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COMPORTAMENTO AMBIENTAL: ESTUDO COMPARATIVO ENTRE ESTUDANTES BRASILEIROS E PORTUGUESES

Resumo

Jovens universitários têm acesso crescente às informações ambientais, mas isso não significa que haja o desenvolvimento de um comportamento em prol do meio ambiente. Com a utilização de uma escala aplicada em 1035 estudantes universitários do Brasil e de Portugal, foi averiguado como ocorre a estruturação e manifestação do comportamento ambiental desses estudantes. Utilizando técnicas estatísticas multivariadas, verificou-se uma similaridade no comportamento ambiental de ambos os grupos, com as crenças ambientais se manifestando por uma oposição à visão antropocêntrica. As atitudes ambientais têm como antecedentes as preocupações relacionadas ao meio ambiente. Essas preocupações influem na opção pelo controle do crescimento econômico, perspectiva reforçada pela tendência mais ecocêntrica dos entrevistados e que está pautada por uma diminuição da produção, do consumo e promoção do bem-estar. Verificou-se também que a opção pelo consumo verde ainda não se realiza totalmente, embora seja verificada uma tendência favorável.

Palavras-Chave:
Comportamento ambiental; Atitudes ambientais; Consumo verde; Estudo transcultural

Abstract

Although undergraduate students have great access to environmental information, it does not mean that an environmental behavior is being developed. With the use of a scale applied to 1035 university students from Brazil and Portugal, it was examined how the environmental behavior of these students is structured. Using multivariate statistical techniques, it was verified that there is a similarity in the environmental behavior of both groups, with environmental beliefs being manifested by an opposition to the anthropocentric view. The environmental attitudes have the concerns related to the environment as their predecessor. These concerns influence the option to control economic growth, which is reinforced by the ecocentric point of view of the respondents and is manifested by the perspective of a decrease in production and in consumption as well as the promotion of welfare. Although there is a tendency, the option for green consumption is not fully accomplished.

Key words:
environmental attitudes; environmental behavior; green consumption; cross-cultural study

Resumen

Los estudiantes universitarios tienen cada vez más acceso a la información ambiental, pero eso no significa que haga el desarrollo de un comportamiento compatible. Con una escala aplicada en 1035 estudiantes universitarios de Brasil y Portugal, se examinó cómo está estructurado el comportamiento ambiental de estos estudiantes. Con el uso de técnicas estadísticas multivariantes, fue verificada una similitud en el comportamiento ambiental de los dos grupos, con las creencias ambientales si manifestando por una oposición a la visión antropocéntrica. Las actitudes ambientales tienen como antecedentes las preocupaciones relacionadas con el medio ambiente. Estas preocupaciones influyen en la opción para el control del crecimiento económico, reforzada por una tendencia ecocéntrica y se caracteriza por una perspectiva de disminución de la producción y del consumo además de la promoción del bienestar. También sí verificó que la opción por el consumo verde no se realiza plenamente, aunque se verifica una tendencia favorable.

Palabras clave:
Actitudes ambientales; Comportamiento ambiental; Consumo verde; Estudio transcultural

Introdução

Os jovens universitários têm acesso cada vez mais diversificado a diferentes tipos de mídia, situação que facilita o acesso a conteúdos e informações ambientais (MORIGI e KREBS, 2012MORIGI, J.; KREBS, L. M. Social Mobilization Networks: the Greenpeace informational practices. Informacao & Sociedade-Estudos, 22, n. 3, p.133-142,2012. ; SILVEIRA e CRUZ, 2012SILVEIRA, J. G. D.; CRUZ, R. D. C. Study of information about environmental sustainability that circulate on Orkut: an exploratory study of the topic "What about the river?" Perspectivas em Ciência da Informação, 17, n. 2, p.143-157,2012. ). Há também uma presença cada vez maior de conteúdos ambientais em cursos de graduação, seja pela inserção de informações ambientais em disciplinas mais tradicionais ou pela oferta de disciplinas específicas (MINTZ e TAL, 2014MINTZ, K.; TAL, T. Sustainability in higher education courses: Multiple learning outcomes. Studies in Educational Evaluation, v. 41, p. 113-123, 2014.; REMINGTON-DOUCETTE et al., 2013REMINGTON-DOUCETTE, S.M.; CONNELL, K.Y.H.; ARMSTRONG, C.M.; MUSGROVE, S.L.. ASSESSING sustainability education in a transdisciplinary undergraduate course focused on real-world problem solving: A case for disciplinary grounding. International Journal of Sustainability in Higher Education, v. 14, p. 404-433, 2013.; GROSS, 2013GROSS, E. M. Green chemistry and sustainability: An undergraduate course for science and nonscience majors. Journal of Chemical Education, v. 90, p.429-431,2013. ). Os projetos ambientais desenvolvidos em instituições de ensino, além de contribuírem para a gestão de problemas como geração de resíduos ou uso mais eficiente de água ou energia, também desempenham um papel didático importante junto aos alunos ao mostrar como lidar com as questões ambientais na prática (CHANG, 2013CHANG, H.-C. Environmental management accounting in the Taiwanese higher education sector Issues and opportunities. International Journal of Sustainability in Higher Education, 14, n. 2, p.133-145,2013. ; BARTH, 2013BARTH, M. Many roads lead to sustainability: a process-oriented analysis of change in higher education. International Journal of Sustainability in Higher Education, 14, n. 2, p. 160-175, 2013.). Também contribui para isso a existência de sistemas de informações ambientais com maior disponibilidade de conteúdos técnicos e também de interesse geral (CÔRTES, 2013CÔRTES, P. L.; MORETTI, S. L. D. A . Consumo verde: um estudo transcultural sobre crenças, preocupações e atitudes ambientais. REMark - Revista Brasileira de Marketing, 12, n. 3, p.45-76,2013. ).

Apesar de maior disponibilidade de informações ambientais em diversas mídias, da inserção de conteúdos, da oferta de disciplinas específicas ou do desenvolvimento de projetos ambientais nas universidades, isso não implica no desenvolvimento de uma consciência sobre questões ambientais que reflitam no comportamento ambiental dos estudantes universitários (HARTMANN e APAOLAZA-IBÁÑEZ, 2012HARTMANN, P.; APAOLAZA-IBÁÑEZ, V. Consumer attitude and purchase intention toward green energy brands: The roles of psychological benefits and environmental concern? Journal of Business Research, 65, p.1254-1263,2012. ; LEVINE e STRUBE, 2012LEVINE, D. S.; STRUBE, M. J. Environmental Attitudes, Knowledge, Intentions and Behaviors Among College Students. Journal of Social Psychology, 152, n. 3, p.308-326,2012. ; MARKOWITZ et al., 2012MARKOWITZ, E. M. et al. Profiling the "Pro-Environmental Individual": A Personality Perspective. Journal Of Personality, 80, n. 1, p.81-111,2012. ).

Este estudo verificou como está estruturado o comportamento ambiental de estudantes universitários, buscando analisar as semelhanças e diferenças entre brasileiros e portugueses. Foi realizado um survey com a utilização do instrumento de pesquisa desenvolvido por Côrtes e Moretti (2013CÔRTES, P. L.; MORETTI, S. L. D. A . Consumo verde: um estudo transcultural sobre crenças, preocupações e atitudes ambientais. REMark - Revista Brasileira de Marketing, 12, n. 3, p.45-76,2013. ), aplicado a 1035 estudantes. Para o desenvolvimento desta pesquisa, adotou-se bibliografia específica na concepção das ações metodológicas (GERRING, 2012GERRING, J. Social Science Methodology: A Unified Framework (Strategies for Social Inquiry). Cambridge: Cambridge University Press, 2012.; CRESWELL, 2009CRESWELL, J. W. Research Design: Qualitative, Quantitative, and Mixed Methods Approaches. Thousand Oaks: SAGE, 2009.), iniciada por uma revisão da literatura, apresentada a seguir.

