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Cadernos Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1414-462Xversão On-line ISSN 2358-291X

Cad. saúde colet. vol.25 no.2 Rio de Janeiro abr./jun. 2017  Epub 10-Jul-2017

http://dx.doi.org/10.1590/1414-462x201700020031 

Artigos Originais

Transtornos mentais comuns: prevalência e fatores associados entre agentes comunitários de saúde

Common mental disorders: prevalence and associated factors among community health agents

Ana Maria Vitrícia de Souza Santos1 

Cássio de Almeida Lima2 

Romerson Brito Messias3 

Fernanda Marques da Costa4  5 

Maria Fernanda Santos Figueiredo Brito5  6 

1Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família, Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) - Montes Claros (MG), Brasil.

2Programa de Pós-graduação em Saúde, Sociedade e Ambiente, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) - Diamantina (MG), Brasil.

3Departamento de Saúde Mental e Coletiva, Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) - Montes Claros (MG), Brasil.

4Departamento de Enfermagem, Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) - Montes Claros (MG), Brasil.

5Faculdades Integradas Pitágoras de Montes Claros - Montes Claros (MG), Brasil.

6Programa de Pós-graduação em Cuidado Primário em Saúde, Departamento de Saúde Mental e Coletiva, Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) - Montes Claros (MG), Brasil.

Resumo

Introdução

Os agentes comunitários de saúde desempenham importante papel nos cuidados primários de saúde, constituindo o elo entre a comunidade e a equipe de saúde da família. O seu cotidiano laboral gera estressores que podem repercutir na saúde mental desses profissionais. O estudo teve como objetivo avaliar a prevalência de transtornos mentais comuns e os possíveis fatores associados entre agentes comunitários de saúde.

Métodos

Estudo transversal, analítico, desenvolvido em Montes Claros/MG. Foram utilizados o Self Reporting Questionnaire e um formulário estruturado. Os dados foram processados no software Statistical Package for the Social Sciences for Windows, versão 18.0, submetidos à análise descritiva, análise bivariada e análise múltipla por meio da regressão de Poisson com variância robusta.

Resultados

A prevalência de transtornos mentais comuns foi de 41,6%. A maior prevalência esteve associada: à cor autodeclarada não branca; à procura por apoio espiritual; à renda inferior a quatro salários mínimos; à autoavaliação da saúde como ruim; ao relato de que o trabalho impactou na saúde; ao uso de calmante, tranquilizante ou antidepressivo; à não participação de programas de dietas.

Conclusão

Evidenciou-se elevada prevalência de transtornos mentais comuns, a qual foi influenciada por fatores sociodemográficos e de saúde.

Palavras-chave:  transtornos mentais; prevalência; agentes comunitários de saúde; atenção primária à saúde

Abstract

Introduction

The community health agents play an important role in primary health care, forming the link between the community and the family health team. Their daily work can generate stressors that can affect the professionals’ mental health. The study aimed to evaluate the prevalence of common mental disorders and possible associated factors among community health agents.

Methods

Cross-sectional and analytical study conducted in Montes Claros-MG. It was used the Self Reporting Questionnaire and a structured form. The data were processed using the Statistical Package for Social Sciences for Windows, version 18.0, subjected to descriptive analysis, bivariate analysis and multivariate analysis using Poisson regression with robust variance.

Results

The prevalence of common mental disorders was 41.6%. The highest was associated to: self-declared race (not white); that already sought religious support; which had a monthly income of less than four minimum salary; those who self-rated their health as bad; among those who said their work had impact on health; among those who made use of calming, tranquilizing or antidepressant; and among those who did not diet.

Conclusion

We identified a high prevalence of common mental disorders, being influenced by sociodemographic and health factors.

