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Interface - Comunicação, Saúde, Educação

versão impressa ISSN 1414-3283

Interface (Botucatu) vol.14 no.32 Botucatu jan./mar. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1414-32832010000100003 

DOSSIÊ

 

Educação sanitária em 16mm: memória audiovisual do Serviço Especial de Saúde Pública - SESP*

 

Health education in 16mm: audiovisual memory of the Special Office of Public Health - SESP

 

Educación sanitaria en 16mm: memoria audiovisual del Servicio Especial de Salud Pública (SESP)

 

 

Maria Cristina Soares GuimarãesI; Cícera Henrique da SilvaII; Rosinalva Alves de SouzaII; Rosemary Teixeira dos SantosII; Luiza Rosângela da SilvaII

ILaboratório de Informação Científica e Tecnológica em Saúde, Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde, Fundação Oswaldo Cruz (Labcities, Icict, Fiocruz). Av. Brasil, 3865, Manguinhos. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. cguima@icict.fiocruz.br
IILabcities, Icict, Fiocruz

 

 


RESUMO

Testemunho da história, peça da memória social, fonte valiosa para produção de conhecimento em várias áreas, o filme educativo em saúde ainda espera por seu resgate e promoção como objeto de pesquisa. No âmbito da colaboração Brasil-Estados Unidos da América, que redundou na criação do Serviço Especial de Saúde Pública - SESP, em 1942, a Fundação Rockefeller trouxe para o país sua experiência prévia na produção e uso desses filmes para ações de educação em saúde. Este projeto destinou-se à recuperação de um conjunto de filmes em 16mm pertencente ao acervo SESP que, por décadas, jazeu e avinagrou perdido nos cantos escuros da burocracia nacional. Seus objetivos foram a recuperação física das películas, sua descrição e organização temática para alimentação de um repositório institucional de memória digital, com vistas à posterior disponibilização e à socialização para pesquisadores e a sociedade em geral por meio de um espaço virtual na internet.

Palavras-chave: Educação em saúde. Filmes e vídeos educativos. Memória em saúde. SESP. Fundação Rockefeller.


ABSTRACT

Health education movies are witnesses to history, pieces of social memory and valuable sources for producing knowledge in different fields. They still await rescue and promotion as a research subject. Within the scope of Brazil-USA cooperation that originated the Special Public Health Service (SESP) in 1942, the Rockefeller Foundation brought to Brazil its previous experience in producing and using these movies for health education actions. The present project had the aim of recovering a set of 16 mm films from the SESP collection that, over decades, had become buried, rotting away and lost in dark corners of the national bureaucracy. The objectives were to physically restore the films and to describe and thematically organize them, in order to put them into an institutional digital memory repository, with a view to subsequently making them available and socializing them, among researchers and society in general, through a virtual space on the internet.

Keywords: Health education. Instruction. Health memory. SESP. Rockefeller Foundation.


RESUMEN

Testimonio de la historia, pieza de la memoria social, fuente valiosa para producción de conocimiento en varias áreas, el filme educativo en salud todavía espera su rescate y promoción como objeto de investigación. En el àmbito de la colaboración Brasil-Estados Unidos de América, que redundó en cración del Servicio Especial de Salud Pública (SESP) en 1942, la Fundación Rockefeller llevó al país su experiencia previa en producción y uso de esos filmes para acciones de educación en salud. Este proyecto se destinó a la recuperación de un conjunto de filmes en 16 mm perteneciente al acervo SESP que, durante décadas, yació y se avinagró, perdido en los rincones oscuros de la burocracia nacional. Sus objetivos fueran la recuperación física de las películas, su descripción y organización temática para alimentación de un repositorio institucional de memoria digital con vistas a posterior disponibilidad y a la socialización con investigadores y la sociedad en general por medio de un espacio virtual en la internet.

Palabras clave: Educación en Salud. Películas educativas. Memoria en salud. SESP. Fundación Rockefeller.


 

 

[...] O passado só se deixa fixar, como imagem que relampeja irreversivelmente, no momento em que é reconhecido... irrecuperável é cada imagem do passado que se dirige ao presente sem que esse presente se sinta visado por ela.

(Benjamin, 1985, p.224)

 

Introdução

A longínqua Paris do final do século XIX foi palco de dois eventos que delimitam um marco importante para um pensar "moderno" sobre saúde pública. Os experimentos de Louis Pasteur e o nascimento do cinema possibilitaram à ciência reorganizar a concepção do corpo humano vivo e estabelecer uma nova lógica para o processo de adoecimento. Do espaço privado do laboratório para o espaço público da saúde, a lente do microscópio ganha vida na lente da câmera, que isola e amplifica germes e micróbios e acaba por instaurar uma nova lógica causal para a doença. As autoridades de saúde encontraram, nessa tecnologia, um mecanismo potente para educar e disciplinar corpos. A educação sanitária, instrumento vital para uma saúde que precisava ser-fazer pública e coletiva, incorpora assim uma nova mídia que tem duplo papel: "representa" um processo de inoculação de agentes patógenos que deve ser evitado e "fomenta" a inoculação de novas ideias sobre saúde a incorporar nas práticas sociais.

