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Interface - Comunicação, Saúde, Educação

On-line version ISSN 1807-5762

Interface (Botucatu) vol.12 no.25 Botucatu Apr./June 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S1414-32832008000200003 

DOSSIÊ

 

O ensino da homeopatia e a prática no SUS

 

La enseñanza de la homeopatia y las practica en el servicio Unificado de Salud brasileño

 

 

Wania Maria Papile GalhardiI; Nelson Filice de BarrosII

IMédica. Departamento de Saúde Coletiva, Faculdade de Medicina de Jundiaí. Rua Francisco Telles, 250 Vila Arens - Jundiaí, SP 13.202-550 waniapg@terra.com.br
IISociólogo. Departamento de Medicina Preventiva e Social, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas

 

 


RESUMO

Este estudo focaliza a formação do médico homeopata com uma das ações desenvolvidas para humanizar a prática médica. No Brasil, essa ação aconteceu fora das Instituições de Ensino Superior (IES) até 2003, quando foi implantado o curso de especialização em homeopatia na Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), com prática pedagógica e atendimento aos usuários de Saúde Pública. O objetivo do trabalho foi avaliar a formação do médico homeopático na FMJ e as percepções de usuários, profissionais de saúde, professores e tutores do curso, e congregação da faculdade, sobre a homeopatia e o curso. O estudo, de natureza qualitativa, utilizou entrevistas, técnica de grupo focal e questionários. Três categorias analíticas emergiram dos dados: a) conhecimento do referencial em homeopatia; b) homeopatia como o novo paradigma de ensino e assistência em saúde pública; c) estrutura geral do curso. Concluiu-se pela viabilidade do ensino de homeopatia em IES com prática pedagógica clínica orientada à saúde pública.

Palavras-chave: Homeopatia. Integralidade. Ensino. Assistência. Sistema Único de Saúde.


ABSTRACT

This study focuses on training for homeopathic physicians as one of the actions developed for humanizing medical practice. In Brazil, this took place outside of university-level teaching institutions until 2003, when the specialization course on homeopathy was established at Jundiaí School of Medicine, with teaching practice and attendance for public health service users. This study aimed to assess the training for homeopathic physicians at Jundiaí and the perceptions of users, health professionals, course teachers and tutors and the school's academic board, regarding homeopathy and the course. The study was qualitative and used interviews, focus group techniques and questionnaires. Three analytical categories emerged from the data: a) knowledge of reference points for homeopathy; b) homeopathy as a new paradigm for teaching and attendance within public health; and c) general course structure. It was concluded that teaching homeopathy in university-level institutions is viable as a public health-oriented clinical teaching activity.

Key words: Homeopathy. Wholesome. Teaching. Attendance. Single health system.


RESUMEN

Este estudo enfoca la formación del médico homeopata con una las acciones desarrolladas para humanizar la práctica médica. En Brasil esta acción tuvo lugar fuera de las instituciones de enseñanza superior (IES) hasta 2003 en que se implantó el curso de especialización en homeopatía en la Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) del estado de São Paulo, con práctica pedagógica y atendimiento a los usuarios de Salud Pública. El objeto del trabajo ha sido evaluarla formación del médico homeopata en la PMJ y las percepciones de usuarios, profesionales de salud, profesores y tutores del curso y congregación de la facultad, sobre la homeopatía y el curso. El estudio, de naturaleza cualitativa, ha utilizado entrevistas, técnica de grupo focal y cuestionarios. De los datos emergieron tres categorías analíticas: a) conocimiento del referencial en homeopatía; b) homeopatía cono el nuevo paradigma de enseñanza y asistencia en salud pública; c) estructura general de curso. Se concluye la viabilidad de la enseñanza de homeopatía en IES con práctica pedagógica clínica orientada a la salud pública.

Palabras-clave: Homeopatía. Integralid. Ensenãnza. Asistencia. Sistema Único de Salud.


 

 

Introdução

A homeopatia foi introduzida no Brasil pelo médico homeopata francês Benoit Mure, em 1840, e sua difusão oscilou com influência direta dos fatores históricos, sociais, econômicos e culturais, com períodos de reconhecimento, ascensão e decadência. Segundo Luz (1996), a homeopatia é marcada por diferentes fases na sua história no Brasil, com destaque para as décadas de 1970 e 1980, nas quais se identifica a retomada do ensino da homeopatia e o seu reconhecimento como especialidade médica em 1979, pela Associação Médica Brasileira, e, logo a seguir, em 1980, pelo Conselho Federal de Medicina. Assim, naqueles anos ocorreram a implantação e o desenvolvimento de inúmeras instituições formadoras em homeopatia no país e a retomada de associações como a Associação Paulista de Homeopatia (APH).

Em 1981, foi criada a Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB), órgão corporativo que tem como objetivos: estabelecer diretrizes para os cursos de formação do médico homeopata, regulamentar o ensino e normatizar a concessão do "Título de Especialista em Homeopatia". Atualmente, os cursos de formação em homeopatia são oferecidos a médicos graduados, em caráter de especialização, com carga horária de mil e duzentas horas, distribuídas ao longo de dois ou três anos. São ministrados por entidades de ensino que compõem um Conselho de Entidades Formadoras em Homeopatia, criado em 1997, para tratar de assuntos como: o estabelecimento das metas de ensino, o intercâmbio entre as formadoras, os planejamentos e o estímulo à pesquisa (Luz, 1999).

No atual cenário de ensino universitário brasileiro, a homeopatia tem diferentes inserções, como: no Curso de Pós-Graduação em Homeopatia da Faculdade de Medicina de Jundiaí/SP, na Residência Médica em Homeopatia do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, da Escola de Medicina e Cirurgia da UNIRIO/RJ, e, nessa mesma escola, com a disciplina "Matéria Médica Homeopatia" em caráter obrigatório. Além de estar presente em muitas escolas de medicina como disciplina optativa do currículo da graduação - Escola Paulista de Medicina, Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de São Paulo e Hospital das Clínicas da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. No entanto, a grande maioria dos cursos para formação de especialistas continua sendo ministrada à parte das faculdades de medicina do país.

Em 2003 foi criado o Curso de Pós-Graduação em Homeopatia da Faculdade de Medicina de Jundiaí (CPGH-FMJ), cuja prática de ensino ocorre no Sistema Único de Saúde (SUS) do município de Jundiaí. O projeto do curso foi elaborado por um grupo composto por médicos, dentistas e farmacêuticos homeopatas. Estes profissionais estudam e aplicam a prática clínica homeopática ensinada por Hahnemann na sexta edição do Organon da arte de curar (Hahnemann, 1984). O grupo prestou atendimento na APH por aproximadamente cinco anos. Em seguida, teve sua experiência em atenção básica no Centro de Saúde de Pinheiros, em São Paulo, por dois anos. Após estas experiências teve inicio, em agosto de 2003, o CPGH-FMJ, com características especiais que o diferenciam, como: estar vinculado a uma instituição de ensino médico; estar inserido no SUS; contar com a aprovação do Conselho Municipal de Saúde (COMUS, 2004); estar inserido na rede municipal como ambulatório de atenção secundária; e fazer parte do sistema de referência-contra referência do serviço de saúde pública de Jundiaí.

