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Avaliação: Revista da Avaliação da Educação Superior (Campinas)

versão impressa ISSN 1414-4077

Avaliação (Campinas) vol.16 no.3 Sorocaba nov. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1414-40772011000300010 

Exercício de avaliação da prática profissional como estratégia de ensino e aprendizagem

 

Evaluate the professional practice assessment exercise as a teaching and learning strategy

 

 

Maria Cristina Guimarães da CostaI; Cleber José MazzoniII; Luzmarina Aparecida Doretto BraccialliIII; Magali Aparecida Alves de MoraesIV

IEnfermeira. Mestre Docente da Faculdade de Medicina de Marília (Famema), Marília, SP, Brasil. E-mail: mcgcosta@superig.com.br
IIMédico. Mestre Docente da Famema, Marília, SP, Brasil. E-mail: cjm@unimedmarilia.com.br
IIIEnfermeira. Doutora Docente da Famema, Marília, SP, Brasil. E-mail: luzbra@terra.com.br
IVPsicóloga. Doutora Docente da Famema. Marília, SP, Brasil. E-mail: dmagalimoraes@hotmail.com

 

 


RESUMO

Este artigo enfoca a avaliação da prática profissional em uma Faculdade Pública nos Cursos de Medicina e Enfermagem. Tem como objetivo avaliar o Exercício de Avaliação da Prática Profissional (EAPP), como estratégia de ensino e aprendizagem. Trata-se de um estudo qualitativo, análise de conteúdo, modalidade temática, envolvendo professores e estudantes das 2ªs séries desses cursos. Noventa e oito por cento dos estudantes e 76% dos professores consideraram as atividades de ensino e aprendizagem satisfatórias. As temáticas abordadas foram o exercício de avaliação da prática profissional, facilitando a aprendizagem significativa e o desenvolvimento da competência profissional, e a importância do trabalho em grupo no desenvolvimento da aprendizagem por cooperação. O EAPP mostrou-se potente instrumento de ensino e aprendizagem para formação de profissionais de saúde, porém o investimento permanente na capacitação docente se faz necessário.

Palarvas-chave: Avaliação. Educação. Ensino superior. Aprendizagem.


ABSTRACT

This article focuses on the professional practice assessment in a Public Medical and Nursing School. The aim of the study is to evaluate the Professional Practice Assessment Exercise (EAPP) as a teaching and learning strategy. This is a qualitative study, using content analysis by thematic modality, involving the faculty and 2nd year students of these programs. Ninety-eight percent of students and 76% of faculty considered as satisfactory the teaching and learning activities developed. Two themes were addressed: the Professional Practice Assessment Exercise (EAPP) by facilitating meaningful learning and professional competence development, and the importance of teamwork in the cooperative learning development. The EAPP was a powerful teaching tool for learning and training of health professional students, however the constant investments in faculty development are necessary.

Key words: Assessment. Education. Teaching and learning. Higher Education. Course Evaluation.


 

 

INTRODUÇÃO

Em consonância com os movimentos para melhoria do ensino superior e redefinição do perfil e papel dos profissionais de saúde, no final da década de noventa, a Faculdade de Medicina de Marília (Famema), introduziu mudanças curriculares nos Cursos de Medicina e Enfermagem. Essas mudanças envolveram o uso da Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) e da Pedagogia da Problematização, respectiva e consequentemente, mudanças na forma de avaliação. Em relação à avaliação da prática profissional, o Curso de Medicina adotou o mini OSCE (objective structured clinical examination) que permitia avaliar o desempenho do estudante em várias estações, como uma estação de história clínica, uma de comunicação e quatro estações para exame físico, com a duração de 15 a 30 minutos e a utilização de pacientes simulados. Essa modalidade representava um avanço por avaliar, além dos recursos cognitivos, também os afetivos e psicomotores, sem prejuízo do paciente real. Entretanto, esse tipo de exame ainda se mostrava limitado, pois constituía a avaliação fragmentada e pontual de uma situação.

