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Interface - Comunicação, Saúde, Educação

versión impresa ISSN 1414-3283versión On-line ISSN 1807-5762

Interface (Botucatu) vol.13 no.29 Botucatu abr./jun. 2009

https://doi.org/10.1590/S1414-32832009000200021 

INFORMES

 

Proposta de formação de um "Núcleo Acadêmico de Pesquisa em Educação Médica": a preocupação e o envolvimento de estudantes com a formação médica

 

Proposal of creating an "Academic Group for Research in Medical Education": student's concern about medical training and their engagement to it

 

 

Pedro Tadao Hamamoto FilhoI; Vinicius Cunha VendittiII; Licério MiguelII; Ludmila Almeida SilvaII; Cristiano Claudino OliveiraII; Giovana Tuccille ComesII; Erika Hissae Sassaki AbeII; Henrique Cláudio VicentiniII; Luis Eduardo Silva MózII; José Carlos PeraçoliIII

ISextoanista de Medicina. Núcleo Acadêmico de Pesquisa em Educação Médica, Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista (NAPEM/FMB/ Unesp). Distrito de Rubião Jr, s/n, Botucatu, SP. 18.600-000. pthamamotof@hotmail.com
IIAlunos de graduação em Medicina. NAPEM/FMB/Unesp
IIIMédico. Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, FMB/Unesp

 

 

As reformas curriculares pelas quais estão passando as escolas médicas motivam a comunidade acadêmica a reflexões diversas sobre: metodologias de ensino, cenários de ensino e aprendizagem, conteúdos abordados, perfil do médico a ser formado e tantos outros aspectos relacionados à formação médica. Neste contexto, os estudantes são incitados ao aprofundamento das reflexões sobre o ensino que recebem (CAPS, 2008).

De fato, como repetidamente destacado pela Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (Denem), é prioritária a discussão do protagonismo estudantil nos processos de transformação curricular, focando o debate em como os estudantes podem disparar e protagonizar processos de reorientação da formação profissional a partir de suas lutas cotidianas (Denem, 2008). Como apontado por Domínguez (2006), a população jovem representa importante massa crítica nos movimentos sociais, desempenhando particular protagonismo pois sua presença é vital ao representar perspectivas de futuro.

Na Faculdade de Medicina de Botucatu, da Universidade Estadual Paulista (FMB/Unesp), o envolvimento dos alunos é marcante. O histórico da participação discente nos órgãos colegiados e nos debates acadêmicos sempre foi marcado por uma postura propositiva. Sempre se procurou a esquiva de discursos e posturas cuja crítica se encerrasse em si mesma. As críticas, na maioria das vezes, são acompanhadas de propostas afirmativas para a melhoria da qualidade do ensino, como demonstrado pela realização anual do Simpósio de Educação Médica de Botucatu - evento marcado por grande participação docente e discente, que tem contribuído para desencadear processos de mudança na escola (Hamamoto Filho et al., 2008; Abrão et al., 2000). Também é exemplo dessa participação a redação, com base em discussões do Centro Acadêmico Pirajá da Silva (CAPS), de documentação aberta à comunidade acadêmica com críticas e sugestões de adaptação curricular, no momento em que a escola pretende rediscutir seu projeto político-pedagógico (CAPS, 2008). Assim, um grupo de alunos da FMB/Unesp incorporou a necessidade de qualificar propostas para o ensino médico com respaldo teórico e fundamentação crítica validada.

Esse respaldo teórico, no entanto, não encontra suficiente produção científica. No cenário nacional da educação médica, percebe-se a necessidade de se ampliar e sistematizar a produção científica em educação médica, tanto que são frequentes, nos congressos da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM), discussões sobre esse tema. Há também tentativas de oficializar a educação e saúde como linha de pesquisa de programas de pós-graduação, num esforço de valorizar este importante campo de investigação (Manfroi et al., 2008).

Na FMB/Unesp, também é crescente a preocupação com a pesquisa em educação médica, notadamente em virtude das mudanças curriculares. Em estudo de caso, Cyrino e Rizzato (2004) investigaram experiências inovadoras no ensino de Saúde Coletiva e Semiologia Pediátrica. Ainda que localizadas, as experiências forneceram indícios de processos de ruptura de paradigmas da educação médica na instituição, apontando ainda a escassez de outros estudos na área, bem como a distância entre o trabalho de pesquisa e o trabalho docente na graduação médica.

No contexto das mudanças curriculares na FMB/Unesp, deve-se destacar a importância da participação da escola no Programa de Incentivo às Mudanças Curriculares nos Cursos de Medicina (Promed) e no Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde (Pró-Saúde) (Prearo et al., 2005). A escola também foi selecionada para o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde - PET-Saúde (Brasil, 2009). De fato, esses programas vêm incentivando a escola a mudanças curriculares que, por sua vez, têm se configurado como campos de investigação em diversas áreas: cenários de ensino (Minicucci et al., 2007), aumento e mudanças na inserção curricular na atenção primária à saúde (Oikawa et al., 2007 e Cyrino et al., 2008) e avaliação institucional (Dezan et al., 2008).

Acresça-se à discussão a crescente importância atribuída à atividade de pesquisa entre os estudantes de medicina. Oliveira et al. (2008) constataram que, para cerca de três quartos dos estudantes, a pesquisa científica é uma experiência institucional importante, e que quase todos concordaram com a possibilidade de ser obrigatória a atividade de iniciação científica na formação médica. Em consonância com estudos internacionais, fica demonstrada a atualidade da proposta da regulamentação da pesquisa como parte do currículo médico no Brasil.

