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Perspectivas em Ciência da Informação

On-line version ISSN 1981-5344

Perspect. ciênc. inf. vol.17 no.4 Belo Horizonte Oct./Dec. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-99362012000400008 

ARTIGOS

 

Teoria e prática em catalogação de assunto:  a sistematicidade do processo em contexto de bibliotecas universitárias pela perspectiva profissional

 

Theory and practice in subject cataloging: the systematic nature of the process in the context of university libraries by professional perspective

 

 

Paula Regina Dal' EvedoveI; Mariângela Spotti Lopes FujitaII

IDoutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação
IIProfessora Titular do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual Paulista

 

 


RESUMO

A natureza subjetiva da catalogação de assunto imprime certas peculiaridades nas ações dos profissionais que realizam a atividade em domínios específicos. Sendo assim, mostra-se necessária à realização de estudos que cerquem as ações dos catalogadores de assunto, ancoradas na realidade do contexto de bibliotecas universitárias, para a obtenção dos fatores influentes do saber e do fazer profissional. Portanto, analisa-se o conhecimento profissional acerca da sistematicidade do processo da catalogação de assunto em perspectiva sociocognitiva. Para tanto, aplica-se a técnica de Protocolo Verbal em Grupo com três catalogadores de assunto de distintas bibliotecas universitárias do estado de São Paulo, a fim de conhecer a realidade do processo da catalogação de assunto pela perspectiva profissional. Os resultados apontam a necessidade de instrumentos metodológicos que propiciem sustentabilidade prática à catalogação de assunto, em contexto de bibliotecas universitárias.

Palavras-chave: Catalogação de assunto; Análise de assunto; Atuação profissional; Bibliotecas universitárias.


ABSTRACT

The subjective nature of cataloguing of subject prints certain peculiarities in the actions of professionals who conduct the activity in specific areas. Thus, it showns the necessity of studies that surround the actions of the subject catalogers, anchored in the reality of the context of university libraries, to obtain the influential factors of professional knowing and doing. Therefore, we analyze the professional knowledge about the systematic process of cataloging sociocognitive perspective on the subject. Therefore, it applies the technique of Verbal Protocol Group catalogers with three distinct subjects of academic libraries in the state of São Paulo in order to know the reality of the subject cataloging process by professional perspective. The results indicate the need for methodological tools that provide sustainability to the subject cataloging practice in the context of university libraries.

Keywords: Subject cataloging; Subject analysis; Professional performance; University libraries.


 

 

1 Introdução

Institucionalizada a partir de uma concepção interdisciplinar subjacente, a Ciência da Informação dedica-se à investigação científica em torno da informação registrada para sanar as possíveis necessidades informacionais dos sujeitos, instituições e sociedade. Por sua vez, a Ciência da Informação apresenta forte dimensão cognitiva no que tange ao processamento da informação na área de Organização e Representação do Conhecimento, especificamente no âmbito do Tratamento Temático da Informação devido à subjetividade inerente às etapas do processo.

O postulado fundamental da abordagem cognitiva no campo científico da Ciência da Informação tem como ênfase a recuperação e o processamento técnico da informação, em que viabiliza pesquisas qualitativas de modo que a subjetividade da atividade mental pode ser desvendada a partir de ações que proponham revelar aspectos implícitos nas estruturas de conhecimento. No entanto, as estruturas de conhecimento devem ser explicadas com base no contexto social do sujeito, pois, segundo Hjørland (2002) a realidade é entendida pelo sujeito conhecedor de domínios específicos e formada pelo contexto histórico e cultural, propiciando-lhe a capacidade de perceber a realidade e todos os seus fatores inerentes.

Os aspectos de cunho subjetivo correspondem a uma das grandes indagações na área de Organização e Representação do Conhecimento. Por esta razão, acredita-se que os estudos cujo foco seja analisar a catalogação de assunto por meio da realidade profissional no ambiente de trabalho podem contribuir para a compreensão da subjetividade inerente ao processo, especificamente na análise de assunto enquanto etapa primordial para uma efetiva acessibilidade temática do conteúdo dos documentos, o que apresenta influência direta na recuperação da informação. Este apontamento respalda-se no fato de que o levantamento de interesse, grau de informações, atitudes, visões, opiniões e conhecimentos que os catalogadores de assunto possuem do processo a nível teórico-prático contribuem para a melhoria da prática profissional em contexto de bibliotecas universitárias (DAL' EVEDOVE, 2010). 

Em virtude do número incipiente de estudos voltados para o profissional bibliotecário que realiza a catalogação de assunto enquanto elemento influente e essencial para a realização das etapas do processo de maneira uniforme, visando diminuir/eliminar incoerências ou omissões e dar maior consistência para a criação de produtos informacionais, julga-se pertinente à análise das ações profissionais ancoradas na realidade do contexto de bibliotecas universitárias para a obtenção dos fatores influentes do saber e do fazer, a partir da observação do autoconhecimento/consciência dos catalogadores de assunto e sistematicidade do processo em perspectiva sociocognitiva.

