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Escola Anna Nery

Print version ISSN 1414-8145

Esc. Anna Nery vol.13 no.3 Rio de Janeiro July/Sept. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S1414-81452009000300006 

PESQUISA

 

Cruz Vermelha Brasileira (filial São Paulo) na imprensa (1916-1930)

 

Brazilian Red Cross (São Paulo branch) in media (1916-1930)

 

Cruz Roja Brasileña (filial São Paulo) en la imprenta (1916-1930)

 

 

Fernando Porto I; Paulo Fernando de Souza Campos II; Taka OguissoIII

I Doutor em Enfermagem. Pós-doutorando na Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. Professor Adjunto da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e membro dos grupos de pesquisa LAPHE/EEAP, NUPHEBRAS/EEAN e História e Legislação da Enfermagem da EEUSP. Brasil. E-mail: ramosporto@openlink.com.br.,
II Doutor em História. Pós-doutorando da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, bolsista FAPESP. Pesquisador do Grupo de Pesquisa História e Legislação da Enfermagem da ENO/EEUSP/CNPq. Brasil. E-mail: pfsouzacampos@usp.br,
III Professora Titular da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, membro dos grupos de pesquisa LAPHE/EEAP e História e Legislação da Enfermagem da EEUSP (Líder do grupo), e Supervisora dos dois pós-doutorados. Brasil. E-mail: takaoguisso@uol.com.br

 

 


RESUMO

Este estudo teve como objeto dimensionar a visibilidade da Cruz Vermelha Brasileira, Filial de São Paulo, na imprensa escrita no período de 1916-1930. Seus objetivos foram: descrever e analisar sua visibilidade na imprensa escrita e discutir os efeitos da crença simbólica da Cruz Vermelha Brasileira à sociedade. Os documentos de análise foram oriundos de um portfólio, do Centro Histórico Cultural da Enfermagem Ibero-americana, da Escola de Enfermagem, da Universidade de São de Paulo. Os resultados foram analisados com base nas concepções de Pierre Bourdieu, que apontaram para o círculo da crença simbólica, quando foram veiculadas 1.089 notícias na imprensa nacional e internacional. Neste sentido, a cada publicação de notícia sobre a Cruz Vermelha Brasileira, esta divulgava o órgão central no Brasil e, consequentemente, também a Cruz Vermelha Internacional.

Palavras-chave: Enfermagem. Imprensa. História da Enfermagem.


ABSTACT

The objective of the present study is to dimension the Brazilian Red Cross, Branch of the State of São Paulo's visibility in the written media during the period of 1916-1930 . The objectives were to describe and analyze its visibility within the written media and to discuss the effects of the symbolic belief of the Brazilian Red Cross Society. Documents for analysis derived from a portfolio found in the Historical, Cultural Center for Iberian-American Nursing, of the University of São Paulo, School of Nursing. Results were analyzed based on Pierre Bourdieu's concepts which indicate a symbolic belief circle, when 1089 news were published in the national and international press. In this sense, for each publication of news about the Brazilian Red Cross, this disseminated to the central board and consequently to the International Red Cross.

Key words: Nursing. Press. Nursing history.


RESUMEN

Este estudio tuvo como objeto dimensionar la visibilidad de la Cruz Roja Brasileña, filial de São Paulo, en la imprenta escrita, en el período de 1916-1930. Sus objetivos fueron: describir y analizar su visibilidad en la imprenta escrita y discutir los efectos de la creencia simbólica de la Cruz Roja Brasileña de la Sociedad. Los documentos de análisis fueron derivados de un portafolio del Centro Histórico Cultural de la Enfermería Ibero-americana, de la Escuela de Enfermería de la Universidad de São de Paulo. Los resultados fueron analizados con base en las concepciones de Pierre Bourdieu que apuntaron para el círculo de la creencia simbólica, cuando fueron publicadas 1.089 noticias en la imprenta nacional e internacional. En este sentido, a cada publicación de una noticia de la Cruz Roja Brasileña, esta divulgaba el órgano central en Brasil y consecuentemente la Cruz Roja Internacional.

Palabras clave: Enfermería. Imprenta. Historia de la enfermería.


 

 

INTRODUÇÃO

O presente artigo pretende dimensionar a visibilidade da Cruz Vermelha Brasileira - Filial do Estado de São Paulo por intermédio da imprensa no período de 1916 a 1930. A delimitação temporal recobre o período de 1916 a 1930, por meio de um portfólio, preservado pelo Centro Histórico Cultural da Enfermagem Ibero-Americana, da Escola de Enfermagem da Universidade de São de Paulo.

