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Ambiente & Sociedade

On-line version ISSN 1809-4422

Ambient. soc. vol.16 no.3 São Paulo July/Sept. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S1414-753X2013000300004 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Impactos dos desastres naturais nos sistemas ambiental e socioeconômico: o que faz a diferença?1

 

 

Herlander Mata-LimaI; Andreilcy Alvino-BorbaII; Adilson PinheiroIII; Abel Mata-LimaIV; José António AlmeidaV

IInvestigador Integrado do CERENA - Centro de Recursos Naturais e Ambiente. Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa. Professor Visitante do Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais Aplicadas (CECS), Universidade Federal do ABC (UFABC), São Paulo, Brasil. E-mail: helima@ist.utl.pt
IICalaboradora do CERENA - Centro de Recursos Naturais e Ambiente, Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa (IST/UTL), Portugal. Bolsista do CNPq, Brasil. E-mail: aabmadeira@hotmail.com
IIIFundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), Santa Catarina, Brasil. E-mail: pinheiro@furb.br
IVCTB, Universidade Politécnica de Madrid, Madrid (Spain). E-mail: abel.lima@ctb.upm.es
VCICEGe - Centro de Investigação em Ciência e Engenharia Geológica, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT/UNL), Portugal. E-mail: ja@fct.unl.pt

 

 


RESUMO

Este artigo aborda os impactos ambientais e socioeconômicos associados aos desastres naturais e apresenta os fatores que contribuem para a redução da magnitude dos danos materiais e humanos. Realiza-se uma análise reflexiva, baseada em abordagens qualitativas e quantitativas, integrando as dimensões ambiental, econômica e social da sustentabilidade, assim como as relações com os paradigmas dos desastres (Perigo-Risco-Vulnerabilidade-Resiliência) de origem hidro-meteorológica, climatológica e geofísica. Procura-se identificar os fatores-chave para redução da vulnerabilidade, bem como para prevenção e mitigação dos impactes dos desastres naturais. A reflexão efetuada permitiu realçar a influência determinante do capital social, relacionado às estruturas social e econômica, como fator de redução da vulnerabilidade das comunidades afetadas.

Palavras-chave: Desastres naturais; Impactos ambiental e socioeconômico; Vulnerabilidade; Resiliência; Gestão do Risco.


RESUMEN

En este artículo se describen los impactos ambientales y socioeconómicos de los desastres naturales y los factores que contribuyen a la reducción de la magnitud de los daños materiales y humanos. Se realiza un análisis reflexivo, basado en un enfoque cualitativo y cuantitativo, integrando las dimensiones ambiental, económica y social, de la sostenibilidad asimismo sus relaciones con los paradigmas de los desastres (Peligro-Riesgo-Vulnerabilidad-Resiliencia) de origen hidro-meteorológico, climatológico y geofísico. El objetivo es identificar los factores clave en la reducción de la vulnerabilidad, prevención y mitigación de impactos de los desastres naturales. La reflexión llevada a cabo ha hecho posible destacar la influencia determinante del capital social como factor de reducción de vulnerabilidad de las comunidades afectadas.

Palabras-clave: Desastres naturales; Impactos ambientales y socioeconómica; Vulnerabilidad; Resiliencia; Gestión de Riesgo.


 

 

Introdução

Os desastres naturais são causados por fenômenos, de origem hidro-meteorológica, climatológica, geofísica ou biológica que degradam o ambiente natural e construído das regiões afetadas, provocando danos materiais e vítimas a um nível tal que excedem a capacidade de autorecuperação da comunidade local , exigindo recursos da assistência externa (vide GUHA-SAPIR et al., 2012; NOY, 2010; ALCÁNTARA-AYALA, 2002, p. 109-110).

O relatório de World Bank & United Nations (2010) refere que: os desastres expõem os efeitos cumulativos de decisões (individuais e coletivas) previamente tomadas, relacionadas ao planejamento do território (incluindo a expansão desregulada de áreas urbanas), técnicas construtivas, implantação de infraestruturas de saneamento, fraco investimento em programas educativos, de combate à pobreza, de integração social, além de outras causas que, conjugadas com a ocorrência de eventos naturais de grande intensidade (e.g. cheia e deslizamento de terra, tempestade, terremoto), desencadeiam uma sequência de impactos ambientais e socioeconômicos.

