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Avaliação: Revista da Avaliação da Educação Superior (Campinas)

Print version ISSN 1414-4077On-line version ISSN 1982-5765

Avaliação (Campinas) vol.21 no.1 Sorocaba Mar. 2016

https://doi.org/10.1590/S1414-40772016000100001 

Editorial

Editorial

Editorial

José DIAS Sobrinho


“AVALIAÇÃO. Revista da Avaliação da Educação Superior” está completando 20 anos de publicação ininterrupta, tendo sempre como objetivo principal promover a produção, a difusão, os intercâmbios e os debates nas áreas temáticas mais amplas da educação superior, com prioridade à avaliação e aos estudos a respeito de ciência e tecnologia. Setenta e uma edições foram produzidas até este momento, reunindo cerca de oitocentos artigos, de acordo com os princípios acadêmico-científicos recomendados, com absoluta pontualidade e rigor nos cuidados técnico-formais.

Seguindo uma consolidada tradição desta revista, estamos apresentando nesta edição algumas discussões que se tornaram centrais em boa parte do mundo. Abrindo os debates, trazemos um panorama de grande interesse não somente aos brasileiros mas também aos demais universitários latinoamericanos em geral. Trata-se de um estudo de “Educação Superior Comparada: Tendências Mundiais e de América Latina e Caribe”, elaborado por uma das mais reconhecidas autoridades acadêmicas dessa área: Francisco López Segrera. O autor, que atualmente se desempenha como professor da Universidade Politécnica da Catalunha, tem tido uma profícua relação de trabalho com a Unesco. Foi particularmente fértil para os seus estudos de educação comparada o período em que esteve como diretor do Cresalc (atual Iesalc), organismo da Unesco situado em Caracas. Seu artigo tem como base as propostas das Conferências Mundiais de Educação Superior da Unesco de 1998 e 2009 para reafirmar o conceito de educação como bem público num cenário de grandes mudanças, tais como a flexibilização quantitativa, a crescente privatização, a diversificação institucional, a internacionalização e as restrições orçamentárias. O texto seguinte também aborda uma questão de enorme centralidade nos debates universitários e motiva intensos debates entre educadores, pesquisadores e formuladores de políticas de ciência, tecnologia e inovação em geral. Seu autor é Axel Didriksson, notável intelectual mexicano com forte presença nos círculos acadêmicos de América Latina e Caribe. O texto ora apresentado, “Economia Política do conhecimento: contrapontos”, traz à tona e atualiza distintas visões a respeito da questão da produção de conhecimentos e de sua significação para a formação humana e para sociedade em geral. As transformações que se operam no contexto econômico-social alteram também a perspectiva de capital humano e a forma como este se produz nas instituições de educação. Neste trabalho, Didriksson aborda alguns pontos de ordem econômica e social que estão determinando a forma de construir o conhecimento. A seguir, apresentamos um texto recomendado pelo sistema JEMS de avaliação do comitê científico do Avalies-UFRGS, a quem agradecemos a excelente colaboração com esta revista. Ana Mami Yamaguchi e Shuichi Tsukahara, no artigo intitulado “Sistema de Asseguramento da Qualidade e Avaliação na Educação Superior do Japão”, discutem a questão da accountability na avaliação da educação superior, tendo como foco o sistema japonês de educação superior. Após preciosa exposição histórica do sistema de asseguramento da qualidade e avaliação naquele país, tratam das mudanças ocorridas a partir de 1990, devido ao advento das políticas de liberalização e desregulação, enfatizando os novos papéis do estado voltados à medição dos resultados de aprendizagem e aumento da responsabilização institucional. Ao final, sugerem que o Japão poderia aprender algo com o sistema de avaliação da educação superior brasileiro. Agradecemos também o Avalies–URGS pelo encaminhamento do texto “Meta-Avaliação: Uma Década do Processo de Avaliação Institucional do SINAES”, de autoria de Rodrigo S. Pinto, Simone T. de Mello e Pedro Melo. O texto faz um balanço crítico do processo de avaliação institucional de 66 instituições de educação superior desenvolvido nos 10 anos do SINAES (2004 a 2014). Dostoiewski Mariatt de Oliveira Champangnatte compara percepções e ações curriculares de professores universitários no texto: “Currículo universitário: do México ao Brasil neoliberais”. Podem ser destacadas de suas conclusões – concernentes aos dois países, mas que, em maior ou menor grau, podem ser válidas a um universo muito mais amplo – as seguintes considerações: “Aspectos da realidade social, política e econômica são desatrelados do pensamento e prática curriculares, onde o maior objetivo se tornou a adequação ao mercado de trabalho”. Acrescenta que, direta e indiretamente, são observáveis “influências do pensamento e práticas