O período se justificativa pelos recortes de jornais encontrados no portfólio na sala da Diretoria Acadêmica da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, quase que por acaso. Esse portfólio, de capa escura, chamou a atenção pelo volume e quantidade de páginas, duzentas e sessenta e nove. Nele, recortes de jornais e revistas, relacionados à Cruz Vermelha Brasileira - Filial do Estado de São Paulo. Cabe registrar, ainda, que não foi possível identificar o(a) organizador(a) desses recortes.

O Movimento Internacional da Cruz Vermelha foi fundado por Jean Henri Dunant, filho e neto de magistrados, nascido em Genebra, Suíça, em 1828. Sua história de vida permite reconhecer que Henri Dunant recebeu educação esmerada em literatura, arqueologia e história, que lhe deram bases para suas finas observações, realizadas em suas viagens pela África e outros países a negócios. No retorno de uma de suas viagens, em junho de 1859, passou pelo campo de Solferino, após uma batalha que havia sido travada pela Itália e França contra a Áustria, em que estavam envolvidas mais de 200 mil pessoas, das quais cerca de 40 mil encontravam-se feridas ou mortas. Os dois lados beligerantes haviam pisoteado com seus cavalos os que estavam caídos. Ele procurou ajudar no tratamento e ficou impressionado com o abandono e o sofrimento daqueles soldados. Retornou à Genebra com a ideia de fazer alguma coisa pelos soldados feridos, começou a falar e a escrever sobre o que presenciara, incitando outras pessoas e autoridades civis, religiosas e da nobreza a prestar ajuda aos feridos e propôs a construção, em tempo de paz, de sociedades ou associações permanentes em cada país, com enfermeiros e voluntários para dar assistência às pessoas em tempo de guerra ou catástrofe, sem distinção de nacionalidade1.

Henri Dunant conseguiu sensibilizar quatro expoentes da sociedade suíça Guillaume Henry Dufour, general veterano das guerras napoleônicas, o advogado Gustave Moynier e dois médicos, Theodore Maunoir e Louis Appia e com eles formou um "comitê especial de utilidade pública" para assistência aos feridos, que decidiu expandir essa ideia por meio de uma conferência internacional. Deste processo, em outubro de 1863, foi realizada uma conferência para discutir os princípios humanitários que dariam escopo ao movimento internacional, do qual participaram representantes de dezesseis países e quatro instituições filantrópicas. Esses princípios passaram a nortear todo o trabalho e levaram à criação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), com sede em Genebra, terra natal de Dunant, para a assistência aos feridos e necessitados, não apenas em tempo de guerra, catástrofe produzida pelos homens, mas em qualquer circunstância de catástrofes da natureza, como grandes terremotos, furacões, epidemias, inundações e secas1.

Em 1864, o governo suíço convocou uma nova conferência diplomática, em Genebra, com representantes de doze governos que adotaram o tratado preparado pelo CICV, denominado Convenção de Genebra, com a finalidade de dar assistência aos soldados feridos nos exércitos em campanha. Os signatários que ratificaram essa Convenção deveriam criar em seus respectivos países uma sociedade da Cruz Vermelha, de caráter civil quanto às funções, mas o pessoal enviado para o campo de guerra ficaria subordinado à disciplina militar do comandante. Por essa convenção, os hospitais militares e ambulâncias, assim como médicos e enfermeiras, seriam considerados neutros e a área do hospital seria zona de segurança. Todos deveriam usar um emblema, uma cruz vermelha sobre fundo branco, que passou a ser símbolo da organização em homenagem à Suíça, nas cores invertidas da bandeira daquele país. Essa convenção foi ratificada pelos doze países presentes, em 1864, e cresceu progressivamente, estando hoje presente em mais de cento e oitenta países. Estava assim concretizado o primeiro tratado de Direito Internacional Humanitário e o nascimento do voluntarismo1.

No Brasil, a Cruz Vermelha foi criada em dezembro de 1908, na cidade do Rio de Janeiro. Teve como primeiro presidente o médico sanitarista Oswaldo Cruz2. Em 1912, foi criada a filial do Estado de São Paulo ampliando o raio de ação dos princípios da Cruz Vermelha. Desde sua criação, a instituição atraiu a atenção por suas características humanitárias e por suas ações assistenciais, em tempo de guerra ou de paz, ações que foram veiculadas pela imprensa nacional e internacional de modo significativo. Tais notícias, especialmente as veiculadas sobre a Filial do Estado de São Paulo, visavam atrair interessados na manutenção da Cruz Vermelha no Brasil.