Este trabalho analisou, de forma geral, a formação do médico homeopata do Curso de Pós-Graduação em Homeopatia da Faculdade de Medicina de Jundiaí. Analisa especificamente: as modificações na prática e conduta dos médicos-alunos do CPGH-FMJ, a partir do ingresso no curso; a percepção dos Professores e Preceptores do CPGH-FM e da congregação da FMJ sobre a homeopatia e sobre o curso; a percepção dos profissionais da saúde do Ambulatório de Especialidades/Núcleo Integrado de Saúde sobre a homeopatia, e o atendimento homeopático no SUS; e a percepção dos usuários que fazem tratamento homeopático nos serviços público de Jundiaí.

Em maio de 2006 foi publicada a portaria nº 971 do Ministério da Saúde, que estabelece a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) para o SUS (Brasil, 2006), que trata da regulamentação da implantação, da implementação, da garantia de acesso de toda população às práticas, da avaliação das práticas, das pesquisas científicas, bem como do financiamento de todas as ações necessárias para a viabilização da política.

 

Sobre a pesquisa

Em 2004, iniciou-se um estudo de caso sobre o CPGH-FMJ, adotando-se a metodologia qualitativa, que considera a visão, o juízo, o ponto de vista dos interlocutores; busca o aprofundamento e a abrangência da compreensão seja de um grupo social, de uma organização, de uma instituição, de uma política (Minayo, 2004); permite trabalhar informações abrangentes e sistemáticas em profundidade, coletadas de pessoas, eventos, episódio de doenças, programas, organizações etc. (Tobar, Yalour, 2001; Lüdke, André, 1986).

Os sujeitos aqui analisados interagem entre si no seu dia-a-dia, pois são: alunos, usuários, profissionais administrativos da saúde, professores e preceptores. Eles ocupam o mesmo espaço físico, relacionam-se diretamente na organização do atendimento médico homeopático e têm uma interface na relação médico-paciente, professor-paciente e profissionais da saúde-paciente. Os demais sujeitos, membros da congregação da FMJ, representam o "poder" no campo da saúde perante a instituição médica e a sociedade local, e em suas percepções e perspectivas destaca-se a veemência de suas "falas", o que pode contribuir para a solidez e institucionalização da racionalidade médica homeopática.

A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas em profundidade e aplicação de questionários semi-estruturados. Os alunos responderam questionários a cada seis meses: com um mês de curso (março 2004), seis meses, após inicio do ambulatório da prática clínica (agosto 2004) e ao término do curso (junho 2005). Os professores, preceptores, responsáveis pelo ensino e prática clínica em homeopatia, responderam questionário em abril 2004; o diretor da FMJ foi entrevistado em junho 2005, e os demais membros da congregação responderam questionário em agosto de 2005. Os profissionais da saúde lotados no ambulatório foram entrevistados de forma coletiva, com uma técnica adaptada do grupo focal, em agosto de 2004. Os usuários em tratamento homeopático no serviço responderam questionário após seis meses do início do ambulatório (agosto 2004) e após 18 meses do início do ambulatório (agosto de 2005).

Foi desenvolvida técnica da metodologia qualitativa para a análise dos dados. Entende-se que analisar os dados qualitativos significa "trabalhar" todo material obtido durante a pesquisa, ou seja, as observações, as transcrições de entrevistas, as análises de documentos e as demais informações disponíveis. O que implica, primeiro, organizar o material, dividindo-o em partes, relacionando estas partes e procurando identificar nelas tendências e padrões relevantes. No momento seguinte, as tendências e os padrões são reavaliados, buscando-se "núcleos de sentidos", categorias de análise e relações para inferir em um nível de abstração mais elevado (Minayo, 2004; Lüdke, André, 1986; Bardin, 1977).

As categorias para análise foram: o conhecimento e referencial sobre a homeopatia, que permite analisar as percepções que os sujeitos têm da homeopatia e o que fez com que a buscassem para suas vidas, como racionalidade médica e método terapêutico; a homeopatia como novo paradigma de ensino/assistência no SUS, que permite analisar as repercussões deste novo paradigma nas vidas dos diferentes sujeitos envolvidos com ela, as mudanças de conduta, a sua aceitação no campo da saúde, a sua aplicação e desenvolvimento na FMJ e no SUS; e a estrutura geral do curso, que permite analisar a qualidade daquilo que é ensinado (Quadro 1).

 

 

Nos diferentes papéis que os sujeitos exercem, as perspectivas e percepções complementam-se e solidificam-se, permitindo ao pesquisador a análise das condições e dos benefícios do objeto estudado. Assim, foi possível conhecer o que cada um dos sujeitos analisados percebe, visualiza e espera sobre a homeopatia e o tratamento homeopático no serviço público de saúde e o Curso de Pós-Graduação em Homeopatia da Faculdade de Medicina de Jundiaí.

 

Resultados

O CPGH-FMJ na percepção dos alunos

Os alunos egressos do curso foram em número de oito. Todos já haviam concluído outra especialização médica, exceto um, e eram formados nas décadas de 1980-1990, um em 2002 (Quadro 2). Portanto, conheciam e praticavam a racionalidade médica alopática há pelo menos dez anos.

 

 

Escolheram a prática homeopática como mais uma possibilidade de tratamento para os seus pacientes, especialmente para as doenças crônicas, e por evidenciarem os resultados positivos dos tratamentos aos quais, sobretudo, seus filhos tinham sido submetidos. Também foi comum, entre os alunos, certa inquietude e sentimento de responsabilidade para com aqueles que lhes solicitam ajuda. Apresentavam um grande interesse em resolver, em levar alívio aos "problemas" de saúde, nem sempre graves, mas responsáveis por produzirem desconforto e alteração no cotidiano. Essa inquietude foi identificada em trechos como os que se seguem: "tratar doenças não é o mesmo que tratar doentes" (A1); "a prática alopática me frustrava não era este tipo de medicina que eu queria fazer" (A2); "havia dificuldade de medicação em doenças crônicas" (A3); "visão mais ampla do paciente" (A4); "não conseguia curar os pacientes com paliativos" (A5); "falta resolutividade na alopatia para doenças crônicas" (A5); "algo que proporcionasse mais contato com o paciente [...] antes eu tinha uma forma de atuação de pronto-atendimento [...] mesmo que dispensasse mais tempo não conseguia ser muito completa" (A8).

