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Interface - Comunicação, Saúde, Educação

versión On-line ISSN 1807-5762

Interface (Botucatu) vol.17 no.45 Botucatu abr./jun. 2013  Epub 18-Jun-2013

https://doi.org/10.1590/S1414-32832013005000009 

Ética do cuidado: a brinquedoteca como espaço de atenção a crianças em situação de vulnerabilidade*

 

Ethics of care: the toy library as a space for attention to vulnerable children

 

La ética del cuidado: la ludoteca como un espacio de atención para los niños en situación de vulnerabilidad

 

 

Andrea Perosa Saigh JurdiI; Maria Lucia Toledo Moraes AmiralianII

ICurso de Terapia Ocupacional, Universidade Federal de São Paulo, campus Baixada Santista. Departamento de Saúde, Educação e Sociedade. Rua Rua Silva Jardim, 133, Vila Matias. Santos, SP, Brasil. 11.060-000. andreajurdi@gmail.com
IICurso de Pós-Graduação em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano, Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo

 

 


RESUMO

O objetivo deste artigo é relatar o percurso de pesquisa que teve sua origem no encontro entre os campos da saúde e do social a partir do referencial da teoria do amadurecimento. O campo para a pesquisa foi a brinquedoteca comunitária, e os indivíduos envolvidos na pesquisa foram crianças, adolescentes e os brinquedistas. O trabalho cotidiano e de intervenção seguiu os preceitos da pesquisa-ação, concebida e realizada em associação com uma ação ou resolução de um problema coletivo. Ao construirmos uma proposta de atenção a crianças voltada para o social, estabelecendo conexões com outros campos de conhecimento, entende-se que provocamos novas formas de subjetivação e existência, rompendo com os silenciamentos e silêncios que perpassam as práticas voltadas à infância. O trabalho realizado produziu novas possibilidades de pensar acerca do ser humano e dos processos de exclusão social.

Palavras-chave: Jogos e brinquedos. Ética. Vulnerabilidade. Redes sociais.


ABSTRACT

The aim of this paper was to report on a research project that originated at the meeting point between the health and social fields with the theory of maturation as the starting point. The field for this research was a community toy library and the individuals involved in the study were children, adolescents and the toy librarians. The daily work and the intervention work followed the precepts of action research, designed and carried out in association with action on or resolution of a collective problem. In constructing a care program for children focused on social factors, thereby establishing connections with other fields of knowledge, it can be understood that new forms of subjectivation and existence have been established, thus breaking the silences and silencing that pervade practices geared to children. The work that we did produced new possibilities for thinking about the human being and the social exclusion processes.

Keywords: Play and Playthings. Ethics. Vulnerability. Social networks.


RESUMEN

El objetivo de este artículo es presentar el recorrido de la investigación que tuvo origen en el encuentro entre las áreas de la salud y las sociales a partir de la teoría de la maduración. El campo de la investigación fue la ludoteca comunitaria y las personas involucradas fueron los niños, los adolescentes y los profesionales de la ludoteca. El trabajo diario y de intervención observó los preceptos de la investigación-acción, diseñada y llevada a cabo en asociación con una acción o resolución de un problema colectivo. Al construir una propuesta de atención enfocada en lo social, estableciendo conexiones con otras áreas del conocimiento, se entiende que hacemos surgir nuevas formas de subjetividad y existencia, rompiendo con los silenciamientos y silencios que impregnan las prácticas dirigidas a la infancia. El trabajo ha producido nuevas posibilidades de pensar sobre el ser humano y los procesos de exclusión social.

Palabras clave: Juego e implementos de juego. Ética. Vulnerabilidad. Redes sociales.


 

 

Introdução

A preocupação com o estado em que vivem tantas crianças e adolescentes em nosso país ultrapassa o campo de saber da saúde, porém implica-o, cada vez mais, no sentido de articular ações que viabilizem formas de vida e existência saudáveis. Para a saúde, os princípios da humanização como política pública devem criar espaços de construção e trocas de saberes e serem norteadores de estratégias de interferência no processo de produção de saúde. A efetivação da proposta de humanização toma corpo com a perspectiva da rede descentralizada e corresponsável que está na base do SUS, "uma rede comprometida com a defesa da vida, rede humanizada porque construindo permanente e solidariamente laços de cidadania" (Benevides, Passos, 2005, p.563).

Nesse sentido, a ética na saúde implica reconhecer que ninguém pode ser competente no lugar do outro, e recoloca-nos enquanto profissionais, indivíduos, sociedade. Em consonância com esses princípios, compreendemos que produzir saúde é, necessariamente, produzir encontros que visam à conexão das pessoas, não pelas patologias ou diagnósticos, mas pela experimentação da arte, do trabalho e do lazer.