À Fundação Rockefeller (FR) é creditado um papel de destaque na grande rede de agenciamentos que possibilitou, nas primeiras décadas do século XX, que o cinema educativo em saúde rompesse as fronteiras nacionais dos Estados Unidos e ganhasse, inicialmente, a África e a Ásia e, mais tarde, a América Latina1. Seguindo o rastro da "ideologia democrática norte-americana", especialmente nas colônias e nos "teatros de guerra" inóspitos e endêmicos dos países tropicais, o cinema educativo criou "provas visuais" tanto dos perigos microbianos como dos desvios sociais. Foram exibidos em escolas, teatros, praças públicas e instalações militares os filmes educativos que, para tratar de temas desde a opilação e a malária até a doença venérea, usavam linguagens entre o didático e o sensacionalista (Stein, 2006).

Da ordem estimada de várias centenas de filmes educativos em saúde produzidos tanto nos Estados Unidos como na Grã-Bretanha no período citado, muito pouco foi objeto de pesquisa. A falta de documentação, quando não a perda e deterioração da própria película, são apontadas como os principais fatores para o silêncio acadêmico que paira sobre o tema.

Do melhor do conhecimento disponível, não há registro de pesquisas que tenham se debruçado sobre a produção e uso desses filmes educativos em saúde sob a chancela da FR. A exceção é o filme Malaria, finalizado em 1925 (Fedunkiw, 2003). Um dos grandes desafios apontados é a ausência de documentação que possa responder a questões básicas como: quem decidiu pela linguagem, pelo roteiro final e pelas cenas escolhidas? A apresentação do filme foi acompanhada por outras atividades educativas? Qual foi a audiência? Como foi (é) possível analisar a efetividade do filme como instrumento de saúde pública?

Fedunkiw (2003) especula que a ausência de documentação pode ser atribuída a uma visão do próprio filme como "documento". Ou, ainda, à necessidade de produzir filmes rapidamente, especialmente durante a Segunda Guerra, que excedeu em muito o cuidado de documentá-los para futuros estudos.

Brookes (2006) é taxativa ao registrar que a "única análise séria" sobre o papel do filme educativo na construção do campo da saúde pública foi aquela empreendida por Ulf Schmidt (2002) em Medical Films, Ethics and Euthanasia in Nazi Germany: The History of Medical Research and Teaching Films of the Reich Office for Educational Films/Reich Institute for Films in Science and Education, 1933-1945. Aqui, o acaso favoreceu a ciência. Segundo Brookes (2006), o livro de Schmidt relata que crianças, brincando no subúrbio de Berlim, em 1993, encontraram por acaso fragmentos de filmes 35mm, os quais, mais tarde, foram identificados como tendo sido produzidos pelo Reich Office for Educational Films, durante o Terceiro Reich. Os experts, inicialmente, apresentaram os filmes como "material apolítico de educação científica" - interpretação refutada por Schmidt, que questionou a neutralidade dos filmes educativos.

Testemunho da história, peça da memória social, fonte valiosa para produção de conhecimento em várias áreas, o filme educativo em saúde espera ainda por seu resgate e promoção como objetivo de pesquisa.

O Brasil guarda uma surpreendente e pouco conhecida faceta de sua história da saúde pública: aquela que retrata o esforço e investimento realizados na produção e distribuição de filmes educativos em saúde. No âmbito da colaboração Brasil-Estados Unidos da América, que redundou na criação da Secretaria Especial de Saúde Pública - SESP em 1942, a Fundação Rockefeller trouxe para o país sua experiência prévia na produção e uso desses filmes para ações de educação em saúde.

Longe de quaisquer discussões legítimas, necessárias e bem-vindas sobre uma possível (ou real) ideologia por trás dessa iniciativa2, o que aqui vai ser relatado diz respeito a um projeto de pesquisa, destinado à recuperação de um conjunto de 32 filmes em 16mm do acervo SESP que, por décadas, jazeu e avinagrou perdido nos cantos escuros da burocracia nacional. O total de filmes no acervo SESP era 68, tendo-se optado por tratar, em nível piloto, de 20% deles. Era o final dos anos 80 do século passado, quando a paixão acadêmica e o voluntarismo de uma então pesquisadora do atual Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde - Icict, da Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz, iniciou as negociações que permitiram que esses filmes viessem de Brasília (DF) para a guarda da instituição, no Rio de Janeiro. Do acervo de 68 filmes, foram recuperados 18 com recursos do projeto original e 14 com recursos do projeto Memória das Políticas de Saúde Pública no Brasil Contemporâneo, financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP e coordenado por Maria Tereza V. B. de Mello, da Casa de Oswaldo Cruz - COC/Fiocruz. Entretanto, há perda de conteúdo em algumas das películas, não sendo possível nem sequer conhecer-lhes os créditos. Contingências diversas fizeram com que os filmes ainda permanecessem adormecidos até 2007, quando condições mais favoráveis possibilitaram o estabelecimento da pesquisa em questão.

