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Interface - Comunicação, Saúde, Educação

Print version ISSN 1414-3283

Interface (Botucatu) vol.16 no.43 Botucatu Oct./Dec. 2012 Epub Nov 30, 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1414-32832012005000041 

A construção da imagem corporal de sujeitos obesos e sua relação com os imperativos contemporâneos de embelezamento corporal*

 

Construction of body image among obese subjects and its relationship with the contemporary imperatives for body beautification.

 

La construcción de la imagen corporal de sujetos obesos y su relación con los imperativos contemporáneos de belleza corporal.

 

 

Miquela MarcuzzoI; Santiago PichII; Maria Glória DittrichIII

IDiscente, Programa de Pós-Graduação em Saúde e Gestão do Trabalho, UNIVALI. Rua Justiniano Neves, n. 266, apto. 102. Pioneiros, Balneário Camboriú, SC, Brasil. 88.331-020. miquelamarcuzzo@yahoo.com.br
IIDepartamento de Estudos Especializados em Educação, Universidade Federal de Santa Catarina
IIIPrograma de Pós-graduação em Saúde e Gestão do Trabalho, UNIVALI

 

 


RESUMO

A imagem corporal é identificada como a representação mental do próprio corpo, construída a partir das dimensões fisiológica, libidinal e social. Os aspectos sociais apresentam maior relevância, haja vista as influências dos valores de estética corporal na contemporaneidade, atingindo com particular intensidade os sujeitos obesos. Este estudo objetivou compreender como os imperativos de estética corporal interferem na constituição da imagem corporal de homens e mulheres obesos mórbidos com idades entre vinte e 43 anos. Adotou-se a História de Vida Focal, utilizando-se como instrumento de coleta de dados a entrevista em profundidade. Resultados indicaram que as mulheres estão mais insatisfeitas com o corpo, sendo o principal motivo as comparações com as imagens midiáticas. Verificou-se que as estruturas sociais são construídas a partir das características corporais do "homem médio". Observaram-se elementos inerentes à distorção da imagem corporal em todas as suas dimensões constitutivas.

Palavras-chave: Imagem corporal. Obesidade. Imperativos de estética corporal.


ABSTRACT

Body image is identified as the mental representation of the individual's own body, constructed based on physiological, libidinal and social dimensions. Social factors have the greatest importance, because of the influence of body esthetic values in contemporary society. This affects obese people with particular intensity. The present study aimed to comprehend how the imperatives of body esthetics influence the formation of body image among morbidly obese men and women aged from twenty to 43 years. Focused life history was used as the methodology, and in-depth interviews were the data collection instrument. The results showed that the women were more dissatisfied with their bodies, mainly because of the comparisons with images in the media. It was seen that social structures are built based on the body characteristics of the "average man". Elements inherent to body image distortion were observed in all their constitutive dimensions.

Keywords: Body image. Obesity. Imperatives of body esthetics.


RESUMEN

La imagen corporal es la representación mental del propio cuerpo, y es construida sobre las dimensiones fisiológica, libidinal y social. Los aspectos sociales presentan mayor relevancia, por las influencias de los valores contemporáneos de estética corporal, alcanzando intensamente a los sujetos obsesos. Este trabajo ha intentado comprender como los imperativos de estética corporal interfieren en la constitución de la imagen corporal de hombres y mujeres con obesidad mórbida, entre 20 (veinte) y 43 (cuarenta y tres) años. Fue adoptada la historia de vida focal y la entrevista en profundidad como metodología. Los resultados mostraron que las mujeres están más insatisfechas con su cuerpo, siendo el principal motivo las comparaciones con las imágenes que aparecen en los medios de información. Fue verificado que las estructuras sociales son construidas a partir de las características del "hombre medio". Se observaron elementos inherentes a la distorsión de la imagen corporal en todas sus dimensiones.

Palabras clave: Imagen corporal. Obesidad. Imperativos de estética corporal.


 

 

Introdução

A sociedade contemporânea assiste deslumbrada à passagem dos "corpos perfeitos" que invadem progressivamente todos os espaços da vida moderna. Sob a ótica de Poli Neto e Caponi (2007), a expectativa das pessoas em relação a esses padrões de beleza é o que provavelmente interliga uma variedade de fenômenos cada vez mais comuns, como: a maior incidência de distúrbios da imagem corporal, as malhações e as cirurgias plásticas. Neste propósito, menciona-se a repercussão das desordens da imagem corporal nos obesos, diante das facilidades prometidas à exaustão pelo mercado da estética.