Em 2003, motivados pelo Programa de Incentivo às Mudanças Curriculares nos cursos de Medicina (PROMED) e em sintonia com as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), houve uma nova reestruturação curricular, adotando-se um currículo integrado e orientado por competência profissional, entendendo currículo integrado aquele que se caracteriza pela articulação do ensino com a prática profissional e considera também a educação a partir do mundo do trabalho. Sendo assim, busca-se realizar reflexões sobre a prática profissional com o objetivo de articular a formação ao trabalho, construindo significados ao fazer do profissional de saúde (BRACCIALLI et al, 2008).

A competência, nessa proposta, é entendida como a capacidade de mobilizar articuladamente diferentes atributos (cognitivos, afetivos e psicomotores) que, combinados, permitem abordar/resolver, de distintas maneiras, novas situações referentes à prática profissional (FAMEMA, 2006). Como diferentes combinações podem compor padrões de excelência, isso permite que as pessoas desenvolvam um estilo próprio, adequado e eficaz para enfrentar situações familiarizadas ou não. Essa abordagem precisa ser desenvolvida de forma articulada com o mundo em que as práticas são realizadas, visto que a aprendizagem é orientada para a ação e a avaliação da competência, baseada em resultados observáveis, ou seja, os desempenhos que se compõem de atributos a serem desenvolvidos ao longo do curso.

Esse novo currículo exigiu, então, uma concepção de avaliação coerente com seus princípios e que favorecesse a reflexão sobre o processo de ensino e aprendizagem no qual todos os envolvidos estivessem comprometidos com a construção do conhecimento e com a formação profissional.

A forma de avaliação proposta foi o Exercício de Avaliação da Prática Profissional (EAPP), estratégia que se constitui em situações simuladas, relacionadas ao cuidado individual, situações do cuidado coletivo e organização do processo de trabalho em saúde, nas quais o estudante realiza as ações e é avaliado de acordo com o desempenho esperado para a série. No cuidado individual, a atividade se assemelha à do Exame Clínico Prático (Clinical Practice Examination - CPX), na qual os estudantes interagem com pacientes simulados em um ambiente menos estruturado que o OSCE, podendo ser representado um atendimento no domicílio, em ambulatório, ou em hospital (HOWLEY, 2004).

O EAPP, na Famema, é utilizado tanto ao longo do ano no processo de ensino e aprendizagem, quanto nas avaliações dos estudantes ao final das séries, uma vez que favorece a internalização de conhecimentos bem como o reconhecimento dos limites e busca de novas informações.

Nessa modalidade de avaliação, pessoas são treinadas para retratar, cuidadosamente, características históricas e emocionais, assim como os achados físicos de um caso real, isto é, em contexto hospitalar, ambulatorial ou residencial (MAZZONI; MORAES, 2006).

Tal recurso educacional facilita a apresentação de situações e casos com os quais todos os estudantes podem e devem entrar em contato. Além disso, os docentes podem escolher situações consideradas importantes à formação do profissional de saúde e que nem sempre os estudantes podem ou têm a oportunidade de vivenciar (MAZZONI; MORAES, 2006). Esse exercício, realizado com atores em um ambiente protegido, é a forma mais aproximada da realidade vivida no cenário real e possibilita, por meio da avaliação do desempenho, inferir a competência profissional do educando.

Ao longo do ano, o EAPP faz parte de uma das unidades educacionais, a Unidade de Prática Profissional (UPP), sendo desenvolvido em atividade semanal no Laboratório de Prática Profissional (LPP). A UPP é uma unidade educacional na qual os estudantes de medicina e enfermagem se organizam em pequenos grupos, desenvolvendo atividades da prática profissional em cenários reais, tais como serviços de saúde, na própria comunidade e também em cenários simulados no LPP (FAMEMA, 2008).

O LPP acontece nas quatro séries do Curso de Enfermagem e nas três primeiras do de Medicina. Para viabilizar o processo de ensino e aprendizagem e o momento avaliativo nos ciclos de aprendizagem, grupos de professores das Unidades de Prática Profissional elaboram as situações a serem encenadas e as escalas de desempenhos (critérios de referência) para os dois cursos e suas respectivas séries, em graus crescentes de complexidade, baseados nos cadernos educacionais de cada série. Essas escalas contemplam os recursos cognitivos, afetivos e psicomotores a serem desenvolvidos pelos estudantes no momento do exercício da prática profissional por meio das quais são avaliados.

