SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.14 issue35Building the undergraduate medicine course curriculumTeremos um título? author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Interface - Comunicação, Saúde, Educação

Print version ISSN 1414-3283

Interface (Botucatu) vol.14 no.35 Botucatu Oct./Dec. 2010

https://doi.org/10.1590/S1414-32832010000400022 

TESES

 

Mulheres, saúde e grupalidade: estudo do grupo de Convivência Reviver, Botucatu, SP

 

Women, health and group: study of Reviver Social group, Botucatu, SP

 

Mujeres, salud y grupo: estudio de grupo de Convivencia Reviver, Botucatu, SP

 

 

Andrea Langbecker

Dissertação (Mestrado), 2010. Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista. alangbecker@hotmail.com

 

 


Palavras-chave: Processo grupal. Grupo dispositivo. Histórias de vida. Saúde.


Keywords: Group process. Group device. Stories of life. Health.


Palabras clave: Grupo de procesos. Grupo de dispositivos. Historias de vida. Salud.


 

 

As atividades grupais estão presentes em várias áreas do conhecimento e têm sido uma importante ferramenta na Atenção Primária à Saúde. Quando entendido como processo, o grupo pode representar a resistência aos modos individualizantes, pode atuar como um dispositivo capaz de construir modos de subjetividade singulares. O presente trabalho descreveu e analisou a experiência de um grupo de vivência de mulheres enquanto espaço de produção de desejos, desmistificando modos de ser e de viver. A investigação, de natureza qualitativa, foi conduzida com as integrantes do grupo de convivência Reviver, constituído por senhoras na faixa dos 50 anos ou mais. O grupo começou em 1999, tendo como público-alvo usuárias da área de saúde mental do Centro de Saúde Escola (CSE), da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (UNESP); e, como proposta, ser um espaço de promoção da saúde e de lazer. Inicialmente, eram encaminhadas pelo CSE, mas, com o fortalecimento do grupo, as próprias participantes começaram, também, a convidar amigas e familiares. As técnicas de coleta utilizadas foram: observação participante, entrevista com formuladores do grupo, e entrevistas baseadas nas histórias de vida de cinco mulheres. As histórias de vida foram transcritas e estudadas mediante análise temática de conteúdo. Os núcleos temáticos foram identificados segundo os diferentes ciclos da vida, tendo como mais relevantes: na infância e juventude (as dificuldades financeiras e a violência) e na vida de casada ("o lugar de mulher é dentro de casa", laços sociais fragilizados, dificuldades financeiras, experiências de violência e a ajuda profissional). Reconheceram-se, ainda, os núcleos temáticos significativos relativos à vivência do grupo Reviver, quais sejam: as experiências que levaram ao grupo, "ser bem recebida", "estar junto", a solidariedade, o "lidar melhor com o sofrimento mental", o "medo de ficar sem o grupo" e o "experimentar o novo". As narrativas mostraram quanto o fato de ser mulher, em determinado contexto social, limitou-as em relação às suas escolhas pessoais. Essas mulheres ficaram isoladas no ambiente familiar, dedicando-se às tarefas domésticas ou ao trabalho até que os filhos estivessem crescidos. Entretanto, o que se pôde constatar, depois que começaram a frequentar o Reviver, foi uma transformação em suas vidas. Isso pode ter ocorrido porque o grupo operou como um dispositivo, produzindo novas possibilidades de experimentação. Ao fazer funcioná-las, o grupo rompeu com formas enrijecidas de ser e viver, de mulheres silenciadas e homogeneizadas. Elas encontraram um local onde puderam participar de atividades culturais e de lazer diversas (passeios, festa de carnaval, Dia das Mães etc.). Um espaço em que elas puderam desenvolver a criatividade, vivendo situações novas e desafiadoras: ser artista de teatro, dançar, publicar um livro, passear com amigas, resgatar a alegria e o prazer de viver com o outro. Não serem apenas expectadoras, mas, sim, subirem ao palco e serem protagonistas de suas próprias vidas. No grupo, elas experimentaram outros modos de subjetividade que contribuíram para desmanchar territórios cristalizados.

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License