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Cadernos Saúde Coletiva

Print version ISSN 1414-462XOn-line version ISSN 2358-291X

Cad. saúde colet. vol.25 no.1 Rio de Janeiro Jan./Mar. 2017  Epub Mar 30, 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1414-462x201700010001 

Artigos de Revisão

A saúde docente no trabalho: apontamentos a partir da literatura recente

Teachers health in the workplace: evidence from recent literature

Pedro Afonso Cortez1 

Marcus Vinícius Rodrigues de Souza2 

Laura Oliveira Amaral1 

Luiz Carlos Avelino da Silva1 

1Instituto de Psicologia, Universidade Federal de Uberlândia (UFU) - Uberlândia (MG), Brasil.

2Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Uberlândia (UFU) - Uberlândia (MG), Brasil.

Resumo

Introdução

A saúde no trabalho docente apresenta-se como um tema relevante. Verifica-se o crescimento do adoecimento docente no trabalho, mas poucas ações são desenvolvidas em relação às legislações e políticas específicas que privilegiam a saúde do professor, apesar do elevado número de estudos ressaltando agravos à saúde docente.

Métodos

O objetivo do estudo foi analisar publicações da Biblioteca Virtual de Saúde em Psicologia (BVS-Psi) dos últimos 14 anos (2003-2016) relacionadas à saúde no trabalho docente. Utilizaram-se os seguintes descritores: saúde professor, saúde docente, sofrimento professor, sofrimento docente, prazer professor, prazer docente, trabalho professor, trabalho docente, subjetividade professor, subjetividade docente, resultando em 69 artigos analisados.

Resultados

Houve predomínio de publicações nas áreas de fonoaudiologia e psicologia, sendo a maior parte das pesquisas qualitativas. Os estudos evidenciaram o adoecimento docente na atualidade, apontando a necessidade de desenvolvimento de ações referentes à reorganização do trabalho docente e promoção de saúde do professor.

Conclusão

Constatou-se a importância de privilegiar a multideterminação do processo de saúde-doença no trabalho docente, as compreensões interdisciplinares sobre o tema e a articulação entre as pesquisas e a realidade de trabalho dos professores para que se possa desenvolver metodologias e políticas públicas voltadas ao aprimoramento da saúde docente.

Palavras-chave:  saúde docente; saúde professor; saúde coletiva; trabalho

Abstract

Introduction

The health of teachers appears as a current concern. The number of teachers getting sick at work is growing, however few measures are being taken in terms of specific legislation and policies that favor teacher health. This is despite the large number of studies highlighting harm to health of teachers.

Methods

The objective of the study was to analyze the publications in Virtual Health Library Psychology (BVS-Psi) over the last 14 years (2003-2016) related to the health of teachers. We used descriptors in Portuguese language related to health in elementary school teachers and university professors, which resulted in 69 articles analyzed.

Results

Publications were predominantly in the areas of speech therapy and psychology using qualitative methodology. The studies have shown teacher's illness as a current problem, pointing to the need to develope strategies related to the reorganization of teacher working conditions and health promotion.

Conclusion

The importance of emphasizing the multidimensionality of health and disease related to teacher's work was noted, highlighting interdisciplinary understandings of the topic. Also, the need for more integration of research and the work reality of teachers was noted, if we intended to develop methodologies and policies aimed at improving teacher health.

Keywords:  faculty health; teacher health; public health; work

INTRODUÇÃO

A saúde do trabalhador é um campo interdisciplinar articulado com movimentos sociais que surgiu por meio de críticas às limitações dos modelos sociais e políticos vigentes em sua época. Nesse sentido, como parte da saúde coletiva, constitui-se como espaço interdisciplinar e pluri-institucional que apreende o trabalho como um dos principais determinantes sociais da saúde1. Por essa razão, a saúde do trabalhador segue em um caminho favorável ao empoderamento dos trabalhadores, valorizando o bem-estar do sujeito em detrimento das práticas organizacionais, o que muitas vezes resulta em embates teóricos quanto à possibilidade do pleno exercício de suas proposições2.

