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Revista Katálysis

versão On-line ISSN 1982-0259

Rev. katálysis v.10 n.spe Florianópolis  2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1414-49802007000300001 

EDITORIAL

 

Revista Katálysis comemora dez anos

 

Revista Katálysis commemorates 10 years

 

 

A comemoração dos dez anos de produção da Revista Katálysis brinda o Curso de Serviço Social e o Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Universidade Federal de Santa Catarina com merecida alegria.

De uma revista nascida com o objetivo de publicar textos dos professores e alunos do Departamento de Serviço Social – para que a produção acadêmica pudesse circular entre docentes, alunos e supervisores – Katálysis, hoje, é classificada pela CAPES como periódico A Nacional e integra o seleto grupo de revistas indexadas na Coleção SciELO.

Recuperar a história é render não só homenagens, mas tributar o devido reconhecimento àqueles que foram protagonistas de um projeto exitoso. É importante lembrar que a primeira idéia de uma revista de Serviço Social em Florianópolis nasce nos anos 1970, no espaço da antiga Faculdade de Serviço Social de Santa Catarina, em um momento histórico muito peculiar da profissão, marcado pela carência de produção científica da área, com rara bibliografia disponível em português. A produção bibliográfica em pauta a que todos recorriam procedia dos países do Cone Sul, publicados pela ECRO e Hvmanitas, principalmente.

No início da década de 1980, mesmo após a federalização do Curso de Serviço Social, e definitiva incorporação à Universidade Federal de Santa Catarina, a idéia sempre presente de uma revista ainda encontrava obstáculos em relação às condições objetivas para viabilizar a sua materialização. Na década de 1990, mais especificamente a partir de 1993, nova configuração se interpôs com a retomada das discussões que se faziam no âmbito do Núcleo de Estudos em Serviço Social e Organização Popular (NESSOP), do Departamento de Serviço Social (DSS), coordenado pela professora Iliane Kohler.

Os integrantes do NESSOP ao discutirem, em seminários realizados ao longo dos anos de 1992 e 1993, a produção referente às pesquisas para suas dissertações de mestrado, propuseram publicizar seus textos através de um caderno. A proposta espelhava-se na prática dos Núcleos do Programa de Estudos Pós-Graduados em Serviço Social da PUC/SP, os quais costumavam socializar suas produções para promover discussões acadêmicas sobre as temáticas em estudo.

Nesse contexto, a chefe do Departamento de Serviço Social, professora Krystyna Matys Costa, ao acolher a demanda pela publicação de um caderno, previu na proposta o embrião da revista científica, acalentada há alguns anos pelo corpo de professores. E, a partir disso, empreendeu, juntamente com a professora Iliane, a responsabilidade pela busca de financiamento a fim de implementar o projeto. Diligentemente, buscaram e obtiveram o necessário suporte financeiro, através de parcerias com a Fundação de Ciência e Tecnologia (FUNCITEC) – hoje Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina (FAPESC) , o Banco do Estado de Santa Catarina (BESC) e a Fundação de Estudos Sócio-Econômicos (FEPESE) da UFSC, que acreditaram na importância de apoiar o projeto de uma revista do único curso público da área de Serviço Social na Região Sul.

Com recursos advindos destas parcerias foi convidado o publicitário Pedro Paulo Delpino, assessor da direção da Biblioteca da UFSC à época, para elaborar o primeiro projeto gráfico da revista. A professora Ingrid Elsen, do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFSC, com sua experiência como editora da revista Texto & Contexto Enfermagem, teve uma influência ímpar ao mostrar caminhos seguros a trilhar para que uma proposta bem-intencionada não deslizasse para além dos objetivos de seriedade, competência, compromisso, isenção e construção crítica do conhecimento.

Neste ínterim, o Departamento de Serviço Social idealizou um concurso interno do qual participaram professores e alunos, para a sugestão de nomes da futura revista, tendo sido escolhido e aprovado o nome Revista Katálysis, proposto pelo professor Vilmar Adelino Vicente, pela simetria entre o significado do termo catálise e os objetivos propostos.