No primeiro mês da prática clínica, os alunos se preocupavam em perceber os detalhes da história clínica, com a intenção de identificar os sintomas peculiares que os auxiliariam na escolha do medicamento homeopático; tornavam-se mais detalhistas, buscavam a totalidade sintomática individual e, mesmo fora do curso, estavam mais perceptivos aos detalhes nas consultas médicas que realizavam. Assim relataram os alunos: "tenho prestado mais atenção a alguns detalhes sobre a condição clínica do paciente [...] [e] esforço em resgatar o bem-estar em sua totalidade" (A6); "continuo atuando como alopata, às vezes, tenho vontade de refazer a anamnese e tratar o doente homeopaticamente" (A3); "estou me familiarizando com a metodologia e vendo sua eficácia" (A4).

Com seis meses de curso, em agosto de 2004, sentiram maior facilidade e segurança na elaboração da história médica homeopática e no diagnóstico medicamentoso, embora enfatizassem a demora no estudo do caso. O Aluno1 afirmou: "sinto-me mais seguro e a idéia de aplicar os conceitos e iniciar o atendimento não me assusta mais". No discurso de outros alunos, identificam-se expressões de maior segurança na prática, porém com cautela, quando afirmam: "a cura parcial produz apenas um alívio imediato" (A1). "sinto-me preparado para a prática no meu dia-dia, sinto que este projeto deve crescer cada vez mais [...] sempre que possível me colocando à disposição para ajudar neste projeto" (A1).

Um aluno apontou o estudo da homeopatia como superior ao estudo individualizado dos órgãos e da fisiologia. Sinalizou, também, o desconhecimento dos alopatas sobre a prática homeopática, para ele, "a visão [...] pelo Organon, é muito superior àquela fornecida pelo estudo individualizado dos órgãos e da fisiologia [...] falta muito na conduta alopática que desconhece a homeopatia" (A4). Nesse mesmo período, um aluno colocou-se crítico em relação à alopatia, relacionando isto ao fato de estar "mais crítico com minha prática alopática, porque a sinto mais impotente" (A6); outro se referiu à satisfação com o tratamento homeopático, tanto do ponto de vista do médico, como do paciente: "este tipo de atendimento traz uma grande satisfação não só para o médico, como também para paciente" (A7); e outro ainda enfatizou a disposição dos professores e preceptores para o ensino, como um fator de grande importância, considerando-os "pessoas com muita disposição para ensinar e transmitir conhecimentos" (A8).

Também, em agosto de 2004, alguns alunos destacaram o atendimento em seus consultórios. Sentiam-se mais confiantes. Suas justificativas para o início da prática foram distintas, mas conduzem na direção da confiança: "consegui ter mais segurança com o atendimento em meu consultório [...] fiquei animada com pelo menos três casos" (A5); "consigo ver meus pacientes de maneira diferente, sou capaz de enxergar o desenvolvimento de suas doenças melhor do que antes e isso é somente o início porque apenas pouca experiência possuo com homeopatia" (A4); "comecei aplicar a homeopatia nos casos de doenças crônicas parece a melhor opção" (A5).

De maneira geral, foi salientada pelos alunos a necessidade de estudar sempre, de conhecer a teoria e ter acesso a grande número de atendimentos. Apontaram a importância do ambulatório para o aprendizado e atribuíram a ele a possibilidade de adquirir a confiança necessária.

Alguns alunos identificaram a homeopatia como uma forma de atenção humanizada à saúde: "consigo dar um atendimento mais completo e humanista" (A7); "melhorou muito a minha prática, [...] estou considerando particularidades que antes não dava importância, mas que fazem parte do todo do paciente, [...] o curso me proporcionou uma visão mais humanizada do atendimento" (A5).

Em junho de 2005, fim do curso, os alunos afirmaram-se satisfeitos, embora percebessem a necessidade do aprimoramento contínuo. Percebiam que a racionalidade médica homeopática tem bases teóricas sólidas, onde cada caso merece um estudo individualizado. Conheciam os resultados dos tratamentos, sabiam como acompanhar cada paciente atendido e consideravam ter feito uma boa escolha. Destacou-se a fala da Aluna 8: "quando entrei no curso não conhecia nada, foi [um amigo] [...] que me chamou para o curso [...] seria uma boa ocupar meu tempo com algo diferente, [...] atirei no que vi e acertei no que não vi, [...] tenho 100% de satisfação [...] a homeopatia não é como pensei, é muito melhor [e] [...] usei em alguns dos meus pacientes que melhoraram."

No mesmo período, foi abordado um aspecto importante sobre o não reconhecimento do caráter científico da homeopatia, o que se destaca como fator desestimulante para a sua escolha como especialidade médica, "se soubesse do histórico da homeopatia, da falta de reconhecimento [...] no Brasil e no mundo, eu nunca teria feito este curso, [...] nunca!" (A5). Entretanto, o mesmo aluno declarou que "a satisfação de realmente mudar a saúde física e mental do paciente, de modo positivo, significativo e duradouro, é indescritivelmente maravilhosa, ainda me emociono com os resultados [...] agora tenho renovado as esperanças de tratar doentes crônicos, coisa que a gente vai perdendo ou costuma não se preocupar com o tempo [usando] a medicina convencional".

No final do curso, os alunos destacaram a melhora da qualidade da relação médico-paciente, o desenvolvimento do senso crítico, a autonomia técnica, e reafirmaram a importância da visão da totalidade sintomática, como nesse trecho do discurso do aluno A4, que afirma que "o todo do paciente é composto por detalhes que se relacionam muito mais do que valorizávamos como não homeopatas".

Durante todo o período da formação dos alunos da primeira turma, as instalações do ambulatório eram precárias, tanto em estrutura física, como em equipamentos. No entanto, os alunos apontaram a importância do ambulatório para o aprendizado e atribuíram a ele a possibilidade de adquirirem a confiança necessária. Em certa medida, consideraram-no insubstituível para o aprendizado: "ambulatório é ótimo, porque sempre fazemos avaliação sobre como foi feito o atendimento, o que pode melhorar, discutimos o caso, discutimos quais são os sintomas-chave e porquê [...] é muito instrutivo" (A2); "casos discutidos com coerência" (A3); "esta prática nos dá segurança" (A3); "não esqueci o calor das salas [...]", "mas o que era isto perto do resultado obtido [...] o ambulatório é insubstituível como se cada consulta fosse uma pedra da fundamentação de uma obra" (A4); "com a prática ambulatorial adquirimos experiência [...] no manejo clínico de nossos pacientes" (A7). Outro aluno destacou, ainda, como um aspecto importante para o aprendizado, durante a prática ambulatorial, a "oportunidade de conviver com outros profissionais capacitados e pessoas tão interessantes, tanto do corpo docente quanto discente" (A8).

