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Ambiente & Sociedade

versão impressa ISSN 1414-753Xversão On-line ISSN 1809-4422

Ambient. soc. vol.21  São Paulo  2018  Epub 29-Nov-2018

http://dx.doi.org/10.1590/1809-4422asoc0123r2vu18l3td 

Temas em Destaque

PERCEPÇÃO AMBIENTAL E AFETIVIDADE: VIVÊNCIAS EM UMA HORTA COMUNITÁRIA1

EDUARDO CHIERRITO-ARRUDA1 

SOLANGE FRANCI RAIMUNDO YAEGASHI2 

EDNEIA APARECIDA DE SOUZA PACCOLA3 

RUTE GROSSI-MILANI4 

1. Mestre em Tecnologias Limpas e Sustentabilidade Ambiental pelo Programa de Pós-Graduação em Tecnologias Limpas (PPGTL, Unicesumar). Psicólogo. Docente no curso de Psicologia da Faculdade Cidade Verde (FCV) e pesquisador docente pelo PIIC-FCV. E-mail: prof_chierrito@fcv.edu.br

2. Doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Psicóloga. Docente Associada do Departamento de Teoria e Prática da Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Maringá (PPE-UEM). E-mail: solangefry@gmail.com

3. Doutora em Ciências Agrárias pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Bióloga. Docente do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias Limpas (PPGTL, Unicesumar). Pesquisadora do Programa Produtividade em Pesquisa do ICETI. E-mail: edneia.paccola@unicesumar.edu.br

4. Doutora em Saúde Mental pela Universidade de São Paulo (USP). Psicóloga. Docente dos Programas de Pós-Graduação em Tecnologias Limpas (PPGTL, Unicesumar) e Promoção da Saúde (PPGPS, Unicesumar). Pesquisadora do Programa Produtividade em Pesquisa do ICETI. E-mail: rute.milani@unicesumar.edu.br

Resumo

As hortas comunitárias buscam assegurar a promoção da alimentação saudável e da economia familiar. Contudo, tais espaços demonstram um potencial resgate de vínculos afetivos e promoção da coletividade. Objetivou-se analisar a percepção ambiental e os afetos dos usuários do programa Hortas Comunitárias em uma cidade do sul do Brasil. Foram entrevistados 14 usuários, em sua maioria aposentados e com mais de 60 anos. Adaptou-se o Instrumento Gerador de Mapas Afetivos para tornar os afetos passíveis de interpretação. Na análise de conteúdo constatou-se a percepção de um ambiente que facilita a restauração psicológica, a saúde mental, a qualidade de vida, as interações socioambientais, a produtividade, a alimentação saudável e a economia familiar. Os afetos experimentados foram frequentemente descritos com o sentido de identificar as hortas como ambientes restauradores e promotores de qualidade de vida, importantes mediadores da coletividade e da apropriação do ambiente.

Palavras-Chave : hortas comunitárias; mapas afetivos; psicologia ambiental; saúde ambiental

1 Introdução

As hortas comunitárias nas cidades podem trazer benefícios para o meio ambiente e para as comunidades locais. Sua implementação e manutenção são responsabilidade do poder público, que possibilita apoio técnico em conjunto com instituições educacionais e sociedade civil organizada (COSTA et al., 2015b). Tais espaços favorecem a regulação climática e a biodiversidade e, como tecnologia social, viabilizam economia familiar e saúde à comunidade humana (CARDONA; BARRETO, 2014; COSTA et al., 2015a; LUCENA et al., 2015).

Nos estudos exploratórios e descritivos destes ambientes, destaca-se o desenvolvimento da educação ambiental em ações de sensibilização com as escolas; o empoderamento social, ao favorecer a economia local e a força criativa dos processos de trabalho, com ênfase na liberdade, coletividade e emancipação; e a contracultura, marcada por movimentos que buscam uma nova possibilidade de viver nas cidades, como a permacultura e a agroecologia urbana (CALGARO; ALFONSO; ARAÚJO, 2013; BRAGA; ZAMITH, 2014; QUEVEDO et al., 2015). Contudo, será que as hortas possibilitam o resgate de vínculos e das tradições comunitárias ou familiares? E como os usuários percebem as vivências e interações socioambientais nestes contextos?

