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Interface - Comunicação, Saúde, Educação

versão impressa ISSN 1414-3283versão On-line ISSN 1807-5762

Interface (Botucatu) v.11 n.22 Botucatu maio/ago. 2007

https://doi.org/10.1590/S1414-32832007000200021 

CRIAÇÃO

 

In Pacto: arte e corpo em terapia ocupacional

 

In Pact: art and body in occupational therapy

 

 

Eliane Dias de Castro

Terapeuta ocupacional; doutora em Ciências da Comunicação; coordenadora, Laboratório de Estudos e Pesquisa Arte e Corpo em Terapia Ocupacional, Curso de Terapia Ocupacional, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo. São Paulo, SP. <elidca@usp.br>

 

 

 

PACTO - Programa Permanente Composições Artísticas e Terapia Ocupacional

Produzir novas tecnologias socioculturais e desenvolver práticas de intervenção social que proponham soluções criativas e participativas para a população atendida em terapia ocupacional é necessidade premente na contemporaneidade. O PACTO, projeto de pesquisa didático-assistencial do Laboratório de Estudos e Pesquisa Arte e Corpo em Terapia Ocupacional do Curso de Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina da USP, atua com referência nas Artes Contemporâneas, na Reabilitação Psicossocial, na Terapia Ocupacional e na atenção às populações em vulnerabilidade e desvantagem social. Implementa transformações no cotidiano da população atendida e favorece sua inclusão em atividades culturais, desenvolvendo e pesquisando habilidades, estimulando e construindo conhecimento artístico e redes de convivência. Compartilhando a idéia do exercício cultural como escuta das diferenças, o programa atua, também, na construção de propostas no território da cidade.

 

A exposição

IN PACTO é a exposição coletiva das atividades artísticas realizadas nos ateliês do PACTO a partir de um cuidadoso ato de organizar e selecionar a produção individual e grupal. Onde e como mostrar, o que e como falar, como materializar este projeto coletivo? Produziu-se muito, gerou-se o afeto necessário para o acontecimento criativo... tomamos a decisão de mostrar esta produção a um público ainda desconhecido, mas que, como nós, também circula pelas redes culturais.

A exposição coletiva impõe o duplo desafio de preservar a marca autoral de cada participante e, simultaneamente, espelhar o fio condutor que torna possível uma leitura coerente do todo. Das obras produzidas ao longo dos anos, alguns temas, formatos, suportes e procedimentos se repetem e se contaminam, convidando o expectador a um olhar sensível para as nuances existentes.

IN PACTO oferece uma paisagem de contemplação e reflexão na qual as identidades poéticas procuraram ser respeitadas: Antônio Carlos, Cidinha, Evaldo, Fê Ribeiro, Friederich Haezel Vaughan, Gragazzola, Isabel, Joanes, Maria Izabel, Marina, Neda, Regina Basaglia, Valéria Pujol, Valéria Silva, Xéster Rocha e Wagner apresentam seus trabalhos em linguagens e quantidades que revelam seus maiores envolvimentos com o fazer artístico e com o fato plástico.

Os encontros com os participantes e seus trabalhos nas duas exposições realizadas em 2006 foram intensos. Reproduzi-los ou interpretá-los seria, sem dúvida, redutor. O fazer expressivo é um acontecimento e, como tal, comporta muitas coisas, relações entre naturezas diversas.

 

 

 

 

A pesquisa

Como são produzidos os trabalhos artísticos no campo da terapia ocupacional?

Como são cuidados e compreendidos?

Como são mostrados?

O projeto de pesquisa "Corpo e Arte: articulando ações em terapia ocupacional" debruçou-se por certo tempo sobre estas questões, discutidas a partir do acompanhamento de um grupo do Pacto nos ateliês de corpo e arte. Arte aqui compreendida como projeto para a emancipação de todos e de abertura de espaços – criativos, educacionais, relacionais e sociais -, práticas de interferência direta no mundo.

Nos encontros, forças produtivas foram se tornando disponíveis, potencializando a ação humana com a finalidade de enfrentamento conjunto da marginalidade opressiva - solidão, ociosidade, angústia; de habitarmos, na medida do possível, lugares da cultura, com linguagem, criação, pesquisa, e de reinventarmos o ambiente, enriquecendo modos de vida e de sensibilidade. No cotidiano dos ateliês ao longo de nove anos, acompanharam-nos questões sobre o que fazer com as produções, com as obras. A idéia de uma exposição para o fechamento dos trabalhos grupais ganhou forma... vida.

Fazer a obra vir ao mundo

Muitos encontros, fluxos e atravessamentos se impondo... chega o tempo da mudança. Acompanhamos uma composição inédita, projeto construído coletivamente, anunciando mundos possíveis. O que fora produzido intimamente agora ganha visibilidade: "vamos mostrar aos outros o que fizemos...".

A potência de afirmação se manifesta. Afirmação de si, do outro, do coletivo... Desbravamos territórios de fronteira, destino final da viagem: o universo da cidade, da cultura.

No percurso de conexões e sentidos, as produções não cessam, não se esgotam e o acolhimento das tantas singularidades faz-se necessário.