Revisão da Literatura

Para melhor seleção dos trabalhos, a revisão da literatura foi dividida em "crenças, preocupações, atitudes e comportamentos ambientais" e "estudos comparativos e multiculturais". A primeira parte buscou obras que fundamentassem a utilização do instrumento de pesquisa selecionado e auxiliassem na análise e interpretação dos resultados. A segunda parte levantou estudos que pudessem ser utilizados para fins comparativos durante o processo de apresentação e discussão dos resultados.

Crenças, Preocupações, Atitudes e Comportamentos Ambientais

O comportamento ambiental se estabelece como um constructo resultante da atuação de maneira hierarquizada, mas não necessariamente linear, das crenças, preocupações e atitudes que as pessoas tomam em seu dia a dia (FRANZEN e VOGL, 2013FRANZEN, ; VOGL,. Two decades of measuring environmental attitudes: A comparative analysis of 33 countries. Global Environmental Change, 23, n. 5, p.1001-1008,2013. ; WHITMARSH, 2009WHITMARSH, L. Behavioural responses to climate change: asymmetry of intentions and impacts. Journal of Environmental Psychology, 29, p. 13-23,2009. ). A crença firma-se a partir do pressuposto de que alguma coisa poderá ocorrer, utilizando para isso uma argumentação racional. É isso o que a diferencia da fé, pois esta prescinde de alegações da razão (JURIN e FORTNER, 2002JURIN, R. R.; FORTNER, R. W. Symbolic Beliefs as Barriers to Responsible Environmental Behavior. Environmental Education Research, 8, n. 4, p.373-394,2002. ). Embora a crença anteceda a preocupação, esta última nem sempre se manifesta com intensidade elevada (MOYANO-DÍAZ, CORNEJO e GALLARDO, 2011MOYANO-DÍAZ, ; CORNEJO, ; GALLARDO,. Environmental beliefs and behavior, economic liberalism and happiness. Acta Colombiana de Psicologia, 14, n. 2, p.69-77,2011. ). A sensação de que algo poderá acontecer não implica na existência de um nível de premência e, consequentemente, em um grau elevado de preocupação (BEST, 2010BEST, H. Environmental Concern and the Adoption of Organic Agriculture. Society & Natural Resources, 23, n. 5, p. 451-468,2010. ; TAKÁCS-SÁNTA, 2007TAKÁCS-SÁNTA, A. Barriers to Environmental Concern. Human Ecology Review, 14, n. 1, p.26-38,2007. ; GARCÍA-MIRA, REAL e ROMAY, 2005GARCÍA-MIRA, R.; REAL, J. E.; ROMAY, J. Temporal and spatial dimensions in the perception of environmental problems: An investigation of the concept of environmental hyperopia. International Journal of Psychology, 40, n. 1, p.5-10,2005. ).

Uma pessoa pode acreditar que "estamos nos aproximando do número máximo de pessoas que a Terra pode suportar" (Anexo A, assertiva 1) sem que isso constitua em uma preocupação imediata. Essa pessoa pode argumentar que uma possível superpopulação não a afetará, pois não acontecerá dentro de sua expectativa de vida. Por outro lado, alguém poderá acreditar que outro evento ambiental é um problema mais imediato, sendo motivo de real inquietação. Há, portanto, fatores que podem catalisar as crenças, transformando-as em preocupações. Isso tem motivado a realização de diversos estudos, desde os trabalhos precursores de Maloney e Ward (1973MALONEY, M. P.; WARD, M. P. Ecology: Let's Hear from the People - An Objective Scale for the Measurement of Ecological Attitudes and Knowledge. American Psychologist, 28, n. 7, p.583-586,1973. ) Dunlap e van Liere (1978DUNLAP, R. E.; VAN LIERE, K. D. The New Environmental Paradigm. Journal of Environmental Education, 9, p.10-19,1978. ) e Weigel e Weigel (1978WEIGEL, R.; WEIGEL, J. Environmental Concern: The Development of a Measure. Environment and Behavior, 10, n. 1, p. 3-15,1978. ).

Nos anos subsequentes, o tema foi analisado a partir de diferentes perspectivas, buscando verificar o que influencia as preocupações ambientais. Há a análise das opções políticas (OLLI, GRENDSTAD e WOLLEBAEK, 2001OLLI, ; GRENDSTAD, ; WOLLEBAEK,. Correlates of environemental behaviors. Bringing back social context , 33, n. 2, p.181-208,2001. ) e o papel dos valores pessoais (POORTINGA, STEG e VLEK, 2004POORTINGA, ; STEG, ; VLEK,. Values, environmental concern, and environmental behavior: A study into household energy use. Environment and Behavior, 36, n. 1, p.70-93,2004. ). A preocupação ambiental também foi estudada sob a perspectiva da religião (HUNTER e TONEY, 2005HUNTER, ; TONEY,. Religion and attitudes toward the environment: A comparison of Mormons and the general U.S. population. Social Science Journal , 42, n. 1, p.25-38,2005. ), e também em análises multiculturais (DUROY, 2008). Há estudos mais recentes verificando como as preocupações influenciam na redução do consumo de energia (OHLER e BILLGER, 2014OHLER, ; BILLGER,. Does environmental concern change the tragedy of the commons? Factors affecting energy saving behaviors and electricity usage. Ecological Economics, 107, 2014. p.1-12,), no desenvolvimento da cidadania (JAGERS, MARTINSSON e MATTI, 2014JAGERS, ; MARTINSSON, ; MATTI,. Ecological citizenship: A driver of pro-environmental behaviour? Environmental Politics, 23, n. 3, p.434-453,2014. ), nas emissões de carbono (HUDDART KENNEDY, KRAHN e KROGMAN, 2015HUDDART KENNEDY, ; KRAHN, ; KROGMAN,. Are we counting what counts? A closer look at environmental concern, pro-environmental behaviour, and carbon footprint. Local Environment, 20, n. 2, p.220-236,2015. ) e sua repercussão no comportamento pró-ambiental (RHEAD, ELLIOT e UPHAM, 2015RHEAD, ; ELLIOT, ; UPHAM,. Assessing the structure of UK environmental concern and its association with pro-environmental behaviour. Journal of Environmental Psychology, 43, p.175-183,2015. ).

Embora a preocupação possa ser indutora de comportamento ambiental, aqui também não há uma relação linear. A intenção de agir ocorre quando se tem um nível plausível de certeza sobre a viabilidade da ação, sua importância ou necessidade do ato. Antes da ação ambiental efetiva, há o desenvolvimento de uma atitude ambiental proativa que atua como precursora. A atitude pode ser definida como uma disposição psicológica, um conceito avaliativo que se estabelece entre uma avaliação positiva (pré-ocupação com um determinado tema ou problema) e uma determinada ação (RHEAD, ELLIOT e UPHAM, 2015RHEAD, ; ELLIOT, ; UPHAM,. Assessing the structure of UK environmental concern and its association with pro-environmental behaviour. Journal of Environmental Psychology, 43, p.175-183,2015. ; LARSON et al., 2015LARSON, L.R.; STEDMAN, R.C.; COOPER, C.B.; DECKER, D.J. Understanding the multi-dimensional structure of pro-environmental behavior. Journal of Environmental Psychology, 43, p.112-124,2015. ). A Figura 1 resume esse relacionamento, lembrando que deve ser considerada a possibilidade de interferência das informações disponíveis, de questões sociais, econômicas ou decisões de foro íntimo que podem abreviar ou dilatar esse processo.