A abordagem transdisciplinar do conceito subjacente aos desastres naturais sugere que são caracterizados por eventos de origem natural, com consequências comumente agravadas pela ação antrópica, que superam a capacidade de controle das infraestruturas construídas pelo Homem, causando perturbações nefastas no meio (ambiente e social) e consubstanciando impactes socioeconômicos de severidade elevada, dos quais se destacam elevados danos materiais e aos quais se juntam frequentemente perdas de meios de subsistência e de vidas humanas nas comunidades afetadas, assim como doenças infecciosai devido à degradação das condições sanitárias. São, por conseguinte, responsáveis por uma sequência de impactos ambientais e socioeconômicos negativos visto que provocam perturbações (ou desequilíbrios) nas dimensões ambiental (CHINO et al., 2011; McENTIRE, 2001; ADRIANTO & MATSUDA, 2002), econômica (DAVIS et al., 2012; FREITAS et al., 2012; LOAYZA et al. 2012; NOY & VU, 2010; UN, 1999) e social (GUHA-SAPIR et al., 2012; TAKAHASHI et al., 2012; O'BRIEN et al., 2006; YODMANI, 2001) da sustentabilidade.

Nas duas últimas décadas, muitos estudos têm apresentado consistentes demonstrações e previsões do aumento da frequência de ocorrência e da intensidade dos desastres naturais (e.g. furacão, cheia, aluvião, seca e incêndio florestal associado, terremoto, tornado, entre outros), sobretudo os relacionados com os fatores climáticos (vide GUHA-SAPIR et al., 2012; IPCC, 2007; VINK et al., 1998), bem como a relação entre os desastres naturais e indicadores macroeconômicos dos países (SCHUMACHER & STROBL, 2011; LOAYZA et al. 2012; NOY, 2010).

Este tema assume particular importância na medida em que o relatório do Intergovernamental Panel on Climate Change (IPCC, 2007) refere que uma das consequências do aquecimento global é o eventual aumento da frequência e intensidade de fenômenos climáticos extremos (sobretudo nas regiões tropicais), que conjugados com os desastres de origem geofísica (e.g. terremoto, tsunami, erupção vulcânica), consubstanciam uma forte ameaça para os países em vias de desenvolvimento (NAUDE, 2010; IFRC, 2003, 2010; O'BRIEN et al., 2006), pois, como se sabe, possuem fraca resiliência face aos desastres (EBEKES & COMBES, 2013; CUARESMA, 2010; WORLD BANK & UNITED NATIONS, 2010).

Os desastres naturais, mesmo quando classificados como pequenos ou moderados (DATAR et al., 2013), são responsáveis por impactos ambientais e socioeconômicos negativos (GUHA-SAPIR et al., 2012), particularmente nas regiões subdesenvolvidas (ou em vias de desenvolvimento) (TOYA & SKIDMORE, 2007; WORLD BANK & UNITED NATIONS, 2010), devido não só à ausência de atividade de planejamento preventivo e à escassez de recursos, como também à baixa resiliência, inerente ao fraco nível de capital socialii (vide TOYA & SKIDMORE, 2007, p. 20-21; JACOBI & MONTEIRO, 2006, p. 27; ALCÁNTARA-AYALA, 2002, p. 108), que contribui para o prolongamento, no tempo, dos efeitos adversos no ambiente e na sociedade. Tal prolongamento no tempo contribui para uma maior dispersão espacial dos impactos ambientais, onde os agentes naturais (e.g. água, vento) encarregam-se de transportar o problema para jusante, e para o agravamento dos impactos socioeconômicos pela degradação da atividade econômica (e.g. agricultura, comércio, turismo), bem como o aumento da vulnerabilidade social.

Como exemplo da influência do capital social, merece destaque o fato de Alcántara-Ayala (2002, p.108) referir que uma das causas que contribuem para a ocorrência de desastres naturais nos países pobres ou em vias de desenvolvimento está:

... relacionada com o desenvolvimento histórico desses países, onde as condições econômica, social, política e cultural não são boas e atuam consequentemente como fatores de elevada vulnerabilidade aos desastres naturais (vulnerabilidade económica, social, política e cultural) [tradução nossa].

Este trabalho aborda os desastres naturais cuja origem e magnitude não se limitam a causas naturais, i.e. aqueles em que tanto as causas como os efeitos estão também estreitamente relacionados com o crescimento demofórico que tem estado inerente ao desenvolvimento socoeconômico das sociedades contemporâneas. O crescimento demofórico, que engloba os efeitos combinados da população em um sentido biológico e os efeitos de produção-consumo em um sentido tecnológico (ALVINO-BORBA & MATA-LIMA, 2011; WETZEL, 1996), está normalmente associado ao aumento da densidade quer em termos populacionais quer em termos de infraestruturas (ambiente construído), sendo que ambos os fatores referidos possuem aspectos e impactos (ambientais e socioeconômicos) que contribuem tanto para o aumento da magnitude dos desastres naturais como para o agravamento das vulnerabilidades das comunidades afetadas.

