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Interface - Comunicação, Saúde, Educação

On-line version ISSN 1807-5762

Interface (Botucatu) vol.18 no.49 Botucatu Apr./June 2014  Epub Mar 17, 2014

http://dx.doi.org/10.1590/1807-57622013.0583 

Artigos

Formação em saúde com vivência no Sistema Único de Saúde (SUS): percepções de estudantes do curso de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Brasil

Healthcare training with experience in the National Health System: students’ perceptions regarding the dentistry course at the Federal University of Rio Grande do Sul (UFRGS), Brazil

Formación en salud con experiencia en el Sistema Único de Salud: percepciones de estudiantes del curso de Odontología de la Universidad Federal de Rio Grande do Sul (UFRGS), Brasil

Alexandre Favero Bulgarelli (a)  

Kellyn Rocca Souza (b)  

Alexandre Baumgarten (c)  

Juliana Maciel de Souza (d)  

Cassiano Kuchenbecker Rosing (e)  

Ramona Fernanda Cerioti Toassi (f)  

(a,f) Departamento de Odontologia Preventiva e Social, Faculdade de Odontologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Rua Ramiro Barcelos, 2492. Porto Alegre, RS, Brasil. 90035-003. alexandre.bulgarelli@ ufrgs.br; ramona.fernanda@ufrgs.br

(b,c) Discentes, Faculdade de Odontologia, UFRGS. Bolsista Iniciação Científica PiBIC-CNPq e bolsista Iniciação Científica FAPERGS, UFRGS. Porto Alegre, RS, Brasil. k.rocca@hotmail.com; a.baumgarten@ hotmail.com

(d) Pedagoga. Faculdade de Odontologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS, Brasil. juli.desouza@ufrgs.br

(e) Departamento de Odontologia Conservadora, Faculdade de Odontologia, (UFRGS). Porto Alegre, RS, Brasil. ckrosing@hotmail.com

RESUMO

O processo ensino-aprendizagem para a formação de cirurgiões-dentistas fundamenta-se em diretrizes que corroboram a formação de profissionais reflexivos, humanísticos e críticos. Nessa perspectiva, objetiva-se, com a presente pesquisa, trabalhar as percepções de estudantes de uma faculdade de odontologia em relação à realização de estágios curriculares supervisionados no Sistema Único de Saúde (SUS). Esta é uma pesquisa descritiva, desenvolvida com dados qualitativos, coletados por meio de questionários autoaplicados em 65 estudantes, e trabalhados segundo Análise de Conteúdo. Chegou-se a três temas estruturados nas seguintes categorias: explorando o desconhecido; iniciando a caminhada profissional; vivenciando as realidades no SUS. Os estudantes percebem diferentes processos de trabalho em saúde, apontam a importância do engajamento dos professores na supervisão dos estágios e percebem o SUS como um rico espaço de aprendizagem significativa para a formação em saúde.

Palavras-Chave: Educação em saúde; Atenção primária à saúde; Currículo; Sistema Único de Saúde

ABSTRACT

The teaching-learning process for training dentists are based on guidelines that corroborate training of professionals who are reflective, humanistic and critical. From this perspective, the aim of the present study was to analyze the perceptions of students at a dentistry school regarding supervised curricular internship within the National Health System (SUS). This was a descriptive study developed through qualitative data that were gathered using a self-applied questionnaire among 65 students and analyzed using content analysis. Three structure topics in the following categories were reached: exploring the unknown; beginning the professional career; and experiencing the realities within SUS. The students perceived the different work processes; indicated the importance of teachers’ engagement in supervising the training; and perceived that SUS is a space rich in significant learning for healthcare training.

Key words: Health education; Primary health care; Curriculum; National Health System

RESUMEN

El proceso enseñanza-aprendizaje para la formación de cirujanos-dentistas se basa en directrices que corroboran la formación de profesionales reflexivos, humanísticos y críticos. Dentro de esa perspectiva, el objetivo de la encuesta es trabajar las percepciones de estudiantes de una facultad de odontología en lo que se refiere a la realización de pasantías curriculares supervisadas en el Sistema Único de Salud (SUS). Esta es una encuesta desarrollada con datos cualitativos, recogidos por medio de cuestionarios auto-aplicados en 65 estudiantes y trabajados según el análisis de contenido. Se llegó a tres temas estructurados en las categorías siguientes: exploración de lo desconocido; inicio de la trayectoria profesional; experiencia de las realidades del SUS. Los estudiantes perciben diferentes procesos de trabajo en salud, señalan la importancia del compromiso de los profesores en la supervisión de las pasantías y perciben el SUS como un espacio rico de aprendizaje significativo para la formación en salud.

