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Cadernos Saúde Coletiva

Print version ISSN 1414-462XOn-line version ISSN 2358-291X

Cad. saúde colet. vol.27 no.2 Rio de Janeiro Apr./June 2019  Epub July 10, 2019

http://dx.doi.org/10.1590/1414-462x201900020169 

Artigo Original

Estudo Longitudinal EpiFloripa Idoso – Rotinas de organização e protocolos referentes à coleta, análise e armazenamento de material biológico, exames de imagem e capacidade físico-funcional

EpiFloripa Ageing Longitudinal Study – Organizational routines and protocols related to the collection, analysis and storage of biological material, image exams and physical-functional capacity

Susana Cararo Confortin1 
http://orcid.org/0000-0001-5159-4062

Ione Jayce Ceola Schneider1  2 
http://orcid.org/0000-0001-6339-7832

Ana Lúcia Danielewicz1 
http://orcid.org/0000-0003-1563-0470

Angélica Scherlowski Fassula3 
http://orcid.org/0000-0002-6830-8939

Bianca Bittencourt de Souza1 
http://orcid.org/0000-0002-8561-2158

Carla Elane Silva dos Santos4 
http://orcid.org/0000-0002-3659-6921

Danielle Ledur Antes5 
http://orcid.org/0000-0002-9611-519X

Francieli Cembranel1 
http://orcid.org/0000-0002-1205-0449

Karine Gonçalves Pereira1 
http://orcid.org/0000-0002-5701-6412

Lariane Mortean Ono6 
http://orcid.org/0000-0002-7275-5942

Larissa Pruner Marques1 
http://orcid.org/0000-0003-3461-8047

Lucélia Justino Borges7 
http://orcid.org/0000-0002-0142-3641

Rodrigo de Rosso Krug8 
http://orcid.org/0000-0002-6701-0751

Isabela de Carlos Back9 
http://orcid.org/0000-0003-4056-9528

Tania Rosane Bertoldo Benedetti10 
http://orcid.org/0000-0002-2035-5082

Cassiano Ricardo Rech10 
http://orcid.org/0000-0002-9647-3448

Aline Rodrigues Barbosa10 
http://orcid.org/0000-0003-0929-7659

Eleonora d’Orsi1 
http://orcid.org/0000-0003-2027-1089

1Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) - Florianópolis (SC), Brasil.

2Curso de Fisioterapia, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) - Araranguá (SC), Brasil.

3Programa de Pós-graduação em Nutrição, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) - Florianópolis (SC), Brasil.

4Curso de Especialização em Saúde Coletiva, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) - Florianópolis (SC), Brasil.

5Complexo de Ensino Superior Meridional (IMED) - Passo Fundo (RS), Brasil.

6Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) - Florianópolis (SC), Brasil.

7Departamento de Educação Física, Universidade Federal do Paraná (UFPR) - Curitiba (PR), Brasil.

8Centro de Ciências da Saúde e Agrárias, Universidade de Cruz Alta (UNICRUZ) - Cruz Alta (RS), Brasil

9Departamento de Pediatria, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) - Florianópolis (SC), Brasil

10Departamento de Educação Física, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) - Florianópolis (SC), Brasil.

Resumo

Introdução

Exames complementares podem contribuir para a compreensão da etiologia de agravos à saúde de idosos.

Objetivo

Descrever os aspectos operacionais e protocolos referentes à coleta, análise e armazenamento de material biológico, exames de imagem e capacidade físico-funcional.

Método

Estudo longitudinal, de base populacional, com 604 idosos (≥ 60 anos) do estudo EpiFloripa Idoso, em 2014. Foram coletados dados de material biológico, composição corporal, densitometria óssea, ultrassonografia da espessura íntima média das artérias carótidas, força de preensão manual e a atividade física.

Resultados

A taxa de resposta foi de 50,4%. Houve perda de seguimento em relação à faixa etária, estado cognitivo e atividades de vida diária. Os indivíduos que realizaram os exames eram mais novos, trabalhavam no momento da entrevista, ingeriam álcool, eram fisicamente ativos. Além de apresentarem menor grau de dependência, ausência de déficit cognitivo, ausência de sintomas depressivos e ausência de dificuldade na mobilidade.

Conclusão

Espera-se que a descrição das rotinas aplicadas possa auxiliar no desenvolvimento de novas pesquisas semelhantes em grupos de idosos. Assim, poderá ser acompanhado o processo de envelhecimento da população, seus fatores de risco e proteção.

Palavras-chaves:  estudos longitudinais; métodos; idoso

Abstract

Background

Complementary exams may contribute to the understanding of the etiology of health problems in older adults.

Objective

To describe the operational aspects and protocols used to collect, analyze and storage biological materials, image exams and physical-functional capacity tests.

Method

This is a longitudinal and population-based study with 604 older adults (≥ 60 years) from EpiFloripa Ageing Study, in 2014. Data of biological material, body composition, bone densitometry, ultrasonography of the carotid artery intima average thickness, hand grip strength and physical activity were collected.

Results

The response rate was 50.4%. There was loss of follow-up in relation to age, cognitive status, and activities of daily living. The individuals who performed the tests were younger, worked by the time of the interview, ingested alcohol and were physically active. Also, they were less dependent, absence of cognitive impairment, absence of depressive symptoms and absence of difficulty in mobility.

Conclusion

It is expected that the description of the applied routines may help in the development of new similar research in the older adult population. Thus, the aging process of the population, its risk and protection factors can be followed.

Keywords:  longitudinal studies; methods; older adults

INTRODUÇÃO

Estudos epidemiológicos sobre o envelhecimento da população tornam-se importantes, especialmente nos países de média e baixa renda, nos quais tal processo vem ocorrendo de forma acelerada1. A partir desses estudos, pode-se estimar a prevalência de doenças, identificar fatores e comportamentos protetores ou de risco e orientar estratégias preventivas2, como a prática de atividade física, alimentação saudável, realização de consultas e exames regulares, dentre outras, adotadas com base nos resultados de grandes estudos3-5. Além disso, a realização de exames laboratoriais, de imagem e de capacidade físico-funcional exerce papel importante na avaliação de saúde dos idosos, devido à possibilidade de avaliação direta das alterações fisiopatológicas observadas no processo de envelhecimento.

Em estudos epidemiológicos, medidas e informações autorreportadas podem apresentar viés de informação6. A realização de exames complementares pode contribuir para a compreensão da etiologia de agravos à saúde de idosos. Contudo, a realização dessas medidas necessita de maior financiamento, infraestrutura7, planejamento, equipe multidisciplinar, o que pode tornar a condução complexa e de difícil execução. Na América Latina, ainda são poucos os estudos longitudinais de base populacional sobre envelhecimento8-10, e as investigações clínicas, a partir das linhas de base dessas coortes, ainda são incipientes7.

Evidências epidemiológicas sobre a saúde da população idosa são fundamentais para elaborar políticas públicas e programas que atendam às especificidades deste grupo populacional. Assim, ao considerar o estudo longitudinal EpiFloripa Idoso, que avaliou as condições de saúde dos idosos de Florianópolis/Santa Catarina , o presente manuscrito teve por objetivo descrever os aspectos operacionais, as estratégias e os protocolos de coleta, análise e armazenamento de material biológico, de exames de imagem e de capacidade físico-funcional realizados na segunda onda deste estudo.