Segundo Minayo-Gomez et al.3, o aspecto norteador da saúde do trabalhador consiste na abordagem dos problemas de forma processual no que tange aos elementos sociais e políticos, compreendendo as contradições existentes nas organizações como um possível espaço de atuação para a promoção da saúde coletiva. Para Menezes4, a saúde do trabalhador busca relacionar as dinâmicas existentes nas organizações de trabalho com seu caráter histórico e social para então compreender a determinação dos fenômenos, demarcando uma nova corrente de pensamento que enfatiza a dimensão histórico-cultural na constituição humana, a qual integra os aspectos biológicos e psicológicos ao contexto social em que são produzidos.

Especificamente sobre a subjetividade no trabalho, encontram-se nas elaborações de Dejours et al.5, relativas à psicodinâmica do trabalho, a associação entre organização, forças produtivas, aspectos psicológicos e elementos sociais do trabalho. Em seus escritos, Dejours et al.5 buscavam primordialmente compreender de que maneira os trabalhadores mantinham certo equilíbrio psíquico, ainda que submetidos às condições de trabalho degradantes que resultavam em intenso sofrimento e adoecimento. Segundo Dejours6, o sofrimento psíquico teria origem na mecanização e robotização das tarefas que se expressam por meio de um fazer ausente de sentido, determinado, a priori, pela lógica de administração científica do trabalho. Assim, as pressões e imposições exercidas pelas organizações de trabalho, associadas às exigências de adaptação à cultura e valores organizacionais, levariam o trabalhador ao sofrimento e exaustão para atender à sobrecarga de trabalho própria do modelo administrado de trabalho7.

Na educação é possível verificar esse processo por meio do histórico de desenvolvimento das políticas públicas. Segundo Assunção et al.8, as políticas públicas educacionais do Brasil são movidas por valores de universalização, desde o início da década de 1990, às custas da precarização do sistema educacional e da intensificação do trabalho docente. Para Brant et al.9, isso acontece pois há a necessidade de satisfazer a clientela com a proposição de que a educação é acessível para todos no país, mas poucas considerações são feitas a respeito dos impactos desse processo naqueles que trabalham nas redes educacionais e na qualidade do serviço prestado pelos docentes nas redes de ensino do país.

Especificamente sobre o reflexo desse processo na saúde do trabalhador, verificam-se diversos estudos relacionados ao adoecimento docente10,11 e ao sofrimento psíquico12-15. Diante dessa realidade, Araújo et al.11 destacam a necessidade de compreender o campo da saúde do trabalhador relacionado ao trabalho docente como uma forma de contribuir na produção de melhorias nas condições de trabalho dos professores e, consequentemente, no desenvolvimento da saúde coletiva nacional. A partir dessa proposição e considerando que, apesar do elevado número de produções, não existem levantamentos da literatura que versem sobre o tema nos últimos 12 anos, propôs-se o estudo em questão.

MÉTODO

O objetivo geral do trabalho foi verificar na literatura nacional as produções relacionadas à saúde no trabalho docente, a fim de descrever e sintetizar as evidências apontadas pelos estudos. Para tanto, realizou-se um levantamento, tendo como modalidade textual artigos científicos, dos estudos disponíveis na Biblioteca Virtual de Saúde em Psicologia (BVS-Psi) entre os anos de 2003 e 2016 e indexados pelas bases de dados SciELO Brasil (Scientific Eletronic Library Online) e PePSIC (Períodicos Eletrônicos em Psicologia). A escolha das bases de dados justifica-se pelo interesse dos pesquisadores em apreender prioritariamente aspectos psicossociais relacionados à saúde no trabalho docente no campo da saúde coletiva. Já a opção pelos artigos científicos como modalidade textual, justifica-se pela compreensão dos autores de que as teses e dissertações com maior impacto em suas áreas são divulgadas nesse formato.

Para a busca dos trabalhos, utilizaram-se os descritores considerados representativos à temática investigada, os quais foram empregados isoladamente e em associação, tais como: saúde professor, saúde docente, sofrimento professor, sofrimento docente, prazer professor, prazer docente, trabalho professor, trabalho docente, subjetividade professor, subjetividade docente. O resultado preliminar da busca resultou em 1694 trabalhos para a triagem, dos quais tiveram 426 selecionados, tendo como critério a adequação do título ao tema investigado e a exclusão de ocorrências duplicadas. Desses 426 trabalhos, iniciou-se a inspeção por meio da leitura dos resumos, o que resultou na exclusão de 357 inadequados ao tema proposto para essa investigação. Assim, alcançou-se o total de 69 trabalhos elegíveis para a análise, os quais foram lidos na íntegra e incluídos neste estudo. O procedimento de triagem, inspeção e elegibilidade dos artigos para análise é representado graficamente abaixo por meio da Figura 1.

