SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.9 issue18CommentaryHomelessness and cooperativeness: moving through the production of values author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Interface - Comunicação, Saúde, Educação

On-line version ISSN 1807-5762

Interface (Botucatu) vol.9 no.18 Botucatu Sept./Dec. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S1414-32832005000300013 

DEBATES

 

Réplica

 

Reply

 

 

Agradeço a leitura acurada das Professoras Rita Barradas Barata e Flávia Goullart Mota Garcia Rosa e do Professor Moisés Goldbaum ao meu texto.

Atividade em construção, o saber acadêmico é sempre objeto permanente de controvérsias e, algumas vezes, de consenso. Talvez pela maturidade cada vez mais crescente de nossas instituições universitárias no que diz respeito à avaliação interpares, certamente pela honestidade e seriedade intelectual de meus interlocutores, recebi com muita satisfação as manifestações dos colegas sobre pontos consensuais do artigo e que dizem respeito a qualidade e a avaliação dos conteúdos, considerados nevrálgicos sempre que tratamos de publicar e/ou avaliar pesquisas produzidas pelos nossos docentes e pesquisadores.

Para afirmação junto ao nosso provável leitor, registro esses pontos consensuais que, anotados pelos colegas, adquirem maior relevância no contexto de meu artigo:

. Os critérios de avaliação e os parâmetros de qualidade acadêmica são fruto do trabalho da própria comunidade científica que gera e fiscaliza sua aplicação no meio universitário e de pesquisa. Às agências cabe a coordenação dessas decisões comunitariamente prescritas pelo ambiente científico.

· A diversidade é parte não apenas do fazer científico, dos múltiplos saberes, como também é parte dos vários "diálogos" que as muitas comunidades de saberes estabeleceu para si. Assim sendo, há que respeitar as tradições e os meios que cada área de saber (humanidades, ciências exatas, ciências biomédicas, etc) construiu para se expressar melhor: artigos em periódicos científicos e/ou livros. Para cada meio de comunicação entendemos também que haverá uma intenção de comunicar avanços científicos ou tecnológicos, revisar temas, refletir, repensar, refundar, etc, cada um com seu tempo, profundidade e alcance.

· Não será ocioso relembrar que ambos os pontos acima concorrem para a depuração da verdade científica, porque construída pelos que a buscam com transparência de critérios, única via possível de se pensar uma produção científica verdadeiramente de interesse público.

Considerando que há discordâncias de fundo, gostaria de discorrer mais um pouco sobre o tema da auditagem e do credenciamento das editoras que se dispuserem a se submeter a esses critérios.

Apesar da evidente identidade das editoras universitárias em se tornarem o local privilegiado para esse tipo de publicação (opinião também compartilhada pelos colegas), me parece correto abrir essa possibilidade a todas as editoras que concordarem em serem auditadas pelas agências. Igualmente concordo com a posição do Professor Goldbaum a respeito da comunidade científica criar "indicadores" para os parâmetros de qualidade que seriam exigidos para os futuros livros eletrônicos admitidos como publicação curricular válida para docentes e pesquisadores.

Também compartilho da preocupação dos colegas de que esse assunto deverá ser profundamente discutido. Estou tão convicto disso quanto da necessidade absoluta de realizarmos o quanto antes esse debate e iniciarmos a implantação dos livros eletrônicos de maneira sistemática junto à nossa comunidade acadêmica.

O Professor Goldbaum questiona se a situação de livros com menos de mil leitores e com qualidade se apresentaria de maneira mais freqüente nas editoras. Eu diria que sim pela experiência observada junto às editoras universitárias e pela tradição do mundo editorial, pleno de diversidade de títulos dos quais apenas 20% em média respondem pela sustentação financeira das editoras. Portanto, creio ser um problema que, principalmente na área de humanidades e letras, mais afeta à divulgação em livros do que em periódicos, é preocupação presente que necessita de novas soluções e encaminhamentos.

. Finalmente, esclareço o que chamo de "generosidade e compreensão". Sou adepto da observação que Gabriel Zaid, genial escritor e crítico mexicano, faz a respeito do nosso tempo: "Na segunda metade do século XX cresceu extraordinariamente o número de estudantes universitários. Isso aumentou o número de pessoas que lêem, porém mais ainda o das pessoas que escrevem e querem ser publicadas".Sem discutir os pontos positivos ou negativos dessa situação de novos leitores e escritores, entendo que é fundamental a arbitragem criteriosa do que editar, baseado nos pontos centrais que tratamos em nossos artigos aqui debatidos. Quando me refiro à generosidade e à compreensão, penso em relação aos novos suportes da escrita e isso significa termos a necessária abertura para admitir e processar livros em outras mídias dando a eles o mesmo estatuto que admitimos para o livro impresso em papel. No presente trata-se simplesmente de colocar o que editaríamos em papel na tela e considerá-lo um livro. No futuro deveremos ter também a necessária abertura para admitir novas linguagens, novas estruturas de comunicação do pensamento acadêmico que se expressa na tela. Mas isto é assunto para outro debate.

 

São Paulo, 11 de dezembro de 2005.

José Castilho Marques Neto

 

 

Recebido para publicação em: 11/12/05. Aprovado para publicação em: 14/12/05.