Palabras-clave: Educación en salud; Atención primaria a la salud; Currículum; Sistema único de Salud

Introdução

Tem sido um desafio trabalhar questões que envolvem a nova perspectiva para formação de um cirurgião-dentista frente às demandas de um mundo pós-moderno, bem como as demandas do processo ensino-aprendizagem na atual conformação dos currículos dos cursos de odontologia no Brasil. Um aspecto que associa, simultaneamente, essas duas questões é a inter-relação direta entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e a formação do estudante de odontologia.

O SUS, dentro de sua estrutura organizacional de atenção universal e compreensão de que saúde é um processo que se constrói socialmente dentro de uma rede de prestação de serviços de saúde humanizados1, oferece espaços de aprendizagem para estudantes de odontologia por meio de vivências cotidianas em diferentes cenários, dentre os quais destacam-se: os cenários da Atenção Primária e os Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs). Um modelo pedagógico que proporcione uma formação generalista, humanística, crítica e reflexiva projeta um curso Superior de odontologia com qualidade2. Fundamentada nessa lógica de ensino de qualidade, a Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FO-UFRGS), cenário da presente pesquisa, colocou em andamento uma nova estrutura curricular a partir de 2005, prevendo um ensino mais integrado às demandas sociais e fundamentado nas Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de graduação em odontologia3. Tais diretrizes proporcionam maior autonomia aos cursos de odontologia, permitido, assim, avanços significativos em várias instituições de ensino brasileiras, com a implantação de projetos pedagógicos contemporâneos, com ênfase na promoção de saúde e na qualidade de vida das populações4.

A autonomia atribuída na elaboração da estrutura curricular da FO-UFRGS passou a ofertar, aos seus estudantes, a oportunidade de estagiarem na rede de serviços de saúde pública do município de Porto Alegre/RS e região metropolitana. Em tais estágios, os estudantes realizam novecentas e trinta horas de atividades – nos serviços de Atenção Primária à Saúde, nos serviços de especialidades odontológicas ambulatoriais de média e alta complexidade, e na gestão pública em saúde –, distribuídas ao longo do último ano de formação, sob supervisão de um cirurgião-dentista preceptor. Juntamente com as atividades no serviço, os estudantes participam, semanalmente, de aulas teóricas sobre temáticas envolvendo a Saúde Coletiva. É válido ressaltar que tais campos de estágio referem-se ao espaço ofertado pelo SUS1. É importante ressaltar que, atendendo às recomendações das Diretrizes Curriculares Nacionais, a Faculdade de Odontologia da UFRGS realizou uma profunda reformulação em sua matriz curricular. Os estágios, objeto desta investigação, são efetivamente realizados dentro de sua concepção, não sendo acomodações realizadas em estruturas curriculares anteriores, oportunizando, ao alunado, a vivência efetiva no SUS.

Os princípios e diretrizes do SUS e a lógica das diretrizes curriculares convergem para o olhar humanizado ao paciente e o enfrentamento dos problemas de saúde de acordo com as demandas sociais da população brasileira. Isso torna a parceria entre o SUS e o ensino da odontologia fundamental para a formação de um profissional generalista, humanístico e reflexivo. A educação destes profissionais deve ser orientada aos problemas mais relevantes da sociedade, de modo que a seleção dos conteúdos curriculares essenciais deve basear-se em critérios epidemiológicos e nas necessidades da população5.

Diante do arcabouço de novas experiências curriculares para a formação, bem como a inserção do ensino da odontologia no SUS, a questão da presente pesquisa estrutura-se como: O que pensam os estudantes de graduação em odontologia sobre os estágios curriculares supervisionados no SUS para sua formação em profissional da saúde? Para tanto, o objetivo da presente pesquisa foi construir e discutir, com a literatura, as percepções de estudantes do último ano do curso de odontologia da FO-UFRGS sobre os estágios curriculares no SUS.