É importante ressaltar que, de acordo com a norma ISO 14001: (i) aspecto ambiental é o elemento de atividades, produtos ou serviços de uma organização que pode interagir com o meio ambiente; (ii) impacto ambiental é qualquer modificação do meio ambiente, adversa ou benéfica, que resulte, no todo ou em parte, dos aspectos ambientais da organização.

Nesse contexto, o aspecto ambiental está ligado à causa do problema ou da melhoria ambiental enquanto que o impacto ambiental está relacionado com o efeito do problema ou da melhoria ambiental. Por conseguinte, os aspectos ambientais devem ser identificados com base nos seguintes fatores (vide, e.g., MARAZZA et al. 2010; UNIVERSITY OF STRATHCLYDE, 2000): (i) inclusão social; (ii) desenvolvimento econômico; (iii) uso de recursos; (iv) transporte; (v) proteção ecológica e ambiental.

Os aspectos tratados nos parágrafos anteriores fazem parte do rol de variáveis que devem ser consideradas de maneira obrigatória na concepção de programas de desenvolvimento e implementação de planos de prevenção de desastres. O desenvolvimento sustentável, como é bem conhecido, deve considerar de modo transversal e equilibrado as dimensões ambiental, social e econômica recorrendo sempre a melhor tecnologia disponível para atingir os objetivos preconizados, conforme ilustrado na Figura 1.

 

 

O triângulo de sustentabilidade dispensa muitas considerações visto que já se encontra amplamente tratado em trabalhos previamente publicados, tais como MAUERHOFER (2008, p. 498).

 

Desastres naturais

Origem e ocorrência

Os desastres naturais são geralmente classificados como de origem hidrológica, meteorológica, climatológica, geofísica e biológica (GUHA-SAPIR et al., 2012). Neste artigo optou-se por agrupar os desastres naturais de origem hidrológica e meteorológica em uma só categoria que recebeu a designação de hidro-meteorológica e não incluir os de origem biológica (menos expressivos que os restantes), conforme se sintetiza no Quadro 1.

A Figura 2 (modificada de GUHA-SAPIR et al., 2012, p. 3) ilustra a evolução global dos desastres naturais e as respectivas vítimas no período de 1990 a 2011.

A abordagem ao problema dos desastres naturais concentra-se em torno dos quatro (4) paradigmas do desastre (cf. FRERKS et al., 2011, p. 106): Hazard-Risk-Vulnerability- Resilience. O Quadro 2 apresenta uma síntese descritiva dos paradigmas fazendo a distinção entre aqueles em que, no âmbito de planos de intervenção, é feito um esforço de redução (↓) e aumento (↑).

Dimensões ambiental e socioeconômica do desastre

Dimensão ambiental

A dimensão ambiental (stricto sensu) dos desastres naturais tem sido amplamente tratada na bibliografia técnica especializada (vide, e.g., SRINIVAS & NAKAGAWA, 2008, p. 6; AERTS & BOTZEN, 2011) e apresenta-se uma síntese no Quadro 3.

Esta seção pretende apenas alertar para a forte relação de interdependência que existe entre a proteção e conservação dos fatores biofísicos (e.g. solo, água, atmosfera, fauna e flora) e o desenvolvimento socioeconômico. Como exemplo que confirma a afirmação anterior, salienta-se o desenvolvimento crescente do turismo ruraliii (HAVEN-TANG & JONES, 2012) que explora essencialmente as atividades inerentes às regiões rurais (HAVEN-TANG & JONES, 2012; SRINIVAS & NAKAGAWA, 2008). Por outro lado, sabe-se que os desastres naturais estão muito correlacionados com as zonas costeiras (YASUHARA et al., 2012; COSTANZA & FARLEY, 2007) que são um elemento vital para a vantagem competitiva do turismo de verão nos países em vias de desenvolvimento (da África, América Latina e Ásia).

