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Ambiente & Sociedade

Print version ISSN 1414-753XOn-line version ISSN 1809-4422

Ambient. soc. vol.20 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1809-4422asoceditorialv2012017 

EDITORIAL

20 ANOS DE AMBIENTE & SOCIEDADE

Pedro Roberto Jacobi 1  

Ana Paula Fracalanza 2  

Leandro Luiz Giatti 3  

1Editor-Chefe da Revista Ambiente & Sociedade. Professor Titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo.

2Editora Adjunta da Revista Ambiente & Sociedade Professora Doutora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental e do Programa de Pós-Graduação em Mudança Social e Participação Política da Universidade de São Paulo.

3Editor Adjunto da Revista Ambiente & Sociedade. Professor Associado do Professor Doutor do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.

Estamos comemorando os 20 anos de existência da revista Ambiente e Sociedade. A revista teve seu início, tendo como editores Lucia da Costa Ferreira (NEPAM/Unicamp), Hector Leis (UFSC) e Pedro Roberto Jacobi (PROCAM/USP). Foi o resultado de uma proposta de um grupo de pesquisadores e da realização de uma importante articulação interinstitucional para publicar em uma área de conhecimento ainda principiante naquele momento, a interface entre as questões do Ambiente e as Ciências Sociais. Desde seu início em 1997 e até o ano 2010, o Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (NEPAM) da Unicamp foi responsável pelo suporte administrativo que garantiu de forma decisiva a publicação da Revista. A partir de 2010, a Revista passou a ser editada pela Anppas, Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ambiente e Sociedade. Publicada até 2010 de forma impressa, a partir de 2011 passou exclusivamente ao formato digital. Atualmente a revista é publicada trimestralmente, e todos os artigos são publicados no idioma original e na língua inglesa.

Neste momento lembramos do desafio de se publicar, no Brasil, e sem vínculo com editora, uma revista produzida com ousadia e motivação de ampliar a difusão da produção de pesquisadores nacionais e estrangeiros, em uma área de conhecimento hoje já reconhecida, mas ainda com dificuldades próprias a áreas interdisciplinares, em temas com interface entre as questões do Ambiente e as Ciências Sociais. Porém, ressaltamos a importância da produção acadêmica livre de grupos editoriais comerciais e em formato aberto (open access), possibilitando maior visibilidade, acesso e o sentido fundamental de difusão livre da produção científica.

Muitas são as lembranças destes 20 anos, durante os quais a Revista foi se tornando referência pela importância assumida junto ao público interessado. Agradecemos a todas e todos os profissionais que contribuíram ao longo destes anos para sua criação, consolidação e substancial valorização perante aos campos de conhecimento que contempla. Atualmente a revista tem tido excelente avaliação pelo sistema existente no Brasil e o número de acessos entre 2015 e 2016 mostram a importância e o desempenho da revista.

Lembramos com muita emoção dos amigos que deixaram de estar entre nós, Daniel Hogan, um grande apoiador e Hector Leis que, como editor da revista, participou de forma muito colaborativa e com pleno compromisso, desde sua criação, até 2014, quando do seu falecimento.

Destacamos o pioneirismo da Revista na abordagem da temática no Brasil e sua ênfase na interdisciplinaridade, permitindo que muitos jovens pesquisadores tivessem seus artigos publicados e dando visibilidade a uma forma diferente de abordar temas ambientais.

Atualmente, um grupo amplo de jovens pesquisadores e docentes está engajado de forma voluntária na revista e coopera nas diversas atividades que demanda uma publicação científica, composta por editores, editores adjuntos, editores executivos, editores associados e pareceristas de instituições nacionais e do exterior. Cabe destacar o trabalho da assessoria editorial e dos editores assistentes, essencial para o funcionamento da Revista. Ao longo dos anos, o Conselho Editorial tem dado um importante apoio para que a Revista fortalecesse esta área de conhecimento junto a um público cada vez mais amplo e diversificado. A colaboração de tantas pessoas tem tornado Ambiente e Sociedade, uma revista que se concretiza por uma dinâmica colaborativa, em tempos em que os recursos para publicações diminuem, e aumenta o volume de artigos recebidos, fruto do crescente reconhecimento pelos pesquisadores.