Keywords:  mental disorders; prevalence; community health workers; primary health care

INTRODUÇÃO

Entre os trabalhadores da Atenção Primária à Saúde (APS), o Agente Comunitário de Saúde (ACS) tem se tornado um profissional de notável relevância para o modelo de cuidados primários de saúde no Brasil, uma vez que atua em consonância com as políticas públicas como um elo essencial envolvendo a comunidade e os serviços. Seu valor no contexto das ações do Sistema Único de Saúde (SUS) demanda reconhecê-los como merecedores de uma atenção por causa das suas condições de vida, saúde e trabalho, com vistas à ampliação do conhecimento das situações de exposição ocupacional, assim como dos comportamentos que podem representar riscos à sua qualidade de vida. Ressalta-se que o cotidiano laboral na APS envolve complexidade no processo de gestão e no trabalho em saúde1,2. Sendo assim, propicia-se um ambiente de adoecimento dos próprios cuidadores, o que pode acarretar em sentimentos de insatisfação e de desânimo que, somados ao estado de cansaço ou de fadiga, tornam-se fatores de desgaste mental e até mesmo de transtornos mentais comuns (TMC)2-5.

Na literatura, estudos ressaltam a penosidade do trabalho do ACS e o seu potencial efeito sobre a saúde mental. As atribuições do ACS geralmente envolvem tarefas desenvolvidas prioritariamente naqueles domicílios de áreas de maior risco social, em certos casos caracterizados por situações de miséria, violência, uso e tráfico de drogas. Também realizam constantes deslocamentos a pé, expõem-se às intempéries e às precárias condições de higiene das áreas e domicílios, além do contato com doenças infecciosas. Outras dificuldades encontradas por esse profissional são: a quantidade elevada de pessoas da comunidade atendida, associada à falta de entendimento da população quanto ao seu trabalho; a dificuldade para resolver os problemas da comunidade, o que depende do envolvimento de toda a equipe; a falta de organização do serviço; e as relações profissionais conflituosas. O ACS também compartilha o mesmo contexto social e cultural da população adscrita à unidade de saúde da família por residir no mesmo território de atuação2,6-11. Por conseguinte, não seria incorreto supor a relação entre tensões cotidianas e possíveis efeitos sobre a saúde mental do ACS.

À medida que se reconhece a relevância da atuação do ACS para os objetivos do sistema de saúde, é evidente a preocupação com a prevalência de sintomas psíquicos entre esses trabalhadores, o que requer a identificação de indicadores passíveis de serem modificados em favor da saúde mental desse profissional2. A presença de doenças ocupacionais, além de prejudicar a saúde dos trabalhadores, interfere diretamente no desempenho das atividades e na qualidade da assistência à comunidade. Dessa forma, é imperioso que as instituições conheçam a ocorrência de TMC, avaliem quais fatores podem contribuir para o seu aparecimento e de que forma interferem na saúde de seus profissionais, para que possam criar estratégias de intervenção e de prevenção10. E a literatura evidencia má qualidade de vida1,12,13, intensas cargas de trabalho11, ansiedade7 e Síndrome de Burnout10,14 entre os ACS. Ademais, são verificadas altas prevalências de TMC nesse grupo2,6,15-17.

Todavia, apesar da historicidade das relações entre as condições de trabalho e a saúde dos trabalhadores, há relativa escassez de investigações epidemiológicas abordando essa temática na força de trabalho em saúde. Essa escassez inclui particularmente a saúde psíquica dos profissionais da APS11,15,17, inclusive no norte do Estado de Minas Gerais, onde não há estudos prévios sobre TMC em ACS. Comumente, com a banalização do sofrimento mental, os TMC passam despercebidos ou são desvalorizados pelos profissionais de saúde16. Portanto, as questões de saúde em geral e de saúde mental devem estar no centro da atenção de gestores e pesquisadores15. Estudos epidemiológicos abrangentes são úteis na avaliação das condições de saúde mental e podem subsidiar o delineamento de políticas e ações voltadas aos trabalhadores de saúde13,15,17. O presente estudo teve como objetivo avaliar a prevalência de TMC e os possíveis fatores associados entre ACS.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo de natureza quantitativa, de cunho transversal, analítico. Foi realizado na cidade de Montes Claros, localizada na região norte de Minas Gerais, Brasil, no âmbito das unidades de saúde situadas na zona urbana. O município é um polo na região onde está localizado e, à época da coleta de dados, possuía uma população de 361.915 habitantes. No período em que foi realizada esta pesquisa, havia 75 equipes de Estratégia Saúde da Família e uma equipe de Programa de ACS. Deste total de 76 equipes, 10 estavam localizadas na área rural, e as 66 restantes, na área urbana.