MÉTODO

O EpiFloripa Idoso é um estudo longitudinal, de base populacional, realizado em 2013/2014, como seguimento ao estudo “Condições de saúde da população idosa do município de Florianópolis/SC: estudo de base populacional – EpiFloripa Idoso”, que teve sua linha de base em 2009/2010.

O estudo foi realizado na zona urbana do município de Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina, região Sul do Brasil. O município possui elevado índice de desenvolvimento humano municipal (IDH-M = 0,847), considerado o terceiro melhor IDH-M do país11. Além disso, apresenta moderada esperança de vida ao nascer (77,4 anos)12. Em 2010, o Índice GINI de renda familiar do município era de 0,54713.

Os métodos para o planejamento amostral da linha de base (2009/2010) e seguimento (2013/2014) foram previamente publicados14. Os idosos que participaram do seguimento, entre 2013 e 2014, foram convidados para a etapa seguinte do estudo, que era a realização de exames complementares nas dependências do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a fim de suplementar as investigações do EpiFloripa Idoso 2013/2014.

Os objetivos da pesquisa foram ampliados no seguimento e realizados coleta, análise e armazenamento de material biológico (sangue), avaliação da composição corporal (DXA), mensuração do nível de atividade física objetiva (acelerômetro), da força de preensão manual (FPM) e ultrassom da carótida. Para tanto, a partir de março de 2014, todos os idosos que responderam à entrevista domiciliar do seguimento (n=1.197) foram contatados por telefone e convidados a participar desta etapa. A etapa dos exames envolveu 604 idosos.

O processo de agendamento dos exames foi realizado via contato telefônico por duas pesquisadoras do estudo. A ordem das ligações obedeceu à sequência de realização das entrevistas e ao interesse demonstrado pelos idosos em participarem desta etapa. Entre os meses de março e julho (2014), foram agendados, em média, 12 idosos/dia, em três dias da semana. A partir de agosto e até dezembro de 2014, o número médio de entrevistas diárias se elevou para 15, e a coleta foi restrita a um dia na semana. Durante o agendamento, todos idosos foram orientados em relação ao local de realização e horário de início dos exames (7h30min da manhã), necessidade de jejum (mínimo de 8 e máximo de 10 horas) e apresentação de documento oficial de identificação com foto.

Nos casos de recusa durante o primeiro contato telefônico, foram realizadas duas novas tentativas em momentos distintos, e somente após o terceiro contato sem sucesso os participantes que se negaram a realizar os exames foram considerados recusas. O mesmo procedimento foi adotado para os participantes agendados e que faltaram aos exames. Assim, aqueles que não compareceram após o terceiro agendamento consecutivo foram considerados recusas.

Em relação à logística de trabalho de campo, ao chegarem ao local do estudo, os participantes foram recepcionados por um dos membros da equipe, que os acompanhavam até o local da realização dos exames. Os objetivos da pesquisa foram explicitados aos participantes, como parte do processo de consentimento de participação, e o participante ou seu responsável legal assinava o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e assinalava os exames que consentiu participar.

Posteriormente, os idosos receberam um crachá de controle, o qual continha etiquetas com os nomes de todos os exames a serem realizados. Após o término de cada exame, o avaliador retirava a etiqueta correspondente.

O primeiro exame era normalmente a coleta de material biológico, principalmente devido ao jejum, que ocorria no laboratório do 4º andar do Departamento de Nutrição do Centro de Ciências da Saúde da UFSC. Em seguida era oferecido café da manhã. Na sequência, os idosos eram encaminhados ao laboratório de antropometria do prédio do Centro Ciências da Saúde da UFSC, onde realizavam as demais avaliações (ultrassom da artéria carótida, DXA, FPM) e para a orientação quanto ao uso do acelerômetro. Cada procedimento era realizado em uma sala particular, e o encaminhamento dos participantes seguia um sistema de revezamento que visava minimizar o tempo de espera, sempre respeitando a ordem de chegada dos participantes.

Após a realização dos procedimentos e orientação em relação ao uso dos acelerômetros, os participantes recebiam um brinde do estudo e eram dispensados.

A equipe de trabalho foi previamente capacitada para a realização dos procedimentos da pesquisa e era composta por discentes de graduação e pós-graduação (mestrado, doutorado e pós-doutorado), com formação em diferentes áreas da saúde (educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia e nutrição), dois professores do Departamento de Saúde Pública e Ciências Médicas – UFSC e pela professora coordenadora do estudo.

O período de realização das coletas foi de março a dezembro de 2014. Todas as coletas aconteceram no período da manhã, nas dependências da UFSC. Entre os meses de março e julho, os entrevistadores se organizaram em três equipes de trabalho, que se alternavam diariamente para realizar as avaliações. Cada uma das equipes era composta por sete discentes e um médico responsável pelo exame de ultrassom da artéria carótida. A professora coordenadora do estudo supervisionava as coletas de todas as equipes.

Cada membro da equipe era responsável por funções específicas dentre as estabelecidas previamente: recepção dos idosos, processo de consentimento em participar do estudo, organização do café da manhã, coleta de material biológico, DXA, ultrassonografia de carótida, orientação e entrega de acelerômetro e teste de FPM.

Coleta, análise e armazenamento de material biológico

O procedimento de coleta de material biológico constou da retirada de amostras sanguíneas. Foi realizado no laboratório da UFSC, entre 7h30min e 9h30min, e seguiu o protocolo do Laboratório do Hospital Universitário da UFSC. A pessoa responsável por auxiliar nesta etapa fazia a identificação do participante, etiquetagem dos tubos e orientação sobre o recebimento dos resultados, o que evitou erros de identificação e garantiu a qualidade da coleta.

Foram coletados 30 mL de sangue venoso periférico de cada participante, após jejum de 8 a 10 horas. Uma parte das amostras sanguíneas foi analisada pelo Laboratório do Hospital Universitário da UFSC, outra foi armazenada em tubos criogênicos (alíquotas de soro e plasma) para posteriores análises, em ultrafreezer a -80 °C. Para controle e posterior localização dos tubos, foi elaborado um mapa das caixas no programa Microsoft Office Excel.

Os exames bioquímicos realizados neste estudo, o método, kit utilizado e os parâmetros foram descritos a seguir no Quadro 1.