O preparo dos medicamentos prescritos sempre foi realizado imediatamente após o término de cada consulta, por um ou dois alunos, sob supervisão dos professores ou preceptores, pois fazia parte do aprendizado desenvolver um espírito crítico em relação à qualidade do serviço farmacêutico, no que se refere à ética, profissionalismo, técnica e matéria-prima. O episódio da preparação dos medicamentos despertou diferentes tipos de reações nos alunos, como nos relatos: "ótimo aprender fazer os medicamentos, mas isto leva a um atraso nas consultas" (A1); "o espaço da farmácia faz falta, manipular o remédio é interessante no aprendizado" (A2); "(...) acho um grande benefício o paciente poder sair da consulta com seu medicamento" (A8).

 

O CPGH-FMJ na percepção de professores e preceptores

Foram seis os entrevistados nessas categorias, sendo um farmacêutico e os demais médicos (Quadro 3). O coordenador do curso e os professores convidados não participaram da pesquisa. Os entrevistados afirmaram suas expectativas em relação ao crescimento da credibilidade e institucionalização da terapêutica homeopática, bem como em relação ao ensino e desenvolvimento de pesquisas. Salientaram as más condições físicas do ambulatório, a precariedade dos equipamentos médicos e do mobiliário, bem como a falta de local apropriado para farmácia. No entanto, destacaram que o número de atendimentos realizados e as discussões de casos estavam adequados ao aprendizado: "o número de consultas é bom e é boa a qualidade das discussões de ambulatório" (P1).

 

 

Uma das metas por eles estabelecidas é o preparo do aluno para o atendimento no SUS: "atender durante uma hora um caso novo, [...] incluindo a escolha do medicamento. [...] Realizar o retorno em trinta minutos, conseguir lidar com as intercorrências [...] e de maneira ética e com atendimento humanizado" (P2); "tratar pacientes de maneira coerente, prescrevendo também com coerência" (PF).

Os professores e preceptores consideraram que a carga horária de prática ambulatorial, além de fundamental para a formação do especialista, permite a proximidade do professor com o aluno no dia-a-dia, o que facilita a relação ensino-aprendizagem: "a qualidade do ensino é ótima pela proximidade aluno-professor, que vem favorecer o dia-a-dia do ambulatório" (PE); "tendo certo conhecimento de outros cursos, tenho certeza de que a carga horária para ambulatório é bastante grande e adequada para uma boa formação [...] alunos têm oportunidade de acompanhar um bom número de consultas por período e assim progredir em seu conhecimento" (PF).

Salientaram, por fim, que apesar das precárias condições da estrutura física para o ensino, os alunos da primeira turma do Curso no SUS receberam boa formação, e estavam capacitados a prestar atendimento para o SUS, com qualidade e ética.

 

O CPGH-FMJ na percepção da congregação da FMJ

A congregação é composta por 28 membros: o diretor, professores adjuntos e titulares, um representante dos alunos da graduação e um representante da população (Quadro 4). Em uma reunião de agosto de 2005, foi entregue o questionário a 23 membros presentes e, desses, 15 devolveram o questionário respondido.

 

 

Compreende-se, pelas perspectivas e percepções relatadas, que os membros da congregação, exceto um (C12), tinham algum referencial positivo relacionado à homeopatia. Em geral, reconheceram a homeopatia como uma prática complementar à medicina convencional, que deve estar inserida na escola médica por se tratar de uma especialidade médica. Entretanto, enfatizaram que a permanência do curso, a inclusão de disciplinas homeopáticas na graduação e a integração com os demais departamentos da faculdade estão vinculadas a realizações de pesquisas científicas, para "ser vista como medicina complementar [...] e ser capaz de conviver com as demais especialidades" (C1); e "comprovar a sua cientificidade, por meio de pesquisas na instituição de ensino" (C8).

Os membros da congregação foram unânimes em indicar a inserção da homeopatia na graduação, como disciplina optativa ou de caráter experimental, embora tenham deixado claro o desconhecimento sobre a estrutura do curso e sobre a racionalidade médica homeopática. Acreditam na oportunidade de desenvolver a integração com os demais departamentos: "trata-se de especialidade médica em fase de reconhecimento científico, decorrente de sua fundamentação teórica em pesquisa e publicações reconhecidas" (C8); "importante que os novos conheçam a homeopatia como mais uma opção de especialidade, existe possibilidade da mesma fazer parte do currículo médico" (C1); "incorporação de disciplinas na graduação médica, creio que deva haver um período experimental" (C2); "façam pesquisas na área, no núcleo de pesquisa da FMJ" (C10); "deve ser devidamente apresentada suas metas e metodologias ao corpo docente e discente para melhor percepção da estrutura do curso" (C8).

 

Percepção dos profissionais administrativos do ambulatório de atenção secundária do SUS - Jundiaí

Foram entrevistados dois auxiliares de arquivo, cinco auxiliares de recepção e informações, uma enfermeira e uma assistente social do ambulatório (Quadro 5). Os profissionais de saúde do SUS sempre tiveram acesso à racionalidade da medicina convencional e não tinham qualquer referência anterior à homeopatia. Um dos profissionais (R1) relatou que uma sobrinha faz tratamento e obteve uma melhora significativa em um tempo curto: "minha sobrinha que tem alergia terrível, trata aqui com a Dra. X e em quarenta dias está ótima". O mesmo relatou que um médico, ao ouvir seu comentário sobre a sobrinha lançou um desafio: "se ela [a sobrinha] se curasse ele [o médico] promete que fará o curso de homeopatia" (R1).

 

 

Um dos profissionais relacionou a eficiência e a procura pela homeopatia, devido ao número de farmácias homeopáticas existentes. Outro, por acreditar no menor custo dos medicamentos: "eu acho que é bom, a gente vê tanta farmácia" (R2); "eu já vi gente falar que foi para homeopatia porque é mais barata" (R3). Um dos profissionais sugeriu que eles obtivessem capacitação, para responder aos questionamentos dos usuários sobre homeopatia. Eles identificaram que as informações aos usuários eram insuficientes e que dificultou um melhor aproveitamento "se existisse um treinamento do pessoal administrativo com o pessoal da homeopatia, [porque] o público vem com informação insuficiente e o funcionário está despreparado, acho que sinto esta necessidade no meu trabalho" (R4). Alguns entrevistados tomaram conhecimento, ainda, de que, para os médicos reumatologistas do ambulatório no mesmo prédio, a homeopatia já funcionava como medicina complementar, o que se confirmou com o relato: "os reumatologistas gostaram [da homeopatia] dizem que vão sugerir aos pacientes, já tem alguns pacientes juntos, que até diminuíram os medicamentos [alopáticos]".

