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Ambiente & Sociedade

versão impressa ISSN 1414-753Xversão On-line ISSN 1809-4422

Ambient. soc. vol.21  São Paulo  2018  Epub 31-Jan-2019

http://dx.doi.org/10.1590/1809-4422asoc0008r1vu18l4ao 

Artigo Original

O DIÁLOGO TEÓRICO ENTRE COMUNICAÇÃO AMBIENTAL E CIÊNCIAS SOCIAIS NA LÓGICA DA CIÊNCIA EM AÇÃO

ANTONIO TEIXEIRA DE BARROS 1  

1. Doutor em Sociologia e mestre em Comunicação. Docente e pesquisador do Programa de Pós-Graduação do Centro de Formação da Câmara dos Deputados (CEFOR). E-mail: antonibarros@gmail.com

Resumo

O artigo examina como são agenciados os repertórios teóricos das ciências sociais pelos pesquisadores em comunicação/jornalismo ambiental e como se dá a apropriação dos argumentos teóricos nos estudos aplicados. O corpus de análise compreende 492 comunicações científicas apresentadas por pesquisadores da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) no período de 2001-2016, além de 36 entrevistas. As conclusões ressaltam: a contribuição histórica das ciências sociais para a formação do campo acadêmico da comunicação; a proximidade epistêmica entre as ciências sociais e a comunicação/jornalismo; a valorização do uso desse repertório pelos pesquisadores de comunicação/jornalismo ambiental. As entrevistas reforçam a natureza interdisciplinar da comunicação ambiental, a proximidade epistêmica e metodológica com as ciências sociais, a pluralidade de atores envolvidos e a consolidação de um modo já consagrado de fazer pesquisa pelos estudiosos da Intercom em seus 40 anos de atuação.

Palavras-chave :  Comunicação ambiental; Ciências sociais e comunicação ambiental; Interdisciplinaridade; Ciência em ação

1 Introdução

A partir da constatação de que os enquadramentos teóricos que orientam a pesquisa em comunicação ambiental são diretamente relacionados com o campo das ciências sociais2, o texto apresenta uma análise de como são agenciados esses repertórios teóricos e como se dá a apropriação dos conceitos nos estudos sobre jornalismo e ambiente.

É oportuno ressalvar que a apropriação de aportes teóricos das ciências sociais por outras áreas é um procedimento comum em vários outros campos, o que se justifica pela permeabilidade das ciências sociais e sua relação direta com as variadas áreas de conhecimento e com as experiências humanas (BAUMAN, 2015). Afinal, como ressalta o autor, as ciências sociais são enraizadas no mundo da vida e dele recortam seus temas e objetos de estudo.

O foco empírico da pesquisa é o exame de como a explicação sociológica é arregimentada, a partir do mapeamento dos principais paradigmas sociais e seu modo de aplicação ao longo do período de 2001 a 2016. O pressuposto que norteia o estudo é o de que os discursos ambientais midiatizados não devem ser entendidos como produção autônoma, uma vez que se reportam à voz de diversos atores sociais, tais como instituições estatais, partidos políticos, entidades científicas, movimentos sociais e ambientalistas (BARROS; SOUSA, 2010). Trata-se de um discurso condicionado por múltiplos fatores, segundo a perspectiva da teoria multifatorial da notícia (SOUSA, 2000). O jornalismo, como discurso social poroso e permeável, recebe influências de variadas vertentes do discurso ecológico, inclusive do campo sociológico, uma das áreas mais utilizadas nos estudos de comunicação e jornalismo ambiental (BARROS, 2015).

O agenciamento dos repertórios das ciências sociais decorre, portanto, da própria configuração das principais vertentes do discurso ecológico e suas fontes: oficial, científico, empresarial e sócio-político-ambientalista (BARROS, 1999). Do ponto de vista teórico, o agendamento do noticiário ambiental recebe interferências diretas da pauta global, fenômeno explicado pela teoria multifactorial da notícia (SOUSA, 2000), em função do contexto, dos organismos internacionais (ONU e Clube de Roma), das organizações não-governamentais, das universidades e dos partidos políticos (BARROS, 2015). A conjunção desses fatores é que resulta nos efeitos cognitivos e comportamentais sobre a comunidade científica e a opinião pública (SOUSA 2000; CRESPO, 2005).

2 Pressupostos metodológicos e lógica da análise

O corpus de análise compreende 492 comunicações científicas apresentadas nos congressos anuais da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), no período de 2001 a 2016i. O corpus corresponde a 6,15% dos trabalhos apresentados nos congressos da Intercom no período, cujo total aproximado é de oito mil comunicações. A Intercom é reconhecida como a mais antiga e relevante instituição científica da área de Comunicação e se destaca pelo incentivo aos estudos inter e multidisciplinares (BARROS, 2003). A opção pelas comunicações científicas se justifica pela noção de ciência em ação de Bruno Latour (2004), ou seja, a ciência em construção e não aquela já consolidada. Entendendo que os eventos constituem o espaço mais dinâmico de construção da ciência, optamos por esse enquadramento (TARGINO; NEYRA, 2006). Afinal, trata-se de uma relevante esfera, “não só pela instância de revisão por pares, mas sobretudo, pela oportunidade de debate” (MOURA; SCHWAAB; SILVA, 2003, p.1).

A metodologia consiste na combinação de análise documental e revisão sistemática (metanálise), combinadas com análise de conteúdo. Além disso, foram utilizadas 36 entrevistas dirigidas com pesquisadores da área de comunicação/jornalismo ambiental. A pesquisa documental consistiu na compilação e análise do conjunto de 492 comunicações científicas apresentadas no congresso anual da Intercom, no período de 2001 a 2016. A metanálise (CLARKE; OXMAN, 2001; AGUIAR, 2011) foi aplicada a partir de tratamento analítico de dados secundários, ou seja, levantamentos realizados por outros pesquisadores (GIRARDI et al., 2013; LIMA, 2015; MOURA; SCHWAAB; SILVA, 2013; PESSONI, 2015)ii. Em suma, a metanálise consistiu em mapear estudos já realizados sobre a produção acadêmica nas áreas de comunicação ambiental e de jornalismo ambiental no Brasil para os fins já enunciados. A análise de conteúdo (BARDIN, 2004) foi aplicada para identificar os conceitos do campo das ciências sociais mais citados nos artigos, com o auxílio do software de pesquisa qualitativa atlas.ti (http://atlasti.com).