Coube também a Isolde Melphioretto, à época bibliotecária da Biblioteca da UFSC, participar para a obtenção do International Standard Serial Number (ISSN), o registro necessário que identifica a Katálysis periódica desde a sua primeira edição: 1414-4980, bem como formalizar a sua catalogação.

Este início, bem estruturado, fundado no desejo de um grupo determinado e comprometido com a relação da universidade pública com a sociedade, recebeu integral acolhida do diretor da Editora da UFSC, professor Alcides Buss, que alertou sobre as dificuldades inerentes pelas quais passa qualquer revista acadêmica.

A edição do primeiro número, ainda de âmbito departamental, surge na gestão das professoras Marly Venzon Tristão e Regina Célia Tamaso Mioto e traz as contribuições dos membros do NESSOP, os quais publicaram artigos baseados nas suas dissertações de mestrado. Este primeiro número, já com Comitê Editorial atuante, foi avaliado pelo Conselho Editorial da Editora da UFSC, recebendo parecer favorável para veiculação do selo que representa a chancela da EDUFSC.

O apoio institucional, a mobilização de recursos financeiros e o empenho dos professores do Departamento de Serviço Social, em especial da professora Luziele Maria Tapajós, viabilizaram e permitiram que o Projeto Revista Katálysis lograsse êxito, a despeito das dificuldades, que perpassaram todos os aspectos logísticos para a realização e manutenção de uma publicação científica advinda da universidade pública. Os obstáculos encontrados quanto a recursos humanos e financeiros, que provocavam atrasos na tramitação de artigos, no retorno das análises pelos pareceristas, eram somados ao pouco ou nenhum acesso aos recursos de informática, que atualmente são insubstituíveis por facilitarem e agilizarem todo o processo editorial.

Os primeiros números da revista devem sua sustentabilidade ao importante papel assumido pelos núcleos, fundados em meados da década de 1990 no DSS. Depois do NESSOP, também outros núcleos tiveram responsabilidades pela edição da Katálysis: o Núcleo de Estudos da Criança, Adolescente e Família (NECAD), o Núcleo de Estudos do Trabalho e Assistência Social (NETA) e o Núcleo de Pesquisa Estado, Sociedade Civil e Políticas Públicas (NESPP).

Em 2000 a Katálysis passou a um novo patamar funcional quando a Técnica em Assuntos Educacionais Berenice Petry Braun assume as funções de revisora e Editora Técnica. Sua qualificação funcional e seu rigoroso trabalho técnico, sintonizados com o padrão requerido para periódicos científicos, somaram para o alcance dos almejados objetivos de qualidade, e significaram segurança para caminhar, pari passu com as melhores publicações da área.

Assim, com a publicação do quinto número, em 2001, ano em que foi implantado o Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFSC, o projeto definitivamente se consolida e a revista passa a apresentar, além de modificações formais que atendem a critérios técnicos para sua qualificação científica e indexação, aprimoramento nas normas editoriais e a manutenção da periodicidade em dia. Um importante apoio, para o suporte do projeto, foi a iniciativa da professora Maria Ester Menegasso de doar equipamentos de informática de última geração, oriundos do Núcleo que coordenava, o que melhorou as condições de trabalho e a operacionalização de softwares mais adequados, garantindo o uso dos programas apropriados de informática.

A insegurança pelo aporte de recursos financeiros, nem sempre garantidos para manter a publicação de dois números anuais da revista foi resolvida, a partir de 2004, quando o professor Maurício Fernandes Pereira assumiu a direção do Centro Sócio-Econômico, comprometendo-se em gestionar junto à FEPESE o devido suporte para custear os trabalhos gráficos de todas as quatro revistas do Centro. A partir daí, foram superadas as questões que poderiam provocar atrasos nos lançamentos, tão contestados pelos órgãos indexadores e de fomento e também motivados por longas paralisações grevistas que paravam a Imprensa Universitária e a Editora da UFSC. Desatrelada da Imprensa Universitária, com recursos para encarar a iniciativa privada para os trabalhos gráficos, os números da revista puderam ser lançados semestralmente em dia, atendendo às metas de todos e ao projeto inicial.