O projeto aqui relatado teve por objetivo a recuperação física das películas, a descrição e organização temática, e consequente alimentação de um repositório institucional de memória digital. Na última etapa - a de divulgação do acervo - amostras de cenas dos filmes já podem ser assistidas na internet, mediante inscrição gratuita (http://www2.fiocruz.br/comunidadefiocruz), mas a disponibilização da íntegra dos conteúdos fílmicos para a sociedade ainda está em discussão, por especialistas em direitos autorais. Outras ações de divulgação do acervo e do projeto envolvem edições da mostra A imagem da saúde no discurso oficial do Estado Novo: recuperação e disponibilização de acervo cinematográfico do SESP, em eventos especializados em informação em saúde, saúde coletiva e áreas correlatas.

Até o momento de publicação do artigo, a mostra já integrou o VIII Congresso Regional de Informação em Ciências da Saúde (Fiocruz - BIREME/OPAS/OMS) e o Seminário SUS 20 Anos (Icict/Fiocruz), ambos no Rio de Janeiro, em 2008, e o congresso da Abrasco, em 2009. As mostras conjugam sessões dos próprios filmes, diapositivos e desenhos animados restaurados, em DVD, com uma miniexposição que explica o desenvolvimento do acervo tendo como pano de fundo a geopolítica durante e após a Segunda Guerra, a história da saúde pública e a ação ampla do SESP no Brasil, usando seus Boletins, cartazes, fotos e outros materiais reunidos pelo grupo de pesquisa. Trata-se, assim, e antes, de um projeto que se destina a auxiliar a construção da memória em saúde pública no Brasil, preenchendo uma lacuna que, para muitos, nem sequer existia.

O texto que se segue procura contextualizar as relações entre saúde, educação e cinema, arcabouço indispensável para se refletir sobre o acervo em mãos e para situá-lo, ainda que de forma tentativa e sumária, em uma complexa rede de ações e estratégias de construção do campo da saúde pública no Brasil.

 

Anotações iniciais: construindo o cenário

Cinquenta anos antes que o cinematógrafo dos irmãos Lumière viesse a público, em 1895, as projeções luminosas da lanterna mágica já tinham se transformado em um privilegiado instrumento pedagógico. Segundo Dá-Rin (2006), naquele mesmo ano, a Liga de Ensino francesa distribuiu na França cerca de 477 lanternas mágicas.

Em 1927, é publicado o primeiro livro que discorria sobre o potencial do filme como instrumento de política pública de saúde. Escrito por um médico e uma enfermeira britânicos, Popular Education in Public Health dedicou um capítulo, The Film and Broadcasting in Health Teaching, para enaltecer o filme como instrumento educativo, especialmente para um público que não detinha conhecimentos técnicos adequados para entender conceitos complexos de saúde:

Modern science has put two powerful weapons in the hands of doctors and nurses in their agelong warfare against disease in the new discoveries of cinematography and broadcasting [...]. The film has the great advantage of showing cause and effect, often powerfully emphasised, within the space of a pleasantly occupied half-hour. (Daley, Viney, 1927 apud Fedunkiw, 2003, p.1047)

Segundo a mesma autora, a partir daí a produção de filmes educativos em saúde floresceu, especialmente pela disponibilidade de equipamentos de 16mm, mais baratos e fáceis de operar que os de 35mm (Buxton, 2001).

As alianças entre saúde pública, cinema e educação emergiram inicialmente no continente europeu, palco de um projeto de "desenvolvimento e modernização" das nações. "Modernidade" era tomada como sinônimo de "desenvolvimento": sem educação não há progresso; sem saúde, não há mão-de-obra para o progresso. A industrialização trouxe a urbanização e uma nova organização espaço-temporal. O espaço público forjou a coletivização da saúde, "saúde pública", que encontrou, nos meios de comunicação de massa, seu principal instrumento de ordenação. A educação da "massa de incultos" que acorreu às cidades quando da Revolução Industrial encontrou na mídia de massa, e especialmente no cinema, um aliado de peso tanto no aspecto da reprodução (baixo custo e amplo alcance de audiência), como no seu potencial de imaginação fabuladora (de caráter social e coletivo): aquela que cria mitos, lendas, imagens simbólicas para o bem e o mal, valores, crenças religiosas, políticas e ideologias (Chauí, 1995).