As entrevistas dirigidas ou focalizadas (MARCONI, 1999) foram aplicadas no período de 2014 a 2016, durante os congressos da Intercom, com o propósito de compreender as razões que levam os pesquisadores da área a optar pela aplicação do repertório teórico das ciências sociais nos estudos sobre comunicação e jornalismo ambiental. No total foram 36 pesquisadores entrevistados, sendo a maioria pessoalmente. Apenas oito deles pediram para as que questões fossem enviadas por e-mail. As respostas foram codificadas numericamente, a fim de facilitar o uso das transcriçõesiii.

O percurso metodológico foi inspirado nas ideias de Giddens (2009); Boltanski e Chiapello (2009) e Latour (1994, 2004, 2012). Para o primeiro autor, as pesquisas nas ciências sociais são pautadas por um processo de construção hermenêutica. Isto significa que o pesquisador tem como objeto fenômenos “já constituídos como significativos”. As descrições sociológicas se baseiam em categorias interpretativas que pedem também um esforço de tradução dentro e fora das redes de significado envolvidos nas teorias (Giddens, 2009, p.335). É isso que Giddens (2009, p.386) denomina de elucidação hermenêutica de redes de significado. A análise da bibliografia será realizada de forma seletiva, sem pretensões de elaborar um trabalho exaustivo e extensivo, uma vez que o propósito não é realizar uma cartografia quantitativa dos estudos, mas uma análise de suas lógicas hermenêuticas. Esse modo operatório transparece metodologicamente no estudo de Boltanski e Chiapello (2009), no mapeamento dos novos discursos sociais que oferecem suporte ao novo espírito do capitalismo.

A contribuição dos estudos de Latour se deve à relevância de sua proposta metodológica no que se refere especificamente ao uso de material bibliográfico para a construção social da ciência (2004). Em sua visão, os textos são transformados pelos pesquisadores em personagens semióticos, ou seja, passam a servir de referência e farol em termos de prestígio científico e de discurso de autoridade. Esses personagens semióticos atuam na construção das redes científicas a partir das associações, rastros e configurações híbridas que eles protagonizam. Os textos científicos exercem um papel privilegiado nas redes sociotécnicas de conhecimento, portanto. Afinal, as publicações científicas funcionam como dispositivos de inscrição (FOUCAULT, 1986), que viabilizam a mobilidade e a permutabilidade dos conceitos. Uma comunicação científica carrega consigo uma rede oculta de sentidos e revela um implicado sistema de associações, taxionomias e lógicas para arregimentar aliados ou amenizar controvérsias (LATOUR, 2000). No interior dessas redes semióticas de textos, “são aperfeiçoadas a circulação de traçados de todo tipo, aumentando-lhes a mobilidade, a velocidade, a confiabilidade e a capacidade de combinar-se” (LATOUR, 2000, p.377).

Além de funcionarem como dispositivos de inscrição, as comunicações apresentadas em congressos dinamizam a ciência em ação, ou seja, aquela que está em construção. Esse caráter dinâmico proporciona a circulação e a expansão das redes, por meio das operações hermenêuticas de tradução e translação (LATOUR, 1994). Nessa dinâmica, um autor ou conceito citado de forma recorrente torna-se um porta-voz de determinadas tendências analíticas.

Antes da apresentação dos dados da pesquisa, discutimos o caráter de complexidade do ambientalismo e suas redes de atores, uma das ideias-chave que orientam a análise dos dados e das entrevistas.

3 O ambientalismo como uma rede de atores

O pensamento ecológico surge como resultado de uma aliança hermenêutica entre política, ciência, cultura, educação difusa e vida cotidiana, moldada pelo paradigma da complexidade (MORIN, 1994; LEFF, 2001). As flutuações conceituais, as contradições, ambiguidades e oposições entre correntes de explicação, no âmbito do pensamento complexo, são consideradas elementos positivos, uma vez que o mesmo é movido por uma tensão permanente entre a aspiração a um saber não fragmentado e o reconhecimento da força das incertezas, ambiguidades e processualidades (MORIN, 1994).

Essa configuração teórica que passou a orientar os estudos de comunicação e jornalismo ambiental a partir da década de 1990, foi diretamente influenciada pela emergência de novos atores sociais do ambiente, em um contexto sócio-histórico de distintas bases produtivas e de diferentes eixos de transformações sociais. A diversificação dos atores está diretamente relacionada com a complexificação do socioambientalismo, numa perspectiva agregadora, apesar das incompatibilidades existentes, das disputas de interesses (BARROS, 1996). Essa rearticulação de forças trouxe vantagens, em função da rede dos agentes envolvidos e da ampliação da consciência ecológica (CRESPO, 2005). A constituição dessa rede contribuiu para diversificar e fortalecer as vertentes teóricas, de modo a contribuir para modelos explicativos relacionais e complexos (MORIN, 1994).

Pensadores como Bobbio (1992), Hobsbawn (1995) e Castells (1999) também contribuíram para o estudo do ambientalismo com uma rede de atores sociais e políticos. Para o primeiro, os movimentos em defesa da natureza fazem parte de um conjunto de reivindicações pela garantia dos direitos humanos, incluindo as liberdades individuais, os direitos políticos e sociais. Para Hobsbawn, esses movimentos reivindicam mudanças em toda a estrutura da sociedade e apelam para a adesão generalizada das pessoas e não apenas de categorias sociais específicas. Castells chama atenção para a estreita relação desses atores com a mídia, ao tratar da força simbólica que os enquadramentos selecionados pelos media exercem na formação e difusão da opinião pública, com amplos efeitos nas relações sociais e no mundo vivido. Nesse aspecto de inserção nos mundos vivenciados, os estudos de Habermas (1984; 1987) foram cruciais.

No âmbito dessa constelação de saberes gestados no campo das ciências sociais, destaca-se a aplicação dos estudos comunicacionais e jornalísticos na análise da relação entre ecologia e esfera pública. O pressuposto é o de que as diferentes vertentes discursivas sobre ambiente, com ressonância na cobertura de imprensa, concorrem para a constituição de um novo espaço público, pautado pela visibilidade midiática, na trilha habermasiana (BARROS, 2013).