Metodologia

Esta é uma pesquisa de desenho metodológico descritivo, desenvolvida com dados qualitativos. Os dados foram coletados por meio de questionários autoaplicados em 65 estudantes do nono e décimo semestres do curso de odontologia que se encontravam nessas condições no primeiro semestre de 2010. Tais estudantes constituíram o grupo que vivenciou, desde o início de sua graduação, o novo currículo do curso em questão. O instrumento de coleta de dados continha questões disparadoras abordando: o conteúdo teórico trabalhado em sala de aula; as expectativas e sentimentos dos estudantes em relação aos estágios; e o preparo para atividades nos serviços de Atenção Primária. Após a coleta dos dados, os mesmos foram organizados e sistematizados segundo Análise de Conteúdo na proposta da análise temática6. A sistematização aconteceu pelo recorte do conjunto das respostas, por meio de categorias projetadas sobre o conteúdo apreendido com os temas presentes nas respostas dos questionários.

As categorias projetadas sobre o conteúdo emergiram a partir da hipótese: as percepções dos estudantes em relação à experiência com os estágios no SUS podem estar relacionadas com sentimentos angustiantes e o reconhecimento do valor do serviço público na sua formação. Norteada pela hipótese, houve o recorte, codificação e organização das falas expressas nos textos provenientes das respostas, o que gerou o agrupamento das falas que constituíram o corpus para análise. Segundo a Análise de Conteúdo, os dados brutos (textos provenientes das respostas escritas) passam por um processo de recorte, enumeração e classificação, sendo assim construídas categorias a serem discutidas. Nessa técnica de análise, as leituras iniciais dos corpus vão se tornando precisas em função de outras hipóteses que emergem em relação ao objetivo e objeto da pesquisa6.

No processo de sistematização, buscaram-se unidades de registro para elucidar os conteúdos dentro dos temas. Para tal, foi utilizado o tema como unidade de registro, no entendimento de que um tema é uma significação que emerge, naturalmente, de um texto analisado, sendo um recorte do sentido da fala, e não uma manifestação formal e regulada6. Partindo dessa lógica e por meio da regra da homogeneidade e pertinência, chegou-se a três temas do conteúdo dos dados, sendo que os mesmos estruturam as três categorias de análise que representaram as percepções dos estudantes frente à questão da pesquisa (Figura 1). Entendeu-se o processo de categorização como a etapa da Análise de Conteúdo composta por uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto (unidades de registros), por diferenciação e reagrupamento, que representa a organização em um sistema de categorias6.

Figura 1 . Processo de organização da análise temática das percepções de estudantes de odontologia sobre os estágios curriculares supervisionados no SUS. Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil, 2013. 

Este estudo enquadra-se na modalidade de pesquisa de risco mínimo, e, de acordo com a resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Cabe observar que a liberdade dos sujeitos da pesquisa foi um aspecto imperativo para a participação, e o consentimento dessa participação foi estabelecido com a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Resultados e discussão

As diretrizes para a reestruturação curricular dos cursos de odontologia vêm contribuindo para a formação de cirurgiões-dentistas com um novo perfil de atuação profissional. Sabe-se que esse novo perfil, segundo Fonseca7 e Taichman et al.8, se reflete em profissionais com competências, também, para liderança, gestão do serviço público de saúde, tomada de decisões, administração e gerenciamento. Tal profissional reverbera uma nova maneira de olhar para a pessoa e a comunidade que recebem o cuidado em saúde bucal.

Para que essa formação aconteça, é necessária a oportunidade de vivências do estudante para além da sala de aula. A vivência do estudante de odontologia junto ao SUS, o mais próximo possível da realidade, significa a possibilidade de formação de futuros profissionais mais humanos e sensíveis à saúde bucal brasileira7. Tal processo pode favorecer a reorientação do modelo formador de profissionais da saúde bucal9. Nessa proposta, foram pensados os estágios curriculares supervisionados no SUS, do curso de odontologia da UFRGS.

Uma análise mais aprofundada da questão de pesquisa colocada no presente estudo seria impossível de ser realizada, com verticalidade, a partir de análise de dados quantitativos. Nesse sentido, a presente pesquisa alicerça-se em análise de dados qualitativos, a partir da Análise de Conteúdo, que tem-se demonstrado adequada para registro de percepções, como as do presente estudo. Para tanto, as categorias construídas com a presente análise emergiram do conteúdo das falas analisadas dos sujeitos da pesquisa.