O que foi uma estratégia local se tornou global, parte do discurso que deu corpo ao movimento da World Health, especialmente no período pós-Segunda Guerra Mundial, articulada pelo expansionismo norte-americano. Estudiosos apontam que não só existem ligações importantes entre a história da saúde pública e a história do cinema, mas que ambas são constitutivas de um campo culturalmente dominante (ainda que, por vezes, contraditório) no processo de modernização da sociedade, com o surgimento do movimento sanitário. Para Ostherr (2002), o uso de imagens móveis para representar um padrão de contágio invisível é, ao mesmo tempo, um discurso de saúde pública e um discurso cinematográfico, quando procura representar a presença da doença como um processo de troca (indivíduo-ambiente) característico da cultura de consumo da Modernidade.

De forma clara, o cinema e seu potencial de "reprodução técnica em massa" abrem-se a uma leitura ideológica. Citando Walter Benjamim, em Sobre a Fotografia e A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, Barbosa (2000) aponta para o cinema como "reprodução das massas sociais", que culminava nas estratégias de controle e dominação daquele período.

O cinema como técnica de (re)produção de imagens se inscrevia num momento onde os imensos cortejos, as manifestações de rua, a encenação do Estado e a própria barbárie da guerra tornavam-se espetáculos grandiosos de realização da hegemonia ideológica e cultural das classes dominantes. A estetização da política tinha como suporte de realização a reprodução técnica em massa de imagens audiovisuais que fazia do cinema um espaço espetacular de representação de ideologias. (Barbosa, 2000, p.79)

O cinema, especialmente o filme educativo, encontra aqui sua melhor expressão de "pedagogia afirmativa" (Reia-Batista, 1995), com sua característica fundamental de enfocar os dogmas vigentes, criando e repetindo estruturas narrativas que reforçam uma visão de mundo. Como agente de socialização, o cinema possibilita encontros de várias naturezas: de pessoas com pessoas na sala de exibição, das pessoas com elas mesmas, das pessoas com as narrativas nos filmes, das pessoas com as culturas nas diversas representações fílmicas e das pessoas com imaginários múltiplos. O filme possibilita, assim, a afirmação de domínios culturais, ainda que discutíveis (Fantin, 2000).

Leandro (2001) alerta que, embora faça parte da nossa formação cultural, a imagem no processo pedagógico ainda não se constitui como um objeto de estudo em si. A escola se apropria do cinema não como quem se aproxima de uma arte capaz de pensar novas relações de/e no mundo, mas como quem busca um aditivo tecnológico para incrementar processos educativos em andamento, desencadeados por ciências já consolidadas. Enquanto simples ilustração, referência a um discurso que a precede, prevalece a "pedagogia do transporte", da "mensagem a ser transmitida".

No clássico Imagem e Pedagogia, de 1977, Jaquinot-Delaunay alerta para uma "inquietante desproporção" entre a riqueza técnica das soluções de produção, estocagem e difusão de mensagens audiovisuais e a pobreza de nosso saber sobre o que são essas mensagens e como elas funcionam em um filme didático.

A leitura de uma mensagem fílmica didática faz-se não só por referência ao mundo que ele apresenta, mas também por referência a um horizonte pedagógico simultaneamente definido pelo universo do especialista e pelo universo da turma. (Jaquinot-Delaunay, 2006, p.52)

A imagem pensa e faz pensar, e é nesse sentido que ela contém uma pedagogia intrínseca: "Uma imagem ensina na medida em que ela, tanto do ponto de vista formal quanto de conteúdo, veicula um pensamento, encorajando assim o pensamento no espectador" (Leandro, 2001, p.7).

Em busca de veicular e formar uma "ideia de Nação", o governo que se instaurou no Brasil no pós-1930 viu no cinema um instrumento capaz de operar modificações objetivas no funcionamento da sociedade, especialmente no que dizia respeito à consolidação de uma "identidade nacional" e à aculturação das massas (Alegria, Duarte, 2005).

Nos anos 1940, a política nacional alinha-se à internacional, em luta contra o nazismo. Nessa lógica modernizadora, o círculo doença-pobreza deveria ser rompido pela ação sanitária. Segundo Cardoso (2001, p.81),

[...] essas idéias não só sustentaram toda uma pedagogia da saúde de viés modernizador, abrindo o campo para o consumo das inovações tecnológicas geradas nos países centrais, como situaram a comunicação no cerne desse projeto de desenvolvimento.

Complementa Oliveira (2003, p.26): "Com o projeto de saúde organizado pelo Estado voltado para o aumento da capacidade produtiva da força de trabalho, inicia-se também o período áureo da educação sanitária".

O SESP foi o porta-voz do modelo norte-americano de educação sanitária e a FR desempenhou papel central nessa empreitada.