O discurso ecológico, no caso em questão, cria um espaço especial de aparência social, a partir das convergências e antinomias peculiares às diversas identidades, interesses e estratégias dos atores envolvidos e suas lógicas de ação social. Entretanto, as concepções de ecologia e meio ambiente que cada um defende remetem a uma cosmovisão que aponta para uma ordem comum de valores, ou seja, um mesmo quadro hermenêutico.

A partir desse cenário mais amplo, cabem algumas considerações sobre a constituição dessas redes e do agenciamento dos repertórios teóricos mencionados pelos pesquisadores em comunicação/jornalismo. A literatura registra um paralelismo entre a emergência do ambientalismo e da sociologia do ambiente (SCHMIDT, 1999). Ferreira (2006) aprofunda os aspectos ideológicos dessa complexa relação:

A sociologia ambiental, enquanto produção científica e acadêmica, emergiu a reboque dos movimentos de contestação social surgidos no início dos anos de 1960 e da constatação da situação emergencial de degradação dos recursos naturais e do desenvolvimento do industrialismo. O nascimento do movimento na década de 1960 surpreendeu os sociólogos, que naquele momento não dispunham de um corpo teórico ou tradição empírica, que os guiasse em direção ao entendimento da relação entre sociedade e natureza (FERREIRA, 2006, p.15).

A atenção de sociólogos ao tema foi reforçada pela convergência de interesses de vários segmentos, como movimentos sociais, setores empresariais, organismos internacionais, comunidade científica e instituições governamentais. Logo, “tornou-se evidente que a questão ambiental não era apenas mais um modismo passageiro, nem uma dramatização de militantes ou cientistas radicais” (FERREIRA, 2006, p.15). Portanto, a sociologia ambiental “assume uma posição significativa para estudar as divergências e conflitos sobre a natureza (...) e as causas e a extensão dos problemas ambientais entre os diversos atores envolvidos” (p.15). Esse processo teve como auge meados da década de 1980. Partia-se do pressuposto de que, para se compreender a crise ecológica global, seria necessário, antes, refletir à luz dos princípios que regem a organização e o funcionamento do sistema sociopolítico (LEIS, 1995).

Os mídias, como agentes da produção social da realidade, resultantes da negociação entre diversos atores, refletem as dinâmicas do contexto social, visto que se trata de uma produção de sentidos sobre o presente e carrega os conflitos e as forças de ação e reação existentes entre os diversos campos sociais (SCHWAAB, 2011). Tal produção constitui uma arena de disputas de atenção e de credibilidade, na qual a notícia deixa de ser concebida como espelho da realidade e passa a ser vista como resultante de processos sujeitos a interveniências subjetivas. Essa concepção remete à teoria multifatorial da notícia (SOUSA, 2000), segundo a qual, o agendamento do noticiário ambiental recebe interferências de múltiplos fatores, em função do contexto, dos organismos internacionais (ONU e Clube de Roma), das organizações não-governamentais, das universidades e dos partidos políticos. Essa perspectiva permite o estudo da comunicação e do jornalismo de modo relacional, condizente com as teorias sociais sobre a formação da opinião pública, o funcionamento da esfera pública, o poder simbólico e a complexidade sociomidiática.

O êxito da midiatização, portanto, é resultado da combinação de um conjunto de estratégias de visibilidade. É oportuno destacar ainda o caráter ambíguo da midiatização. Há momentos em que parece que todos os veículos de comunicação são favoráveis às reivindicações ambientais, mas também há situações que esses mesmos veículos parecem testar a credibilidade e a força dos movimentos (BARROS, 2013a).

O próprio ambientalismo é visto como interdisciplina sociocultural e pensamento complexo, relacionado com diversos campos das ciências sociais (BARROS, 2013b, p.63). Isso implica uma “visão multirreferenciada dos sistemas sociais, da cultura e da natureza, resultando em um tecido de constituintes simbólicos heterogêneos”. Um referente concreto para tais estudos é o pensamento socioambiental desenvolvido no contexto brasileiro, em sua vertente multissetorial, caracterizada pelo envolvimento de múltiplos atores e discursos sociopolíticos. Em suma, trata-se de um pensamento social que implica a construção de sentidos coletivos e de identidades compartilhadas no âmbito de uma complexidade marcada pela redefinição de sentidos e valores.

Segundo esse raciocínio, o plano da interdisciplina situa-se no nível do ideário normativo que molda o ethos ambiental. É dessa orientação normativa que derivam as escalas valorativas para a condução da agenda planetária e suas interconexões com as agendas contextualizadas, em seus diferentes níveis: hemisféricas, setoriais, regionais, estaduais, municipais e comunitárias. As relações contenciosas, por sua vez, são resultantes dos processos socioculturais de constituição dos códigos valorativos que orientam as condutas políticas e as práticas ambientais, a partir da interpretação subjetiva que os atores sociais atribuem às suas próprias ações e às posturas, discursos e práticas dos demais atores do amplo, complexo e polinucleado campo ambiental (BARROS, 2013b).

Nos estudos respaldados pelo paradigma da complexidade, a ecologia é apontada como articuladora de novos conceitos no âmbito da Teoria do Conhecimento. Devido à sua posição de interdisciplina paradigmática no contexto histórico recente, resultado da conexão de vários ramos do saber científico (BARROS, 2013b). Assim, o pensamento ecológico passou a exercer o papel de protagonista e articulador de um tipo de conhecimento científico de natureza multi e interdisciplinar. Isso porque a Ecologia compreende o estudo da racionalidade (logos) desse complexo domínio socioambiental, seus discursos (lexis), suas lógicas de ação (praxis) e as formas de poder nelas implicadas (kratos). Assim, surge uma nova arena de conhecimento (científico-tecnológico) que não reivindica mais a “pureza” científica tradicional (LATOUR, 1994). Ao contrário, esse novo campo de conhecimento aglutina e justapõe saberes de diversos outros campos, tanto teóricos como normativos e práticos (MORIN, 1994; LEFF, 2001).

4 Apresentação dos dados

No período em estudo, foram apresentados 492 trabalhos sobre temáticas ambientais no congresso anual da Intercom, com predomínio dos estudos interdisciplinares, representados pela rubrica comunicação ambiental, com 87,90% do total de textos (Quadro 1). A área de jornalismo ambiental aparece com 18,10%.

