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Ambiente & Sociedade

versão impressa ISSN 1414-753Xversão On-line ISSN 1809-4422

Ambient. soc. v.10 n.1 Campinas jan./jun. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1414-753X2007000100001 

Editorial

 

10 anos de Ambiente & Sociedade

 

 

Este número representa um momento de celebração para toda a equipe que compõe a revista Ambiente & Sociedade. Estamos comemorando 10 anos de vida, um tempo marcado pela permanente motivação em publicar textos que contribuam para o debate e a reflexão em torno dos temas que articulam a Sociedade com o Ambiente. Nestes 10 anos de convivência, os editores associam uma cumplicidade intelectual a um compromisso com a qualidade editorial, além de uma articulação acadêmica nacional e internacional. Isto faz com que as principais instituições de ensino e pesquisa com enfoque interdisciplinar sejam as responsáveis pela crescente oferta de artigos de alta qualidade recebidos. O nosso desafio editorial é apresentar trabalhos inovadores, baseados em pesquisas originais e em constante processo de diálogo com as abordagens teórico-metodológicas mais recentes.

Portanto este é um momento para refletir sobre o alcance do nosso trabalho editorial e procurar a cada instante motivação para fazer de cada leitor um multiplicador do nosso capital cultural. E para tanto contamos com nossa parceria com a ANPPAS e a retaguarda editorial da Annablume.

Ao longo desses 10 anos verificamos a ampliação da nossa legitimidade acadêmica e a importância de contribuir para ampliar o debate em torno de temas que assumem importância vital no futuro da sociedade e dos demais atores da biodiversidade planetária.

Nesta edição, a revista aborda um conjunto de temas que configuram a diversidade e abrangência da temática ambiental, com contribuições de autores nacionais e estrangeiros. Os temas tratados nos artigos são: mudança climática, gestão sustentável da Amazônia, abordagens inovadoras para o uso sustentável da biodiversidade, história ambiental da América Latina, patrimônio ambiental, agricultura orgânica e práticas de populações tradicionais.

O primeiro texto da pesquisadora Mirjam Ros-Tonen do Amsterdam Research Institute for Metropolitan and International Development Studies com foco na indústria madeireira na região amazônica brasileira tem por base uma comparação de resultados de pesquisas sobre o setor florestal realizadas no início dos anos de 1990 e dez anos depois. Este artigo explora varias tendências atuais com potência para mudar a gestão de florestas tropicais na Amazônia. A autora relaciona um conjunto de fatores tais como as mudanças no suprimento de matéria prima, a globalização e a abertura de mercados externos para madeira e outros produtos como a soja, a crescente escassez da madeira, novos mercados e incentivos e mudanças nos padrões de posse da terra.

No segundo texto, escrito em inglês, Eliezer Martins Diniz, desenvolve uma reflexão crítica e contrapõe os diferentes argumentos sobre o Protocolo de Quioto tendo como referência bases documentais. O artigo enfatiza tanto os fatores a favor como aqueles que colocam em dúvida sua continuidade, assim como as perspectivas pós – Quioto e os novos acordos que estão sendo discutidos.

O terceiro texto, de autoria de Silvia Helena Zanirato e Wagner Costa Ribeiro, discute a proteção dos conhecimentos das populações tradicionais em sua estreita relação com a preservação dos recursos naturais e a proteção da propriedade intelectual. Para tal analisam-se as visões sobre proteção das organizações internacionais responsáveis pelo patrimônio (UNESCO), pelo meio ambiente (PNUMA) e pela propriedade intelectual (OMPI), assim como a da Organização Mundial do Comércio (OMC). O objetivo é de apresentar ao leitor a complexidade que envolve a definição de normas legais para a proteção nesse campo pela ótica do conjunto de órgãos multilaterais que tratam do tema.

No quarto texto, os pesquisadores canadenses Martha C. Johnson, Michel Poulin e Mark Graham apresentam uma reflexão sobre a necessidade de reconhecer os métodos científicos convencionais e os arranjos institucionais nem sempre são eficientes para se lidar com a complexidade embutida nas dimensões biofísicas e sociopolíticas da conservação dos recursos biológicos globais. Para tanto, torna-se necessária uma abordagem integrada, capaz de combinar métodos científicos com valores societários. Nesse sentido, a gestão ecossistêmica reconhece a interconectividade dos sistemas sociais e ecológicos e tenta articular a pesquisa científica, a formulação de políticas públicas e o estabelecimento de objetivos societários por meio de pesquisas interdisciplinares e processos de tomada de decisões envolvendo múltiplos atores sociais.