Ao todo, o município contava no início desta pesquisa com um quantitativo de 450 ACS, dos quais 365 atuavam nas equipes da área urbana, conforme dados fornecidos pela Coordenação da Estratégia Saúde da Família.

O critério de inclusão adotado foi atuar como ACS em equipe de saúde da família da zona urbana do município de Montes Claros há, no mínimo, seis meses. Os ACS que estivessem de férias, atestado, licença-saúde ou maternidade, no momento da coleta dos dados, ou que não fossem encontrados após três tentativas foram excluídos.

Para a amostragem, utilizou-se o método de conglomerados, em que se considerou cada equipe de saúde da família como um conglomerado dentro de seu setor censitário e dentro da rede assistencial do município. Para maior precisão da amostra, foram empregados o cálculo de correção por efeito de desenho (Deff) e o Deff de 1,5. Dessa forma, a amostra foi calculada com base na prevalência esperada de 23% de TMC e no tamanho da população de 365 ACS. Considerando a margem de erro nesta pesquisa de 5% para mais ou para menos, obteve-se uma amostra de 154 ACS, a qual foi multiplicada por 1,5 (fator de correção ao se realizar amostragem por conglomerados), obtendo-se o total de 231 ACS.

Para a coleta de dados, foi realizado um sorteio de setores censitários. Posteriormente, das equipes que pertenciam a cada setor sorteado, um ACS foi convidado a participar do estudo. Sorteios sucessivos foram realizados até que o número de ACS fosse atingido. Conforme sorteios realizados, foram visitadas 61 das 66 equipes de saúde da família localizadas na zona urbana do município.

A fim de identificar a ocorrência de TMC nos ACS, foi utilizado o Self Reporting Questionnaire (SRQ-20). O SRQ é um instrumento desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde para estudos em países em desenvolvimento, com o objetivo de identificar possíveis casos de TMC. Originalmente, o questionário contém 30 questões: 20 sobre sintomas psicossomáticos para rastreamento de transtornos não psicóticos, quatro para rastreamento de transtornos psicóticos, uma para rastreamento de convulsões do tipo tônico-clônica e cinco questões para rastreamento de transtorno por uso de álcool. As questões para rastrear psicoses e convulsões entraram em desuso devido à baixa sensibilidade que instrumentos autorrespondidos apresentam para o rastreamento desses transtornos. Então, o SRQ-20 é a versão do SRQ, com as 20 questões para o rastreio dos TMC, validado no Brasil por Mari e Willians18.

O instrumento é autoaplicável e cada questão é respondida com sim ou não. O escore é obtido por meio da contagem simples das respostas afirmativas, variando de zero, que indica mínima probabilidade de TMC, a 20, que corresponde à máxima probabilidade de TMC19. O SRQ-20 é um instrumento apropriado para estudos em populações e tem sido amplamente utilizado em diversos países18. Ressalta-se que se trata de um instrumento de rastreamento, uma vez que o padrão-ouro para o diagnóstico é a entrevista psiquiátrica padronizada20.

O ponto de corte utilizado nesta pesquisa foi de sete respostas sim, que apresenta sensibilidade de 83% e especificidade de 80%18-20.