Figura 1:
Indução ao comportamento ambiental

Uma vez configurado um comportamento pró-ambiental, outro ponto que merece atenção refere-se às motivações das pessoas. Amérigo et al. (2007) e Hansla, Gamble, Juliusson e Gärling (2008HANSLA, A.; GAMBLE, A.; JULIUSSON, A.; GÄRLING, T. The relationships between awareness of consequences, environmental concern, and value orientations. Journal of Environmental Psychology, 28, n. 1, p.1-9,2008. ) citam que as motivações ambientais podem ser destacadas em três diferentes grupos: i) enfoque egoísta: pessoas que destacam as consequências dos problemas e da deterioração ambiental para si mesmo, gerando prejuízos a sua própria saúde ou redução da sua qualidade de vida; ii) enfoque socioaltruístico: ponderam sobre as consequências da deterioração ambiental para os seres humanos em geral e iii) enfoque biosférico: ressaltam as consequências da deterioração ambiental para os animais, plantas e ecossistemas. Amérigo et al. (2007) lembram que é possível reunir o enfoque egoísta e o enfoque socioaltruísta em uma visão antropocêntrica, tendo as pessoas como referência principal. Em contraste com o antropocentrismo há uma visão ecocêntrica que considera os humanos e o meio ambiente com igual peso na relação. Essa é a perspectiva tomada como referência em trabalhos produzidos ao longo dos últimos anos, como, por exemplo, Onur, Sahin e Tekkaya (2012ONUR, ; SAHIN, ; TEKKAYA,. An investigation on value orientations, attitudes and concern towards the environment:The case of Turkish elementary school students. Environmental Education Research, 18, n. 2, p.271-297,2012. ), Soyez (2012SOYEZ,. How national cultural values affect pro-environmental consumer behavior. International Marketing Review, 29, n. 6, p.623-646,2012. ), Silva (2014SILVA, S. S. D. Proposta de um modelo de análise do comprometimento com a sustentabilidade. Ambiente e Sociedade, XVII, n. 3, p.35-54,2014. ) e Rhead, Elliot e Upham (2015RHEAD, ; ELLIOT, ; UPHAM,. Assessing the structure of UK environmental concern and its association with pro-environmental behaviour. Journal of Environmental Psychology, 43, p.175-183,2015. ).

A escala proposta por Côrtes e Moretti (2013CÔRTES, P. L.; MORETTI, S. L. D. A . Consumo verde: um estudo transcultural sobre crenças, preocupações e atitudes ambientais. REMark - Revista Brasileira de Marketing, 12, n. 3, p.45-76,2013. ), utilizada para a coleta de dados deste estudo, foi concebida de maneira a avaliar diferentes dimensões do comportamento ambiental, permitindo verificar como ele está estruturado e como ele se manifesta (Anexo A). A escala utilizada inicia pela avaliação das crenças ambientais dos entrevistados, empregando para isso algumas assertivas da Escala NEP (New Environmental Paradigm) de Dunlap e van Liere (1978DUNLAP, R. E.; VAN LIERE, K. D. The New Environmental Paradigm. Journal of Environmental Education, 9, p.10-19,1978. ), incluindo a verificação da aderência dos entrevistados ao Human Exemptionalism Paradigm (HEP). Embora tenha sido concebida na década de 1970, a escala NEP vem sendo utilizada como referência no desenvolvimento de estudos recentes (LI e LANG, 2015LI, ; LANG,. Effects of Green School and Parents on Children's Perceptions of Human-Nature Relationships in China. Child Indicators Research, 8, n. 3, p.587-604,2015. ; PUTRAWAN, 2015PUTRAWAN,. Measuring new environmental paradigm based on students' knowledge about ecosystem and locus of control. Eurasia Journal of Mathematics, Science and Technology Education, 11, n. 2, p.325-333,2015. ; REYES, 2015REYES,. Cross-section analyses of attitudes towards science and nature from the International Social Survey Programme 1993, 2000, and 2010 surveys. Public Understanding of Science , 24, n. 3, p.338-357,2015. ; KOVÁCS et al., 2014). Após a avaliação das crenças, o instrumento de pesquisa prossegue verificando as preocupações e atitudes ambientais, delineando como o comportamento ambiental se estabelece.

A escala também avalia o consumo com características ou apelo ambiental, considerado como um ponto de convergência entre as ações do chamado green marketing e as crenças, preocupações e atitudes ambientais das pessoas. O consumo sustentável é a confluência entre a necessidade ou desejo de consumir determinados produtos ou serviços e as preocupações ambientais, sofrendo a influência da mídia e das redes sociais, conforme avalia Östman (2014ÖSTMAN, J. The influence of media use on environmental engagement: A political socialization approach. Environmental Communication, v. 8, p. 92-109, 2014.), do nível de comprometimento ambiental dos consumidores nas visões de Magnier e Schoormans (2015MAGNIER, ; SCHOORMANS,. Consumer reactions to sustainable packaging: The interplay of visual appearance, verbal claim and environmental concern. Journal of Environmental Psychology , 44, p.53-62,2015. ) e Worsley, Wang e Burton (2015WORSLEY, ; WANG, ; BURTON,. Food concerns and support for environmental food policies and purchasing. Appetite , 91, p. 48-55,2015. ).

Estudos Comparativos e Multiculturais

Estudos têm sido desenvolvidos, analisando o comportamento ambiental em diferentes países, permitindo verificar como as crenças, preocupações, atitudes e comportamentos ambientais se manifestam em diferentes culturas. Há o estudo de Bechtel, Corral-Verdugo e Pinheiro (1999BECHTEL, R. B.; CORRAL-VERDUGO, V.; PINHEIRO, J. D. Q. Environmental belief systems - United States, Brazil, and Mexico. Journal of Cross-Cultural Psychology, 30, n. 1, p. 122-128,1999. ) que comparou estudantes americanos, brasileiros e mexicanos. Constatou-se que, enquanto os estudantes americanos concebem o desenvolvimento e a preservação da natureza como polos extremos do mundo, os brasileiros assumem uma visão mais holística e não manifestaram uma separação entre natureza e crescimento econômico. Os mexicanos, por sua vez, assumiram uma postura intermediária. Paço et al. (2013aPAÇO, A.; ALVES, H.; SHIEL, C.; FILHO, W.L. A multi-country level analysis of the environmental attitudes and behaviours among young consumers. Journal of Environmental Planning and Management, v. 56, p. 1532-1548, 2013a.; 2013b), em pesquisas realizadas com jovens consumidores ingleses, alemães, portugueses e espanhóis, constataram-se as influências positivas de comportamentos ambientais no processo de compra em relação a consumidores europeus. Verificou-se que o nível de preocupação ambiental dos portugueses, embora seja menor, não dista muito dos demais consumidores pesquisados (PAÇO et al., 2013aPAÇO, A.; ALVES, H.; SHIEL, C.; FILHO, W.L. A multi-country level analysis of the environmental attitudes and behaviours among young consumers. Journal of Environmental Planning and Management, v. 56, p. 1532-1548, 2013a.; 2013b).

Paço e Raposo (2010PAÇO, A. M. F. D.; RAPOSO, M. L. B. Green consumer market segmentation: empirical findings from Portugal. International Journal of Consumer Studies, 34, n. 4, p.429-436,2010. ), pesquisando consumidores portugueses, concluíram que as preocupações ambientais nem sempre se traduzem em um comportamento ambientalmente amigável ou em um "consumo verde" (consumo de produtos ambientalmente amigáveis). Levantamento efetuado pela Comissão Europeia (2013) mostra que os portugueses, comparativamente aos demais europeus, estão mais propensos a participarem de programas de separação e reciclagem do lixo, o que contrasta com as ponderações de Paço et al. (2013a; 2013b) sobre a menor preocupação ambiental dos portugueses.

O levantamento da Comissão Europeia (2013) também mostra que, na aquisição de eletrodomésticos, os portugueses consideram a eficiência do produto, se o produto é ambientalmente amigável e se ele pode ser reciclado após o uso. Sumarizando, verifica-se que o engajamento ambiental dos portugueses supera a média europeia em relação à gestão de resíduos, e fica na média em relação à aquisição e uso de produtos mais duráveis (COMISSÃO EUROPEIA, 2013).