Figura 1 Descrição do procedimento de triagem, inspeção e elegibilidade dos estudos analisados 

Ressalta-se que, para avaliar a fidedignidade do levantamento realizado, a busca foi feita por dois pesquisadores de forma independente, obtendo-se uma convergência entre os resultados encontrados por eles em 89%. Ademais, na apresentação dos resultados utilizou-se da técnica de análise de conteúdo16 para categorização dos descritores em eixos temáticos, a fim de facilitar a descrição e síntese das informações levantadas por meio do estudo.

RESULTADOS

Formação acadêmica dos autores, referencial teórico e tema dos estudos

O desenvolvimento das investigações foi realizado em sua maioria por profissionais da área de fonoaudiologia (vinte e um), psicologia (quinze), pedagogia (dez), medicina (cinco), educação física (cinco), administração (três), enfermagem (três), letras (dois) e terapia ocupacional (dois). Houve ainda um representante das seguintes áreas: estatística, fisioterapia e ciências biológicas. A maior parte dos autores adotou como referencial teórico uma perspectiva sociointeracionista (cinquenta e quatro), em que a relação entre o sujeito e o contexto de trabalho é determinante para a compreensão das dinâmicas referentes à saúde e qualidade de vida do trabalhador. Nos demais estudos, prevaleceram como referencial a psicodinâmica do trabalho (treze), ressaltando aspectos da subjetividade existente na relação entre sujeito e trabalho. Dois trabalhos utilizaram documentos legislativos, fazendo uso de diretrizes legais como referencial para análise. Em relação aos temas, os principais pontos abordados pelas pesquisas foram: qualidade de vida e saúde física e vocal do professor (vinte e dois), precarização das condições de trabalho, estresse, ruído (quinze), subjetividade e trabalho (treze), adoecimento físico, vocal, mental e dor (oito), promoção de saúde nas escolas (cinco), poder público e políticas públicas (três) e Síndrome de Burnout (três). Os elementos fundantes e teóricos das investigações são sintetizados na Tabela 1 a seguir:

Tabela 1 Descrição dos aspectos fundantes e teóricos das investigações 

Área Referencial teórico Tema
Fonoaudiologia 21 Sociointeracionismo 54 Qualidade de vida e saúde 22
Psicologia 15 Psicodinâmica do trabalho 13 Precarização, estresse e ruído 15
Pedagogia 10 Documentos e legislações 2 Subjetividade e trabalho 13
Medicina 5 Adoecimento e dor 8
Educação Física 5 Promoção de saúde 5
Administração 3 Políticas públicas 3
Enfermagem 3 Síndrome de Burnout 3
Letras 2
Terapia Ocupacional 2
Outras 3

Objetivos propostos pelos estudos

Entre os objetivos propostos pelas investigações, verificaram-se: a) compreender a relação entre contexto de trabalho, qualidade de vida e adoecimento docente (vinte e três); b) verificar a relação entre sintomas vocais, estresse e adoecimento docente (dezoito); c) analisar o sentido atribuído ao trabalho e à saúde pelo professor (nove); d) verificar a percepção dos professores sobre práticas de atenção primária e promoção de saúde nas escolas (nove); e) examinar o papel do poder público e legislações específicas na proteção à saúde do professor (cinco) e mensurar os níveis de saúde física e mental do professor (cinco).

Participantes e objetos das investigações

Houve predomínio da participação de professores nos estudos, apesar de não ser consensual entre os autores o critério para classificação dos participantes. Os pesquisadores oscilaram entre descrever a amostra a partir do local de trabalho ou nível de ensino em que os participantes atuavam. Nesse sentido, foram obtidas as seguintes descrições: professores de rede pública de ensino (quinze); professores de ensino fundamental e médio (doze); professores de ensino superior (doze); artigos, teses e dissertações sobre o tema (sete); legislações, prontuários e diários de campo (sete); professores de academia de ginástica (dois); professores de educação infantil (dois). Houve ainda a ocorrência do termo professor de forma genérica sem maiores especificações (doze).