Tal instrumento permitiu obter a variável-desfecho deste estudo: TMC. Averiguaram-se associações com os TMC por meio de variáveis independentes relativas a aspectos sociodemográficos, ocupacionais e de saúde. Para tanto, foi utilizado um instrumento elaborado especialmente para esta investigação, construído pelos autores com base na literatura acerca da temática.

A coleta de dados foi realizada pelos pesquisadores deste estudo, entre os meses de dezembro de 2012 e maio de 2013, nas próprias unidades de saúde onde atuavam os participantes da pesquisa, respeitando a disponibilidade das equipes e os horários definidos previamente com a coordenação.

Os dados foram organizados em um banco de dados, utilizando o programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) for Windows, versão 18.0. As etapas da análise incluíram, primeiramente, uma descrição da amostra. Em seguida, efetuou-se a análise bivariada para aferir associação entre as variáveis independentes e os TMC por meio do teste do qui-quadrado. Por fim, foi efetuada a análise múltipla, adotando-se a regressão de Poisson com variância robusta. A variável dependente foram os TMC, e como variáveis independentes, aquelas com nível de significância estatística do valor de p<0,25 na análise bivariada. Ao final da análise, as variáveis com pelo menos uma categoria com valor de p≤0,05 no teste de Wald foram consideradas associações estatisticamente significantes com a variável desfecho.

O projeto de pesquisa que deu origem a este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, por meio do Parecer Consubstanciado n° 110.305/2012. Os participantes leram e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

RESULTADOS

Foram aplicados 231 questionários. Dos participantes: 197 (85,3%) eram do sexo feminino; 167 (72,3%) tinham menos de 40 anos; 122 (52,8%) viviam com companheiro; 189 (81,8%) se autodeclararam de cor não branca; 222 (96,1%) afirmaram ter religião; 143 (61,9%) tinham até o ensino médio completo; 186 (80,5%) possuíam renda familiar mensal inferior a quatro salários mínimos; e 135 (58,4%) residiam com zero a três pessoas (Tabela 1). Na amostra, os ACS com TMC totalizaram 96, o que corresponde à prevalência de 41,6%.

Tabela 1 Caracterização sociodemográfica dos agentes comunitários de saúde, em Montes Claros/MG, em 2013 

Variáveis n %
Sexo
Feminino 197 85,3
Masculino 34 14,7
Idade
Menos de 40 anos 167 72,3
40 anos ou mais 54 23,4
Estado civil
Vive sem companheiro 109 47,2
Vive com companheiro 122 52,8
Cor autodeclarada
Branca 42 18,2
Não branca 189 81,8
Religião
Tem religião 222 96,1
Não tem religião 9 3,9
Escolaridade
Superior completo ou incompleto 88 38,1
Até o ensino médio 143 61,9
Renda familiar mensal
A partir de 4 salários 41 17,7
Menor que 4 salários mínimos 186 80,5
Com quantas pessoas reside
Reside com 4 ou mais pessoas 96 41,6
Reside com 0 a 3 pessoas 135 58,4

Quanto às variáveis sociodemográficas, ocupacionais e relativas à saúde, observou-se que a ocorrência do TMC teve associação na análise bivariada com as seguintes variáveis: sexo; estado civil; cor autodeclarada; procura por apoio espiritual; renda familiar mensal; tempo de trabalho como ACS; realização de curso de formação para atuar como ACS; participação em capacitações; faltas ao trabalho no último ano; causas do absenteísmo; relato de problema de saúde; autoavaliação da saúde; relato de impacto do trabalho na saúde; utilização de calmantes, tranquilizantes ou antidepressivos no último ano; não ter feito uso de programa de dietas ou dietas populares (Tabela 2).