Desse modo, o estudo visa a identificar se as ações cotidianas dos profissionais bibliotecários estão embasadas nos aportes teóricos da área de Organização e Representação do Conhecimento, com foco na sistematicidade do processo da catalogação de assunto. Para tanto, utiliza-se a técnica introspectiva de coleta de dados – Protocolo Verbal, a fim de analisar o processo da catalogação de assunto em contexto de bibliotecas universitárias pela perspectiva profissional.

 

2 A catalogação de assunto no âmbito da Organização e Representação do Conhecimento: breves pontuações

A primazia da área de Organização e Representação do Conhecimento sustenta-se na "descrição de documentos, seu conteúdo, características e propósitos, e a organização destas descrições, para fazer destes documentos e de suas partes acessíveis às pessoas, buscando-os ou as mensagens que eles contêm" (ANDERSON, 1996, p. 337). Na contemporaneidade, seu núcleo de estudos concentra-se nos sujeitos que definem os mecanismos de organização da informação. Sob este foco, os estudos propiciam subsídios necessários para distintas áreas investigativas em Ciência da Informação, dentre as quais se destaca o Tratamento Temático da Informação enquanto um "[...] conjunto de procedimentos utilizados para exprimir o conteúdo dos documentos científicos sob formas destinadas a facilitar a sua localização ou consulta" (GARDIN et al., 1981, p. 48). Portanto, caracteriza-se "[...] num exercício intelectual de apreensão e representação do conhecimento contido em algum tipo de fonte informacional, que se completa, quando, em algum momento, o usuário recupera a informação necessária à consecução de sua ação" (VARELA; BARBOSA, 2007, p. 123). 

Tradicionalmente, o Tratamento Temático da Informação consolidou-se a partir de três vertentes de pensamento, sendo essas concepções a Subject Cataloging, Indexing e a Analyse Documentaire (GUIMARÃES, 2007). A concepção da Subject Cataloging assenta-se em uma abordagem mais pragmática da área, sendo o catálogo o produto do Tratamento Temático da Informação em contexto de bibliotecas. Esta concepção norte-americana foi preconizada a partir dos seguintes marcos: a) princípios estabelecidos por Charles Ammi Cutter (1904) para a catalogação alfabética; e b) decorrente influência da tradição das listas de cabeçalhos de assunto construídas pela Library of Congress estadunidense. 

Ao longo do desenvolvimento histórico da Organização e Representação do Conhecimento, três vertentes subjacentes às dimensões teóricas (Subject Cataloging, Indexing e Analyse Documentaire) foram se estabelecendo: a) processos; b) produtos; e c) instrumentos, os quais assumiram papel fundamental para a consolidação da área (GUIMARÃES, 2004). Contudo, as três etapas do processo metodológico pertencente à representação de conteúdo são, respectivamente: análise, síntese e representação (KOBASHI, 1994). Tais etapas permitem que o conteúdo temático do documento seja representado em forma de subprodutos, em diferentes níveis de especificidade.

O primeiro processo da análise ou etapa analítica tem por objetivo revelar, a partir de um trabalho intelectual, os conceitos que melhor representem a essência do conteúdo informacional do documento ou, ainda, "se pode entender como sendo a separação das partes de um todo até chegar a conhecer seus princípios e elementos" (VIZCAYA ALONSO, 1997, p. 33). Portanto, refere-se ao momento em que ocorre a leitura e segmentação da informação para identificação e seleção de conceitos representativos, ou seja, a decomposição dos elementos do todo, o que implica em um estudo minucioso das partes e conteúdos constitutivos do documento. Assim, sua finalidade é identificar a organização metodológica do discurso do autor por meio da segmentação do texto e, posteriormente, isolar conceitos tradutores do conteúdo desses segmentos (CUNHA, 1989).

A segunda etapa refere-se à síntese, na qual ocorre a construção de textos documentais ou subproduto documental (enunciado de assunto composto por termos ou resumo) com os conceitos selecionados.  Então, essa fase do processo "[...] visa a chegar a conceitos/palavras-chave capazes de traduzir o conteúdo do discurso analisado. Procede-se, então, em primeiro momento, a uma seleção e depois, a uma fixação desses conceitos/palavras-chave" (CUNHA, 1989, p. 60). Cabe ressaltar que as tarefas subjacentes realizadas nesta etapa – seleção e condensação do conteúdo documental – atribuem valor às informações contidas no documento, o que demonstra certo grau de complexidade (KOBASHI, 1994).