Katálysis de 1997 até julho de 2004, tendo a professora Iliane Kohler como Editora Responsável esteve em constante processo de aperfeiçoamento, o que facilitou a sua indexação em diferentes Coleções e tem proporcionado e aumentado sua circulação não somente no país, mas também em Portugal e Espanha, além de implementar a permuta com inúmeras bibliotecas brasileiras e do exterior, através do setor responsável da Biblioteca Universitária. Iliane e Berenice, com sabedoria, aglutinaram esforços para a superação das adversidades inerentes não só à produção de uma revista científica, mas também à sua manutenção e aprimoramento. Foi nesta direção que Katálysis inicia em 2002 os trâmites para seu ingresso na indexadora SciELO.

Na gestão do Professor Raúl Burgos, como Editor Científico, no período 2004-2006, a revista foi impulsionada para um mais alto nível. Duas grandes decisões do colegiado da revista permitiram este salto qualitativo naquelas circunstâncias: em primeiro lugar, a decisão de acompanhar com rigor as exigências e sugestões da indexadora SciElo e, neste sentido, avançou-se no aprimoramento de aspectos técnicos, mas, sobretudo, na qualificação do Conselho Editorial e no aprimoramento do processo de seleção de artigos apontando para a qualificação científica da revista. Em segundo lugar, com a implantação de um moderno projeto gráfico, sintonizado com as exigências mais atuais de editoração de revistas científicas. Com recursos advindos do CNPq, novas modificações passaram a ser apresentadas a partir do fascículo número 1 de 2006: Políticas sociais do governo Lula: promessas e realidade. Com este projeto, Katálysis, em novo formato, aprimora seu estilo gráfico e permite uma leitura mais ágil de seu conteúdo.

Em agosto de 2006, quando assumimos as funções de Editora Científica da revista, novos recursos foram obtidos junto ao CNPq, que, somados aos recursos provenientes da CAPES, no âmbito do mesmo Edital, proporcionaram o lançamento do Número Especial publicizado nesta oportunidade.

Uma das nossas maiores gratificações, neste curto espaço frente à editoria, foi a integração da revista ao catálogo da Coleção SciELO. Essa conquista resultou de um longo processo de avaliação técnica e científica, com a aprovação dos itens técnicos em 2005, a recomendação para a inclusão na referida coleção em dezembro de 2006, culminando com a publicização da Katálysis em 12 de junho de 2007. Através da SciELO as publicações da Katálysis passam a ser eletrônicas e podem ser acessadas via internet, por número de fascículo, temas, autores ou descritores. Enfim, essa é uma vitória a qual creditamos muita importância, por disponibilizar a um extenso número de pessoas esta revista, gerada localmente.

É importante destacar que a Revista Katálysis sempre contou com a abnegação de pessoas comprometidas com o seu projeto, muitas vezes num contexto de resistência ao adverso processo de precarização da universidade pública. Agradecemos especialmente ao irrestrito apoio do Departamento de Serviço Social, do Curso de Serviço Social e do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFSC, assim como à FEPESE, ao CNPq e à CAPES, imprescindíveis nestes dez anos de vida da Revista Katálysis.

Este Número Especial, integrante do volume 10, comemora os dez anos de existência do periódico. A temática apresentada, Pesquisa em Serviço Social, traz trabalhos que procuram elucidar questões que se constituem em preocupação da categoria nos últimos anos. São oito ensaios que permitem uma discussão sobre a pesquisa e a produção do conhecimento no campo do Serviço Social, situando-as como constitutivas e constituintes da prática profissional. Refletem sobre a importância da investigação em diferentes contextos de atuação, seus problemas, o uso de fontes quali-quantitativas, a pesquisa bibliográfica e a perspectiva ontológica enquanto referência teórico-metodológica.

Nosso reconhecimento especial a Iliane Kohler (Gestão 1997-2004), Raúl Burgos (Gestão 2004-2006) e Berenice Petry Braun pela colaboração neste editorial, por possibilitarem com suas memórias a recuperação de dados para traçar esta breve história.

 

Catarina Maria Schmickler
Editora Científica

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