A atenção dispensada para paciente, a diferença na anamnese homeopática e a tranqüilidade e satisfação do usuário na sala de espera foram fatos marcantes percebidos pelos profissionais. Eles salientaram a visão da "totalidade" e da individualização do medicamento: "o paciente não é um pé ou uma cabeça" (R2); "ele sabe que o medicamento é só dele" (R1). Apontaram, também, o atendimento como humanizado: "pacientes se sentem únicos" (R1); "parece que os pacientes da homeopatia são diferentes, são mais calmos. É mais humanizado!" (R2). Não deixaram, também, de relatar as dificuldades com as disponibilidades de salas, o agendamento das consultas e em entender que todos os homeopatas, exceto o pediatra, atenderiam clínica geral. Outra menção foi sobre a grande demanda do serviço, que resulta na espera por agendamento: "em contato com pacientes, a gente fala que vai demorar a marcar a consulta e os pacientes falam [...] - não a gente espera o que for, sem problema!" (R1); "Uma coisa é certa a procura aumentou e precisa abrir mais vagas!" (R2).

Um dos sujeitos (EA) deixou claro toda a dificuldade encontrada para a implantação da atenção em homeopatia no SUS, por se tratar de uma atividade diversa das inseridas no Sistema de Saúde Municipal: "é um ambulatório que marca consulta diferente, num tempo maior, os médicos são metódicos"; "esta forma diferente da agenda dificultou nosso trabalho, o médico marca o retorno, somente a consulta é agendada pela Unidade Básica de Saúde. A impressão que dá é que o médico trabalha pela equipe toda, isto dificulta"; "eu era responsável por arranjar as salas, me trouxe sérios problemas, esta maneira de encarar".

Os profissionais perceberam os princípios da racionalidade médica homeopática com a convivência com os usuários, com os professores e com os alunos. Também compreenderam que a calma e paciência do usuário, quanto à espera por vaga na agenda, é uma conseqüência da boa relação médico-paciente. Os mesmos sujeitos reconheceram os benefícios que o tratamento proporciona e sentem necessidade de se informarem melhor para esclarecer as dúvidas diárias dos usuários.

 

O tratamento homeopático na rede pública na percepção dos usuários

Os pacientes analisados (Quadro 6) foram em número 44, subdivididos de acordo com a freqüência em que apresentavam os sintomas no início do tratamento: diariamente (Diários, 2005, 2004), semanalmente (Semanais, 2005, 2004), mensalmente, e um período maior do que um mês (Mensais, 2005, 2004). O objetivo dessa classificação foi criar uma forma de perceber, na evolução do tratamento homeopático, a possível redução das crises agudas em freqüência, intensidade e duração.

 

 

Os primeiros usuários atendidos no ambulatório de homeopatia foram os funcionários públicos da própria Secretaria Municipal da Saúde e outras secretarias. Foram os primeiros a tomar conhecimento da existência do serviço e tinham facilidade de acesso. Foram eles, também, os principais responsáveis pela divulgação e encaminhamentos de outros pacientes. Assim, em geral, os usuários tiveram orientação de outros usuários e amigos, embora alguns tenham relatado que estavam procurando por um atendimento neste modelo já há algum tempo.

Os pacientes perceberam a diferença da consulta médica homeopática, sobretudo, pelo tipo de perguntas, o nível de detalhamento e a visão da totalidade. É possível evidenciar suas percepções nas afirmações: "muito boa, porque engloba a pessoa como um todo e não apenas o sintoma" (Diários, 2004); "achei a consulta homeopática melhor, o fato de já ter sido medicado antes e não ter resolvido nada. Agora melhorou" (Mensais, 2004); "nunca havia tido tal experiência, nenhum profissional vasculhou a fundo meu caso, acho que salvou minha vida! (Diários, 2004)"; "a consulta de homeopatia é muito boa, melhor que as consultas convencionais" (Mensais, 2004). Uma usuária atribui, ao nível de detalhamento da consulta homeopática, o seu autoconhecimento: "foi um levantamento de dados para um autoconhecimento e conhecimento global dos problemas que me afetam" (Diários, 2004). Os usuários, também, ressaltaram o interesse dos profissionais na resolução de seus problemas, comparando com a atenção recebida de outros profissionais: "os médicos dão atenção para os pacientes" (Diários, 2004); "até achei estranho no começo, pois alguns nem olham direito pra gente, e eles dão muita atenção pra gente" (Mensais, 2004); "gostei da consulta porque as pessoas [médicos] são interessadas, de muita responsabilidade e capacidade" (Diários, 2005).

Os resultados obtidos com tratamento homeopático foram relatados com satisfação, pois as melhoras permitiam exercer suas atividades diárias sem interferência da doença: "posso fazer almoço sem ter que limpar o nariz e lavar as mãos" (Semanais, 2005); "não me preocupo mais com o cheiro dos produtos de limpeza" (Diários, 2005); "antes ficava parada muito tempo na cama" (Diários, 2005); "melhora no desempenho das tarefas diárias, com maior serenidade, calma e capacidade, depois do início do tratamento" (Semanais, 2004).

Destacam-se os relatos sobre a diminuição da duração e freqüência das crises e a não utilização de antibióticos e outros medicamentos, mesmo quando preservadas as condições adversas do meio: "neste ano passei mal só duas vezes, trabalho sob muita pressão, acúmulo de tarefas, a situação é a mesma, mas antes sofria mais com o stress" (Mensais, 2005); "estou me sentindo melhor [...] ainda sou nervosa, mas não uso lexotan" (Semanais, 2005); "O remédio é só uma gota por dia, parece que não faz diferença, mas depois se vê que melhorou, estão me ajudando a parar com os antibióticos" (Diários, 2005).

Além da assistência no SUS, as consultas também têm objetivos didáticos, o que exige a presença de três ou quatro alunos, além do preceptor. Observou-se que isto não foi um fator inibidor, pelo contrário, pois, como afirmou um usuário: "ter uma junta médica para atender é ótimo" (Diários, 2004). Salientaram a importância da gratuidade do atendimento e dos medicamentos, pois não teriam condições financeiras para arcar com um tratamento particular. Este tipo de atendimento praticamente inexiste nos convênios e planos de saúde, restringindo-se, então, aos serviços de profissionais liberais em consultórios próprios: "tratar com homeopatia no SUS [...] ótimo, excelente [...] o atendimento é da melhor qualidade e de graça" (Diários, 2005); "ser gratuito e receber os medicamentos é muito bom"; "acho ótimo, pois o gasto é nada e a saúde ótima" (Diários, 2004); "espero que não tirem este serviço, pois conheço muitas pessoas que estão muito bem após este tratamento, me incluindo junto" (Diários, 2004).

Com base no discurso dos usuários, pode-se afirmar que a evolução do tratamento homeopático diminuiu as crises agudas em freqüência, intensidade e duração, promovendo melhora significativa da doença e qualidade de vida, diminuição da demanda por outros serviços médicos, diminuição do uso de medicamentos alopáticos e, conseqüentemente, dos gastos com saúde.

