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Revista Katálysis

versão On-line ISSN 1982-0259

Rev. katálysis v.10 n.spe Florianópolis  2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1414-49802007000300009 

ENSAIO

 

Sobre o método da história oral em sua modalidade trajetórias de vida

 

The life trajectories modality of oral history

 

 

Rita de Cássia Gonçalves; Teresa Kleba Lisboa

Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

 

 


RESUMO

Este artigo1 busca explorar o potencial da pesquisa qualitativa, apresentando o método da história oral na sua modalidade trajetórias de vida, com o propósito de discutir a possibilidade de sua utilização em investigações científicas na profissão de Serviço Social. Situa os fundamentos epistemológicos da história oral, conferindo-lhe o caráter científico. Apresenta a modalidade trajetórias de vida como um constructo histórico e social que utiliza diferentes técnicas de entrevista para dar voz aos sujeitos até então invisíveis, anunciando as principais etapas dos procedimentos metodológicos utilizados nesta abordagem. Destaca, nas conclusões, a importância da construção desse modelo, sua projeção como uma proposta investigativa que implica um processo de compreender e analisar os universos sociais contextualizados e interconectados à luz da realidade das trajetórias de vida dos sujeitos pesquisados.

Palavras-chave: pesquisa qualitativa, pressupostos epistemológicos, história oral, trajetórias de vida.


ABSTRACT

This article seeks to explore the potential of qualitative research. It presents the life trajectory modality of the oral history method, to discuss the possibility of its utilization in scientific research in the Social Work profession. The epistemological foundations of oral history are discussed to establish its scientific character. The life trajectories modality is presented as a historic and social construction that utilizes different interview techniques to give voice to previously invisible subjects, indicating the principal phases of the methodological procedures used in this approach. The conclusions highlight the importance of the construction of this model and its projection as a research proposal that implies a process of understanding and analyzing the social universes that are contextualized and interconnected, considering the realities of the life trajectories of the subjects studied.

Key words: qualitative research, epistemological presumptions, oral history, life trajectories.


 

 

Introdução

O Serviço Social tem se consolidado como uma profissão de caráter interventivo e investigativo; mais do que nunca é imperativo dimensionar a pesquisa como exercício fundamental de organização do saber sobre as diferentes expressões da questão social, com vistas à produção de conhecimento. O cotidiano do trabalho profissional tem demandado pesquisas sobre dados que nem sempre se encontram disponíveis nos registros ou cadastros das instituições. Além disso, a intervenção profissional requer, muitas vezes, conhecimento sobre 'processos em curso' de determinados segmentos da sociedade que recorrem às instituições. Como conhecer, por exemplo, as repercussões do Programa Bolsa Família, ou Bolsa Escola junto às famílias que passam para outra dimensão de realidade (um processo em curso) depois de receber o benefício? Ou ainda, como conhecer o cotidiano das mulheres que possuem filhos participando do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), suas lutas pela sobrevivência e responsabilidade com a educação dos filhos, cujas demandas e necessidades acarretarão em propostas de políticas públicas por parte dos profissionais? Na mesma perspectiva, Faleiros (2001) aponta a complexidade das trajetórias de algumas crianças de rua que mostram um processo desestruturador de referências e identificações a tal ponto de não se lembrarem do seu nome completo. Estas e outras tantas questões, que surgem no cotidiano da prática do trabalhador da área social, requerem um conhecimento mais profundo sobre o retrato da realidade dos usuários e as concepções dos mesmos sobre esta realidade, ou seja, requerem investigação. As pessoas com as quais trabalhamos, possuem cada qual uma história de vida, são sujeitos humanos com características específicas, cada qual dotado de valores, sonhos e experiências. Para recompor estas experiências concretas, históricas e vivas, portanto, é preciso também escutá-las.

Queremos neste artigo chamar a atenção para a confluência multidisciplinar que a pesquisa qualitativa possibilita, trazendo o método da história oral na sua modalidade trajetórias de vida, como uma contribuição no processo de investigação e produção do conhecimento também para o Serviço Social.

 

1 Acerca dos pressupostos da pesquisa qualitativa

A pesquisa qualitativa tem sido resgatada nas ciências sociais por se considerar que ela abarca uma relação inseparável entre o pensamento e a base material, entre a ação de homens e mulheres enquanto sujeitos históricos e as determinações que os condicionam, entre o mundo objetivo e a subjetividade dos sujeitos pesquisados. Esta forma de abordagem tem sido valorizada, uma vez que trabalha com o universo de significados, representações, crenças, valores, atitudes, aprofundando um lado não perceptível das relações sociais e permitindo a compreensão da realidade humana vivida socialmente.

A tradição de pesquisa na sociologia a partir do Iluminismo foi fortemente centrada na neutralidade e objetividade científica, no distanciamento do pesquisador e numa relação impessoal. A partir da filosofia kantiana, a relação entre sujeito e objeto começa a ser enfatizada nas ciências sociais, e a pesquisa em si, apesar de ter como fim básico a produção de conhecimento, passa a ser enfocada acima de tudo como uma relação entre sujeitos.