Quando se adentra no mundo das imagens contemporâneas, fica evidente que as mulheres sentem muito mais do que os homens os efeitos desse processo. A cultura deste país exibe a mulher permanentemente como forma de reforçar seus arquétipos de beleza corporal. Autores como Novaes, Vilhena e Lemgruser (2003), Goldenberg (2006), Goldenberg e Ramos (2002) e Vigarello (2005) consignam que a imagem de mulher se justapõe à de beleza e, como segundo corolário, à de saúde e juventude. As imagens refletem corpos sexuados, respondendo sempre ao desejo do outro, ou corpos medicalizados, lutando contra o cansaço e contra o envelhecimento e as limitações em relação à dimensão corporal das pessoas obesas. Para a mulher, a beleza é representada como um dever cultural. E ser bela é ser magra. O fato de afirmar-se, sem cessar, que as pessoas podem ser bonitas, se quiserem, passa a ser normativo no mundo contemporâneo, a se constituir em um imperativo. Se historicamente as mulheres preocupavam-se com sua beleza, hoje elas são responsáveis por ela. Contudo, em tempos contemporâneos, os imperativos de embelezamento corporal ganham cada vez mais espaço entre o público masculino, universo no qual a figura do "metrossexual" desponta como o ícone de beleza. Neste caso, destacam-se outros atributos, como a definição e desenvolvimento muscular.

A publicidade aumenta o desejo que cada um possui de ter um corpo semelhante ao que ela sugere de forma repetitiva, e, portanto, de poder transformá-lo através dos recursos tecnológicos. Consequentemente, a estética corporal torna-se um dos maiores mercados da sociedade de consumo (Montefusco, Severiano, Telles, 2009).

Os insumos da publicidade são reforçados pelas vicissitudes dispostas pela figuração oportunizada pela era da tecnociência atual; exemplo disso é a possibilidade de edição gráfica do afamado Photoshop, que, por sua vez, desempenha papel fundamental na construção de imagens midiáticas que expõem corpos belos, e, segundo Sibilia (2005), constituem uma poderosa fonte de imagens corporais no mundo contemporâneo.

O papel da mídia digital reforça e divulga os valores e atributos voltados para a busca de instrumentos que permitam a construção do corpo a partir da visualidade de um corpo manipulado e transformado em mercadoria. Esses valores creditam, ao ser imperfeito, a conquista de um corpo belo, jovem, magro e, ao mesmo tempo, reafirmam que, para a conquista do corpo belo no mundo real, o que prevalece é a necessidade de praticar exercícios físicos, desenvolver um cuidado com a alimentação, estabelecer um comportamento e uma consciência dirigida a produtos e serviços adequados à modelagem da aparência (Alves, 2007).

A multiplicação das técnicas corporais e a difusão crescente de modelos de beleza provocaram uma pressão ainda mais prescritiva com relação ao autocontrole, suscitando, cada vez mais, o desenvolvimento de distorções da imagem corporal (Novaes, Vilhena, Lemgruser; 2003). Diante disso, se pode dizer que a prática do culto ao corpo se coloca como uma preocupação crescente para os indívíduos com obesidade mórbida, pois veem-se cada vez mais distantes de terem o contorno corporal atrelado aos apelos da mídia. Ademais, a projeção desenfreada de imagens estereotipadas, pelos veículos de comunicação, acaba por submeter os obesos a um processo de descontentamento com o corpo, que, por sua vez, ocasiona em intenso prejuízo ao processo de construção da imagem corporal.

Nesse sentido, destaca-se que a obra de Paul Schilder, a qual serviu de pilar para a construção do presente artigo, propõe que a imagem corporal se constitui de três dimensões: a fisiológica, a libidinal e a sociológica ou a sociologia da imagem corporal (Schilder, 1999). Orientou-se o olhar dos pesquisadores concebendo o corpo como uma construção que é produzida no entretecer da história de vida dos indivíduos, com os sentidos e significados presentes no universo social em que eles estão imersos; nunca reduzido ao plano meramente individual, e tampouco sendo produto tão somente dos determinantes sociais, mas sempre a partir da tensão entre esses polos. Considera-se, assim, o conceito de imagem corporal como um valioso horizonte teórico para balizar este estudo, entendido como o modo pelo qual o corpo se apresenta para a pessoa e ela o apreende não só cognitivamente, mas, também, como uma representação constituída com base em seus desejos, suas emoções e na interação com os outros (Schilder, 1999). Partindo-se da ideia de que, na atualidade, em virtude da força com a qual se impõem os imperativos de embelezamento corporal e os parâmetros normalizadores que caracterizam o "homem médio", a dimensão sociológica ganha centralidade na configuração da imagem corporal.

Em face das conjecturas acima delineadas e, ainda, considerando o impacto sobre a imagem corporal dos obesos causado pelas imposições sociais relacionadas a valores da estética corporal difundidos na alta modernidade, registra-se que este estudo buscou compreender a interferência dos imperativos de estética corporal, veiculados no mundo contemporâneo, na constituição da imagem corporal de homens e mulheres obesos com idades entre vinte e 43 anos. Ainda, os objetivos específicos para a pesquisa foram: identificar as diferentes dimensões constitutivas da imagem corporal; compreender o processo da veiculação dos valores de estética corporal do mundo contemporâneo; e analisar a relação entre a história de vida dos sujeitos obesos e os imperativos de embelezamento corporal na atualidade.