Em vista do interesse pela compreensão das vivências na relação pessoa-jardim comunitário, adotou-se o referencial teórico da psicologia ambiental nesta investigação. Nessa perspectiva, a percepção ambiental refere-se ao modo que as pessoas experienciam seu entorno, com ênfase nas dimensões físicas, culturais, sociais e históricas. O humano, ao situar-se em um campo espacial, por meio dos contextos que o envolvem, estabelece signos e significados, interpretando e atuando no ambiente (KUHNEN, 2011). Entre os elementos presentes nesse processo, a afetividade representa a resposta dialética a partir de um afeto intenso e centrado que irrompe o padrão de conduta, eliciando novos comportamentos por meio das ações fisiológicas e da história de vida das pessoas (SAWAIA, 2004 apud SALES et al., 2012).

Ninguém é afetado estando sozinho ou isolado. Mesmo em processos imaginativos, outra imagem age como proporcionadora. Assim, considera-se a experiência afetiva presente nas simbolizações das hortas uma ponte favorável para o comportamento pró-ambiental e social, uma vez que a percepção dos afetos aponta para a responsabilização dos indivíduos no cuidado ambiental. O espaço socioambiental pode facilitar ou dificultar a expressão de variáveis que regulam comportamentos pró-ambientais e pró-sociais. Desse modo, ambientes percebidos como positivos tendem a gerar tais comportamentos (CORRAL-VERDUGO et al., 2014). Essas variáveis representam dimensões entrelaçadas ao conceito de qualidade de vida, como a solidariedade inter e intrageracional, o respeito, a equidade, a preservação e a restauração ambiental. Em síntese, a qualidade de vida é anunciada no equilíbrio pessoal, relacional e ambiental (POL, 2009).

Entre os comportamentos observados a partir das apropriações e percepções do entorno, o conceito de territorialidade se constitui na ambiência que se faz na intersubjetividade das pessoas, em que construções socioespaciais são vivenciadas na sistematização mental das estruturas que se incorporam à vida cotidiana. As imagens da cidade são organizadas cognitivamente e analisadas na área de urbanismo por meio de mapas cognitivos, pois tendem a revelar aspectos de como os indivíduos se relacionam com o espaço construído ou natural (LYNCH, 2010). Na psicologia ambiental, a pesquisadora Bomfim (2010), com o objetivo de apreender os afetos atrelados à representação das cidades, ampliou o uso destes instrumentos e criou os mapas afetivos. A autora demonstrou que, por meio das simbolizações junto à construção de metáforas, é possível analisar a expressão subjetiva das pessoas nas representações veiculadas nos desenhos.

Considerando o potencial de promoção de vivências afetivas e de resgate das tradições familiares e comunitárias oferecido pelas hortas, procedeu-se o presente estudo, com o objetivo de analisar a percepção ambiental e os afetos dos usuários do programa Hortas Comunitárias em uma cidade no interior do estado do Paraná. Esse programa foi implantado em 2000 pelo poder público, que iniciou a construção das hortas em locais estratégicos, substituindo terrenos baldios com índices altos de resíduos sólidos dispostos de maneira irregular. O projeto foi viabilizado pela união das Secretarias do Meio Ambiente, dos Serviços Públicos e da Saúde, unidade que sustenta a interdisciplinaridade em prol de um espaço que possibilitasse aos cidadãos uma atividade econômica e uma alimentação saudável. Até o momento desta pesquisa, o programa atendia aproximadamente 700 famílias e a produção atingia 250 toneladas por ano, privilegiando-se princípios agroecológicos e comercializando os produtos na própria horta, em geral, pelos moradores dos bairros (O DIÁRIO, 2016).

