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Ambiente & Sociedade

On-line version ISSN 1809-4422

Ambient. soc. vol.11 no.2 Campinas  2008

http://dx.doi.org/10.1590/S1414-753X2008000200001 

Editorial

 

 

Neste segundo número de 2008, a Revista Ambiente & Sociedade reafirma a sua postura de apresentar aos leitores abordagens teórico-metodológicas inovadoras, privilegiando sempre a perspectiva multidimensional e interdisciplinar. O nosso principal desafio é o diálogo com os temas da contemporaneidade, a pluralidade de perspectivas teóricas e temáticas, as suas complexidades e interdependências, a fim de possibilitar ao leitor que tome conhecimento de análises sobre práticas socioambientais e realidades sócio-culturais diversas, do Brasil e de outras sociedades. Busca-se oferecer reflexões atuais e problematizar criticamente os temas em debate hoje, assim como oferecer os caminhos de pesquisa e de reflexão teórica que se colocam para o futuro. Observamos, com prazer, que a revista vem cumprindo, com rigor, as datas correspondentes à sua periodicidade semestral. Igualmente, registramos que o nosso objetivo permanente de atingir o maior número de leitores potencializa-se com a edição na forma digital, sem descuidar da tiragem impressa que foi, entretanto, reduzida.

São apresentados onze artigos, um texto com resultados de pesquisa, um texto na seção Ponto de Vista e três resenhas de livros. Os textos publicados abordam questões de muita atualidade e em debate no campo socioambiental, tais como: multifuncionalidade da agricultura e interdependência com o meio ambiente, educação ambiental e gestão participativa, negociação de direitos em Unidades de Conservação, relação natureza e modernidade, aportes teóricos sobre relação entre natureza e sacralidade, conflitos ambientais em áreas metropolitanas, história ambiental, eco-design na indústria automotiva, gestão da água e plataformas de mediação, redes sociais e inovações produtivas, e política ambiental.

No primeiro artigo, de autoria de Ana Velasco Arranz, Eduardo Moyano Estrada e Flavio Sacco dos Anjos, "Contratos territoriais de estabelecimento na França: rumo a um novo pacto social na agricultura", os autores analisam a implementação dos Contratos Territoriais de Estabelecimento (CTE´s) na agricultura francesa. Criados em 1999, os contratos são instrumentos através dos quais são introduzidas mudanças nas políticas agrícolas e nas estratégias adotadas pelos agricultores. O artigo mostra a complexidade de sua implementação e a incapacidade de resistirem à oposição exercida pelo lobby das corporações agrárias.

No segundo artigo, Carlos Frederico Loureiro e Claudia Conceição Cunha, em "Educação ambiental e Gestão Participativa de Unidades de Conservação: elementos para se pensar a sustentabilidade democrática", apresentam os conceitos relevantes da educação ambiental e um breve histórico da construção de conselhos em UCs, além de suas premissas e de seus indicadores de avaliação, como contribuição à prática de gestores de tais áreas protegidas.

No terceiro artigo, "Entre 'tradicionais' e 'modernos': negociações de direitos em duas Unidades de Conservação da Amazônia Brasileira", as autoras Eliana Santos Junqueira Creado, Ana Beatriz Vianna Mendes, Lucia da Costa Ferreira e Simone Vieira de Campos enfocam o Parque Nacional do Jaú e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, nos quais grupos reivindicaram direitos jurídicos específicos baseados na etnicidade. O texto reflete sobre como a taxonomia população tradicional foi empregada para categorizar os residentes no interior e no entorno dessas áreas e como tal uso convergiu ou se distanciou de propostas conservacionistas.

No quarto artigo, de autoria de Sergio Tavolaro, "À sombra do Mato Virgem: natureza e modernidade em uma abordagem sociológica brasileira", são investigados os vínculos discursivos que se estabelecem em nossa sociologia da inautenticidade entre, de um lado, o lugar da natureza na sociabilidade brasileira contemporânea e, de outro, o problema do status da modernidade no Brasil. Interessa ao autor responder de que maneira as relações entre modernidade no Brasil e o mundo natural configuram-se, implícita e explicitamente, na abordagem do pensamento social brasileiro e quais as implicações teóricas desses vínculos para os diagnósticos traçados a respeito do status da modernidade no Brasil contemporâneo.

No quinto artigo, "A sacralização da natureza e a 'naturalização' do sagrado: aportes teóricos para a compreensão dos entrecruzamentos entre saúde, ecologia e espiritualidade", Isabel Cristina de Moura Carvalho e Carlos Steil discutem as práticas de aperfeiçoamento de si e do cuidado com o ambiente, voltadas para a saúde e o bem estar físico, mental e espiritual. O foco da discussão está dirigido para os pontos de interseção entre práticas ecológicas e religiosas, que dão origem a processos de sacralização da natureza e de "naturalização" do sagrado.