O texto trata, primeiramente, sobre o olhar metodológico que estruturou a pesquisa; posteriormente, apresenta a compreensão sobre a imagem corporal, concomitantemente à análise e interpretação dos dados; nas considerações finais, sintetizam-se os resultados alcançados.

 

O olhar metodológico

A fim de contemplar a inferência dos imperativos de embelezamento corporal contemporâneos no cotidiano da amostra analisada, pautou-se o estudo em apreço na pesquisa qualitativa, referenciada pelo método História de Vida Focal, amparado por narrativas em profundidade, que abrangeram as vivências corporais dos indivíduos obesos.

A pesquisa qualitativa demonstra-se a mais adequada ao caso, posto que, conforme Spindola e Santos (2003), baseia-se no pressuposto de que os conhecimentos sobre os indivíduos só são possíveis com a descrição da experiência humana, tal como ela é vivida por seus atores; além de se preocupar com os indivíduos e seus ambientes em suas complexidades.

O propósito do uso desta metodologia foi investigar a compreensão de uma dimensão histórica da vida dos sujeitos; a constituição da imagem corporal na condição de pessoas obesas. Para o desenvolvimento da estrutura metodológica, recorreu-se às elaborações teóricas de Freitas (2002), Glat e Pletsc (2009), Spindola e Santos (2003); como instrumento de coleta de dados foi utilizada a entrevista em profundidade (Bellato et al., 2008).

O quadro de sujeitos deste trabalho compreendeu dez adultos, sendo cinco do sexo masculino e cinco do sexo feminino, com idades entre vinte e 43 anos; os quais apresentavam o quadro de obesidade mórbida - Índice de Massa Corporal (IMC) maior ou igual a 40 Kg/m2. Eles foram convidados a participar da pesquisa a partir do acordo de cooperação técnica firmado com uma clínica de fisioterapia da qual os sujeitos da pesquisa eram clientes, que permitiu ter acesso aos sujeitos, e, mediante seu consentimento, ao seu IMC. Optou-se por um número reduzido de casos, a partir dos critérios do método da História de Vida, que propõe que deve ser considerada a primazia das trajetórias biográficas, que precisam ser compreendidas em profundidade, sem a pretensão de generalização dos dados. Cumpre destacar, ainda, que os sujeitos convidados a participar possuíam diferentes condições socioeconômicas, bem como diferentes faixas etárias, que variavam desde a juventude, até a idade adulta. Essa opção se baseou no critério de contar com um amplo leque de possibilidades de trajetórias biográficas.

Para a realização desta pesquisa, seguiram-se as normas éticas para pesquisa com seres humanos, estabelecidas pela Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Submeteu-se o projeto, para apreciação, ao Comitê de Ética da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), sendo aprovado em 29 de outubro de 2010.

Para evocar as características corporais pertinentes à construção da imagem corporal dos pesquisados, foram realizadas entrevistas em profundidade, baseadas em um conjunto de premissas que exploraram temas que objetivavam a revelação da realidade corporal de cada entrevistado na condição de sujeito obeso, relacionando-a com as três dimensões da imagem corporal. Foram elas: Se o peso influencia na percepção corporal e na orientação espacial; Se as práticas corporais influenciam na constituição da imagem corporal; A relação com o corpo e com as zonas erógenas; Se o relacionamento com outras pessoas pode interferir na imagem corporal; Se o sujeito deixa de interagir com os outros por apresentar uma autoimagem negativa; Se o sujeito deixa de frequentar os eventos sociais por imaginar que os outros acham sua aparência corporal depreciativa; Se existem formas corporais consideradas corretas; Se os padrões de estética corporal da atualidade comprometem a maneira como considera sua autoimagem; Quanto a mídia pode interferir na imagem corporal e de que forma. Ressaltamos, ainda, que a entrevista em profundidade é do tipo aberto, sendo permitido ao pesquisador formular as questões norteadoras para o início da aproximação do universo do entrevistado (Bellato et al., 2008).

Caracterizam-se aqui os sujeitos da pesquisa com relação ao seu nome fictício, idade, ocupação / profissão, estado civil e momento da vida em que se tornou obeso/a: Alice1, vinte anos, manicure, solteira, obesa desde a adolescência; Júlia, vinte anos, estudante, solteira, obesa desde a adolescência2; Maria, 32 anos, esteticista, casada, obesa desde a juventude; Joana, 29 anos, atendente, separada, obesa desde a infância; Sandra, 35 anos, professora, casada, obesa desde o final da juventude; Roberto, 43 anos, representante comercial, casado, obeso desde a idade adulta; Adriano, 29 anos, desempregado, casado, obeso desde a juventude; Bruno, vinte anos, estudante, solteiro, obeso desde o final da adolescência; Daniel, 25 anos, engenheiro eletricista, solteiro, obeso desde a passagem da adolescência para a juventude; e Guilherme, 33 anos, pastor evangélico, casado, obeso desde a juventude.