2 Metodologia

Trata-se de um estudo exploratório-descritivo, realizado a partir de um estudo de caso, abordado de forma qualitativa. Este estudo foi realizado após apreciação e aprovação junto ao Comitê de Ética em Pesquisa, sob o parecer 1.953.029.

A investigação foi realizada em um jardim comunitário de uma cidade do interior do estado do Paraná, localizada no Sul do Brasil. A cidade foi fundada em 1947, inspirada nas cidades-jardins da arquitetura moderna. Marcada pela rápida expansão populacional, denota problemas ambientais que envolvem o processo de crescimento da cidade, entre eles o possível comprometimento dos recursos hídricos, mediado pelo crescimento da área construída nas periferias, assim como o aumento da quantidade de resíduos sólidos dispostos, que indicam desafios aos gestores e profissionais das áreas ambientais e sociais. Para mitigar e prevenir impactos ambientais, a cidade iniciou diversas ações, em comum com as políticas ambientais nacionais, para o desenvolvimento sustentável e a promoção de qualidade de vida aos cidadãos. Entre eles está o programa “Hortas Comunitárias”, criado a partir da união das Secretarias do Meio Ambiente, dos Serviços Públicos e da Saúde (MAROSTICA, 2010).

A pesquisa foi realizada in loco, com o objetivo de abranger a dinâmica natural do ambiente investigado. No decorrer de dois meses, 14 usuários participaram do jardim comunitário de uma comunidade urbana, selecionados aleatoriamente, de acordo com a disponibilidade em participar das entrevistas e diante do esclarecimento do objetivo da pesquisa, da garantia do sigilo em relação aos dados pessoais e da liberdade de escolha e resposta, sintetizados por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. As respostas foram registradas pelo pesquisador, que não interviu nos conteúdos apresentados, com o propósito de identificar as primeiras impressões que os indivíduos possuem sobre seus afetos e suas vivências nas hortas.

Foi aplicado um questionário socioeconômico com itens referentes ao sexo, idade, classe social, escolaridade, ocupação e histórico de habitação em área rural. Em seguida, os participantes foram convidados a questionar a vivência na horta comunitária e sua relação com a saúde mental, os afetos e a qualidade de vida. Em um segundo momento, foram convidados a elaborar um mapa afetivo referente ao jardim.

O Instrumento Gerador de Mapas Afetivos (IGMA) foi construído por Bomfim (2010), com o intuito de tornar os afetos passíveis de análise. Na produção de imagens e sínteses ligadas aos sentimentos e à relação com o entorno, as pessoas revelam suas percepções e afetividades com o ambiente. Neste estudo, os mapas foram adaptados para uma população majoritariamente idosa e com baixo nível de escolaridade; principalmente no que se refere à elaboração de metáforas e à exclusão do atributo “qualidade”, visto que os usuários apresentaram dificuldade em responder estes itens no estudo piloto, realizado em outro jardim de estrutura e contexto socioeconômico semelhante. A metáfora foi adaptada para a elaboração de “uma frase que representa a horta”, levantando-se as representações e signos, posteriormente desvelados no sentido e nos afetos descritos. Buscou-se a compreensão dos afetos e sentimentos, bem como a representação do ambiente. A orientação direcionada para os usuários foi de representar o jardim por meio de um desenho (mapa), sem avaliação da dimensão proporcional ou artística, seguida do convite para a elaboração de uma frase, com inquérito posterior, a fim de compreender a percepção dos moradores sobre os elementos desenhados.