Quadro 1: Total de comunicações científicas (2001-2016) 

COMUNICAÇÕES CIENTÍTICAS N %
Comunicação ambiental 433 87,90
Jornalismo ambiental 089 18,10
TOTAL 492 100,00

Fonte: Elaborado com base em Lima, 2015; Pessoni, 2015, com informações complementares do Portal da Intercom.

A diferença entre as duas categorias está no fato de que os estudos sobre jornalismo ambiental tratam especificamente de análise de noticiário, enquadramento noticiado e demais processos atinentes especificamente às rotinas de produção relativas à cobertura noticiosa sobre pautas ambientais. A comunicação ambiental, por sua vez, é mais abrangente e aborda processos mais amplos que transcendem o jornalismo. Nas palavras de Bueno (2007, p.34), a comunicação ambiental inclui “o conjunto de ações, estratégias, produtos, planos e esforços de comunicação destinados a promover a divulgação/ promoção da causa ambiental”, enquanto o jornalismo ambiental “tem uma restrição importante: diz respeito exclusivamente às manifestações jornalísticas”.

Se na área de jornalismo ambiental estão exclusivamente pesquisadores do campo do próprio jornalismo, na categoria comunicação ambiental, mais de 50% são oriundos dos vários campos das ciências sociais, especialmente a Sociologia, conforme exposto no Quadro 2. Conforme ressaltado nas entrevistas, isso se deve à tônica interdisciplinar da Intercom desde sua criação.

Quadro 2: Área de formação dos pesquisadores de comunicação ambiental 

ÁREA N %
Comunicação 203 46,88
Sociologia 121 27,94
Ciência Política 65 15,01
Antropologia 31 7,16
História 11 2,54
Outras 2 0,46
Total 433 100

Fonte: Elaboração própria.

A explicação para o predomínio da área de comunicação ambiental, segundo os entrevistados, se deve ao perfil do congresso realizado anualmente pela Intercom:

- Desde que a Intercom foi criada, em 1977, que sempre houve essa ênfase na comunicação e suas interfaces, reunindo inclusive pesquisadores de áreas afins, principalmente da sociologia, pois a comunicação ambiental é estudada sob diferentes abordagens e enfoques teóricos. Eu considero essa estratégia muito mais interessante do que fechar o campo de pesquisa só para os comunicólogos ou os jornalistas (E18).iv

- O congresso da Intercom foi sempre uma confraternização multidisciplinar e ainda bem que isso foi transposto para as pesquisas sobre comunicação ambiental. Um objeto tão multifacetado não poderia ser reduzido ao olhar monopolizado de uma comunidade restrita de pesquisadores. Quanto mais as interfaces são exploradas, melhor para nós pesquisadores da área (E37).

Quanto ao enfoque, conforme os entrevistados, a visibilidade midiática é o principal enquadramento estudado, visto que os trabalhos se concentram basicamente no polo da produção e da divulgação, ou seja, privilegiando análise de noticiário e cobertura de eventos críticos e sua repercussão na esfera pública, conforme foi abordado antes. Fica evidente, portanto, a recorrência de aportes sobre a esfera da noticiabilidade, o que se justifica pela análise das fontes e dos emissores, ou seja, na “sua função social de fomentação do debate público e de sua contribuição para diálogos mais plurais no Jornalismo” (MOURA; SCHWAAB; SILVA, 2013, p.7). Assim, a notícia é compreendida como um dispositivo que demonstra a eficácia simbólica da midiatização, no que se refere à sua capacidade de conferir visibilidade aos assuntos divulgados (BARROS, 2011).

Por se tratar de uma categoria muito ampla, consideramos necessária uma breve alusão à sua utilização nas ciências sociais, a partir das análises de Brighenti (2007) e Barros (2013). Para esses autores, a visibilidade é um recurso simbólico indispensável para o reconhecimento público de determinados temas, pautas ou questões. Por essa razão, a visibilidade é relacional e socialmente construída, o que implica na constatação de que a visibilidade resulta da confluência ou disputa de interesses entre diversos atores sociais e suas lógicas de ação discursiva. No caso da visibilidade midiática, existem vários níveis de tensão na relação entre esses atores, especialmente no que concerne à disputa travada entre eles pelo controle das questões e visões que tentam priorizar no espaço midiático. Assim, cada segmento utiliza estratégias de atuação específicas para que seus discursos sejam representados no espaço midiático, com o propósito de obterem o máximo de eficácia política de suas manifestações, do ponto de vista da captação da atenção pública.

A constatação dos entrevistados apresentada acima, no que se refere à centralidade da categoria visibilidade midiática, é coerente com a análise do material analisado, sobretudo no caso dos estudos sobre jornalismo ambiental, cuja tônica é a análise da cobertura noticiosa sobre questões ambientais. Aqui, a notícia ambiental aparece como o principal mecanismo de visibilidade midiática das pautas ecológicas. Das 89 comunicações integrantes do corpus de análise mencionadas no Quadro 2, 81 delas se enquadram nessa perspectiva analítica (análise de noticiário), o que corresponde a 91%.

Ao longo do período, o volume de comunicações científicas cresceu progressivamente, passando de 20 textos no início dos anos 2001 para 43 em 2016, como mostra o Quadro 3. Houve crescimento das duas áreas, mas o tema comunicação ambiental manteve seu predomínio. Segundo a análise dos entrevistados, isso se deve aos seguintes argumentos:

- As pesquisas sobre jornalismo ambiental ganharam mais relevância nos últimos anos, mas isso não diminuiu a importância dos estudos interdisciplinares mais abrangentes, com a participação de pesquisadores que não são jornalistas e se interessam por assuntos mais abrangentes (E11).

- As análises interdisciplinares foram fortalecidas com a ampliação da agenda de pesquisa na área ambiental. A notícia ambiental é relevante, mas também as campanhas institucionais, o engajamento dos cientistas, das entidades do terceiro setor, dos empresários e dos novos movimentos ecológicos (E3).