Os objetivos deste artigo são de descrever e analisar sua visibilidade na imprensa escrita e discutir os efeitos da crença simbólica da Cruz Vermelha Brasileira à sociedade.

O estudo se justifica pelas comemorações dos cem anos da Cruz Vermelha Brasileira (1908-2008), por meio da Filial do Estado de São Paulo, na contribuição da reprodução da crença simbólica na instituição, e sua relevância se pauta pelas articulações com a enfermagem brasileira no sentido da sua inserção no processo de profissionalização e construção da imagem da enfermagem brasileira.

 

METODOLOGIA

Os documentos utilizados foram matérias jornalísticas, escritas e fotográficas, oriundas do portfólio. Para sistematizar as informações, foi elaborado o instrumento com três campos, a saber: jornal, data dos registros noticiosos e o título da notícia, analisados pelos conceitos do sociólogo Pierre Bourdieu.

Os conceitos centrais aplicados ao estudo foram o poder simbólico da Cruz Vermelha Brasileira, no sentido de se fazer ver e fazer crer nas ações humanitárias da instituição à sociedade, e a crença simbólica, que possibilitou evidenciar a circulação desta para garantir poder e prestígio institucional.

Cabe ressaltar que a notícia constitui um processo de construção descritiva dos acontecimentos, pela linguagem própria de jornalistas. Essa linguagem revela, em discurso próprio, o relato sobre fatos da atualidade ou do passado (3). Os registros publicados nos jornais são considerados como fatos de uma determinada verdade, mediante princípios morais que norteiam a profissão jornalística, pois eles não o fazem com a intencionalidade de servir como fonte à pesquisa em história. Neste sentido, são registros revestidos, muitas vezes, de juízos de valor atribuídos por quem os escrevem. Além disso, para o jornalista, o passado é o dia de ontem, o que significa que os registros noticiosos carecem de perspectiva histórica (4).

As informações, nesse no portfólio, sobre as matérias jornalísticas referentes à Cruz Vermelha Brasileira totalizaram um mil cento e vinte e quatro. Ao ser aplicado para critério de seleção daquelas notícias referentes à Cruz Vermelha Brasileira de São Paulo, o corpus do estudo foi delimitado em um mil e oitenta e nove matérias jornalísticas. Com a delimitação do corpus do estudo, os registros noticiosos foram organizados de forma cronológica, que mesmo assim recobriu todo o período do portfólio (1916-1930), em um quadro demonstrativo que gerou uma representação gráfica a fim de evidenciar a visibilidade da Cruz Vermelha Brasileira pela filial do Estado São Paulo.

 

VISIBILIDADE E PODER SIMBÓLICO: A CRUZ VERMELHA NA IMPRENSA

O poder simbólico na concepção de Bourdieu5 foi aplicado aos resultados do estudo, e as notícias, quando veiculadas na imprensa escrita, capitalizam poder simbólico para a Cruz Vermelha Brasileira da filial do Estado de São Paulo. Segundo Bourdieu, para se ter consagração, é necessário estar no campo da produção de bens culturais com relações objetivas entre agentes ou instituições e espaço de luta, pelo monopólio do poder de consagrar, que se engendram o valor à obra e a crença neste valor6.

A aplicação dessa concepção pode ser explicada pelo fato de que o órgão central da Cruz Vermelha Brasileira estava localizado no Rio de Janeiro, à época Distrito Federal, e a Filial estava no Estado de São Paulo, e era subordinada institucional e simbolicamente ao órgão do Rio de Janeiro. Além disso, a Cruz Vermelha Brasileira era subordinada à Cruz Vermelha Internacional, com sede em Genebra. Logo, a subordinação à matriz, em Genebra, e ao órgão central no Brasil era um fato, bem como a reprodução deste na filial do Estado de São Paulo.

Esta lógica coaduna no círculo da crença, pois como a Filial do Estado de São Paulo era subordinada ao órgão central, no Rio de Janeiro, e este à Cruz Vermelha Internacional, a visibilidade se fortalecia no sentido institucional. Na concepção de campo, para Bourdieu, esse se encontra submetido às forças externas, pois é preciso levar em conta a sua lógica6. Para tanto, o campo é o jornalismo, pois ele é orientado para sua reprodução, pelo fato de os agentes terem o domínio de sua reprodução no entendimento pelo poder de vender notícias ou alcançar os melhores índices na formação da opinião pública por matérias que possibilitassem interesse de consumo pelos leitores.