Parabéns a todos os que nos apoiam e colaboram para que Ambiente e Sociedade seja um veículo editorial que amplia a difusão da inovação na reflexão sobre as transformações em curso na sociedade global e as fronteiras de conhecimento.

Abrindo o primeiro volume de 2017 da Revista Ambiente & Sociedade, os autores Fabio Angeoletto, Juan Pedro Ruiz Sanz, Ricardo Massulo Albertin e Frederico Fonseca da Silva, quantificam e comparam a diversidade vegetal de espécies existentes nos quintais de famílias de diferentes classes sociais em dois bairros da Região Metropolitana de Maringá, (Paraná, Brasil), no artigo "A grama do vizinho é mais verde: flora de quintais urbanos de distintas classes sociais".

Diante da necessidade de desenvolver um sistema ou uma Linha Base Social que estabeleça as bases filosóficas, restrições e critérios que minimizem os impactos socioambientais de intervenções territoriais, Jorge Rojas Hernández busca definir modalidades de participação cidadã com base em critérios e indicadores que regulem o impacto dessas macro-intervenções no artigo "Participação cidadã, qualidade de vida e justiça trans-regional territorial: Uma linha de base social de bem comum".

Ricardo Almeida, Lúcia Marina Scatena e MárioSérgio da Luz apresentam um estudo descritivo de percepção ambiental e políticas públicas de estímulo à sustentabilidade no artigo "Percepção ambiental e políticas públicas: Dicotomia e desafíos para o desenvolvimento da cultura de sustentabilidade".

No artigo "IGs e conservação ambiental: observações sobre experiências em diferentes contextos Iberoamericamos" os autores José Marcos Froehlich e Santiago Amaya Corchuelo analisam como a problemática ambiental, mediante abordagens conservacionistas de valorização da biodiversidade, tem permeado a produção de sentidos, narrativas, conflitos e posicionamentos de atores envolvidos, contrastando experiências do Brasil e da Espanha.

Através de um levantamento etnobotânico sobre o conhecimento e uso de plantas medicinais em cinco comunidades rurais localizadas dentro da Área de Proteção Ambiental Tambaba (Paraíba/Brasil), Michele Fernanda Marques de Brito, Edna Arévalo Marín e Denise Dias da Cruz, comparam e discorrem sobre as relações entre as espécies e seus usos terapêuticos nas comunidades como alternativa eficiente e imediata para o tratamento de doenças no artigo "Plantas medicinais nos assentamentos rurais em uma área de proteção no litoral do Nordeste Brasileiro".

Com o objetivo de caracterizar as alterações no uso da terra na bacia hidrográfica do Córrego Bebedouro em Frutal (Minas Gerais/Brasil). Os autores Debora Gabriele dos Santos Pinto Pereira, Eliana Aparecida Panarelli, Leandro de Souza Pinheiro, André Vinícius Martinez Gonçalves e Lucas de Paula Pereira, analisam as implicações decorrentes da alteração do Código Florestal e propõem sugestões para a conservação dos recursos hídricos no artigo: "Área de Preservação Permanente e Reserva Legal: estudo de caso na bacia do Córrego Bebedouro".

Considerando o crescimento do setor petrolífero no Brasil contemporâneo e a Educação Ambiental como medida compensatória no licenciamento ambiental federal, o artigo "A Vulnerabilidade socioambiental na Educação Ambiental praticada no âmbito do licenciamento federal em Macaé (RJ)", dos autores Rafael Nogueira Costa e Carlos José Saldanha Machado, discorrem sobre a incorporação do conceito de vulnerabilidade socioambiental no arcabouço institucional-legal da Educação Ambiental (EA) no que tange o processo de licenciamento de petróleo.