Quadro 1 Descrição do método, kit e parâmetros utilizados para os exames bioquímicos. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, 2014/2015 

Exame Método e kit Parâmetros
Colesterol Total Enzimático colorimétrico bicromático de ponto final automatizado, kit Flex® Reagent Cartridge CHOL Desejável < 200 mg/dL;
Limítrofe 200 a 239 mg/dL;
Alto ≥ 240 mg/dL15.
Triglicerídeos Enzimático colorimétrico bicromático de ponto final automatizado, kit
Flex® Reagent Cartridge TC
Ótimo < 150 mg/dL;
Limítrofe 150 a 200 mg/dL;
Alto 201 a 499 mg/dL e
Muito alto ≥ 500 mg/dL15.
HDL-Colesterol Detergente seletivo acelerador, kit Flex® Reagent Cartridge AHDL Baixa < 40 mg/dL;
Limítrofe 40 a 60 mg/dL e
Desejável > 60mg/dL15.
LDL-Colesterol Automatizado de precipitação de lipoproteínas de baixa densidade, kit Flex® Reagent Cartridge ALDL Ótima < 100 mg/dL;
Desejável 100 a 129 mg/dL;
Limítrofe 130 a 159 mg/dL;
Alta 160 a 189 mg/dL e
Muito alta ≥ 190 mg/dL15.
Índices I e II de Castelli (CT/HDL e LDL/HDL) I – Homens desejável até 4,9;
Mulheres até 4,316.
II – Homens desejável até 3,3;
Mulheres até 2,916.
Glicose Adaptação do método hexoquinase-glicose-6-fosfato desidrogenase, kit cartucho Flex® Reagent Cartridge GLUC Normal até 99 mg/dL;
Alterado 100 a 125 mg/dL e
Alto ≥ 126 mg/dL17.
Hemoglobina glicada Amostra de sangue total, por cromatografia de troca iônica de alta pressão. Baixa <4,3%;
Referência 4,3 a 6,1% e
Alta > 6,1%18.
Hemograma completo Citometria de fluxo com laser semicondutor, foco hidrodinâmico e método SLS de detecção da hemoglobina (absorção espectrofotométrica). Hemácias –
Homens 4,5 a 6,0 milhões/mm3;
Mulheres 4 a 5,2 milhões/mm3.
Hemoglobina –
Homens 13 a 18 g/dL;
Mulheres 12 a 16 g/dL.
Hematócrito –
Homens 40,0 a 52,0%;
Mulheres 37,0 a 47,0%.
Leucócitos 3800 e 11000mm3.
Plaquetas 150000 a 400000 mm319.
Ácido Fólico Imunoensaio competitivo por quimioluminescência, kit Folic Acid Immulite® 2000 Baixo < 3 ng/mL;
Normal 3 a 17 ng/mL e
Alto > 17 ng/mL.
Proteína C-Reativa de alta sensibilidade Imunonefelometria Baixo risco <1,0mg/L;
Médio risco 1,0 a 3,0 mg/L e
Alto risco >3,0mg/L20.
Vitamina B-12 Reação de ensaio competitivo enzimático de fase sólida por quimioluminescência, kit Vitamin B12 Immulite® 2000 Baixo < 193 pg/mL;
Normal 193 a 982 pg/mL e
Alto > 982 pg/mL.

Os dados referentes aos resultados dos exames de cada participante foram duplamente digitados em arquivo Excel, a cada semana, para posteriores controles de qualidade e análises estatísticas. No caso de divergência, uma terceira pessoa realizou o acesso aos exames de sangue para conferência do valor.

Composição corporal e densitometria óssea

As avaliações da composição corporal e densitometria óssea foram realizadas por meio do densitômetro de dupla emissão com fonte de raios X (DXA – Dual Energy X-ray Absorptiometry, Modelo Lunar Prodigy Advance da General Electric). Para verificar/garantir a funcionalidade e a precisão do densitômetro, realizou-se o procedimento diário e semanal de garantia de qualidade, com objeto-padrão próprio para massa óssea e outro para as partes moles, de acordo com as recomendações do aparelho/fabricante21.

Os dados coletados no DXA incluíram informações para determinação da gordura corporal relativa (% gordura), massa de gordura (MG em kg), massa magra (MM em kg), conteúdo mineral ósseo (CMO), densidade mineral óssea (DMO), densidade mineral óssea da coluna lombar (DMOCL) e densidade mineral óssea do colo do fêmur (DMOCF). Para a DMO, adotou-se a classificação apresentada no Quadro 2.

Quadro 2 Classificação para a densidade mineral óssea de acordo com o sexo 

Mulher Homem
DMO total
Normal Acima de 1,045 Acima de 1,140
Osteopenia De 1,045 a 0,885 De 1,140 a 0,980
Osteoporose Abaixo de 0,885 Abaixo de 0,980
DMO Coluna lombar
Normal Acima de 1,075 Acima de 1,116
Osteopenia De 1,075 a 0,895 De 1,116 a 0,876
Osteoporose Abaixo de 0,895 Abaixo de 0,876
DMO Colo Fêmur
Normal Acima de 0,882 Acima de 0,957
Osteopenia De 0,882 a 0,706 De 0,957 a 0,669
Osteoporose Abaixo de 0,706 Abaixo de 0,669

Legenda: DMO: densidade mineral óssea. A DMO foi calculada a partir da própria amostra deste estudo, sendo considerados, conforme consenso da Organização Mundial da Saúde (OMS)22, como normal (até -1 DP da média), osteopenia (de -1 a -2,5 DP) e osteoporose (-2,5 DP para mais)

A equipe responsável por essa coleta realizou procedimentos de treinamento com um especialista na área para padronização das medidas realizadas.

No que se refere ao procedimento de avaliação, ao entrar na sala de avaliação, era solicitado ao idoso que removesse todos os seus objetos pessoais de metal, os quais eram colocados em embalagem plástica, lacrados, e o idoso era convidado a guardar este em sua bolsa, para não haver perdas. Durante esse procedimento também se explicava o objetivo do exame ao participante.

Enquanto o avaliador posicionava o idoso, explanava as instruções de que deveria permanecer imóvel e não poderia conversar durante a avaliação, as quais eram repetidas caso houvesse dúvidas. O exame foi realizado procedendo à varredura total do corpo do idoso, densitometria da coluna lombar e densitometria do colo do fêmur. O procedimento total durava, em média, 15 minutos.

Idosos com estatura igual ou superior a 192,5 centímetros e/ou massa corporal igual ou superior a 136,4 kg deveriam ser excluídos do exame, devido às limitações do aparelho. Contudo, não houve nenhum idoso com essas características.

Para realização da varredura total do corpo, o idoso deveria estar centralizado na mesa de exame, em decúbito dorsal, de acordo com a linha central da mesa do DXA, a qual é referência para o alinhamento do corpo. Os braços estendidos sobre a mesa ao longo do corpo, em rotação lateral, com polegares para cima e as palmas das mãos direcionadas para as pernas. A cabeça do idoso era posicionada, aproximadamente, três centímetros abaixo da margem superior da área de varredura da mesa. Os joelhos e os pés do idoso eram contidos com faixas de velcro, a fim de impedir qualquer movimento durante a medição. Caso o idoso fosse maior do que a área de varredura do aparelho, este era posicionado para uma varredura de meio corpo (também conhecida como Mirror Image), conforme instrução do manual do próprio equipamento, o qual estipula ainda que, além de todo o lado direito do corpo, toda a cabeça e a coluna devem estar incluídas na janela de varredura.

Nos casos de dificuldade para manter a posição de decúbito dorsal sem apoio para a cabeça, era oferecido um pequeno travesseiro próprio do aparelho, que não modificava o procedimento realizado.

A posição inicial para a medição da coluna lombar seguiu o mesmo padrão da postura adotada para o corpo inteiro em relação à linha central do DXA, com exceção dos braços, que deveriam estar cruzados sobre o peito e afastados das laterais do quadril, e dos membros inferiores em abdução e rotação interna. Após o posicionamento, utilizava-se uma peça triangular entre os membros inferiores, intitulada correia para pés, para auxiliar na manutenção da postura correta para o exame, não permitindo que o idoso movimentasse as pernas.

