SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.9 issue18Reflections on the academic evaluation of books in the 21st centuryCommentary author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Article

Indicators

Related links

  • On index processCited by Google
  • Have no similar articlesSimilars in SciELO
  • On index processSimilars in Google

Share


Interface - Comunicação, Saúde, Educação

On-line version ISSN 1807-5762

Interface (Botucatu) vol.9 no.18 Botucatu Sept./Dec. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S1414-32832005000300011 

DEBATES

 

O que fazer com os conteúdos?... uma análise

 

An analysis of what can be done about content

 

.¿Qué hacer con los contenidos?... un análisis

 

 

Moisés Goldbaum1

Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Ministério da Saúde, Brasília, DF.; Professor, Departamento de Medicina Preventiva, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo (FMUSP). <mgoldbau@usp.br>

 

 

O texto do Prof. José Castilho Marques Neto aborda um assunto relevante e atual, seja da perspectiva da difusão e divulgação de conhecimentos, seja do ângulo da avaliação do conhecimento e de sua interpretação por agências de fomento.

Embora entenda que a encomenda que me foi feita deva dirigir-se mais à segunda das intenções, aproveito para tecer algumas considerações sobre a primeira. Assim, não há como discordar de sua análise das revolucionárias formas e tecnologias de difusão disponíveis para fazer frente a esta "nova abundância" de informações e conhecimentos existentes e produzidos, enfatizando-se a produção expressa em livros. Até onde me é permitido avançar, pode-se afirmar que, do ponto de vista de exposição destes novos e infinitos produtos, a eletrônica deu um passo enorme e praticamente os coloca "just on time" e "on line" à disposição dos potenciais usuários. A questão que surge refere-se a como fazer a triagem desse amplo (quase infinito) conjunto de informações geradas e como depurá-las ou como sobre elas debruçar-se. O autor fornece uma pista: a garantia da qualidade do conteúdo, e para tanto faz-se valer dos parâmetros da CAPES como um dos instrumentos. Entretanto, se não houver um elemento indicador desses parâmetros, caberá a cada um dos "acessadores" dos materiais fazer seu próprio julgamento da qualidade, o que não se mostra algo plausível ou incorporável. Mas o autor segue na pista e indica o comportamento de sua Universidade, a UNESP, na qual se concebeu "uma Editora Universitária que se pauta essencialmente pela avaliação e gerenciamento de conteúdos ...". Concordando com sua posição, mesmo porque temos que reconhecer a competência e seriedade da Editora da UNESP, encontramos o instrumento para a certificação da qualidade dos trabalhos. Trata-se, então de buscar a legitimação das Editoras que cumprem fielmente seu papel de atender os critérios de qualidade definidos peço conjunto da comunidade técnico-científica, que se encontra majoritariamente localizada nas nossas Universidades e Institutos de Pesquisa.

As dificuldades impostas pela comercialização de livros, especialmente daqueles que se destinam a um conjunto pequeno de interessados (menos de mil), como aponta o Prof. Marques Neto, devem ser consideradas? Penso, como ele, que sim. Entretanto, fica a indagação se estes casos constituem situações muito comuns e para que áreas esta situação mostrar-se-ia adequada. Lembro que a forma de diálogo editorial dos diferentes campos disciplinares varia substancialmente. Algumas áreas dialogam mais freqüentemente por intermédio de periódicos, cuja qualidade editorial varia também significativamente. Este é um dos elementos que parece justo salientar, para indicar que o debate deve ser aprofundado e explorado em todos os seus níveis, cabendo explicitar suas "regras" e parâmetros, atendidas as especificidades das diferentes áreas. Nesta situação, penso que podemos aprimorar e ampliar o acesso qualificado a essas publicações.

Quanto à segunda perspectiva, cabe-me acrescentar algumas observações que merecem a devida atenção. Antes, porém, é necessário destacar que os sistemas de avaliação de nossas agências, e como bem reconhece o autor, o da CAPES, "para as pós-graduações brasileiras que constitui proposta avançada, complexa e em constante redefinição", é um trabalho da própria comunidade científica (e não da agência, que cria as condições para tanto – quero aqui reiterar que não a estou defendendo de suas eventuais deficiências). É ela, comunidade, que elabora os critérios, cuja "transparência", ou melhor, visibilidade é inquestionável e, assim, é dela e com ela (comunidade científica) no seu todo que eles (critérios) devem ser analisados e debatidos.

A defesa que a autor faz do primado da qualidade do conteúdo é a sua própria resposta à sugestão do "manejo adequado dos conteúdos". Assim, é necessário que se explicite o que se considera como "generosidade e compreensão" na análise dos livros. Se isto implica atender a visibilidade dos critérios, o atendimento da qualidade e a certificação e auditagem das editoras, concordo plenamente e nada teria a acrescentar, respeitado, obviamente, aquilo que ensaiei na análise das especificidades. Caso contrário, se implica a incorporação de vantagens ditadas pela necessidade de atender a produção pela produção (que estou certo não é o que o autor está propondo) temos de rever o debate apresentado.

Por fim, saliento que o texto do Prof. Marques Neto se destaca por apresentar um tema polêmico que merece o devido aprofundamento e, que suponho, teve seus desdobramentos no Simpósio aludido. Sua divulgação deve ser feita para que a comunidade possa incorporar os elementos para aprimorar o processo de avaliação que, por mais que queiramos, nunca emprestará a total satisfação de todos os envolvidos, até porque a avaliação sempre deve implicar um instrumento de estímulo à progressão (e não um caráter punitivo) e, portanto, sempre terá um poder discriminante.

 

 

Recebido para publicação em: 01/11/05. Aprovado para publicação em: 07/11/05.

 

 

1 Av. Dr. Arnaldo, 455, 2º andar
Cerqueira César - São Paulo, SP
01246-903