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Perspectivas em Ciência da Informação

On-line version ISSN 1981-5344

Perspect. ciênc. inf. vol.19 no.1 Belo Horizonte Jan./Mar. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-99362014000100007 

ARTIGOS

 

Periódicos em ação: um estudo exploratório-bibliométrico na área de Administração, Ciências Contábeis e Turismo

 

Journals in action: an exploratory study - bibliometric in management, accounting and tourism

 

 

Richard Medeiros AraújoI; Alexandra Katarina de AzevedoII; Leonor Laurentina VieiraIII; Thiago Cavalcante NascimentoIV

IDoutor em Administração pelo PPGA/UFRN (2012).Mestre em Administração pela Universidade Federal da Paraíba (2006).Bacharel em Administração pela Universidade Potiguar (2002).Especialista em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do RN (2004).Professor do UNIFACEX e do PPGP/UFRN
IIBacharel em Secretariado Executivo pelo UNIFACEX
IIIBacharel em Secretariado Executivo pelo UNIFACEX
IVProfessor Assistente da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).Coordenador do Curso Técnico Integrado em Gestão de Pequenas e Médias Empresas e Doutorando em Administração (PPGADM/UFPR)

 

 


RESUMO

O presente artigo objetiva realizar um estudo bibliométrico de todos os periódicos de Administração, Ciências Contábeis e Turismo (nacionais), tendo em vista a apresentação das disposições gerais destes periódicos. Metodologicamente, enquadra-se como uma pesquisa descritiva, estudo bibliométrico, suportado por uma análise documental, feito nos sites de todas as revistas classificadas de A1 a B5 pelo QUALIS/CAPES (Triênio 2009-2011).  O processo de análise dos dados se deu por meio das técnicas de análise de conteúdo e análise documental das revistas disponíveis digitalmente. O recorte temporal foi o ano 2012, o tempo médio da pesquisa de campo foi de três meses, dada a complexidade no tratamento das informações. Os dados foram tratados por meio de frequências e tabelas e suas discussões ocorreram descritivamente, pois trouxeram à tona diversas informações até então não dispostas, dessa forma, em um trabalho cientÍfico. Dentre os principais resultados têm-se o despreparo de algumas gestões editoriais no processo de acompanhamento e execução das atividades inerentes ao processo editorial. Evidencia-se uma concentração de periódicos com maior qualificação nas regiões sul e sudeste. Poucos periódicos de alto impacto na perspectiva nacional e, por fim, a existência de uma massa de produção ainda no campo impresso, limitando o acesso ao conhecimento. Com isso, conclui-se que os periódicos devem ser avaliados constantemente quanto as suas inserções e alcance, bem como a palavra de ordem deve ser publicização dos atos e fatos, bem como o próprio sistema de acompanhamento e qualificação da CAPES, cuja periodização é um fator limitante.

Palavras-chave: Bibliometria; Qualis; Periódicos; Administração; Ciências Contábeis; Turismo.


ABSTRACT

This paper aims to carry out a bibliometric study of all periodic Administration, Accounting and Tourism (national), with a view to presenting the general provisions of these journals. Methodologically, classifies itself as a descriptive bibliometric study, supported by a document analysis done on the websites of all Magazines classified A1 to B5 by QUALIS / CAPES (Triennium 2009-2011). The process of data analysis was made using the techniques of content analysis and document analysis journals available digitally. The time frame was the year 2012, the average time of the field research was three months, given the complexity of the treatment of information. The data were treated by means of frequencies and tables and their discussions were descriptively, as brought to light various information not previously arranged this way in a scientific work. Among the main results have been the unpreparedness of some managements editorials in the process of monitoring and implementation of activities related to the editorial process. Evidence is a concentration of journals with higher qualification in the south and southeast. Few periodic high impact national perspective Finally, the existence of a mass production even in the field printed, limiting access to knowledge. Thus it is concluded that the journals should be constantly evaluated as to their insertions and range, as well as the watchword should be publicizing the acts and facts, as well as its monitoring and qualification of CAPES whose periodization is a factor limiting.

Keywords: Bibliometrics; Qualis; Periodicals; Administration; Accounting; Tourism.


 

 

1 Periódicos: o caminho para o escoamento da produção científica

A avaliação dos cursos de Pós-graduação em Administração, Ciências Contábeis e Turismo, no Brasil, vem - a cada triênio - transformando-se em um constructo mais complexo. O comitê de área da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e seus componentes auxiliares, a cada momento de reflexão, fazem uma parada para quantificar os conceitos dos programas de mestrado e doutorado, decorrentes das informações encaminhadas pelas gestões destes programas, em todo o país.  De acordo com a CAPES (2012), existem 150 cursos de mestrado acadêmico, mestrado profissional e doutorado. Dentro da área de Ciências Sociais Aplicadas, - área em tela - há 27% de participação em número de programas, seguido dos programas de Direito com 18% e economia com 13% dos 582 programas de Pós-graduação nas ciências sociais.

Os critérios de avaliação desses programas são de conhecimento da academia, tendo destaque, sobremaneira, a produção (docente e discente), carregando estes o maior peso no critério de construção dos conceitos de qualidade dos programas de Pós-graduação, que variam de 3 a 7, tendo os programas, com conceito 3, um cenário de reconhecimento aceitável para funcionamento e os quem possuem 7 são considerados de excelência pelo órgão regulador do Ministério da Educação.

Volpato (2002; 2001) observa que o papel do pesquisador é encaminhar suas produções para os periódicos, visando à publicização do conhecimento, no entanto, nem todas as produções chegam ao conhecimento da academia, muitos ficam estanques, por diversos motivos, sejam por questões de gestão editorial dos periódicos e a não qualificação de eventos pela CAPES, diminuindo o fluxo de envio de trabalhos para estas instituições. Dentre esses motivos, podem-se evidenciar as questões e excertos trazidos pelas discussões dos paradigmas levantadas por Kuhn (1992), que coloca como elemento central a manutenção do status dominante da ciência, fazendo com que a diversidade e divergência que se entrelaçam para o aperfeiçoamento do conhecimento, não necessariamente obtenham espaços científicos, intrinsicamente, por muitas vezes, colocar em cheque as discussões teóricas dominantes.  Deve-se ponderar, também, que o contexto político está como pano de fundo, como tratam Bolaño, Kobashi e Santos (2006, p. 122).