Para a avaliação da coluna lombar, posicionava-se o laser cerca de cinco centímetros abaixo da linha do umbigo do idoso e no mesmo plano longitudinal da linha média do corpo. Nos casos em que o idoso apresentava excessiva massa gorda com protuberância abdominal, essa medida de cinco centímetros era descartada, utilizando-se como ponto para o laser o próprio umbigo, levando-se em consideração a visualização da quinta vértebra lombar na imagem. Aqueles idosos que não conseguiam posicionar toda a coluna lombar na mesa de exame, ou com dificuldade para permanecer na posição inicial com os membros inferiores estendidos, foram posicionados com uma almofada em forma de cubo colocada abaixo das pernas, mantendo flexão de quadris e joelhos de aproximadamente 90 graus.

A posição inicial para a medição do fêmur duplo era a mesma posição adotada para a coluna lombar. Para o exame do fêmur duplo (colo do fêmur), a luz do laser do DXA era posicionada, aproximadamente, sete a oito centímetros abaixo do trocânter maior, onde a linha transversal (sínfise púbica) e a linha média do fêmur se intersectam. Avaliava-se primeiro o fêmur esquerdo e, posteriormente, o fêmur direito.

Ao final de cada dia de coleta, o responsável pelos exames realizava a conferência, correção de pontos de referência (se necessária) e salvamento das imagens dos exames no banco de dados da pesquisa, a fim de evitar acúmulo de dados, perda de exames realizados e facilitar o envio dos resultados aos idosos. Os dados numéricos que compunham o banco de dados da pesquisa foram exportados em Microsoft Access e convertidos para Stata, o que evitou erros de digitação.

Ultrassom de carótida

O ultrassom de carótida foi realizado utilizando o equipamento Ultrassom Portátil da marca Toshiba, com transdutor setorial. A avaliação foi feita mediante a determinação de três medidas da espessura da íntima-média carotídea.

O procedimento adotado na coleta de dados do EpiFloripa Idoso 2013/2014 incorporou a medida de Espessura Íntima Média das Artérias Carótidas (IMT) das carótidas direitas e esquerdas, com o objetivo de validar o resultado obtido na primeira medida, bem como atestar que os resultados sobre os espessamentos de íntima normalmente se estendem a todas as artérias do sistema circulatório. A equipe responsável por esta coleta realizou procedimentos de treinamento com especialista na área para padronização das medidas a serem realizadas.

As imagens reproduzidas pelo aparelho de USG foram transferidas para um computador que, mediante a leitura dos dados através do software IMT (Intelligence in Medical Technologies), permite a emissão de laudos.

Esta consolidação dos dados foi feita através da digitação dos dados no programa EpiData 3.1, digitadas informações referentes à avaliação dos lados direito e esquerdo das carótidas, compreendendo as variáveis: presença ou não de placas, tamanho das placas (mm), percentual de obstrução, além da extensão medida (mm), qualidade da medida, IMT valor máximo (mm), IMT valor médio (mm) e o desvio padrão (mm). As medidas realizadas da IMT são dadas pelo espaço compreendido entre as duas linhas e corresponde à soma das camadas íntima e média. Adotou-se como critério neste estudo a medida da parede posterior da artéria, uma vez que estudos indicam que as medidas da parede posterior são mais indicativas da real espessura da parede do vaso, além de serem mais reprodutíveis23.

Força de preensão manual

A máxima preensão manual (dinamometria) foi avaliada por meio de dinamômetro mecânico (Takei Kiki Kogyio TK 1201, Japão), ajustado para cada indivíduo, de acordo com o tamanho das mãos.

O teste foi realizado no braço de maior força, de acordo com o relato do participante. Esta informação foi anotada em formulário. Para a execução do teste, o indivíduo permaneceu sentado, com o cotovelo apoiado em uma mesa, antebraço estendido à frente e palma da mão voltada para cima. O participante foi estimulado a exercer a maior preensão possível. Esse procedimento foi realizado duas vezes, com intervalo de um minuto entre as execuções, e computado o maior valor (kg)24.

Para a consolidação do banco de dados, um formulário Google Forms foi criado com campos para preenchimento, com os itens: nome do entrevistado, número de identificação, idade, sexo, membro superior de maior força, mão dominante, mão não dominante e valor da FPM. O formulário foi vinculado a uma planilha no Planilhas Google, para a qual as respostas foram automaticamente enviadas. Ao final das coletas, a planilha foi exportada para o programa Microsoft Office Excel.

Os valores (kg) do desempenho no teste de FPM foram definidos de acordo com o sexo e índice de massa corporal [IMC = massa corporal (kg)/estatura (m)2]. Os valores de pontos de corte do IMC foram os seguintes25: IMC < 22 kg/m2, baixo peso; ≥ 22,0 kg/m2 e ≤ 27 kg/m2, peso adequado; e > 27 kg/m2, excesso de peso. Para cada categoria do IMC, os pontos de corte para a FPM (kg) foram fixados no primeiro quintil, baseado na proposta de Fried et al26: a) mulheres, ≤ 11,1 kg para idosas com baixo peso; ≤ 13,5 kg para idosas com peso adequado; e ≤ 13,5 kg para idosas com excesso de peso; b) homens, ≤ 18,0 kg para idosos com baixo peso; ≤ 21,5 kg para idosos com peso adequado; e ≤ 23,5 kg para idosos com excesso de peso.

Atividade física

As medidas de atividade física e do tempo sedentário foram obtidas por meio do uso de acelerômetro (modelos GT3X e GTX3+) da Actigraf®, instrumento válido e fidedigno, que fornece informações quanto ao volume e intensidade das atividades realizadas, expressas em counts27-29. Utilizaram-se epochs de 60 segundos, devido ao padrão de atividades de baixa intensidade e longa duração da amostra30,31.

Todos os idosos que realizaram os exames foram convidados a utilizar o acelerômetro durante sete dias consecutivos. Porém, indivíduos que apresentassem baixa mobilidade (cadeirantes, acamados, problemas de locomoção), pescadores (por se envolverem em atividades aquáticas) e provável déficit cognitivo não foram considerados elegíveis. Os idosos foram orientados a usar o acelerômetro somente no período de vigília, exceto no banho e em atividades aquáticas. O período de coleta de dados para cada participante teve duração aproximada de 11 dias, correspondendo: a) 1º dia: programação do monitor e entrega ao pesquisador; b) 2º dia: entrega do monitor juntamente com um cartão de visita, com número de telefone dos pesquisadores (caso os participantes morassem no mesmo domicílio, os cintos acoplados aos acelerômetros eram distribuídos em cores diferentes) e explicação dos procedimentos de utilização; c) do 3º ao 9º dia: período para uso do monitor (programação para coleta com epochs de 60 segundos, iniciada a partir das 00h00min do 3º dia); d) 10º dia: retirada do monitor; e) 11º dia: download e validação dos dados.

O controle de qualidade da utilização do equipamento foi realizado por meio de ligações telefônicas no segundo e no quinto dia de uso, com o objetivo de alertar o participante sobre o posicionamento do aparelho (no quadril direito, fixado em um cinto ajustável de tecido de algodão sobre a roupa), sua utilização diária a partir das primeiras horas da manhã, o uso exclusivo, o incentivo à realização das atividades rotineiras, a resolução de possíveis dúvidas e sua utilização durante sete dias consecutivos.