Metodologia empregada e instrumento de coleta de dados

A maior parte dos estudos apresentou, na condução das investigações, metodologia qualitativa (vinte e seis), seguida de metodologia quantitativa (vinte e cinco) e multimétodo (doze). Houve também, em menor ocorrência, o uso da metodologia etnográfica (três) e estudos teóricos ou de revisão de literatura (três). Quanto ao tipo de coleta de dados, verificou-se a prevalência de questionários (dezessete), análise de registros, diários de campo ou documentos (dezesseis), entrevistas (onze), observação participante (dois) e grupo focal (dois). Os demais estudos utilizaram técnicas mistas, como: questionário, gravação da voz e avaliação clínica ou técnica projetiva (dez); entrevista seguida de aplicação de questionário (três); gravação de voz, avaliação clínica e entrevista ou grupo focal (três); entrevista e observação participante ou grupo (três) e questionário e grupo focal (dois). Os principais aspectos metodológicos dos estudos são descritos na Tabela 2.

Tabela 2 Descrição dos objetos, participantes e elementos metodológicos 

Participantes Método Instrumento
Rede pública 15 Qualitativo 26 Questionários 17
Ensino fundamental e médio 12 Quantitativo 25 Registros escritos 16
Ensino superior 12 Multimétodo 12 Entrevistas 11
Não especificado 12 Etnográfico 3 Observação 2
Academias 2 Teórico 3 Grupos 2
Educação infantil 2 Técnicas mistas 21
Artigos e teses 7
Leis e registros 7

Evidências apontadas pelos estudos

Os resultados dos artigos foram organizados em sete categorias com maior ocorrência entre as investigações encontradas na literatura, sendo elas: aspectos contextuais do trabalho docente (treze), sintomas físicos (onze), sintomas psíquicos (doze), promoção de saúde (dezesseis), políticas públicas e organização do trabalho (doze), análise das legislações trabalhistas (dois) e aspectos teóricos-metodológicos (três). A categoria aspectos contextuais do trabalho docente agrupou estudos sobre a dupla jornada, excesso de tarefas e dificuldades de relacionamento entre família-escola17, aumento da carga de trabalho8, demanda por índices institucionais elevados18,19, alta pressão por desempenho e baixo nível de controle das tarefas20, desordem em sala de aula21, ruídos22,23, hostilidade entre alunos24, desvalorização pessoal e salarial25,26, problemas institucionais27 e baixa remuneração, excesso de alunos em sala e infraestrutura escolar inadequada para o trabalho28.

Já os sintomas físicos evidenciados nos estudos foram dores corporais e agravos à saúde decorrentes do envelhecimento29,30, perda auditiva e problemas nas cordas vocais31-34, disfonia35-37, dores nos membros superiores e dorso relativas ao esforço excessivo38 e incoordenação pneumofônica39. Quanto aos sintomas psíquicos, prevaleceram regressão40, exaustão emocional, nervosismo, estresse e insônia41, Síndrome de Burnout42-44, transtornos psíquicos e afastamentos do trabalho45,46, prejuízos na criatividade e domínios socioemocionais47,48, negação49, despersonalização50 e distorções na percepção da importância e do esforço dedicado ao trabalho – o trabalho como um “sacerdócio” – que predispõe o docente a se submeter a riscos e sobrecarga51.

Entre as práticas e medidas de promoção de saúde, os estudos mostraram que: favorecer a ética, a autonomia e a preocupação coletiva no trabalho diminuem o estresse ocupacional52; a articulação entre pesquisa e trabalho docente favorece a otimização das condições de trabalho pelo professor53; a orientação e diagnóstico fonoaudiológico aprimora o cuidado com a própria voz e reduz a exposição ao risco no ambiente de trabalho54-56; os treinos e aquecimentos vocais, bem como as oficinas fonoaudiológicas diminuem os problemas vocais57-59; as intervenções dialógicas em grupo que articulam o saber técnico-profissional com especificidades contextuais apresentam maior eficácia na mudança de hábitos60-62; as oportunidades de lazer, melhores condições de trabalho e econômicas, bem como acesso à orientação em saúde vocal protegem agravos à voz do professor63,64; a discussão de ideais e utopias políticas e educacionais com professores favorecem a resistência às dificuldades cotidianas65 e a possibilidade de se vivenciar qualidade de vida, apesar da presença do adoecimento, desde que sejam desenvolvidos mecanismos de suporte social no trabalho66 e ampliada a compreensão da noção de saúde por parte dos docentes67.