Em um primeiro momento no LPP, o estudante realiza uma consulta com paciente simulado, o grupo (professores, estudantes e atores) identifica fortalezas e fragilidades que são registradas em um instrumento estruturado e elabora questões de aprendizagem. O estudante tem uma semana para realização da busca de informações em fontes confiáveis. No segundo momento, denominado apoio, o grupo de estudantes apresenta o registro da consulta, discute os conceitos apreendidos após a busca, exercita o exame clínico entre os pares e utiliza os recursos do laboratório morfofuncional no cuidado individual.

Considerando seis anos de implantação do EAPP no processo de ensino e aprendizagem, sentiu-se a necessidade de uma análise dessa proposta para avaliar se ela contribui para a aprendizagem significativa dos estudantes e desenvolvimento da sua competência profissional. Este estudo poderá ainda contribuir com a reestruturação de programas, capacitação docente e a formação profissional.

 

OBJETIVO

Avaliar o exercício de avaliação da prática profissional, no LPP, como estratégia de ensino e aprendizagem na formação de médicos e enfermeiros.

 

MÉTODO

Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, utilizando-se o método de análise de conteúdo, modalidade temática (GOMES, 2007).

Para a coleta de dados foram utilizados documentos institucionais, como os formatos de avaliação da unidade educacional (formato 5 - F5), preenchidos anonimamente por 21 professores e 110 estudantes da UPP das 2as séries dos Cursos de Medicina e Enfermagem da Famema no ano de 2008. Essa série foi escolhida para estudo em virtude de ser composta por estudantes dos dois cursos, possibilitando a percepção do trabalho em grupo dos estudantes. Esses formatos (F5) são trabalhados pelo Grupo de Avaliação Institucional e, para realização desta pesquisa, a coordenação tomou ciência da proposta e nos concedeu a autorização para utilizá-los. Foram seguidas as normas do Comitê de Ética em Pesquisa com seres humanos da Faculdade de Medicina de Marília, protocolo nº 127/10, do dia 26/04/2010.

No presente estudo, focalizou-se, no F5, o campo referente à avaliação do processo de ensino e aprendizagem em cenários simulados da prática profissional, o LPP.

A análise do material deu-se após a leitura exaustiva dos formatos, identificação dos temas e interpretação desses. Os exemplos das falas foram identificados pela letra P para os professores e pela letra E para os estudantes. Nessa análise elencaram-se duas temáticas: a) O exercício de avaliação da prática profissional facilitando a aprendizagem significativa e o desenvolvimento da competência profissional e b) A importância do trabalho em grupo no desenvolvimento da aprendizagem por cooperação.

 

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Na avaliação sobre o processo de ensino e aprendizagem no LPP, dos 21 professores que participaram do Programa, 16 atribuíram o conceito satisfatório e cinco não responderam. Dos 110 estudantes, 108 (98,18%) consideraram as atividades do LPP satisfatórias e dois (1,82%) como insatisfatório.

Mesmo que a maioria de professores e estudantes tenham considerado o LPP como uma estratégia de ensino e aprendizagem adequada, as temáticas a seguir qualificam as opiniões e possibilitam o aprimoramento da estratégia.

 

O EXERCÍCIO DE AVALIAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL FACILITANDO A APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA E O DESENVOLVIMENTO DA COMPETÊNCIA PROFISSIONAL

Nas falas dos professores e estudantes pode-se perceber que eles consideram que o processo de ensino e aprendizagem nos cenários simulados da prática profissional favorece a integração das unidades educacionais, facilita a aprendizagem significativa e o desenvolvimento da competência profissional.

[LPP] articulou-se com a UPP através de discussões relacionadas com a prática. As situações simuladas são elaboradas de acordo com a realidade que os alunos vivenciam na UPP (P3). Os princípios éticos são respeitados e o processo ensino e aprendizagem são fortalecidos na aprendizagem significativa (P1).

[...] os casos trabalhados no LPP são bem presentes no nosso dia a dia na USF (E29322). [...] e também auxiliam durante o exercício da avaliação para que se possa melhorar cada vez mais (E29339).