 

O SESP e a educação sanitária em 16mm: pistas para uma memória a ser construída

A pesquisa seminal de Campos (2006), "Políticas Internacionais de Saúde na Era Vargas: o Serviço Especial de Saúde Pública, 1942-1960", é reconhecida internacionalmente pela singularidade da "perspectiva saúde" no âmbito da denominada Política da Boa Vizinhança, especialmente no que tange às ações do Office of the Coordinator of Inter-American Affairs (OCIAA) no Brasil. O autor informa que, como parte integrante do acordo com os Estados Unidos, o SESP foi criado, em 1942, com o objetivo de instalar a infraestrutura médico-sanitária no país, especialmente na Amazônia e no Vale do Rio do Doce - regiões estratégicas de produção de borracha e exploração mineral, respectivamente, e de localização das bases militares norte-americanas.

Cueto (2006, 168), ao recuperar o discurso do diretor médico da United Fruit Company, proferido no Fourth International Congress on Tropical Medicine and Malaria, no final dos anos 40, dá pistas para entender o papel do SESP: "Philanthropy is not only a virtue; it is a basic law of survival ... health is an important investment for the stabilization of the labor force and the continuity of economic production".

Com o SESP foram sendo introduzidas, no interior do país, inovações metodológicas e novas técnicas de educação sanitária - a educação de grupos, o uso de recursos audiovisuais e o desenvolvimento comunitário (Melo, 1984). Fundada na concepção de que a doença era um fenômeno individual, tornava-se necessário vencer as barreiras sociais, econômicas, culturais e até psicológicas que as "populações atrasadas" ofereciam às necessidades de modernização da sociedade. Com a preocupação de educar o homem rural e do interior e outros marginalizados, a educação ganha uma nova dimensão: a educação de adultos.

Uma vasta literatura científica nacional registra, em suas várias dimensões, a evolução da educação sanitária no Brasil no período (Bastos, 1995; Oshiro, 1988; Canesqui, 1984; Melo, 1984), lembrando, de forma recorrente, o uso de recursos audiovisuais no âmbito das "novas técnicas de educação sanitária" implementadas pelo SESP (especialmente filmes 16mm e os chamados slide sounds ou diafilmes).

Segundo o próprio SESP,

[...] Slide sounds foram chamados como lanterna mágica falada, apontada como inovadora no Brasil e mesmo nos Estados Unidos da América, onde embora o próprio Walt Disney tenha mobilizado a técnica de seus estúdios para a confecção de filmes sobre saúde publica, nunca se recorreu a esse processo simples e eficiente. Diafilme é uma série de diapositivos reunidos numa mesma tira de filme de 35 mm. A projeção dos diapositivos é acompanhada de música e texto sincronicamente gravados em disco (em inglês, slide sound). O aparelho de projeção é feito de tal modo que os diapositivos são projetados consecutivamente, à vontade do operador, por meio de um botão de controle. Em média, um diafilme tem 60 cenas diferentes. A estória deve ser escrita antes, e depois tomadas as fotografias que, em seguida, são passadas para o filme cinematográfico na seqüência desejada. O custo, cerca de 10% dos filmes. (Boletim do SESP, 1945, p.5)

Entretanto, do melhor do conhecimento disponível, inexistem pesquisas prévias sobre o tema específico, de tal forma que possibilitem a contextualização do acervo objeto do projeto de pesquisa aqui relatado. Campos (2006, p.233), por exemplo, observa:

[...] o cinema educativo, com filmes produzidos pelo estúdio Walt Disney ... mostrou-se mais adequado ao público urbano que ao rural ... no Brasil rural [a mais eficaz resposta] foi obtida com o uso de diapositivos sonoros produzidos por técnicos brasileiros, utilizando-se de música e imagens regionais.

O autor cita que foram encomendados, ao estúdio Walt Disney, dez filmes educativos, mas não os identifica. Buxton (2001) corrobora e registra que a Motion Picture Division, em cooperação com os grandes estúdios de Hollywood (inclusive Walt Disney), e vários pequenos produtores espalhados pelos Estados Unidos, foram mobilizados para produzir uma série de filmes 16mm para serem usados em campanhas de informação no norte e sul do Brasil3, mas não fornece nenhuma pista adicional sobre os mesmos.

Bastos (1995) fornece as pistas mais seguras, quando aponta para um catálogo (FSESP, 1976), constante do Fundo SESP da COC, que relaciona os filmes disponíveis à época. Por sua natureza referencial, sem indicação do ano de produção e demais dados técnicos, o catálogo auxilia pouco na contextualização. De fato, o livro 1942 - Evolução histórica - 1991, de Bastos (1995), dedica um capítulo à análise dos programas de educação sanitária no âmbito do SESP (Abordagem da educação nos programas de saúde), e especificamente o uso dos meios de comunicação de massa. O Boletim do SESP é fonte de grande parte da informação usada pelo autor, que foi funcionário da Fundação durante 41 anos, e exerceu, inclusive, o cargo de Superintendente do SESP no período de 1969 a 19704. Embora a coleção esteja incompleta5, para o projeto, o "Boletim" se tornou a principal fonte de informação para buscar contextualizar a produção e uso desses filmes educativos na estratégia de educação sanitária no período. Fragmentos do que pôde ser recuperado são descritos na próxima e final sessão.