 

Discussão

O tema desta pesquisa foi o ensino da homeopatia e o problema a análise de um curso específico de pós-graduação na racionalidade homeopática, em uma instituição de ensino superior e orientado para o SUS. O projeto foi estruturado como um estudo de caso e mais de cinqüenta diferentes sujeitos, com diferentes graus de envolvimento com o curso, responderam a diferentes instrumentos de coleta de dados. A maior parte dos dados foi tratada de forma qualitativa; e a discussão que se propõe, com base nos resultados apresentados anteriormente, procura responder por que a formação em homeopatia com orientação para o sistema público de saúde brasileiro é importante. Para isso, torna-se fundamental apresentar o quadro teórico-conceitual que orientou o trabalho.

As questões levantadas neste projeto foram identificadas dentro do chamado campo da saúde, que delimita um espaço social, no qual é possível visualizar significativo aumento dos debates sobre as chamadas medicinas alternativas e complementares. Observa-se que, ao longo dos anos de 1960 e 1970, as discussões sobre práticas alternativas faziam oposição e pretendiam excluir as alopáticas. No entanto, acontece uma ruptura na lógica deste discurso e, a partir da década de 1980, desenvolve-se o conceito de medicinas complementares, com uma perspectiva includente entre diferentes racionalidades médicas; enquanto, no fim da década de 1990, introduz-se o conceito de medicina integrativa, cuja proposta é produzir um paradigma que integre a diferença no campo da saúde (Barros, 2000).

A noção de campo foi desenvolvida por Bourdieu (apud Barros, 2000), no sentido de delimitar a arena específica de disputas entre sujeitos, coletivos ou individuais, por capitais que conformam políticas, serviços e práticas de cuidado-cura. Assim, nas palavras do autor, o campo:

é o lugar, o espaço de jogo de uma luta concorrêncial, [...] O que está em jogo é o monopólio da autoridade definida como capacidade técnica e poder social; ou da competência, enquanto capacidade de falar e agir legitimamente (isto é, de maneira autorizada e com autoridade), que é socialmente outorgada a um agente determinado. (Bourdieu apud Barros, 2000, p.122-3)

A homeopatia, no contexto do campo da saúde, é, portanto, apenas um dos agentes, com questões para serem analisadas no âmbito interprofissional, nas disputas que estabelece com outras racionalidades médicas, especialmente a biomédica, e interface com as questões econômicas, políticas e técnicas da saúde; e, também, no âmbito intraprofissional, em relação às perspectivas desenvolvidas pelos diferentes grupos e tendências que praticam homeopatia. Em outras palavras, pode-se sintetizar tomando as palavras de Rosenbaum (2006), quando afirma que "a homeopatia não é contra a biomedicina, é um modo diferente de conhecer o corpo. Ela dialoga com a medicina porque o paciente precisa manter os tratamentos de todos os lados. Qualquer tipo de benefício, sobretudo em enfermidades graves, é bem-vindo".

Nesta discussão propõe-se aprofundar os seguintes elementos da homeopatia no campo da saúde: primeiro, que se trata de um agente não hegemônico interprofissional, ou seja, está entre os dominados do campo da saúde; segundo, não há homogeneidade intraprofissional, o que faz com que não haja um único projeto homeopático no campo da saúde; terceiro, ainda representa uma perspectiva "alternativa", que garante aos profissionais médicos uma rota de fuga de estruturas asfixiantes do campo da saúde; quarto, é grande a desinformação sobre os princípios dessa racionalidade pelos profissionais da saúde, ampliando os espaços que permitem a reprodução de preconcepções e preconceitos; e quinto, o contato com a racionalidade homeopática provoca mudanças nos valores culturais e sociais das pessoas.

Em relação à homeopatia não ter poder hegemônico, estando entre os agentes dominados do campo da saúde, discute-se a questão econômica observada nas entrevistas com os diferentes sujeitos da pesquisa. Em nenhum momento se fez menção à questão financeira relacionada ao uso da homeopatia, embora, em vários relatos, tenha ficado evidente a menor utilização de medicamentos alopáticos, bem como a melhora das doenças crônicas e diminuição das crises agudas. Isto conduz a uma interpretação de que quanto maior o número de pacientes em homeopatia, comparativamente aos dos demais tratamentos, haverá uma redução significativa da "máquina" da saúde, com conseqüente redução dos custos. Galvão (1999) considera que o número menor de pacientes atendidos no serviço de homeopatia (em relação à clínica médica e à pediatria), que a princípio pode significar um custo maior do serviço, deve ser cotejado com a diminuição de consultas que geram exames complementares e encaminhamentos, e com os custos mais baixos do medicamento homeopático, aspectos que apontam para a diminuição do custo total do tratamento. Todavia, a necessidade de investimento na contratação de recursos humanos e na compra de medicamentos ainda não está na agenda de nenhum dos agentes do campo da saúde, mostrando a clara opção pelo investimento no modelo dominante da biomedicina.

Há um sinal de possível mudança de posição da homeopatia no campo da saúde com a publicação da PNPIC, uma vez que ela prevê a "garantia de financiamento" capaz de assegurar o desenvolvimento do conjunto de atividades essenciais à boa prática em homeopatia, considerando suas peculiaridades técnicas, tais como: o acesso aos insumos inerentes à prática da homeopatia - Repertório Homeopático e Matéria Médica Homeopática em forma impressa e em software; o acesso a medicamentos homeopáticos na perspectiva de implantação e/ou adequação de farmácias públicas de manipulação de medicamentos homeopáticos (inclusão da homeopatia na Política de Assistência Farmacêutica, nas três esferas de atenção); o estímulo à implantação de projetos para produção de matrizes homeopáticas nos laboratórios oficiais, projetos e programas de formação e educação permanente - que assegurem a especialização e o aperfeiçoamento em homeopatia aos profissionais do SUS, em pactuação nos Pólos de Educação Permanente em Saúde, a adequação da estruturação física dos serviços, o Ministério da Saúde dispõe anualmente de financiamento federal (Fundo Nacional de Saúde) e aos estados e municípios, também cabe, o co-financiamento para a estruturação dos serviços de atenção homeopática, e na divulgação e informação dos conhecimentos básicos da homeopatia para profissionais de saúde, gestores e usuários do SUS, considerando as metodologias participativas e o saber popular.

Em relação à não homogeneidade do projeto homeopático no campo da saúde, discutem-se as diferentes perspectivas trazidas por esta racionalidade para diferentes sujeitos; foi possível identificar, nesse trabalho, por exemplo, que os alunos do CPGH-FMJ buscavam ampliação do conhecimento sobre os métodos terapêuticos, enquanto os pacientes buscavam uma maneira de solucionar seus males, na maioria doenças crônicas, ou aquelas para as quais não existem explicações na biomedicina. No entanto, todos se depararam com uma racionalidade médica que, embora tenha a mesma cosmologia da biomédica, difere em relação à doutrina médica - aprofundando uma noção pouco desenvolvida pela biomedicina, que é a de energia vital - e ao sistema terapêutico, que busca, no limite, identificar, para cada paciente, seu medicamento semelhante em energia de produção de doença e saúde.