A análise do mapa foi realizada por meio da quantificação e codificação de elementos apresentados, que transmuta os dados brutos em dados úteis. Esses dados permitem a catalogação das unidades de acordo com o tipo de desenho (cognitivo ou metafórico), com os afetos e com o sentido atribuído ao desenho e à metáfora. Os dados foram analisados de forma qualitativa nas codificações e categorizações temáticas, com base na análise de conteúdo de Laurence Bardin (2009). A expressão do entrevistado foi categorizada em temáticas, nas unidades de texto presentes em frases ou palavras repetidas, e tende a revelar representações, crenças e intenções de comportamento (SILVA; FOSSÁ, 2013; CAREGNATO; MUTTI, 2006). Como ferramenta de apoio para a análise dos conteúdos, foi utilizado o software MAQXDA-12, dispositivo aplicado em diferentes áreas de conhecimento para auxiliar análises qualitativas (ZAMITH-CRUZ et al., 2016). É importante destacar que algumas respostas foram enquadradas em mais de uma categoria, uma vez que uma resposta pode atribuir significados e sentidos em diferentes perspectivas.

3 Resultados

Os resultados referentes às características sociodemográficas estão descritos na tabela 1. É possível identificar que o grupo é homogêneo em relação ao gênero, com 7 homens e 7 mulheres. A faixa salarial “E” foi predominante no estudo. Quanto à escolaridade e ocupação, a maioria dos usuários se apresenta como aposentados e com ensino médio. Todos os usuários habitaram em área rural durante sua infância e/ou adolescência.

Tabela 1 Características sociodemográficas dos participantes 

Variáveis Grupo (n=14)
Gênero Masculino
Feminino
07
07
Idade 50 a 59 anos 06
Mais de 60 anos 08
Escolaridade Educação infantil 04
Educação Fundamental 02
Ensino Médio 08
Ocupação Aposentado 06
Representante comercial autônomo 03
Motorista
Auxiliar de produção
01
01
Costureiro 02
Dona de casa 01
Faixa salarial por família D (2 a 4 salários mínimos)
E (1 a 2 salários mínimos)
03
11

Fonte: Autores

A análise realizada pelo software MAXQDA-12 possibilitou a codificação e a frequência de cada tema representado pelos entrevistados nos mapas afetivos, como ilustra a tabela 2. Foram sistematizadas 7 categorias, de acordo com as seguintes atribuições: a percepção de um ambiente que promove “distração”, “ocupar o tempo” e “relaxamento” (n=6); saúde mental e qualidade de vida (n=3), relacionamentos (interação socioambiental) (n=2); produtividade (n=2), alimentação saudável (n=2) e economia e sustento (economia familiar) (n=2). A desagradabilidade foi referida uma vez no mapa e revela a incidência de contrastes na relação com o jardim.

Tabela 2 Resultados obtidos a partir dos mapas afetivos produzidos pelos usuários da horta comunitária. 

Categorias Sentidos
1. Distração e restauração 1.1 Distração/passar o tempo
1.2 Ocupar a mente
1.3 Sossegado
1.4 Livrar-se de pensamentos ruins
1.5 Esquecer problemas e dores.
2. Saúde mental e qualidade de vida 2.1 Aprazibilidade
2.2 “Como terapia”
2.3 Gratificação
2.4 Agradabilidade.
3. Produtividade 3.1 Produzir
3.2 Colher
3.3 Plantar.
4. Economia e sustento 4.1 “Salarinho”
4.2 Alimento para casa
4.3 Vendas
5. Alimentação saudável 5.1 “Saudável e sem veneno”
5.2 Produção orgânica
6. Relacionamentos 6.1 Interatividade
6.2 Compartilhamento.
7. Desagradabilidade 7.1 Desunião

Fonte: Autores

Os questionamentos auxiliaram a compreensão dos resultados obtidos nos mapas afetivos. A percepção de um ambiente restaurador foi a temática mais presente nas respostas dos participantes, que destacam a sensação de distração e o tempo de ocupação como eliciador de afetos positivos.

“...por que isso aqui é uma coisa que deixa a mente da pessoa bem livre, bem tranquila, bem sossegada, tira de muita vaidade...”