Tabela 2 Resultado da análise bivariada entre transtornos mentais comuns e variáveis sociodemográficas, ocupacionais e de saúde entre agentes comunitários de saúde, em Montes Claros/MG, em 2013 

Variáveis Ausência de TMC Presença de TMC Valor de p
n % n % X2 Pearson
Aspectos sociodemográficos
Sexo
Feminino 108 80,0 89 92,7 0,00
Masculino 27 20,0 7 7,3
Idade
Menos de 40 anos 103 76,3 70 72,9 0,55
40 anos ou mais 32 23,7 26 27,1
Estado civil
Vive sem companheiro 70 51,9 39 40,6 0,09
Vive com companheiro 65 48,1 57 59,4
Cor autodeclarada
Branca 19 14,1 23 24,0 0,05
Não branca 116 85,9 73 76,0
Religião
Sim 130 96,3 92 95,8 0,85
Não 5 3,7 4 4,2
Já procurou apoio espiritual
Não 134 99,3 91 94,8 0,03
Sim 1 0,7 5 5,2
Escolaridade
Superior completo e incompleto 55 40,7 33 34,4 0,32
Até o ensino médio 80 59,3 63 65,6
Renda familiar mensal
A partir de 4 salários 31 23,0 12 12,5 0,04
Menor que 4 salários 104 77,0 84 87,5
Com quantas pessoas reside
Reside com 4 ou mais pessoas 58 43,0 38 39,6 0,60
Reside com 0 a 3 pessoas 77 57,0 58 60,4
Aspectos ocupacionais
Tempo de trabalho como ACS
De 1 a 3 anos 59 43,7 23 24,0 0,00
4 anos ou mais 76 56,3 73 76,0
Reside na microárea de atuação
Não 83 61,5 56 58,3 0,63
Sim 52 38,5 40 41,7
Quantidade de famílias cadastradas
Até 150 famílias 97 71,9 72 75,0 0,60
Mais de 150 famílias 38 28,1 24 25,0
Trabalha em microárea de risco
Não 71 52,6 43 44,8 0,24
Sim 64 47,4 53 55,2
Fez curso de formação para atuar como ACS
Sim 118 87,4 76 79,2 0,09
Não 17 12,6 20 20,8
Participa de capacitações
Sim 129 95,6 95 99,9 0,13
Não 6 4,4 1 0,1
Faltas ao trabalho no último ano
Nenhuma falta 81 60,0 41 42,7 0,00
Pelo menos uma falta 54 40,0 55 57,3
Causas do absenteísmo
Não relacionado à doença 22 16,3 27 28,4 0,01
Relacionado à doença 37 27,4 32 33,7
Aspectos de saúde
Possui problemas de saúde
Não 108 80,0 55 57,3 0,00
Sim 27 20,0 41 42,7
Procurou algum serviço de saúde no último ano
Não 62 45,9 37 38,5 0,26
Sim 73 54,1 59 61,5
Autoavaliação da saúde
Boa 97 71,9 21 21,9 0,00
Ruim 38 28,1 75 78,1
O trabalho impacta na saúde
Não 36 26,7 7 7,3 0,00
Sim 99 73,3 89 92,7
Uso de calmante, tranquilizantes ou antidepressivos no último ano
Não 118 87,4 63 65,6 0,00
Sim 17 12,6 33 34,4
Já fez programa de dietas ou dietas populares
Não 17 12,6 23 24,0 0,02
Sim 118 87,4 73 76,0
Pratica exercícios físicos
Sim 85 63,0 65 67,7 0,45
Não 50 37,0 31 32,3

A análise múltipla mostrou maior prevalência de TMC: nos indivíduos de cor autodeclarada não branca; entre aqueles que já procuraram por apoio espiritual; nos ACS com renda familiar mensal inferior a quatro salários mínimos; naqueles que autoavaliaram sua saúde como ruim; entre os que afirmaram que o trabalho impactou na saúde; entre os participantes que fizeram uso de algum tipo de calmante, tranquilizante ou antidepressivo no último ano; e entre os ACS que relataram não ter feito uso de programa de dietas ou dietas populares (Tabela 3).