Quadro 3: Comunicações distribuídas por ano com temática ambiental 

ANO COMUNICAÇÃO AMBIENTAL JORNALISMO AMBIENTAL TOTAL
1 2001 12 8 20
2 2002 11 9 20
3 2003 19 10 29
4 2004 10 12 22
5 2005 13 12 25
6 2006 19 10 29
7 2007 21 10 31
8 2008 20 17 37
9 2009 19 11 30
10 2010 20 11 31
11 2011 20 18 38
12 2012 21 12 33
13 2013 21 11 30
14 2014 22 14 36
15 2015 28 10 38
16 2016 28 15 43
TOTAL 304 190 492

Fonte: Elaboração do autor, com dados dos anais dos congressos da Intercom.

4.1 Mapeamento do repertório teórico

O mapeamento dos conceitos mais citados do repertório teórico das comunicações científicas analisadas mostra um predomínio dos conceitos básicos das ciências sociais. Em segundo lugar, estão os conceitos relacionados com a teoria do discurso. Em seguida destacam-se termos ligados à sociologia ambiental. Na sequência estão as noções relativas à sociologia da comunicação e por fim termos referentes às teorias dos movimentos sociais, como se lê no Quadro 4. O mapeamento foi realizado a partir dos títulos, resumos e palavras-chave, com o suporte tecnológico do Atlas.ti, um software para análise de conteúdo.

Quadro 4 Principais áreas das ciências sociais usadas nos estudos v  

ÁREAS N %
Conceitos sociológicos básicos 1020 33,91
Teoria do discurso 750 24,93
Sociologia ambiental 517 17,19
Sociologia da comunicação 511 16,99
Movimentos sociais 210 6,98
Total 3.008 100

Fonte: Elaboração do autor.

As categorias constantes no Quadro 4 resultaram da análise de conteúdo das comunicações analisadas. Os conceitos sociológicos básicos tratam de questões mais abrangentes, em que são utilizados termos já assimilados pelo vocabulário acadêmico, conforme explicado nos comentários sobre o Quadro 3. “Teoria do discurso” se refere a estudos que tomam o discurso midiático sobre ambiente como objeto teórico, com respaldo em teorias já consagradas no campo das ciências sociais, especialmente na vertente da análise de discurso francesa (Foucault, 2014; Orlandi, 1999; Charaudeau, 2017). “Sociologia ambiental” abarca as análises que tomam a comunicação/jornalismo ambiental como objeto sociológico de análise, a partir da perspectiva teórica de Catton e Dunlap (1979) e Buttel (1978), que abordam as questões ambientais além de sua dimensão natural, problematizando os aspectos sociais e políticos. “Sociologia da comunicação” aparece como uma instância analítica que estuda os mídias como mecanismos de mediação social e de produção de sentidos a partir de contratos de comunicação entre os emissores e seus públicos (Silverstone, 2005). “Movimentos sociais” são estudados como atores da comunicação/jornalismo ambiental, devido ao seu poder de interferir nos enquadramentos da visibilidade midiática (Rosa, 2006).

É cabível enfatizar que os termos elencados no Quadro 5 foram extraídos dos próprios textos analisados. Na maioria dos casos, as expressões foram mencionadas sem definição precisa de seus significados, tomando-as como vocabulário corrente. Em outros casos, os termos foram citados conforme determinados autores. No primeiro caso estão: sociocultural, sociopolítico, modernização, modernidade, comunidade científica, globalização, identidade, imaginário social, interesse público, sistemas simbólicos, enquadramento e narrativas. Duas explicações são plausíveis para esse tipo de apropriação dos conceitos. A primeira se deve à limitação do espaço para as comunicações apresentadas no evento (até 15 páginas). A segunda se justifica por serem termos que, embora, sejam passíveis de problematizações e controvérsias, são relativamente conhecidos do público leitor de tais comunicações. Apesar disso, ao usarem os conceitos sem problematizá-los, os autores tomam seus sentidos como dados, ganhando em síntese e concisão, mas perdendo em termos de limitação dos sentidos a eles atribuídos pelo senso comum.

Quadro 5 Termos-chave mais citados relacionadas ao campo teórico das ciências sociais 

Conceitos sociológicos básicos N Teoria do discurso N Sociologia ambiental N Sociologia da Comunicação N Movimentos sociais / ambientais N
Sociocultural 98 Discurso socioambiental 129 Socioambiental 114 Mediações culturais 79 Movimentos sociais 53
Sociopolítico 92 Discurso ambiental 128 Sustentabilidade 102 Mediações tecnológicas 78 Movimentos ambientais 51
Comunidade científica 89 Discurso ecológico 92 Desenvolvimento sustentável 97 Mediações sociotécnicas 56 Movimentos ecológicos 47
Campo científico 88 Representações discursivas 88 Desenvolvimento local 38 Mediações tecnossociais 42 Engajamento político 36
Modernidade 87 Discursividade 72 Riscos ambientais 28 Mediações institucionais 35 Mobilização social 23
Modernização 76 Análise de discurso 71 Riscos ecológicos 26 Campo jornalístico 34
Globalização 75 Construção de sentidos 62 Conflitos ambientais 24 Opinião pública 33
Estudos sociais da ciência 67 Marcas discursivas 41 Paradigmas socioambientais 12 Sociologia dos emissores 26
Complexidade 63 Semiologia dos discursos sociais 28 Cidadania e meio ambiente 11 Agenda-setting 22
Sistemas simbólicos 59 intertextualidade 17 Visibilidade ambiental 10 Gatekeeping 21
Identidade 43 Disputas argumentativas 14 Contrato ecológico 09 Newsmaking 19
Sociologia da ciência 42 Discurso disciplinador 06 Contrato ambiental 08 Mediatização 17
Interesse público 36 Saber considerado pelo discurso 02 Contrato natural 06 Sociologia da comunicação científica 13
Imaginário social 29 Responsabilidade ambiental 06 Imagem pública 11
Imaginário político 18 Novas ruralidades 06 Sociedade em rede 09
Disputas simbólicas 17 Complexidade ambiental 06 Sociedade digital 08
Enquadramento 16 Saber-poder ecológico 02 Ação comunicativa 07
Narrativas
Redes sociotécnicas 13
Poder simbólico 12
Total 1.020 750 517 511 210

Fonte: Elaboração do autor.