Na categoria políticas públicas e organização do trabalho, foram marcantes alguns pontos, como: a atribuição, pelos professores, a terceiros (administração escolar, governo e profissionais de saúde) como responsáveis pela promoção de saúde68,69; perpetuação do assistencialismo e desconhecimento de políticas públicas pelos educadores70; dificuldade dos docentes para atender alunos com deficiência e outras políticas inclusivas pela falta de dispositivos de apoio e treinamento específico71,72; excesso de trabalho em casa73; ênfase excessiva às diretrizes curriculares e profissionalizantes em detrimento das percepções dos professores74; papel do Estado como regulador do desempenho docente75; limitação da lógica de administração gerencial para regular o trabalho docente76; desconsideração das necessidades afetivas e subjetivas dos professores77; ausência de incentivo para a qualificação e atualização profissional78 e a inadequação da acepção comum de trabalho para compreender e administrar a prática profissional e formativa exercida pelo docente79.

Sobre a análise das legislações trabalhistas, verificaram-se poucos documentos que explicitassem fatores relacionados à organização do trabalho docente. Entre os agentes ambientais nocivos no trabalho do professor, o ruído, a poeira, a temperatura e a iluminação inadequada foram listados80. Nas legislações estaduais, majoritariamente concentradas na região sudeste, houve maior ênfase no modelo curativo em detrimento da promoção de saúde81. Por último, quanto aos aspectos teóricos-metodológicos, as produções da área foram predominantemente descritivas e realizadas por grupos de pesquisas entre o período de 1987 e 200382. Já as publicações mais recentes apresentaram baixa padronização dos instrumentos e protocolos de avaliação para a triagem e formulação de estratégias de intervenção, as quais se restringem à avaliação vocal83,84. Na Tabela 3, os resultados são agrupados por meio de eixos comuns, em relação à temática, e descritos, em frequência, a partir da quantidade de ocorrência temática.

Tabela 3 Análise de conteúdo dos estudos levantados 

Eixos de análise Agrupamento de temas predominantes Fi Fp
Promoção de saúde Favorecer ética, autonomia, coletividade, suporte social e articulação entre pesquisa e trabalho, orientação, treinos, aquecimentos e oficinas fonoaudiológicas
Diálogos em grupo e valorização do saber cotidiano
Melhores oportunidades de lazer, trabalho e econômicas
Discussão de ideais e utopias políticas e educacionais, ampliar concepção de saúde
16 23%
Aspectos contextuais Dupla jornada, excesso e sobrecarga de trabalho, demanda elevada, pressão, baixo controle do trabalho, indicadores
Desordem, ruído, hostilidade, desvalorização pessoal e salarial
Problemas institucionais, excesso de alunos e infraestrutura inadequada
13 19%
Sintomas psíquicos Regressão, negação, despersonalização, distorções perceptivas
Síndrome de Burnout, exaustão emocional, nervosismo, estresse e insônia
Transtornos psíquicos e afastamento
Prejuízos na criatividade e domínios emocionais
12 17%
Políticas públicas e organização Atribuição da responsabilidade a terceiros e o papel regulador do Estado
Assistencialismo e desconhecimento de políticas públicas
Dificuldade de atendimento aos alunos com deficiência, falta de apoio e treinamento específico, ausência de incentivo para qualificação
Excesso de trabalho em casa, limitação do modelo administrativo clássico para regular o trabalho docente, inadequação da noção comum de trabalho para compreender a prática docente
Ênfase nas diretrizes curriculares e desconsideração da opinião do professor e suas necessidades afetivas e subjetivas
12 17%
Sintomas físicos Dores corporais e envelhecimento
Perda auditiva, problemas vocais, disfonia, incoordenação pneumofônica
Dores nos membros superiores e dorso por esforço excessivo
11 16%
Aspectos teóricos e metodológicos Predominância descritiva e grupos de pesquisa
Baixa padronização de instrumentos e protocolos para triagem e intervenção
3 4%
Legislações Lacunas sobre os agentes ambientais nocivos (poeira, temperatura e iluminação), ênfase na região sudeste e na esfera estadual
Valorização do modelo curativo em vez de ações de promoção de saúde
2 3%
n 69 100%