Tabela 3 Resultado da análise múltipla da associação entre presença de transtornos mentais comuns e variáveis investigadas entre agentes comunitários de saúde, em Montes Claros/MG, em 2013 

Variáveis independentes
RP IC95% Valor p
Cor autodeclarada
Branca 1
Não branca 1,37 1,82-1,03 0,03
Já procurou apoio espiritual
Não 1
Sim 2,54 1,41-1,03 0,00
Renda
A partir de 4 salários mínimos 1
Inferior a 4 salários mínimos 1,62 0,99-2,63 0,05
Autoavaliação da saúde
Boa 1
Ruim 2,93 3,65-13,00 0,00
O trabalho impacta na saúde
Não 1
Sim 2,12 1,1-4,08 0,02
Uso de calmante, tranquilizantes ou antidepressivos no último ano
Não 1
Sim 1,45 1,13-1,85 0,00
Já fez programa de dietas ou dietas populares
Sim 1 1,92-1,03 0,03
Não 1,40

DISCUSSÃO

Esta pesquisa evidenciou uma alta prevalência de TMC entre os ACS. Esse achado foi similar à prevalência de 43,3% observada em um estudo transversal realizado com 141 ACS do município de São Paulo6, assim como à prevalência de 48,6% verificada em trabalho feito em Pelotas/RS16. Porém, foi bem superior aos resultados constatados na literatura, oscilando nos valores de 18,4%15, 21,4%17 e 26,5%2. No mesmo cenário deste estudo, pesquisa de base populacional revelou uma prevalência de TMC de 23,2% na população de uma cidade19, inferior à verificada entre os ACS do presente trabalho.

É válido esclarecer que características metodológicas de tais pesquisas podem explicar, ao menos em parte, os resultados díspares, pois são aplicados pontos de corte diferentes no uso do SRQ-202. Todavia, o ponto de corte aplicado na atual pesquisa apresenta os melhores valores de sensibilidade e especificidade, com propriedades psicométricas adequadas2,6,16,18 durante o processo de validação no Brasil18.

O impacto negativo dos TMC na saúde mental dos ACS foi demonstrado em pesquisa feita com 217 trabalhadores da APS em dois distritos sanitários de Porto Alegre/RS, onde a presença de TMC foi um dos fatores preditores para a Síndrome de Burnout, apontando para uma deterioração da saúde desses profissionais5. Salienta-se que esses profissionais com TMC poderão afastar-se do trabalho em algum momento, pois a sintomatologia tende a agravar-se, afetando os colegas de equipe, que passam a ter sobrecarga de trabalho. Para o trabalhador, adoecer e/ou afastar-se pode significar uma limitação enquanto profissional capaz de promover cuidado aos usuários, o que resulta em um decréscimo de sua eficácia profissional, além de desconfiança, desrespeito e menosprezo por parte de outros membros da equipe5.

O resultado preocupante encontrado nesta investigação sugere uma provável interferência das características específicas da profissão: o ACS é proveniente da própria comunidade onde atua, devendo residir na própria área de trabalho há pelo menos dois anos. Ademais, possui um perfil mais social que técnico, apresenta características de solidariedade, iniciativa e liderança, além de ter disponibilidade de tempo integral para exercer suas atividades7,21,22.

No que se refere à associação com características sociodemográficas, a prevalência de TMC foi maior entre os ACS de cor autodeclarada não branca. Esse achado converge com o encontrado em pesquisa realizada com trabalhadores em Feira de Santana/BA21. Geralmente, há certa suscetibilidade de desenvolvimento do estresse psicológico e da baixa autoestima nos indivíduos de cor não branca, o que se relaciona à falta de acesso à educação, à saúde, ao emprego, à habitação de qualidade, somados aos efeitos do preconceito étnico/racial21,23,24.