As percepções dos estudantes frente à vivência nos estágios são apresentadas na Figura 2 e discutidas ao longo do texto com exposição de diversos corpus que dialogam entre si, de maneira atemporal, na estruturação dos temas. Os corpus apresentados no texto associam-se ao longo da discussão, pois compreende-se que, apesar da categorização em temas, o conteúdo é um só e os temas dialogam entre si para a estrutura de um entendimento da percepção do estudante sobre os estágios.

Figura 2 . Esquema ilustrativo das percepções dos estudantes frente à vivência nos estágios curriculares supervisionados no SUS. Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil, 2013. 

Explorando o desconhecido: enfrentando novos sentimentos para se tornar um profissional da saúde

Vivenciar novas e inexploradas situações, ao longo da vida acadêmica, pode provocar, no estudante em formação, expectativas que geram sentimentos positivos e/ou negativos, ambos construtivos, para este sujeito social que segue enfrentando desafios na sua trajetória. No caso da educação na área da saúde, a própria reestruturação curricular dos cursos de odontologia, em uma visão ampliada da formação do cirurgião-dentista, é desafiadora e também gera expectativas em seus entusiastas, idealizadores e trabalhadores que colocam esse novo currículo em funcionamento dentro de uma instituição educacional, algumas vezes conservadora e arraigada em suas práticas tradicionais.

A literatura mostra que estudantes percebem positivamente essa mudança curricular com disciplinas mais integradoras e vivências no sistema de saúde, e essa lógica de ensino problematizador e integrado faz com que os estudantes se sintam mais satisfeitos com o aprendizado10 - 12. A percepção de satisfação, no presente estudo, foi construída ao longo de uma caminhada acadêmica em que o estudante, no conjunto de vários sentimentos, demonstra medo do incerto antes da participação nos referidos estágios (corpus 1). O incerto, reflexo do que ainda é desconhecido, é vivenciado pelos estudantes ao saírem do ambiente da clínica/ambulatório da Faculdade de Odontologia para estagiarem no SUS:

“Boas expectativas, mas estava com medo de não me integrar bem com a equipe... Certo medo de sair do ambiente da faculdade e conviver com novas pessoas e desconhecidas, em um local nunca antes explorado... No começo eu estava bastante inseguro para a realização dos estágios, tinha medo do desconhecido”. (corpus 1)

Apesar do preparo que a referida instituição educacional possibilita, a experiência só se torna concreta quando é vivida e articulada com outros saberes, como o trabalho em equipes multiprofissionais. Observa-se que os estudantes se sentem, muitas vezes, inseguros pela ideia de deixarem o local de ensino, no qual contam com a presença constante de professores sem o desafio de saber “me integrar bem com a equipe” dentro da lógica do processo de trabalho no SUS (corpus 1). Nos estágios curriculares, embora exista toda uma equipe de saúde envolvida, o estudante está em um momento individual e singular para aplicar todos os conhecimentos adquiridos ao longo da graduação. Esse é um momento de insegurança e medo, que podem ser enfrentados como parte do processo de formação.

O medo é um sentimento que, na percepção de estudantes de cursos da área da saúde, vem, muitas vezes, associado à ansiedade e expectativas frente ao desconhecido13. O enfrentamento do medo leva o estudante a pensar sobre suas fortalezas e fraquezas no seu processo de aprendizado, e esse fato faz com que os mesmos se posicionem enquanto sujeitos mais reflexivos e críticos em relação a sua formação10.

O enfrentamento de situações desconhecidas, que se associa a certa angústia, se transforma em satisfação ao longo do estágio (corpus 2). Ao se deparar com o desconhecido, o estudante verbaliza o fato de que, mesmo não tendo certeza se gostaria ou não da atuação na saúde coletiva, percebe que, no decorrer do estágio, sente-se satisfeito porque foi profissionalmente útil para a população trabalhando em equipes multiprofissionais no contexto da atenção primária.

“... angústia e um certo medo do desconhecido... preocupação em saber se eu gostaria... mas daí vem a satisfação por poder levar saúde para as pessoas... Fico muito satisfeita, trabalhei junto com enfermeira, médico, residentes... satisfação de trabalhar com as famílias... foi de grande importância para mim, me sinto mais próxima da vida profissional e bem preparada...”. (corpus 2)

O fato é que o estudante, ao participar dos estágios, passa a conhecer diferentes processos de trabalho e perceber outras oportunidades para direcionar suas escolhas profissionais. Acredita-se que os estágios no SUS são oportunidades que acrescentam experiência profissional e de vida ao estudante de odontologia.