A pesquisa a ser relatada foi realizada em uma brinquedoteca comunitária de um bairro da zona oeste do município de São Paulo, a partir de um trabalho realizado com as crianças e adolescentes, e assumiu contornos mais nítidos a partir das práticas cotidianas na brinquedoteca e no contato com o território onde está instalada.

A brinquedoteca comunitária teve seu início em 19971 e iniciou uma parceria com o Centro de Convivência Pq. Previdência em 20042. Para a Associação de Moradores, a brinquedoteca era um espaço essencial para todas as crianças do bairro, na medida em que o acesso delas a outros espaços de encontro distantes da comunidade era quase impossível, o que acarretava constante perambulação das crianças pelas ruas, ficando, assim, sujeitas à violência da região. Para o serviço de saúde, esse projeto constituía a possibilidade concreta de efetivar a função da unidade de saúde como dispositivo no território, visto que a vizinhança com a associação atualizava a potência do serviço para instaurar novos modos de funcionamento (Galletti, 2007).

Para a composição do trabalho com crianças e adolescentes, partimos do princípio de que as interações promovidas pelo trabalho em saúde, permeadas por uma ética do cuidado, podem ser compreendidas como uma experiência de preocupação com o outro, provocando transformações em trajetos pessoais e trajetórias coletivas, rompendo com histórias de abandono, sofrimento e violência. Os fundamentos da teoria winnicottiana permitiram-nos abordar a complexidade dos indivíduos em seu território com questões sociais urgentes. Isso foi possível porque encontramos, na relação entre psiquismo e cultura, um novo pensamento que permite a existência lúdica, criadora de indivíduos e de mundo, que possibilita discutir o homem no mundo como unidade e como soma de suas experiências culturais (Winnicott, 1975a).

 

Referencial teórico

Pensar em intervenção e pesquisa sob a ética do cuidado pressupõe uma compreensão do significado dado aos termos "ética" e "cuidado". As questões da ética e da moral sempre foram uma preocupação para os pensadores de diferentes áreas do conhecimento, pois são questões consideradas, por alguns teóricos, como representantes da inserção do homem no mundo da cultura. As regras e os valores sociais de determinados grupos são o que os constituem, os organizam e possibilitam a vida em sociedade. A teoria winnicottiana considera que a capacidade para se preocupar tem origem no relacionamento do lactente com a mãe. São com a mãe as primeiras experiências do bebê sobre o que é bom, quando satisfaz suas necessidades, e o que é mau, quando não as atende, levando-o a reagir contra o ambiente. Portanto, é com os cuidados maternos que se apreendem as primeiras noções do bem e do mal.

Entretanto, a ética como cuidado para com o outro tem início quando o bebê já é uma unidade e percebe a mãe como uma pessoa total. É no estágio do concernimento que se desenvolve a moralidade. Esse estágio que se segue à constituição do Eu, e que traz grandes enriquecimentos ao indivíduo, é o momento em que o indivíduo começa a perceber atributos pessoais bons e maus.

Ao caminhar rumo à independência, o ser humano começa a ter o sentido do outro, a preocupar-se, mostrar-se concernido. Nesse estágio, a criança começa a perceber que é uma única e mesma pessoa, como sua mãe, que cuida dela. Ela começa a se preocupar com sua necessidade de usar a mãe e fica compadecida pelo tipo de relação instintual com ela. Percebe que o uso excitado da mãe pode lhe causar danos e (estamos falando da criança) começa então a avaliar essa atitude. A mãe é alguém de quem ela depende e de quem continuará necessitando. Ela faz o que precisa para continuar a existir, que é o uso destrutivo do outro, mas só poderá usar novamente a mãe, em momentos de excitação, se fizer algo que a compense. A mãe como não-eu é caracterizada como a mãe com quem ela precisa se preocupar.

No concernimento, quando o bebê dá valor à mãe e percebe que a destrói, é necessário que esta o ajude a vivenciar esse momento. A ajuda da mãe compreende em estar lá, viva e sempre a mesma. O elemento essencial nesse estágio é a presença contínua da mãe, sua sobrevivência, para que a criança possa integrar a agressividade que faz parte de sua natureza. A tarefa do ambiente é permanecer ali, disponível para reconhecer o gesto restaurador do bebê.