 

Os diafilmes e as imagens móveis na educação sanitária: fragmentos da visão SESP

Desde sua criação, era reconhecido que o sucesso do SESP e de todo o programa de saúde e saneamento desenhado para o Brasil dependeria da aceitação popular dos programas em si e da divulgação de conhecimentos sanitários. A comunicação de massa era, portanto, fundamental. Histórias ilustradas em jornais, programas de rádio, cartazes, panfletos, calendários, preleções e demonstrações, projeções luminosas fixas e cinematográficas eram estratégias a serem perseguidas para contar a história de uma saúde melhor.

O Boletim do SESP, n.68, p.6, 1949, registra a existência de uma série de dez fitas de desenhos animados e falados em português e espanhol, preparadas com o objetivo de ensinar os fatos fundamentais sobre o controle de doenças e higiene individual a pessoas com pouca ou nenhuma educação regular.

Bastos (1995) registrou que o cinema educativo era "[...] incontestavelmente um dos maiores veículos de difusão de cultura e educação do povo e tornou-se a técnica auxiliar visual mais perfeita posta ao alcance do ensino" (Boletim do SESP, 1951, p.6).

O mesmo autor explica a inserção dos filmes no conjunto das ações de educação sanitária:

[...] embora seja o cinema o melhor processo de apresentação de imagens, ainda não exclui a necessidade da palavra para descrição das coisas concretas e também de comentários para ajustá-lo às peculiares disposições psíquicas da classe interessada. (Bastos, 1995, p.348)

Em viagem aos Estados Unidos em 1946, Charles Wagley, coordenador do Programa de Educação Sanitária, prestou as seguintes declarações, que foram reproduzidas no Boletim do SESP de 1946:

Atualmente, estão sendo envidados conseqüentes esforços no sentido de proporcionar educação sanitária às populações atrazadas das áreas rurais, que não podem ser doutrinadas através da palavra escrita. Nesse particular, o SESP vem lançando mão de um método eficaz e pouco dispendioso. Relativamente novo no campo da pedagogia, esse método consiste de uma serie de filmes sem movimentos projetados em sincronização com diálogos em gramofone. Para maior efeito de persuasão, o SESP emprega linguagem e motivos locais. (Boletim do SESP, 1946, p.9)

No mesmo texto há ainda o registro de que, à época, estavam disponíveis 12 diafilmes ou slide sounds, dos quais não se citam os títulos, produzidos por técnicos norte-americanos em parceria com educadores e escritores brasileiros, que versavam sobre temas como: combate às moscas, nutrição, cuidados pré-natais (sic), malária e vermes. É citado ainda que um conjunto de mais 20 programas estava em fase de produção, em proporção de duas unidades por mês.

Ainda segundo Wagley, os diafilmes combinavam "entretenimento com úteis advertências" e foram muito bem aceitos pelas comunidades rurais, onde a audiência às exibições alcançava "até 80 por cento dos moradores dos locais visitados". Essa estratégia, invariavelmente articulada com outras atividades como visitas domiciliares feitas por auxiliares de enfermeiras, mostrou-se eficaz, já que, em seguida, ocorria um rápido aumento da afluência pública às instituições de saúde da comunidade visitada (Boletim do SESP, 1946, p.9).

O processo de produção desses diafilmes é explicado pelo assistente técnico da divisão de Educação Sanitária, Dr. Orlando José da Silva, em entrevista ao Boletim, em 1945:

[...] as cenas são fotografadas ou constituídas por desenhos feitos em nosso escritório ... Matem a Mosca foi feito de desenhos em branco sobre fundo preto, o que proporciona excelente projeção, Malária é todo em fotografias. Às vezes as fotografias e os desenhos são usados alternadamente... A grande vantagem dessas histórias, apresentadas com muita singeleza, é que elas podem ser compreendidas pela totalidade da população rural, pois não há legendas escritas, apenas a imagem projetada na tela e o som gravado em disco. (Boletim do SESP, 1945, p.10)

A entrevista dá conta de que os seguintes diafilmes já tinham sido preparados: Malária, Protegendo Nossos Filhos, Alimentação, Opilação, Saúde Pública Rural, Maria Pernalonga, Evitando Doenças, Enfermeiras Registradas e Matem a Mosca.