Por isso, as metodologias qualitativas trazem uma contribuição significativa tanto para o Serviço Social como para as ciências sociais, pois se revelam particularmente eficazes em áreas exploratórias, especialmente em campos temáticos, onde inexistem fontes de informações acessíveis e organizadas. Também são indispensáveis para compreender fenômenos que se manifestam em longos intervalos de tempo – como o caso de trajetórias de mobilidade social ou mudanças geracionais – ou ainda manifestações sociais que,por sua abrangência, exigem a coleta exaustiva de dados padronizados. Além disso, desempenham importante papel na elaboração de hipóteses e construção de novas teorias (CAMARGO, 1987).

Contudo, não pretendemos nos contrapor à pesquisa quantitativa, uma vez que sempre existirão abordagens em que a apreensão do objeto na sua totalidade levará o pesquisador a assumir a sobreposição dos dois enfoques, como bem ressaltado por Minayo (1996, p.22): "o conjunto de dados quantitativos e qualitativos não se opõem. Ao contrário, se complementam, pois a realidade abrangida por eles interage dinamicamente, excluindo qualquer dicotomia".

A contribuição da pesquisa qualitativa, que é o enfoque deste artigo, estende-se desde as fronteiras da antropologia e da etnografia, passando pela etnometodologia, a hermenêutica e diversas modalidades de estruturalismo, até as análises históricas comparadas, relatos orais, método biográfico e outras técnicas da história oral. As metodologias qualitativas vêm abrindo novas perspectivas para se pensar novas abordagens teórico-metodológicas que contemplem as duas figuras da modernidade: razão e sujeito (TOURAINE, 1994), bem como para estabelecer uma relação entre os dois pilares da sociedade: ação e estrutura (GIDDENS, 1989).

Martinelli (1999) ressalta três pontos que conferem importância à pesquisa qualitativa: o seu caráter inovador, como pesquisa que se insere na busca de significados atribuídos pelos sujeitos às suas experiências sociais; a sua dimensão política que, como construção coletiva, parte da realidade dos sujeitos e a eles retorna de forma crítica e criativa; e, por ser um exercício político, uma construção coletiva, a sua realização pela via da complementaridade, não da exclusão.

Além disso, ao contemplar a abordagem qualitativa para o objeto de investigação social, o pesquisador deve considerar que as pessoas envolvidas no processo de pesquisa são "[...] sujeitos de estudo, pessoas em determinadas condições sociais, pertencentes a determinado grupo social ou classe com suas crenças, valores e significados" (MINAYO, 1993, p. 22), e que esse objeto apresenta-se em permanente estado de transformação.

 

2 A história oral como uma proposta de produção de conhecimento em Serviço Social

A fonte oral se constitui como base primária para a obtenção de toda a forma de conhecimento, seja ele científico ou não.

Para Queiroz (1987), o relato oral tem sido, através dos séculos, a maior fonte humana de conservação e difusão do saber, ou seja, a maior fonte de dados para a ciência em geral; a palavra antecedeu o desenho e a escrita. Esta, quando inventada, não foi mais do que uma cristalização do relato oral. Thompson (1992) também afirma que a história oral é tão antiga quanto a própria História, pois ela foi a primeira espécie de história.

Os relatos orais passam a ser valorizados pouco a pouco pelas ciências sociais, na medida em que se percebe que comportamentos, valores, emoções permanecem escondidos nos dados estatísticos. Com o tempo e com o avanço de outras disciplinas, como a lingüística, a semiótica e a antropologia, foi reconhecido que o discurso do ator social tem uma lógica própria e estrutura-se como 'linguagem', podendo permitir a compreensão de fenômenos sociais que escapam à observação fria e distante do pesquisador (CAMARGO, 1987).

Desta forma, optamos em trazer para estudo investigativo o método da história oral, que se apresenta como uma valiosa contribuição para as ciências sociais e para o Serviço Social, fundamentalmente porque as pesquisas com os usuários ou sujeitos que recorrem às Instituições Sociais, têm exigido esse 'novo olhar'.

Em pesquisas desenvolvidas com mulheres trabalhadoras (LISBOA, 2004), com aposentados e aposentadas (GONÇALVES, 2006), com mulheres em situação de violência (LISBOA; PINHEIRO, 2005), moradoras de comunidades de periferia que migraram de áreas rurais para as grandes cidades (LISBOA, 2003), a história oral tem desvendado questões outrora obscuras a partir da investigação da realidade desses sujeitos, das suas ações e relações que se ocultam nas estruturas sociais.

Nas áreas urbanas, por exemplo, as trajetórias das famílias de migrantes podem ser tomadas como trilhas de vida no tempo e no espaço, começando com rotinas cotidianas estendendo-se a movimentos migratórios. Da mesma forma, as trajetórias socioocupacionais irão mostrar as rupturas e descontinuidades na carreira profissional de homens e mulheres decorrentes da perda do emprego, de contraírem doenças e das dificuldades de ascensão na escala da mobilidade social; ao mesmo tempo apontam a multiplicidade de funções assumidas por esses sujeitos múltiplos, que exercem sucessivamente diferentes tipos de ocupações no espaço social.

