, assim como na diminuição do retorno venoso para o coração35.

A inalação e a administração intravenosa de furosemida na dose de 1 mg/kg de peso vivo possui um efeito broncodilatador quando dado aos pôneis com obstrução das vias aéreas15. Da mesma maneira, nos cavalos com DPOC, a administração intravenosa de furosemida causou broncodilatação durante cinco horas. Esse efeito foi provocado graças aos prostanóides62. Em cavalos com HPIE, a furosemida tem sido relatada como redutora do volume hemorrágico49. Contudo, mais investigações a esse respeito devem ser executadas.

2) Agentes antifúngicos

Apesar dos iodetos e seus derivados terem sido utilizados durante muito tempo e de possuírem ação aparentemente secretolítica, ajudando na expectoração, a sua utilização na espécie eqüina não tem sido criticamente relatada. Essas substâncias broncomucotrópicas ativam a digestão proteolítica do muco presente na entrada das vias respiratórias, o que provoca a diminuição da viscosidade, facilitando a expectoração.

Quando administrados por via sistêmica, esses agentes não possuem efeito antiinflamatório ou broncodilatador. O epitélio respiratório pode ativar o transporte de íons de iodetos dentro do lume das vias aéreas, assim como pode aumentar a digestão proteolítica do muco pelas enzimas presentes em secreção purulenta9. O seu modo exato de ação e sua eficácia são desconhecidos. A nebulização pela anfotericina B tem sido utilizada em potros no tratamento da pneumonia fúngica63.

3) Substâncias antimediadoras

Trata-se de uma variedade de drogas utilizadas no tratamento de diversas doenças em medicina humana; por exemplo, antagonistas específicos da histamina, serotonina, leucotrienos, antagonistas do fator de ativação plaquetária (platelet-activating factor-PAF), como o WEB 2086 um triazolodiazepine7. No momento, outras drogas antimediadoras, tais como inibidores da síntese de tromboxane, citoquinas, detergentes e drogas antivirais, têm sido utilizadas em experimentos de diversas espécies animais. Como existem similaridades entre as doenças respiratórias no homem e nos eqüinos, diversos tratamentos relacionados a essas drogas em humanos podem oferecer novas perspectivas na terapia para eqüinos. No entanto, todas as extrapolações de uma espécie a outra devem ser validadas por estudos específicos em cada espécie.

A ribavirina é um agente antiviral que é utilizado em medicina humana, principalmente em crianças com infecções respiratórias, mas infelizmente ainda não foi demonstrada em medicina veterinária. Esse nucleosídio sintético pode ser comparado à guanosina e à iosina, que normalmente modificam a expressão do mensageiro do ácido ribonucléico e impedem a síntese das proteínas virais47.

4) Associação de agentes terapêuticos

Em medicina eqüina, a associação dos medicamentos é freqüentemente utilizada pelos clínicos. Essa associação agrupa geralmente três tipos de medicamentos: um broncodilatador, um antibiótico e um corticosteróide. Contudo, nenhum estudo científico demonstrou a vantagem ou desvantagem clínica e terapêutica dessa associação. A administração combinada de medicamentos pode teoricamente conduzir a efeitos terapêuticos sinérgicos sem aumento dos efeitos secundários de uma ou outra substância. Além disso, a ação dessas substâncias será mais rápida e a duração mais prolongada41.

 

CONCLUSÕES

O uso de broncodilatadores através do aerossol poderá tornar-se uma das vias comuns no tratamento das enfermidades respiratórias, como no caso da DPOC. Futuras pesquisas poderão demonstrar quais substâncias serão utilizadas em diversas outras doenças respiratórias.

O entendimento das técnicas de aerossol e das modificações fisiopatológicas nas enfermidades respiratórias facilitará o uso da aerossolterapia pelos clínicos especializados em eqüinos. Com as substâncias testadas, adequar-se-á um método terapêutico mais eficaz no tratamento das enfermidades mais freqüentes das vias respiratórias desses animais.

O uso do aerossol permite que os proprietários ou tratadores continuem a administração do tratamento, sem requerer a presença do veterinário, de modo que o cavalo é beneficiado com o emprego de um método simples e eficaz.

 

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao Dr. Eduardo da Costa, pela revisão gramatical e ortográfica e às Sras. M. Leblond e I. Sbai pela assistência técnica.

 

 

SUMMARY

Respiratory problems are frequently implicated in horses as a cause of poor sportive performances. The most frequently occurring lower respiratory tract disorders are chronic obstructive pulmonary disease (COPD), inflammatory airway disease and exercise-induced pulmonary haemorrhage (EIPH). Classically, their treatment includes systemic administration of drugs, but aerosol therapy is now known to be a more specific way to treat these disorders. This article describes the equipment and drugs currently available for aerosol therapy in horses.

UNITERMS: Aerosol therapy; Respiratory disorders; Equine.

 

 

REFERÊNCIAS

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Recebido para publicação: 09/03/2000
Aprovado para publicação: 02/07/2001

 

 

1- Université de Liège, Faculté de Médecine Vétérinaire, Service de Physiologie, Bât. B41, Sart Tilman, B-4000 Liège, Belgique

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