O sexto artigo "Segregação social como externalização de conflitos ambientais: a elitização do meio ambiente na APA-Sul, Região Metropolitana de Belo Horizonte", de autoria de Klemens Laschefski e Heloisa Soares de Moura Costa trata das relações de poder no conselho consultivo de uma Unidade de Conservação localizada na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O texto mostra uma realidade socioambiental e desenvolve sua análise em torno da perda da qualidade ambiental, em parte associada às alternativas de habitação popular, abrindo oportunidade para discursos que justifiquem a segregação social no espaço e a elitização da paisagem em questão.

O sétimo artigo, "Forasteiros na floresta subtropical: notas para uma história ambiental da colonização alemã no Rio Grande do Sul", de autoria de Juliana Bublitz, trata da colonização alemã no Rio Grande do Sul, no século XIX, a partir da perspectiva da história ambiental, com atenção especial às relações estabelecidas entre os colonos e a floresta subtropical. O texto analisa o que sentiram os imigrantes em seus primeiros contatos com a fauna e a flora regionais.

O oitavo artigo, dos autores Miriam Borchardt, Leonel Poltosi, Miguel A. Selitto e Giancarlo Pereira, "Considerações sobre o Ecodesign: um estudo de caso na indústria eletrônica automotiva", apresenta um estudo de caso referente à implantação de técnicas de ecodesign em uma empresa da cadeia eletrônica automotiva. O texto desenvolve inicialmente uma revisão sobre sustentabilidade ambiental, ecologia industrial, ecodesign e análise de ciclo de vida. O artigo apresenta uma descrição de algumas práticas ambientalmente corretas na indústria automotiva, o seu processo de implantação, as diretivas de projeto e uma avaliação preliminar dos resultados alcançados.

O nono artigo, "Elaboração multidisciplinar e participativa de jogos de papéis: uma experiência de modelagem de acompanhamento em torno da gestão dos mananciais da Região Metropolitana de São Paulo", é de autoria coletiva dos pesquisadores do Projeto Negowat: Raphaèle Ducrot, Pedro Roberto Jacobi, Vilma Barban, Wanda M. Risso Gunther, Yara M. Chagas de Carvalho, Terezinha Franca, Suzana Sendacz, Lucie Clavel e Maria Eugenia Carmargo. O texto aborda o desenvolvimento de ferramentas de simulação, e pressupõe a integração das várias representações e conhecimentos. Isso garante a sua legitimidade e a possibilidade de utilizar tais ferramentas como plataforma de mediação no desenvolvimento de dois jogos de papéis sobre a gestão da água e do solo em mananciais periurbanos da Região Metropolitana de São Paulo.

No décimo artigo, "Caracterização da Mineração Aurífera em Faina, Goiás, em um contexto ambiental histórico e atual", Marcos Pedro da Silva e Cleonice Rocha, analisam, por meio de uma abordagem ambiental histórico-dialética, a caracterização dos processos auríferos desenvolvidos no município de Faina, Goiás. São analisadas três atividades: mineração escrava, mineração de dragagem e mineração industrial. As três evidenciam que a exploração por dragagem tem um maior poder de degradação ambiental.

O último artigo, de autoria de Tereza Ximenes, "Capital Social, Redes Sociais e Inovações Produtivas", apresenta experiências de sucesso na estratégia de motivar as populações locais. Ao organizá-las e treiná-las, para a realização de inovações produtivas, essas experiências revelam que as comunidades onde os indivíduos interagem mais uns com os outros e em que a rede de relações sociais, em seu conjunto, está bem integrada tendem a superar as suas limitações mais facilmente.

Fechando o número, na seção Resultados de Pesquisa, que a partir do próximo número não estará mais presente no periódico, Juliana Sheila de Araújo e Maria de Fátima Pereira de Sá apresentam uma síntese da pesquisa "Sustentabilidade da Piscicultura no Baixo Rio São Francisco Alagoano: condicionantes sócio-econômicos".

A seção Ponto de Vista apresenta reflexão de Leandro de Castro Siqueira, em texto intitulado "Política Ambiental Para Quem?". Logo depois, temos três resenhas, das autoras Andréa Rabinovici, Andréa Leme e Luciana Ziglio sobre livros recentemente lançados, contribuindo assim para a divulgação e a análise da produção recente na área.

Mais uma vez os editores agradecem aos seus leitores pelo apoio; às instituições de apoio à pesquisa, CNPq, Fapesp e Capes, pelos auxílios financeiros que tornam possível a produção da revista; e à Cubo e à Annablume, pela viabilização editorial. Cabe agradecer, em especial, aos nossos Editores Executivos, Eliana Creado, Andréa Rabinovici, Carlos Potiara e Marília Giesbrecht, fundamentais no suporte editorial para o bom funcionamento da revista. Nossa aposta é no aperfeiçoamento permanente da Revista Ambiente & Sociedade e das publicações independentes que contribuem para o avanço da produção e da disseminação do conhecimento.

Desejamos a todos uma boa leitura e contamos com a colaboração de nossos leitores na divulgação de Ambiente & Sociedade, além da companhia de todos em 2009.

 

Vida longa e criativa para AMBIENTE & SOCIEDADE!
Os editores