A história oral, enquanto método investigativo, também tem sido utilizada para ressaltar a crescente participação de mulheres na economia informal, valorizando as experiências de socioecomomia solidária, os processos de criação de cooperativas e associações – uma área ainda pouco conhecida e um tema pouco pesquisado.

Alberti (1990, apud SILVA, 1998, p.118) define história oral como

[...] um método de pesquisa (histórica, antropológica, sociológica, etc.) que privilegia a realização de entrevistas com pessoas que participam de, ou testemunharam acontecimentos, conjunturas, visões de mundo como forma de se aproximar do objeto de estudo [...] Trata-se de estudar acontecimentos históricos, instituições, grupos sociais, categorias profissionais, movimentos, etc., à luz de depoimentos de pessoas que deles participaram ou os testemunharam.

Em sua perspectiva, Aspásia Camargo (1994), afirma que a história oral é um instrumento pós-moderno para se entender a realidade contemporânea. Pós-moderno por sua elasticidade, imprevisibilidade e flexibilidade. Para a autora, a história oral é, ao mesmo tempo, uma fonte e uma técnica, mas a grande preocupação é convertê-la em metodologia, aqui entendida como um conjunto de procedimentos articulados entre si, cuja finalidade é obter resultados confiáveis que nos permitam produzir conhecimento.

Por outro lado, o método da história oral é claramente multidisciplinar uma vez que tem permitido a inter-relação entre as disciplinas de Serviço Social, História, Sociologia, Antropologia, Psicologia, Ciências Políticas, Educação, e outras. Esse caráter multidisciplinar tem contribuído para a análise da complexidade socioeconômica e cultural com a qual o trabalhador social se defronta na atualidade.

 

3 Fundamentos epistemológicos da história oral

O método da história oral, em suas vertentes histórias de vida, narrativas, trajetórias de vida, requer o uso de fundamentos epistemológicos, isto é, o pesquisador deve orientar-se através de pressupostos que delimitam o entendimento sobre o uso dos procedimentos metodológicos em questão, que por sua vez definirão o caráter de investigação social.

A epistemologia possui uma função importante na pesquisa, pois estabelece as condições de objetividade dos conhecimentos científicos, dos modos de observação e experimentação. Bourdieu, Chamboredon e Passeron (1987) advertem que é necessário submeter a prática científica a uma reflexão sobre a ciência que está sendo construída. Tal tarefa, propriamente epistemológica, consiste em descobrir na prática científica mesma, ameaçada sem cessar pelo erro, as condições pelas quais se pode discernir o verdadeiro do falso, na passagem de um conhecimento menos verdadeiro para um mais verdadeiro.

Por sua vez Bruyne, Her-man e Schoutheete (1977) afirmam que a epistemologia fornece os instrumentos de questionamento dos princípios nas ciências, ou seja, indica regras às ciências sociais particulares, e ao adotá-las todo o pesquisador debruça-se sobre a "natureza dos fatos pesqui-sados", a "natureza da explicação" e sobre a validade dos procedimentos científicos. Os autores sugerem que a concepção e o desenvolvimento das ciências não adotem uma epistemologia "fixista", que pretenda reger as ciências a partir de fora; propõem, ao contrário, uma epistemologia como reflexão, como vigilância interna da ciência sobre os seus procedimentos e resultados. Seria, de certa maneira, dizer que "[...] uma ciência das ciências é possível, ou seja, afirmar que um certo saber ligado à produção científica torna-se possível a partir da reflexão epistemológica[...]" (BRUYNE; HERMAN; SCHOUTHEETE, 1977, p. 41).

Torna-se necessário identificar alguns pressupostos epistemológicos da história oral que delimitam o entendimento dessa metodologia e lhe conferem o caráter científico. A construção dos itens foi elaborada a partir da revisão bibliográfica dos construtos teórico-metodológicos dos seguintes autores: Marre (1991), Silva (1998), Martinelli (1999) e Alberti (2007).

a) Primazia epistemológica

A história oral se constitui como verdadeiro e eficiente instrumento de investigação quando o pesquisador atribuir um caráter científico a sua pesquisa: ele deve estar orientado por um conhecimento teórico prévio; a problemática da pesquisa deve estar inserida num projeto previamente formulado; as informações sobre o campo a ser pesquisado devem estar coletadas e o uso de instrumentos e técnicas de pesquisa definidos. Durante o processo de pesquisa, a hipótese problematizadora e a fundamentação teórica devem servir como uma 'bússola', orientando a investigação cujo principal objetivo é a construção de conhecimento a partir do levantamento, interpretação e análise dos dados empíricos.