O processo finaliza com a etapa de representação, composta por duas naturezas distintas: na primeira, a representação é construída a partir de um processo de condensação intensivo do texto original, tendo-se os diferentes tipos de resumo; na segunda, a representação ocorre por meio da utilização da linguagem documental, a qual atribui a normalização das unidades conceituais presentes no texto original pela indexação e classificação (KOBASHI, 1994). Porém, na ótica de Guimarães (2003) essa etapa consiste em uma fase inerente à etapa de síntese e se divide em três níveis ou estágios: seleção de conceitos, condensação documental e representação documental; sendo a última o momento de tradução do conteúdo temático do documento em linguagem documental.  

Observa-se que nas etapas de análise e síntese ocorre à desestruturação do texto para uma posterior reestruturação, mediante o uso das operações de representação, facilitando a recuperação temática da informação pelo usuário em sistemas de recuperação da informação. Tradicionalmente, essas operações do Tratamento Temático da Informação são conhecidas como classificação, elaboração de resumos, catalogação de assunto e indexação, responsáveis pela descrição dos aspectos intrínsecos do documento. Em uma ótica teórica, percebe-se que o cerne comum dessas operações consiste na tradução da linguagem natural, a qual reflete o conteúdo temático do documento em linguagem documental (mediante instrumentos documentais). Pode-se dizer que, de modo intrínseco, todas as operações estão relacionadas por desdobrarem-se em análise, síntese e representação da informação documental. 

Enquanto foco do presente estudo, tem-se a catalogação de assunto como um processo intelectual de atribuição de cabeçalhos de assunto ao documento – responsável em estabelecer os pontos de acesso temático do documento e suas respectivas entradas de cabeçalhos de assunto (GARRIDO ARILLA, 1996). A finalidade da catalogação de assunto é prover ao usuário modos de identificar os conteúdos particulares dos documentos e propiciar o estabelecimento de relações com aspectos comuns a outros itens documentais, para que sejam conjuntamente recuperados nos contextos de informação (LANCASTER, 2004).

Silva e Fujita (2004, p. 142) esclarecem que "a origem do termo catalogação de assuntos está ligada à construção dos catálogos de bibliotecas, principalmente, do catálogo de assunto que é organizado mediante determinação de cabeçalhos de assunto [...]", os quais funcionam como enunciados de assuntos e formados em decorrência da composição ordenada de palavras. No geral, os cabeçalhos de assunto são constituídos por termos que representam o conteúdo temático do documento de maneira consistente.

 

3 A sistematicidade do processo da catalogação de assunto

Por lidar com a compreensão do assunto principal de um documento, a partir de um número limitado de conceitos, a catalogação de assunto é considerada uma operação complexa e subjetiva. Inevitavelmente, o catalogador de assunto possui poder de interpretação quantitativa e qualitativa dos significados, o que lhe permite realizar mais do que generalizações estatísticas ou descritivas, mas uma análise interpretativa e crítica do documento.

O objetivo do catalogador de assunto é representar o assunto de um documento por meio de conceitos significativos, a fim de evidenciar todos os tópicos relevantes do documento. O processo da catalogação de assunto consiste em três passos ou estágios que propiciam uma orientação acerca da identificação dos conceitos importantes expressos no documento, sendo eles: o exame do documento e a determinação do assunto de seu conteúdo documental, o qual exige uma investigação detalhada do conteúdo para confirmar o assunto principal; a identificação dos tópicos de assunto em diferentes aspectos, tais como o ponto de vista do autor, o tempo de realização da atividade, o contexto informacional, dentre outros; e, por último, mas não menos importante está a definição dos assuntos de acordo com o mapa conceitual de um controle particular do sistema de classificação (CHAN, 1981).  Por sua vez, os estágios sugeridos pela International Standard são o exame do documento; a identificação dos principais conceitos; e a expressão dos principais conceitos em termos da linguagem de indexação. 

Apesar de extensa tradição da catalogação de assunto na área de Representação e Organização do Conhecimento em Ciência da Informação, percebe-se a pouca compreensão sobre o modo pelo qual ocorre à etapa da determinação do assunto (SAUPERL, 2002). Em contrapartida, as pesquisas sobre o processo de indexação para base de dados bibliográficos são mais consistentes, aspecto que assegura uma delimitação mais precisa sobre suas etapas.

Na ótica de Chaumier (1988) a indexação possui quatro estágios distintos, a saber: conhecimento do conteúdo documental realizada por meio da leitura documental; escolha dos conceitos representativos do assunto abordado por meio da identificação dos conceitos a partir do conteúdo documental; tradução dos conceitos selecionados; e incorporação dos elementos sintáticos eventuais, sendo esta última utilizada quando o levantamento dos descritores adequados não foi suficiente para representar de maneira satisfatória o conteúdo documental.

De acordo com os princípios estabelecidos pela Unisist no ano de 1981, o processo de indexação consiste em "descrever e caracterizar um documento com ajuda de representações de conceitos contidos no próprio documento, ou seja, transcrever em linguagens documentárias os conceitos extraídos dos documentos mediante uma análise". Então, caracteriza-se como um processo/ação inteiramente intelectual, por meio de uma análise cognitiva relativa à compreensão e representação da informação documental. Isso respalda a crença de que a indexação seja a etapa mais importante da análise documental, uma vez que representa o documento e prepara os resultados de uma estratégia de busca mais eficaz (CHAUMIER, 1888; FUJITA, 2003).