Assim, sintetizam-se no Quadro 3 os aspectos ambientais de origem antrópica que contribuem para o agravamento dos desastres naturais. O quadro resume apenas alguns exemplos flagrantes de aspectos ambientais (causas dos impactos) referentes aos megaprojetos de engenharia, susceptíveis de provocar grandes deslocamentos de populações além de muitos outros impactos ambientais negativos significativos, com fins múltiplos e que geralmente são suportados por estudos de viabilidade que apontam para geração de múltiplas externalidades socioeconômicas positivas para a região onde se inserem, tais como crescimento econômico através da (re)vitalização das atividades preexistentes, criação de novas oportunidades de investimento e, sobretudo, emprego para a comunidade local (vide, e.g., MATA-LIMA, 2009).

O Quadro 3 ajuda a esclarecer as afirmações feitas por outros autores (TOYA & SKIDMORE, 2007, p. 20; ALCÁNTARA-AYALA, 2002, p. 108; YODMANI, 2001, p. 2) segundo a qual os desastres naturais não são considerados como fenômenos extremos provocados exclusivamente por forças naturais, pois o modelo de desenvolvimento adotado pelo Homem também concorre de forma significativa para a ocorrência dos desastres visto que a vulnerabilidade é o fator determinante do impacto dos desastres.

Dimensão socioeconômica

A evolução da dimensão socioeconômica dos desastres tem exibido uma tendência crescente (vide Figura 3), devido aos impactos diretos sobre as comunidades vulneráveis, que ofusca muitas vezes os impactos estritamente ambientais e, por conseguinte, merece uma atenção especial por parte dos atores, políticos e pesquisadores de instituições de ensino e pesquisa, com responsabilidade na busca de soluções para mitigação dos impactos.

Recentemente, Loayza et al. (2012, p. 1317) salientaram que os desastres naturais provocam danos físicos e econômicos significativos que podem propagar-se para além do local do desastre. Também verificaram que o impacto dos desastres no crescimento econômico nem sempre é negativo e que os países em vias de desenvolvimento são mais vulneráveis aos desastres naturais, apresentando mais setores afetados. Este fato está intrinsecamente relacionado ao elevado grau de vulnerabilidade e fraca resiliência desses países. Conforme ressalta WORLD BANK & UNITED NATIONS (2010), após os desastres naturais dificilmente ocorre crescimento econômico nas regiões subdesenvolvidas sendo que a intensidade do efeito negativo depende da estrutura da economia. Por outro lado, sabe-se que tipicamente as regiões que exibem fraco capital social também apresentam uma estrutura econômica fraca, bem como dificuldade de captar recursos adequados para enfrentar os problemas emergentes dos desastres.

É importante ainda evidenciar as seguintes peculiaridades da dimensão socioeconômica:

• A existência de subsídios (remittances) mitiga significativamente o impacto dos desastres naturais no que concerne ao número de vítimas nos países em vias de desenvolvimento, para subsídios entre 8 e 17% do Produto Interno Bruto (PIB) (cf. EBEKE & COMBES, 2013);

• Os desastres naturais afetam, sobretudo, as nações mais pobres sendo que os mais vulneráveis e marginalizados suportam as maiores consequências (FREITAS et al., 2012; IFRC, 2003, 2010).

O Quadro 4 apresenta um exemplo elucidativo de como a vulnerabilidade das regiões pobres contribui para o incremento significativo dos impactos negativos dos desastres naturais. A este fato, acrescenta-se que os desastres estão causando globalmente mais vítimas mortais e acarretando maior custo econômico ao longo do tempo, conforme salientou O'BRIEN et al. (2006) com base nos dados do Center for Research on the Epidemiology of Disaster (CRED);

• O incremento do número de desastres e suas consequências está relacionado com o aumento da vulnerabilidade das comunidades, em todo o mundo, como consequência do modelo de desenvolvimento adotado. O aumento da vulnerabilidade não é uniforme, pois verificam-se grandes variações entre regiões, nações, províncias, cidades, comunidades, classes socioeconômicas, casta e até mesmo o gênero (cf. YODMANI, 2001);

• Áreas urbanas beneficiam de maior infraestrutura física (e.g. hospitais, serviços de proteção civil, sistemas sanitários e outros meios logísticos) e administrativa (e.g. planos de emergência) de apoio em caso de desastres, pois é mais comum existirem planos de prevenção e intervenção em áreas urbanas (IFRC, 2010). Porém, o fato das maiores cidades mundiais se encontrarem nos países pobres e em vias de desenvolvimento, como é o caso de São Paulo que contém diversos problemas enunciados por JACOBI & MONTEIRO (2006, p. 32-33) e se situa em um país onde se verifica a predominância de desastres de origem hidro-meteorológica (GUHA-SAPIR et al., 2012, p.14), tornam o cenário muito preocupante visto serem cidades com carências no que concerne às infraestruturas supracitadas.