A priori, todos os acelerômetros foram calibrados e todos os envolvidos na coleta participaram de treinamento realizado pelos coordenadores da pesquisa, com leitura do manual de instruções. O manual foi disponibilizado a todos os pesquisadores, para que recorressem, a qualquer momento, diante de eventuais dúvidas.

Para diminuir as perdas dos equipamentos pelos participantes e recusas do seu uso, estratégias como oferecimento do transporte até a UFSC ou a busca do aparelho em domicílio, quando observada a impossibilidade de entrega, foram utilizadas. Além disso, valorizou-se a realização de contatos telefônicos educados e gentis em todas as oportunidades, bem como diferentes abordagens que esclarecessem os benefícios da realização dos exames foram mencionadas.

No que se refere à consolidação do banco de dados, os aparelhos foram programados e os dados analisados no software ActiLife versão 6.11.7, e foram consideradas informações válidas quando: a) o participante utilizou o aparelho por pelo menos quatro dias (pelo menos um dia no final de semana); b) apresentou ≥ 600 minutos de uso/dia em dias de semana e ≥ 480 minutos/dia no final de semana; e c) horas de uso que registrassem menos de 60 zeros consecutivos32. Além disso, adotou-se a seguinte classificação para as intensidades de atividades: a) tempo sedentário (≤ 100 counts/min); b) atividades de intensidade leve (100-1951 counts/min).); c) moderadas (≥ 1952 counts/min); d) vigorosas/muito vigorosas (≥ 5725 counts/min)29.

Suporte técnico geral

Foram realizadas reuniões semanais entre a coordenadora da pesquisa e os supervisores, cujo objetivo pautava-se na atualização das informações, relato do andamento da coleta e na resolução de dificuldades encontradas, tanto em relação ao manejo dos equipamentos, contato com os idosos, quanto com a exportação e consolidação dos bancos de dados.

Aspectos éticos

O projeto foi submetido e apreciado conforme a resolução nº 466 de 2012 do Conselho Nacional de Saúde, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFSC, segundo parecer nº 526.126, emitido em 09/12/2013. Todos os idosos assinaram o TCLE, que foi entregue em duas vias, após o processo de consentimento em participação da pesquisa.

Financiamento e prestação de contas

O estudou foi apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), processo nº 475.904/2013-3 e infraestrutura da UFSC. Deste valor, 76,3% foram aplicados na aquisição de kits e materiais de análises bioquímicas; 5,2% com pagamento de entrevistadores; 8,5% despesas administrativas e 10% em transporte dos voluntários. Por fim, o custo médio por participantes foi de R$ 97,88 (US$ 30,58).

RESULTADOS

Do total de idosos entrevistados na linha de base, dois foram excluídos por duplicidade de dados, e um devido à idade ser incompatível com o estudo. Assim, foram analisados os resultados de 1.702 idosos, com idade entre 60 e 104 anos (mediana de 70 anos). Para realização do estudo de seguimento, dos 1.702 idosos entrevistados na primeira onda, 217 foram a óbito (12,8%), 159 foram perdas (9,3%) e 129 recusas (7,6%), o que totalizou 1.197 (70,3%) entrevistados. Na etapa dos exames, 10 foram a óbito no período de coleta, 52 foram consideradas perdas, 531 foram consideradas recusas, e aceitaram participar dos exames 604 idosos (taxa de resposta de 50,4%).

Os idosos que participaram das coletas dos exames eram, na maioria, do sexo feminino, com idade de 60 a 69 anos, brancos, casados(as), com renda superior a 5 salários mínimos, com escolaridade de 1 a 4 anos, com provável ausência de déficit cognitivo, dependência em 1 a 3 atividades da vida diária (AVD) e sem sintomas depressivos (Tabela 1).

Tabela 1 Distribuição percentual dos idosos que participaram da coleta, análise e armazenamento de material biológico, exames de imagem e capacidade físico-funcional, segundo características sociodemográficas e de saúde, em relação à primeira onda do Estudo EpiFloripa Idoso 2009/2010 

Variáveis Primeira Onda Seguimento Valor de p
n % (IC95%) n % (IC95%)
Sexo 0,840
Feminino 1088 62,5 (59,6-65,3) 394 62,8 (58,2-67,3)
Masculino 614 37,5 (34,7-40,4) 210 37,2 (32,7-41,8)
Total 1702 604
Faixa etária <0,001
60 a 69 anos 851 51,0 (48,1-53,8) 374 62,4 (56,9-67,6)
70 a 79 anos 612 35,3 (32,5-38,3) 198 33,5 (28,3-39,2)
80 anos ou mais 239 13,7 (11,4-16,4) 32 4,1 (2,4-6,8)
Total 1702 604
Raça 0,582
Branca 1441 86,8 (83,1-89,7) 505 85,7 (80,4-89,7)
Parta 131 7,3 (5,3-9,9) 47 7,0 (4,5-10,5)
Negra ou preta 84 4,3 (3,0-6,1) 38 5,2 (3,2-8,4)
Amarela 12 0,6 (0,3-1,3) 6 0,9 (0,3-2,7)
Indígena 17 1,0 (0,6-1,7) 5 1,2 (0,5-3,1)
Total 1685 601
Estado civil 0,032
Casado(a) 990 58,3 (54,7-61,8) 364 62,3 (56,9-67,5)
Solteiro(a) 99 5,4 (4,1-7,2) 40 5,9 (3,7-9,3)
Divorciado/Separado/Desquitado(a) 132 8,3 (6,9-10,0) 53 9,5 (6,8-13,2)
Viúvo(a) 481 27,9 (25,0-31,0) 147 22,2 (18,5-26,5)
Total 1702 604
Renda familiar 0,468
Menor ou igual a 1 SM 238 12,6 (10,3-15,5) 77 11,7 (8,5-16,0)
> 1 a 3 SM 429 25,2 (21,4-29,4) 141 22,9 (17,8-28,9)
> 3 SM a 5 SM 309 17,7 (15,6-20,0) 119 19,7 (15,5-24,6)
> 5 SM a 10 SM 393 23,7 (20,8-26,8) 148 25,2 (21,4-29,4)
> 10 SM 333 20,8 (17,0-25,1) 119 20,5 (16,0-25,8)
Total 1702 604
Escolaridade 0,088
Sem escolaridade formal 158 8,2 (6,3-10,5) 42 5,8 (4,1-8,1)
1 a 4 anos 595 33,1 (28,6-37,9) 218 33,9 (26,5-42,1)
5 a 8 anos 307 17,8 (15,4-20,4) 107 17,9 (14,3-22,0)
9 a 11 anos 241 16,0 (13,6-18,8) 94 18,9 (15,2-22,7)
12 ou mais anos 393 25,0 (20,4-30,2) 142 23,8 (18,8-29,6)
Total 1694 603
Estado cognitivo* <0,001
Ausência de provável déficit cognitivo 1244 76,0 (71,2-80,2) 495 84,1 (78,3-88,6)
Presença de provável déficit cognitivo 443 24,0 (20,0-28,8) 106 15,9 (11,4-21,7)
Total 1687 601
Dependência em Atividades de Vida Diária (AVD) 0,009
Nenhuma AVD 457 25,6 (22,3-29,1) 194 30,4 (25,0-36,4)
1 a 3 AVD 708 43,0 (38,9-47,2) 260 43,9 (38,4-49,5)
4 ou mais AVD 537 31,4 (28,3-34,8) 150 25,7 (21,7-30,2)
Total 1702 604
Sintomas depressivos 0,035
Normal 1409 86,4 (84,0-88,4) 523 89,8 (85,3-93,1)
Suspeita à depressão 225 13,6 (11,5-16,10) 63 10,2 (6,9-14,7)
Total 1634 586

*Investigado pelo Miniexame do Estado Mental33, categorizado de acordo com Almeida34;

Avaliada por meio do Questionário Brasileiro de Avaliação Funcional Multidimensional adaptado do questionário Old Americans Resources and Services (BOMFAQ/OARS), categorizada de acordo com Rosa et al.35

Ao comparar as distribuições da linha de base, em relação às características sociodemográficas e às condições de saúde da linha de base e do seguimento com os exames, observou-se diferença entre faixa etária (p<0,001), estado civil (p=0,032), estado cognitivo (p<0,001), dependência em AVD (p=0,009) e sintomas depressivos (p=0,035) (Tabela 1).