b) Vigilância epistemológica

É a condição de ruptura que se impõe entre o senso comum e o discurso científico. Durante a prática profissional, ou no decorrer do processo de observação em campo, o pesquisador tende a estabelecer uma relação com o seu objeto e, em se tratando de uma relação social, os dados geralmente se apresentam como configurações vivas, singulares, e demasiado humanas. Para Bourdieu, Chamboredon e Passeron, (1987), é necessário estabelecer uma ruptura com o real, desmontar as totalidades concretas e evidentes que se apresentam para a intuição do pesquisador para em seguida substituí-las pelo conjunto de critérios abstratos que as definem sociologicamente. É fundamental que o pesquisador consiga estabelecer a necessária distância científica com o objeto pesquisado, no sentido de exercer o maior controle possível sobre os fatores que se contrapõem à busca da objetividade.

c) Consciência e não-consciência

A história oral ganha estatuto de informação válida para o conhecimento sociológico na medida em que os conteúdos das falas obtidas pelos sujeitos da pesquisa extrapolam os sentidos e significados que pretendem expressar conscientemente. Por sua vez, as relações que conformam os processos sociais e o seu sentido devem ser 'extraídas' do material empírico, de forma consciente pelo pesquisador e analisadas com a utilização de instrumentos fornecidos pelos referenciais teóricos e metodológicos que conduzem à investigação.

d) Objetividade e subjetividade

Autores como Giddens (1989) têm apontado para o fim dos 'imperialismos': tanto da objetividade como da subjetividade. No centro de sua teoria da estruturação está o propósito de iluminar a dualidade da ação e da estrutura e a sua interação dialética. Portanto, trabalhar qualitativamente significa dar conta de entrelaçar a dimensão pessoal e subjetiva com a estrutura social. O relato de uma pessoa sobre a sua própria vida, seus valores, sua cultura, não podem deixar de conter dimensões subjetivas. Para Rolnick (1997), não há subjetividade sem uma cartografia cultural que lhe sirva de guia; e reciprocamente, não há cultura sem um certo modo de subjetivação. Cada sociedade é uma maneira de fazer o tempo, de construir o tempo. É na sociedade que o indivíduo torna-se sujeito.

e) Singularidade e totalidade

A singularidade da história oral é ressaltada por Marre (1991), uma vez que não se consegue chegar ao geral através de uma diversidade de histórias de vida singulares sem dar a elas uma totalidade sintética, que por sua vez se forma a partir da singularidade de cada uma delas. "Quando o indivíduo vivencia e relata sua trajetória, se identifica a um grupo social do qual ele é elemento constitutivo" (MARRE, 1991, p.128). Cabe ao pesquisador reconstruir, em cada história de vida, a presença de relações básicas e complexas que dizem respeito às categorias sociedade, grupo e indivíduo, expressas na relação oral. São relações ligadas à estrutura social e grupal e ainda à idéia de rearranjo e reapropriação do social que o indivíduo faz como unidade singular de seu relato.

f) Compreensão na perspectiva hermenêutica

A abordagem compreensiva visa apreender e explicar o sentido que as pessoas e grupos atribuem à sua ação, enquanto realização de uma intenção. As ações humanas são sempre a expressão de uma consciência, o produto de valores e a resultante de motivações. Alberti (2007, p. 02) ressalta que o modo de pensar hermenêutico "consiste em valorizar o movimento e colocar-se no lugar do outro para compreendê-lo e em acreditar que as coisas, o passado, os sonhos, os textos, por exemplo, têm sentido latente, ou profundo a que se chega pela interpretação". A autora aponta ainda três termos da fórmula que tornam acessíveis os objetos das ciências humanas: vivência – expressão – compreensão, pois "As produções humanas exprimem a vivência e cabe ao hermeneuta compreender essas expressões, de tal forma que a compreensão seja o mesmo que tornar a vivenciar".

g) Historicidade

O pesquisador deve ter como pressuposto o caráter dinâmico e processual da pesquisa e sua relação com o tema proposto, pois toda a pesquisa qualitativa visa uma perspectiva histórica; sabemos que a realidade social está em constante transformação, da mesma forma, a realidade em torno de um determinado tema de pesquisa não é estática. Alberti (2007) confirma que o campo da história oral é acentuadamente totalizador, na medida em que entrevistador e entrevistado trabalham conscientemente na perspectiva da re-significação e reconstrução do passado.

A epistemologia, portanto, é considerada, enquanto pólo essencial da pesquisa, na medida em que privilegia o processo de construção de conhecimento sob dois ângulos: o da lógica de descoberta e o da lógica de validação. A reflexão epistemológica, primeiro passo na hierarquia do trabalho investigativo seguida da definição dos conceitos teóricos e da escolha das técnicas, é indispensável a uma pesquisa, pois no processo de investigação é o pólo epistemológico que assegura o rigor, a exatidão e a precisão do procedimento científico.

