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Escola Anna Nery

Print version ISSN 1414-8145On-line version ISSN 2177-9465

Esc. Anna Nery vol.19 no.2 Rio de Janeiro Apr./June 2015

http://dx.doi.org/10.5935/1414-8145.20150049 

PESQUISA

Serviço de Enfermagem do atual Hospital Federal de Bonsucesso (1950-1951): De laico a religioso

Servicio de Enfermería en el actual Hospital Federal de Bonsucesso (1950-1951): del laico al religioso

Camila Pureza Guimarães da Silva1 

Tânia Cristina Franco Santos2 

Maria Angélica de Almeida Peres2 

1Ministério da Saúde. Rio de Janeiro - RJ, Brasil.

2Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro RJ, Brasil.


RESUMO

Objetivo:

Discutir as repercussões da luta simbólica entre enfermeiras laicas e Irmãs de Caridade pela chefia do Serviço de Enfermagem para o referido hospital.

Métodos:

Estudo histórico-social. Fontes primárias: documentos escritos e depoimentos orais. Fontes secundárias: bibliografias acerca da temática.

Resultados:

Os dados organizados e analisados evidenciaram que as enfermeiras religiosas foram bem sucedidas em suas estratégias de luta pela ocupação de espaços de poder no hospital, logrando êxito na substituição de enfermeiras laicas.

Conclusão:

O habitus religioso associado ao capital social e capital simbólico, representado pelas importantes alianças com a direção do hospital, foram eficientes na luta por posições de poder e prestígio no hospital.

Palavras-Chave: História da Enfermagem; Serviço Hospitalar de Enfermagem; Escolas de Enfermagem; Hospitais Federais

RESUMEN

Objetivo:

Discutir las repercusiones de la lucha simbólica entre enfermeras laicas y Hermanas de Caridad por la autoridad del Servicio de Enfermería para el Hospital Federal de Bonsucesso.

Métodos:

Estudio histórico-social. Fuentes primarias: documentos escritos y testimonios orales. Fuentes secundarias: bibliografías sobre la temática.

Resultados:

Los datos organizados y analizados evidenciaron que las enfermeras religiosas fueron bien sucedidas en sus estrategias de lucha por la ocupación de espacios de poder en el hospital, logrando éxito en la sustitución de enfermeras laicas.

Conclusión:

El habitus religioso asociado al capital social y simbólico, representado por importantes alianzas con la dirección del hospital, fueron eficientes en la lucha por posiciones de poder y prestigio en el hospital.

Palabras-clave: Historia de la Enfermería; Servicio de Enfermería en Hospital; Escuelas de Enfermería; Hospitales Federales

ABSTRACT

Objective:

Discuss the repercussions of the symbolic struggle between laic nurses and Sisters of Charity on the leading position of the hospital’s nursing service.

Methods:

Historical and social study. Primary sources: written documents and oral testimonies. Secondary sources: bibliography on the theme.

Results:

The organized and analyzed data show that the religious nurses were successful in their fight strategies to occupy the spaces of power at the hospital, successfully replacing laic nurses.

Conclusion:

The religious habitus associated to the social capital and symbolic capital, represented by important alliances with the hospital board were efficient in the struggle for positions of power and prestige in the hospital.

Key words: History of Nursing; Nursing Service, Hospital; Schools, Nursing; Hospitals, Federal

INTRODUÇÃO

Este estudo tem como objeto a substituição das enfermeiras laicas por enfermeiras Irmãs de Caridade no serviço de enfermagem do Hospital do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Empregados em Transportes e Cargas (IAPETC), atual Hospital Federal de Bonsucesso, localizado no Município do Rio de Janeiro.

O contexto sócio-histórico do estudo é o de meados da década de 1950, no Rio de Janeiro, à época capital federal, na presidência do general Eurico Gaspar Dutra (1946-1950) e Getúlio Vargas (1950-1951), quando a política de saúde passou a atender às necessidades dos trabalhadores envolvidos com o processo de industrialização, criando os chamados hospitais modernos, tecnicamente mais sofisticados, os quais exigiam profissionais de saúde mais qualificados1.

Nesse contexto, o Hospital do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Empregados em Transportes e Cargas/IAPETC foi inaugurado, em 31 de janeiro de 1948, nos moldes preconizados pelo modelo do hospital moderno, construído com padrões tecnológicos e avançados para a época, sendo uma forma de cumprimento de uma das metas do programa político do governo Dutra (1946-1950)2.

A implantação do serviço de enfermagem foi coordenada por Cecília Pecego Coelho, enfermeira laica, que contava com o apoio de 18 enfermeiras e 25 auxiliares de enfermagem, provenientes da Escola Anna Nery (EAN). Tendo em vista o poder outorgado a esta Escola pelo Estado, mediante o Decreto nº 20.109/1931, isto lhe permitia indicar enfermeiras para inspecionar e controlar tudo o que se referia à enfermagem brasileira, garantindo-lhe o poder de enunciar o discurso autorizado acerca do ensino de enfermagem no país. Porém, desde o início do funcionamento do Hospital, havia condições para que religiosos atuassem na instituição, o que, também, abriu espaço para que as Irmãs de Caridade desenvolvessem estratégias e estabelecessem alianças para alcançarem os seus objetivos2,3.