A produção científica esteve, portanto, sempre associada ao prestígio e ao reconhecimento, fenômenos responsáveis pela ascensão na carreira e ocupação de postos importantes, como ocorre até os dias de hoje. Publicar em periódicos reconhecidos é, na sociedade contemporânea, sinônimo de certificação do trabalho científico e acadêmico, item também considerado na avaliação das instituições de ensino e pesquisa, cujo renome é medido pela quantidade de trabalhos científicos publicados pelo corpo docente, como também por seu impacto. Em todo caso, depreende-se do que foi dito que o periódico científico participa dos processos de produção e consumo de mercadorias. Seu número e abrangência crescem a cada ano, patrocinados por editoras comerciais e universitárias.

De acordo com Biojone (2003), foi na França (Journal des Sçavants) e na Inglaterra (Philosophical Transactions Of The Royal Society Of London), em 1665, que surgiram os primeiros periódicos. No Brasil, os primeiros foram a Gazeta Médica do Rio de Janeiro, de 1862, e a Gazeta Médica da Bahia, em 1866.  O autor assevera que, a partir de então, o número de periódicos passou a crescer vertiginosamente e, paralelamente, o interesse dos pesquisadores em ‘publicar passou a ser sinônimo de produtividade científica’.

Nessa perspectiva, Gruszynski e Golin (2006, p. 1) afirmam que:

O periódico científico no processo de comunicação da ciência funciona como uma das instâncias de consagração. Ao atuar como um filtro seletivo, reproduzindo as sanções e exigências próprias do campo científico, confere valor às pesquisas e as situa no seu grau de originalidade em relação ao conhecimento já acumulado em determinada área do conhecimento. Vários autores corroboram que o modelo ideal de periódico é um instrumental qualitativo. Garante a memória da ciência, aponta seu grau de evolução, estabelece a propriedade intelectual, legitima novos campos de estudos e disciplinas, constitui-se em fonte para o início de novas pesquisas, dando visibilidade e prestígio aos pesquisadores entre um público altamente especializado, os seus pares.

Entretanto, quando se trata especificamente das revistas, estas são consideradas pelos editores, revisores e avaliadores de fato, o lócus de encaminhamento dos produtos científicos e, como tal, contribuem para o avanço das diversas microáreas dentro do campo da Administração (foco de discussão deste paper), sendo, após a avaliação por pares (a priori), aceitos e publicados. Os artigos científicos, com seu sistema de remissões a outros documentos, constituem uma rede de conhecimento científico. Assim, pressupõe-se que um artigo é construído com base em documentos produzidos por outros autores e estudiosos que anteriormente se debruçaram sobre o tema em estudo (SILVA; PINHEIRO; REINHEIMER, 2013).

Nesse caminhar, avaliar é preciso, pois, como descreve Yamamoto et al. (2002, p. 164):

Essa crescente massa de informação com os problemas dela decorrentes impõem, para a comunidade científica, a responsabilidade de monitoração e controle da produção visando ao estabelecimento de um padrão de qualidade compatível com o papel de disseminação desse conhecimento - e uma das iniciativas mais importantes é a avaliação dos seus suportes, nomeadamente, o mais importante, o periódico científico.

Segundo Dantas (2012, p. 8):

A difusão do saber é, portanto, uma condição de seu desenvolvimento. Além disso, a missão dos profissionais da ciência não se limita a produzir conhecimentos novos e em transmitir os saberes adquiridos. O impacto social e econômico de descobertas científicas confere a eles a responsabilidade coletiva de permitir aos cidadãos o debate sobre as questões e as prioridades da política científica.

Dado o peso e a importância das produções na composição do conceito dos programas, especialmente pelo fato de que todos os elementos de avaliação serem qualificados pela CAPES, houve, em 2010, uma significativa mudança, pois os papers apresentados em eventos na área não apresentavam o mesmo grau de relevância e, como consequência, perdiam importância na conceituação do programa, fazendo com que estes concentrassem esforços diretamente ao corpo discente, para que as produções intelectuais fossem encaminhadas para os periódicos (físicos e/ou eletrônicos), culminando com um verdadeiro "boom" nos editoriais das revistas, com um aumento no fluxo de recebimento destes manuscritos e um verdadeiro gargalo, uma vez que as revistas de Administração, Ciências Contábeis e Turismo passaram a ter uma procura mais elevada.  Isso está claramente descrito, e passível de visualização, no Regulamento de Avaliação Trienal 2010 da CAPES, no Quesito III, em que trata da quantidade e qualidade da produção discente e no Quesito IV, que identifica a produção dos professores (denominada de Produção intelectual e profissional destacada) (CAPES, 2010, p. 18).

A construção do conhecimento, como lembra Vanz e Stump (2010, p. 43), pode ocorrer por colaboração entre duas pessoas ou mais dentro de uma perspectiva, cujo pano de fundo é a materialização de um "processo social e de interação humana que pode acontecer de diversas formas e por diferentes motivos. Na ciência, a colaboração torna-se ainda mais complexa e o pleno entendimento do seu significado está longe de ser alcançado". Tal conhecimento deve dispor de espaços para interlocuções. Os caminhos dos pesquisadores, cientistas e dos que gerem os periódicos tem como reserva o contexto descrito por Leite (2006):

Para ser importante e interessante, o tema da pesquisa deve trazer possibilidade de ser notado como importante e interessante pelos outros, o que, por outro lado, tem chance de trazer visibilidade e reconhecimento ao cientista. A luta pela acumulação do capital intelectual envolve a busca pelo prestígio, reconhecimento e pelo posto de líder na ciência por meio de projetos, publicações, a participação em comissões, o acesso às cartas de financiamento. Entretanto, o interesse do pesquisador vai além das atividades científicas. A autoridade científica oferece ao pesquisador o capital social, este proporciona poder sobre mecanismos constitutivos e influencia as trocas na arena científica. O capital social no campo científico é a moeda que pode ser convertida em outras espécies de capital (LEITE, 2006, p. 43).

