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Interface - Comunicação, Saúde, Educação

versión impresa ISSN 1414-3283versión On-line ISSN 1807-5762

Interface (Botucatu) vol.1 no.1 Botucatu agosto 1997

https://doi.org/10.1590/S1414-32831997000200022 

ESPAÇO ABERTO

 

Fragmentos de uma reflexão sobre ensino na universidade*

 

 

Sheila Zambello de Pinho

Instituto de Biociências, UNESP. Botucatu

 

 

Uma das funções primordiais da Universidade é o ensino. Estudos têm mostrado que a base do conhecimento dobra a cada dois anos, tornando a formação universitária cada vez mais importante. O contexto mundial, que determina relações globalizadas, criando um grande mercado, teoricamente sem fronteiras, impõe uma preparação apropriada, para que os futuros profissionais possam garantir ao país um nível de competitividade que lhe permita superar  seus limites de subdesenvolvimento.

As mudanças extremamente aceleradas no campo científico e a rapidez vertiginosa do desenvolvimento tecnológico colocam os docentes diante de uma tarefa bastante difícil, a decisão do que ensinar.

O mundo se transforma e os homens também se modificam. Os jovens que hoje recebemos pertencem a uma nova geração. Mudou o que eles trazem consigo para a Universidade: paixões, curiosidade, aspirações e experiência prévia e, por esse motivo, mudou igualmente a tarefa de como educá-los. Nossos métodos de ensino não mais funcionam adequadamente. Surge, então, outro desafio, também bastante difícil, a definição de como ensinar.

Essas questões sobre o que ensinar e como ensinar deverão ser ampla e permanentemente discutidas, para que possamos acompanhar o desenvolvimento científico e tecnológico mundial, no atendimento à formação dos nossos alunos, futuros profissionais que deverão enfrentar as necessidades do mercado de trabalho com princípios éticos que direcionem a ciência e a tecnologia à serviço do homem.

A Universidade do futuro, não muito distante, será um centro de aprendizagem a integrar simulações eletrônicas, aprendizagem à distância e ensino personalizado, criando uma força em direção a novos níveis de aprendizagem e ao acesso à informação para todos.

No entanto, é preciso enfatizar que a formação humana é fundamental. Precisamos também discutir de forma consciente para que ensinar  — qual o perfil do profissional que queremos formar. Mais que profissionais competentes, precisamos de cidadãos que tenham como princípios a dignidade, a solidariedade, os valores éticos e o compromisso social.

Para que os docentes possam contribuir para essa formação, desempenhando seu papel educativo, é necessário que lhes sejam oferecidos apoio,  condições de trabalho e estímulo para novas propostas, além do incentivo à sua própria formação. Ou seja, condições para a manutenção da dignidade do trabalho docente.

Para que a instituição universitária cumpra seus objetivos - ensino de qualidade, pesquisa de qualidade e serviços de extensão à comunidade de qualidade - é necessário que a máquina administrativa funcione adequadamente. Uma boa administração deve passar despercebida, uma vez que só se comenta sobre a administração quando algo não vai bem. Mas uma boa administração deixa suas marcas na dinâmica e na continuidade das suas iniciativas. Também cabe à administração proporcionar ao corpo técnico-administrativo, que dá sustentação às atividades acadêmicas, condições para seu aprimoramento e bem-estar no trabalho.

Em suma, cada um de nós — aluno, servidor ou docente — embora sejamos apenas uma peça no processo, tem papel fundamental para que a instituição universitária cumpra seus objetivos. Nenhum trabalho deve ser um fim em si mesmo, mas sim somar no sentido da consolidação de um trabalho coletivo. É a força desse coletivo que potencializa e imprime a intensidade e a evolução do objetivo a ser alcançado. Por esta razão, neste momento, enfatizamos a importância de todo e qualquer trabalho, por mais simples que seja, na construção de uma Universidade forte, unida e cumpridora do seu papel social.

 

 

* Excerto do discurso de posse da autora como Diretora do Instituto de Biociências da UNESP, campus de Botucatu, em fevereiro de 1997. Publicação autorizada, com adaptações.

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