Assim se constitui a colaboração profissional, numa função estruturante de coordenar e sustentar, orquestrando diferentes ritmos: de produção, reflexão e concretização das ações. Uma regência artesanal para execução da sinfonia. Cuidamos das obras, dos artistas e da própria equipe.

Experimentamos a vida que não pára... aquela que segue resistindo e construindo cenários de existência para si... processo que é, acima de tudo, humano, orgânico, constituído e construído nas relações, nos afetos, detalhes, no pequeno... pequeno, mas articulado.

Nosso olhar está atento, responsável e consciente da força e fragilidade da obra quando vem ao mundo. E, parafraseando Nise da Silveira, sentimo-nos guardiãs do processo de criação da obra por completo, atentas à vitalidade da criação, a fim de que esta não se transforme em mero artefato. Vida transformada em obra, cuja força, beleza e estranhamento impactam.

 

 

Fazer a obra vir ao mundo

Muitos encontros, fluxos e atravessamentos se impondo... chega o tempo da mudança. Acompanhamos uma composição inédita, projeto construído coletivamente, anunciando mundos possíveis. O que fora produzido intimamente agora ganha visibilidade: “vamos mostrar aos outros o que fizemos...”.

A potência de afirmação se manifesta. Afirmação de si, do outro, do coletivo... Desbravamos territórios de fronteira, destino final da viagem: o universo da cidade, da cultura.

No percurso de conexões e sentidos, as produções não cessam, não se esgotam e o acolhimento das tantas singularidades faz-se necessário.

Assim se constitui a colaboração profissional, numa função estruturante de coordenar e sustentar, orquestrando diferentes ritmos: de produção, reflexão e concretização das ações. Uma regência artesanal para execução da sinfonia. Cuidamos das obras, dos artistas e da própria equipe.

Experimentamos a vida que não pára... aquela que segue resistindo e construindo cenários de existência para si... processo que é, acima de tudo, humano, orgânico, constituído e construído nas relações, nos afetos, detalhes, no pequeno... pequeno, mas articulado.

Nosso olhar está atento, responsável e consciente da força e fragilidade da obra quando vem ao mundo. E, parafraseando Nise da Silveira, sentimo-nos guardiãs do processo de criação da obra por completo, atentas à vitalidade da criação, a fim de que esta não se transforme em mero artefato. Vida transformada em obra, cuja força, beleza e estranhamento impactam.

 

 

 

 

"A imagem não é tradução de uma coisa só, imagem é uma "parte inteira" do viver, do sentir...
Não acaba em si, seu desdobramento chama-se: aprendizado.
O objeto expressivo é passagem.
Abre para o novo, é tomada de conhecimento.
Dá-se através de relações, de encontros, de analogias.
Ocorre através do transporte, tem a ver com mudança de estado.
E como tal é fundante do ser como presença, como atuação, como fazer.
Não é conceito, não é produto.
É alguma coisa da relação do humano com a realidade maior.
As obras de arte devem ser julgadas pelo que lhes deu luz, pelo o que as fez nascer.

Relato da curadoria

IN PACTO

Era uma tarde fria e cinzenta
Ao som da música,
A dança das folhas em um vento oriental
Eu estava apaixonada por você
Tormenta que inspira sentimento e sofrimento
Quem ouve o teu canto não se espanta

Yujbnvmmkcx,o.p-1234567890qwertyuiioopp

Wagner gosta de pintar o Wagner
A arte projeta meus sentimentos em relação às pessoas
Sentir, expressar, fazer
Foi o que fiz
Fiz Terapia Ocupacional
Passei horas maravilhosas
Viajando por dentro das curvas que vem de uma imaginação infinita
E tudo que estava latente dentro de mim se transformou em algo
Exercícios que nos ajudam no dia a dia
Paixão
Virei sabão
Com meu bichinho cor-de-limão

Me vejo encucado com a cultura
Há sempre luz e esperança no fim do túnel
E continua a batalha para aprender muito mais coisas novas...

Composto por frases dos artistas

Laboratório de Estudos e Pesquisa Arte e Corpo em Terapia Ocupacional

Eliane Dias de Castro, Coordenadora dos Projetos de Pesquisa"Corpo e Arte: articulando ações em Terapia Ocupacional" (Fapesp) e "INPACTO: a produção artística do PACTO e seus trajetos no circuito sociocultural da cidade" (CCEX/USP)

Equipe

Elizabeth Maria Freire de Araújo Lima, Erika Alvarez Inforsato, Leonardo José Costa de Lima

Colaboradores

Terapeutas ocupacionais - Ana Lúcia Marinho Marques, Cinthia Mayumi Saito, Fernanda Valadares Drumond Fonseca, Gisele Dozono Asanuma, Luís Felipe Ferro e Naiada Dubard Barbosa

Bolsistas graduandos - Nara Mitiru de Tani e Isoda, Pryscila Mamy Okuyama, Renan Tobias Duarte

Curadoria da exposição

Maria Regina Margini Marques, Christiana Moraes, André Yassuda

Fotógrafo

Beto Teixeira

 

 

Composição gráfico-textual: Mariangela S. Quarentei e Adriana Ribeiro, a partir do catálogo IN PACTO.
Rua Cipotânea, 51
Cidade Universitária, Butantã
São Paulo, SP 05.360-160

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