Corroborando-se com este entendimento, González (2004) destaca que a indexação desempenha um papel de protagonista, cuja relevância decorre de todas as possibilidades de acesso e a adição de valores posteriores à representação informacional. Ressalta-se que a principal característica da representação é a substituição de uma entidade linguística extensa e complexa, ou seja, o próprio texto documental, por sua descrição abreviada. Assim, prima por enfatizar a essência da informação documental, porém com a perspectiva de uso dessas informações. 

Na visão de Langridge (1989) a catalogação de assunto e a indexação podem ser vistas como a mesma operação, uma vez que compreendem a representação temática da informação. Tal pensamento decorre por que ambas distinguem a avaliação do assunto da atribuição de cabeçalho de assunto ou classificação; e buscam aconselhar sobre a abordagem da avaliação do assunto documental. Entretanto, Sauperl (2002) advoga que os processos de atribuição do assunto e a classificação estão interligados e, ainda, que os profissionais necessitam de um processo mais detalhado para a determinação do assunto documental.

No âmbito nacional, o traço distintivo entre a indexação e a catalogação de assunto relativo à origem, conceitos e procedimentos é retratado por Rubi (2008). Como resultado, a referida autora adota o termo indexação para designar o procedimento realizado pelo bibliotecário, cuja escolha decorre do fato de:

[...] que além da catalogação, responsável pela representação descritiva dos documentos, o bibliotecário também deve fazer a representação temática do documento caracterizando o processo da indexação juntamente com o procedimento da catalogação. Afirmamos que o bibliotecário precisa compreender que deve atuar como um indexador, realizando a análise de assunto para compreender o documento, identificando e selecionando os conceitos que melhor representem seu conteúdo durante o tratamento temático da informação com a finalidade de preencher o campo de assunto nos formatos catalográficos (RUBI, 2008, p. 39).

Com base no exposto, observa-se que as operações da catalogação de assunto e indexação envolvem uma etapa base: a análise de assunto, a qual implica em decidir qual é o assunto do documento. Basicamente, análise de assunto visa a fornecer pontos de acesso que permitam aos usuários encontrar o material que necessitam.  Assim, a fim de garantir a eficiência dessas operações, as decisões dos profissionais não podem pautar-se apenas no que trata o documento, mas verificar por que ele se reveste de provável interesse para esses usuários (SAUPERL, 2002).

3.1 Princípios subjacentes à análise de assunto

Até meados do século XX as operações do Tratamento Temático da Informação eram tratadas pela literatura especializada como uma arte ou fruto de um talento, um dom especial de representar a informação documental. Inevitavelmente, a origem aleatória e de cunho subjetivo desta atividade profissional decorre da falta de parâmetros que conferissem um caráter de cientificidade e clareza dos procedimentos nas etapas da análise de assunto e de representação da informação documental, pois, até recentemente, os métodos eram considerados como operações empíricas de bom senso profissional (CAMPOS, 1987).

No que tange ao Tratamento Temático da Informação a determinação de assunto envolve, especificamente, o percurso da análise de assunto do texto em busca de sua representação temática. Assim, apresenta-se como sendo um processo complexo de desmontar o conteúdo temático, ou seja, delimitar o tema tratado no texto a partir da seleção dos termos mais apropriados para a representação da informação documental.

Em Ciência da Informação, o conceito/assunto é o atributo básico de representação, o modo pelo qual o campo se apropria para a construção da trajetória a ser percorrida pelo usuário e sua relação com o conhecimento (HJØRLAND, 2003). Desse modo, a extração de assunto, núcleo central da área de Organização e Representação do Conhecimento, volta-se para a delimitação do que seja o assunto na esfera do suporte documental. Isto porque, o assunto expresso no documento, cujo tema é amplamente empregado em Ciência da Informação, muitas vezes é utilizado sem clareza quanto ao seu significado e adequação em representação da informação, podendo-se naturalmente expor que "[...] o assunto ou tematicidade do documento é o cerne principal e mais carente de esclarecimentos [...]" (FUJITA, 2003, p. 78). Todavia, as investigações em torno do termo 'assunto' alicerçam, em grande parte, a própria existência da Ciência da Informação ao contribuírem para a necessidade de tornar a informação documental passível de busca e acessibilidade pela sociedade.

De modo geral, tal feito profissional exige a definição e indagação "do que trata o documento?" (HUTCHINS, 1977). Para muitos, o assunto retratado em um documento constitui algo sem maiores complicações, porém, para os entendedores da essência de representar a informação documental a análise de assunto consiste na etapa mais importante e condicionante das demais no contexto de informação. Tal elucidação baseia-se na necessidade da atribuição de assunto ser respaldada por questões de natureza ética e sóciocultural, a fim de minimizar os ruídos que possam interferir nas construções de produtos e instrumentos documentais utilizados pelo profissional no processo informacional, com vistas a contribuir para a socialização da informação e do conhecimento nas diferentes esferas sociais. 