Desta interação, conclui-se que houve uma transformação nos alunos: naquilo que a relação doente-doença lhes representava, pois passaram a valorizar a necessidade do resgate da integralidade do doente, que coloca o indivíduo no centro da atenção, algo que havia sido perdido na atuação mecanicista da biomedicina; naquilo que a relação médico-paciente exigia, pois com a Metodologia Homeopática Hahnemanniana, fortaleceu-se e promoveu-se a humanização na relação, graças à visualização das dimensões físicas, psicológicas, sociais e culturais de cada doente.

Sumariamente, sobre as expectativas e percepções dos alunos, é possível afirmar que há um alto grau de satisfação, com reconhecimento de suas trajetórias evolutivas dos princípios da racionalidade médica homeopática, do aprendizado prático, da sedimentação dos conceitos e da constatação dos resultados dos tratamentos aplicados. Identifica-se que essas positividades do Curso mostraram-se de fundamental importância para os aspectos motivacional e da autoconfiança dos alunos, com desdobramentos no estímulo para quererem atuar como homeopatas, e na criação de uma atmosfera de confiança para tratarem dos doentes.

É importante lembrar o estudo de Salles (2001), que aponta que, dentre as principais deficiências percebidas durante a formação do especialista, está a falta da prática supervisionada por homeopatas experientes, com aptidão e capacitação para o ensino. Pelo que se verificou neste estudo, esta prática é bastante enriquecedora para os alunos do CPGH-FMJ.

Isto remete a uma discussão mais ampla sobre: Qual o melhor modelo de serviço homeopático? Como contemplar o tratamento de doenças agudas e crônicas? Como deveria estar inserida a retaguarda medicamentosa? Neste estudo não foram aprofundadas tais questões, mas identifica-se que os alunos do CPGH-FMJ compreenderam que estar inserido num serviço exige as seguintes ações: atuar de maneira ética, realizar os diagnósticos clínicos, complementar com exames laboratoriais quando necessário, realizar o diagnóstico medicamentoso, ter claro o prognóstico do paciente, e ter cautela ao suprimir um medicamento alopático. Certamente, na medida em que tiveram essa compreensão, também, passaram a trabalhar cuidando do crédito da racionalidade médica homeopática, com o fim de integrá-la nos diferentes serviços do SUS.

Os alunos demonstraram que perceberam as diferenças das racionalidades médicas, assim como foi relatada por Luz (2000): na medicina convencional o peso dos sintomas subjetivos e individuais é pouco valorizado para o diagnóstico, enquanto este está centrado nos procedimentos tecnológicos. Por outro lado, na medicina homeopática, os sintomas apresentados pelo paciente expressam o diagnóstico, pois permitem diagnosticar uma desarmonia nos sujeitos singulares.

Na percepção dos membros da congregação, existe a necessidade de comprovação científica dos benefícios proporcionados pela medicina homeopática. Só então ela poderá ser legitimada perante a comunidade médico-acadêmica. No entanto, a pesquisa científica também se encontra alicerçada pela PNPIC, que solicita a inclusão dessas práticas nas linhas de pesquisas do SUS, apoiadas pela parceria das entidades formadoras, associações e universidades e, para as quais, deverão ser designados recursos financeiros.

O processo de institucionalização da homeopatia no Brasil, embora tenha encontrado muitos entraves e contratempos, vem ocorrendo, a passos lentos, de forma a integrá-la ao conjunto das instituições e das práticas médicas desenvolvidas no país. Contudo, como lembra Galvão (1999), vale ressaltar que, em geral, as instituições ligadas à reprodução do saber biomédico, como as faculdades de medicina ou os hospitais, são as que mais se opõem à inserção de medicinas alternativas em espaços institucionais.

A publicação da portaria veio legitimar a racionalidade médica "vitalista", e, por outro lado, relativizar o paradigma mecanicista da medicina convencional. Nesse caso, a corporação médica passa a aceitar a inclusão de outras racionalidades "estranhas" à medicina ocidental, ao mesmo tempo em que reivindica o monopólio do exercício profissional (Queiroz, 2006).

Nas percepções dos profissionais administrativos, evidenciam-se as concordâncias com a PNPIC quando da necessidade de investir na educação popular, e também no que se refere às dificuldades na implantação, onde se identificam a insuficiência de recursos, o modelo SUS centrado na doença e a inexistência de políticas públicas locais para tal.

Ao se socializarem informações a grupos populacionais, possibilita-se o conhecimento, escolhas, avaliações e fortalecimentos. Assim, explicar os princípios da homeopatia pode significar a legitimação de sua prática. A PNPIC, por sua vez, aponta as medidas a serem adotadas para gerar tais informações, são elas: incluir a homeopatia na agenda de atividades da comunicação social do SUS; produzir materiais de divulgação destinados à promoção de ações de informação e divulgação da homeopatia direcionadas aos trabalhadores, gestores, conselheiros de saúde, bem como aos docentes e discentes da área de saúde e comunidade em geral; apoiar e fortalecer ações inovadoras de informação e divulgação sobre homeopatia em diferentes linguagens culturais; identificar, articular e apoiar experiências de educação popular - informação e comunicação em homeopatia; prover apoio técnico ou financeiro a projetos de qualificação de profissionais que atuam na Estratégia Saúde da Família e Programa de Agentes Comunitários de Saúde, considerando a pactuação de ações e iniciativas de Educação Permanente em Saúde no SUS.

Com base na percepção dos usuários, pode-se afirmar que a evolução do tratamento homeopático diminuiu as crises agudas em freqüência, intensidade e duração, promovendo melhora significativa da doença e da qualidade de vida, a diminuição da demanda por outros serviços médicos, a diminuição do uso de medicamentos alopáticos e, conseqüentemente, a diminuição dos gastos com saúde. Além disso, conhecer o que o usuário do serviço de saúde pensa, valoriza e necessita, já é "meio caminho andado" para se implementarem mudanças em prol de um serviço público que atenda a demanda da população (Campello, 2001).

Moreira Neto (1999) também constatou, em seu estudo, um elevado grau de satisfação dos usuários, relacionado com a confiança no serviço, a boa relação médico-paciente e melhora na qualidade de vida das pessoas, por proporcionar melhorias na saúde. E também caracterizou a homeopatia como uma terapêutica de baixo custo e qualitativamente apreciada pelos usuários do SUS.

Esta percepção também foi identificada no trabalho de Campello (2001), o qual conclui que o paciente vivencia o acolhimento necessário para que possa falar sobre o que o atormenta, e encontra espaço para falar de si com alguém que ouve seu relato com atenção, que o estimula a recordar de como os transtornos se processaram, quais foram os fatores desencadeantes das reações e sentimentos em diferentes circunstâncias.