Estudo empreendido por Vicente-Molina, Fernández-Sáinz e Izagirre-Olaizola (2013), com estudantes espanhóis, brasileiros, mexicanos e americanos, mostra que o comportamento dos entrevistados varia conforme o item analisado. Em relação à reciclagem, há um destaque para os espanhóis, com o índice mais alto, com americanos em um nível intermediário, enquanto brasileiros e mexicanos têm a menor participação. Quando o assunto é transporte público, Espanha, México e Brasil apresentam índices similares, com os americanos bem aquém (o que reflete uma questão cultural e de organização do espaço físico que privilegia o transporte individual motorizado). Quanto às compras verdes, o destaque é para os americanos, com Brasil e México em um nível intermediário e Espanha um pouco mais abaixo. Segundo os autores, isso reflete fatores culturais e de infraestrutura disponível em cada país. Eles reconhecem que, embora a educação formal cumpra um papel relevante, sua influência ocorre de maneira complexa e nem sempre facilmente caracterizável (VICENTE-MOLINA, FERNÁNDEZ-SÁINZ E IZAGIRRE-OLAIZOLA, 2013VICENTE-MOLINA, M. A.; FERNÁNDEZ-SÁINZ, A.; IZAGIRRE-OLAIZOLA, J. Environmental knowledge and other variables affecting pro-environmental behaviour: Comparison of university students from emerging and advanced countries. Journal of Cleaner Production, v. 61, p. 130--138, 2013.).

Tamashiro, Murari, de Oliveira e Acevedo (2013TAMASHIRO, H.R.S.; MURARI, W.A.; OLIVEIRA, S.V.W.B.; ACEVEDO, C.R. Consumer socio-environmental behavior: A study with college students in the countryside of the State of Sao Paulo. Producao, v. 22, p. 201--212, 2013.), avaliando o comportando de compra de consumidores brasileiros, consideram que o desenvolvimento de ações de responsabilidade social não é elemento relevante para a maioria dos consumidores, uma vez que cerca de 40% dos entrevistados estariam dispostos a pagar mais por um produto com apelo ou preocupação ambiental. As pesquisas desenvolvidas por Paço et al. (2013aPAÇO, A.; ALVES, H.; SHIEL, C.; FILHO, W.L. A multi-country level analysis of the environmental attitudes and behaviours among young consumers. Journal of Environmental Planning and Management, v. 56, p. 1532-1548, 2013a.; 2013b), Comissão Europeia (2013), Tamashiro et al. (2013), Vicente-Molina, Fernández-Sáinz e Izagirre-Olaizola (2013) e Paço e Raposo (2010) evidenciam que, embora as pessoas manifestem preocupações com o meio ambiente e exibam uma tendência a apresentarem um comportamento pró-ambiental, a viabilização disso depende da existência de infraestrutura adequada (transporte público apropriado ou sistemas de coleta seletiva, por exemplo), além de aspectos culturais e também da educação formal.

Metodologia

Para viabilizar a coleta de dados, sob a forma de um survey, foi utilizado o instrumento de pesquisa desenvolvido por Côrtes e Moretti (2013CÔRTES, P. L.; MORETTI, S. L. D. A . Consumo verde: um estudo transcultural sobre crenças, preocupações e atitudes ambientais. REMark - Revista Brasileira de Marketing, 12, n. 3, p.45-76,2013. ), disponível no Anexo, A juntamente com a escala do tipo Likert utilizada. Foram entrevistados 1035 estudantes (543 do Brasil e 492 de Portugal), conforme disponível na Tabela 1. Optou-se por trabalhar com uma amostra por conveniência com alunos de graduação de diferentes cursos das universidades de origem dos autores deste trabalho que supervisionaram a aplicação de questionários impressos. Os dados foram processados e analisados com a utilização do software SPSS, tendo como base uma estratégia desenvolvida com o suporte de bibliografia específica (HAIR JR. et al., 2013HAIR Jr., J.F.; BLACK, W. C.; BABIN, B. J.; ANDERSON, R. E. Multivariate Data Analysis. [S.l.]: Pearson, 2013.; PALLANT, 2007PALLANT, J. A Step by Step Guide to Data Analysis using SPSS for Windows. New York: Open University Press, 2007.).

Tabela 1:
Distribuição dos Entrevistados

Uma preocupação que deve ser considerada neste tipo de estudo relaciona-se à tendência de algumas pessoas não se posicionarem de maneira totalmente franca. Não se encontrarão, provavelmente, pessoas que manifestem atitudes explicitamente contrárias ao meio ambiente, mesmo que na prática tenham uma conduta negativa em relação a ele (ARAGONÉS e AMÉRIGO, 1991ARAGONÉS, J. I.; AMÉRIGO, M. Un estudio empírico sobre las actitudes ambientales. Revista de Psicologia Social, 6, p. 223-240, 1991.). Para identificar aqueles entrevistados que têm a tendência em responder apenas o que seria considerado socialmente desejado (TAM, 2013TAM, K. Dispositional empathy with nature. Journal of Environmental Psychology, v. 35, p. 92-104, 2013.; CHAO e LAM, 2011CHAO, Y.; LAM, S. Measuring responsible environmental behavior: Self-reported and other-reported measures and their differences in testing a behavioral model. Environment and Behavior, v. 43, p. 53-71, 2011.), foram utilizadas dez questões da escala de Crowne e Marlowe (1960CROWNE, D. P.; MARLOWE, D. A new scale of social desirability independent of psychopathology. Journal of Consulting Psychology, 24, n. 4, p.349-354,1960. ) para aferir o que se denomina "social desirability". Adotou-se, como critério de seleção, que os entrevistados que obtivessem pontuação superior a oito em um máximo de dez seriam desconsiderados no tratamento de dados.

Resultados

Com o uso da escala de Crowne e Marlowe (1960CROWNE, D. P.; MARLOWE, D. A new scale of social desirability independent of psychopathology. Journal of Consulting Psychology, 24, n. 4, p.349-354,1960. ) foram excluídos 90 participantes, resultando em 945 entrevistas para serem processadas no software SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) e a realização da análise fatorial exploratória. Durante esse cálculo foram excluídos automaticamente 148 questionários que apresentaram alguma resposta em branco. Para os 797 questionários válidos, o alfa de Cronbach foi igual a 0,782 (Tabela 2), considerado bom, conforme indicado em Field (2013FIELD, A. Discovering Statistics using IBM SPSS Statistics. Los Angeles: SAGE, 2013.), evidenciando a confiabilidade das respostas obtidas. Também foram verificados os índices de Kaiser-Meyer-Olkin (0,874) e de Esfericidade de Bartlett (0,000), disponíveis na Tabela 2, considerados muito bons de acordo com a literatura especializada (HAIR JR. et al., 2013HAIR Jr., J.F.; BLACK, W. C.; BABIN, B. J.; ANDERSON, R. E. Multivariate Data Analysis. [S.l.]: Pearson, 2013.; PALLANT, 2007PALLANT, J. A Step by Step Guide to Data Analysis using SPSS for Windows. New York: Open University Press, 2007.).

Tabela 2:
Sumário dos Dados e Testes de Cronbach, Kaiser-Meyer-Olkin e Esfericidade de Bartlett

Com o resultado da análise fatorial exploratória, foram selecionados cinco fatores mais significativos a partir da análise do scree plot e da variância total explicada (Figura 2). Os fatores selecionados, considerando as assertivas que os compõem, receberam as seguintes denominações: 1-Preocupação Ambiental; 2-Consumo Verde; 3-Atitude Ambiental; 4-Controle do Crescimento Econômico e 5-Crenças Antropocêntricas (Tabela 3). Para cada fator, verificaram-se os escores para os grupos Brasil e Portugal (Tabela 4). Devido à escala original adotada possuir quatro opções (Anexo A) a variabilidade é numericamente pequena e o cálculo dos escores nem sempre evidencia as eventuais diferenças entre os grupos. Verificando a Tabela 4, constatou-se que a maior diferença ocorre no fator 2 - Consumo Verde, com 4,31%, considerado baixo para uma interpretação mais consistente.

