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Interface - Comunicação, Saúde, Educação

versión impresa ISSN 1414-3283versión On-line ISSN 1807-5762

Interface (Botucatu) vol.6 no.11 Botucatu agosto 2002

https://doi.org/10.1590/S1414-32832002000200019 

TESES

 

O ensino médico no Brasil e na Argentina: uma abordagem comparativa

 

Medical education in Brazil and in Argentina: a comparative approach

 

 

Lilian Koifman

Tese de Doutorado, 2002. Escola Nacional de Saúde Pública, FIOCRUZ. <liliankoifman@hotmail.com>

 

 


Palavras-chave: Metáfora; simbolismo; ética; organização e administração; escolas.


Key words: Metaphor; symbolism; ethics; organization and administration; schools.


Palabras-clave: Metafora; simbolismo; etica; organización y administración; escuelas.


 

 

A tese, composta por três partes (artigos), descreve, por meio de uma abordagem comparativa, dois processos de reformulação curricular de cursos de Medicina, nas últimas décadas: o da Universidade Federal Fluminense (UFF) e o da Universidade de Buenos Aires (UBA).

A idéia de comparar dois processos em dois países partiu da premissa de que no Mercosul se desenvolveria a discussão da homogeneização dos cursos de Medicina e compará-los traria elementos úteis para a análise de cada experiência e para a comparação entre as duas. A aproximação teórica e a metodologia utilizada foi baseada na área de educação superior comparada.

No primeiro artigo, "O modelo biomédico e a reformulação do currículo médico da Universidade Federal Fluminense" discutimos a construção do modelo biomédico, as críticas ao modelo identificadas na reformulação curricular do curso de medicina da Universidade Federal Fluminense e a análise desse processo de reformulação curricular. O artigo analisa a construção do modelo a partir do qual vem se baseando o currículo das faculdades de Medicina nas Américas e na maioria dos países europeus. As críticas que vêm sendo feitas a esse modelo são identificadas na reformulação curricular do curso de Medicina da Universidade Federal Fluminense.

A análise do documento de reformulação curricular da UFF, de 1992, à luz da história do modelo biomédico, da teoria curricular e da Epistemologia de Ludwik Fleck, aponta em que medida essa reformulação significa uma alternativa ao modelo biomédico de formação dos médicos, ao reducionismo do ser humano a seu organismo biológico.

O novo currículo — com um aumento de 25% da carga horária e a introdução de grande número de aulas práticas, desde o início do curso —, apesar de ainda estar centrado nos aspectos biológicos, já se volta para uma formação mais humanista e se propõe a questionar as "verdades científicas".

No segundo artigo, "O processo de reformulação curricular do curso de Medicina da Universidade de Buenos Aires", apresentamos um relato das diversas tentativas de reformulação curricular da medicina desenvolvidas na UBA desde a década de 80, os antecedentes históricos e culturais da universidade Argentina e as interfaces do modelo universitário. Buscamos identificar, no processo analisado, algumas marcas da mudança por que passa o Estado desde a década de noventa e percebemos que as várias propostas de modificação no currículo estiveram vinculadas às modificações do panorama mundial.

Alguns dos eixos que estiveram presentes na realidade estudada e que vêm conformando o processo de reformulação curricular da Faculdade de Medicina da UBA, por mais de duas décadas, foram:

- as mudanças no Estado, seus reflexos na Lei Argentina de Educação Superior (1995) e as propostas do Mercosul Educativo;

- a dinâmica interna própria das universidades públicas argentinas, herdadas da Reforma de 1918 (atravessada pela disputa política);

- a dimensão pedagógica que faz com que os profissionais da área de educação tenham grande prestígio e indiquem os caminhos a seguir nos processos de reformulação curricular da Medicina da UBA (Currículo Baseado em Resolução de Problemas ou Currículo por disciplinas).

O terceiro artigo, "O processo de reformulação curricular do curso de Medicina no Brasil e na Argentina: uma abordagem comparativa", compara os dois processos de reformulação curricular descritos nos dois primeiros artigos, o da UFF e o da UBA, no contexto das reformas educacionais que os dois países vêm sofrendo e nas tentativas de conciliar as demandas internas do campo de Saúde e Educação com as exigências das agências financiadoras internacionais.

Partimos do marco das reformas do ensino superior na América Latina e suas discussões na área de educação. Buscamos revelar um conjunto de tensões que se produzem entre as particulares culturas de organização universitária, as demandas pela uniformidade da mundialização e a busca do controle burocrático derivado da regionalização do Mercosul (a necessidade de equivalências no credenciamento de programas e títulos, uniformidade de condições de acesso etc.).

Ambos os países estão passando por processos de profunda reformulação de seus sistemas educacionais, articulados com as políticas neoliberais de reforma econômica e de diminuição do papel do Estado nas respectivas sociedades. Entretanto, mesmo existindo semelhanças formais em diversos aspectos, o exame das realidades brasileira e argentina revela diferenças que não devem ser negligenciadas. As particularidades de cada caso passaram a receber a devida atenção e destaque a partir da abordagem comparativa.

 

 

Recebido para publicação em: 13/06/02
Aprovado para publicação em: 19/06/02

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