DISCUSSÃO

Considerando-se os estudos levantados, nota-se maior contribuição da fonoaudiologia na elaboração de estratégias de prevenção e promoção de saúde quando comparada às outras áreas, as quais dão maior ênfase à compreensão das condições de trabalho e outros aspectos relacionados à saúde no trabalho docente. Apreende-se ainda que a predominância das contribuições de autores da fonoaudiologia e psicologia influencia os principais aportes teóricos encontrados, tendo em vista que tanto a perspectiva sociointeracionista, quanto a psicodinâmica do trabalho associam-se, respectivamente, a essas áreas.

A maior ocorrência da perspectiva sociointeracionista2,3 demonstra que os estudos buscam articular os achados sobre a saúde docente ao meio em que são produzidos, compreendendo a saúde do trabalhador como um processo biopsicossocial. Já a presença da psicodinâmica do trabalho5,6 parece apontar a preocupação dos pesquisadores em compreender a implicação da subjetividade na constituição do processo de saúde-doença vivenciado pelos professores. Essa preocupação e articulação entre saúde, subjetividade e contexto-social é evidenciada ainda pelos principais objetivos dos estudos, os quais articulam ambiente de trabalho, adoecimento, sintomas vocais e estresse com fatores mais amplos, como a qualidade de vida47,50,63,83, o que permite inferir o quanto o trabalho é compreendido nas investigações como um dos determinantes sociais do processo de saúde-doença.

Em relação aos participantes da amostra, houve predominância de pesquisas entre professores do ensino básico de redes públicas, sendo possível notar também a presença de estudos sobre a saúde docente no ensino superior. Pelos apontamentos dos estudos, é possível ainda inferir que a massificação e precarização das condições de saúde e trabalho na educação é abrangente, incidindo nos diversos níveis de escolarização, e impacta de forma semelhante a saúde do trabalhador docente nos diferentes níveis de ensino18,19,25,26,30. Nota-se ainda no aspecto teórico-metodológico razoável equilíbrio entre a metodologia quantitativa e qualitativa, com a presença de técnicas descritivas, inferenciais e estudos de caso, que evidenciam as múltiplas formas de compreender a saúde no trabalho docente. Essa multiplicidade teórico-metodológica permite a construção de uma diversidade de hipóteses explicativas sobre o fenômeno, mas também revela que a agenda de pesquisa da área pode ser aprimorada do ponto de vista metodológico. No levantamento, nota-se que as contribuições mais significativas surgem dos estudos multimétodos que aplicaram técnicas mistas para a coleta dos dados, o que pode indicar um percurso metodológico a ser seguido nos estudos futuros32,33,51.

Além disso, observando-se a Tabela 3, verifica-se que os estudos não contribuem na proposição de mecanismos capazes de gerar transformações concretas no contexto do trabalho docente. Foram predominantes entre as pesquisas do levantamento os eixos de promoção de saúde, aspectos contextuais, sintomas psíquicos, políticas públicas e organização do trabalho e sintomas físicos, o que sugere que a área abrange uma pluralidade de temas ao mapear os determinantes psicossociais da saúde coletiva no trabalho docente, mas não consegue articulá-los de forma ótima para a proposição de políticas e práticas concretas.

Essa falha na geração de estudos que substanciem o desenvolvimento de protocolos e estratégias, para o enfrentamento e tratamento da saúde coletiva dos professores, torna-se ainda mais evidente ao se observar as políticas públicas sobre o tema, as quais ainda são pouco impactadas por iniciativas e estratégias desenvolvidas por contribuições científicas, estando, a maior parte delas, estabelecidas de forma lacunar e concentradas na região sudeste81,83,84. Em uma perspectiva geral, os estudos mais recentes parecem ter mantido a predominância descritiva e pouco avançaram no desenvolvimento de metodologias mais efetivas que promovam impactos concretos na saúde coletiva dos professores, tal como evidenciado em revisão anterior sobre o tema por volta do ano 200082.