Figura 2:
Scree Plot com os autovalores e a variância explicada

Tabela 3:
Matriz componente rotacionada com os fatores considerados

Tabela 4:
Pontuação ( escores ) nos diferentes fatores

Os resultados dos fatores sugerem um bom nível de preocupação e atitude ambiental, resultado afeito às considerações apresentadas por Paço et al. (2013aPAÇO, A.; ALVES, H.; SHIEL, C.; FILHO, W.L. A multi-country level analysis of the environmental attitudes and behaviours among young consumers. Journal of Environmental Planning and Management, v. 56, p. 1532-1548, 2013a.; 2013b), que indica que a preocupação ambiental dos portugueses não dista muito daquela manifestada pelos espanhóis, alemães e ingleses, resultado também verificado em Comissão Europeia (2013), Vicente-Molina, Fernández-Sáinz e Izagirre-Olaizola (2013). Quanto aos brasileiros, os níveis de preocupação e de atitude ambiental encontram-se similares aos dos estudos de Vicente-Molina, Fernández-Sáinz e Izagirre-Olaizola (2013) e de Bechtel, Corral-Verdugo e Pinheiro (1999BECHTEL, R. B.; CORRAL-VERDUGO, V.; PINHEIRO, J. D. Q. Environmental belief systems - United States, Brazil, and Mexico. Journal of Cross-Cultural Psychology, 30, n. 1, p. 122-128,1999. ).

Verificou-se, entretanto, a necessidade de buscar outras formas de tratamento que fornecessem resultados mais consistentes e permitissem melhor comparação dos resultados. Buscando evidenciar mais claramente a situação dos grupos, efetuou-se o teste de Mann-Whitney nos escores dos fatores, iniciando pelo teste de hipótese (Tabela 5). Nesse teste, um nível de significância (Asymp. Sig. 2-tailed) menor do que 0,05 indica a existência de diferenças entre os grupos para o fator considerado (PALLANT, 2007PALLANT, J. A Step by Step Guide to Data Analysis using SPSS for Windows. New York: Open University Press, 2007.).

Tabela 5:Teste
de Mann-Whitney nos Escores dos Fatores - Teste de Hipótese

O teste de Mann-Whitney mostra que, para os dois grupos, há diferenças entre os fatores 1-Preocupação Ambiental; 2-Consumo Verde e 4-Controle do Crescimento Econômico (Tabela 5). Em decorrência desse resultado, foi processada a classificação do teste de Mann-Whitney nos escores dos fatores (Tabela 6). Tanto os escores obtidos em cada fator quanto o teste de Mann-Whitney nos escores dos fatores evidenciam que os dois grupos apresentam comportamento similar no que se refere à Atitude Ambiental e às Crenças Antropocêntricas.

Tabela 6
Teste de Mann-Whitney nos escores dos fatores - Classificação

Em relação à Preocupação Ambiental, o teste de Mann-Whitney mostrou que os dois grupos apresentaram-se inquietos com as questões ambientais o que é reforçado pela literatura (COMISSÃO EUROPEIA, 2013; TAMASHIRO et al., 2013TAMASHIRO, H.R.S.; MURARI, W.A.; OLIVEIRA, S.V.W.B.; ACEVEDO, C.R. Consumer socio-environmental behavior: A study with college students in the countryside of the State of Sao Paulo. Producao, v. 22, p. 201--212, 2013.; VICENTE-MOLINA, FERNÁNDEZ-SÁINZ e IZAGIRRE-OLAIZOLA, 2013VICENTE-MOLINA, M. A.; FERNÁNDEZ-SÁINZ, A.; IZAGIRRE-OLAIZOLA, J. Environmental knowledge and other variables affecting pro-environmental behaviour: Comparison of university students from emerging and advanced countries. Journal of Cleaner Production, v. 61, p. 130--138, 2013.; PAÇO e RAPOSO, 2010PAÇO, A. M. F. D.; RAPOSO, M. L. B. Green consumer market segmentation: empirical findings from Portugal. International Journal of Consumer Studies, 34, n. 4, p.429-436,2010. ; CARRUS, PASSAFARO e BONNES, 2008CARRUS, G.; PASSAFARO, P.; BONNES, M. Emotions, habits and rational choices in ecological behaviours: The case of recycling and use of public transportation. Journal of Environmental Psychology, 28, p.51-62,2008. ; ARAGONÉS e AMÉRIGO, 1991ARAGONÉS, J. I.; AMÉRIGO, M. Un estudio empírico sobre las actitudes ambientales. Revista de Psicologia Social, 6, p. 223-240, 1991.). Os brasileiros, entretanto, demonstraram maior intensidade quanto a essa preocupação (Mean Rank de Mann-Whitney = 518,57 [BR] e 410,29 [PT]), o que encontra ressonância na literatura (FRANZEN e VOGL, 2013FRANZEN, ; VOGL,. Two decades of measuring environmental attitudes: A comparative analysis of 33 countries. Global Environmental Change, 23, n. 5, p.1001-1008,2013. ; PAÇO et al., 2013a; PAÇO et al., 2013b).

Quanto ao Consumo Verde, também houve maior propensão por parte dos brasileiros (Mean Rank de Mann-Whitney = 484,72 [BR] e 446,16 [PT]), conforme verificado anteriormente (Tabela 4; Brasil = 2,42 e Portugal = 2,32). Os resultados obtidos pelos dois grupos, todavia, indica que o consumo verde ainda não é tão proeminente nos dois grupos, situação que encontra paralelo no trabalho de Tamashiro et al. (2013TAMASHIRO, H.R.S.; MURARI, W.A.; OLIVEIRA, S.V.W.B.; ACEVEDO, C.R. Consumer socio-environmental behavior: A study with college students in the countryside of the State of Sao Paulo. Producao, v. 22, p. 201--212, 2013.) que identificaram a propensão de 40% dos consumidores em pagar mais pelos produtos verdes. De maneira geral, o resultado se coaduna com as ponderações de Magnier e Schoormans (2015MAGNIER, ; SCHOORMANS,. Consumer reactions to sustainable packaging: The interplay of visual appearance, verbal claim and environmental concern. Journal of Environmental Psychology , 44, p.53-62,2015. ) sobre a preocupação ambiental induzir ao consumo verde, mas há que se considerar as reflexões de Vicente-Molina, Fernández-Sáinz e Izagirre-Olaizola (2013), Paço et al. (2013aPAÇO, A.; ALVES, H.; SHIEL, C.; FILHO, W.L. A multi-country level analysis of the environmental attitudes and behaviours among young consumers. Journal of Environmental Planning and Management, v. 56, p. 1532-1548, 2013a.) e Paço e Raposo (2010) que remetem à disponibilidade de produtos, preços mais elevados e infraestrutura disponível em cada país.