Os temas abordados nas notícias sobre a Cruz Vermelha Brasileira, Filial do Estado de São Paulo, se reportavam de forma panorâmica sobre doações recebidas; atividades humanitárias, principalmente as voltadas à saúde infantil; comunicados e resultados das assembleias e divulgações de âmbito geral sobre a Escola de Enfermagem, veiculados na imprensa brasileira e internacional.

A veiculação das noticias, direta ou indiretamente, proporcionava visibilidade e apontava para a luta simbólica da Filial por manter as atividades humanitárias da Cruz Vermelha Brasileira. Neste sentido, é possível observar a existência da preocupação, por parte dos dirigentes, em manter transparência em torno das ações executadas, pois alguns registros evidenciavam o uso indevido da imagem institucional, por terceiros, em nome da Cruz Vermelha Brasileira, como permite entrever o registro que segue:

Pede-nos a directoria da Cruz Vermelha Brasileira que declaremos ser uma exploração a venda de um sello, cujo desenho é o emblema da República sobre uma cruz vermelha. Esse sello é uma contrafacção feita por especuladores; que procuram lucros à causa do prestígio daquella altruísta associação. O único sello emitido e autorisado pela Cruz Vermelha Brasileira, cujo desenho differe daquelle, não é posto à venda no commercio, mas passado por senhoras da commissão. Parece que a policia devia tomar conhecimento. (Jornal A Platea, 14/9/1917).

A publicação da matéria constituiu um exemplo do tipo do problema que a Cruz Vermelha Brasileira sofria com o uso indevido de seu símbolo institucional e que os seus dirigentes tentavam coibir. Porém, esta mesma imprensa veiculava obras humanitárias que a instituição realizava, como o caso do Hospital de Crianças, em Indianópolis, conforme o excerto abaixo, de matéria cujo título indicava "Cruz Vermelha. O Hospital para Crianças em Indianópolis":

Deve inaugurar-se brevemente, no bairro de Indianópolis, o Hospital para Creanças, que a benemérita Associação da Cruz Vermelha esta construindo (...)

Diversas enfermarias já se acham promptas, estando mesmo uma delas sob direção do sr. dr. Chiarffarelli, funcionando há algum tempo, ali existindo em tratamento 24 pequenos enfermos. (...) A directoria da Cruz Vermelha esta se esforçando para fazer a inauguração do Hospital dentro do mais breve espaço de tempo. (Jornal Paulistano, 2/4/1919)

Notícias como a veiculada na imprensa mantinham a crença simbólica na Cruz Vermelha, e a potencializava, pois algumas notícias se repetiam em diferentes periódicos, o que representava o efeito de campo para o jornalismo, que era o efeito da concorrência nas mídias pela divulgação dos acontecimentos da Cruz Vermelha Brasileira. O meio para se obter o produto eram as palavras, pois, como esclarece Bourdieu, o poder das palavras não reside nas próprias palavras, mas nas condições dadas às palavras ao se criar a crença6. O entendimento, neste sentido, é que a notícia repetida nos diferentes jornais potencializava o circulo da crença, por meio da representação do código de expressão "Cruz Vermelha" na construção do título das matérias, pois se tratava de instituição com credibilidade social pelas ações humanitárias desenvolvidas em âmbito internacional.

Nesta lógica, o campo jornalístico, ao mesmo tempo em que potencializava a visibilidade da Cruz Vermelha, por meio do círculo da crença simbólica, também se fazia consumir pelos leitores atraídos pelas notícias. Rosa e Cunha relatam que as editorações das páginas de jornal possuem intencionalidade direcionada. A técnica utilizada é conhecida pela sigla AIDA (Atenção, Interesse, Desejo e Atitude). Essa técnica é uma das estratégias que conduz o leitor a ser chamado para a leitura da notícia pelo interesse nela expressado, produzindo certo desejo de participação, por meio de alguma atitude ou posicionamento, se possível com a materialização de sua conduta7.