Alguns estudantes apontam limites tanto na integração das unidades educacionais e o LPP quanto na integração dos momentos do exercício de avaliação e do apoio.

O LPP treina nosso desenvolvimento de anamnese muito bem, porém, é pouco praticado na UPP (E29459). [...] o LPP contribui com as questões levantadas [de aprendizagem] na tutoria e não na UPP (E29659). [...] é necessário uma melhor interação entre o Apoio e a Avaliação no LPP, fato que dificultou significamente o aprendizado (E29310).

Esses limites podem se referir à forma como alguns professores atuam, pois ainda não conseguem facilitar a aprendizagem significativa dos estudantes, aproveitando os contextos, os conhecimentos prévios e a interação entre as unidades educacionais.

Outros professores e estudantes consideram que o cenário simulado apresenta limites também no que se refere ao desenvolvimento dos recursos afetivos, porque se trabalha com pessoas sem doença.

O paciente simulado, como é na avaliação, prejudica um pouco a parte afetiva do estudante, pois os problemas são simulados, porém, o restante é adequado (P5). O que dificulta são os pacientes virtuais [simulado], se fossem pessoas expondo realmente os seus problemas, os estudantes ganhariam muito mais (E29745).

Entretanto, potencialidades para o desenvolvimento dos recursos afetivos foram apontadas por estudantes.

[...] permite-nos treinar em pacientes simulados aquilo que faremos de verdade com nossos pacientes reais, deixando-nos assim mais tranquilos em nossas visitas domiciliárias (E29321).

[...] nos deixa mais seguros no contato com as famílias, o que nos ajuda muito no vínculo e no levantamento de necessidades de saúde (E29107).

A utilização de paciente simulado(PS) enfrenta resistências conceituais de profissionais que consideram negativa a substituição dos pacientes reais. Atualmente, a literatura considera que esse recurso auxilia o aprendizado e desenvolvimento da competência profissional, especialmente dos aspectos afetivos e atitudinais dos estudantes, quando facilita o aprimoramento das habilidades de comunicação com as pessoas, realização da história clínica e raciocínio clínico. Em relação ao exame físico, apesar de muitos profissionais acreditarem que a ausência de sinais clínicos nos pacientes simulados seja prejudicial ao aprendizado, o exame favorece o desenvolvimento dos recursos psicomotores, quando permite a realização da semiotécnica de forma estruturada e repetida quantas vezes forem necessárias (TRONCON, 2007; AMAYA-AFANADOR, 2008; BATTLES, WILKINSON, LEE, 2004).

Considerando a literatura, as falas dos professores e dos estudantes e a experiência institucional, essa estratégia mostrou-se potente para se atingir a competência profissional esperada, apesar de o exercício de avaliação da prática profissional, apenas no LPP, não é suficiente. A vivência do estudante nos cenários reais da prática profissional é, com certeza, indispensável.

 

A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO EM GRUPO NO DESENVOLVIMENTO DA APRENDIZAGEM POR COOPERAÇÃO

A estratégia de realizar atividades em pequenos grupos no LPP facilita a construção do desempenho, na percepção dos professores e estudantes, cada um cumprindo o seu papel ativo no processo de ensino e aprendizagem, considerando que por meio

[...] de vários olhares [do grupo] vai se construindo a avaliação do estudante e com isto cada um dos integrantes do grupo tem a oportunidade de melhorar as suas deficiências e além do mais... o modo de fazer e receber crítica construtiva, num ambiente acolhedor e respeitoso (P11).

Ainda, reforçando a aprendizagem por cooperação, o professor (P17) refere:

[...] que o método no LPP é um facilitador para o desenvolvimento do estudante no seu desempenho, propiciando a iniciativa, a participação em grupo, a busca ativa, a observação, a avaliação do grupo e a auto-avaliação".

O estudante avalia que o trabalho em grupo propicia "[...] melhor desenvolvimento pessoal e da própria discussão (E 29241)", considerando-o mais rico.