Para Kobashi (1996) os estudos de representação da informação apresentam diferentes nichos teóricos e práticos com maior ou menor ênfase em aspectos cognitivos, linguísticos e comunicacionais, enfatizando ora os domínios particulares de conhecimento e contextos de informação, ora a relação dos usuários com os repertórios informacionais. Tomando-se como base a particularidade no ato de determinar o assunto de um documento, observa-se em Mey (1995) a ideia dessa complexidade e subjetividade originalmente tecida por Wynar (1967), na qual os livros, aqui entendidos de maneira global como qualquer tipo de documento, são:

[...] expressões escritas das idéias humanas e estas idéias podem ser expressas sob diferentes pontos de vista em diferentes níveis. Um assunto pode ser tratado em alguns livros ao nível popular, em outros, encontramos um tratamento científico. Muitos assuntos podem ser discutidos em um livro, ou um assunto pode ser discutido sob múltiplos aspectos. Os usuários podem também solicitar livros para diferentes finalidades e o tratamento de um assunto que satisfaça a uma categoria de leitor pode não satisfazer a outra.

A necessidade de sistematização do assunto suscita uma gama de outras indagações inerentes ao Tratamento Temático da Informação e que, ainda, permanecem imprecisas. Primeiramente, a necessidade de abordagens que cerquem o 'assunto' em Ciência da Informação e, inelutavelmente, venham suprir a falta de metodologias e definições concernentes à exploração temática, considerando-se o próprio vácuo do 'assunto' contido nos documentos. Não menos impactante estão às várias nomenclaturas que caracterizam o profissional responsável pela análise de assunto nos diferentes contextos de informação, as quais variam de acordo com o documento tratado e do tipo de contexto, conforme explanações anteriores. Logo, o processo da análise de assunto pode ser desenvolvido por indexadores, classificadores, resumidores ou catalogadores de assunto com responsabilidade profissional (DIAS; NAVES; MOURA, 2001).

Historicamente, Dias e Naves (2007) apontam que a análise de assunto torna-se foco do profissional catalogador de assunto. Apesar de extensa, julga-se relevante expor a seguinte fala, com vistas a justificar tal atribuição:

As representações dos materiais bibliográficos foram por muito tempo reconhecidas por fichas catalográficas. A forma padrão de organização dessas fichas eram os catálogos. O profissional que elabora as fichas e organizava-as em catálogo passou a ser conhecido como catalogador [...] historicamente, o primeiro nome utilizado para designar a pessoa que faz o trabalho de análise de assunto. Como a catalogação consiste tanto de dados descritivos, como de dados temáticos, com o tempo surge o termo catalogação de assunto [...] utilizado quando se queria especificar apenas esta parte do trabalho de catalogação (DIAS; NAVES, 2007, p. 20).

A partir desses aspectos, a análise de assunto torna-se uma das atividades mais complexas nos contextos informacionais, uma vez que consiste na etapa mais importante do processo do Tratamento Temático da Informação em que ocorre a compreensão e a interpretação do conteúdo informativo do documento, sendo dependente da cognição profissional devido sua natureza subjetiva. Desse modo, o valor informativo dos documentos está sujeito à interpretação cognitiva dos significados.

Basicamente, a análise de assunto consiste em derivar dos documentos "[...] um jogo de palavras que serve como uma representação condensada do mesmo. Essa representação pode ser usada para identificar o documento, fornecer pontos de acesso na pesquisa literária, indicar seu conteúdo, ou como substituto para o documento" (VICKERY, 1968, p. 356). Portanto, a realização da análise de assunto dá-se por meio de dois procedimentos: análise conceitual (processo de determinação intelectual do conteúdo documental); e transação do resultado da análise conceitual dentro da moldura conceitual das listas de cabeçalhos de assunto/sistemas de classificação (TAYLOR, 1999).

Reafirma-se, portanto, que o trabalho do catalogador de assunto é desafiador, posto à incessante produção científica aliada à ativa interdisciplinaridade entre os domínios de conhecimento. Ademais, a análise de assunto é tida como um processo complexo devido à intersecção de suas fases, especialmente na leitura documental, na qual o leitor profissional introduz um sentido perceptivo e intelectual ao texto, por meio de suas ações e capacidade subjetiva de interpretar (NAVES, 2001).