Para aprofundar a reflexão deve-se entender que por um lado está a responsabilidade dos editores que estão à frente das revistas para dar os encaminhamentos nos processos de avaliação, e, por outro - com a corresponsabilidade - estão os avaliadores que compõem a equipe do periódico, em avaliar em menor tempo e não perder a busca pelo respeito à cientificidade na qualidade das análises teórico-metodológicos dos papers submetidos pelos pesquisadores da área.  Aqui cabe a reflexão sobre os avaliadores trazida por Guedes (2004, p. 253).

Quanto ao parecerista (avaliador), seu compromisso vem da necessidade de pesquisadores mais experientes verificarem a correção de um artigo ou ensaio, além de sua real contribuição ao conhecimento na área. O problema é que, muitas vezes, se esquece de que este serviço tem por nome "avaliação por pares". Isto é, não podem ser, como diz Cecília Meireles, em Cancioneiro da Inconfidência: "... tão bons vassalos, que esqueceram os amigos" (os pares, eu diria). É, por isso, que um parecer tem que ser bem consubstanciado. Não apenas para facilitar o trabalho do editor, mas para que o autor possa aprender do pesquisador mais experiente.

Inserida nesse contexto, existe a cobrança dos programas de Pós-graduação para melhorar a qualificação das produções bibliográficas dos professores e alunos, sejam oriundas de disciplinas, projetos de pesquisas ou recortes de suas dissertações ou teses, na corrida pela produção permanente. A ordem é produzir para crescer ou crescer pela produção.

Dado o contexto apresentado até agora, fica evidenciado a necessidade de se compreender como estão dispostos os periódicos da área de Administração, Ciências Contábeis e Turismo no Brasil, pois, de posse disso, os pesquisadores têm uma noção do quadro das gestões editoriais e quais passos seguir para escoar suas respectivas produções acadêmicas. Nesse caminhar, objetiva-se realizar um estudo bibliométrico adaptado de maneira a dispor do cenário dos periódicos brasileiros (excetuando-se os internacionais).

Considerando o contexto do modelo de Avaliação da CAPES, as discussões aqui proporcionadas situam a comunidade científica da área da Administração, Ciências Contábeis e Turismo em ter uma compreensão ex ante de como estão dispostos os periódicos brasileiros e para onde suas produções devem ser encaminhadas, uma vez que os comportamentos das revistas são apresentados e discutidos.

Esse estudo traz um desenho até então não feito por pesquisadores e a comunidade científica pode, com isso, identificar as características dos periódicos nacionais, vendo que a gestão destes está associada a editores que estão vinculados a organizações diversas, muitos ainda tratam a prática editorial fora do contexto eletrônico, dificultando a disseminação e multiplicação do conhecimento.

 

2 Estudos bibliométricos em Administração: um caminho para compreensão do status da formação do conhecimento

Para Wormell (1998), a bibliometria refere-se a uma diversidade de regularidades tomadas de diferentes campos, exibindo uma variedade de diversas formas. Embora as distribuições bibliométricas sejam muito diferentes em sua aparência, elas podem ser pensadas como versões de uma única regularidade. Assim, o foco do método poderá definir a forma como abordar o objeto de investigação.

Campos (2003) dissertou em seu estudo que análises bibliométricas podem contribuir para aprofundar a compreensão sobre a qualidade da produção acadêmica de uma área do conhecimento, pois possibilita extrair informações estratégicas que dão ao pesquisador desdobramentos quantitativos para identificar o comportamento das pesquisas científicas em uma determinada área do conhecimento.

"Nos últimos anos, têm surgido novas ferramentas e novos indicadores o que ilustra que, apesar das críticas apresentadas, estes acabam por estar enraizados na avaliação da comunicação científica" (LOPES et al., 2012, p. 6). Para Araújo e Alvarenga (2011, p. 55), "quando aplicada com a finalidade de avaliar um campo científico, a bibliometria é, portanto, chamada de cienciometria ou cientometria, apropriação procedente do termo por analisar o produto responsável pela reificação da própria ciência: a produção científica".

Como lembra Araújo (2006, p. 12) a bibliometria "aos poucos foi se voltando para o estudo de outros formatos de produção bibliográfica, tais como artigos de periódicos e outros tipos de documentos".  Os periódicos científicos consolidaram-se, veementemente, como um veículo de disseminação de trabalhos científicos. Os artigos têm a função de representação do desenvolvimento de determinada área de conhecimento, no caso, cujo foco é a Administração (SILVA; PINHEIRO; REINHEIMER, 2013).

Assim, estudos bibliométricos podem proporcionar às diversas áreas do conhecimento cientifico compreensão detalhada do comportamento das produções bibliográficas, tanto no ambiente físico como no digital. Ficando o pesquisador como responsável pelo delineamento do estudo, estando suportado pela busca à resposta problematizada em um cenário real, possibilitando, assim, identificar diversas variáveis, que são flexíveis e dependem dos objetivos do trabalho científico. Desde a frequência de aparecimento de tema, passando pela localização geográfica das produções e suas respectivas concentrações. Com isso, pode-se discutir a questão de diagnosticar as produções ao longo de determinados períodos como um viés para reflexão.

Questiona-se, entretanto, de que maneira é possível fazer este diagnóstico. Uma das possibilidades consiste na utilização de métodos que permitam medir a produtividade dos pesquisadores, grupos ou instituições de pesquisa. Para tanto, torna-se fundamental o uso de técnicas específicas de avaliação, que podem ser quantitativas ou qualitativas, ou mesmo uma combinação entre ambas. As técnicas quantitativas de avaliação podem ser subdivididas em bibliometria, cienciometria, informetria e, mais recentemente, webometria. Todas têm funções semelhantes, mas, ao mesmo tempo, cada uma delas propõe medir a difusão do conhecimento científico e o fluxo da informação sob enfoques diversos (VANTI, 2002, p152).

Apesar das diferentes técnicas passíveis de aplicação, Wormall (1998) lembra que os conceitos individuais dos subcampos da bibliometria, informetria, cienciometria e tecnometria não são muito claros, existindo um caos terminológico na área.  O termo bibliometria, por exemplo, devido ao seu radical, sugere relações semânticas com o suporte livro e, por associação, ao termo biblioteca. Por sua vez, termos alternativos, tais como infometria, cientometria e webometria, entre outros presentes na relação paradigmática que os abrange, representam práticas de mensuração da informação da ciência, ou de suas representações em modalidade convencional ou na Web, definindo com mais especificidade o universo quantificável a que se referem (BUFREN; PRATES, 2005, p. 9).