No segundo caso, estão termos como: estudos sociais da ciência, complexidade, redes sociotécnicas, campo científico, poder simbólico e disputas simbólicas. O primeiro tem menção predominante autores como David Bloor (1991), Bruno Latour (2000), e Michel Callon (2006), com suas análises sobre os condicionantes sociais que interferem na produção, na circulação e na legitimação do conhecimento científico. A complexidade aparece sob a ótica de Edgar Morin (2007), que entende a ciência como uma interrelação complexa de saberes, o que implica uma visão multirreferenciada desses saberes. As redes sociotécnicas são utilizadas na acepção de Bruno Latour (1994), como a articulação de atores humanos e actantes não-humanos (técnicos e tecnológicos) na constituição das redes de pesquisa na atualidade. Os conceitos campo científico, poder simbólico e de lutas simbólicas são derivados da obra de Pierre Bourdieu (1993; 1994). O campo científico é entendido pelo autor como um espaço de lutas e disputas pela autoridade científica e pela legitimação do conhecimento científico. No caso do poder simbólico, a ênfase está na força das palavras, discursos e imagens e seu potencial para construir visões hegemônicas e disputas em torno da legitimação de determinados discursos e visões.

O que justificaria, então, o uso dos conceitos básicos elencados na coluna 1? As entrevistas apontam três razões principais: (a) a contribuição histórica das ciências sociais para a formação do campo acadêmico da comunicação; (b); a proximidade epistêmica entre as ciências sociais e a comunicação/jornalismo; (c) a valorização do uso desse repertório pelos pesquisadores da área da comunicação e do jornalismo ambiental. Alguns depoimentos são ilustrativos a respeito desses três tópicos:

- A área de comunicação social no Brasil é muito nova e deve muito aos cientistas sociais, especialmente à sociologia. Quando os primeiros cursos de graduação foram criados no Brasil na década de 1970, não havia comunicólogos para ocupar os cargos de docentes nas universidades. Os professores das disciplinas teóricas foram recrutados das ciências sociais e os docentes das disciplinas práticas foram recrutados do mercado (E7).

- Tanto as ciências sociais como a comunicação têm como objeto de estudo a sociedade. Mas a proximidade vai além disso. A forma de estudar é muito semelhante e as teorias e metodologias das ciências sociais se encaixam perfeitamente nos estudos aplicados de comunicação e meio ambiente. As ciências sociais não são vistas como ciências estranhas para nós, pois nós entendemos perfeitamente a linguagem, os conceitos, as teorias. Na realidade fazem parte da mesma família epistemológica (E31).

- Usar conceitos sociológicos em estudos sobre comunicação e jornalismo ambiental é uma forma de valorizar nossos estudos perante nossos pares, pois isso é algo muito valorizado na comunidade acadêmica da comunicação. Então, há um efeito de amplificação dessa prática. Um cita porque o outro cita e acha isso legal e assim por diante (E27).

As contribuições da teoria do discurso aparecem em segundo lugar no repertório conceitual dos estudos analisados. Trata-se de um amplo campo de estudos nas ciências sociais, com diferentes vertentes e metodologias analíticasvi. O recorte analítico e o método aqui empregados não permitem esmiuçar as nuances dessas diversas vertentes discursivas. Ficaremos apenas no plano geral, em consonância com o problema de pesquisa aqui investigado: como se dá o uso desse repertório pelos pesquisadores das áreas de comunicação e jornalismo ambiental. As entrevistas resumem os argumentos dos pesquisadores:

- Tanto para as ciências sociais como a comunicação e o ambientalismo o discurso é muito relevante como objeto de pesquisa. Estudar os discursos é, portanto, uma forma de compreensão da sociedade, dos mídias, dos movimentos ambientalistas e de seus agentes (E9).

- Entender os discursos ambientais que conquistam visibilidade midiática é uma forma de compreensão sociológica do ambientalismo (E23).

- Os discursos ambientais são produzidos pelas sociedades e os meios de divulgação também. Por isso, é importante estudar tanto os discursos em si como as formas que eles adquirem nos diferentes meios e canais de divulgação, além de como entendidos e recebidos pelos públicos (E16).

A sociologia ambiental figura em terceiro lugar como fonte conceitual para os estudos examinados. Trata-se de um campo relativamente recente, mas que já passa por ramificações, como a sociologia da sustentabilidade, a sociologia dos riscos ecológicos e a sociologia dos conflitos ambientaisvii. A terceira coluna do Quadro 5 mostra que esse repertório aparece de forma enfática nos termos-chave identificados nos artigos, com alusões às diversas áreas da sociologia ambiental. Um dos entrevistados argumenta que “a sociologia ambiental e a comunicação ambiental se desenvolveram paralelamente”, o que explicaria a expressividade do seu repertório nos estudos da Intercom (Entrevista 05). Outros entrevistados argumentam que:

- A sociologia ambiental surge antenada com a visibilidade midiática das questões ecológicas e vai evoluindo à medida que a agenda verde se define e redefine (E31).

- O crescimento da projeção ambiental também abriu espaço para os cientistas sociais do ambiente apresentarem suas ideias tanto na esfera acadêmica como nas arenas midiáticas (E14).

- A complexidade da agenda ambiental abriu espaços para diferentes abordagens da sociologia e isso facilitou a nossa atividade de pesquisa, pois os conceitos emergentes “caíam como uma luva” para as nossas análises (E2)

Os conceitos da sociologia da comunicação aparecem em quarto lugar no repertório utilizado pelos estudiosos da comunicação e do jornalismo ambiental. Conforme Barros (2015b), a sociologia da comunicação contribui com o debate sociológico atual sobre a centralidade dos media na sociedade atual e sua influência nos processos, ações e interações sociais. Nessa perspectiva, os emissores midiáticos deixam de ser tratados como meros veículos, meios ou canais de expressão social e são analisados como instituições com padrões de comportamento específicos e lógicas de ação social organizadas e objetivadas em suas rotinas e dinâmicas e procedimentos que sobrevivem para além do limite de espaço e tempo. Assim, no caso da comunicação ambiental, os meios de comunicação estão diretamente implicados na produção de consensos e de valores que orientam a vida dos cidadãos e na representação das variadas vertentes e tendências da agenda verde. Para os pesquisadores entrevistados:

- O vocabulário da sociologia da comunicação aplicado ao campo da comunicação ambiental hoje em dia faz parte até do cotidiano dos cursos de graduação e com mais refinamento nos cursos de pós-graduação. Portanto, é algo que tem início já na formação dos estudantes, o que se torna quase corriqueiro para os pesquisadores (E 22).