Os relatos obtidos por intermédio das entrevistas foram analisados com fundamento nos procedimentos de análise de conteúdo referenciados por Bardin (2010). Conforme a orientação da autora, a análise foi baseada em um agrupamento de elementos, considerando-se a parte comum existente entre eles, estágio este chamado de categorização.

A par disso, esta pesquisa apoiou-se num modelo misto de construção de categorias; contou com categorias que foram definidas a priori e outras que emergiram no campo estudado. Sendo as categorias a priori compostas pelas dimensões da imagem corporal: fisiológica, libidinal e sociológica. Por outro lado, vinculadas às categorias já estabelecidas, despontaram categorias provenientes dos dados coletados, que reforçaram a instituição e apropriação dos imperativos de embelezamento corporal dos tempos modernos e corroboraram o pressuposto balizador desta pesquisa.

 

Imagem corporal

O estudo é balizado pelo conceito de imagem corporal elaborado por Paul Schilder (1999), que concebe a imagem corporal como a representação do corpo, ou seja, o modo pelo qual o corpo se apresenta para a pessoa. O autor enfatiza em seu estudo que a imagem corporal não é apenas uma construção cognitiva, mas também reflexo de desejos, emoções e interação com os outros (Schilder, 1999).

Este conceito abordado por Schilder sugeria uma mudança de perspectiva nos estudos de imagem corporal. É a partir dele que foi possível considerar a importância que a cultura, as atitudes e os sentimentos têm em cada comportamento humano (Campana, Betanho, Tavares, 2009).

Schilder (1999) caracteriza a imagem corporal em três dimensões que se relacionam entre si: a base fisiológica, a estrutura libidinal e a dimensão sociológica.

 

Dimensão fisiológica

Segundo Schilder (1999), ao se considerar a perspectiva fisiológica da imagem corporal, é possível identificar a percepção do corpo e redimensionar a compreensão do sujeito no processo de autoconhecimento. A imagem corporal é percebida mediante sentidos e envolve figurações e representações mentais. Compreende uma experiência imediata de unidade do corpo, chamada de modelo postural do corpo, cuja denominação visa enfatizar a importância do conhecimento da posição corporal.

Nesta direção, Head (1920 apud Schilder, 1999) verificou que esse sistema se relacionava com o sentido postural e demonstrou que ele é responsável por fornecer não apenas uma localização acurada do corpo no espaço, mas, ainda, por permitir a estimativa de todos os movimentos do corpo. De acordo com Head, o conceito de espaço e movimento é determinado por um padrão básico de posturas corporais, intitulado de esquema corporal, que, não obstante seja básico para a consciência do espaço e do movimento, atua, ele próprio, de maneira inconsciente.

Constata-se, assim, que o desenvolvimento do esquema corporal dos indivíduos obesos poderá intervir na capacidade de percepção de seu corpo bem como na noção espacial, haja vista o não-reconhecimento de seu tamanho corporal aliado aos aspectos emocionais inerentes à constituição da imagem corporal. Percebe-se claramente tal fato quando se induz uma reflexão aos sujeitos da pesquisa sobre em qual momento de suas vidas eles se perceberam obesos. O resultado foi a obtenção de respostas que destoaram da realidade:

"Engraçado que tem hora que eu me vejo gorda e tem hora que eu acho que eu não tô gorda. Sei lá, na realidade eu acho que é porque eu era magra quando era adolescente. Às vezes eu me sinto como se eu tivesse 65 kg. Então eu acho que tá bom. Engraçado que eu fico com esse pensamento". (informação verbal fornecida por Maria em entrevista)

A narrativa de Maria reforça as referências apresentadas nesta pesquisa, a saber, de que os indivíduos com obesidade podem, por muitas vezes, apresentar imperfeições quanto ao reconhecimento de seu contorno corporal, caracterizando um quadro de distorção da imagem corporal.

Na configuração da sociedade moderna e sob a ótica da unidade fisiológica da imagem corporal, estão presentes, na moda das roupas, algumas das objeções que os indivíduos com obesidade mórbida encontram ao se distanciarem do estereótipo considerado normal. Estes sujeitos se sentem discriminados ao sofrerem situações perturbadoras que os remetem ao desentendimento com seus esquemas corporais:

"Em lojas populares, lojas comuns tipo Renner e C&A eu não encontro de jeito nenhum, principalmente por causa do meu peso, altura e estrutura óssea. Como eu fiz natação, tenho ombros largos, então se eu for nesse tipo de loja assim as blusas ficam todas agarradinha. Não consigo nem me mexer, nem se eu pegar o maior tamanho. Têm lojas que eu nem entro, porque eu sei que não vai servir". (informação verbal fornecida por Daniel em entrevista)

A narração acima confirma a visão que os obesos possuem de si próprios e que é, ao mesmo tempo, difundida pela indústria da moda: a de que os gordos não podem ser bonitos e que devem usar roupas para disfarçar a sua gordura. Isso significa, para Cardoso e Costa (2007), que os obesos não podem desfrutar da liberdade de comprar uma roupa pela qual se apaixonam, mas que têm de se limitar a comprar "trapos que possam lhe servir".