Assim, a infometria caracteriza-se pelas práticas de mensuração dos aspectos quantitativos de conteúdo em qualquer formato. Utiliza-se de unidades definidas, tais como palavras, documentos, textos, fontes ou bases de dados, como focos de análise, podendo priorizar variáveis como a recuperação, a relevância, a revocação ou outras características da informação que possam ser consideradas relevantes (BUFREN; PRATES, 2005, p. 11).

Na perspectiva de Repanovici (2011, p. 110), existe forma alternativa para avaliar a produtividade nas ciências, dentre elas, as medidas primárias utilizadas em avaliações acadêmicas que podem incluir (1) O número total de publicações: Vantagem: mede a produtividade. Desvantagem: não mede a importância ou o impacto das publicações. (2) O número total de citações: Vantagem: ele mede o impacto total. Desvantagem: pode ser difícil de encontrar todos, que pode ser influenciada por um pequeno número de "Enormes sucessos" que não são representativas para o pesquisador se ele é coautor dos estudos; dá um peso excessivo para revisar os artigos que são frequentemente citados em comparação com o número de citações por publicação. (3) As citações por publicação. Vantagem: permite comparações entre as publicações de diferentes idades.  Desvantagem: apresenta grau significativo de dificuldade para realização do diagnóstico.

Muitos estudos bibliométricos têm sido realizados na perspectiva dos eventos/periódicos da área de Administração, Ciências Contábeis e Turismo e até estudos bibliométricos de temas em periódicos, no entanto, esse recorte, em sua maioria, é localizado e trata da identificação do comportamento da produção e dos pesquisadores e suas bases teóricas interlocutoras (BORGES, 1999; MUGNAINI; JANUZZI, 2004; CALDAS; TINOCO; CHU, 2003; 2004; MORETTI; CAMPONARIO, 2009; GALLON et al., 2007;  TEXEIRA; IWAMOTO; TEIXEIRA; MEDEIROS, 2013; ROSSI; BORTOLI; CASTILHOS, 2012; FROEMMING et al., 2000). A título de exemplificação, foram identificados, em levantamento feito com o radical "bibliom," no sítio da Associação Nacional de Programas de Pós Graduação e Pesquisa em Administração (ANPAD, 2012), em que se encontram os diversos eventos promovidos pela referida Associação, a existência de 25 trabalhos publicados, considerando temporalmente desde o período em que as produções foram disponibilizadas virtualmente até o ano 2012. Ou seja, há trabalhos bibliométricos que tratam tanto das áreas do conhecimento dentro da Administração, como de temas dentro da área deste conhecimento.

Outros estudos analisaram os periódicos/eventos de Administração em uma perspectiva crítica, como Davel e Alcadipane (2003), embora tenham feito uma análise do comportamento dos conhecimentos da Ciência da Administração, o fizeram em poucos periódicos, não chegando a representar 1% do universo de periódicos existentes.  Bertero, Caldas e Wood Jr. (1999) realizaram estudo dos periódicos brasileiros, situando a produção de Administração, no contexto dos agentes avaliadores, como frágeis e confusos no que concerne às bases epistemológicas. Trouxeram à baila elementos relevantes como reflexão sobre os editores e orientações editoriais (explícitas em linhas editoriais ou critérios subjetivos concernentes ao objetivo do periódico), além de abordar questões referentes à qualidade (conjunto de critérios ideais) para classificar um periódico, eles culminam com um modelo de avaliação de periódicos em Administração.

 

3 Percurso metodológico

Esta pesquisa se caracteriza por ser descritiva, uma vez que se propõe a atender o que apresenta Cervo e Bervian (1996), ao asseverar que essa tipologia busca a quantificação do objeto de estudo por meio de estatísticas, com adoção de proporções, frequência e até estatísticas inferenciais. No caso em tela, optou-se em analisar descritivamente os periódicos da área de Administração, Ciências Contábeis e Turismo qualificados pela CAPES entre A1 e B5, não sendo estudados os que possuem qualificação C, por não terem pontuação alguma. Epistemologicamente, esta pesquisa adota uma abordagem positivista, pois buscou explicar quantitativamente o retrato das revistas brasileiras.

O universo, não somente o número de habitantes de um local, como é largamente conhecido o termo, mas antes de tudo um conjunto de elementos que possuem as características que serão objeto de estudo, respeitando a representatividade (VERGARA, 1997). Assim, o universo são os periódicos qualificados pela CAPES no triênio 2009-2011 (atualizados até setembro de 2012), totalizando 875. Destes, foram visitadas todas as homepages e, a partir da perspectiva da bibliometria, extraíram-se os dados necessários à composição deste paper. Não obstante, deve-se evidenciar que o recorte foi dado nos Periódicos Nacionais, que totalizou um quantitativo de 570 Revistas.

Um estudo bibliométrico possibilita a realização de um diagnóstico informacional do objeto de investigação, como lembra (VANTI, 2002). Soma-se a afirmação de Araújo e Alvarenga (2011, p. 57), a qual argumenta que "a bibliometria não se relaciona ou se aplica somente à cienciometria, mas a outros contextos e insumos de conhecimento passíveis de serem analisados por métricas diversificadas, a partir de variáveis distintas e que aparecem na literatura publicada com denominações bem peculiares".

A expectativa é de trazer à tona um quadro das revistas brasileiras e suas configurações quanto a diversos elementos para discussão sobre a inserção das revistas, os gestores editoriais e outras variáveis elencadas. A perspectiva aqui trazida é a de Repanovici (2011), cuja discussão é da necessidade de avaliação da "cienciometria" com técnicas alternadas para analisar a produtividade, no caso do estudo o papel dos periódicos como meio de qualidade confirmatória das ciências, especialmente, por suas validações ocorrerem por lógicas suportadas por análises subjetivas de caráter objetivo.