O papel do ambiente é de extrema importância nesse estágio: a criança pequena precisa de alguém que não apenas a ame, mas que se disponha a aceitar a potência de seus instintos e sua reparação sem restrições. A criança precisa ter a chance de contribuir, derivada do senso de responsabilidade, para restaurar os danos causados pelas experiências instintuais. É desse modo que se cresce. O bebê desenvolve, então, a capacidade de sentir culpa. Se a mãe não o ajudar, corre-se o risco de desenvolver o ferrenho sentimento de culpa. Para o autor, há ética no amor materno quando a mãe cuida do bebê desde o início do nascimento (Winnicott, 1990).

Na teoria do amadurecimento, é assim que se constitui o fundamento da moralidade pessoal, que não é imposta nem ensinada, mas emerge, naturalmente, a partir da aceitação e confiabilidade do ambiente. É assim que emerge o cuidado, a preocupação com o outro e a capacidade de colocar-se em seu lugar. Conviver com a construção e destruição inerentes à natureza humana é o fundamento para o desenvolvimento da capacidade de brincar. A ética, sob esse ponto de vista, está alicerçada no reconhecimento da alteridade, na diminuição da onipotência. Para Safra (2004), a palavra ética refere-se às condições necessárias ao acontecer humano - é o que permite, a cada indivíduo, morar no mundo inserido em uma comunidade.

A unidade não é o indivíduo, a unidade é o contexto ambiente-indivíduo. E o centro da gravidade encontra-se na situação global. Com esse pensamento, Winnicott (2000) assinala a importância do contexto na compreensão do ser humano e de seu sofrimento. É na relação fundante com o outro, no pertencimento a um coletivo, no sentir-se parte de uma comunidade, que o indivíduo se torna capaz de construir sua singularidade.

 

A pesquisa na perspectiva da ética do cuidado

Os pressupostos da teoria winnicottiana provocaram transformações teóricas e técnicas que tiveram, como consequência, uma nova forma de compreender o ser humano e uma clínica inovadora. Com sua concepção de que o acontecer humano só pode ocorrer pela presença do outro, a teoria winnicottiana coloca-nos frente a uma posição ética e política como pesquisadores e profissionais. De acordo com o conceito de área intermediária da experiência, área na qual o encontro entre humanos acontece, Winnicott oferece-nos suporte para a criação de outras modalidades de atendimento e atenção, no caso, a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.

Gilberto Safra (2000) diz que o mundo da área intermediária não é só o lugar de encontro com o outro, mas, também, consigo mesmo; e quando se trabalha dentro da área de fenômenos transicionais, é possível servir-se do mundo como campo de jogo. A rua, os elementos do cotidiano, as situações vivenciadas, os objetos da cultura são instrumentos de mobilização do self das pessoas com as quais se trabalha, rompendo o espaço da clínica, ampliando-o para ir além, em direção ao mundo. Nesse sentido, a pesquisa sob os conceitos da teoria do amadurecimento configura-se de forma complexa e estabelece conexões com diferentes campos de saber, além de gerar um estudo que se volta à produção de vida e da saúde do indivíduo no ambiente.

Este relato fala de um caminho percorrido que emergiu de situações concretas, questões que surgem menos do porquê das coisas e mais do seu como. Como modificar situações cristalizadas na violência e na miséria? Como provocar novos modos de existência em territórios tão áridos em termos de relações humanas? Como romper com histórias de sofrimento e violência para com as crianças que ali estavam? Como fugir à banalização e naturalização de acontecimentos cotidianos trazidos pelas humilhações sofridas?

Na constituição deste trabalho consegue-se entrever sua complexidade; ele não poderia ficar restrito ao campo da saúde. Conexões foram tecidas, as quais ultrapassaram os limites do campo psicanalítico e adentraram pela história, sociologia, sistemas de urbanização, pelos territórios da infância e da importância do ambiente e da criatividade no processo de amadurecimento do indivíduo, evidenciando que esta pesquisa não teve apenas um objeto a ser estudado: ela se construiu ao mesmo tempo em que se fez a intervenção - é ela mesma pesquisa e intervenção.

Considerou-se que o ambiente responsável é aquele que cuida do indivíduo. Semelhantemente à mãe suficientemente boa, a brinquedoteca propôs-se a realizar esse papel de acolher e sustentar o outro humano. Assim, seguimos o caminho da infância e seu encontro com o ambiente social, a forma como as crianças compreendem o mundo, as tentativas de serem acolhidas e tornarem-se visíveis em um mundo adulto, muitas vezes hostil às necessidades que o mundo infantil apresenta.

A pesquisa estruturou-se a partir de uma leitura do território e do ambiente brinquedoteca, e foi autorizada pela associação dos moradores, assim como as narrativas dos moradores do bairro, de acordo com o termo de consentimento livre e esclarecido, conforme a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.