Na literatura, uma meta-análise realizada por Qin et al. (apud ALBANESE, 2000) avaliando os efeitos da aprendizagem cooperativa versus a aprendizagem competitiva para a resolução de problemas, reforça essas percepções. Concluiu-se que a cooperação entre estudantes traz resultados superiores (72,5%) na resolução de problemas, comparando-se com os da competição entre eles. Os autores também perceberam que os esforços dos estudantes nas condições cooperativas levaram à maior troca de ideias pela riqueza das fontes bibliográficas e correção mútua dos erros do que nas condições de trabalhos individuais e competitivos (ALBANESE, 2000).

Entretanto, posturas passivas de professores e estudantes ainda se fazem presentes em metodologias ativas de ensino e aprendizagem, como mencionado abaixo:

No momento avaliação os colegas que observam o exercício ainda adotam uma postura passiva e aproveitam pouco o momento. Reconheço ser uma tarefa dos facilitadores estimular esta participação (P18). Não há uma organização do que se deve estudar, pois o LPPista [professor] passa muito as informações sem cobrar estudo prévio efetivo do grupo (E29799).

Em um contexto de mudança curricular e de metodologia, pode-se inferir que várias contradições estão presentes, como posturas de adesão e oposição ao método.

Para alguns professores o fato de o estudante estar sendo observado pelo grupo gera bloqueio neles, pois "[...] impede maior espontaneidade (P20)." Nessa situação, para esses professores, o trabalho em pequenos grupos pode não facilitar a aprendizagem, talvez por não reconhecerem a potencialidade da cooperação.

Outros consideram a observação direta do estudante e o feedback imediato como "[...] a oportunidade de observar e corrigir as dificuldades do aluno (P14)", "[...] identificando lacunas, elogiando pontos que foram bem realizados, sempre incentivando a melhora (E 29037)", reforçando a cooperação do grupo como uma estratégia potencial para a aprendizagem.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A utilização do EAPP, como estratégia de ensino e aprendizagem, mostrou-se potente, neste estudo, para a formação de profissionais de saúde. Entretanto, pode-se observar, também, pelas avaliações dos professores e estudantes, que contradições ainda estão presentes tanto na compreensão dos conceitos das temáticas - currículo integrado, aprendizagem significativa, aprendizagem por cooperação - quanto na operacionalização da estratégia de ensino e aprendizagem. Em vista disso, sugerem-se mais discussões, em busca de maior homogeneização entre os professores quanto à execução dos momentos de avaliação e de apoio no LPP, na aplicação da metodologia ativa proposta, na verificação da qualidade das buscas bibliográficas, no estímulo para maior cooperação entre os pares no treinamento do exame físico e no feedback imediato do professor após a observação direta do desempenho do estudante.

Durante estes anos de experiência com essa estratégia, na Famema, pode-se perceber que grande parte dos professores compreenderam essa proposta e a executam com qualidade. Entretanto percebeu-se também a necessidade contínua de capacitação docente, focada nas fragilidades apontadas, o que poderia ser trabalhado com a integração entre aqueles docentes que já compreenderam melhor o método e os que ainda apresentam dificuldades.

 

REFERÊNCIAS

ALBANESE, M. Problem-based learning: why curricula are likely to show little effect on knowledge and clinical skills. Med. Educ., Oxford, v. 34, n. 9, p. 729-738, Sept. 2000.         [ Links ]

AMAYA AFANADOR, A. Simulación clinica: ¿ pretende la educación médica basada en la simulación remplazar la formación tradicional en medicina y otras ciencias de la salud en cuanto a la experiencia actual con los pacientes? Univ. méd., Bogotá, v. 49, n. 3, p. 399-405, jul. sept. 2008. Disponível em: <http://med.javeriana.edu.co/publi/universitas/serial/v49n3/7.%20Simulaci%F3n.pdf>. Acesso em: 15 jun. 2010.         [ Links ]

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BRACCIALLI, L. A. D.; RAPHAEL, H. S.; CHIRELLI, M. Q.; OLIVEIRA, M. A. C. Avaliação do estudante: no exercício de avaliação da prática profissional. Avaliação, Campinas; Sorocaba, v. 13, n. 1, p. 101-118, mar. 2008.         [ Links ]

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Recebido: 07 dez. 2010
Aprovado: 17 jan. 2011

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