Além do vestuário, o indivíduo obeso também enfrenta dificuldades na acessibilidade e usabilidade de produtos que são desenvolvidos para a faixa média da população, de acordo com padrões de planejamento e urbanismo de estruturas comuns (Menezes, Paschoarelli, 2009).

Pode-se afirmar que os sujeitos deste estudo já experimentaram a situação em que houve o confronto da percepção que tinham do espaço ocupado pelo seu corpo com a real proporção deste no ambiente, tendo como desfecho o embaraço e a vergonha diante da exposição pública da sua forma não adequada aos padrões de normalidade. Observa-se a correspondência disso abaixo:

"Uma vez aqui foi no Pizza Deck fui tomar um choppinho. Ali tem uns cadeirões altos. Aí eu sentei, encostei e a cadeira quebrou. E o pior que foi o braço, não foi nem o assento. Daí todos falavam: olha ali o gordinho que quebrou a cadeira. Foi só apoiar ela pra sentar que quebrou o braço. Foi porque era apertada mesmo. Eu me senti horrível, queria fazer igual aquele avestruz que abre um buraco e se enfia dentro". (informação verbal fornecida por Adriano em entrevista)

Esta situação narrada vai ao encontro de outro problema sentido no íntimo pelos sujeitos obesos, que é a prática cotidiana de atividades corporais. Elas fornecem subsídio para o enriquecimento da consciência corporal. Em contrapartida, tem-se a figura do obeso mórbido, com sua expressão corporal limitada, que, em face disto, pode sofrer "apagamentos" que geram lacunas na imagem corporal (Matsuo et al., 2007).

Quando se aborda a temática das práticas corporais, é evidente a elevada prevalência da inatividade física entre os obesos entrevistados. Nenhum dos sujeitos realizava regularmente qualquer prática corporal. Essa ideia fica confirmada na seguinte fala:

"Quando eu estava com menos peso até me estimulava uma caminhada. [...] Então a vida de uma pessoa obesa, ela não é..., por mais que uma pessoa diga que é feliz gordinho. É uma mentira para ela mesmo, porque com certeza ela não é, porque quando ela era magra ela estava vivendo uma vida que não está vivendo hoje. Então ainda que eu olhe não pelo lado estético mais o da saúde, não tem comparação quando você está magro. É uma alegria de viver que eu não tenho agora, estar magro é estar livre" [grifo nosso]. (informação verbal fornecida por Guilherme em entrevista)

A prática regular de atividades corporais parece ser um artifício que possibilita o aumento das possibilidades do corpo. Porém os sujeitos relutam em trilhar este caminho, em virtude da elevada insegurança que têm de seus corpos. Essa percepção é ampliada pelos imperativos sociais do corpo jovem e belo. Fato este que tem se apresentado ao longo deste estudo como um dos fatores pelos quais estes indivíduos não conseguem se adaptar às práticas convencionais.

Ante estas exposições, é possível inferir uma série de disfunções do reconhecimento corporal, conforme segue:

"Eu sou desajeitada, porque eu sou muito gorda. Qualquer coisa eu esbarro e derrubo [mostrou os objetos em uma estante da sala]. Por ser muito grande eu tenho que equilibrar assim, porque eu passo assim e vou levando as coisas, por causa do meu tamanho. Eu de pé sou toda desajeitada, meus braços assim, eu passo e derrubo as coisas". (informação verbal fornecida por Alice em entrevista)

Nos casos, observam-se características psicológicas que revelam o empobrecimento do reconhecimento do contorno corporal. Assim, os aspectos fisiológicos que emanam da autopercepção das estruturas corporais não alcançam o limite real do corpo e fomentam situações cotidianas que evidenciam aspectos relativos aos distúrbios da imagem corporal.

 

Dimensão libidinal

O corpo é subjetivamente construído mediante a interação contínua entre as tendências libidinais. Ademais, a influência do fator emocional desempenha um importante papel na personalidade de cada um, uma vez que coordena as tendências dos investimentos libidinais nas diversas partes do corpo, inclusive nos órgãos sexuais. Tais investimentos são decisivos para a emergência de representações intrapsíquicas, que vão constituindo as bases em função das quais irá se desenvolver a imagem corporal de cada um e o consequente vínculo instituído entre o indivíduo e sua sexualidade (Bendassolli, 1998).