- A sociologia da comunicação se aplica a todos os discursos midiáticos, mas no caso ecológico é ainda mais visível porque se trata de um conjunto de conceitos do tipo “guarda-chuva”, que pode ser utilizado na maioria dos casos. Além disso, é de fácil domínio por parte dos pesquisadores das áreas de comunicação e de jornalismo ambiental (E8).

- A sociologia da comunicação é usada como uma forma de reforço teórico, além de se tratar de uma linguagem amplamente conhecida entre nossos pares (E35).

As teorias sobre os movimentos sociais é a que apresenta menor ressonância dos estudos, com um pequeno bloco de conceitos, conforme se vê na última coluna do Quadro 5. Igualmente polissêmica, essa área de estudos apresenta diversas possibilidades analíticas (GOHN, 1997). No caso específico dos estudos sobre comunicação/jornalismo ambiental, a partir dos termos listados no quadro mencionado, observamos que os focos principais são a mobilização ambiental e o engajamento político-ecológico. Para os pesquisadores entrevistados:

- Estudar a mobilização do ponto de vista da comunicação é importante para se entender a composição e a organização dos públicos, sejam eles movimentos ecológicos organizados, sejam eles pequenos grupos localizados (E26).

- Os movimentos sociais fazem parte de uma tradição dos estudos midiáticos. Portanto, adaptar essa linha de pesquisa para os estudos ambientais foi quase uma necessidade para quem já militava nessa seara (E28).

- A diversidade de movimentos ambientais é muito grande. Por isso é importante estudar a relação deles com a mídia, pois trata-se de um vasto campo de estudos que requer um mapeamento detalhado dessa diversidade (E18).

A apropriação dos repertórios teóricos das ciências sociais pelos pesquisadores da Intercom constitui um tipo de operação epistêmica, ou seja, como os termos são enunciados em contextos específicos de conhecimento, distintos do contexto teórico dos quais são oriundos (MORTIMER; MASSICAME; TIBERGHIEN, 2007). As operações epistêmicas mencionadas, que ocorrem nas distintas áreas identificadas no Quadro 5, são coerentes com as análises sociológicas anteriormente mencionadas, a exemplo de Giddens (2009), para quem os cientistas sociais são metodologicamente orientados por processos hermenêuticos, tanto na construção do objeto de estudo como na escolha das categorias analíticas.

Nessa abordagem, é oportuno retomar a ideia de Latour (2004) no que se refere à construção social da ciência (2004), em que textos, conceitos e teorias assumem a função de personagens semióticos, ou seja, passam a servir de referência e farol em termos de prestígio científico e de discurso de autoridade. A análise das entrevistas aponta exatamente para essa perspectiva teórica em que o capital de reputação das ciências sociais é utilizado pelos pesquisadores das áreas de comunicação e de jornalismo ambiental como estratégia para construir redes fortes de pesquisa, segundo a lógica da ciência em ação (LATOUR, 2000).

O mapeamento do repertório teórico acionado pelos pesquisadores e as entrevistas reforçam a tese da proximidade epistêmica entre as ciências sociais ambientais e a comunicação ambiental, por variadas razões, com destaque para o uso compartilhado de conceitos básicos pelas diversas áreas. Esse compartilhamento ocorre no processo da ciência em ação, mas também na arena da difusão dos conceitos e da produção. Conforme observamos na análise, os cientistas da comunicação ambiental não atuam necessariamente como produtores de conceitos e teorias, mas principalmente como operadores epistêmicos, ou seja, destacam-se na aplicação das categorias teóricas oriundas do campo das ciências sociais. O que se deduz da análise das entrevistas é que esse procedimento é comum entre os pesquisadores da Intercom e que isso não compromete a reputação científica da área. Ao contrário, fortalece as redes de pesquisa e confere prestígio teórico aos estudos. “Não nos sentimos diminuídos porque usamos conceitos, teorias e metodologias das ciências sociais, pois entendemos que as interfaces disciplinares são da natureza da comunicação e nisso está a sua força e não a sua fraqueza”, argumentou um dos entrevistados.

O conjunto das entrevistas revela que a expertise das ciências sociais é acionada pelos pesquisadores da Intercom como estratégia de conquista de reconhecimento e prestígio entre os pares. Trata-se de um efeito de contágio comportamental, estimulado pela competição com os demais pesquisadores da área. É interessante ressaltar que a competição ocorre entre os próprios comunicólogos com os cientistas sociais. Como revela um dos entrevistados, essa competição se dá “na crítica dos cientistas sociais aos trabalhos apresentados pelos comunicólogos e no esforço de demonstração de coerência no uso dos conceitos derivados das ciências sociais pelos comunicólogos” (E35).

Por isso, os estudiosos da área de comunicação e jornalismo ambiental recorrem a pensadores de ampla aceitação e repercussão na comunidade científica em sentido amplo, a exemplo de Pierre Bourdieu, Bruno Latour, Anthony Giddens e outros. Os estudiosos da área de mídia e ambiente acionam, portanto, argumentos de autoridade já consagrados nas ciências sociais. Tanto os autores como os textos das ciências sociais são mobilizados segundo a lógica dos personagens semióticos (LATOUR, 2004).

Os repertórios teóricos das ciências sociais são agenciados, portanto, de forma intencional pelos pesquisadores entrevistados, com o propósito de fortalecer os regimes de verdade de suas teses e argumentos. A apropriação dos enquadramentos da sociologia ambiental e das demais áreas constitui uma estratégia de reforçar os regimes de verdade dos estudos de comunicação e de jornalismo ambiental. Trata-se do que Giddens (2009) denomina de verdade hermenêutica, ou seja, argumentos passíveis de interpretação situada e contextualizada, a partir do horizonte semântico dos agentes. Segundo Giddens, a verdade hermenêutica é baseada em uma rede de suposições e pré-entendimentos compartilhados. A argumentação aciona e mobiliza, portanto, sentidos que remetem a uma ordem discursiva que envolve intenso intercâmbio de códigos e de sentidos, conforme revela o estudo aqui apresentado.