Além da veiculação de notícias na imprensa escrita brasileira, os registros noticiosos também circulavam em âmbito internacional. Exemplo disso são os registros intitulados "Um grande festival in benefeficio di ire isituz oni di carità" (Fanfulla, 4/10/1916) e "Ein Wolhtatigkeitsfest fur arme Kinder" (Deutsche Zeitung, 5/10/1916). Dentre as diversas notícias veiculadas na imprensa escrita, destaca-se a publicada em 1927, por força de uma das formaturas da Escola de Enfermeiras da Cruz Vermelha Brasileira, Filial do Estado de São Paulo. Duas fotos iguais foram publicadas como efeito do campo, uma no jornal Diário da Noite com o título da matéria jornalística "A Cruz Vermelha conferiu hontem a uma turma de enfermeiras" (Diário da Noite, 6/101927) e outra na imprensa ilustrada da revista A Cigarra com o título "Cruz Vermelha Brasileira", com a presença de dois homens entre sete mulheres formados pelo curso de enfermagem.

A Figura 1 representa uma foto do tipo posada, desenho geométrico retangular, com dezesseis retratados e com a seguinte legenda: "A assistência e as novas enfermeiras, posando para o "Diário da Noite'" (Diário da Noite, 6/1/1927).

A foto registra, ao centro, na posição sentada, Marie Rennotte, ladeada por dois homens e quatro mulheres, todos em trajes escuros. De pé, os formandos: Irmã Santini Vergani, Sylvia Ciola, Maria do Espírito Santos Paranhos, Alice Portugal, Carlota Mahulot Soares, Leonor Santos, Adelaide Barronovo, Lincoln Jorge Barroso e Jacynto Pimentel Cabral. As enfermeiras trajam uniformes de cor clara, véu e braçal com símbolo da cruz, e os homens, roupa clara e símbolo da cruz no gorro e no braçal. O gorro masculino ostentado pelos homens é semelhante àquele utilizado pelos médicos à época.

A presença de dois enfermeiros no texto fotográfico torna-se relevante, pois estudos da história da Enfermagem brasileira mencionam a presença do sexo masculino na Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras (1890), atual Escola de Enfermagem Alfredo Pinto, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, e no Curso de Enfermeiras da Policlínica Botafogo (1918)8,9. Neste sentido, a presença do homem no curso de Enfermagem da Cruz Vermelha Brasileira, Filial do Estado de São Paulo, redimensiona os estudos que tratam da presença masculina na Enfermagem brasileira.

As notícias veiculadas sobre a Cruz Vermelha Brasileira, Filial do Estado de São Paulo, eram um fato concreto. Esse fato possibilitava a visibilidade à instituição no âmbito nacional e internacional. O Quadro 1, a seguir, tem por finalidade demonstrar a amplitude da visibilidade da Cruz Vermelha Brasileira Filial do Estado de São Paulo.

Os números indicam a distribuição dos registros encontrados no portfólio, revelando a predominância da imprensa brasileira se cotejada com a estrangeira. Outro dado se refere aos registros sem identificação do veículo da notícia, o qual demonstra certa intencionalidade em preservar a memória institucional.

A Figura 2 representa o cruzamento dos resultados no total de registros noticiosos pela imprensa brasileira, estrangeira e daquelas sem identificação do veículo. Neste gráfico, é possível identificar, por meio das curvas, alguns aspectos, como os ocorridos nos anos de 1918 e 1927.

O ano de 1918 corresponde ao final da I Guerra Mundial e à epidemia da gripe espanhola. Nesse ano, a Cruz Vermelha Brasileira, Filial do Estado de São Paulo, promoveu o I Congresso da Cruz Vermelha, com notícias publicadas sobre organização e realização do evento, como evidenciam as manchetes "Cruz Vermelha Brasileira O primeiro congresso da Cruz Vermelha", divulgada pelo jornal Estado de S. Paulo, em 22 de julho de 1918, e "Cruz Vermelha Brasileira Primeiro congresso da Cruz Vermelha - os trabalhos de hontem: reunião na sede, leitura e discussão de novas theses o encerramento", publicada pelo mesmo jornal no dia 23 de julho de 1918. Os registros também apontam para a preocupação com o desenvolvimento de ações institucionais, como indica o seguinte excerto:

A Cruz Vermelha Brasileira atravessa actualmente uma phase de franca actividade. Enquanto as distinctas senhoras que dirigem ou trabalham afanosamente por desenvolvê-las, público recebe com sympatia os emprehendimentos feitos nesse sentido, auxiliando-se poderosamente. Nunca serà demais, porém, o auxilio à instituição tão benemérita e de tão vasto e complexo programa de acção. (Estado de S. Paulo, 22/9/1918).