 

4 Trajetórias de vida como construtos histórico-sociais

O método da história oral utiliza diferentes técnicas de entrevista para dar voz a sujeitos invisíveis e, por meio da singularidade de seus depoimentos, constrói e preserva a memória coletiva. Pesquisadores que trabalham com história oral (Life-Course-Forschung) na Europa, e mais especificamente na Alemanha, utilizam as terminologias "biografia" e "trajetória de vida" como procedimentos metodológicos dessa abordagem.

Born, Krüger e Lorenz-Meyer (1996) afirmam que a pesquisa relacionada com trajetórias de vida é uma área relativamente nova na sociologia, tendo como ponto de partida a mobilidade social, bem como a trajetória das mulheres que iniciam uma carreira profissional e a mudança de status e de rotina que isso acarreta em suas vidas: interrompem sua carreira profissional porque decidem ter um filho, constituir família, ou optam em sair do emprego.

Para as pesquisadoras alemãs, trajetórias de vida (Lebenslauf) é considerado um "construto científico", definido em primeira mão pela perspectiva metodológica adotada, podendo utilizar dados quantitativamente analisáveis que possuam relação direta com a seqüência cronológica da vida dos indivíduos (DAUSIEN, 1996). No entender dessa autora, a trajetória de vida é denominada cientificamente de "transcurso", pois analisa mudanças sociais, passagens de status, de situação econômica, de atividades profissionais, utiliza datas significativas, períodos, números, enfim aspectos quantitativos e qualitativos relacionados na mesma abordagem. Nesta perspectiva, a trajetória de vida é considerada uma instituição social, um sistema de regras que rege/conduz as relações do indivíduo na modernidade.

Luz Arango (1998), pesquisadora colombiana, também utiliza o termo "trajetória", mas com ênfase na trajetória social como um ciclo da vida, como uma etapa da vida. Para a autora, "trajetória social" é o encadeamento temporal das posições que os indivíduos ocupam sucessivamente nos diferentes campos do espaço social. Em cada momento de sua existência, os indivíduos ocupam simultaneamente várias posições, que resultam obviamente do entrelaçamento entre os campos profissionais e familiares.

A noção de trajetória para Bourdieu (1989) é uma série de posições sucessivamente ocupadas por um mesmo agente – ou mesmo grupo – em um espaço, ele próprio em devir e submetido a transformações incessantes.

Referindo-se à prática profissional como fonte de produção do conhecimento em Serviço Social, Faleiros (2001, p. 72) enfatiza a articulação entre as trajetórias dos usuários e as estratégias no processo de intervenção profissional. Para ao autor,

[...] a prática crítica não se reduz a mera aplicação do conhecimento que vem de fora, mas ela própria gera a necessidade de reformulação do conhecimento, e em cada situação é preciso uma hermenêutica, uma interpretação que alie os sentidos que se dão à prática à analise das condições que esta se realiza [...] trata-se, pois, de interpretar o mundo na sua transformação e de transformá-lo na sua interpretação.

Faleiros propõe que a intervenção em Serviço Social consista na articulação entre mediações, trajetórias e estratégias de ação entre profissional e usuário, configurando-se uma situação de relação, pois o sujeito, com seus desejos, seu mundo simbólico, sua individualidade passou a ser valorizado pelas ciências sociais como um personagem que entra em cena. O profissional de Serviço Social deve considerar a articulação do contexto entre a trajetória social, trajetória individual e familiar do usuário, levando em conta a totalidade das dimensões em que esse indivíduo se constitui.

As trajetórias sociais de cada indivíduo trazem imbricados processos de construção e desconstrução de poderes que se entrecruzam configurando mudanças de relações. "Esse processo de mudança nas relações implica rupturas que se manifestam em desavenças, revoltas, resistências, deslocamentos e continuidades [...]" (FALEIROS, 2001, p.74). Para o autor, a trajetória dos dominados geralmente tem a marca da exclusão social, pois, no transcurso de suas vidas, foram alijados de seus patrimônios; tanto culturais e simbólicos quanto materiais.

No processo de intervenção profissional, é importante que o assistente social conheça os patrimônios simbólicos dos usuários à medida que os mesmos são referências para a constituição de identificações sociais. Para Faleiros (2001, p. 75), "[...] a representação que indivíduos e grupos fazem de si mesmos depende das crenças, valores e referências culturais que se adotam no cotidiano". Estas por sua vez, dependem das práticas sociais de classe, de discriminação, de resistência, que na grande maioria dos casos são repassadas pelas instituições sociais. Por isso, o autor (2001, p. 77) adverte que

Não é possível viver sem referência às instituições sociais, elas fazem parte das trajetórias e estratégias dos sujeitos e por sua vez definem trajetórias, itinerários e estratégias, já que pressupõem relações de poder e saber que interferem na vida e no cotidiano dos indivíduos. O Serviço Social se inscreve num contexto institucional permeado de conflitos e lutas, de jogos de poder e recursos, o que sempre tenho enfatizado, e participa da articulação de estratégias que variam de acordo com a perspectiva teórica e ideológica de seus atores, assim como das relações de poder das instituições.