O investimento que o indivíduo direciona ao seu corpo e que, conforme Schilder (1999), baseia-se num sistema de impulsos, tendências e fantasias, permite encontrar sua expressão na estrutura física do corpo, assim como todo desejo ou propensão de investimento libidinal altera a estrutura da imagem corporal, modificando, também, a percepção do próprio corpo nos seus aspectos físicos concretos, como peso e volume.

Um dos aspectos centrais da estrutura libidinal são as zonas erógenas, que constituem o centro da imagem corporal e determinam pontos no corpo para onde são dirigidas as emoções e o desejo. Por meio da identificação destes pontos no modelo postural, o indivíduo tem contato mais íntimo consigo e com o mundo, preenchendo funções em sua vida (Schilder, 1999). De maneira geral, nota-se que os indivíduos obesos têm dificuldade não só em se relacionarem consigo mesmos, como também não conseguem interagir com suas zonas erógenas.

Salienta-se que uma característica importante e comum entre os obesos é que estes apresentam sentimentos conflituosos em relação ao seu corpo, os quais se manifestam na forma de um receio explícito de se olharem no espelho, devido à insatisfação corporal.

A fala a seguir reforça tal posição, no momento em que Júlia explicita que evita o contato com o espelho. Diz ela:

"Só mesmo quando eu saio do chuveiro, quando eu saio do Box. Meu pai fez um Box de concreto, daí o espelho é atrás do Box. Quando eu saio assim, às vezes quando eu vou me arrumar, assim que eu me arrumo no banheiro, daí eu sou obrigada a me olhar, porque se não eu passo correndo. Se não eu só olho depois que eu tô com a roupa né. Pior daí quando eu tô de roupa também acho feio. Olha, quando eu invoco eu não saio, porque não quero que ninguém me olhe". (informação verbal fornecida por Júlia em entrevista)

Igual situação é vivenciada por Alice, haja vista o desprazer demonstrado em se olhar no espelho: "Nunca gostei de me olhar, tenho vergonha do meu corpo, mas foi mais quando eu cresci. Daí eu não gosto de ficar me olhando né, eu evito porque eu não gosto". Nesse caso, a depoente, que conta com vinte anos de idade, evoca o despertar da sexualidade em um corpo obeso. Ela, ao iniciar suas relações afetuosas, se diz sentir envergonhada com seu corpo frente à percepção do olhar do outro às suas zonas erógenas. Segue seu relato: "Pelo fato de ser gordinha eu sempre tive dificuldades com minha intimidade né. Atrapalha muito pelo tamanho da minha barriga. Eu nem consigo alcançar direito e ver os meus órgãos. Eu tenho vergonha do meu corpo."

É relevante considerar que esta problemática atinge ambos os sexos e, embora se revele como um tabu entre os homens, aparece de maneira semelhante na hora de exposição dos corpos em ambientes públicos em que o corpo aparece seminu, como na praia.

Postula-se, aqui, consoante Amaral (1994), que a imagem corporal, por propiciar a experimentação da sexualidade, é um elemento imprescindível na construção da identidade sexual.

Os entrevistados percebem a obesidade como um obstáculo para a sexualidade, diante do descontentamento que há com o corpo e pelos imperativos de beleza da atualidade. Logo, a obesidade acaba repercutindo na autoimagem dos indivíduos, afetando, inclusive, a sexualidade e a qualidade dos relacionamentos consigo mesmo e com o outro.

Alice, ao contrário, sente desejo pelo sexo oposto, porém percebe os limites que lhe impõe a sua condição corporal:

"Eu nunca tive 'relação' com nenhum deles. Eles nunca me viram sem roupa porque eu não gosto. Ele, o último, não falava nada, mas eu acho que isso atrapalhava meu namoro. Eu tenho vontade, mas eu tenho vergonha. Se eles quiserem vai ser assim [...]. A minha barriga incomoda bastante né e por isso eu não tinha intimidade com ele. Se eu emagrecesse uns dez quilos acho que ia ser melhor". (informação verbal fornecida por Alice em entrevista)

A força dos imperativos da magreza prevalece e traz consigo mais uma determinante para o constrangimento do corpo obeso, em que a gordura aparece como um mecanismo para o não-reconhecimento da sexualidade, construindo um muro entre a imagem corporal da pessoa obesa e do outro.

 

Dimensão sociológica

Schilder (1999) concebe a imagem corporal como um fenômeno social, em que as emoções se dirigem aos outros e são sempre sociais. Para se chegar à análise consistente da imagem corporal sob o ponto de vista sociológico, se faz necessário o entendimento da formação da identidade corporal.

Conforme Giordani (2006), é possível perceber que a formação de uma identidade corporal nasce da intercomunicação e das trocas sociais entre os indivíduos. O "eu" é uma estrutura social que se desenvolve inteiramente numa experiência de comunicação. Num contexto existencial, a autora visualiza a imagem corporal como a revelação de uma identidade, de um sujeito na história e de suas relações concretas. Entretanto, Alberto (2007) faz algumas ressalvas, indicando que emoções, pensamentos e determinadas atitudes estão sempre respaldadas por um aparato social, que dita regras.