Parece que o grupo de mulheres que atuavam na CVB-FESP desenvolvia muitas ações na instituição a fim de atrair e sensibilizar a sociedade, pois no final da mesma notícia se lê:

O número de sócios da Cruz Vermelha Brasileira é ainda diminuto. É, pois, necessário que, no cumprimento de um dever, todos os patriotas e todos os amigos do Brasil, vão à rua de São Bento número 66-A, inscrever seus nomes nas listas da Cruz Vermelha Brasileira, mediante uma mensalidade de 2$000 ou uma anuidade de 20$000. (Estado de São de Paulo, 22/9/1918).

Como se pode observar, o registro refere-se ao mês de setembro de 1918, um mês antes das altas taxas de acometimento da gripe espanhola pela população. Nos meses de outubro e novembro, cerca de 30% dos registros daquele ano noticiavam sobre o acometimento, nomes dos voluntários em atuação, doações e atendimentos realizados pela Cruz Vermelha Brasileira, abordagens que se podem exemplificar por meio do excerto a seguir:

Cruz vermelha Brasileira. Socorro alimentar Rua Direita, 34. A epidemia castiga horrosamente a população pobre de São Paulo. Muitas fábricas estão fechadas e os operários sem emprego. Muitas famílias têm os seus chefes doentes, nada ganhando para o sustento das mesmas! Há fome! A Cruz Vermelha Brasileira organizou seu serviço de socorro alimentar e distribui gratuitamente generosos alimentícios às famílias pobres, contra vales que são dados aos pobres pelos médicos da CVB e por autoridades, por ocasião das visitas feitas às casas dos doentes e depois de verificado no logar a situação dos necessitados. (...) A Cruz Vermelha Brasileira appella para a generosidade dos srs. NEGOCIANTES e AGRICULTORES e pede sempre novos donativos. Dai! Dai aos pobres, por intermédio da Cruz! (Sem identificação, 12/11/1918).

Cabe ressaltar que a maior frequência dos registros sem identificação ocorreu em 1918, do que se podem inferir duas possibilidades: a ocorrência intensa de notícias veiculadas na imprensa, sendo difíceis a captura e a organização dos registros noticiosos em meio ao contexto, e a carência de tempo na seleção e organização dos recortes jornalísticos. Em 1927, a curva do gráfico mostra-se acentuada: cerca de 50% a mais do que 1918. As temáticas veiculadas foram as mais variadas possíveis, desde festas beneficentes; comunicados sobre doações recebidas; campanhas para doações; construção do Hospital Pronto-Socorro; informes sobre a Escola de Enfermeiras da Cruz Vermelha; passando pelas ocorrências internas, como a posse da "nova diretoria".

Neste sentido, a alta frequência em 1927 representada pela curva gráfica se deve ao investimento de monta da Cruz Vermelha na construção do Hospital Geral e da Casa de Pronto-Socorro para atender a população paulista. No início de 1927, o jornal "Diário da Noite" (16/1/1927) publicou por dias seguidos a matéria intitulada "A subscripção do Diário da Noite em favor à Cruz Vermelha Brasileira de São Paulo A benemérita instituição de caridade e credora do apoio do povo". A matéria jornalística captada dos recortes consultados pode significar o efeito simbólico no campo jornalístico brasileiro e estrangeiro atribuído a Cruz Vermelha.

No jornal Diário do Povo (23/1/1923) foi publicado conteúdo do oficio de agradecimento encaminhado pela Cruz Vermelha Brasileira, de São Paulo, pela iniciativa sob o título "Cruz Vermelha Brasileira um officio da directoria desta filantrópica associação generosa iniciativa do `Diário da Noite'". O Jornal do Commercio (18/2/1927) publicou a relevante campanha para a construção do Hospital de Pronto-Socorro realizada pela filial da Cruz Vermelha Brasileira de São Paulo sob o título "Cruz Vermelha Brasileira de São Paulo". A imprensa internacional, do mesmo modo, contribuiu na divulgação das ações da CVB-FESP, como atesta a matéria publicada no jornal italiano Il Piccolo "A beneficio della Croce Rossa Brasiliana uma generosa iniziativa del Diário da Noite" (16/1/1927).