A transformação dos sentimentos de medo e angústia em satisfação é perceptível no contato do estudante com a comunidade, visto que o estudante sente-se cidadão ao levar saúde bucal para os usuários do SUS. Para Garanhani e Valle13, o processo de transformação do “ser estudante” para o “ser profissional da saúde” é repleto de diversos sentimentos.

Percebe-se que, para o estudante de odontologia, aquilo que provoca o medo é a incerteza do que seria enfrentado no estágio no SUS. Vivenciando o cotidiano e os desafios do mundo do trabalho, o estudante enfrenta as incertezas da vida profissional antes mesmo de se tornar um cirurgião-dentista (corpus 3). Além desses aspectos, o estudante demonstra, também, a incerteza sobre o sentimento de viver um novo processo de trabalho, como o trabalho em unidades de saúde do SUS, simbolizado na figura do “posto de saúde”.

“Ouvi só comentários como seriam os estágios nos postos de saúde, mas nada muito aprofundado... precisei ter uma vivência para saber como eu me sentiria no ambiente de serviço público... Insegurança de sair da faculdade e não ter mais o professor do meu lado...”. (corpus 3)

A incerteza não existe só no estudante, mas, também, nos professores. É um desafio diário o trabalho nos estágios devido à dinamicidade dos acontecimentos e da atuação do estudante ao longo do seu caminhar. Pode-se dizer que o estudante sente-se angustiado pelo novo, pelo desconhecido, e os professores encontram incertezas pelo caminho dinâmico e instável do dia a dia da atuação dos estudantes nos campos de estágios14. O sentimento de incerteza, que gera certa angústia no estudante, frente à não-visualização da perspectiva do que vai acontecer ao longo dos estágios, se assemelha aos sentimentos angustiantes de estudantes de cursos de graduação em outra área da saúde apresentados na literatura15. É possível supor que ideias preestabelecidas sobre o SUS podem condicionar as angústias do estudante em formação.

Iniciando a caminhada profissional: o preparo para vivenciar a atenção à saúde bucal brasileira

Por meio do aprendizado adquirido nas vivências no espaço de ensino ofertado pela relação entre universidade e SUS, o início da caminhada profissional é visto, pelo estudante, como possibilidade de inserção no serviço público. Tal fato, na óptica do estudante, é perceptível na necessidade de aulas teóricas que os preparem para processos seletivos voltados para atuação no SUS. Para isso, ao longo do curso de odontologia, o estudante desenvolve habilidades teóricas e clínicas, preparando-se para os estágios (corpus 4). A formação do cirurgião-dentista para atuar na atenção primária à saúde perpassa a necessidade de preparo teórico, competências técnicas e construção de habilidades relacionais9.

O estágio enriquece a formação do estudante, contribuindo, também, para a construção de competências para atuar no modelo de atenção no SUS, bem como a construção de habilidades relacionais. Na atualidade, a atuação do profissional da odontologia fundamentado na realidade das demandas de saúde das populações é assunto emergente na saúde pública, assim como o acesso à informação para cuidados com a saúde, a mudança no mercado de trabalho e as condutas profissionais éticas. Tais assuntos emergentes, que preocupam a saúde coletiva, norteiam a formação de profissionais que exercem a função de liderança para atuarem no SUS8.

Desse processo é importante salientar que o início da caminhada profissional é visto, também, como o momento de transição entre a sala de aula e o trabalho profissional. Tal percepção mostra que o estudante, ao final de sua formação e acompanhado pela supervisão de professores e preceptores, suscita aulas teóricas produtivas para enriquecer seu arcabouço teórico com a compreensão do processo de trabalho no serviço público de saúde. Os preceptores são os cirurgiões-dentistas funcionários do serviço público de saúde que acompanham e supervisionam o estudante nos campos de estágio.

“O estágio cumpriu com a proposta, a experiência nos campos de estágio foi muito boa, apliquei o que aprendi na faculdade... Achei uma ótima oportunidade de crescer como profissional, relacionamento com as pessoas, na área prática... a teoria, acho que tem conteúdos teóricos que caem em concursos que faltavam abordar mais em aula...”. (corpus 4)

Dos resultados analisados, compreende-se que o estudante, formado na atual organização curricular, mostra-se crítico e reflexivo. Em suas falas, pode-se observar sua percepção sobre aulas teóricas produtivas e que levem o estudante a problematizar sobre questões políticas, pensar sobre tomadas de decisões frente às ações de saúde bucal na comunidade. Os estudantes que vivenciaram saberes da saúde coletiva irão abranger diversas áreas e conhecimentos, e se formarão mais completos e, sobretudo, mais preparados e seguros para o mercado de trabalho2 , 12.

