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Escola Anna Nery

versão impressa ISSN 1414-8145

Esc. Anna Nery v.10 n.4 Rio de Janeiro dez. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S1414-81452006000400002 

FAC-SÍMILE

 

Apresentação

 

 

Antonio José Almeida FilhoI; Fernando Rocha PortoII; Lúcia Helena Silva Corrêa LourençoIII

I,II,IIIMembros da Diretoria Colegiada do Nuphebras

 

 

Este fac-símile trata do artigo intitulado "Aptidões e deveres da Enfermeira de Hygiene Mental", de autoria do Dr. Plínio Olinto, publicado na Revista Annaes de Enfermagem em dezembro de 1933. A obra atribui grande ênfase aos atributos fundamentais da enfermeira que atua na área de Higiene Mental, classificando-os em físicos, morais e intelectuais. Dentre as qualidades que essa enfermeira deveria ter estão: boa compleição, fisionomia agradável, gestos e maneiras delicadas, percepção clara, capacidade de atenção e fixação nítida, associação de idéias fácil, juízos e raciocínios prontos, coragem, piedade e paciência. Para o autor também seria fundamental que essa profissional fosse dotada de "muita afetividade bem regulada e sem exageros", o que significava dizer que deveria demonstrar sentimentos ponderados, emoções controladas e nada que se confundisse com paixão. A enfermeira deveria ter domínio da norma culta da língua pátria, noções de aritimética e de desenho linear, geografia, física, química, história natural e psicologia. A atuação da enfermeira se dava em três âmbitos, quais sejam, nos consultórios onde a enfermeira deveria revelar capacidade para ouvi-lo, pois essa era uma necessidade visível do "psicopata"; no domicílio cabendo a enfermeira as atividades educativas, fazendo anotações precisas acerca do meio em que vive o doente e analisar se a convivência deste é favorável ou prejudicial, cabendo-lhe também a administração de medicamentos prescritos pelo médico; e por último, no ambiente hospitalar no qual a enfermeira poderia ser "companheira de todos os momentos", administrando-lhe os medicamentos, alimentando-o, dando-lhe banho, fazendo-lhe dormir e "sofrendo com ele se preciso for". Neste artigo observamos que a enfermeira era uma profissional importante para cuidar do doente psiquiátrico, porém tal competência, incluía fortemente os aspectos morais e de controle dos sentimentos, o que era igualmente esperado da mulher naquele período.