 

Gestão dos impactos ambientais e socioeconômicos associados aos desastres naturais

Nas seções anteriores houve a preocupação de estabelecer relação entre os aspectos e impactos ambientais dos desastres naturais mais comuns (e.g. cheias, deslizamento de encostas), evidenciando a interdependência entre as dimensões ambiental, econômica e social da sustentabilidade. Este tipo de abordagem visa tornar patente a relação de cumplicidade entre as três dimensões de sustentabilidade supramencionadas e os quatro paradigmas do desastre como condição de partida para conceber e implementar um plano de gestão preventiva dos desastres. Este esforço é determinante na medida em que, conforme anteriormente referido, a redução da vulnerabilidade se alcança conduzindo uma abordagem sistêmica das complexas interações entre os fatores físicos, ambientais e sociais inerentes (vide, e.g., INGRAM et al. 2006).

Gestão preventiva

Não sendo humanamente possível adotar medidas capazes de eliminar a ocorrência dos fenômenos extremos suscetíveis de provocar desastres naturais, cumpre então consubstanciar a prática de planejamento preventivo de modo a mitigar os impactos sobre os sistemas ambientais e socioeconômicos, particularmente os que exibem maior vulnerabilidade, como contributo para aumento do grau de resiliência das comunidades locais. Nesse contexto, merece destaque a afirmação de McENTIRE (2001, p. 189): "The central argument to be made is that vulnerability is, or should be, the key concept for disaster scholarship and reduction". Esta preocupação vai ao encontro da recomendação final de World Summit on Sustainable Development (WSSD) sobre a necessidade de abordagem integrada que inclua a vulnerabilidade, avaliação do risco e gestão do desastre, considerando a prevenção e mitigação dos impactos (UNISDR, 2003; WORLD BANK & UNITED NATIONS, 2010).

A abordagem de gestão deve ser adaptativa e preventiva conforme as etapas que se indicam nesta seção. É importante ainda salientar que - em muitas situações - uma gestão preventiva eficiente pode requerer uma cooperação transfronteiriça (e.g. envolvendo vários países) nos casos que dependem da escala e natureza do desastre (e.g. cheias em bacias hidrográficas compartilhadas, incêndios florestais em zonas fronteiriças).

A identificação dos aspectos e impactos ambientais é fundamental para a gestão do risco, pelo que deve ser considerada na etapa inicial do estudo de gestão do risco. Esta etapa inicial recebe a designação de 'enquadramento' (establishement of context) no âmbito do fluxograma apresentado por Pojasek (2008, p. 97), conforme ilustrado na Figura 4.

 

 

Salienta-se que o enquadramento (i.e. definição do contexto) é fundamental para avaliação do grau de severidade dos impactos na medida em que são mais acentuados (e socialmente visíveis) quando se tratam de regiões urbanas e populosas com muitas infraestruturas implantadas em zonas de risco, pois a dimensão socioeconômica é drasticamente afetada. Visto que a análise do risco se baseia essencialmente na probabilidade de ocorrência de um dado evento e na severidade das consequências resultantes (vide, e.g., KORTENHAUS E KAISER, 2009; TOPUZ et al., 2011), fica claro que o enquadramento biofísico e socioeconômico local deve assumir um papel determinante na contextualização e avaliação do risco.

 

Síntese final e recomendações

A resposta à questão embutida no título (o que faz a diferença?) está, sobretudo, no capital social que, de fato, exerce influência determinante como fator de vulnerabilidade porquanto as nações desenvolvidas (e.g. Japão, USA), apesar de apresentarem um número significativamente inferior de vítimas de desastres naturais, não têm sido menos afetadas por fenômenos extremos (e.g. hidro-meteorológicos) suscetíveis de desencadear desastres quando comparadas às nações mais pobres, conforme já realçado também por outros autores (e.g. GUHA et al., 2012; KAHN, 2005).