Sobre o Controle do Crescimento Econômico, os estudantes portugueses mostraram-se mais favoráveis do que os brasileiros (Mean Rank de Mann-Whitney = 445,78 [BR] e 487,42 [PT]), estando em consonância com os resultados apresentados no trabalho de Côrtes e Moretti (2013CÔRTES, P. L.; MORETTI, S. L. D. A . Consumo verde: um estudo transcultural sobre crenças, preocupações e atitudes ambientais. REMark - Revista Brasileira de Marketing, 12, n. 3, p.45-76,2013. ) que identificaram essa tendência em entrevistados de Portugal e Espanha. É necessário considerar que a opção pelo Controle do Crescimento Econômico não chega a ser uma aproximação do degrowth (decrescimento) na concepção manifestada por Georgescu-Roegen (1979) e, mais recentemente, considerada por Whitehead (2013WHITEHEAD, M. Degrowth or Regrowth? Environmental Values, 22, n. 2, p. 141-145,2013. ), Martínez-Alier (2012), Kallis (2011KALLIS, G. In defence of degrowth. Ecological Economics, 70, n. 5, p.873-880,2011. ) e Schneidera, Kallis e Martinez-Alier (2010SCHNEIDERA, F.; KALLIS, G.; MARTINEZ-ALIER, J. Crisis or opportunity? Economic degrowth for social equity and ecological sustainability. Introduction to this special issue. Journal of Cleaner Production, 18, n. 6, p.511-518,2010. ) e Baykan (2007BAYKAN, B. G. From limits to growth to degrowth within French green politics. Environmental Politics, 16, n. 3, p. 513-517,2007. ).

É necessário considerar que a redução do crescimento econômico não é tema estranho ao pensamento ambiental. Essa ideia começou a permear o pensamento ambiental, com diferentes níveis de intensidade, após a publicação das obras de Georgescu-Roegen (1971), em que o autor discorre sobre a necessidade de reduzir o consumo de energia e recursos naturais para ampliar a duração das reservas disponíveis. Logo após ele foi abordado em Meadows et al. (1972MEADOWS, D. H. et al. The Limits to Growth. NEW YORK: Universe Books, 1972.), em que os autores também ponderavam sobre a necessidade de limitar o crescimento econômico. O degrowth, formalizado por Georgescu-Roegen (1979), é uma expressão mais radical ao considerar como necessária a reversão do crescimento econômico e não a sua diminuição ou mesmo a sua descontinuidade (crescimento zero). Ele avalia que mesmo em uma situação em que a população e o nível de consumo se mantivessem estáveis nos padrões dos anos de 1970, isso não seria suficiente para evitar um colapso.

A perspectiva manifestada pelos estudantes está mais relacionada ao controle do crescimento urbano, controle populacional e pagamento de impostos pelos países poluidores, que são temas abordados em assertivas do instrumento de pesquisa (Anexo A). Prospectivamente, ela se aproxima de concepções alternativas de Anguelovski e Martínez Alier (2014ANGUELOVSKI, I.; MARTÍNEZ ALIER, J. The Environmentalism of the Poor revisited: Territory and place in disconnected glocal struggles. Ecological Economics, v. 102, p. 167-176, 2014.) afeitas ao conceito de justiça ambiental como prevalente em relação ao "mercado" e à economia tradicional. Essa visão alternativa é contestada por Buck (2013BUCK, C. D. Post-environmentalism: An internal critique. Environmental Politics, 22, n. 6, p.883-900,2013. ) que critica a ênfase do ambientalismo tradicional em colocar limites sobre a atividade econômica. É de se ressaltar que os estudantes portugueses deram maior ênfase ao controle do crescimento econômico, mesmo diante de uma taxa de desemprego que tem oscilado entre 12,4% (1º trimestre de 2011) e 11,9% (2º trimestre de 2015), tendo atingido 17,5% no 1º trimestre de 2013 (INE, 2015). Como referência, a taxa de desemprego no Brasil oscilou de 6,0% (2011) a 4,8% (2014), segundo o IBGE (2015).

Quanto às crenças antropocêntricas, os dois grupos manifestaram igual rejeição a essa proposta. Isso já havia sido verificado na Tabela 4 com essa igualdade de opinião tendo sido reafirmada pelo Teste de Mann-Whitney (Tabelas 5 e 6). A visão dos entrevistados se aproxima do ecocentrismo, tomando o termo segundo a percepção de Amérigo et al. (2007) e utilizada nos trabalhos de Onur, Sahin e Tekkaya (2012ONUR, ; SAHIN, ; TEKKAYA,. An investigation on value orientations, attitudes and concern towards the environment:The case of Turkish elementary school students. Environmental Education Research, 18, n. 2, p.271-297,2012. ), Soyez (2012SOYEZ,. How national cultural values affect pro-environmental consumer behavior. International Marketing Review, 29, n. 6, p.623-646,2012. ), Silva (2014SILVA, S. S. D. Proposta de um modelo de análise do comprometimento com a sustentabilidade. Ambiente e Sociedade, XVII, n. 3, p.35-54,2014. ) e Rhead, Elliot e Upham (2015RHEAD, ; ELLIOT, ; UPHAM,. Assessing the structure of UK environmental concern and its association with pro-environmental behaviour. Journal of Environmental Psychology, 43, p.175-183,2015. ). Esse resultado mantém afinidade com o expresso em relação ao controle do crescimento econômico, verificando-se uma tendência maior dos portugueses em rejeitar o antropocentrismo. Isso contraria os achados de Neves e Monteiro (2014NEVES, ; MONTEIRO,. How full is your luggage? Background knowledge of zoo visitors regarding sharks. Environmental Education Research , 20, n. 3, p.291-312,2014. ), embora estatisticamente não tenham sido verificadas diferenças entre os dois grupos para esse fator. Quanto aos brasileiros, a rejeição à visão antropocêntrica encontra eco no trabalho de Pinheiro et al. (2014PINHEIRO, L.V.S.; PENÃLOZA, V.; MON6y7uhhhhhhhhhhhhhhhhhhTEIRO, D.L.C.; BERNARDES, J.C.H. Behavior, environmental beliefs and values: An analysis of factors that may influence attitudes proactive environmental future managers. Revista de Gestao Social e Ambiental, 8, n. 1, p.89-104,2014. ).

Após a análise da pontuação (escores) dos fatores e da aplicação do Teste de Mann-Whitney, verificou-se como os diversos fatores se influenciam mutuamente. Como o teste de normalidade de Kolmogorov-Smirnov (Tabela 7) indicou que os escores dos fatores não apresentam distribuição normal, utilizou-se o ρ de Spearman para análise das correlações (Tabela 8), parâmetro que varia de 1 (correlação total) a 0 (correlação inexistente). Neste trabalho foram consideradas um ρ de Spearman acima de 0,4, uma vez que acima desse valor as correlações são consideradas de moderadas a forte (PALLANT, 2007PALLANT, J. A Step by Step Guide to Data Analysis using SPSS for Windows. New York: Open University Press, 2007.; DANCEY e REIDY, 2006DANCEY, C. P.; REIDY, J. Estatística sem matemática para psicologia usando o SPSS para Windows. 3ª. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.).