 

4 Procedimentos metodológicos

O estudo, de caráter exploratório, insere-se em uma abordagem descritiva que alia uma pesquisa de natureza bibliográfica e aplicada, visando à realização de uma análise qualitativa. Para tanto, utiliza-se a técnica introspectiva de coleta de dados – Protocolo Verbal em Grupo – a fim de investigar a sistematicidade da catalogação de assunto, em contexto de bibliotecas universitárias pela perspectiva sociocognitiva, objetivando-se analisar o conhecimento dos catalogadores de assunto em torno de suas ações cotidianas e seus fatores influentes no processo, contrapondo a teoria científica e a prática profissional.

Por sua vez, o universo da pesquisa consistiu de três bibliotecas universitárias de caráter público do estado de São Paulo/Brasil, a saber:

 

Quadro 1

 

Ressalta-se que o Protocolo Verbal em Grupo consiste na investigação de um grupo de pessoas mediante análise e discussão de um mesmo texto. A prática de leitura como evento social se configura como um instrumento de coleta de dados introspectivo, posto que os leitores verbalizam o conhecimento processual individual para desvendar a atividade de leitura. Alterna-se, portanto, o conhecimento prévio dos sujeitos com a leitura de modo aleatório.

Neste sentido, o sujeito se caracteriza enquanto produto subjetivo de apropriação do mundo objetivo. Notoriamente, a consciência se produz em um processo ativo, especialmente em torno das relações sociais, uma vez que não se limita ao saber lógico, mas inclui todas as formas e manifestações conscientes e inconscientes do homem (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 1994). Considerando-se este aspecto, os atos conscientes dos sujeitos tendem a contribuir solidamente para as explanações e interlocuções mediante interação social, posto que essa modalidade de Protocolo Verbal, vista pela abordagem sociocognitiva, aborda os sujeitos no momento de uma determinada atividade e seus processos cognitivos, em relação ao contexto de produção.

Esclarece-se que a aplicação da técnica pautou-se em Nardi (1999)1, sendo utilizado como texto-base o estudo de Dias e Naves (2007) "Análise de Assunto", especificamente o capítulo intitulado "O processo de tratamento temático"² por abordar de maneira sucinta os procedimentos necessários para a realização da catalogação de assunto. Assim, o texto-base suscitou e condicionou a discussão dos sujeitos participantes em torno dos aspectos investigados.

Ao término da aplicação da técnica de Protocolo Verbal em Grupo, as falas dos sujeitos participantes foram transcritas e efetuou-se uma leitura detalhada dos dados para a construção das categorias de análise, sendo elas: a) etapa da análise de assunto com foco no momento da leitura documental, com fins de identificação, extração e seleção de conceitos; e b) discrepâncias e congruências entre os aportes teóricos e a prática cotidiana da profissão. Essa etapa foi baseada na leitura para observação.

A partir da delimitação das categorias de análise os dados foram enumerados e agrupados em suas respectivas unidades interacionais, no intuito de destacar os resultados mais significativos e para que a apresentação e análise dos mesmos fossem viáveis, devido ao grande volume de falas resultantes das interações dos sujeitos participantes. Por sua vez, os fragmentos das falas foram agrupados de acordo com os temas específicos abordados por cada categoria de análise a fim de promover uma respeitabilidade do contexto profissional e propósito no qual estão inseridos.

 

5 Resultados e discussão

A análise dos dados coletados foi observada a partir da leitura detalhada das falas dos sujeitos participantes, as quais seguem a indicação de cada catalogador de assunto (catalogador A/ USP, catalogador B/UNESP e catalogador C/UNICAMP), com o propósito de evidenciar as partes envolvidas na discussão. Dentre todas as verbalizações transcritas, expõem-se apenas aquelas que melhor explicitam os temários abordados.

5.1 Unidade interacional – análise de assunto

Observa-se que a etapa da análise de assunto ocorre de modo superficial e mecanizado. Um dos motivos para tal comportamento decorre do fato da atividade de descrição temática do documento, em contexto de bibliotecas universitárias, exigir um tempo inviável, devido à agilidade com que os documentos devem ser tratados e dispostos no acervo.

[...] mesmo sendo feita de maneira quase que automática, a atribuição de assunto dentro da catalogação... Eu vejo que é algo que acaba ficando muito superficial (Catalogador A).

[...] a gente sabe que tem que olhar todas as partes importantes do material, como, por exemplo, o sumário, a contracapa, a orelha, a introdução, enfim, todos os capítulos e demais partes compostas. Porém, muitas vezes, ou melhor, todas às vezes, a gente faz a leitura automática, tendo em vista o montante de material que diariamente deve ser tratado (Catalogador B).

[...] no nosso dia a dia, não tem um tempo disponível para realizarmos a leitura do material [...], porque a atenção maior é dada ao preenchimento da planilha e não para a parte do assunto, tudo é direcionado mais para a descrição física do documento e a parte do assunto fica em segundo plano (Catalogador C).