Ao ser analisada a distribuição de respondentes, perdas, recusas e óbitos em relação à linha de base, demonstrado na Tabela 2, houve diferenças entre as categorias de faixa etária, raça, estado civil, escolaridade, estado cognitivo, dependência em AVD e sintomas depressivos.

Tabela 2 Distribuição percentual dos idosos que participaram da coleta, análise e armazenamento de material biológico, exames de imagem e capacidade físico-funcional, segundo características sociodemográficas e de saúde, em relação à linha de base do Estudo EpiFloripa Idoso 2009/2010 

Variáveis Total
(baseline)
Entrevistados Perdas Recusa Óbitos Valor de p
n % (IC95%) n % (IC95%) n % (IC95%) n % (IC95%) n % (IC95%)
Sexo 0,090
Feminino 1088 63,9 (61,6-66,2) 394 36,8 (32,5-41,3) 138 12,1 (9,1-15,8) 429 40,1 (36,1-44,2) 127 11,0 (8,9-13,6)
Masculino 614 36,1 (33,8-38,4) 210 36,3 (59,0-68,2) 73 11,1 (7,6-16,1) 231 37,5 (33,1-42,0) 100 15,1 (12,6-18,0)
Total 1702 604 211 660 227
Faixa etária <0,001
60 a 69 anos 851 50,0 (47,6-52,3) 374 44,8 (40,1-49,7) 121 13,6 (9,3-19,5) 310 35,7 (31,0-40,6) 46 5,9 (4,1-8,4)
70 a 79 anos 612 36,0 (33,7-38,2) 198 34,7 (28,9-41,0) 69 10,1 (7,3-13,9) 261 43,4 (37,2-49,7) 84 11,8 (9,2-15,0)
80 anos ou mais 239 14,0 (12,4-15,8) 32 10,9 (6,5-17,7) 21 8,9 (5,3-14,6) 89 41,0 (32,7-49,9) 97 39,1 (33,5-45,1)
Total 1702 604 211 660 227
Raça 0,001
Branca 1441 85,5 (83,8-87,1) 505 36,3 (32-4-40,4) 163 10,6 (8,0-13,8) 596 41,9 (38,1-45,7) 177 11,2 (9,2-13,4)
Parta 131 7,8 (6,6-9,1) 47 35,3 (26,7-45,0) 26 20,5 (12,0-32,7) 35 23,2 (16,0-32,3) 23 21,0 (12,4-33,1)
Negra ou preta 84 5,0 (4,0-6,1) 38 44,5 (30,4-59,6) 17 20,8 (8,9-41,5) 19 19,9 (11,6-31,8) 10 14,8 (6,8-29,0)
Amarela 12 0,7 (0,4-1,2) 6 52,4 (17,6-84,9) - - 4 37,1 (12,2-71,5) 2 10,5 (2,4-35,5)
Indígena 17 1,0 (0,6-1,6) 5 56,6 (25,4-83,2) 3 11,5 (3,3-32,7) 4 23,3 (8,3-50,5) 5 21,7 (8,2-46,4)
Total 1685 601 209 658 217
Estado civil 0,001
Casado(a) 990 58,2 (55,8-60,5) 364 39,1 (34,6-43,8) 105 9,9 (6,9-14,1) 408 40,7 (36,0-45,5) 113 10,3 (8,2-12,8)
Solteiro(a) 99 5,8 (4,8-7,0) 40 39,6 (28,1-52,4) 13 12,4 (7,3-20,0) 35 34,0 (23,0-47,0) 11 14,0 (7,1-25,7)
Divorciado/Separado/Desquitado(a) 132 7,8 (6,6-9,1) 53 41,9 (28,7-56,3) 27 18,9 (12,2-28,1) 36 29,9 (21,0-40,8) 16 9,3 (5,4-15,6)
Viúvo(a) 481 28,3 (26,2-30,5) 147 29,2 (24,5-34,4) 66 12,3 (9,4-18,3) 181 39,6 (34,6-44,8) 87 17,9 (14,3-22,2)
Total 1702 604 211 660 227
Renda familiar 0,406
Menor ou igual a 1 SM 238 14,0 (12,4-15,7) 77 33,9 (26,6-42,0) 28 13,2 (8,3-20,3) 99 39,6 (33,1-46,4) 34 13,3 (9,0-19,3)
> 1 a 3 SM 429 25,2 (23,2-27,3) 141 33,2 (27,239,9) 60 13,2 (7,8-21,6) 166 39,4 (32,8-46,4) 62 14,1 (11,0-17,9)
> 3 SM a 5 SM 309 18,2 (16,4-20,1) 119 40,8 (33,0-49,1) 44 11,4 (7,0-17,9) 104 34,3 (29,0-39,9) 42 13,5 (8,7-20,3)
> 5 SM a 10 SM 393 23,1 (21,1-25,2) 148 39,0 (32,5-45,8) 53 13,2 (9,4-18,3) 145 36,8 (31,0-43,0) 47 11,0 (7,9-15,2)
> 10 SM 333 19,6 (17,7-21,5) 119 36,1 (29,2-43,6) 26 7,6 (4,8-11,9) 146 45,2 (38,0-52,6) 42 11,1 (7,6-15,8)
Total 1702 604 211 660 227
Escolaridade 0,001
Sem escolaridade formal 158 9,3 (8,0-10,8) 42 26,0 (19,6-33,6) 25 16,6 (8,9-29,0) 54 35,0 (26,8-44,2) 37 22,3 (15,7-30,7)
1 a 4 anos 595 35,1 (32,9-37,4) 218 37,6 (31,7-43,8) 62 9,1 (6,7-12,2) 233 38,9 (33,6-44,5) 82 14,4 (11,3-18,1)
5 a 8 anos 307 18,1 (16,3-20,0) 107 36,9 (29,9-44,5) 49 16,2 (10,1-25,0) 110 32,9 (26,3-40,3) 41 14,0 (9,9-19,3)
9 a 11 anos 241 14,2 (12,6-16,0) 94 42,8 (35,2-50,8) 25 8,7 (4,7-15,6) 93 37,8 (30,7-45,4) 29 6,3 (3,9-10,0)
12 ou mais anos 393 23,2 (21,2-25,3) 142 34,9 (29,3-41,0) 50 12,6 (7,9-19,7) 169 46,1(39,8-52,5) 32 6,3 (3,9-10,0)
Total 1694 603 211 659 221
Estado cognitivo* <0,001
Ausência de provável déficit cognitivo 1244 73,7 (71,6-75,8) 495 40,6 (36,6-44,7) 145 11,1(8,0-15,2) 484 39,1(35,6-42,7) 120 9,1 (7,5-11,1)
Presença de provável déficit cognitivo 443 26,3 (24,2-28,4) 106 24,4 (18,7-31,1) 66 14,1(9,9019,7) 172 39,4(32,6-46,7) 99 22,1 (17,6-27,4)
Total 1687 601 211 656 219
Dependência em Atividades de Vida Diária (AVD) <0,001
Nenhuma AVD 457 26,9 (24,8-29,0) 194 43,5 (36,2-51,0) 75 16,1 (8,4-28,7) 170 36,4 (30,3-43,0) 18 4,0 (2,11-7,5)
1 a 3 AVD 708 41,6 (39,3-44,0) 260 37,4 (31,8-43,4) 84 12,1 (9,4-15,5) 307 43,5 (38,0-49,2) 57 7,0 (5,3-9,2)
4 ou mais AVD 537 31,5 (29,4-33,8) 150 30,0 (25,2-35,1) 52 7,7 (5,6-10,5) 183 35,3 (30,1-40,9) 152 27,0 (23,1-31,3)
Total 1702 604 211 660 227
Sintomas depressivos <0,001
Normal 1409 86,2 (84,4-87,8) 523 38,4 (34,2-42,8) 182 12,0 (8,7-16,4) 563 40,8 (36,8-44,9) 141 8,8 (7,4-10,3)
Suspeita à depressão 225 13,8 (12,2-15,5) 63 27,6 (20,5-36,0) 23 10,2 (5,3-18,6) 79 31,7 (23,9-40-7) 60 30,5 (23,3-38,8)
Total 1634 586 205 642 201