Os dados foram coletados por meio de visitas aos websites das revistas. Esse procedimento é denominado de uma análise documental, pois os autores consideraram cada revista analisada como um documento importante e necessário ao atendimento do objetivo da pesquisa.  Foi necessário um período de campo na ordem de 120 (cento e vinte) dias de Junho a setembro/2012, uma vez que dentro do universo, diversas revistas apresentaram dificuldades de dispor de informações concernentes às variáveis analisadas.

Desde websites desatualizados, passando por falta de informações completas, outras não tinham o contato do (a) Editor (a) responsável que pudesse sanar as dúvidas que emergiram durante o levantamento, algumas finalizaram suas atividades na perspectiva impressa e estão adentrando no Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER) (cujo surgimento e disponibilização gratuita, no Brasil, pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), deu-se em 2003), situações estas que dificultaram a coleta de dados.

Para o tratamento de dados, optou-se pelo desenvolvimento de roteiro estruturado em um em banco de dados elaborado no Statistical Package for the Social Sciences (SPSS). A análise se deu por meio de técnicas estatísticas que, para Bardin (1977), visam obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo dos indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção. Para tal, adotaram-se como base as seguintes variáveis analíticas: tipo do periódico, quantidade de volumes publicados, tempo de existência, classificação diante do QUALIS/CAPES, perfil do editor responsável, relação entre o perfil de formação do editor e a afinidade com a gestão do periódico, região e Unidade Federativa, se são autônomas ou ligadas a instituições diversas, número de revisores/avaliadores/membros do conselho editorial, dentre outras variáveis a serem verificadas no capítulo de análise e discussão dos dados.

Foi realizado um pré-teste com 30 Periódicos Nacionais e, posteriormente, foram introduzidas algumas mudanças, tais como periodicidade de publicação e prevalência da área de conhecimento na revista (Administração, Contabilidade ou Turismo). Isso exigiu a leitura objetiva dos títulos de todos os volumes dos periódicos disponíveis digitalmente e investigados.

 

4 Análise e discussão dos dados

Objetiva-se, neste momento, fazer alguns apontamentos sobre a conjuntura dos periódicos da área de Administração, Ciências Contábeis e Turismo no Brasil. Atendendo a Wormell (1998), a forma bibliométrica de abordar os dados coletados é variável e, como consequência, tem espectro cuja leitura seja ampla e possibilite visão geral e detalhada do campo analítico. O passo a seguir é um reflexo de uma vasta pesquisa de campo realizada até novembro/2012 no site da CAPES e em todos os periódicos das áreas do conhecimento aqui discutidas. Nesse diapasão, apresenta-se, conforme Tabela 01, os periódicos, quantidade e porcentagem das revistas. O recorte investigado foi de 570 revistas.

 

Ao cruzar os dados dos estratos dos periódicos A1 e A2, que concentram, conforme Tabela 01, 5,44% das revistas, verifica-se que 98% dos analisados adotam os procedimentos de submissão de manuscritos por parte dos autores de forma eletrônica, ou via Sistema de Editoração Eletrônico (SEER), ou virtualmente, em que os autores submetem por e-mail ao editor e este dá os encaminhamentos necessários ao processo, sem poder de acompanhamento, em tempo real, pelo autor. 0,06 % dos periódicos tem publicação mensal. 35,5% tem periodicidade de publicação bimestral, 19,40% publicam seus volumes de quatro em quatro meses. Por fim, os que circulam trimestralmente representam 35,5% do contexto analisado.

Quando se analisa os periódicos que apresentam a menor pontuação no estrato, ao considerar cumulativamente os que possuem conceito B4 e B5, chega-se a 54% do total de revistas nacionais. Desse universo, 46,4% possuem publicação online, 5,19% disponibilizam o material em formato impresso e eletrônico. Já ao se referir ao tipo de publicação/veiculação, constata-se que 35% são veiculados apenas de forma impressa.  Ao tratar dos processos de submissão, 72,7% adotam a ferramenta da internet para receber papers dos proponentes, 3% ainda adotam o encaminhamento manual, ou seja, os autores devem remeter seus manuscritos pelos correios, em CD ou outros meios que não os eletrônicos. 

A Tabela 2 apresenta a relação entre os estratos qualificados e as respectivas áreas do conhecimento estudadas. Visualiza-se que a área de Ciências Contábeis possui apenas 6% do total das produções, 3% na área de Turismo e Administração com 91%, trazendo o maior número de revistas qualificadas pela CAPES.

A leitura da Tabela 2 também permite depreender que os periódicos de Turismo só foram pontuados até o estrato B1, não tendo nenhuma revista no estrato "A". Ainda é possível verificar elevada concentração de periódicos voltados para Administração, em detrimento dos que se direcionam especificamente a Ciências Contábeis e Turismo. Isso evidencia que os pesquisadores da área de Administração têm volume significativamente maior de periódicos especializados para destinação de seus trabalhos.

Ao investigar a origem dos periódicos, verifica-se, por meio da Tabela 3, que mais de 50% encontra-se na região Sudeste e, somados aos periódicos localizados na região Sul, constata-se que 76,5% dos periódicos pontuados na área de Administração, Ciências Contábeis e Turismo estão concentrados nestas regiões. Ainda é possível verificar que as regiões Norte e Nordeste concentram 13% das revistas. Em aproximadamente 4% dos periódicos analisados não se conseguiu identificar a região de origem. Pondere-se que em face de muitos não disponibilizarem virtualmente a produção, bem como, quando dos disponibilizados online, não continha essa informação. Isso mostra um descuido por parte dos gestores editoriais. Dos 22 periódicos sem identificação, fazendo uma associação com a vinculação deles às instituições educacionais vinculadas, 3 deles foram identificados, estando 1 no Sudeste, 1 no Sul e 1 no Centro-Oeste. Ainda desse universo, quase 86 % são periódicos de Administração e nenhum de Ciências Contábeis.