Para Britto et al. (2008), no modelo educacional em vigor, a sociedade confronta-se com um aluno "novo" cujas estratégias e procedimentos de estudo mais frequentes, bem como as representações que tem da verdade, estão sustentados por formas de conhecimento típicas do saber pragmático, em que predomina o senso comum. Este aluno "novo" apresentaria uma formação que não satisfaz as expectativas acadêmicas. De modo que, para Fava-de-Moraes et al. (2000), a iniciação científica teria importante função na formação de profissionais capacitados para o desenvolvimento social e econômico, ao permitir, ao estudante: melhoria da sua análise crítica, maturidade intelectual e compreensão da ciência e de possibilidades futuras, tanto acadêmicas como profissionais.

Na FMB/Unesp não há dados objetivos sobre a participação de estudantes em atividades de iniciação científica, embora a avaliação institucional a que foi submetida a escola em 2005 conclua uma relevante inserção de seus alunos de graduação em projetos de pesquisa (FMB, 2008).

De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais, a formação do médico deve despertar, no profissional, a busca por educação permanente. Neste sentido, os profissionais devem aprender a aprender e ter responsabilidade com a sua educação (Brasil, 2001). O projeto pedagógico do curso de graduação em medicina da FMB/Unesp prevê que as habilidades profissionais devam ser exercidas com, dentre outros aspectos, curiosidade científica, de modo que se faz necessário estimular o aluno a ser independente em sua aprendizagem, ajudando-o a buscar conhecimento científico sólido. Deveria, assim, este médico em formação, adquirir a habilidade e a competência para ter curiosidade científica e interesse permanente pela aprendizagem, com iniciativa na busca de conhecimento.

Acreditando que, para fundamentação crítica validada, é necessária não só a procura e a aquisição de conhecimento, mas também a produção e a publicação do conhecimento, um grupo de estudantes da FMB/Unesp se propôs a organizar um núcleo competente para substanciar argumentação e fornecer propostas que tomem por base a realidade local e as melhores evidências da literatura em educação médica. Este viria a ser o Núcleo Acadêmico de Pesquisa em Educação Médica (NAPEM).

Portanto, a partir do entendimento da necessidade de se qualificarem propostas para o ensino médico, assumindo um protagonismo nos processos de mudança curricular; da necessidade de se ampliar a pesquisa em educação médica (em nível local e nacional); do reconhecimento da iniciação científica como instrumento de qualificação acadêmica e profissional, e da responsabilidade assumida com a própria educação, bem como da curiosidade científica e interesse pela aprendizagem, foi organizado o NAPEM.

O objetivo do NAPEM é realizar pesquisas que tragam impacto à comunidade acadêmica, no sentido de provocar reflexões e incitar melhorias no curso médico, além de, paralelamente, contribuir com o conhecimento científico em educação médica. Para isso, deverá pesquisar: o impacto de transformações curriculares, a qualidade de ensino, o contexto situacional curricular, o cotidiano do estudante de medicina e suas relações com sua formação, as percepções distintas da comunidade acadêmica sobre os mais variados temas em educação médica.

Tratando-se, conceitual e nominalmente, de um núcleo acadêmico, sua administração é da competência dos estudantes de medicina da FMB/Unesp. Não dispensando, entretanto, a experiência acumulada e o conhecimento do corpo docente, o núcleo conta com um supervisor docente e com orientadores docentes para cada projeto de pesquisa. Conta, ainda, com a assessoria do Núcleo de Apoio Pedagógico (NAP) da FMB/Unesp.

Ciente de que o trabalho conjunto poupa esforços adicionais e otimiza resultados, o NAPEM está à disposição da comunidade acadêmica local, regional e nacional para parcerias em projetos de pesquisas. Listamos: o Departamento de Educação em Saúde do CAPS, as Ligas Acadêmicas da FMB/Unesp, o NAP, o Conselho de Curso de Graduação em Medicina da FMB/Unesp, a Denem e a ABEM, além de outras estruturas de pesquisa de outras instituições de ensino. A seleção da escola para o PET-Saúde ampliará a participação discente em projetos de pesquisa com temas de ensino na estratégia de saúde da família, e seus integrantes poderão ser parceiros do NAPEM.

Deseja-se que o NAPEM contribua para o desenvolvimento de crítica científica em seus participantes, incrementando uma formação reflexiva, despertando o senso de necessidade de educação permanente e da busca por capacitação, além de, evidentemente, fortalecer o conhecimento científico em educação médica. Ainda, é desejável a ampliação da educação médica como linha de pesquisa dos docentes da FMB/Unesp, na medida em que o núcleo se configure como mais um espaço propício para o incremento de pesquisas em educação médica, além do que já é realizado pelo NAP (Dezan, 2006).

Portanto, é esperado que o NAPEM traga benefícios concretos à educação médica, em geral, e à FMB/Unesp, em particular. Os resultados das pesquisas devem: promover mudanças na maneira como se encara e como se faz o ensino médico na instituição; fornecer evidências científicas que corroborem, fundamentem e consolidem críticas às falhas curriculares; acrescentar seriedade à maneira como se vislumbram as opiniões discentes; fornecer subsídios para o fortalecimento das discussões de educação médica na escola, e render publicações que destaquem a Faculdade de Medicina de Botucatu no cenário brasileiro da educação médica.

 

Referências

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