Faleiros assevera que as estratégias de intervenção do profissional de Serviço Social devem estar articuladas às trajetórias dos sujeitos que recorrem às instituições. Estes, na maioria das vezes, quando procuram um assistente social, encontram-se numa trajetória fragilizada, de perda de patrimônio ou de referências, sem atendimento das necessidades básicas. Nesse momento, o profissional deve passar a ser um aliado do usuário em vez de um gerenciador de recursos e, sempre que for possível, trabalhar na perspectiva de emancipação e empoderamento2 do usuário.

Trajetórias de vida, portanto, podem ser consideradas como partes de uma história de vida, um determinado percurso, itinerário ou ciclo que vai ao encontro do interesse do profissional ou pesquisador. Nos processos investigativos, este percurso, geralmente, vem ao encontro da questão de pesquisa colocada, ou seja, da delimitação do problema. Por exemplo: se desejo saber que tipo de ocupação remunerada as mulheres, sujeitos de minha pesquisa, já tiveram ao longo de suas vidas, vou pesquisar a trajetória ocupacional dessas mulheres; se desejo saber o itinerário migracional que um determinado grupo percorreu, vou pesquisar a trajetória migracional; se desejo saber a duração do tempo em que adolescentes permaneceram cometendo infração, vou pesquisar a trajetória infracional; se desejo saber como determinado grupo de pessoas se sente após ingressar na aposentadoria, vou pesquisar a trajetória laboral, e assim por diante.

Já enfatizamos, antes, que a definição do problema de pesquisa pressupõe uma imersão do pesquisador no contexto teórico-metodológico do tema a ser trabalhado. O pesquisador não parte de uma 'tábula rasa' para ir a campo. Ele deve estar submerso nas condições que condicionam o problema, bem como partilhando na prática as experiências e percepções que os sujeitos possuem desses problemas, que por sua vez vão sendo relatados e construídos com relativa coerência em relação à sua visão e à sua experiência.

 

5 Os procedimentos metodológicos na pesquisa qualitativa e o uso das trajetórias de vida

As principais etapas, que envolvem o emprego do método da história oral na perspectiva das trajetórias de vida e proporcionam uma visão conjunta do procedimento, são:

a) Elaboração do projeto de pesquisa a partir de um roteiro

Apresentação, justificativa, objetivos, fundamentação teórica, metodologia, referências bibliográficas. Assim constituído, o projeto de pesquisa requer um delineamento básico das etapas que definirão a concepção teórico-metodológica e do caminho investigativo. Esta estrutura formal é um conjunto de fundamentos e de argumentos lógicos norteadores da ação do pesquisador durante todo o processo.

b) Apreciação do projeto de pesquisa pelo respectivo Comitê de Ética

Uma vez que esta modalidade de pesquisa envolve seres humanos, o projeto de pesquisa deverá ser submetido às exigências éticas e científicas básicas, segundo as Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisa definidas pelo Conselho Nacional de Saúde, através da Resolução nº 196, de 10/10/1996. O pesquisador deverá recorrer ao Comitê de Ética mais próximo, tendo em vista que o mesmo se constitui como órgão disciplinar deliberativo, consultivo e educativo com a finalidade de "Defender os interesses dos sujeitos da pesquisa em sua integridade e contribuir no desenvolvimento da Pesquisa dentro dos padrões éticos"3. Outro componente estabelecido pelo Comitê Nacional de Ética em Pesquisa é o "Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)" que tem como objetivo esclarecer e proteger o sujeito da pesquisa, assim como o pesquisador, que por este meio manifesta seu respeito à ética no desenvolvimento do trabalho.

c) Definição do objeto de pesquisa

Durante a elaboração do projeto de pesquisa atribui-se especial ênfase à definição do objeto de pesquisa, pois a partir deste delineiam-se as etapas posteriores do roteiro do projeto. Tal importância é ressaltada por Bourdieu (1989, p. 26-27):

[...] a construção do objeto, na minha experiência de investigador, não é uma coisa que se produza de uma assentada, por uma espécie de ato teórico inaugural. [...] É um trabalho de grande fôlego que se realiza pouco a pouco, por retoques sucessivos, por toda uma série de correções e emendas sugeridas pelo que se chama 'o ofício', quer dizer, esse conjunto de princípios práticos que orientam as opções ao mesmo tempo minúsculas e decisivas

Da mesma forma, Minayo (1993), destaca a importância do delineamento do objeto trazendo como tarefa inicial um trabalho de pesquisa bibliográfica que seja capaz de projetar luz e permitir uma ordenação ainda imprecisa sobre a realidade empírica.

d) Definição da questão problema

Outro elemento básico na elaboração do projeto de pesquisa é a definição da questão problema (hipótese problematizadora), ou seja, a elaboração de uma ou mais questões a partir do objeto de pesquisa, que se pretende responder ao longo do processo investigativo e cujas respostas mostram-se relevantes teórica ou socialmente.