 

 

Ainda no contexto das regiões do Brasil, realizou-se detalhamento dos estados e as respectivas quantidades de revistas. A Tabela 4 traz à tona o fato dos estados de São Paulo (SP), Rio Grande do Sul (RS), Rio de Janeiro (RJ), Santa Catarina (SC), Minas Gerais (MG) e Paraná (PR) deterem 379 revistas, equivalendo a 67% da produção permanente brasileira na área em estudo.  Os estados da região Norte são os que possuem menor número de periódicos, a exemplo do Pará que possui apenas 0,35%, Roraima tem 0,18%, Amazonas detém 0,35%. Tal comportamento pode ser esperado, uma vez que os programas de Pós-graduação em Administração, Ciências Contábeis e Turismo possuem menor presença nessas Unidades Federativas.  Verifica-se no Sul e Sudeste 38,4% das revistas classificadas como B4 e B5, ou seja, quase 62 % dos periódicos estão nessa região. Detalhando, no estado de São Paulo 39,2 % das revistas são B4 e B5, neste mesmo raciocínio o Rio Grande do Sul possui 17% dessas revistas, Rio de Janeiro 13,2%, Paraná 14,6% e em Minas Gerais 10,5% das revistas são qualificadas pelo sistema QUALIS/CAPES como B4 e B5.

 

 

Na região Nordeste, 19,18% dos periódicos são qualificados como B4 e B5, destaque para o estado da Bahia, que possui 38% do total. Em seguida, Ceará e Pernambuco que detêm respectivamente 12% e 14% das revistas nesses estratos.  Quando se trata da periodicidade de publicação dos periódicos estudados, emerge, na Tabela 5, a constatação de que poucos periódicos têm periodicidade mensal, apenas 3,16%, bimestralmente 5,44%. Constata-se, também, que 19,12% publicam seus volumes a cada três meses, 20,35% a cada quatro meses, com destaque para revistas que têm publicação anual, correspondendo a 4,56% do universo e 7,19% que foram enquadradas como não identificadas na pesquisa. Em 41 revistas analisadas não foi possível descrever a periodicidade de publicação. Desse universo, identificou-se que 5% eram da área de Ciência Contábeis, 2,2% da área de Turismo e 92,3% da área de Administração.

 

 

Os periódicos que têm publicização semanal (0,7%) não são do núcleo duro da área de Administração, Ciências Contábeis e Turismo, bem como só foram identificados 50% dos editores desse contexto, sendo todos possuidores do título de doutorado, e sua forma de publicação e submissão são virtuais, sendo qualificados entre B3 e B5. As que possuem publicação semestral, ou seja, 39,47% estão com o mesmo processo de submissão de trabalhos, tendo uma representatividade de 87%. Quando se analisa os que publicam bimestralmente, tem-se 74% com o mesmo modus operandi. Ao verificar os periódicos quadrimestrais, 94% adotam a mesma sistemática de submissão. As revistas publicadas trimestralmente equivalem a 87% que já adotaram o processo de submissão virtual.

Ao se observar o tipo de publicação das revistas, estas podem ser totalmente eletrônicas, eletrônicas (com circulação impressa) ou publicação apenas impressa. Conforme a Tabela 6, quase 44% dos periódicos brasileiros são publicados, exclusivamente, na forma virtual, 21% deles estão qualificados em A1, B1 e B2. No estrato B3, encontra-se 28,23%, no B4 16,94% e 32,66% no estrato B5. Dos 248 periódicos publicados e veiculados virtualmente, 26% deram início a suas publicações entre o ano de 1940 e 2000, muitos deles migraram de formato impresso para virtual, quase 64% iniciaram suas publicações de 2001 a 2011 e em 10% não foi possível identificar o início das publicações. Ao mesmo tempo 27,19% têm suas publicações divulgadas, exclusivamente, em formato impresso. O fato destas revistas não terem migrado para o ambiente eletrônico afeta a capilaridade na extensão do acesso às revistas, pois dependem de demandas diversas (compra por parte de interessados) ou de trocas entre bibliotecas. Observou-se, também, que em 8,25% dos periódicos investigados não foi identificada informação da periodicidade da publicação, destes, 6,4% são da área de Ciências Contábeis e 93,6% são periódicos de Administração.

 

 

A partir da Tabela 7, identifica-se que aproximadamente 18% dos periódicos listados no qualis da área de Administração, Ciências Contábeis e Turismo não identificam seus atuais editores. Entre os editores identificados, foi possível observar que mais de 75% são doutores. Os editores com mestrado, especialização ou apenas o título de graduação representam 7,47%, o que evidência a preocupação dos periódicos em garantir que sua editoria seja dirigida por profissionais com elevado comprometimento científico, alcançado através do maior grau de titulação acadêmica do país. Em 17% das publicações não foi encontrada a titulação dos editores. Foi observado que a maioria dos títulos de doutorado foi conquistada em Instituições de Ensino Superior da região Sul e Sudeste, a USP se destaca em primeiro lugar, com 21,59% dos títulos de doutorado emitidos, seguida por UNICAMP, com 6,98%, UFRJ com 6,67%, PUC com 5,71%, UFSC com 5,40%, UFRS com 4,76 e a Fundação Getúlio Vargas com 4,13%. Evidencia-se que 17,4% das titulações foram obtidas fora do país. Em 1,90% dos casos não foi possível identificar a origem do título do editor.

 

 

Ao aprofundar os dados apresentados na Tabela 07, foi possível verificar que dos 519 periódicos especificamente da área de Administração, 60,69% dos editores possuíam o doutorado concluído e, que apenas 21,27% do total destes editores detinham doutoramento na área de Administração. Esta informação evidência a multidisciplinaridade da área, com conta com a participação de doutores em Economia, Engenharia, Psicologia, Educação, Sociologia, entre outras, na direção de elevado valor percentual de seus periódicos.

Cruzando os dados com as regiões do país, observou-se que a maior parte dos editores com doutorado está concentrada nas regiões Sul e Sudeste. Na região Sul, com 28,05% e na Sudeste com 51,56%. Nas demais regiões, Centro Oeste, Nordeste e Norte com 6,80%, 11,61% e 1,13%, respectivamente. Os editores adotam e-mails institucionais e não institucionais, 73,99% adotam e-mail da instituição do periódico (com o domínio do periódico ou da instituição onde a revista é lotada), 18,98% usam e-mails não institucionais e 7,04% não foi identificado e-mail do editor responsável.