Outro ponto que merece destaque é o fato do profissional realizar uma leitura superficial do documento no momento da atribuição de termos, o que demonstra que a qualidade desses produtos e serviços é comprometida em decorrência das ações despreocupadas dos catalogadores de assunto em sua prática cotidiana. É o caso dos meios justificarem os fins. A adoção deste entendimento ampara-se no problema dos fins serem, "[...] na maioria das vezes, inteiramente subordinado à questão dos meios. Em outros termos, o como sobrepõe-se facilmente sobre o porquê e o para quem" (CHANLAT, 2000, p. 76). No entanto, concorda-se com Fujita (2003, p. 41), ao expor que essa "[...] é uma das etapas mais importantes do trabalho do bibliotecário indexador, pois tem como objetivo identificar e selecionar os conceitos que representam a essência de um documento".

Infelizmente a gente não faz como na prática, não seguindo as etapas de análise, seleção, tradução na sequência e mesmo na íntegra. Ocorre mesmo que a análise toda é bem superficial e sem grandes aprofundamentos [...] (Catalogador B). 

O processo em si não é algo muito mecânico, ou seja, eu consigo flexibilizar a catalogação, então, no momento da atribuição do assunto, eu olho as partes ditas chaves, mas nunca é da maneira como a teoria coloca. Então, é mais por meio de um conjunto de partes do item, não tem uma sequência, é tudo mais dinâmico, bem diferente da teoria (Catalogador C).

5.2 Unidade Interacional – aportes teóricos e prática profissional

Os catalogadores de assunto investigados julgam suas experiências pessoais e profissionais mais sustentáveis que o respaldo teórico. Certamente, o bojo de conhecimentos adquiridos durante os anos de atuação profissional contribuem para o aumento da capacidade profissional. Em contrapartida, entende-se que os conhecimentos teóricos são mais coerentes e seguros, não sofrem distorções e atuam como facilitadores do processo de Tratamento Temático da Informação.

[...] a minha atuação profissional está muito mais voltada para o que eu aprendo no meu trabalho diário do que na teoria, porque muitas coisas são distintas [...] não tem como aplicar a teoria apenas, porque a minha realidade é bem diferente e exige uma postura diferente, um pensar e agir diferente (Catalogador A).

[...] a gente acaba adquirindo novos conhecimentos e a ter uma segurança maior de realizar o tratamento [...] pela experiência advinda da prática e não apenas do conteúdo teórico (Catalogador B).

[...] a teoria até pode direcionar, mas é complicado colocar na prática diária, porque a realidade é diferente (Catalogador B).

[...] o profissional, na hora de atuar, tem que, pela intuição, trazer a teoria para a sua realidade e, muitas vezes, você nem acaba seguindo a teoria, porque ela não corresponde a sua necessidade (Catalogador C).

A negligência profissional em direcionar sua atuação por aportes teóricos foi um dos resultados mais agravantes obtidos neste estudo. O uso do bom senso profissional revela a necessidade de instrumentos e diretrizes que sustentem as ações profissionais em contexto de bibliotecas universitárias. Neste ponto, corrobora-se com Rubi (2008) ao afirmar que os manuais técnicos e demais documentos que orientem o desenvolvimento de uma análise de assunto adequada são requisitos fundamentais para uma biblioteca universitária.

Sendo assim, reafirma-se a importância do catalogador de assunto realizar as etapas do processo de Tratamento Temático da Informação mediante respaldo teórico e consciência profissional, a fim de garantir e primar pela qualidade dos produtos e serviços informacionais gerados. Lancaster (2004) subsidia o relato dessa afirmativa quando alerta que o controle de qualidade e a exatidão da indexação/catalogação de assunto são condições de grande importância para o bom desempenho de um sistema de recuperação da informação.

[...] a teoria contribui para que a minha prática seja mais condizente. Infelizmente a gente sabe que é inviável seguir todos os passos, o que a teoria coloca como a melhor opção (Catalogador A).

[...] por mais que a gente saiba que se deve seguir a literatura, se preocupar mesmo com a forma dita correta de se catalogar, pelo menos a minha prática não é tão certinha [...], conforme os apontamentos da literatura (Catalogador A).

A gente sente falta de algo mais preciso, algo que despenda de menos tempo para ser realizado, porque se torna impossível realizar todas essas etapas com uma pilha de documentos esperando (Catalogador B).

Observa-se, dentre outros, que a atuação profissional está distante da literatura especializada. Um dos aspectos levantados pelos catalogadores de assunto para tal postura baseia-se, principalmente, na importância que é dada pelo profissional ao contexto informacional e suas características particulares. Para a grande parcela dos profissionais investigados a literatura especializada apresenta falhas ao não evidenciar a realidade própria das bibliotecas universitárias. Partindo desta problemática, corrobora-se com Ribeiro e Motta (s.d, p. 5) ao trazerem à tona um ponto importante sobre o distanciamento da formação acadêmica e continuada ou teoria e prática profissional, a saber:

[...] ao entenderem a prática como mera aplicação do conhecimento [as concepções pedagógicas predominantes] esvaziam-se de sentido e estabelecem uma relação linear e simplista entre o saber e o fazer. Em seus cursos de atualização, os profissionais são elevados ao paraíso do 'como deveria ser', tradução da verdade do conhecimento científico acumulado e atualizado, aplicável numa espécie de representação universal e única [...]. Quando retornam aos serviços, entretanto, se vêem confrontados em suas realidades cotidianas com a impossibilidade da aplicação do conhecimento adquirido. Na prática, a teoria é outra.