E, ainda, a racionalidade médica homeopática representa uma perspectiva "alternativa", que garante aos profissionais médicos uma rota de fuga de estruturas asfixiantes do campo da saúde, pois a satisfação e os benefícios por ela proporcionados foram rapidamente divulgados, entre os usuários SUS e os médicos especialistas do serviço, o que contribuiu para um grande aumento da demanda. Isto provavelmente influenciou nas perspectivas da equipe de especialistas do ambulatório e dos gestores locais do SUS, especialmente para o tratamento das doenças crônicas não-transmissíveis, das doenças respiratórias e alérgicas, dos transtornos psicossomáticos, da depressão, e a conseqüente diminuição do consumo de medicamentos. Assim, a repercussão deste atendimento/ensino na rede pública municipal de Jundiaí vem fortalecer a idéia do desenvolvimento da homeopatia no SUS e na FMJ. Sustenta-se aqui, mais uma vez, nas diretrizes traçadas pela PNPIC - que tem como premissa o desenvolvimento da homeopatia em caráter multiprofissional para as categorias profissionais presentes no SUS e em consonância com o nível de atenção - ênfase na atenção básica: na unidade de atenção básica (prestar atendimento de acordo com a demanda espontânea ou referenciada); na unidade da Saúde da Família (SF), possuir um profissional homeopata como médico da Saúde da Família (a ele deve ser oportunizada a prática da homeopatia); apoiar e fortalecer as iniciativas de atenção homeopática na atenção especializada, em emergências, unidades de terapia intensiva, centros de cuidados paliativos ou em enfermarias hospitalares. A homeopatia pode ser incorporada de forma complementar e estabelecer intercâmbio técnico-científico destinado ao conhecimento e à troca de informações relativas às experiências no campo da atenção homeopática.

A percepção da desinformação sobre os princípios desta racionalidade pelos profissionais da saúde e congregação da Faculdade de Medicina, ampliando os espaços que permitem a reprodução de preconcepções e preconceitos, traz implicações importantes para a criação de uma cultura homeopática no SUS. Entretanto, o CPGH-FMJ é o primeiro curso vinculado a uma IES com prática de ensino no SUS de que se tem conhecimento no Brasil; e a importância do encontro da homeopatia com o ensino superior formal está na possibilidade de desenvolvimento de pesquisas científicas e na aproximação de diferentes racionalidades médicas, promovendo uma trégua na "guerra oculta" do campo da saúde.

É possível que, com essa experiência, estejamos iniciando uma nova fase na história da homeopatia no Brasil, além das relatadas por Luz (1996). Entre os problemas a serem aprofundados, está, por exemplo, o da implicação desse encontro para a graduação. Parte das questões da reforma curricular nos cursos médicos pede pela introdução de uma visão integral do indivíduo, orientada para o SUS, que são os núcleos duros da experiência investigada. Portanto, visualiza-se, além de disciplinas sobre homeopatia na grade curricular, também, a possibilidade de participação dos alunos da graduação nos ambulatórios de homeopatia, a eficácia na consolidação do aprendizado e no estímulo à pesquisa científica.

Em tempo: a formação e transmissão do conhecimento dos princípios da homeopatia encontram suporte na Portaria nº 971, quando vem, primeiro, promover o desenvolvimento de projetos e programas que assegurem a educação em homeopatia aos profissionais do SUS; e, segundo, a promoção da inclusão da racionalidade homeopática nos cursos de graduação e pós-graduação strictu e lato sensu para profissionais da área de saúde, a promoção de discussão sobre a homeopatia no processo de modificação do ensino de graduação, e fomentar e apoiar, junto ao Ministério da Educação, projetos de residência em Homeopatia, com o envolvimento das Formadoras em Homeopatia, e, ainda, apoio financeiro e técnico do Ministério da Saúde.

Observa-se, na percepção dos usuários e profissionais da saúde, que o contato com a racionalidade médica homeopática provoca mudanças nos valores culturais e sociais das pessoas. Assim analisa Sólon (2000): a homeopatia como método terapêutico atua transformando a apropriação cultural das relações doente-doença, resgatando a identidade histórica do doente que se perdeu na atuação mecanicista da saúde.

A consulta de homeopatia por "si mesma" conduz o indivíduo à reflexão, ao resgate da subjetividade, do pensar, da valorização do "eu" no ambiente sociocultural, na natureza, na relação familiar e no trabalho. Nesse sentido, a medicina, promotora da saúde, concebe uma perspectiva holística e integradora.

Acrescenta-se, ainda, uma característica importante, que desponta na cultura moderna: a valorização da subjetividade, do sujeito enquanto construtor de seus relacionamentos pessoais, familiares e sua identidade pessoal; e, também, a descoberta de si, a preocupação com o autodesenvolvimento e a reflexibilidade3, que fazem do indivíduo muito mais que um comunicador de sua cultura, pois ele pode colaborar para a construção de mundos (Queiroz, 2006).

Pode-se concluir que houve a perfeita adequação da racionalidade aos princípios do SUS, pois se cumpriu: a) a universalização - todo cidadão deve ter direito à saúde e ao acesso a qualquer tipo de serviço que necessitar; b) eqüidade - todo indivíduo deve ser igual perante o SUS e deve ser atendido em suas necessidades; c) integralidade - a saúde e as pessoas devem ser vistas como um todo - entretanto, isto não depende apenas de um profissional; d) controle social - o referendo do Conselho Municipal de Saúde.

Concorda-se com a argumentação de Galvão (1999) sobre a proximidade do modelo homeopático com a proposta de promoção da saúde, pois Hahnemann estabelece (na homeopatia) uma ligação entre a saúde individual e a causa mais provável da doença aguda, assim como os momentos mais significativos de toda a história clínica da doença crônica, a fim de descobrir sua causa fundamental, levando em consideração a constituição física do doente, seu caráter - com seu psiquismo e mente -, suas ocupações, seus hábitos e modo de vida, suas relações sociais e domésticas, sua idade, função sexual etc. Para ele, o médico é um conservador da saúde, se ele conhece os fatores que a perturbam, que provocam e sustentam a doença, e sabe afastá-los das pessoas sadias.

Atenta-se para a grande aproximação da homeopatia com a saúde pública, pois, ao mesmo tempo em que enfatiza o uso do medicamento na prevenção e cura das doenças, destaca o papel do médico como um agente de transformação social.

Conclui-se, por meio das reflexões deste estudo, que se alcançou a satisfação dos usuários, trabalhadores administrativos, alunos, preceptores e professores envolvidos com a experiência; e, também, compreende-se ser possível o ensino da racionalidade homeopática em instituições de ensino superior, com prática clínico-pedagógica orientada para o SUS.

 

Referências

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Recebido em 14/07/06.
Aprovado em 09/12/07.

 

 

Reflexibilidade é tratada por Giddens, em 1991 e 1997 (apud Queiroz, 2006), como condição que permite ao indivíduo desenvolver uma consciência que pode separar e, como um espectador, presenciar a si mesmo envolvido no drama vida, em suas múltiplas dimensões.