Entrevistado 06

É uma coisa boa né, a pessoa vem, conversa, distraí, é bom para a cabeça, para o corpo e para tudo. ”

Entrevistado 13

A saúde mental e qualidade de vida também foram constatadas nas respostas, por meio das manifestações de prazer, da percepção do jardim como “terapia”, da agradabilidade e do contraste saúde e doença. As percepções de benefícios vinculados à saúde são relatadas com ênfase pelo entrevistado 10, aposentado recentemente, que revelou a vivência da falta de atividade como algo potencial para a manifestação de enfermidades. Em outro relato é possível identificar afirmações de “pensamentos ruins”: nele, o entrevistado 11 apresentou a sensação de perseguição e inquietude, ligadas ao recente processo de aposentadoria, afirmando que a motivação de frequentar a horta e ocupar-se nela facilitou a superação destes pensamentos, que o impediam de sair de sua casa e conviver na comunidade.

Maravilha viu, emocionante mesmo, se eu não tivesse aqui eu estava doente, estava internado, sei lá, eu estava ficando dormindo dentro de casa. ”

Entrevistado 10

“(...) antes parecia que qualquer hora nego ia entrar dentro de casa, eu não saia de casa, sempre fechado, agora eu saio todo dia e melhorou, em casa eu ficava morrendo de tanto medo das pessoas, com a horta melhorou pra caramba, por que agora eu posso sair…”

Entrevistado 11

Salienta-se que o entrevistado 11 trabalhava como vigilante de segurança na cidade, e suas fantasias persecutórias denotavam a violência que enfrentava em seu trabalho e o medo das possíveis retaliações ou perseguições. Os afetos positivos que envolvem sua relação com o ambiente propiciaram uma melhora em seu quadro e constituem argumentos para a potencialidade “terapêutica” das hortas comunitárias.

Quanto à produtividade, as respostas contêm o sentimento de prazer na colheita e nas características das plantas. Na categoria economia e sustento incluem-se metáforas construídas e afetos que envolvem a renda familiar. Quanto à alimentação saudável, os usuários destacam a ausência de produtos químicos; nesta categoria, também foi possível identificar a presença de comportamentos pró-sociais e a percepção de saúde favorecida pelo consumo de alimentos orgânicos.

“...20 anos que tô aqui em (nome da cidade), a gente só tinha verdura no mercado pro cê compra, agora não, todo mundo tem seu canteiro... eu levo pra casa e o que sobra que não consigo come tudo, as vezes dou pro vizinho mais carente, eu vendo...”

Entrevistado 4

“...a hortaliça nós utiliza aqui da horta né, não tem agrotóxico e nós mesmo cuida para evitar de usar qualquer coisa que prejudique a saúde e ajuda bastante e a gente sente também no dia-a-dia né, a saúde já melhorou também...”

Entrevistado 1

A codificação da categoria “relações” abarca as interações socioambientais presentes nas respostas referentes à relação de vizinhança e ao vínculo com o ambiente. O entrevistado 9, nas conversas com as plantas e na vivência comunitária, relata o sentimento de agradabilidade. Por sua vez, o entrevistado 11 apontou descontentamento neste item: em seu relato, apresenta nomes que foram ocultados na transcrição e assinala o sentimento de agonia presente nas discussões entre os usuários.

“(...) fica conversando com os outros e distrai muito, aquele homem ali perto daquela placa lá, ele anda o dia inteiro, depois chega de tarde e fica conversando com plantas, isso é bom, distrai. ”

Entrevistado 9

“(...) A horta aqui é uma agonia... em tempo faz uma briga....”

Entrevistado 11

A seguir serão apresentados três mapas que ilustram as codificações e as temáticas abordadas neste estudo:

É possível destacar a representação cuidadosa das estruturas das hortas, organizada na síntese cognitiva (Lynch, 2010). Nele, o autor buscou demonstrar cada canteiro, com ênfase na descrição e nos detalhes, inclusive na tela de proteção do sol, representado pelo “x” que transpassa a horta. Na metáfora, sua construção remete à população e o sentimento de prazer e alegria são relatados.