De modo geral, os catalogadores de assunto acreditam que a prática profissional exige comportamentos específicos, muitos dos quais não são contemplados pela literatura especializada. Esse cenário é um fator preocupante e merece ser investigado atentamente pela comunidade científica, visando promover um elo entre o 'saber' e o 'fazer' profissional.  

[...] por mais que agente conheça a literatura, o dia a dia exige uma postura diferente, sei lá, um agir mais visando às necessidades da biblioteca e, aí, tudo começa a ser mais natural mesmo [...] (Catalogador A).

[...] Para mim, a literatura ainda apresenta muitas lacunas, ela não está preocupada com o que acontece dentro das paredes da biblioteca universitária (Catalogador B).

[...] a teoria até pode direcionar, mas é complicado colocar na prática diária, porque a realidade é diferente (Catalogador B). 

Verifica-se que os profissionais não seguem as etapas do processo de Tratamento Temático da Informação preconizadas pela teoria, o que torna esse aspecto agravante, visto que os catalogadores de assunto passam a utilizar o bom senso profissional. Assim, o catalogador de assunto deixa de se pautar nos aportes teóricos devido às experiências adquiridas nos anos de sua vivência profissional. No entanto, esta atitude é preocupante, considerando-se que a falta de diretrizes condiciona uma atuação baseada em opiniões pessoais, as quais delineiam a rotina de suas ações profissionais. Neste sentido, entende-se que os aportes teóricos devam permear e direcionar a prática profissional visando à diminuição das nuances ocorridas no momento da representação da informação. 

Ademais, observa-se que a prática cotidiana está assentada em um conhecimento tácito, implícito, sobre o qual não há um controle específico. Na verdade, existe uma série de ações que realizamos espontaneamente sem parar para pensarmos nelas, antes de fazê-las. Nesse tipo de situação, o conhecimento não se aplica à ação, mas está tacitamente personalizado nela. Então, tem-se a necessidade do catalogador de assunto buscar respaldo nos aportes teóricos em função de um ideal – primar pela qualidade dos produtos e serviços gerados em contexto de bibliotecas universitárias. 

 

6 Considerações finais

O contexto de atuação do profissional bibliotecário deve ser explorado por meio de pesquisas que visem retratar os fatores e aspectos que interferem na prática cotidiana da profissão. Neste sentido, o estabelecimento de manuais, procedimentos e instruções internas torna-se necessário no contexto de bibliotecas universitárias por direcionar as ações dos catalogadores de assunto e garantir a padronização do processo de Tratamento Temático da Informação, considerando a realidade do ambiente de trabalho e suas características específicas. Isto porque, muitas das ações desempenhadas pelos catalogadores de assunto em sua prática cotidiana são alicerçadas em experiências pessoais e profissionais. Todavia, em determinados momentos esta prática desencadeia um descomprometimento profissional, o que resulta no uso do bom senso.

A rigor, os estudos em torno da cognição humana representam uma perspectiva relevante e imprescindível para o processamento da informação, considerando-se as ações subjetivas dos profissionais e o processo dialógico que deve permear a atuação dos sujeitos que lidam com a organização e representação da informação. Por conseguinte, defende-se a necessidade de avanços pragmáticos em torno do conhecimento do catalogador de assunto, embasados pela fundamentação teórico-metodológica do Tratamento Temático da Informação para observação e articulação do contexto profissional real.

Ademais, a formação acadêmica deve privilegiar a ação do 'agente competente', imbuída nos diversos profissionais da informação. Para tanto, advoga-se que a maior responsabilidade das Escolas de Biblioteconomia seja assegurar o saber e o saber-fazer, ambos adaptados às contingências que circundam as situações problema, tendo em vista contribuir para uma prática profissional eficiente e consciente. Portanto, julga-se necessário frisar que as instituições formadoras devem ensinar, durante os anos de formação acadêmica, a prática do processo de maneira mais realista e dinâmica, o que amplia a responsabilidade do corpo docente

 

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Recebido em 27.05.2012
Aceito em 10.12.2012

 

 

1 O referido estudo descreve os procedimentos metodológicos, os quais contemplam as etapas anteriores, durante e posteriores da aplicação do Protocolo Verbal. Observa-se que tais procedimentos de coleta de dados não são específicos da modalidade de Protocolo Verbal em Grupo, sendo utilizados em quaisquer modalidades desta técnica (FUJITA; RUBI; BOCCATO, 2009).

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