Os ACS que disseram ter procurado por apoio espiritual apresentaram uma maior prevalência de TMC. Outro estudo revelou que os profissionais que relataram frequentar ao menos uma vez por semana algum tipo de culto religioso possuíam 3,8 vezes chances de ser classificados como possíveis casos de Síndrome de Burnout24. Diante das formas de adoecimento pelo trabalho, o ACS pode se sentir desamparado, tendo que por si só criar medidas de gerenciamento, a fim de evitar danos à sua saúde8, o que pode explicar o resultado observado neste estudo.

Tal procura pode ser elucidada por se tratar de uma prática histórica e culturalmente instaurada e aceita no Brasil. A busca pela espiritualidade talvez seja uma alternativa para melhor lidar com os sintomas de TMC. As pessoas oram mais quando estão em situações de estresse ou doentes. Também vale esclarecer que a utilização dessas formas terapêuticas pode estar relacionada ao fato de que muitos estão insatisfeitos ou pouco satisfeitos com a medicina convencional. E há um estigma que permeia o transtorno mental devido ao preconceito por parte das pessoas em procurar atenção psiquiátrica19.

Uma maior ocorrência de TMC se associou à renda inferior a quatro salários mínimos, o que foi similar a outros trabalhos, os quais também apontaram a baixa renda como fator de risco para a ocorrência de TMC, tanto para a população como um todo19 quanto para os profissionais de saúde em geral15,17 e os ACS1,6. Uma melhor renda, relacionada a um maior nível de escolaridade, é indicada em estudos internacionais como fatores que contribuem para a compreensão adequada dos conceitos de saúde, permitem melhor desempenho do trabalho e proporcionam saúde mental, uma vez que propiciam maior compreensão de si mesmo e do cotidiano22,23. Esses fatores necessitam também de ações coletivas, à medida que o crescimento socioeconômico do país poderia oferecer melhores oportunidades às pessoas, como melhor remuneração, melhores níveis de escolaridade e de condições de trabalho19.

Nesta pesquisa, os ACS que autoavaliaram sua saúde como ruim apresentaram maior prevalência de TMC, de maneira semelhante a outras pesquisas com esses profissionais1,15. A associação da autopercepção negativa da saúde com a maior ocorrência de TMC pode estar relacionada ao fato de que a presença de sentimentos negativos, a baixa autoestima, a não aceitação da imagem corporal, entre outros comportamentos, podem contribuir de forma negativa para a avaliação do estado de saúde do indivíduo. A alteração dos aspectos psicológicos gera tensão, ansiedade, estresse, além de outros distúrbios, o que pode impactar negativamente na autoavaliação da saúde por parte dos indivíduos acometidos1.

O cotidiano de trabalho pode afetar de modo negativo a saúde dos ACS, implicando em maior prevalência de TMC, fato este evidenciado entre os participantes deste estudo. Em investigação realizada em sete Estados das regiões Sul e Nordeste do Brasil com 4.749 trabalhadores da APS, para o conjunto dos profissionais, incluindo os ACS, a satisfação com estrutura da unidade, o atendimento domiciliar, o trabalho em equipe e as reuniões com a comunidade estiveram associadas significativamente com menores prevalências de TMC15. Na China, uma pesquisa com 1.010 profissionais de centros comunitários de saúde concluiu que os TMC estão negativamente associados à satisfação no trabalho, que é considerada protetora da saúde do trabalhador14.

Nesse sentido, tais achados sinalizam que a redução dos problemas de saúde mental em ACS depende da gestão do sistema de saúde e dos serviços de APS, com a inclusão da melhoria das condições laborais, da estrutura e organização do processo de trabalho. Isso porque o trabalho constitui-se em um processo complexo com interações técnicas e sociais. Dessa forma, torna-se necessário considerar a satisfação dos ACS quanto ao seu cotidiano laboral e realizar mais estudos sobre essa complexa temática15,22,23.