A população paulistana apoiou a campanha do jornal Diário da Noite, tanto que ao final do mês de janeiro de 1927, o mesmo jornal publicou a matéria intitulada "Subscripção do `Diário da Noite' em benefício da Cruz Vermelha já atingiram a 5:910$000 os donativos colhidos pelo nosso intermédio" (29/1/1927). Destaca-se que a construção de um Pronto-Socorro se justificava, segundo o jornal Diário da Noite (19/2/1927), pelo desamparo em que se achavam os pobres no Estado de São Paulo, pela deficiência dos meios de proteção, que tantas vezes fez que o enfermo indigente, e pela carência de leitos nos hospitais. São Paulo vivia um clima de euforia em torno da indústria que se estabelecia e potencializava a cidade como gerador de divisas para o país.

A historiografia sobre São Paulo considera que as décadas de 1920/1930 foram importantes para o crescimento das políticas de controle de social, criando uma rede institucional que visava reorganizar a cidade. O trabalho urbano e a forte concentração de imigrantes, migrantes e negros recém libertos faziam da cidade a mais promissora, moderna e cosmopolita do Brasil. As elites paulistanas, por outro lado, investiam no campo da saúde pública. A Faculdade de Medicina e o Instituto de Higiene, atualmente unidades da Universidade de São Paulo, davam escopo ao projeto de saneamento e reorganização do espaço urbano. Contudo, a campanha de captação de recursos para a construção do "Hospital de Pronto Socorro", evoca estratégias como as festas beneficentes.

O gráfico indica uma queda na visibilidade da Cruz Vermelha Brasileira, Filial do Estado de São Paulo, no ano de 1924. O contexto histórico permite indicar que o ano coincide com o que jornalistas intitularam a época da "Primeira guerra paulista", quando, naquele ano, com a revolta nos quartéis pelos tenentes, estoura a revolução em virtude da suspensão de algumas liberdades e direitos civis durante momentos de incerteza política como aqueles. O movimento dos jovens militares se acirrou e ficou marcado na história com o nome de Tenentismo10. Uma das possibilidades é que a situação política tenha impedido a publicação de outras matérias ou reduzido a visibilidade de outras ações que não fossem as do próprio Estado, oriundas do poder instituído.

A Cruz Vermelha Brasileira de São Paulo, contudo, se opôs no atendimento à população, um período considerado "de horror". Por outro lado, o horror deve ser relativizado no sentido de que o jornalista, como nos cita Bourdieu, usa óculos especiais para chamar atenção dos leitores para fatos de interesse próprio, voltado para o sensacionalismo, visando vender seu produto: a matéria, o jornal11.

A representação gráfica desvela o valor dos bens simbólicos e a sua duração6. Neste sentido, a visibilidade em alguns momentos se encontra em curso crescente ou decrescente e deve ser entendida como representações da duração da temática nos recortes de jornais de interesse do jornal, dos jornalistas e da população. A duração se refere ao tempo como um valor de distinção dos bens simbólicos. Fato é que a crença simbólica deixa marca no imaginário coletivo, determinando, no campo profissional, a preferência de uma enfermeira da Cruz Vermelha Brasileira, como é evidenciada no único anúncio entre os recortes jornalísticos contidos no portfólio.

Enfermeira. Precisa-se de uma, de preferência formada pela Cruz Vermelha, tendo prática de hospital e cirurgia. Bom ordenado. Cartas a José Fonseca. Jaboticabal. E.F. Paulista (Jornal Estado de São Paulo, 19/10/1928)

A preferência por enfermeiras formadas pela Cruz Vermelha Brasileira, Filial Estado de São Paulo, pode ser entendida como resultado da influência na crença simbólica da Cruz Vermelha Brasileira. Neste sentido, pode se inferir que a enfermeira formada pela instituição era depositária de valores e crenças simbólicas que representavam a credibilidade institucional de seus agentes sociais.

Esta estratégia de obter visibilidade da Cruz Vermelha Brasileira por meio de matérias jornalísticas em São Paulo, para circular sua crença simbólica, remete-se a outros estudos que também a evidenciaram.

O estudo intitulado "A Divulgação da Competência Técnica em Socorro das Enfermeiras da Cruz Vermelha (SP) nas Circunstâncias da Primeira Guerra Mundial" mostra que, durante a I Guerra Mundial, a Cruz Vermelha Filial São Paulo veiculou nas páginas da Revista da Semana o treinamento de enfermeiras da Escola de Enfermeiras de São Paulo da instituição, significando que, se fosse necessário, o Brasil poderia contar com mulheres preparadas no atendimento aos feridos de guerra12.