O estudante percebe a aula teórica como instrumento importante para a construção de conhecimento sobre políticas públicas de saúde (corpus 4 e 5). Para Garanhani e Valle13, um curso de formação em saúde deve oportunizar espaços para o autoconhecimento do estudante bem como das relações interpessoais no processo de formação, buscando, desse modo, formação humanizada, com estímulo ao desenvolvimento pessoal e profissional. Nessa lógica de formação reflexiva, por meio de estágios curriculares no SUS, o estudante torna-se mais confiante, também, para a tomada de decisões frente à assistência clínica odontológica em nível coletivo10 , 16.

No curso de odontologia do presente estudo, após passarem pelo aprendizado das diversas áreas clínicas, os estudantes têm a oportunidade de aplicar tais conhecimentos e habilidades em outro processo de trabalho em saúde. Tal processo de trabalho – abrangendo ações de acolhimento, clínica ampliada, trabalho em equipe, visitas domiciliares, territorialização, planejamento e programação em saúde coletiva, dentre outras ações – é vivenciado no SUS. É preciso destacar que o SUS vive em constante evolução, bem como o currículo das faculdades de odontologia. Desse modo, professores bem preparados para essa nova realidade no processo ensino-aprendizagem são fundamentais. Tais aspectos são perceptíveis quando os estudantes relatam:

“... ficamos muito tempo debatendo e problematizando as questões... com isso poderemos ter uma atuação mais eficaz ajudando nas questões políticas do país... Vejo uma postura adequada dos professores em sala de aula, porém, alguns lugares do SUS ainda estão se organizando, o que acaba me prejudicando nas discussões e na prática... Obviamente tiveram coisas que não lembrava, mas após fazer uso na prática você não esquece mais... a parte prática na faculdade foi de grande valia para o meu aprendizado no estágio...”. (corpus 5)

Compreende-se que os estudantes percebem a importância destes professores bem preparados no processo do estágio, para que os mesmos norteiem questões problematizadoras para discussões reflexivas em sala de aula (corpus 4 e 5). É possível observar, também, que a relação entre professores, SUS e estágio está em uma caminhada conjunta, pois as três instâncias estão evoluindo permanentemente. As discussões coletivas em sala de aula levam o estudante a vivenciar uma condição singular, ocupando um novo lugar na construção de algo que vá além de discussões em sala de aula, ou seja, pensar nas políticas de saúde do país. Para Garanhani e Valle13, o estudante percebe a relevância da relação professor-estudante, pois o professor é portador de um horizonte de experiências, sendo que sua presença e acolhimento nessa relação são valorizados e percebidos pelos estudantes como uma instância fundamental para sua formação.

Para Lazarin et al.17, é importante salientar como é valiosa a participação de um professor bem preparado nessa formação de ideais e da postura que será construída pelo estudante ao longo da sua graduação. Para isso, é primordial que se tenha um corpo docente qualificado e atualizado permanentemente, de forma não fragmentada, mas completa e integrada com outras áreas. Desse modo, o processo de trabalho no SUS e as mudanças curriculares dos cursos de odontologia objetivam a formação de profissionais mais humanísticos, críticos e generalistas, de forma que compreendam a real situação social, econômica e cultural, visando o benefício da sociedade18 , 19.

Vivenciando as realidades no sistema público de saúde: a importância do SUS na formação do estudante

Na presente pesquisa, o SUS configura-se como meio de aprendizado para a formação de profissionais da saúde e, assim, mostra-se fundamental para a formação de cirurgiões-dentistas com boas habilidades técnicas e clínicas, com autonomia para o enfrentamento das dificuldades da profissão. O significado da vivência no SUS (corpus 6) é reflexo da importância e do reconhecimento dados pelo estudante à parceria entre ensino e serviço, que não era prioritária antes da reestruturação curricular.