Como o objetivo de contribuir para a compreensão do atual momento do mercado de orgânicos, Bruno C. Barreiros e Marcia da Silva Mazon, investigam um mercado de produtos orgânicos em Florianópolis (Santa Catarina/Brasil), através de uma análise sociológica desse espaço de compra e venda no artigo "O consumo de orgânicos na perspectiva sociológica: analisando um mercado especializado em Florianópolis-SC".

Andrés Muñoz-Pedreros, no artigo "A paisagem visual: um recurso importante e mal preservado" discorre sobre os processos que ocasionam em modificações e perdas de paisagem em áreas urbanas, alertando para o desenvolvimento de programas de monitoramento e restauração, além de um projeto de educação ambiental que visa a conservação e recuperação desse recurso.

O artigo "A internet como mídia ambiental: estratégias dos partidos políticos brasileiros" de Antonio Teixeira de Barros, analisa como os partidos políticos usam a internet para se comunicar com os segmentos eleitorais interessados na agenda ambiental, a partir de suas estratégias de comunicação e dos conteúdos divulgados ao eleitor.

Os autores: Mauro Guilherme Maidana Capelari, Paulo Carlos Du Pin Calmon e Suely Mara Vaz Guimarães de Araújo realizam um ensaio teórico com o intuito de demonstrar a importância de Vincent Ostrom na história intelectual de sua esposa, Elinor Ostrom, em especial nos estudos da governança de recursos de propriedade comum embasados no Institutional Analysis and Development Framework (IAD), no artigo "Vincent e Elinor Ostrom: Duas Confluentes Trajetórias para a Governança de Recursos de Propriedade Comum".

Comparando onze Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) do IBGE, Gabriela Belleze, Marcos Eduardo Cordeiro Bernardes, Carlos Alberto Máximo Pimenta e Paulo Cezar Nunes Júnior, mostram como as Ecovilas têm se destacado entre as iniciativas que promovem o desenvolvimento sustentável no mundo contemporâneo e sua efetividade nos contextos econômico, social, ambiental e institucional em relação ao restante da sociedade no artigo "Ecovilas Brasileiras e indicadores de desenvolvimento sustentável do IBGE: Uma análise comparativa".

O artigo "Unidades de conservação e suas múltiplas territorialidades - uma reflexão social e ambiental sobre o Parque Nacional do Catimbau - Brasil", de Célia Cristina Clemente Machado, Cláudio Ubiratan Gonçalves, Manoel Bandeira de Albuquerque e Eugênia Cristina Gonçalves Pereira, realizam uma revisão bibliográfica sobre o Parque Nacional do Catimbau para discorrer sobre a alteração de sua atual classificação de Parque Nacional para Monumento Natural, permitindo assim, a existência de áreas particulares para as populações tradicionais desde que seja possível compatibilizar os objetivos da unidade com a utilização dos recursos naturais.

Os autores: Carla Grigoletto Duarte, Ana Paula Alves Dibo e Luis Enrique Sánchez realizaram um levantamento sobre a produção de artigos científicos sobre licenciamento ambiental no Brasil, buscando identificar os principais enfoques e conclusões apresentados sobre o tema, além de suas fragilidades no artigo "O que diz a pesquisa acadêmica sobre Avaliação de Impacto e Licenciamento Ambiental no Brasil?".

Por fim, o artigo "A governança de Arranjos Produtivos Locais (APLs) para a gestão estratégica de Indicações Geográficas (IGs)" de Marco Antonio Conejero e Aldara da Silva César busca, através de uma revisão da literatura e dos casos de APLs em duas regiões do Estado de Minas Gerais/Brasil, discorrer sobre a importância de um Arranjo Produtivo Local para a implementação de uma estratégia coletiva do tipo IGs.

Desejamos à todos uma excelente leitura.

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