Durante a coleta dos dados, observou-se que aproximadamente 53% dos que estão à frente da gestão editorial são homens. Ao cruzar os dados, identificou-se que 79% deles são doutores, 5% são mestres e em 16% não se identificou a titulação. Já nas editorias que possuem em sua gestão mulheres, verificou-se que 72% são doutoras, 9% são mestres, 3% especialistas. O fato de pouco mais de 17% dos periódicos não disponibilizarem informações sobre o grau de titulação de seus editores, indica certo descaso com os leitores e autores interessados, tendo em vista a ausência de informações relevantes para caracterização do perfil do periódico, principalmente quando se verifica que em algumas situações o nome completo do editor também não se encontra disponível.

 

 

Avaliando o tempo de publicação dos periódicos na Tabela 9, a maioria tem de 1 a 10 anos de publicação com um percentual de 41,40%, consideram-se publicações recentes, levando em consideração que há periódicos com mais de 30 anos. Quase 51% dos periódicos estão localizados no Estrato B4 e B5, no A2, apenas 2%, no B1 tem-se 5,5%, B2 quase 10% e nos periódicos qualificados como B3 ratifica-se 32%. Ao cruzar os dados dos periódicos com até 10 anos de publicação com as regiões do país, encontra-se 47,03% lotados na região Sudeste, 31,78% na região Sul, 13,98% na região Nordeste, 3,81% na região Centro Oeste, 0,85% na região Norte e 3,81% não foi identificada a região.

 

 

Ao se analisar os periódicos com tempo de veiculação entre 11 e 20 anos, verifica-se que 7,20% se encontram classificados com A2, 13,60% como B1, 7,20% como B2, 20% como B3, 16,80% como B4 e, 35,20% como B5. Esta informação permite verificar que o tempo de veiculação do periódico não corresponde, necessariamente, a uma melhor classificação do mesmo no qualis desenvolvido pela CAPES. Avaliando quanto ao tipo de periódico 43,20% têm suas publicações de forma virtual, 24,80% impresso e virtual, 29,60% exclusivamente de forma impressa e, em 2,40% não foi possível identificar a forma de veiculação.

Os periódicos acima de 21 anos de publicação ficaram com um percentual de 12,1%, estes estão concentrados com 14,49% nos estratos A1 e A2, 18,84% no estrato B1, 10,14% no estrato B2, 21,74% no estrato B3, 14,49% no estrato B4 e 20,29% no estrato B5. Ainda avaliando os periódicos acima de 21 anos nas regiões brasileiras, eles estão concentrados no Centro Oeste com um percentual de 8,70%, 52,17% na região Sudeste, 20,29% na região Sul, 15,94% na região Nordeste e na região Norte com 1,45%. Quanto à periodicidade, 33,33% são publicados trimestralmente, 26,09% são publicados a cada quatro meses, 18,84% semestralmente, 7,25% bimestral, 5,80% mensal e 1,45% anualmente.

Analisando a Tabela 10, observou-se que 93% faziam parte de alguma Instituição de Ensino, Fundação, Associação, Centro de Pesquisa ou Editora e 7% não foi encontrada informação. Do total de periódicos ligados a instituições, 8,08% são ligados a órgãos estaduais, 20,68% federais, 0,94% são oriundos de instituições municipais e 70,30% são independentes (Instituições privadas). Cruzando as informações com os estratos, percebe-se que 100% dos periódicos classificados como A1 e B1 são vinculados a uma instituição, no A2 há vinculação em 96,55%, no B2 95,65%, 92,97% no estrato B3, B4 com 94,79% e o B5 com 90,09%.

 

 

Os dados apresentados, na Tabela 10, sugerem que os periódicos oriundos de pesquisadores independentes no contexto da gestão e manutenção são, em sua maioria, associados a alguma entidade.  Analisando os periódicos vinculados a instituições por regiões, têm-se 6,49% vinculados em instituições da região Centro Oeste, 46,67% vinculados no Sudeste, 26,14% na região Sul, 11,23% no Nordeste, 0,88% na região Norte e 1,75% não foi identificada a região. Quanto à periodicidade dos periódicos com vínculos a instituições, observou-se que as publicações anuais e bimestrais tem percentual de 4,70% cada, mensal 2,82%, quadrimestral 21,43%, semanal 0,75%, semestral 40,04%, trimestral ficou com um percentual de 19,92% e os periódicos não identificados 5,64%.

Um dos entraves que está presente no mundo da gestão editorial é a questão da demora do retorno dos editores quanto ao prazo de finalização da avaliação dos manuscritos submetidos. Durante a pesquisa de campo, foi analisada a quantidade de colaboradores (avaliadores) dos periódicos, pois se sabe que há uma relação entre número de corpo de avaliadores e encaminhamentos de trabalhos para avaliação. Dado esse contexto, observou-se que há 24,21% de revistas com um quadro explicitado entre 1 a 20 colaboradores, os quais estão inseridos os periódicos dos estratos A2 e B1 com percentual de 4,35%. Ainda nesse campo, compreendendo o estrato B2, constata-se 12,32%, nos estratos B3 e B4 com 18,84% cada e 45,65% concentrados no estrato B5. Também se observou a periodicidade dos periódicos que possuem até 20 avaliadores, 7,97% tem suas publicações anual, 3,62% bimestral, 2,90% mensal, 14,49% quadrimestral, 1,45% semanal, 47,10% semestral, 17,39% trimestral e 5,07% não foi identificado.

As revistas que possuem entre 21 e 30 colaboradores representam 14,39% do universo investigado. Destas, 6,10% são classificadas como A1 e A2, 10,98% como B1, 7,32% como B2, 31,71% como B3, 17,07% como B4 e 26,82% como B5. Ainda foi possível observar que um percentual de 3,66% se encontra em regime de periodicidade anual, 1,22% com periodicidade bimestral e semanal, 26,83% quadrimestral, 37,80% semestral, 18,29% trimestral e, 3,66% não apresentaram informações sobre a periodicidade de publicação.

Os periódicos que tem em sua equipe um quadro de 31 a 40 colaboradores estão concentrados nos estratos A2 com 8,93%, no universo do estrato B1 com 12,50%, no B2 com 10,71%, no B3 com 16,07%, no B4 com 19,64% e no B5 com 32,45%. Quando discutida sua periodicidade, constata-se que os periódicos que publicam anualmente têm 1,79%, bimestral com 5,36%, quadrimestral com 26,79%, semestral com 44,64%, trimestral com 16,06% e não identificado com 5,36%.