“Experiência gratificante de sentir como é verdadeiramente a atuação em odontologia no serviço público... é importante para conhecer a realidade prática do SUS. Reconhecer que o SUS também oferece oportunidade para o desenvolvimento da nossa autonomia no atendimento ao paciente... Me deu segurança, boas e novas amizades, aprendizado de como trabalhar em equipe multiprofissional, quebrar alguns preconceitos em relação ao SUS”. (corpus 6)

A percepção dos estudantes mostra a importância em conhecer a realidade do sistema público e a relevância da oportunidade. Existe o reconhecimento do estudante de que, sem a participação do SUS na sua formação, o mesmo não teria construído uma compreensão sólida do funcionamento e dos conceitos do sistema público de saúde para a possibilidade de futura atuação no SUS (corpus 6). É nesse reconhecimento que o estudante de odontologia, nos estágios supervisionados, entra em contato com o processo de trabalho centrado no usuário do SUS e executado por equipes de saúde, e não apenas isolado em seu consultório privado7. Os estágios no SUS, do curso de odontologia estudado, constroem percepções de interesse dos estudantes para uma atuação na saúde coletiva. De certo modo, o despertar desse interesse reflete a futura atuação de cirurgiões-dentistas bem preparados para o trabalho no serviço público de saúde.

Acredita-se que a interação entre professores e estudantes dentro da sala de aula, construindo o aprendizado por meio de aulas teóricas, juntamente com a preceptoria na rede de serviços do SUS, vão despertando o interesse pela saúde coletiva:

“Acredito que os conteúdos tratados foram importantes para avaliarmos nosso interesse em saúde coletiva. Os professores foram muito empenhados em garantir o interesse e o aprendizado de todos... A atenção de cada professor foi indispensável para o nosso crescimento durante o estágio e para nos direcionar. Através de seus conhecimentos e de sua experiência, nos revelaram a saúde coletiva”. (corpus 7)

A percepção de que o professor, durante o desenvolvimento dos estágios, faz parte do processo de transformação de estudantes em futuros cirurgiões-dentistas reflexivos e humanísticos fica elucidado no corpus 7. O professor, na condição de elo entre teoria, realidade e prática do processo ensino-aprendizagem, corporifica-se como instrumento para a formação de um profissional preocupado com o cuidado em saúde bucal em nível coletivo. A capacitação do corpo docente, desse modo, é parte fundamental dos processos de mudança.

As faculdades têm papel fundamental na formação dos seus estudantes, objetivando graduar profissionais que tenham consciência de que seu “vínculo empregatício” firma-se com a sociedade, sendo levado em consideração não apenas a percepção tecnicista da profissão, mas quão importante é o relacionamento criado entre o dentista e o usuário visando um atendimento mais humano, integral e de maior qualidade20. A relação dos estudantes com os cirurgiões-dentistas preceptores, nos campos de estágio do SUS, desperta, nos estudantes, o interesse pelo serviço público de saúde, e, de certo modo, a vivência no estágio foi capaz de mudar paradigmas (corpus 6 e 7). O estudante deixa clara a existência de conceitos negativos que foram superados ao longo da vivência no serviço. Desse modo, os estagiários adquirem experiências e constroem seus interesses para uma possibilidade futura de trabalho no SUS. Nesse processo, todas as etapas do currículo são indispensáveis para que se atinja o sucesso necessário, especialmente em relação à atuação no sistema de saúde em que o curso está inserido.

O interesse pela saúde coletiva vem ao encontro de outros campos de atuação que norteiam o mercado de trabalho nacional. Para Noro e Torquato21, atualmente, diversas mudanças vêm acontecendo no mercado de trabalho, devido a uma crescente migração e vinculação dos profissionais da odontologia ao SUS. Isso se deve ao fato de que o governo federal está investindo, cada vez mais, no setor público de saúde, aperfeiçoando a Estratégia Saúde da Família, fazendo com que os dentistas direcionem sua visão e qualificação, também, para esse modelo de atenção à saúde. Tendo essas considerações em vista, é necessário, também, que ocorram mudanças no interior das faculdades de odontologia, como ocorreu na faculdade do presente estudo, com o objetivo de formar profissionais com perfil para atuarem, também, nesse novo modelo de atenção à saúde. A necessidade do preparo do estudante para o trabalho no SUS faz com que, lentamente, as faculdades de odontologia se preocupem com o ensino da saúde coletiva, incluindo tal área nas suas estruturas curriculares19.