Tabela 7:
Teste de Normalidade de Kolmogorov-Smirnov

Tabela 8:
Coeficientes de Correlação ρ de Spearman entre os fatores

As correlações obtidas mostram que a Preocupação Ambiental funciona como um antecedente da Atitude Ambiental (ρ de Spearman = 0,473 [BR] e 0,579 [PT]), conforme disponível na Figura 3, o que é condizente com diversos trabalhos disponíveis na literatura (RHEAD, ELLIOT e UPHAM, 2015RHEAD, ; ELLIOT, ; UPHAM,. Assessing the structure of UK environmental concern and its association with pro-environmental behaviour. Journal of Environmental Psychology, 43, p.175-183,2015. ; LARSON et al., 2015LARSON, L.R.; STEDMAN, R.C.; COOPER, C.B.; DECKER, D.J. Understanding the multi-dimensional structure of pro-environmental behavior. Journal of Environmental Psychology, 43, p.112-124,2015. ; TAKÁCS-SÁNTA, 2007TAKÁCS-SÁNTA, A. Barriers to Environmental Concern. Human Ecology Review, 14, n. 1, p.26-38,2007. ; GARCÍA-MIRA, REAL e ROMAY, 2005GARCÍA-MIRA, R.; REAL, J. E.; ROMAY, J. Temporal and spatial dimensions in the perception of environmental problems: An investigation of the concept of environmental hyperopia. International Journal of Psychology, 40, n. 1, p.5-10,2005. ; PERUGINI e BAGOZZI, 2004PERUGINI, M.; BAGOZZI, R. P. The distinction between desires and intentions. European Journal of Social Psychology, 34, p.69-84,2004. ; PERUGINI e BAGOZZI, 2001; UZZELL, 2000UZZELL, D. L. The Psycho-Spatial Dimension of Global Environmental Problems. Journal of Environmental Psychology, 20, p. 307-318,2000. ; ARAGONÉS e AMÉRIGO, 1991ARAGONÉS, J. I.; AMÉRIGO, M. Un estudio empírico sobre las actitudes ambientales. Revista de Psicologia Social, 6, p. 223-240, 1991.; WEIGEL e WEIGEL, 1978WEIGEL, R.; WEIGEL, J. Environmental Concern: The Development of a Measure. Environment and Behavior, 10, n. 1, p. 3-15,1978. ; DUNLAP e VAN LIERE, 1978DUNLAP, R. E.; VAN LIERE, K. D. The New Environmental Paradigm. Journal of Environmental Education, 9, p.10-19,1978. ). Merece destaque o fato de essa correlação ser mais intensa para os portugueses, embora eles tenham manifestado um nível de preocupação ambiental menor (Mean Rank de Mann-Whitney = 518,57 [BR] e 410,29 [PT]). A Preocupação Ambiental também influi na opção pelo Controle do Crescimento Econômico, com correlações moderadas.

Figura 3:
Esquema de inter-relacionamento entre os fatores Preocupação Ambiental, Atitude Ambiental e Controle do Crescimento Econômico

A opção pelo Controle do Crescimento Econômico também influencia a Atitude Ambiental (ρ de Spearman = 0,562 [BR] e 0,516 [PT]), conforme representado na Figura 3. Isso não causa surpresa, pois na literatura há uma associação entre "preocupação ambiental" e a "redução ou controle da atividade econômica", em diferentes condições e matizes. Isso se verifica desde os trabalhos mais prospectivos de Georgescu-Roegen (1971) e Meadows et al. (1972MEADOWS, D. H. et al. The Limits to Growth. NEW YORK: Universe Books, 1972.) até proposições mais incisivas de Georgescu-Roegen (1979) que ressonam até hoje em Whitehead (2013WHITEHEAD, M. Degrowth or Regrowth? Environmental Values, 22, n. 2, p. 141-145,2013. ), Martínez-Alier (2012), Kallis (2011KALLIS, G. In defence of degrowth. Ecological Economics, 70, n. 5, p.873-880,2011. ) e Schneidera, Kallis e Martinez-Alier (2010SCHNEIDERA, F.; KALLIS, G.; MARTINEZ-ALIER, J. Crisis or opportunity? Economic degrowth for social equity and ecological sustainability. Introduction to this special issue. Journal of Cleaner Production, 18, n. 6, p.511-518,2010. ) e Baykan (2007BAYKAN, B. G. From limits to growth to degrowth within French green politics. Environmental Politics, 16, n. 3, p. 513-517,2007. ).

A surpresa ocorre, entretanto, pela adesão dos portugueses a essa proposta mesmo diante de um cenário de maior desemprego, conforme mencionado anteriormente. Esse posicionamento português encontra reflexos em Johanisova, Crabtree e Franková (2012JOHANISOVA, N.; CRABTREE, T.; FRANKOVÁ, E. Social enterprises and non-market capitals: a path to degrowth? Journal of Cleaner Production, 38, p. 7-16,2012. ) e O'Neill (2012), sendo que na avaliação de Côrtes e Moretti (2013CÔRTES, P. L.; MORETTI, S. L. D. A . Consumo verde: um estudo transcultural sobre crenças, preocupações e atitudes ambientais. REMark - Revista Brasileira de Marketing, 12, n. 3, p.45-76,2013. ), há uma tendência ibérica mais favorável ao controle do crescimento econômico, uma vez que Portugal e Espanha já atingiram um padrão social razoavelmente apropriado enquanto para a América Latina o crescimento econômico apresenta-se como uma via capaz de reduzir as desigualdades sociais.

Em relação ao Consumo Verde, embora a sua correlação com a Atitude Ambiental possa ser considerada baixa (ρ de Spearman = 0,395 [BR] e 0,391 [PT]), pois é inferior ao limite de 0,4 especificado para tratamento de dados, ela foi considerada por estar muito próxima a esse limite. Acredita-se que o Consumo Verde seja, em parte, uma resposta a uma Atitude Ambiental proativa, situação que encontra coerência com observações de Tamashiro et al. (2013TAMASHIRO, H.R.S.; MURARI, W.A.; OLIVEIRA, S.V.W.B.; ACEVEDO, C.R. Consumer socio-environmental behavior: A study with college students in the countryside of the State of Sao Paulo. Producao, v. 22, p. 201--212, 2013.) para os consumidores brasileiros e Paço e Raposo (2010PAÇO, A. M. F. D.; RAPOSO, M. L. B. Green consumer market segmentation: empirical findings from Portugal. International Journal of Consumer Studies, 34, n. 4, p.429-436,2010. ) para os portugueses. As duas obras mencionam a existência de uma relação parcial entre as preocupações ambientais e o consumo verde, sendo válidas as ponderações efetuadas quando da análise dos escores dos fatores e do teste de Mann-Whitney.

Conclusões

Este estudo verificou como está estruturado o comportamento ambiental de estudantes universitários brasileiros e portugueses. O interesse por esse público deve-se ao fato de que os jovens universitários têm acesso a diferentes tipos de mídia e conteúdos, incluindo informações ambientais além da oferta de conteúdos e práticas sobre este tema nos cursos de graduação.

Com o tratamento dos dados e com o suporte de literatura específica foi possível concluir pela existência de uma similaridade da estruturação do comportamento dos grupos estudados. Há uma correlação evidente entre preocupações ambientais e atitudes ambientais, influência que está fundamentada na literatura sobre o tema (BEST, 2010BEST, H. Environmental Concern and the Adoption of Organic Agriculture. Society & Natural Resources, 23, n. 5, p. 451-468,2010. ; TAKÁCS-SÁNTA, 2007TAKÁCS-SÁNTA, A. Barriers to Environmental Concern. Human Ecology Review, 14, n. 1, p.26-38,2007. ; GARCÍA-MIRA, REAL e ROMAY, 2005GARCÍA-MIRA, R.; REAL, J. E.; ROMAY, J. Temporal and spatial dimensions in the perception of environmental problems: An investigation of the concept of environmental hyperopia. International Journal of Psychology, 40, n. 1, p.5-10,2005. ; UZZELL, 2000UZZELL, D. L. The Psycho-Spatial Dimension of Global Environmental Problems. Journal of Environmental Psychology, 20, p. 307-318,2000. ; ARAGONÉS e AMÉRIGO, 1991ARAGONÉS, J. I.; AMÉRIGO, M. Un estudio empírico sobre las actitudes ambientales. Revista de Psicologia Social, 6, p. 223-240, 1991.) e encontra reflexo nas pesquisas com brasileiros realizadas por Tamashiro, Murari, de Oliveira e Acevedo (2013TAMASHIRO, H.R.S.; MURARI, W.A.; OLIVEIRA, S.V.W.B.; ACEVEDO, C.R. Consumer socio-environmental behavior: A study with college students in the countryside of the State of Sao Paulo. Producao, v. 22, p. 201--212, 2013.) e Bechtel, Corral-Verdugo e Pinheiro (1999BECHTEL, R. B.; CORRAL-VERDUGO, V.; PINHEIRO, J. D. Q. Environmental belief systems - United States, Brazil, and Mexico. Journal of Cross-Cultural Psychology, 30, n. 1, p. 122-128,1999. ), além dos estudos com portugueses elaborados pela Comissão Europeia (2013) e Paço et al. (2013aPAÇO, A.; ALVES, H.; SHIEL, C.; FILHO, W.L. A multi-country level analysis of the environmental attitudes and behaviours among young consumers. Journal of Environmental Planning and Management, v. 56, p. 1532-1548, 2013a.; 2013b).