*Investigado pelo Miniexame do Estado Mental33, categorizado de acordo com Almeida34; † Avaliada por meio do Questionário Brasileiro de Avaliação Funcional Multidimensional adaptado do questionário Old Americans Resources and Services (BOMFAQ/OARS), categorizada de acordo com Rosa et al.35

Em relação à faixa etária, os respondentes do seguimento eram idosos mais jovens, e os óbitos ocorreram em 39,1% daqueles com 80 anos ou mais na linha de base. Na variável raça, houve mais recusas nas categorias de brancos e amarelos. Houve maior percentual de óbitos entre os viúvos, assim como naqueles sem escolaridade formal. Ao analisar a variável déficit cognitivo, percebe-se que houve maior percentual de respondentes entre aqueles que tinham ausência de déficit e maior percentual de óbitos naqueles com provável déficit. Isso também é observado para a dependência em quatro ou mais AVD, e para com suspeita à depressão, ambos apresentaram maior percentual de óbitos (Tabela 2).

Ao comparar os respondentes com as perdas e recusas agrupadas, sem os óbitos, houve diferença entre as variáveis faixa etária (p<0,001) e estado cognitivo (p<0,001). Percebe-se que, com o aumento da idade, houve redução da participação nos exames, e essa redução também foi percebida naqueles com provável déficit cognitivo (Tabela 3).

Tabela 3 Distribuição percentual dos idosos que participaram da coleta, análise e armazenamento de material biológico, exames de imagem e capacidade físico-funcional, segundo características solciodemográficas e de saúde, em relação à linha de baseado Estudo EpiFloripa Idoso 2009/2010 

Variáveis Agendado/fizeram exame Não resposta (perdas/recusa) Valor de p
n % (IC95%) n % (IC95%)
Sexo 0,644
Feminino 394 41,4 (36,7-46,2) 567 58,6 (53,8-63,3)
Masculino 210 42,7 (37,3-48,3) 304 57,3 (51,7-62,6)
Total 604 871
Faixa etária <0,001
60 a 69 anos 374 47,6 (42,4-52,9) 431 52,4 (47,1-57,6)
70 a 79 anos 198 39,4 (32,7-46,4) 330 60,6 (53,6-67,3)
80 anos ou mais 32 17,9 (10,6-28,8) 110 82,1 (71,2-89,4)
Total 604 871
Raça 0,418
Branca 505 40,9 (36,5-45,5) 759 59,1 (54,5-63,5)
Parta 47 44,7 (34,5-55,4) 61 55,3 (44,6-65,5)
Negra ou preta 38 52,3 (35,8-68,2) 36 47,7 (31,8-64,2)
Amarela 6 58,5 (23,4-86,7) 4 41,5 (13,3-76,6)
Indígena 5 55,5 (24,5-82,7) 7 44,5 (17,3-75,5)
Total 601 867
Estado civil 0,178
Casado(a) 364 43,6 (38,4-49,0) 513 56,4 (51,0-61,6)
Solteiro(a) 40 46,1 (33,8-58,8) 48 53,9 (41,1-66,2)
Divorciado/Separado/Desquitado(a) 53 46,2 (32,2-60,8) 63 53,8 (39,2-67,8)
Viúvo(a) 147 35,5 (30,2-41,2) 247 64,5 (58,8-69,8)
Total 604
Renda familiar 0,455
Menor ou igual a 1 SM 77 39,1 (31,73-47,0) 127 60,9 (53,0-68,3)
> 1 a 3 SM 141 38,7 (31,27-46,7) 226 61,3 (53,3-68,7)
> 3 SM a 5 SM 119 47,2 (39,17-55,3) 148 52,8 (44,7-60,8)
> 5 SM a 10 SM 148 43,8 (36,98-50,8) 198 56,2 (49,2-63,0)
> 10 SM 119 40,6 (32,60-49,1) 172 59,4 (50,9-67,4)
Total 604 871
Escolaridade 0,130
Sem escolaridade formal 42 33,5 (25,5-42,6) 79 66,5 (57,4-74,5)
1 a 4 anos 218 43,9 (37,3-50,7) 295 56,1 (49,3-62,7)
5 a 8 anos 107 42,9 (34,4-51,8) 159 57,1 (48,1-65,6)
9 a 11 anos 94 48,0 (39,6-56,4) 118 52,0 (43,6-60,4)
12 ou mais anos 142 37,3 (31,1-43,9) 219 62,7 (56,1-68,9)
Total 603
Estado cognitivo* 0,001
Ausência de provável déficit cognitivo 495 44,7 (40,4-49,0) 629 55,3 (51,0-59,6)
Presença de provável déficit cognitivo 106 31,3 (24,2-39,4) 238 68,7 (60,6-75,8)
Total 601
Dependência em Atividades de Vida Diária (AVD)† 0,502
Nenhuma AVD 194 45,3 (37,5-53,3) 245 54,7 (46,7-62,4)
1 a 3 AVD 260 40,2 (34,3-46,4) 391 59,8 (53,6-65,6)
4 ou mais AVD 150 41,0 (34,6-47,8) 235 59,0 (52,2-65,4)
Total 604 871
Sintomas depressivos 0,705
Normal 523 42,1 (37,6-46,8) 745 57,9 (53,2-62,4)
Suspeita à depressão 63 39,7 (28,9-51,6) 102 60,9 (48,4-71,1)
Total 586 847

*Investigado pelo Miniexame do Estado Mental33, categorizado de acordo com Almeida34;

Avaliada por meio do Questionário Brasileiro de Avaliação Funcional Multidimensional adaptado do questionário Old Americans Resources and Services (BOMFAQ/OARS), categorizada de acordo com Rosa et al.35

DISCUSSÃO

Com base nos resultados encontrados, foi possível observar que os idosos que realizaram os exames, quando comparados à distribuição da linha de base, apresentaram mudanças importantes na faixa etária, estado civil, estado cognitivo, dependência funcional e sintomas depressivos. Ainda quando analisada a distribuição entre os respondentes, perdas, recusas e óbitos, os idosos mais velhos, viúvos, sem escolaridade formal, com provável déficit cognitivo, com dependência em quatro ou mais AVD e com suspeita de depressão foram mais a óbito. Além disso, observou-se que os idosos mais velhos e com déficit cognitivo reduziram a participação nos exames.