A mais detalhada descrição do uso e receptividade dos diafilmes está presente no Boletim do SESP n.24, de julho de 1945. O SESP publicou, em seu Boletim n.24, uma avaliação sobre a utilização dos slide sounds na Amazônia. A matéria inicia registrando que o primeiro slide sound produzido pela Divisão de Educação Sanitária foi Opilação, ou ancilostomíase, também conhecida como amarelão. Juntamente com a malária, são apontadas por pesquisadores como as doenças que fundaram a agenda sanitária no país, no início do século XX (ver, por exemplo, Ferreira, 1999). Gilberto Freyre, em matéria publicada em O Jornal, em 1942, registra os debates da época:

[...] Pedro Tito Regis, cuja tese médica sobre O clima e as molestias que acometem mais frequentemente os habitantes da Baía - trabalho publicado em 1845 - versa o problema da chamada "opilação" da gente de cor, tão debatido pelos médicos brasileiros da época. Eram muitos os pobres que morriam ou adoeciam de "opilação". Fosse se indagar o motivo de tanta morte; o motivo de tanto negro e mulato se tornar exalviçado, o preto da pele acizentada, no rosto, uma feia palidez, os beiços esbranquiçados, o apetite pervertido em vontade de comer terra, barro, carvão - e na opinião dos médicos se dividiam em mil e um pareceres contraditorios. Tito Regis apontou, embora timidamente, para as más condições de habitação - sem pisos, o chão crú - e para a deficiencia de alimentação na zona de gente mais pobre da Baía como a causa principal da "opilação" que ali se generalizava de modo alarmante.

É dito que o filme consumiu meses de experiências, de estudos e de discussões. Entretanto, não existem referências sobre datas. Responsável pela produção estava George Fanto, "[...] elemento que trouxe para esse ramo especializado a experiência adquirida na sua carreira em Hollywood e outros grandes centros cinematográficos do mundo" (Boletim do SESP, 1945, p.3). Fanto foi um renomado diretor de fotografia, que veio para o Brasil junto com Orson Welles para as filmagens de It's all true (É tudo verdade), obra inacabada de 1942. É importante lembrar que Welles veio trabalhar no Brasil a convite de Nelson Rockefeller.

Relata o texto que o diafilme Opilação foi exibido inicialmente para médicos, professores e intelectuais, que aplaudiram a iniciativa. A partir daí decidiu-se executar um programa mínimo de slide sounds. A série de filmes Opilação, Malária, Maria Pernalonga e Protegendo nossos filhos foi levada, por Charles Wagley e Cattete Pinheiro, ao interior do Pará para apresentação e teste de aceitação pública.

Em um texto longo de linguagem romanceada, fez-se o relato da viagem desde a partida dos profissionais do porto de Belém, em junho de 1945, a bordo da lancha Paraguassu. A equipe era formada pelos referidos médicos e pelo escritor Dalcídio Jurandir6, que embarcou todo o equipamento necessário à exibição. Foram visitadas as cidades de Abaetetuba, Cameta e Guarupá. Registrou-se que, só em Abaetetuba, mais de mil pessoas prestigiaram as exibições. O prefeito, o médico e as visitadoras se revezavam para ajudar na montagem dos equipamentos. Durante a exibição "[...] os personagens parecem de toda vila, e o 'Luar do Sertão' derramava poesia na noite enquanto a voz do médico ensinava o povo a lutar contra a malária." (Boletim do SESP, 1945, p.2). A personagem Maria Pernalonga foi apontada como a que mais ficou gravada na mente das pessoas: seu lado lúdico e engraçado teria agradado a adultos e crianças.

Reside na perspectiva educativa a desvantagem mais curiosa do cinema frente ao diafilme. Na visão do SESP: o caboclo da Amazônia não teria a habilidade e o treinamento necessários para acompanhar a passagem rápida das cenas, nem raciocinava com a devida rapidez: "[...] ri com facilidade de cenas que aos nossos olhos estão destituídas de qualquer comicidade [...] as gargalhadas chegam a abafar a voz do locutor, prejudicando a exibição" (Pinheiro, p.923).

O consenso era de que os filmes divertiam, mas não atingiam suas finalidades educativas: "Foi o que se verificou nas zonas rurais com os magníficos filmes de Walt Disney. Divertiam, mas não educavam" (Boletim do SESP, 1949, p.5). A orientação, portanto, era que os diafilmes sonorizados fossem produzidos de forma a divulgar conhecimento que a população pudesse colocar em prática, com exposição clara dos temas, sem detalhes, com participação de pessoas ou fatos locais, com tempo de exibição máximo de 15 minutos, sem incluir cenas cômicas nem muito trágicas (Boletim do SESP, 1949).