Fonte: Autores

Figura 2 e Quadro 1 Mapa afetivo e inquérito do entrevistado 2. 

A estrutura remete ao modelo cognitivo. Os canteiros são representados com detalhamento, inclusive a produção das hortaliças e os caminhos. Na metáfora enfatizou a saúde e a produção, com atribuição de sentido no compartilhamento e nas interações socioambientais, completado pelo sentimento de solidariedade e de partilha.

Fonte: Autores

Figura 3 e Quadro 2 Mapa afetivo e inquérito do entrevistado 1. 

O canteiro é representado de modo isolado e possui caráter metafórico, que foi sustentado pela resposta do autor quando descreveu os sentimentos de tristeza e desunião, inclusos na convivência, e ao desejo de mais participação dos usuários.

Fonte: Autores

Figura 4 e Quadro 3 Mapa afetivo e inquérito do entrevistado 5. 

Entre os mapas apresentados, é possível identificar a efetividade do instrumento de Bomfim (2010) para a análise dos dados afetivos presentes na territorialidade e na percepção ambiental do entorno. Entre os sentimentos apresentados, é possível identificar a variabilidade e a representatividade destes nos desenhos. A seguir será apresentada a discussão dos dados obtidos com o aporte teórico da psicologia ambiental.

4 Discussão

O presente estudo apresenta apontamentos sobre as percepções de usuários de um jardim comunitário a respeito da afetividade e das vivências que estão presentes neste contexto socioambiental. Os principais temas codificados pelo instrumento dos mapas afetivos e presentes nos discursos dos entrevistados revelam a multiplicidade das vivências, das percepções e dos sentimentos experienciados no jardim comunitário. A variabilidade em questão se faz presente também na pesquisa exploratória realizada por Egli et al. (2016). Os autores apresentam 22 especificidades das hortas comunitárias que abrangem as dimensões socioambientais. Em comum com os resultados desta pesquisa, as variáveis encontram-se atreladas ao bem-estar individual, social e ambiental.

A presença de sentimentos positivos expressados nos mapas e nos questionamentos insere as hortas comunitárias na categoria de ambientes positivos. Estes espaços foram conceituados por pesquisadores da psicologia ambiental como ambientes, construídos ou não, facilitadores da realização humana em comum com a garantia da sustentabilidade (CORRAL-VERDUGO et al., 2014). Neste contexto, os fatores ambientais, sociais, econômicos e subjetivos, tendem a eliciar a sensação de bem-estar, por meio de uma dialética sistêmica, pois motiva condutas pró-sociais. Por exemplo, no item “sentido” abordado pelo entrevistado 1 (figura 3): “somos conselheiros, trocamos receitas, ouvimos histórias, cada pessoa, cada canteiro, tem uma história”. O compartilhamento, presente no discurso dos entrevistados na codificação “relações”, pode servir para sustentar ações de sensibilização ambiental na comunidade, uma vez que os afetos configuram importante atributo para a aquisição de novos conhecimentos, principalmente quando transmitidos por figuras locais da comunidade. Tais estratégias podem ser utilizadas pelo poder público nas ações comunitárias que envolvem temas de saúde e meio ambiente (KRASNY, et al. 2015).

A historicidade se faz presente e traduz memórias afetivas veiculadas ao ambiente de cultivo. Todos os entrevistados moraram e cresceram na área rural, passaram por experiências de êxodo e de inserção nos centros urbanos. A pesquisa sobre florestas em áreas urbanas de Pearce et al. (2015) demonstra que as memórias afetivas revelam o vínculo ambiental representado pela dimensão simbólica, e possibilitam sintetizar as vivências individuais e culturais em torno de um espaço físico. Todavia, a apropriação das hortas também acontece pela característica funcional, ou seja, a produtividade e a economia familiar.