As publicações com 41 a 50 colaboradores ficaram com um percentual de 4,74% e estão situados nos estratos B1 com 14,81%, no B2 com 7,41%, no B3 com 37,04%, no B4 com 18,52% e no B5 com 22,22%. Os periódicos que têm acima de 51 colaboradores estão com 11,54% concentrados nos estratos A1 e A2, 15,38% no estrato B1, 19,23% no estrato B2, 32,69% no estrato B3, 7,69% no estrato B4 e 13,47% no estrato B5. Identificou-se 37,72%, de periódicos sem informações da quantidade de colaboradores, pois seus nomes não estavam listados na homepage e nem nas respectivas publicações como alguns periódicos adotam a lista de descrição dos que contribuíram com a Edição do momento.

 

 

Na Tabela 12, observou-se o ano em que foi adquirida a titulação dos editores responsáveis pelos periódicos, 3,41% deles obtiveram suas titulações entre os anos de 1964 e 1980, 7,25% nos anos de 1981 a 1990, 23,67% nos anos de 1991 e 2000, 40,09% nos anos de 2001 a 2012 e 25,59% não foi identificado o ano de suas titulações. Essas informações foram buscadas, nos Lattes dos editores. Tendo em vista a expansão no número de doutores nas diversas áreas do conhecimento, ao longo dos últimos anos, a Tabela 12 traz dados que se encontram diretamente alinhados ao contexto de expansão do número de doutores no país. Ainda deve-se citar que o número de revistas aumentou significativamente, após mudanças nos critérios de avaliação dos programas de Pós-graduação, abrindo espaço para que recém- doutores ou professores com doutorado recente assumissem a editoria de revistas especializadas.

 

 

Considerando desde o nascedouro dos respectivos periódicos, pode ser feita uma descrição sobre o número de volumes publicados (de acordo com a Tabela 13), independente da periodicidade da publicação. Tenta-se, aqui, apresentar o quantitativo de volumes publicados. A maioria, com 39,12% do total, está entre 1 a 30 volumes publicados, e tem sua periodicidade anual com um percentual de 4,93%, bimestral e semanal com 0,45% cada, quadrimestral com 21,52%, semestral com 55,61%, trimestral com 13% e periodicidade não identificada correspondente a 4,04%.

 

 

Os periódicos com 31 a 60 volumes publicados apresentam o seguinte perfil: têm periodicidade de publicação bimestral de 7,58%, quadrimestral com 37,88%, semestral com 25,76%, trimestral com 27,26% e 1,52% não foi identificada a periodicidade. Os periódicos acima de 61 volumes publicados até setembro de 2012 somam percentual de 5,79% e os com número de publicações não identificado observou-se um percentual considerável de 43,51% da totalidade dos periódicos estudados. As informações não estavam disponibilizadas nos sites investigados.

Com o estudo bibliométrico dos periódicos da área de Administração, Ciências Contábeis e Turismo, no Brasil, foi possível verificar aspectos importantes, através do levantamento de campo, dentre elas visualizou-se que a maior quantidade dos periódicos está concentrada nos estratos B3, B4 e B5 com um total de 76,49%. As regiões que mais concentram publicações são Sul e Sudeste, nesse caminhar os estados com menos concentração de periódicos são AL, AM, ES, MT, PI e RO. Quanto à periodicidade, 39,47% trabalham de forma semestral, 43,51% do total de periódicos publicam seus volumes/edições de forma online.

 

5 Considerações finais

As revistas brasileiras analisadas ainda apresentam limitações de ordem informacional, desrespeito a periodização de publicação, bem como se verifica a concentração (baixa em números) dos conselhos editorias, pois muitos tratam como revisores de papers (simplesmente) e outros tratam como um conjunto seleto de cientistas, que pré avaliam os trabalhos antes de encaminhamentos avaliativos. Uma consideração da pesquisa é a transparência, esta não é respeitada em todos os periódicos analisados, o que pode gerar "descredibilidade" qualitativa por parte dos autores, que têm interesse em submeter trabalhos.

Uma das reflexões que devem ser evidenciadas como o resultado da pesquisa é o conhecimento do modus operandi do lócus para onde está indo a produção do conhecimento no País na área analisada. As revistas, como recebedoras e interlocutoras na intermediação e multiplicação do mundo científico, devem ser exploradas pelos pesquisadores como uma ferramenta de relacionamentos e troca de saberes, tendo estas que aperfeiçoarem seus mecanismos de prática editorial.

A maioria dos Editores foi titulada nos últimos 15 anos, ou seja, tem espaço temporal para um amadurecimento do composto de relacionamento entre os atores no contexto do Periódico, especialmente quanto ao banco de avaliadores.  Existe uma massa concentrada de revistas nos extratos B3, B4 e B5, chegando a mais de 70%, em que ocorrem a maioria das publicações e se constata os periódicos com maior periodização de publicação.

A área de Administração, Ciências Contábeis e Turismo é uma das que mais crescem no Brasil, reflexo do número de programas de pós-graduação em nível de mestrado e doutorado autorizados pela CAPES nos últimos anos, ao mesmo tempo, essa comunidade científica que vem sendo renovada, constantemente, necessita de espaços de diálogo permanente e não temporários e, por consequência, o aumento das produções ocorrerão. Tal comportamento requererá de maiores espaços para "publicização" do conhecimento, dai o desenvolvimento de periódicos em formato eletrônico tenderem a aumentar em números e os existentes aumentarão os números de publicação de seus volumes.

Dentre as limitações, durante o processo de pesquisa, deve-se ponderar o difícil acesso aos websites das revistas, a falta de informações ou a dificuldade em identificar informações básicas que caracterizam a transparência, desde a ausência de dados sobre os editores responsáveis, bem como e-mail ou telefone para contato. Um fator negativo foi o difícil acesso ao currículo Lattes dos editores gestores, grande parte não foi localizado, tendo em vista a não adoção de nomes completos, mas, sim, simplificados. Com isso, não foi possível coletar dados como titulação, ano de titulação de alguns.

 

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Recebido em 19.05.2013
Aceito em 04.10.2013

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