O campo para a pesquisa foi a brinquedoteca comunitária e os indivíduos envolvidos na pesquisa foram crianças e adolescentes que a frequentaram durante o ano de 2007. Além das crianças, a pesquisa contou, como sujeitos complementares, com os brinquedistas e estagiários que trabalhavam na brinquedoteca. O trabalho cotidiano e de intervenção seguiu os preceitos da pesquisa-ação, que é um tipo de pesquisa qualitativa com base empírica, concebida e realizada em associação com uma ação ou resolução de um problema coletivo. Para Thiollent (2003), a pesquisa-ação agrega vários métodos e técnicas de pesquisa social, com as quais estabelece uma estrutura coletiva, participativa e ativa de captação de informação.

O pesquisador, como ator participante, utiliza abordagem interativa e torna-se sensível às necessidades dos sujeitos da pesquisa. Nesse contexto, a pesquisa-ação é identificada como uma nova forma de construção de saber, na qual as relações entre teoria e prática, ação e pesquisa são constantes. As teorias e estratégias construídas pelos atores no campo são confrontadas e validadas no próprio campo, provocando mudanças e questionamentos de problemáticas existentes (Morin, 2004).

Minayo (2008), ao referir-se à pesquisa qualitativa, ressalta que é importante a compreensão da lógica interna dos grupos, instituições e atores quanto: aos valores culturais e sua história, as relações entre indivíduos, instituições e movimentos sociais, e a implementação de políticas públicas. Nesse sentido, desenvolver uma intervenção que desse voz a seus atores só foi possível após o conhecimento da história da comunidade, do cotidiano de seus moradores, da compreensão de como se inseriam nos serviços ofertados na comunidade, e que uso faziam dos mesmos.

Pela leitura do cotidiano, da história dos indivíduos e de sua relação com o ambiente é que se pode pensar na intervenção necessária. No cotidiano e nas práticas cotidianas, encontramos possibilidades de romper naturalizações e certezas. Nilda Alves (2001) explica que há um modo de fazer e criar conhecimento no cotidiano que difere daquele aprendido na modernidade. A autora considera que aprendemos, nos últimos séculos, que o modo como se cria conhecimento no cotidiano não tem importância ou está errado. O resultado é não fixarmos ou não sabermos como são ou, ainda, não sabermos analisar os processos de sua criação. Talvez por serem esses processos produzidos por nós mesmos em nossas ações cotidianas, essa análise do conhecimento torna-se mais difícil, pois, de acordo com a ciência moderna, é necessário separar, para estudo, o sujeito do objeto. Esses conhecimentos e as formas como são tecidos exigem admitirmos ser preciso mergulhar inteiramente em outras lógicas para apreendê-los e compreendê-los (Alves, 2001).

Foi preciso pensar em uma estratégia de pesquisa que contemplasse a complexidade do território e do seu cotidiano. Assim, seguimos alguns passos que começaram a delinear a pesquisa. Iniciamos por conhecer o território - para isso, trilharam-se os caminhos das vielas, ruas e casas, ouvindo, escutando, olhando e conversando com todos. Do ponto de vista documental, procuraram-se informações, artigos, documentos que auxiliassem na composição da história do bairro, das experiências anteriores que nele aconteceram. Foram encontrados artigos científicos, projetos da universidade no território, uma tese de doutorado e documentos que remontam à história da Associação de Moradores. Procuramos, nas narrativas de moradores, o resgate da história do bairro, suas especificidades e a leitura que eles faziam das mudanças ocorridas ao longo do tempo. A intervenção com as crianças e adolescentes na brinquedoteca, a supervisão dos brinquedistas e a composição da rede foram outros passos da pesquisa. A seguir, aprofundamos alguns pontos que merecem destaque nesse processo.

 

Conhecendo o território

Um estudo que se avizinha do campo social pressupõe aceitar o desafio do território: volta-se pretendendo pensá-lo pela sua construção histórica tecida pelas relações políticas, socioeconômicas e culturais. No território coexistem e constroem-se diferentes maneiras de existir, sonhar, viver, trabalhar, realizar trocas sociais. Esse bairro não difere de muitos outros bairros da periferia da cidade de São Paulo: as mesmas necessidades e carências. Porém, no contato com a comunidade local, singularidades, particularidades daquele território foram se fazendo presentes, demonstrando ser o território, ao mesmo tempo, parte e construtor da própria história.