Merecem destaque os seguintes aspectos que desempenham um papel fulcral na mitigação dos desastres naturais:

• Desastres naturais requerem uma abordagem transdisciplinar visto que a sua prevenção e mitigação exige que haja uma cooperação técnico-científica entre diferentes áreas de ciências, de engenharias, econômicas, saúde, sociais e jurídicas, às quais se deve juntar o envolvimento participativo dos stakeholders (e.g. comunidade local) como sine-qua-non para redução dos impactos ambientais e socioeconômicos;

• Deve combater-se a vulnerabilidade apostando na elevação do capital social das comunidades que se localizam em regiões de elevado risco de desastres através da promoção da educação/formação e exercício de cidadania mediante a construção do interesse de participação em ações coletivas; redução do isolamento apostando na criação de redes que promovam o contato e troca de experiência entre as diferentes comunidades com preocupações comuns no que concerne à gestão do risco de desastres; entre outras ações que visam a construção do capital social;

• Os desastres naturais nos países em vias de desenvolvimento suscitam impactos subsequentes, designadamente no domínio da degradação da saúde (DATAR et al., 2013) devido à doenças relacionadas ao agravamento das condições de saneamento ambiental, conforme também frisou Takahashi, et al. (2012);

• Globalmente, é necessário uma maior atenção e uma intervenção mais proativa (ao nível de planejamento preventivo) da parte das autoridades governamentais e não governamentais, conforme preconiza também o World Bank & United Nations (2010);

• Deve existir investimento e subsídio de prevenção de desastres naturais, bem como instrumentos e entidades com responsabilidade direta na prevenção de desastres, visto que reduzem significativamente a dimensão de danos materiais e vítimas;

• Devem retirar-se lições dos desastres e o período pós-desastre deve ser uma oportunidade para implementar boas práticas, ao nível de ordenamento do território integrando medidas adaptativas, ao invés de promover reconstruções rápidas e massivas que podem, em alguns casos, contribuir para o aumento da vulnerabilidade das comunidades locais face à eventos futuros.

Dentre os aspectos que contribuem para mitigação dos desastres, conforme acima descritos, o capital social está na base da criação de condições que viabilizem a redução da vulnerabilidade e, por conseguinte, a dependência de comunidades (ou nações) de iniciativas externas.

Esta situação se deve ao fato do capital social ser indispensável para criação de estruturas social, econômica e política (incluindo cooperação e inserção nas redes internacionais) necessárias para proporcionar evolução socioeconômica, que por sua vez contribui para reduzir a exposição das comunidades ao risco, mediante o desenvolvimento assente numa perspectiva de sustentabilidade.

Ainda sobre este assunto, importa ressaltar que a análise da evolução espaço-temporal de dados sobre os desastres permitem observar que as nações que detêm maior produto interno bruto (PIB), população com maior nível de escolaridade, maior liberdade social e política criando condições objetivas para o efetivo exercício de cidadania ativa, bem como sistema financeiro mais completo, sofrem menos perdas quando ocorrem fenômenos extremos que desencadeiam desastres naturais (vide, e.g., OXLEY, 2013; TOYA & SKIDMORE, 2007).

É urgente criar um contexto adequado, no âmbito da prevenção dos desastres naturais, envolvendo medidas proativas de adaptação das comunidades às alterações climáticas e redução da exposição ao risco, que conduza a diminuição da vulnerabilidade e, por consequência, da magnitude dos impactos socioeconômicos que se verificam, sobretudo, nas regiões empobrecidas quando em situação de desastres.

 

Notas

i Sobre as doenças infeciosas TAKAHASHI et al. (2012) salientam o fato da comunidade afetada ficar exposta à agentes infetocontagiosos durante as fases iniciais do pós-desastre, tais como salvamento e concentração em acampamentos provisórios.

ii Capital Social resulta das caraterísticas estruturais da organização social que favorecem a formação de redes, normas, sistema de valores, relações de confiança e envolvimento participativo que facilitam a coordenação e cooperação visando o benefício comum (vide, e.g. PARK et al., 2012, p. 1512).

iii O turismo não deve ser interpretado apenas como atividades relacionadas com o setor agropecuário, pois pode englobar múltiplas atividades, tais como exploração da natureza (e.g. ornitologia), aventura, desporto, saúde (e.g. etnomedicina), educação, arte e patrimônio (vide, e.g., SU, 2011, p. 1438).

 

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Submetido em: 13/08/2012
Aceito em: 01/07/2013

 

 

1 Agradecimento: O primeiro autor agradece ao CNPq pelo apoio concedido no âmbito do projeto "Geo-environmental modelling using strategic environmental assessment that incorporates biophysical factors and stakeholder engagement via transdisciplinary approach" (Processos 407507/2012-4 & 401425/2012-6) que estimulou a realização deste artigo.

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