O afastamento social vivido pelos obesos dificulta sobremaneira a progressão de sua imagem corporal. Para Barros (1990 apud Morais et al., 2002), a pessoa com obesidade não sofre tanto a dor física, mas a dor pelo desejo de um corpo magro. Ela sente que seu corpo é grotesco e sofre por ser vista pelos demais com hostilidade.

[...] Muitas dificuldades na participação social acontecem em função de obstáculos, tais como o tamanho das poltronas do cinema, das cadeiras dos teatros e restaurantes, dos espaços das catracas dos ônibus e bancos, assim como das dificuldades que o excesso de peso traz para a realização do ato sexual, a vergonha de se expor em atividades de praia, esportivas e sociais, tornando-se assim reclusa em casa, sedentária, dependente de familiares, ausente do grupo social e afastada do trabalho. (Morais et al., 2002, p.19)

Assim, os obesos reduzem suas experiências corporais por conta de suas dificuldades nos relacionamentos interpessoais e a interação social.

Neste ponto, se fazem presentes situações em que os familiares se revelam como influenciadores ativos no processo de compleição corporal dos sujeitos a cada quilo que adquirem, lembrando-os, a todo instante, das representações corporais construídas pela sociedade, que radicaliza os ideais de perfeição corporal.

A família aparece mais como uma fonte de apoio na maior parte dos relatos. Inclusive no papel de harmonizadores, quando os obesos entrevistados referem histórias difíceis em que tiveram de passar pelo fato de seu peso parecer importuno aos olhos da sociedade. A esse respeito, Alice relata

"Eu era maior que as outras crianças. Eu tinha seis anos nesta foto, as crianças já brincavam comigo. [...] Elas sempre me chamavam de gorda, baleia, um monte de coisa. [...] Eu sempre chorava, sempre falava pra minha mãe, sempre falava pro meu pai. Ele que ficava sempre mais comigo né, quando eu morava lá, só que daí ele dizia pra mim não ligar, pra não dá bola, pra mim não chorar [...]". (informação verbal fornecida por Alice em entrevista)

Ao se ver insultada pela sua condição de obesa, Alice encontra, em seus familiares, uma referência de amparo e proteção.

Em contrapartida ao amparo familiar, se impõe a entidade midiática, que consegue convencer as pessoas sobre diferentes aspectos que antes pareciam desnecessários, notadamente os de que a aparência física é pautada em medidas corporais quiméricas representadas sob a forma de corpos perfeitos.

Falar das possibilidades da mudança física é referir-se a um anseio social. A cirurgia plástica aparece como uma delas, de maneira marcante entre as mulheres. Apesar da severa crítica endereçada a modelos magérrimas, nos discursos femininos o desejo de aderir à moda do bisturi emerge fortemente:

"A única coisa que eu queria fazer era silicone. A lipoaspiração eu também já pensei em fazer né, mas eu tenho muito medo assim né [...] Eu seria a pessoa mais operada, a minha mãe vive fazendo cirurgia e olha que ela nem precisa né. Eu ia botar silicone, mas daí começaram a falar pra mim que eu tava louca. [...] Se é uma coisa que eu sempre falo em botar é silicone. Eu tenho o peito grande, mas daí eu ia colocar um pouquinho mais né [...] Quanto maior melhor, claro". (informação verbal fornecida por Júlia em entrevista)

No mundo das obesas referenciadas neste estudo, uma característica é comum: o desejo de obter resultados sem fazer grande esforço. As entrevistadas enfrentariam todos os tipos de cirurgias plásticas com o objetivo de ostentar uma aparência totalmente diferente da que possuem.

Nesta esfera, Poli Neto e Caponi (2007) afirmam que os intitulados médicos da beleza e a mídia criam a definição de um padrão de beleza, que se define por medidas corporais facilmente alcançáveis pelas modalidades cirúrgicas que são comercializadas pela medicina estética e divulgadas pela imprensa.

Salienta-se que essas definições da sociedade moderna acerca do corpo perfeito e a validade que o olhar de outrem tem na formação dos corpos imaginários apareceram com um forte peso nas falas dos entrevistados. Ao serem questionados especificamente sobre o pensar dos outros a respeito de si, os sujeitos categoricamente remetem respostas intimamente ligadas à sua aparência física, desconsiderando outro tipo de percepção que se possa ter a seu respeito. É possível confirmar tal percepção na fala de Maria:

"Eu acho que as pessoas acham que eu sou feia assim sabe. Nunca me falaram. Mas já falaram - Ela é tão bonita, tinha que emagrecer. [...] Tinha algumas pessoas que achavam que eu era doente. Muitas pessoas perguntam pro meu marido porque que ele continua casado comigo. Elas acham que ele tem que trocar de esposa só porque eu sou gorda, e não foi um, dois, foram vários. Por isso eu tenho menos amigos [...]". (informação verbal fornecida por Maria em entrevista)

A percepção que Maria tem a respeito de seu corpo somente reforça os arquétipos sociais acerca da idealização do corpo levantados por Gonçalves (2006). Segundo a referida autora, as pessoas gordas são discriminadas na medida em que são tratadas como feias e doentes.