A aproximação da realidade do bairro fez-nos conhecer o cotidiano da comunidade: a falta de segurança, o difícil acesso aos serviços de saúde, a precariedade de recursos, a ausência do poder público. A constatação dos problemas e dificuldades leva à compreensão de que eles não estavam à distância, mas próximos, e deveriam ser compreendidos não como problemas "daquelas" pessoas, mas como problemas da cidade e, portanto, de todos nós, e que também nos dizem respeito.

As informações chegavam-nos por intermédio das narrativas de líderes comunitários, das crianças e dos adolescentes e, na história resgatada, percebe-se a dificuldade para iniciar a formação do bairro, sem infraestrutura e desassistido pelo poder público. A luta dos moradores era em busca de escolas, postos de saúde, coleta de lixo, transporte coletivo. Apesar das conquistas, eles contam que, ainda hoje, tais serviços são insuficientes para atender à demanda e às necessidades da comunidade. Um dos documentos sobre o bairro, coletado na pesquisa, traça, em algumas linhas, o perfil do bairro e de seus moradores.

Aliado a isso, o crescimento populacional acelerado, a ocupação desordenada dos espaços, especialmente pelo adensamento das favelas, e o aumento continuado da violência e da pobreza provocaram mudanças nas formas de sociabilidade dos moradores entre si, e nas relações que estabelecem com o território, como o esvaziamento das atividades coletivas e realizadas em espaços públicos. A inexistência de políticas públicas na área, exceto as clássicas, e a descrença dos moradores no poder público e na ação política geram sentimentos de impotência. (Oliver et al., 2004, p.286)

Sabe-se que o processo de urbanização que, ao longo da história, foi transformando a cidade de São Paulo caracterizou-se por processos especulativos que expulsaram milhares de famílias de baixa renda para a periferia da cidade. Para Milton Santos (2008), a nova ordem urbana transformou a cidade de São Paulo em valorizada cidade econômica em detrimento da cidade social, fomentando, cada vez mais, a desigualdade entre seus moradores.

Na democracia proposta por Winnicott (1975b), a sociedade existe como estrutura ocasionada, mantida e constantemente reconstruída por indivíduos. Não há, portanto, realização pessoal sem a sociedade, assim como é impossível existir sociedade independentemente dos processos coletivos de crescimento dos indivíduos que a compõem. Uma sociedade democrática é uma sociedade bem ajustada aos seus membros saudáveis, e não o contrário.

Um meio ambiente sociocultural que integra na justa medida é aquele que impõe as regras e os limites naturais de cada cultura e é capaz de se apresentar como suporte fidedigno, com as características básicas de holding, manejo e continuidade. O ambiente que passa a não mais responder como suficientemente bom relaciona-se diretamente com as contradições culturais impostas ao indivíduo de baixa renda em função da desigualdade, da discriminação, da intolerância, do preconceito. A liberdade para crescer, criar e contribuir, que, na teoria do amadurecimento, é tão importante para o indivíduo, é a mesma essência da tendência democrática, que necessita de um apoio consciente da sociedade (Guimarães, 2001).

A confrontação com carências continuadas em função do tempo de exposição a essas situações pode levar a situação de vulnerabilidade subjetiva e ser geradora do não-desenvolvimento de uma atitude de concern - de preocupação consigo mesmo e com o coletivo.

 

Sustentando um lugar para brincar: para crianças e brinquedistas

A intervenção realizada no acompanhamento de quatro grupos de crianças e adolescentes em dois dias da semana foi uma parte importante da pesquisa. Nesses grupos, nos quais tivemos participação ativa, foram se desvelando as sutilezas dos processos criativos, do brincar compartilhado e das modificações que o ambiente humano foi propiciando. A brinquedoteca atendia crianças e adolescentes com uma faixa etária entre quatro e 15 anos de idade. Moradores da região e das favelas próximas, a maioria chegava desacompanhada. Os pais saíam cedo para o trabalho e voltavam no final da tarde. A maioria das crianças era cuidada por avós, tios, vizinhos.

Cerca de duzentas crianças e adolescentes participavam das atividades da brinquedoteca e estavam divididos em grupos de 25 crianças. Esses grupos aconteciam de segunda a sexta-feira, no período complementar ao da escola. Na organização dos grupos, crianças e adolescentes puderam escolher dois dias da semana para vir à brinquedoteca e construir as regras coletivas de participação e convivência. Participavam, assim, de grupos de brincadeiras que se reuniam durante a semana, sob supervisão de brinquedistas e estagiários, que acompanhavam as brincadeiras, estruturavam o ambiente para que todos pudessem brincar e planejavam atividades junto às crianças e adolescentes. Filmes, festas, piqueniques, construção de jogos e brinquedos, teatro, contação de histórias, faziam parte das atividades desenvolvidas nos grupos de brincadeira.