O fato de idosos mais velhos terem maior prevalência de mortalidade quando comparados a idosos mais novos é esperado36, visto o curso natural da vida, maior probabilidade de doenças, menor nível de atividade física, redução da capacidade física e mental e, consequentemente, pior qualidade de vida37.

O estado civil tem papel significativo nos diferenciais de saúde, pois foi demonstrado que o casamento tem efeito protetivo para bons hábitos de saúde36. A viuvez tem relação com a maior mortalidade, dada à influência negativa sobre o estado de saúde, luto, sofrimento psíquico, transtornos mentais e menor utilização de serviços de saúde38.

Quanto à escolaridade, constatou-se que idosos com menores níveis educacionais morreram mais. Piores condições de moradia, de acesso à saúde, acesso a informações, menor renda e maior risco de quedas podem estar relacionados à escolaridade39,40.

Os resultados também evidenciaram que os idosos dependentes em quatro ou mais AVD, assim como aqueles com provável déficit cognitivo, tiveram maiores proporções de óbitos quando comparados aos independentes e àqueles sem alterações cognitivas, respectivamente. De acordo com os dados do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES), a presença de incapacidade no domínio de atividades básicas da vida diária, por si só, mostrou chances quase três vezes maiores de mortalidade por todas as causas de morte entre os idosos americanos com idade entre 65 e 84 anos, independente das suas características sociodemográficas e demais condições de saúde41. De modo semelhante, o pior desempenho em testes cognitivos, quando avaliado isoladamente, correlaciona-se inversamente ao maior risco de mortalidade em idosos a partir de 60 anos42.

Além desses, outros estudos longitudinais têm evidenciado que o risco de mortalidade se eleva substancialmente na presença de incapacidades funcionais e cognitivas43,44. Explicações plausíveis para essas associações são multifatoriais e envolvem, especialmente, a perda de força e/ou massa muscular e a menor velocidade de marcha, as quais decorrem tanto das alterações funcionais e cognitivas quanto do próprio avanço da idade45. Com isso, torna-se claro que a detecção precoce, tanto da incapacidade quanto do déficit cognitivo, pode ser benéfica para reconhecer quais idosos mais necessitam de intervenções que visem diminuir o risco de morte.

A maior mortalidade de idosos com suspeita de depressão tem sido atribuída ao fato de que idosos com sintomas depressivos têm pior qualidade de vida e aumento do risco para doenças cardiovasculares e demência46,47. Em Taiwan, após oito anos de acompanhamento de uma coorte de 2.416 idosos, foi possível detectar maior risco para mortalidade entre aqueles com sintomas depressivos, em especial do sexo masculino. Do mesmo modo, estudo com idosos na Dinamarca também identificou associação entre a presença de sintomas depressivos e maior taxa de mortalidade entre indivíduos com demência48. No Brasil, estudo com dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade do estado da Bahia também identificou relação entre a presença de sintomas depressivos e mortalidade em idosos49. O incentivo para a adoção de medidas que estimulem a qualidade de vida pode contribuir substancialmente para a redução na ocorrência de sintomas depressivos e, por conseguinte, da mortalidade entre idosos.

Os achados que os idosos mais velhos e com provável déficit cognitivo participaram menos da etapa dos exames estão em consonância com o estudo de coorte realizado na região Sudeste do Brasil50. O aumento da idade mostra-se fator associado ao déficit cognitivo8, e essas variáveis também estão associadas à redução da capacidade funcional51, perda de independência52 e autonomia do idoso, o que pode explicar a menor participação em pesquisas que exijam deslocamento do avaliado.

Considera-se ainda que a idade é uma variável importante, não por ser causal, mas por indicar um conjunto de outras influências relacionadas a alterações comportamentais53, as quais podem ter influenciado a não participação dos idosos mais velhos. Além disso, pode-se considerar também o viés de sobrevivência, no qual pessoas com pior situação socioeconômica e com maiores exposições de risco tendem a morrer mais cedo ou não participar de estudos, visto as dificuldades de sair de casa54. Uma das estratégias adotadas a fim de reduzir o viés foi a disponibilização do transporte, adaptado, para os participantes e acompanhantes.

O desenvolvimento desse estudo exigiu planejamento, estrutura física, recursos financeiros, além de equipe multidisciplinar. Apesar da complexidade da execução, alguns aspectos merecem ser mencionados como facilitadores, tais como: envolvimento da equipe, projetos de pesquisa de interesse individuais atrelados às variáveis coletadas; a troca de experiências e resolução de problemas oportunizada por diferentes formações, e a divisão de tarefas entre todos os pesquisadores, o que melhorou a logística e evitou a sobrecarga de trabalho.

Como aspecto negativo, ressalta-se a indisponibilidade de um dos laboratórios para todos os dias úteis, além de laboratórios com maior infraestrutura que possibilitassem a execução de mais procedimentos e maior volume de pessoas atendidas, o que reduziria o tempo de coleta de dados.

Cabe destacar também que a taxa de resposta do estudo foi baixa (50,4%), e isso pode ter ocorrido por diversos fatores, dentre eles a dificuldade dos idosos de saírem de suas residências para participarem da pesquisa. Nesse sentido, o cenário ideal, para abranger um grande número de idosos participantes, seria necessário que esses exames fossem feitos nos domicílios dos idosos, o que é inviável pelos equipamentos utilizados na pesquisa e em razão baixo financiamento para a realização do estudo.

Espera-se que a descrição das rotinas utilizadas nesta pesquisa possa auxiliar no desenvolvimento de novas pesquisas baseadas em coleta, análise e armazenamento de material biológico, exames de imagem e da capacidade físico-funcional em outros grupos de idosos. Estes tipos de investigações utilizam métodos de avaliação direta, que podem diagnosticar fatores de risco e proteção de diversas doenças, com muita eficiência, validade e confiabilidade, auxiliando assim na saúde das pessoas idosas.

Trabalho realizado com dados de idosos residentes do município de Florianópolis (SC), Brasil.

Fonte de financiamento: Conselho SC, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), processo nº 475.904/2013-3 e infra-estrutura da UFSC.

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Recebido: 29 de Maio de 2017; Aceito: 18 de Dezembro de 2018

Endereço para correspondência: Susana Cararo Confortin - Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Rua Delfino Conti, s/n, Bloco H – Campus Reitor João David Ferreira Lima – CEP: 88040-900 – Florianópolis (SC), Brasil – E-mail: susanaconfortin@gmail.com

Conflito de interesses: nada a declarar.

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