Os sujeitos desta pesquisa sustentam este parecer do autor, haja vista que a limitação social se faz evidente em suas falas:

"Eu não saio de casa. [...] Eu tenho poucas amigas e a maioria das minhas amigas são casadas. Eu às vezes vou na casa de alguma delas para conversar, mas sair de sair mesmo eu não saio, de noite eu nunca saio. Eu não gosto de sair principalmente por causa do meu peso. [...] Minha rotina é do trabalho para casa e lá de vez em quando eu vou na faculdade, foi até por isso que eu escolhi a modalidade a distância. Ir para boate ou um barzinho assim é bem raro". (informação verbal fornecida por Joana em entrevista)

O relato de Joana, que denota este empecilho à sociabilidade, encontra-se exclusivamente apartado pela sua condição de obesidade. Cabe mencionar que Joana, ao longo de toda entrevista, parece bastante desmotivada com seu corpo, o que reforça a influência que os imperativos do corpo belo têm sobre aqueles desviantes.

Torna-se importante, ao fim, fazer a ressalva de que, no momento da elaboração da obra de Schilder, não se evidenciava a força do aparato midiático na construção da dimensão sociológica da imagem corporal. Hoje, no entanto, há um maior investimento da mídia nos valores de estética corporal, enaltecendo um tipo de representação corporal baseado nos corpos magros e uma preocupação exagerada com a estética corporal.

 

Considerações finais

Este estudo possibilitou assentar que o conhecimento aprofundado a respeito das condições de vida do grupo estudado foi determinante para concluir que: existem evidências que permitem sustentar a hipótese quanto à decisiva influência dos imperativos de embelezamento corporal e dos parâmetros antropométricos atribuídos ao "homem médio" na construção de cada uma das diferentes dimensões que compõem a imagem corporal do sujeito obeso, de acordo com a perspectiva de Schilder (1999).

As expressões de insatisfação com o próprio corpo são enunciadas nas falas de todos os sujeitos, os quais consideram suas formas abstraídas de beleza. Muitos deles, até mesmo, depreciam seu semblante frente à comparação com os corpos da moda, realçando ainda mais as hipóteses levantadas nesta pesquisa, notadamente a de que o universo contemporâneo impõe características físicas que são incompatíveis com a maioria da humanidade, especialmente com a classe dos obesos mórbidos.

Convém salientar que a pesquisa, em nenhum momento, teve a pretensão de responder a toda complexidade que envolve o fenômeno da constituição da imagem corporal. Assim sendo, as questões trazidas à tona com o presente estudo dão margem a maiores reflexões, que não se limitam apenas a constatar a correlação entre os possíveis comprometimentos na construção da imagem corporal e a obesidade, mas também possibilitam a ampliação do olhar da saúde pública no que concerne a este mal que a cada dia toma uma magnitude espantosa. Deste modo, para possibilitar o desenvolver dos corpos imaginários dos obesos, é fundamental que os programas assegurem a identidade corporal destes de forma a contribuírem para sua contextualização no mundo em que estão inseridos.

Este trabalho aponta, ainda, a necessidade de novas investigações abordarem pormenorizadamente as implicações dos imperativos de beleza da contemporaneidade para com a comunidade obesa. Na forma como foi apresentado nesta pesquisa, o grupo de pessoas com obesidade mórbida é o mais afetado pelas manifestações da sociedade em prol de um corpo magro. Logo, há urgência de se analisarem múltiplos aspectos voltados à distorção da imagem corporal, bem como as consequências deste problema para a saúde dos obesos.

 

Colaboradores

Os autores Miquela Marcuzzo e Santiago Pich participaram, igualmente, da elaboração do artigo, de sua discussão e redação, e da revisão do texto. Maria Glória Dittrich participou da revisão do texto.

 

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Recebido em 07/11/11.
Aprovado em 12/06/12.

 

 

* Elaborado com base em Marcuzzo (2011); pesquisa aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI).
1 Todos os nomes utilizados são fictícios.
2 Usamos aqui os critérios cronológicos definidos pelas normativas e estatutos nacionais (ECA e Estatuto do Idoso) e internacionais para definir as fases do desenvolvimento humano: infância, de zero a 11 anos; adolescência, de 12 a 18 anos; juventude, de 19 a 29 anos; idade adulta, de trinta a sessenta anos; e velhice, a partir dos sessenta anos.