Tanto a produtividade quanto a economia familiar foram temas encontrados neste estudo. A integração entre os aspectos históricos, naturais, funcionais e emocionais está presente na conservação das hortas e de espaços públicos (ROSTAMI et al., 2016). Os afetos que envolvem essas dimensões podem ser ilustrados na figura 2, em que o entrevistado atribui aos afetos de alegria e prazer o sentido da colheita e da valoração da plantação: “esta horta representa para a população terapia e sustento familiar, é fonte de renda”. As histórias compartilhadas e a relação de vizinhança nestes espaços são fundamentais para a manutenção das hortas e a promoção de saúde, de segurança alimentar e prevenção de doenças (COSTA et al., 2015a; EVANS et al., 2015; KEANE, 2015). A alimentação orgânica, vinculada com a produtividade, propicia autonomia e apropriação do espaço, (re)construído a cada cultivo (UREN et al. 2015).

Estreitar as dimensões culturais com a produtividade agrícola permite a reflexão sobre as tradições populares. O resgate simbólico presente neste estudo desperta um movimento singular face à desvalorização do campo, do plantar e do contato com a natureza em centros urbanos, e coloca em evidência a possibilidade de viver e coexistir de forma harmoniosa com o ambiente (ZACARIAS; HIGUCHI, 2017).

As relações e as trocas sociais permeiam o contato entre indivíduos com historicidades e vivências diferentes. Com isso, as colisões são necessárias nos espaços de proximidade para a construção da alteridade e da convivência (CAMPOS-DE-CARVALHO et al., 2011). Tais experiências foram constatadas neste estudo na figura 5 e na resposta ao questionamento do entrevistado 11. O contexto individual é colocado em cheque nas exigências da coletividade, ou seja, para que a produção aconteça a contento são necessários o engajamento e a superação de dicotomias entre os usuários (HALE et al., 2011). Freeman et al. (2012) destacam que as identidades dos indivíduos refletem na maneira de lidar com o jardim, e demonstram vivências, memórias e afetos particulares, o que reforça os apontamentos de Corral-Verdugo et al. (2014) sobre a necessidade da preservação do tecido social, da diversidade, do empoderamento possibilitado nas condutas pró-sociais, nas expressões afetivas e na compreensão empática.

As relações sociais vivenciadas nestes ambientes estão frequentemente vinculadas à conduta altruísta e ao compartilhamento, como indicam as codificações referentes à qualidade de vida e interações socioambientais. Todavia, embates acontecem e favorecem a urgência de conflitos. O trabalho com a psicologia de grupos ou comunitária, atrelado à perspectiva ambiental, favorece o entendimento e a intervenção em situações de divergências. É fundamental identificar os fatores que eliciam tais condutas e facilitar o significado emergente nestes discursos. O ambiente público reflete dicotomias entre indivíduos, com suas motivações privadas, conscientes ou inconscientes, e a experiência coletiva. Assim, a inserção de atividades e oficinas permitem a (re)organização do grupo, dos seus significados e significantes.

O sentimento de utilidade e o envolvimento no trabalho permitem aos usuários a participação ativa na comunidade em que habitam, e melhoram sua saúde física e mental. Neste estudo, os sentimentos mais recorrentes nos mapas e nos discursos dos participantes foram aqueles identificados como a “distração”, a “terapia” e a redução de estresse. Esses atributos são investigados pela psicologia ambiental no conceito de ambientes restauradores, e tratam-se de possibilidades de redução da fadiga mental, dos níveis de estresse e da ansiedade. Os ambientes restauradores facilitam a sensação de bem-estar e o equilíbrio, por meio da renovação da atenção direcionada para as atividades: neste caso, o cultivar. O jardim investigado apresenta a qualidade de escape, atribuída à capacidade dos usuários de se locomoverem a um local específico, envoltos em atividades de cultivo e em participação coletiva (ALVES, 2011).