Encontramos, na brinquedoteca, algumas crianças que lutavam pela própria sanidade, por um espaço de saúde que as acolhesse, que lhes confirmasse a condição do humano, do crescimento, da vida. Desapegadas, com dificuldades de estabelecer vínculos, viviam em estado de tensão e alerta que as impedia de viver outras formas de relação e convívio.

A situação dessas crianças chamava a atenção e forçava-nos a olhá-las. A convivência diária com as crianças e os adolescentes mostrava-nos que nem tudo era tranquilo: os conflitos eram diários e corriqueiros, as agressões frequentes eram a forma encontrada por muitos para a resolução dos conflitos. Observava-se que as diferenças não eram aceitas, o princípio era de exclusão, e não de complementaridade. Os jogos se baseavam em quem era o melhor e quem era o pior. O individualismo era sempre pautado na luta pela sobrevivência: quem pode mais leva a melhor. Era preciso estar sempre alerta, ser mais rápido, conseguir vantagens individuais em detrimento do coletivo. Os princípios da teoria do amadurecimento faziam, cada vez mais, sentido na leitura do território e da brinquedoteca. A falta de continuidade dos serviços oferecidos provocava, nas crianças, a incerteza, a instabilidade e, para muitos, reforçava a descrença no outro humano. A confiabilidade e a fidedignidade tornavam-se necessárias não apenas para as crianças e adolescentes, mas, também, para brinquedistas e estagiários. A provisão ambiental proposta deveria dar sustentação e acolhimento a todos.

Para sustentar esse trabalho, foi preciso pensar na organização da equipe, do espaço e dos grupos de crianças e adolescentes. Estabelecemos uma reunião semanal da equipe para organizar o trabalho, discutir e refletir sobre as atividades cotidianas e a elaboração das atividades seguintes, pensar nas intervenções e, sobretudo, conversar e conhecer as crianças que ali vinham brincar. Propunhamo-nos a trabalhar a compreensão dos processos de desenvolvimento a partir dos pressupostos da teoria do amadurecimento e como poderíamos intervir para que o desenvolvimento saudável pudesse ocorrer com crianças que apresentavam dificuldades nesse processo. O cuidado com o brincar era, assim, uma das faces do acolhimento proposto pela brinquedoteca.

Começou-se a introduzir uma organização e um olhar específico a cada criança e ao grupo como um todo. Se, na teoria winnicottiana, o brincar é um dos mais importantes sinais de saúde, no ambiente brinquedoteca o cuidado traduzia-se de diversas maneiras, de acordo com a necessidade de cada criança. Desde o acolhimento, o reconhecimento de cada um, o respeito à sua singularidade, sua subjetividade, até a noção de continuidade dada pela certeza de que, amanhã, nos veríamos de novo. Observou-se que uma mudança no brincar estava ocorrendo. Meninos e meninas traziam, para a brinquedoteca, brinquedos com os quais gostavam de brincar. Era a pipa, o pião, a corda, o elástico, as bolinhas de gude, CDs preferidos. Eles apareciam para ser compartilhados. As negociações se tornaram mais frequentes e os conflitos foram, ao longo do ano, sendo resolvidos de outro modo que não o embate corporal. Os grupos eram constituídos pelo interesse e disponibilidade de horário das crianças e adolescentes, que participavam das atividades propostas ou escolhiam suas brincadeiras.

Winnicott, com sua simplicidade e profundidade, deixou, ao mundo, uma teoria que afirma a importância do brincar não apenas para as crianças, mas, também, com relação aos adultos, uma vez que esse brincar se dá na superposição de dois espaços de brincar, estando relacionado a duas pessoas que brincam juntas. É por meio da atividade lúdica que o indivíduo se apropria da experiência cultural: como atividade humana, ela abre possibilidades para um campo em que as subjetividades se encontram com elementos da realidade externa, possibilitando uma experiência criativa com o conhecimento.

O brincar na teoria winnicottiana ganha um estatuto próprio e abre outra possibilidade de compreensão do indivíduo e sua relação com o ambiente. O brincar winnicottiano é a expressão da criatividade, da possibilidade de o indivíduo criar o mundo por meio de seu gesto espontâneo. Estamos falando de um brincar que tem espaço e lugar para acontecer, tanto na subjetividade de cada um quanto na realidade compartilhada; um brincar que se propõe criativo, pois o entrelaçamento com o ambiente faz com que o indivíduo possa criar e transformar, colocar algo de seu no mundo compartilhado.