As necessidades de saber lidar com diferentes profissionais, adquirir segurança no seu próprio trabalho, frente ao suporte prestado pelo preceptor em diversas relações interpessoais, bem como a dinâmica das relações dos profissionais que compõem uma determinada equipe de saúde, são compreendidas pelas falas a seguir (corpus 8):

“... me deu mais segurança nos atendimentos e agilidade... pensar nos nossos erros... mais segurança para atender os pacientes no mercado de trabalho, aprendi a trabalhar em equipe, adorei o contato com os preceptores, através dos quais aprendi bastante não só conhecimentos técnicos, mas como lidar com as situações difíceis da profissão... autoconfiança, agilidade, boa relação com pacientes, aprendi a lidar com dificuldades... e com uma equipe”. (corpus 8)

O reconhecimento da importância de uma vivência com trabalhadores do SUS, aprendendo a lógica do trabalho em equipe multiprofissional, faz com que o estudante vivencie um processo de trabalho que reverbere em espaços para discussões e desenvolvimento de boas relações no cuidado aos usuários. Estudantes de odontologia percebem que é necessário um profissional que saiba trabalhar em equipe com uma ampla visão do conceito de cuidado22. O estudante percebe que ele adquire não somente mais experiências técnicas mas, também, uma experiência para lidar com o contexto social da saúde das populações, e que o torna mais preparado para a vida (corpus 8). Para Sanchez et al.23, o trabalho com a perspectiva social da construção da saúde bucal posiciona o cirurgião-dentista em um contexto onde o mesmo deve enfrentar o trabalho em equipe multidisciplinar, com o envolvimento de outros profissionais abarcando aspectos políticos, econômicos e culturais, os quais deverão ser vistos como desafios futuros para a saúde coletiva.

Os cursos de odontologia no Brasil precisam avançar na construção de alianças, aproximações e estratégias de ensino entre universidades e SUS, pois tais parcerias refletem na formação de profissionais da saúde que, de certo modo, irão aperfeiçoar o próprio sistema de saúde16 , 19 , 24. Tal aproximação torna-se um efetivo instrumento do processo ensino-aprendizagem25.

Ao final da caminhada acadêmica, o estudante mostra-se entusiasmado com o que vivenciou no estágio no SUS, como destacado a seguir:

“A prática em si foi absolutamente demais! Uma experiência e tanto... Achei bastante válida esta experiência de estágio... Foi uma experiência rica, que abrange muito mais do que a clínica ou a prestação de serviço odontológico...”. (corpus 9)

O estudante projeta a importância do estágio e, até mesmo, a transformação das suas percepções, pois, como no corpus 9, e, também, em outros trechos, fica claro que o sentimento de medo e ansiedade vão se transformando, ao longo do estágio, em sentimentos positivos de reconhecimento, entusiasmo, alegria e novas conquistas.

O processo vivenciado pelo curso de odontologia em análise contemplou uma série de avanços em relação à inserção do estudante no SUS. A transformação curricular em uma escola centenária é possível por meio de uma construção coletiva que consiga colocar perspectivas importantes em relação à necessidade de que o profissional contemporâneo seja formado, também, dentro do sistema de saúde vigente no país. Essa formação, conforme as percepções observadas no presente estudo, gera angústias iniciais, mas é positiva e gera avaliações extremamente encorajadoras ao final do processo.

Considerações finais

As percepções dos estudantes em relação à experiência com os estágios no SUS estão relacionadas com sentimentos angustiantes e o reconhecimento do valor do serviço público na sua formação. Os estudantes de odontologia apresentam percepções, em relação aos estágios supervisionados no SUS, que envolvem aspectos como a importância do professor preparado, engajado e comprometido com a proposta do estágio, pois o elo entre teoria e prática inicia-se na sala de aula e no ambulatório com o professor, e vai se construindo no dia a dia de sua formação acadêmica e, também, ao longo dos estágios. Existe a percepção de que o SUS é o construto que oferta um espaço rico de aprendizado permanente na formação do estudante de odontologia, bem como possibilita a construção de oportunidades para seu futuro profissional.

Para finalizar, considera-se que os sentimentos angustiantes do início do estágio são percebidos como parte do processo de enriquecimento da formação de cirurgiões-dentistas. Tais sentimentos transformam-se ao longo do estágio, dando espaço ao reconhecimento, entusiasmo e valorização do SUS na sua formação.

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Recebido: 01 de Julho de 2013; Aceito: 27 de Novembro de 2013

Colaboradores

Os autores participaram, igualmente, de todas as etapas de elaboração do artigo.

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