e) Definição da amostra e critérios qualitativos

Segundo Marre (1991, p. 111 e 113), "Não basta um número de indivíduos, é preciso que este número expresse de maneira diversa, mas inter-relacionada, trajetória socioeconômica do grupo social pesquisado". Para cobrir e alcançar um grau suficiente de evidência qualitativa nos dados pesquisados, Marre sugere dois critérios qualitativos: o de diversificação da amostra e o de saturação. A diversificação refere-se à identificação de pessoas que são capazes de analisar os temas, fatos, estratégias e itinerário do grupo social pesquisado, possibilitando assim abarcar o campo da investigação através da escolha de um certo número de pessoas bem diferenciadas, mas conhecedoras do campo. Já a saturação indica o esgotamento da amostra pela incapacidade de acrescentar informações relevantes à pesquisa, ou seja "[...] a partir de um certo número de entrevistas coletadas, as posteriores não acrescentam mais nada ao que as outras expressaram". Quando começamos a repetir informações, é sinal de que aquele circuito se esgotou; é também um sinal de que essecampo que foi criado artificialmente, através da entrevista, tem a sua lógica. É esta lógica que deve ser trabalhada e não apenas a informação pontual que os documentos oferecem.

f) Elaboração do roteiro de entrevista (fio condutor) com base na questão problema

As trajetórias de vida são construídas através da inter-relação dialógica entre pesquisador e sujeito pesquisado: através de uma técnica de entrevista. O pesquisador seguirá um roteiro de perguntas elaboradas de acordo com a questão a ser investigada, obedecendo a um fio condutor composto pelas categorias previamente definidas na fundamentação teórica do projeto.

g) Realização das entrevistas

Cabe ressaltar que a técnica trajetória de vida é construída por meio da conversação com pessoas sobre sua experiência e memória. Ela ocorre através de um trabalho de campo onde é essencial que ocorra um processo de interação entre o pesquisador e os sujeitos que se colocam à disposição para compartilhar os fatos de sua vida. Um fator importante a ser observado pelo pesquisador é o espaço físico onde serão realizadas as entrevistas. Este deve permitir que o diálogo possa ser realizado de forma espontânea e ao mesmo tempo reservada. As entrevistas devem ser marcadas mediante contatos prévios, o local, data e horário do encontro definidos, o objetivo da entrevista deve ser esclarecido. Sugere-se que seja dada especial atenção à técnica de gravação, no sentido de testar o aparelho, evitando correr o risco de perder informações valiosas; solicitar permissão para gravar; preparar o ambiente, evitar situações constrangedoras, proporcionar um diálogo franco e aberto, estabelecendo uma relação de empatia com o sujeito entrevistado. Os sujeitos que pretendemos entrevistar muitas vezes são 'ariscos' e temos que empreender certo tempo para conquistar sua empatia. As condições físicas e estruturais que se interpõem ao pesquisador nem sempre são as mais confortáveis. Pesquisas junto a um acampamento dos Sem-Terra, junto a uma comunidade de periferia localizada em locais íngremes e distantes, a visita a uma família mais de uma vez, sem encontrar a pessoa em casa ou no local marcado, são desafios ao pesquisador que opta por esta metodologia.

h) Processamento das entrevistas

O tratamento dos dados obtidos na pesquisa é uma etapa que merece destaque, pois exige a atenção do pesquisador em relação à totalidade do processo. Esta fase da pesquisa se constitui basicamente na de transcrição das entrevistas e é importante conferir a fidelidade do conteúdo. Especial atenção devem merecer também, os silêncios, os suspiros seguidos de silêncio, os choros, as emoções, enfim, o 'não dito', que poderão constituir-se em importantes fontes de análise. Se acontecerem falhas no equipamento de gravação durante a entrevista, sugere-se que o pesquisador anote o maior número de depoimentos possíveis imediatamente após a conversa, para que possa aproveitar o que permanece no frescor da memória. Nesta altura do processo, é conveniente entregar a primeira versão do texto transcrito para os entrevistados procederem à conferência dos conteúdos apresentados através de suas falas.

i) Codificação e análise das entrevistas

A codificação evidencia a intrínseca relação entre as categorias através de uma organização metodológica e esquemática. Strauss e Corbin (1991, p. 54) propõem que o processo de codificação de histórias orais siga por etapas, de iniciar por uma ampla identificação e articulação dos dados, denominada codificação aberta, de onde emana:

[...] o potencial de encontro entre o material empírico e o conhecimento sobre o contexto do pesquisador. É comum extrairmos dezenas, talvez centenas de elementos conceituais que deverão ser agrupados mediante o processo de categorização.

Após essa extensa categorização, os autores sugerem uma nova articulação – um reordenamento dos dados com base no referencial teórico da pesquisa – denominada "codificação axial". Nesse momento colocam-se os desafios de transformar os dados, situações, ações e interações em conceitos; identificar as variáveis, as características das respectivas categorias e subcategorias; e de estabelecer uma lógica de análise.