O trabalho em educação sanitária ganhou projeção internacional: os diafilmes foram traduzidos para vários idiomas, distribuídos na América Latina e até na Índia. Na Unesco, ganhou uma exposição, em 1949 (Boletim do SESP, 1949). A partir de 1951, a SESP se autodenominou "produtor de filmes", e deu início à comercialização desses diafilmes, "[...] no intuito de cooperar com outras entidades." (Boletim do SESP, 1951, p.2). Os primeiros filmes produzidos, em 16mm, foram: Dentes, Maneco o Sabido, O que se deve saber sobre a raiva, e Limpeza e Saúde. É lícito supor, portanto, que outras instituições nacionais podem ainda ter em seus arquivos cópias desse material.

 

Retorno à memória: a etapa final do projeto

Das 68 latas de filmes que chegaram ao Icict no começo dos anos 1990, menos de 50% apresentavam condições técnicas para recuperação e telecinagem em 2007. De algumas foram perdidos os créditos e restaram apenas fragmentos, o que dificultou sobremaneira a descrição e tratamento técnico dos mesmos. A etapa seguinte dedicou-se à preparação e versão das mídias para formato adequado à alimentação de um repositório de memória digital, que se destina a assegurar àquelas obras um espaço no contexto da memória da saúde pública no Brasil.

Cumpridas as etapas de recuperação física das películas e duplicação para mídia digital; identificação do conteúdo dos filmes e sua integração na base de dados da VideoSaúde/Fiocruz, a última etapa do projeto envolveu o lançamento do catálogo dos filmes e, como explicado na Introdução deste artigo, a montagem de uma Mostra com filmes e exposição com formato itinerante, e a disponibilização, na internet, de amostras dos filmes recuperados7. Por fim, solucionadas as questões de direitos autorais, serão disponibilizados os filmes na íntegra para o público em geral, via espaço virtual na internet construído com este propósito.

A expectativa é gerar uma visibilidade tal que fomente o interesse de historiadores, outros pesquisadores e profissionais diversos, e que se possa dar início a uma vertente investigativa sobre os filmes educativos no campo da saúde pública. Voltando a Walter Benjamin (1985, p.224): "[...] o passado só se deixa fixar, como imagem que relampeja irreversivelmente, no momento em que é reconhecido... irrecuperável é cada imagem do passado que se dirige ao presente sem que esse presente se sinta visado por ela".

 

Colaboradores

Maria Cristina Soares Guimarães e Cícera Henrique da Silva foram responsáveis pela coordenação do projeto, redação do artigo e pesquisa documental. Rosinalva Alves de Souza pela busca bibliográfica, recuperação e tratamento das imagens; Rosemary Teixeira dos Santos pelo tratamento de representação do conteúdo dos filmes na base de dados, e Luiza Rosangela da Silva pela socialização dos resultados do projeto e revisão final do manuscrito.

 

Referências

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Recebido em 03/06/2009.
Aprovado em 26/10/2009.

 

 

* Artigo inédito, resultante do projeto "A imagem da saúde no discurso oficial do Estado Novo - Recuperação do acervo cinematográfico da Fundação Nacional de Saúde" (Souza, 2008).
1 Para conhecer o profundo envolvimento da Fundação Rockfeller com as mídias de massa, especialmente o cinema e o rádio, ver Hiltzik et al. (2006).
2 Por estarem temporalmente situados no período do Estado Novo, em meio à Segunda Guerra Mundial, muito facilmente a discussão sobre esses filmes educativos poderia ser conduzida simplesmente pela ótica da propaganda política, tão em voga no período. A interpretação do conteúdo dos filmes será deixada para os especialistas da área que, certamente, saberão melhor analisá-los.
3 O uso do cinema no âmbito da Política da Boa Vizinhança rendeu também uma série de filmes comerciais, envolvendo personagens como Carmem Miranda e Zé Carioca, tema que vem sendo bastante explorado na literatura acadêmica. Esse período acolhe ainda toda uma discussão teórica sobre o nascimento do cinema nacional e a influência norte-americana na Era Vargas. Ver, por exemplo, Tomaim (2006).
4 O Boletim do SESP foi lançado em dezembro de 1943, e foi definido por George Dunham, da direção do Serviço, como "um jornal de família", que "[...] nasceu do desejo de fazer com que todos tenham sempre presente ao espírito que mesmo nos postos mais distantes ... todos são parte de uma grande organização" (Boletim SESP, 1943, p.1). O Boletim faz parte do Fundo SESP, mantido pela COC/Fiocruz.
5 Além de incompleta, a coleção do Boletim SESP apresenta algumas irregularidades na numeração original de seus fascículos. Neste trabalho, optou-se por respeitar os dados constantes das capas dos documentos originais.
6 Romancista, Dalcídio Jurandir (1909-1979) pertence à segunda fase modernista e deixou como legado a maior obra literária da Amazônia.
7 8º Congresso Regional de Informação em Ciências da Saúde - CRICS, realizado no Rio de Janeiro, de 15 a 19 de setembro de 2008, e o seminário SUS 20 anos, realizado nos dias 10 e 11 de novembro de 2008.

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