É no brincar que a criança e o adulto fruem sua liberdade de criação e, assim como a experiência cultural, o brincar pode receber uma localização: o espaço potencial existente entre mãe e bebê. O autor chama a atenção para o fato de que não se pode fazer uma descrição do desenvolvimento apenas em termos do indivíduo, e, sim, considerar que o comportamento do ambiente faz parte do próprio desenvolvimento pessoal do indivíduo e, portanto, tem de ser incluído. No papel de adultos e cuidadores, os brinquedistas acreditavam que sua função se resumia em cuidar do espaço físico, dos brinquedos e da segurança das crianças. Retiravam-se das brincadeiras em muitos momentos, não percebendo a preciosidade da oportunidade de brincar junto.

Nesse sentido, a reunião de equipe foi um dispositivo diretamente relacionado ao coletivo institucional, que se refere não apenas ao conjunto de pessoas, mas a um coletivo compreendido no sentido de multiplicidade que se desenvolve para além do indivíduo. A compreensão de atitudes e da responsabilidade como profissional implicava compreender que precisávamos modificar algumas coisas já estabelecidas e criar coisas novas - e, sobretudo, a importância de estarmos presentes nas brincadeiras, compartilhá-las e sustentarmos o brincar quando não havia possibilidade de ele acontecer.

 

Tecendo a rede

Outro passo da pesquisa baseada nos pressupostos da teoria do amadurecimento possibilitou ampliar o trabalho para além das relações individuais e fortalecer as práticas coletivas. Os cuidados ampliaram-se e provocaram, em outros espaços, novas formas de pensar a atenção à criança. Ficava implícito que não bastava criar condições de humanidade e respeito dentro da brinquedoteca se, ao saírem de lá, crianças e adolescentes continuavam submetidos à barbárie, a um mundo que não as acolhia. No dia seguinte, retornavam à brinquedoteca reagindo de modo muito primitivo frente ao que estavam sofrendo.

A concepção de que a atenção à criança se faz por meio da composição de uma rede de cuidados que reduza os danos causados em seu processo de amadurecimento fez com que pudéssemos compor outros tipos de agenciamentos, criando uma política de conectividade, de vizinhança, uma possibilidade de trabalho por meio de uma relação de ressonância estabelecida entre os elementos do território. Para além da brinquedoteca, havia a necessidade de compor o trabalho com as escolas, a instituição de saúde, a associação de moradores e os próprios moradores do bairro. Tecer a rede de responsabilidade compartilhada foi um dos caminhos encontrados para ampliar a rede de cuidados que ia sendo tecida por meio da brinquedoteca.

Ao participarmos ativamente das reuniões da rede, compreendemos que, facilmente, poderíamos cair na armadilha da impotência frente aos problemas que a comunidade apresentava. Descrença e desconfiança idênticas percebidas nas crianças percebiam-se, também, na comunidade e seus representantes. A paralisação de projetos sociais e de políticas que começavam e eram interrompidas indicavam a causa de tanta descrença. Os moradores sentiam que a comunidade era abandonada por essas iniciativas frustradas. Essa era a justificativa para não se fortalecerem como coletivo, como autores e protagonistas na própria comunidade.

Compreende-se que as carências continuadas e as limitações impostas a uma vida saudável e de qualidade geram sentimentos de banalização do sofrimento, da falta de capacidade de se preocupar, e criam uma dificuldade ou impossibilidade de organização social. Trabalhar com a impotência, com a falta de perspectiva, o descaso, foi, no início, o trabalho mais importante.

Construir uma relação baseada na confiabilidade e na fidedignidade permitiu-nos tecer parcerias, nos organizarmos como um coletivo, pensarmos juntos sobre as necessidades e ações necessárias. Nesse sentido, a rede conduziu a questionamentos acerca do fazer de cada um e história do bairro. Esse modo de trabalhar foi provocando indagações nas instituições, convocando-as a pensar o coletivo, tirando-as da individualidade, do fazer solitário, implicando todos em um trabalho compartilhado. Em uma leitura winnicottiana, o trabalho em rede facilita a realimentação e manutenção do campo imaginário compreendido como espaço potencial. Neste estudo, compreendemos que a rede precisa ter uma dinâmica instrumentalizada a partir de atitudes de holding social, manejo social, fidedignidade e limite não invasor, visando à criação de uma atmosfera de suporte, acolhimento e o registro vivencial de uma linha de continuidade de ser entre indivíduos de um coletivo.