Esse processo nos leva à codificação seletiva, que consiste na seleção das categorias-chave que serão aprofundadas na análise da pesquisa. O fio condutor utilizado permanece sendo o indicativo para análise; contudo, todo esse percurso busca incorporar de forma dinâmica os elementos trazidos pelas trajetórias, que possibilitam validar ou refutar as hipóteses e, principalmente, responder com propriedade à questão de pesquisa. Após esse percurso, desenvolvemos a análise das trajetórias como um todo, com vistas a reconstruir a história sociocultural dos grupos investigados, de forma a articular todos os elementos identificados no tempo e no espaço, discorrendo acerca dos diferentes ritmos, estratégias, conjunturas, valores e significados, ordenando a totalidade do material coletado não somente em cada trilha, mas na sua relação com os outros.

j) Retorno dos resultados da pesquisa aos sujeitos

Quanto à divulgação e retorno dos dados obtidos, é importante que o acordado com os entrevistados seja cumprido, respeitando o sigilo da fonte oral e renovando o estabelecimento do contato entre pesquisador e sujeitos que fizeram parte da pesquisa; exatamente por ser um exercício político, por trabalhar com significados de vivências, a pesquisa qualitativa precisa ser devolvida aos sujeitos que dela participam. Em trabalho recente, Lisboa (2003) devolveu, às 15 mulheres que fizeram parte de sua pesquisa, as sua trajetórias de vida transcritas, impressas e encadernadas, inclusive com a foto de cada uma delas na folha de rosto. Uma dessas mulheres que exerceu grande liderança em sua comunidade durante mais de 40 anos faleceu recentemente e na celebração de seus funerais foram lidas, com muito orgulho, várias partes de sua história, que estava em mãos da família.

 

6 Tecendo considerações finais

Procuramos neste artigo enfocar a importância do método da história oral no processo de construção do conhecimento em Serviço Social e mostrar que a modalidade trajetórias de vida poderá ser mais uma possibilidade de leitura do social com aporte de múltiplos construtos, inicialmente de forma individual, em seguida categorizado e analisado sob a perspectiva da totalidade, sobre uma realidade viva, histórica e coletiva.

Para os profissionais de Serviço Social, trabalhar com pessoas implica uma situação de relação, com o intuito de desvelar o sentido que as mesmas dão para a sua realidade, suas vidas, suas histórias e seu contexto. É a partir deste conhecimento empírico que o processo sócio-histórico, econômico e cultural de grupos ou segmentos dos usuários será analisado.

Cada usuário do Serviço Social é um sujeito múltiplo que foi se formando ao longo de uma trajetória, possui uma identidade, que por sua vez está em constante construção. O método da história oral configura-se como uma proposta de construção de conhecimento para o Serviço Social na medida em que nos apresenta um leque de trajetórias, uma dimensão coletiva do contexto do qual provém nosso usuário, demandando elementos significativos que nortearão nossas estratégias de intervenção.

As autoras deste artigo, Lisboa (2003) e Gonçalves (2006), utilizaram o método da história oral – modalidade trajetórias de vida – no processo de construção de suas investigações, e reconheceram a importância e a riqueza das experiências individuais e coletivas relatadas pelos sujeitos pesquisados. Através das demandas postas, do universo que se desenha a partir da construção e reconstrução destas experiências, constataram que é possível decifrar, ordenar, organizar, analisar, enfim, estabelecer mecanismos de desvelamento da realidade social e contribuir para a construção do conhecimento em Serviço Social.

A construção deste modelo de análise se projeta como uma proposta investigativa que implica um processo de compreensão dos fatos, das relações sociais e pretende, à luz das trajetórias dos sujeitos, mobilizá-los em direção à participação social, empoderamento e conquista dos direitos de cidadania.

 

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Notas

1 Este artigo tem como origem o trabalho Trajetórias de vida: visibilizando e reconstruindo a história das mulheres, apresentado pelas autoras no Seminário Internacional Fazendo Gênero 7: Gênero e Preconceitos, realizado nos dias 28, 29 e 30 de agosto de 2006 na Universidade Federal de Santa Catarina.

2 Empoderamento, segundo John Friedman (1996, p. viii), é todo o acréscimo de poder que, induzido ou conquistado, permite aos indivíduos ou às unidades familiares aumentarem a eficácia do seu exercício de cidadania.

3 Regimento do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos na Universidade Federal de Santa Catarina, disponível no site da UFSC: <www.cepsh.ufsc.br/documentos.htm>.

 

 

Recebido em 22.02.2007. Aprovado em 14.05.2007.

 

 

Rita de Cássia Gonçalves
Mestre em Serviço Social pela UFSC, pesquisadora e integrante do NUSSERGE e Professora do Departamento de Serviço Social da UFSC

Teresa Kleba Lisboa
Doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Professora do Departamento de Serviço Social da UFSC
Coordenadora do Núcleo de Estudos em Serviço Social e Relações de Gênero da UFSC.
Campus Universitário Reitor João David Ferreira Lima
Trindade – Florianópolis – SC
CEP: 88010-970

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