Nesse constructo, as crenças ambientais se manifestam por uma oposição à visão antropocêntrica (BR = 1,84 e PT = 1,79 nos escores do fator Crenças Antropocêntricas), mas sem que essa visão mais ecocêntrica tenha influência significativa nos outros fatores. É de se notar, entretanto, que embora as correlações do antropocentrismo sejam tênues em comparação ao verificado para outros fatores (Tabela 8), com o ρ de Spearman variando de -0,185 a -0,326, todas elas são negativas. Isso evidencia que, para os grupos analisados, o antropocentrismo caminha em direção oposta às questões ambientais, ainda que de maneira incipiente, reforçando uma visão mais ecocêntrica dos grupos, segundo a acepção do termo utilizada na literatura (RHEAD, ELLIOT e UPHAM, 2015RHEAD, ; ELLIOT, ; UPHAM,. Assessing the structure of UK environmental concern and its association with pro-environmental behaviour. Journal of Environmental Psychology, 43, p.175-183,2015. ; SILVA, 2014SILVA, S. S. D. Proposta de um modelo de análise do comprometimento com a sustentabilidade. Ambiente e Sociedade, XVII, n. 3, p.35-54,2014. ; SOYEZ, 2012SOYEZ,. How national cultural values affect pro-environmental consumer behavior. International Marketing Review, 29, n. 6, p.623-646,2012. ; ONUR, SAHIN e TEKKAYA, 2012ONUR, ; SAHIN, ; TEKKAYA,. An investigation on value orientations, attitudes and concern towards the environment:The case of Turkish elementary school students. Environmental Education Research, 18, n. 2, p.271-297,2012. ; AMÉRIGO et al., 2007). Isso contraria o exposto em Neves e Monteiro (2014NEVES, ; MONTEIRO,. How full is your luggage? Background knowledge of zoo visitors regarding sharks. Environmental Education Research , 20, n. 3, p.291-312,2014. ) sobre os portugueses, que tenderiam a apresentar um comportamento mais antropocêntrico, mas está em sintonia com as conclusões de Pinheiro et al. (2014PINHEIRO, L.V.S.; PENÃLOZA, V.; MON6y7uhhhhhhhhhhhhhhhhhhTEIRO, D.L.C.; BERNARDES, J.C.H. Behavior, environmental beliefs and values: An analysis of factors that may influence attitudes proactive environmental future managers. Revista de Gestao Social e Ambiental, 8, n. 1, p.89-104,2014. ) sobre os brasileiros que demonstraram uma predisposição para realizar ações de preservação ambiental, mesmo quando manifestam crenças antropocêntricas.

As Preocupações Ambientais também influem na opção pelo Controle do Crescimento Econômico, perspectiva reforçada pela tendência mais ecocêntrica dos entrevistados e que está pautada por uma aproximação às ideias de Anguelovski e Martínez Alier (2014ANGUELOVSKI, I.; MARTÍNEZ ALIER, J. The Environmentalism of the Poor revisited: Territory and place in disconnected glocal struggles. Ecological Economics, v. 102, p. 167-176, 2014.), autores que consideram que a justiça ambiental deve predominar sobre a economia convencional e a promoção do consumo. Essa opção pelo controle do crescimento também encontra reflexo em Schneidera, Kallis e Martinez-Alier (2010SCHNEIDERA, F.; KALLIS, G.; MARTINEZ-ALIER, J. Crisis or opportunity? Economic degrowth for social equity and ecological sustainability. Introduction to this special issue. Journal of Cleaner Production, 18, n. 6, p.511-518,2010. ) que defendem que uma diminuição da produção e do consumo podem ser condizentes com a promoção do bem-estar. Essa tendência se verifica mesmo entre os portugueses que vêm enfrentando um desemprego superior a 10% (INE, 2015).

Conclui-se que há, entre os jovens universitários, uma tendência clara em relação ao desenvolvimento de uma preocupação com o meio ambiente. A opção pelo chamado consumo verde ainda não se realiza totalmente, embora seja verificada uma tendência favorável. Isso pode ser decorrente, em uma análise prospectiva, de um menor poder aquisitivo desses jovens consumidores ou a uma menor disponibilidade de produtos verdes, conforme preconizado na literatura (PAÇO et al., 2013aPAÇO, A.; ALVES, H.; SHIEL, C.; FILHO, W.L. A multi-country level analysis of the environmental attitudes and behaviours among young consumers. Journal of Environmental Planning and Management, v. 56, p. 1532-1548, 2013a.; VICENTE-MOLINA, FERNÁNDEZ-SÁINZ e IZAGIRRE-OLAIZOLA, 2013VICENTE-MOLINA, M. A.; FERNÁNDEZ-SÁINZ, A.; IZAGIRRE-OLAIZOLA, J. Environmental knowledge and other variables affecting pro-environmental behaviour: Comparison of university students from emerging and advanced countries. Journal of Cleaner Production, v. 61, p. 130--138, 2013.; PAÇO e RAPOSO, 2010).

Fica claro que o acesso a informações ambientais (MORIGI e KREBS, 2012MORIGI, J.; KREBS, L. M. Social Mobilization Networks: the Greenpeace informational practices. Informacao & Sociedade-Estudos, 22, n. 3, p.133-142,2012. ; SILVEIRA e CRUZ, 2012SILVEIRA, J. G. D.; CRUZ, R. D. C. Study of information about environmental sustainability that circulate on Orkut: an exploratory study of the topic "What about the river?" Perspectivas em Ciência da Informação, 17, n. 2, p.143-157,2012. ), aos conteúdos específicos em cursos de graduação (MINTZ e TAL, 2014MINTZ, K.; TAL, T. Sustainability in higher education courses: Multiple learning outcomes. Studies in Educational Evaluation, v. 41, p. 113-123, 2014.; REMINGTON-DOUCETTE et al., 2013REMINGTON-DOUCETTE, S.M.; CONNELL, K.Y.H.; ARMSTRONG, C.M.; MUSGROVE, S.L.. ASSESSING sustainability education in a transdisciplinary undergraduate course focused on real-world problem solving: A case for disciplinary grounding. International Journal of Sustainability in Higher Education, v. 14, p. 404-433, 2013.; GROSS, 2013GROSS, E. M. Green chemistry and sustainability: An undergraduate course for science and nonscience majors. Journal of Chemical Education, v. 90, p.429-431,2013. ) e os projetos desenvolvidos em instituições de ensino (CHANG, 2013CHANG, H.-C. Environmental management accounting in the Taiwanese higher education sector Issues and opportunities. International Journal of Sustainability in Higher Education, 14, n. 2, p.133-145,2013. ; BARTH, 2013BARTH, M. Many roads lead to sustainability: a process-oriented analysis of change in higher education. International Journal of Sustainability in Higher Education, 14, n. 2, p. 160-175, 2013.) têm contribuído para o maior desenvolvimento de uma consciência ambiental. O presente estudo, entretanto, não permite discernir o papel de cada uma dessas situações na formação e solidificação do constructo "Comportamento Ambiental", o que reside em sugestão para o desenvolvimento de estudos futuros.

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Anexo A

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Jul-Sep 2016

Histórico

  • Recebido
    11 Ago 2014
  • Aceito
    22 Jan 2016
ANPPAS - Revista Ambiente e Sociedade Anppas / Revista Ambiente e Sociedade - São Paulo - SP - Brazil
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