Realizar esse trabalho foi como tecer fio a fio, nó a nó, cada movimento da rede. Pudemos compreender que, nessa relação de horizontalidade, pessoas e instituições iam mobilizando questões importantes, ações coletivas e, no percurso, sabiam que poderiam contar com alguém para executá-las. O cuidado com cada parceiro, a responsabilidade, o reconhecimento de cada um e sua importância na comunidade criaram laços e permitiram-nos configurar a rede de acordo com as necessidades que iam surgindo. Compreendemos que as diferentes formas de sustentação são formas de cuidado que fornecem segurança e tranquilidade no sentido de continuidade da experiência de existência pessoal.

 

Resultados finais

A pesquisa a partir da ética do cuidado e do encontro aponta-nos novas possibilidades de convívio e de novas formas de existência. Crianças, adolescentes, brinquedistas, comunidade foram os atores na configuração de um trabalho de atenção e cuidado a crianças e adolescentes, e os resultados foram se delineando ao longo do caminho percorrido. O ambiente proposto na brinquedoteca potencializou a importância do espaço compartilhado, como mediador entre as necessidades e desejos das crianças e os limites e as possibilidades da realidade externa. Nessa intervenção, o papel do adulto foi acolher as diferenças, estar junto quando o brincar não era possível, e fornecer segurança suficiente para que o brincar criativo pudesse fazer parte da vida delas.

Em relação às reuniões de equipe, percebíamos que a importância do adulto na relação com a criança foi se solidificando: de um olhar de que estavam ali para cuidar do espaço físico, dos brinquedos e da segurança das crianças, a um cuidado com o brincar, o brincar compartilhado, o brincar da ordem do brincar winnicottiano.

No coletivo, a rede de responsabilidade compartilhada criou dispositivos de sustentação à infância e à adolescência na comunidade. O trabalho em rede possibilitou criar condições para que o grupo pudesse articular novos trabalhos, novas propostas, novas formas de organização.

As relações que se estabeleceram baseadas na confiabilidade, fidedignidade e constância das ações ofereceram, às crianças, adolescentes e comunidade, a provisão de um ambiente humano que propiciou um modo pessoal de existir, em que puderam ser mais criativos e menos vulneráveis frente aos desafios encontrados. No trânsito entre o individual e o coletivo, as práticas cotidianas produziram resultados importantes: um deles cria o pensamento de que o trabalho construído na atenção à criança e ao adolescente em situação de vulnerabilidade social só é possível em rede.

 

Considerações finais

A pesquisa realizada com crianças coloca um desafio: ver o mundo por meio de seus olhos e vivenciá-lo a partir de suas atividades, de seus corpos; compreendê-lo a partir de suas ideias. Para Benjamin (1984), a ideia de infância encontra-se no centro de sua concepção de memória histórica e deve ser tratada de forma coletiva: compreender a criança é fundamental para se compreender a época em que se vive. Ao compreendê-la como criadora de cultura, ela é desnaturalizada e estabelece-se uma relação crítica com a tradição. Assim, a pesquisa estruturou-se a partir de uma leitura do território e do ambiente brinquedoteca.

Na tentativa de realizar um trabalho crítico, de desvelamento das crianças e adolescentes, esta narrativa não poderia ser tentada a simplificar, diluir os problemas que se apresentaram ao longo desse percurso. Fazia-se importante que a relação entre indivíduo e ambiente fosse mais bem explicitada, e os entraves passíveis de ocorrerem nessa trama de relações também fossem contemplados. Procurou-se uma teoria e, consequentemente, um método que compreendesse o indivíduo na sua relação com o mundo, que rompesse com as dicotomias existentes entre sujeito e objeto, e pudesse considerar entre eles um espaço, com características próprias.

Ao se construir uma proposta de atenção a crianças voltada para o social, provocando conexões com outros campos de conhecimento, entende-se que provocamos novas formas de subjetivação e existência, rompendo com os silenciamentos e silêncios que perpassam as práticas voltadas à infância. A importância e a relevância do brincar na estruturação subjetiva apontam para os riscos e consequências que a falta da possibilidade do brincar pode provocar no desenvolvimento saudável da criança.

O trabalho a partir desse modelo é o mesmo que o escape das formas totalizantes, aliando-se a um paradigma ético-estético-político: "Ético no que se refere ao desejo pela diferença, estético por se agenciar no sentido da criação de novos processos de subjetivação e político por estar necessariamente implicado, assumindo compromissos e riscos" (Neves et al., 1993, p.181).

 

Colaboradores

As autoras trabalharam juntas em todas as etapas de produção do manuscrito.

 

Referências

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Recebido em 23/08/12.
Aprovado em 05/04/13.

 

 

* Elaborado com base em Jurdi (2010).
1 A esse respeito, consultar Oliver et al., 2004.
2 A esse respeito, ver Galletti, 2007.

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