A produtividade, tema destacado pelos participantes, também infere na percepção de um ambiente restaurador e justifica a presença desta qualidade em diversas expressões pelos usuários. Alves (2011) apresenta o conceito de fascínio, atrelado à percepção de um ambiente como restaurador. Na horta, este fascínio é produzido pelo cultivo e pelos elogios que recebem na colheita. Este estado permite a distração e o sentimento de despreocupação, dada a sabedoria atrelada à compreensão dos processos naturais. Assim, é evidente que a fascinação abrange o processo e o conteúdo (ALVES, 2011).

Os resultados apresentam também um alto índice de usuários idosos e recém-aposentados nas atividades comunitárias. Bastos et al. (2013) afirmam que, nas ciências sociais, o peso estrutural do processo de envelhecimento provocou o interesse de muitos pesquisadores. Esse movimento possibilitou o conceito de gerontologia social, destinado às tecnologias e possibilidades de incrementar o envelhecimento ativo. Entre os principais estudos, o “green care” é uma nova modalidade de tecnologia social que envolve os processos de saúde na relação com os espaços verdes. A conexão com a natureza é importante para os humanos e é considerada uma base construtiva para a saúde física e mental, sendo sustentada por diversos pesquisadores (SEMPIK et al., 2010).

O jardim investigado e as vivências dos entrevistados indicam diversos atributos do “green care”, entre eles a percepção de restauração (Entrevistado 6); a reconexão com a comunidade (Entrevistado 11); e suporte social ou implementação da renda familiar (Entrevistado 4). Com base nos estudos de Sempik et al. (2010), alguns elementos, como intervenções específicas visando tratamento, reabilitação social, treinamento de habilidades para o trabalho e educação ambiental, não foram identificados no jardim investigado e podem ser utilizados para futuras pesquisas interdisciplinares e ações do poder público. O potencial deste jardim como um ambiente positivo é mais um argumento para a viabilidade de incrementar estudos em educação ambiental voltada à comunidade.

4 Considerações Finais

O presente estudo possibilita uma nova abordagem nas investigações sobre hortas comunitárias, por meio da possibilidade de análise da afetividade ambiental e das vivências dos usuários para além do caráter utilitário comumente investigado. O instrumento dos mapas afetivos é uma importante ferramenta para facilitar a identificação dos afetos e dos sentidos atribuídos a estes. Assim, foi revelado que as afetividades e as vivências neste jardim abrangem a saúde mental e a qualidade de vida, as interações socioambientais, a produtividade, a economia familiar, e a alimentação saudável.

Entre os principais resultados, constatou-se a percepção de um ambiente que promove distração e relaxamento, ou seja, um ambiente restaurador e positivo. Nestes contextos, existe a possibilidade de intervenções que promovam a sustentabilidade e os comportamentos pró-sociais, pois são constructos necessários para a ética ambiental.

A desagradabilidade foi o afeto de contraste identificado na pesquisa, sugerindo que os ambientes de proximidade desencadeiam conflitos entre interesses individuais e coletivos. Mas, se superados, representam a possibilidade de alteridade e a garantia da autenticidade entre os usuários.

O local da pesquisa foi um jardim já organizado e com experiências sociais convencionadas por seus usuários, o que limita a generalização dos dados e sugere investigações em ambientes semelhantes ou neutros, que facilitem a correlação das variáveis encontradas. A amostra estudada provocou questionamentos sobre a inserção social do idoso e de pessoas que passaram pelo processo de aposentadoria. O envelhecimento ativo é um tema recorrente e que necessita ser explorado com mais profundidade.

Conclui-se que os afetos experimentados pelos usuários contribuem para a formação dos sentidos e representações do entorno, e também facilitam e promovem a restauração psicológica e a qualidade de vida. Todavia, a essência dos afetos é a capacidade de gerar sentidos e possibilitar a ação dos indivíduos em seu contexto socioambiental, modificando e construindo realidades.

REFERÊNCIAS

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1. Este trabalho foi realizado com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), do Instituto Cesumar de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICETI) e do Programa Institucional de Iniciação Científica (PIIC-FCV).

Recebido: 08 de Maio de 2017; Aceito: 16 de Agosto de 2018

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