Além de se tratar das dinâmicas da ciência em ação, nos termos de Latour (2000), a inserção das explicações oriundas das ciências sociais fortalece o caráter de rede do ambientalismo e de sua natureza de interdisciplina complexa (BARROS, 2013b), conforme foi abordado anteriormente. A rede de atores mobilizada pelas diferentes vertentes do socioambientalismo resulta da conexão de vários ramos dos saberes científicos agenciados por esses atores, com seus discursos e práticas. Assim, o conhecimento produzido pelos pesquisadores da Intercom articula argumentos de natureza multi e interdisciplinar como forma de busca de legitimação de suas práticas e redes de pesquisa.

5 Considerações finais

A partir do quadro acima exposto, observa-se que o principal modo de agenciamento dos repertórios das ciências sociais pela comunicação/jornalismo ambiental se dá pela perspectiva de quatro setores específicos das ciências sociais: conceitos sociológicos básicos, teoria do discurso, sociologia ambiental, sociologia da comunicação e teorias dos movimentos sociais. Os entrevistados consideram a comunicação ambiental um campo interdisciplinar por natureza, desde a sua formação. Portanto, recorrer às ciências sociais é positivo, pois amplia e fortalece as redes de pesquisas, além de aumentar a credibilidade dos estudos.

A análise permite inferir que a lógica de pesquisa em comunicação e jornalismo ambiental é similar à lógica da pesquisa sociológica, na qual o pesquisador atua como intérprete dos sentidos do mundo vivido, a partir da relação com os demais atores sociais na esfera pública. Essa atuação em rede, com suas estruturas de mediação simbólica, funciona como catalisador para a construção de trilhas sociais e culturais de interpretação da complexa agenda de pesquisa ambiental. Com base nesse pressuposto, reafirmamos o argumento de que os agenciamentos dos repertórios teóricos do campo das ciências sociais pelos pesquisadores em comunicação/jornalismo ambiental tem reflexo também no campo profissional. Afinal, os jornalistas também se apropriam dos repertórios e dos regimes de verdade dos cientistas sociais em seu trabalho diário de se reportar às pautas ecológicas. Nessa apropriação, esses profissionais ampliam as redes semióticas, ao traduzirem as análises sociológicas para o público leigo e aplicarem tais explicações ao campo da experiência empírica.

Em linhas gerais, podemos concluir que essa aproximação entre os dois campos apresenta uma configuração híbrida que mobiliza tanto os jornalistas como os cientistas sociais. Os jornalistas, em geral, passam por um período de formação e letramento sociológico nos cursos universitários, o que facilita a compreensão dos argumentos sociopolíticos, ao mesmo tempo em que constrói maior afinidade com o modo de argumentar das ciências sociais. Da mesma forma, com a centralidade da mídia nas sociedades contemporâneas e o fenômeno da midiatização, os cientistas sociais ficam sempre atentos aos processos de mobilização social e agenciamento do noticiário. Trata-se, portanto, de duas redes que ora entram em competição hermenêutica, mas também passam por ondas de cooperação epistêmica, portanto, ao contribuírem para ampliar o regime de circulação, a mobilidade e a permutabilidade de informações sociológicas e jornalísticas no campo ambiental.

Logicamente que ambiente, comunicação, jornalismo e ciências sociais são campos complexos e multifacetados, o que dificulta uma análise crítica universalizante. Entretanto, no âmbito do quadro de referência aqui delimitado, percebe-se a tendência para agregar representações sociais implicadas na lógica contemporânea da midiatização, ou seja, transmissão de ideias, valores e símbolos pelos meios de comunicação e pelos pesquisadores.

É oportuno ressaltar os argumentos colhidos nas entrevistas, os quais reforçam a natureza interdisciplinar do campo da comunicação ambiental, a proximidade epistêmica e metodológica com as diversas áreas das ciências sociais, a pluralidade de atores envolvidos na agenda verde e a consolidação de um modo já consagrado de fazer pesquisa pela rede de pesquisadores albergada pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares (Intercom), ao longo de seus quase 40 anos de atuação.

Em suma, podemos inferir que o somatório de todos esses fatores é que concorreu para ampliar o uso dos repertórios teóricos das ciências sociais pelos pesquisadores da área de comunicação e jornalismo ambiental, em consonância com os pressupostos da teoria multifatorial da notícia (SOUSA, 2000), o paradigma da complexidade, as noções de modernização reflexiva, sociedade de risco e de ator-rede, entre outros aspectos apontados ao longo texto. A lógica da ciência em ação aplicada ao estudo aqui realizado consiste principalmente em práticas de pesquisa que tentam consagrar e reforçar um modelo de pesquisa considerado pelos entrevistados como definidor epistêmico da natureza inter e multidisciplinar da comunicação e do jornalismo ambiental.

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Notas

i A partir de 2001 a Intercom passou a disponibilizar os anais eletrônicos do congresso anual em seu portal: <http://www.portalintercom.org.br/eventos/congresso-nacional/2001>. Consultado em 15/08/16.

ii Os trabalhos citados têm objetivos distintos do estudo aqui apresentado. Os dados são usados a partir da perspectiva da metanálise, que consiste no uso desse tipo de informação, mas para fins diferentes, com vistas a outros objetivos e problematizações.

iii Ao longo do texto usaremos a codificação da seguinte forma: E1 (entrevista 1) e sucessivamente.

iv Cabe esclarecer que, além de pesquisadores da área de Comunicação, também participam do evento estudiosos de áreas como Antropologia, Sociologia, Ciência Política e História, os quais também colaboram na articulação dos saberes sobre meio ambiente, de forma interdisciplinar.

v O total de 3.008 refere-se ao somatório da frequência dos termos nas 492 comunicações examinadas, ou seja, quantas vezes cada termo é citado em cada comunicação.

vi Para um panorama dessas vertentes, consultar Scott (2010).

vii Para mais informações sobre essas ramificações, consultar: Schmidt, 1999; Guivant, 2005; Ferreira, 2006; Sartore, 2012.

2 Essa constatação é amplamente reconhecida na bibliografia especializada. Para uma sistematização dessa relação, ver Barros e Sousa (2010).

Recebido: 26 de Setembro de 2016; Aceito: 02 de Outubro de 2018

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