A utilização de calmantes, tranquilizantes ou antidepressivos no último ano também foi uma variável acerca dos comportamentos de saúde dos ACS que se associou a uma maior prevalência de TMC. Similarmente, uma investigação com 149 trabalhadores da APS em três municípios de pequeno porte da Zona da Mata Mineira mostrou que os profissionais que faziam uso de medicamentos calmantes, tranquilizantes e remédios para dormir possuíam cerca de nove vezes a chance de ser diagnosticados com a Síndrome Burnout24. Esses resultados são alarmantes, principalmente pelo indicativo de possíveis transtornos psiquiátricos mais graves associados24.

Na atual pesquisa, o não uso de programa de dietas/dietas populares se associou à maior prevalência de TMC. A grande procura dos ACS por uma vida ativa, a fim de modificar atitudes e práticas sobre alimentação e sobre atividade física, assim como prevenir o excesso de peso, na perspectiva de prevenção das doenças crônicas e de promoção da saúde, constitui um fator que pode contribuir para uma melhor saúde mental e a não ocorrência de TMC25,26.

Diante dessa realidade constatada nesta investigação, sugerem-se providências que visem à prevenção de agravos e à promoção da saúde mental dos ACS. Se a natureza do seu trabalho não pode ser modificada, é possível prover os serviços de recursos, tanto materiais quanto organizacionais, de maneira a facilitar o desenvolvimento dos modos operatórios executados pelos ACS2. Em função do impacto negativo dos TMC na qualidade de vida e na saúde, sugere-se que sejam implementados espaços de escuta, reflexões e apoio a esses trabalhadores10,11,17.

Também se indica a promoção de atividades físicas laborais em áreas comunitárias, a fim de melhorar o desempenho físico e reduzir a dor ou a fadiga, bem como o oferecimento de suporte ou acompanhamento psicológico para combater as tensões emocionais vivenciadas no trabalho e a valorização dos processos de trabalho com o reconhecimento da importância e da individualidade do ACS13,24. É válido salientar que a melhoria das condições de saúde do ACS pode repercutir na qualidade dos serviços prestados à população6,11,17.

Por fim, os resultados da presente pesquisa devem ser considerados à luz de certas limitações. Trata-se de um estudo com delineamento transversal, que avalia apenas associação entre variáveis, sem possibilidade de definir relação de causalidade. A amostra, embora representativa, foi restrita aos profissionais de uma única cidade, o que dificulta a generalização dos resultados. A exclusão dos ACS que estavam de férias, licença-saúde e atestado, no momento da coleta dos dados, ou que não foram encontrados após três tentativas pode ter influenciado os resultados finais e subestimado a prevalência encontrada, ainda que tenha sido alta. Tais limitações ensejam a realização de outras pesquisas sobre o assunto. Para estas, recomenda-se a utilização de mais instrumentos validados para melhor mensurar o fenômeno em estudo. Contudo, esta investigação foi conduzida com um seguimento crescente da população de profissionais de saúde, em uma região que até então não contava com estudos dessa natureza.

CONCLUSÃO

O estudo revelou alta prevalência de TMC na população investigada, evidenciando uma situação preocupante quanto à saúde mental dos ACS. Tal situação foi influenciada por características sociodemográficas, ocupacionais e relativas à saúde. Portanto, especial atenção deve ser dada a esses profissionais no que se refere à prevenção de TMC e à promoção da sua saúde mental.

Trabalho realizado na Estratégia de Saúde da Família – Montes Claros (MG), Brasil.

Fonte de financiamento: nenhuma.

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Recebido: 02 de Fevereiro de 2017; Aceito: 16 de Maio de 2017

Endereço para correspondência: Cássio de Almeida Lima, Rua Dom João Pimenta, 781, apto 2 – Centro – CEP: 39400-003 – Montes Claros (MG), Brasil – Email: cassioenf2014@gmail.com

Conflito de interesses: nada a declarar.

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