No quinto texto, escrito em espanhol, o pesquisador argentino, Guillermo Wilde, analisa a evolução histórica das representações hegemônicas sobre a selva misionera e sua população indígena. Descreve o processo de formação do imaginário oficial da selva considerada como ameaça ao progresso e limite da civilização durante os séculos XIX e XX. Também são analisados discursos e algumas situações enfrentadas pela população Guarani, refletindo sobre a forma como as organizações indígenas adotaram o discurso ambientalista.

O sexto texto, de autoria de Antonio Ribeiro de Almeida Jr. e Thales Novaes de Andrade, trata da importância da publicidade na construção social do debate ambiental. Mostra como os estudos sobre mídia e ambiente geralmente focam o conteúdo de jornais e programas televisivos, mas nas últimas décadas a publicidade passou a chamar atenção dos estudiosos sobre o tema. O trabalho discute a importância do fenômeno do consumo no mundo moderno, e os efeitos sentidos na área ambiental, assim como alguns aspectos do aprimoramento do discurso publicitário no tratamento de temas ambientais.

O sétimo texto, de autoria conjunta de Natalia Hanazaki, Fabio de Castro, Vivian Gladys Oliveira e Nivaldo Peroni, caracteriza e compara as estratégias econômicas de duas comunidades caiçaras na região estuarina do Vale do Ribeira no litoral sul do Estado de São Paulo. O texto mostra como a combinação de fatores regionais e locais influencia a variabilidade das estratégias de sustentação econômica das populações costeiras, com base na análise das quatro principais atividades relacionadas ao uso de recursos naturais: pesca, agricultura em pequena escala, empregos associados ao turismo e extração de recursos não madeireiros.

O oitavo texto, de autoria de Adriana Maria de Aquino e Renato Linhares de Assis, aborda o tema da agricultura orgânica em áreas urbanas com base na agroecologia. A partir de experiências com agricultura urbana em diferentes países em desenvolvimento, analisa a necessidade de buscar capacidades locais e apoio do poder público, especialmente nas iniciativas da sociedade organizada e mobilizada para a produção agrícola urbana.

Além dos artigos mencionados, este número da revista traz suas habituais seções de comunicação de resultados com a pesquisa de Regina Célia Di Ciommo, sobre eqüidade de gênero em reserva extrativista marinha, e uma resenha de livro, realizada por Eder Carneiro. Recebe também duas importantes contribuições: na seção Ponto de Vista uma provocativa reflexão de Carlos Alfredo Joly sobre Biodiversidade e Mudanças Climáticas destacando o contexto evolutivo, histórico e político; além de uma entrevista realizada por Samira Feldman Marzochi com Marcelo Furtado, Diretor de Campanhas do Greenpeace Brasil sobre as relações sobre Ciência e Política.

A diversidade dos artigos aqui apresentados é uma mostra da importância da contribuição de pesquisadores nacionais e estrangeiros, de instituições acadêmicas, de centros de pesquisa e de organizações não governamentais. A equipe da revista Ambiente & Sociedade comemora com todos os seus colaboradores, sejam autores, assessores e leitores, a consolidação de uma proposta de produção e disseminação do conhecimento. Sentimo-nos muito gratos e motivados a continuar no fortalecimento e ampliação das interlocuções em torno daquilo que, desde 1995, se colocara como um grande desafio para um pequeno e coeso grupo de pesquisadores: a motivação de divulgar e promover o debate da produção científica brasileira e internacional sobre a questão ambiental em suas interfaces com as ciências sociais.

De resto, aproveitando que em 2007 se cumpre o 15º aniversário da Rio-92, gostaríamos de reafirmar também nosso compromisso com a governabilidade ambiental nacional e global, não apenas como cientistas, mas também como cidadãos.

 

Saudações e até o próximo encontro.
Os editores

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