Em 1924, publicou-se um apelo na Revista da Semana, pelo jornalista e professor Escragnolia Doria, sobre que os restos mortais de Anna Nery repousavam no frio mármore, enquanto deveria ser aquecido com flores pela abnegação dedicada em vida aos feridos na Guerra do Paraguai em sua memória. Neste sentido, no ano seguinte, a Cruz Vermelha Brasileira, por ter a homenageada como sua precursora, toma para si a responsabilidade de iniciar o rito institucional em sua homenagem. Desta forma, a Cruz Vermelha Brasileira, em 1925, faz a primeira visita ao túmulo de Anna Nery, conforme sugeria Doria, e descerra um retrato pintado a óleo nas dependências do órgão central, no Rio de Janeiro. Estes ritos tiveram cobertura da imprensa à época, que noticiou à sociedade sobre as homenagens à Anna Nery feitas pela Cruz Vermelha Brasileira como uma forma de revitalização de sua memória e materialização da homenagem que Doria teria sugerido, corroborando a circulação da crença simbólica na Cruz Vermelha13.

No período de 1919-1925, no Rio de Janeiro, na luta simbólica pela construção da imagem da enfermeira, três escolas de enfermagem tiveram como campo de luta o jornalismo. Neste campo de luta simbólica, mensurou-se a visibilidade da Escola Profissional de Enfermeiras Alfredo Pinto, como um dos desdobramentos da Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras, atual Escola de Enfermagem Alfredo Pinto, da Escola Prática de Enfermeiras da Cruz Vermelha Brasileira, no Rio de Janeiro, e da Escola de Enfermeiras do Departamento Nacional de Saúde Pública, atual Escola de Enfermagem Anna Nery, pelos ritos institucionais, que quantitativamente evidenciaram o maior dimensionamento da última escola citada em relação às demais. Por outro lado, na visão qualitativa, a Escola Prática de Enfermeiras da Cruz Vermelha Brasileira, no Rio de Janeiro, obteve maior relevo, a ponto de os profissionais da imprensa apresentarem a representação objetal desta instituição a cruz na cor vermelha como elemento simbólico da Escola de Enfermeiras do Departamento Nacional de Saúde Pública, pela crença que aquela instituição já tinha à época2.

Neste sentido, como se pode observar, a Cruz Vermelha Brasileira reproduzia a crença simbólica em favor próprio, por meio da imprensa, ao ponto de os profissionais daquele campo inconscientemente, contribuírem na disseminação da crença simbólica na instituição.

Esta crença simbólica, no presente estudo, evidencia mais uma vez o poder simbólico da instituição no sentido de reproduzir e fazer circular a crença simbólica na Cruz Vermelha, o que lhe garantia poder e prestígio institucional.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As notícias veiculadas na imprensa escrita, nacional e internacional permitiram dimensionar a visibilidade da Cruz Vermelha, Filial do Estado de São Paulo, e o efeito de campo assumido pela imprensa. Os jornais veicularam notícias iguais ou semelhantes na tentativa de influenciar o leitor na formação da opinião, atributo conferido à imprensa, ou mesmo por não possuir um rol de matérias de interesse público, político, de âmbito nacional e internacional, da mesma potencialidade que a Cruz Vermelha Brasileira Filial Estado de São Paulo evidenciou.

As matérias jornalísticas sobre a instituição tinham a finalidade de esclarecer, sensibilizar e informar aspectos pertinentes ao contexto social no qual estava inserida. Desde modo, entre as ideias do estudo, em síntese, destaca-se o efeito simbólico da circulação da crença simbólica na Cruz Vermelha Brasileira, por meio da Filial do Estado de São Paulo, no período de 1916-1930, para a sociedade poder ver e poder crer como a instituição atuava em relação às demandas sociais. Além disso, fez circular que aspirava o movimento internacional da Cruz Vermelha, quando fundada por Henry Dunant.

Neste sentido, o estudo cumpriu seus objetivos na descrição analítica da visibilidade na imprensa e na discussão do efeito simbólico, por meio da crença nela investida com o intuito de capitalizar poder e prestígio. Por outro lado, se o estudo permitiu lacunas, acredita-se que ainda se tem muito a ser investigado sobre uma instituição centenária, mas ainda pouco pesquisada, em especial nas articulações com a enfermagem.

O presente estudo não teve a pretensão de esgotar as articulações entre a Cruz Vermelha Brasileira e a Enfermagem, pois se entende que esta deva ser objeto de estudo para outras pesquisas no sentido de preencher algumas lacunas da história da Enfermagem brasileira.

 

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Recebido em 15/08/2008
Reapresentado em 13/04/2009
Aprovado em 05/06/2009

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