Assim, enquanto os estudos não avançam em uma agenda que aprimore as políticas públicas e legislações sobre o tema, permanece a reprodução do contexto de precarização e intensificação do trabalho docente iniciado em 19908, ao passo que a literatura sobre o tema se mantém, majoritariamente, apenas descrevendo os determinantes psicossociais da saúde no trabalho docente e apontando a existência de sofrimento e adoecimento no contexto de atuação dos professores. Sobre esse ponto, pode facilitar aos pesquisadores da área, na integração das pesquisas às práticas concretas, associar as necessidades teóricas do campo à implicação de seus estudos, por meio de respostas a aspectos balizadores da investigação como: “1) de que forma a investigação em questão facilita a proposição de metodologias e protocolos de intervenção na saúde coletiva para o otimizar o trabalho docente?” e “2) como os determinantes psicossociais identificados no estudo podem contribuir e impactar a elaboração de políticas públicas sobre o tema?”

Ademais, existe ainda uma lacuna entre a concepção teórica dos estudos e o desenvolvimento das investigações, uma vez que a maioria dos autores compreende os elementos relacionados à saúde no trabalho do professor de forma multideterminada, mas restringe os tópicos das pesquisas à sua própria área de investigação. Nesse sentido, sugere-se que investigações futuras façam uso da interdisciplinaridade ao versar sobre o tema, pois somente por meio de uma agenda de pesquisa fundamentada na interdisciplinaridade e na implicação empírica dos estudos será possível desenvolver metodologias e contribuições capazes de fundamentar o desenvolvimento de políticas públicas relativas à saúde no trabalho docente60.

CONCLUSÕES

Entre as limitações do presente levantamento destaca-se que, por se tratar de um estudo descritivo, ele não foi capaz de avaliar a heterogeneidade das metodologias empregadas, as quais devem ser consideradas pelos pesquisadores que buscarem comparar quantitativamente os efeitos das variáveis relacionadas à saúde dos professores. Além disso, pela base de dados empregada ter como foco específico a psicologia e áreas correlatas, os resultados encontrados não podem ser generalizados para um estado da arte das produções em saúde no trabalho docente em um sentido mais amplo. Dessa forma, recomenda-se que estudos de revisão futuros deverão enfatizar aspectos quantitativos, preferencialmente meta-analíticos, filtrando as variáveis de interesse e seus respectivos efeitos, conforme a ênfase da investigação.

As evidências encontradas também parecem apontar maior necessidade de estudos sobre a saúde no trabalho docente na educação infantil, redes particulares de ensino, espaços de educação não formais (organizações não governamentais e terceiro setor) e nas novas formas e tecnologias de ensino e comunicação, tais como o ensino à distância (EAD) que não foram abordados de forma abrangente entre os estudos levantados. Outro ponto elementar refere-se à ausência de estudos que teçam considerações a respeito do impacto que elementos contextuais – como o substrato econômico e político num momento de instabilidade e restrição orçamentária – podem desencadear no financiamento de ações, políticas e legislações que fomentem a promoção de saúde no trabalho docente, o que deve integrar a agenda de pesquisa da área.

Por fim, considerando-se um retrato geral da saúde no trabalho docente, é possível inferir o seguinte quadro: a intensificação da jornada de trabalho8,19 e a desarticulação das políticas70 que legislam sobre o tema perpetuam a construção de um ciclo de adoecimento físico e mental10 que implica sofrimento, desestruturação psíquica e problemas vocais aos professores20. Espera-se, por meio da síntese gerada no presente estudo, reafirmar a necessidade de pesquisas sobre o tema capazes de produzir conhecimento para o aprimoramento das condições de saúde dos professores de forma geral. Afinal, pelos elementos apresentados nos estudos levantados, há indícios de que o adoecimento físico e mental dos professores decorre de condições de administração do trabalho79 e promoção de saúde67 insatisfatórias no contexto atual e apresentam-se como questões relevantes no âmbito da saúde coletiva.

Trabalho realizado na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) – Uberlândia (MG), Brasil.

Fonte de financiamento: nenhuma.

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Recebido: 01 de Janeiro de 2017; Aceito: 12 de Fevereiro de 2017

Endereço para correspondência: Pedro Afonso Cortez – Instituto de Psicologia, Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Avenida Pará, 1720 – Umuarama – CEP: 38400-902 – Uberlândia (MG), Brasil – Email: cor.afonso@gmail.com

Conflito de interesses: nada a declarar.

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