neoliberais no posicionamento desses professores tanto quanto ao currículo como com a própria funcionalidade do ensino superior, refletindo e reproduzindo, em seus discursos e práticas, as políticas governamentais neoliberais vigentes”. Maria Fernanda Diogo, Luana dos Santos Raymund, Fernanda Ax Wilhelm, Sílvia Patricia Cavalheiro de Andrade, Flora Moura Lorenzo, Flávia Trento Rost e Marúcia Patta Bardagi investigaram as concepções de coordenadores de 10 cursos de uma universidade pública sobre evasão, reprovações e estratégias preventivas. As entrevistas lhes permitiram afirmar que, de modo geral, os determinantes da evasão e reprovação citados foram, prioritariamente, externos ao curso e que as iniciativas praticadas possuíam reduzida efetividade pois estavam desarticuladas dos planos estratégicos da universidade. Eniel do Espírito Santo, Lucas Travassos e Sabrina Oliveira Caribé analisaram o nível de implantação de processo de autoavaliação em 14 faculdades privadas de Salvador, de acordo com a visão dos coordenadores das respectivas CPAs. Concluem que menos da metade das faculdades analisadas possui o processo de autoavaliação implantado de forma suficiente, ou seja, atendendo aos requisitos mínimos exigidos pelo INEP. “A agroecologia nos cursos de engenharia agronômica: para além de desafios e dilemas curriculares” é o tema trabalhado por Luciana Buainain Jacob, Antonio Ribeiro de Almeida Junior, Maria Antonia Ramos de Azevedo e Gerd Sparovek. Afirmam os autores que, de forma geral, os cursos estão pautados numa racionalidade que acaba por legitimar a manutenção de um modelo de desenvolvimento rural social e ambientalmente insustentável. Constatam ainda que, apesar de haver uma consciência sobre as questões socioambientais de nosso tempo contida nos projetos político-pedagógicos e nos discursos institucionais, ela não só não está expressa nos currículos dos cursos, como aponta para a continuidade da racionalidade econômica. Defendem que haja mudanças paradigmáticas na organização dos cursos. Para eles, tais mudanças precisam manifestar-se no projeto político-pedagógico, na perspectiva institucional e, de forma correlata, nas práticas pedagógicas, no exercício da docência, da pesquisa e da extensão. “Avaliando o portfólio do estudante: uma contribuição para o processo de ensino-aprendizagem” é o título do trabalho desenvolvido por Andressa Soares de Camargo das Neves, José Manoel Amadio Guerreiro e Gisele Regina de Azevedo. Os autores analisaram e atualizaram um questionário de avaliação de portfólio do estudante na área de atenção primária à saúde. Entre os principais achados nos relatos apresentados por estudantes e professores, os autores destacam a necessidade da realização de capacitação teórica sobre o tema “portfólio” e a possibilidade de padronização de um questionário de avaliação de portfólio do estudante na área de atenção primária à saúde. Arnaldo Lemos Filho, Isabel Cristina Dib Bariani, Carlos Marshal França, Claudia Lucia Trevisan, Ivan Granja, Kátia Regina Martini Rodrigues e Elisabete Matallo Marchesini de Pádua analisam um sistema de avaliação de ensino praticado pela PUC–Campinas. Para essa análise foram trabalhadas cinco categorias – plano de ensino da disciplina, desenvolvimento da disciplina, avaliação da aprendizagem, formação do aluno, postura do professor – e delas foram extraídos 19 aspectos incorporados nas questões. Consideram os autores que a análise dos dados da série histórica (desde 2007) tornou-se um importante instrumento para a melhoria da qualidade de ensino nessa Instituição. O texto seguinte, de responsabilidade de Marisa Aparecida Pereira Santos, Benedito Felipe de Souza, Ilda Basso, Daniela Luchesi, Elisabete Aparecida Zambelo e Rafael Henrique Bosqui, consiste na apresentação de um estudo da aplicabilidade do ENADE no curso de administração da Universidade Sagrado Coração. A análise abrangeu fundamentação teórica sobre os conceitos de vários autores para a consecução dos objetivos propostos. O instrumento norteador foi um questionário fechado com doze questões, abordando assuntos concernentes a conhecimentos, procedimentos e demais parâmetros relacionados às provas do ENADE. O último texto desta edição trata das possibilidades de utilização das TICs na prática docente no ensino jurídico. Explica o autor, Luis Paulo Leopoldo Mercado, que o presente estudo teve como objetivo “investigar metodologias para uso de estratégias didáticas no ensino jurídico, construir material didático usando estratégias didáticas no ensino jurídico e explorar as possibilidades das estratégias didáticas no ensino superior em relação à construção do conhecimento, desenvolvendo habilidades para utilização, aprendendo a avaliar, selecionar e integrá-las nas atividades curriculares”.

BOA LEITURA. BOM ANO

José Dias Sobrinho
Editor

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