Tal fato pode ser confirmado na cerimônia de inauguração do Hospital do IAPETC, quando ocorreu uma missa de ação de graças, celebrada por Dom Jorge Marcos de Oliveira. Além disso, outras alianças importantes foram estabelecidas, as quais colaboravam para a ida das Irmãs para o referido hospital, tais como: aliança política de Osvaldo Correa de Araújo (primeiro diretor do hospital) e Hilton Santos (presidente do IAPETEC) e desses com o Governo Dutra, quem mantinha boas relações com a Igreja Católica2.

As Irmãs de Caridade da Associação São Vicente de Paulo (ASVP) chegaram ao Brasil, ainda no século XIX, para assumirem instituições educacionais e hospitalares. Nessa época era possível observar o interesse da Congregação em expandir a sua atuação nos hospitais do país, isto, porque, já havia o reconhecimento, em diversos países da Europa, pelos bons serviços prestados em hospitais, especialmente, em setores como enfermarias, farmácia e economato4,5.

A entrada das Irmãs de Caridade no Hospital se deu em julho de 1948, quando o diretor do Hospital, Dr. Oswaldo Correa de Araújo, autorizou que a Irmã Vicência assumisse o Serviço de Economato (lavanderia, rouparia e refeitório), sendo esta a primeira iniciativa da ASVP para a ocupação do espaço social do Hospital do IAPETC. Vale ressaltar que era muito comum que esse tipo de serviço nos hospitais ficasse a cargo das Irmãs5,6. Posteriormente, foi firmado um Contrato entre a ASVP e o IAPETC, que consistia na Locação de Serviços prestados pela ASVP ao Hospital, durante as 24 horas do dia, o que contribuiria de forma significativa para a ampliação da atuação das Irmãs de Caridade no Hospital, onde aquelas que fossem diplomadas passariam a atuar, também, na assistência de enfermagem6.

Com a chegada das Irmãs de Caridade no Hospital do IAPETC deu-se início à divisão do espaço social e, portanto, ao estabelecimento de lutas simbólicas entre enfermeiras laicas e Irmãs de Caridade pela ocupação do mesmo. As enfermeiras laicas provenientes da EAN eram responsáveis pelas enfermarias, sendo denominadas enfermeiras encarregadas, contudo, as Irmãs de Caridade, aos poucos, foram dividindo com elas essa responsabilidade.

Sendo assim, gradativamente, as Irmãs foram se inserindo em todos os setores, aumentando o seu poder e ocupando todos os espaços sociais pertencentes à enfermagem laica, tendo apoio não só da Igreja Católica, como também dos dirigentes do Hospital do IAPETC. Essa situação não representava a realidade da enfermagem na sociedade brasileira, pois, na segunda metade do século XX, as religiosas foram dividindo espaços e sendo substituídas na maioria das instituições por enfermeiras laicas.

Assim, nos primeiros anos de funcionamento do Hospital do IAPETC, as Enfermeiras laicas diplomadas perderam espaços de poder no hospital, sendo substituídas por Enfermeiras religiosas, processo não ocorrido ou ainda não registrado em outros hospitais do Rio de Janeiro.

Diante do exposto, o objetivo deste estudo é discutir as repercussões da luta simbólica entre enfermeiras laicas e Irmãs de Caridade pela chefia do Serviço de Enfermagem para o referido hospital.

Este estudo se justifica pela necessidade de compreensão do poder exercido por mulheres enfermeiras laicas e religiosas na construção da história das mulheres na sociedade brasileira, além de registrar um momento da história da enfermagem em que ocorreu a substituição de enfermeiras laicas por religiosas, visto que, nesse recorte temporal, o movimento histórico era o inverso.

MÉTODO E REFERENCIAL TEÓRICO

Estudo histórico-social que tem como recorte temporal o período 1950-1951, que corresponde ao início do processo de substituição das enfermeiras laicas por Irmãs de Caridade no Serviço de Enfermagem do Hospital do IAPETC.

As fontes primárias incluem documentos escritos do Centro de Memória Matilde Nina e depoimentos orais de duas enfermeiras laicas e uma Irmã de Caridade. Os critérios de inclusão estabelecidos foram a atuação dos entrevistados no Hospital no período estudado, disponibilidade de tempo para conceder a entrevista e memória preservada. Quanto aos documentos, foi realizada uma busca para sua identificação, considerando como critérios de inclusão: data da elaboração do documento, relação do documento com outras fontes documentais e relação do documento com o período estudado. As fontes secundárias incluem artigos e livros pertinentes à temática em estudo. A coleta de dados foi realizada no período de março de 2009 a agosto de 2010, por de procedimentos que incluíram: análise documental e entrevistas, de acordo com a técnica da história oral temática, que permite o registro de testemunhos e o acesso às “histórias dentro da história” e, dessa forma, ampliam as possibilidades de interpretação do passado7.

As entrevistas foram gravadas nas residências dos depoentes, com duração entre 1h30 e 3h e transcritas por uma das autoras do estudo logo após a realização das mesmas. O texto foi encaminhado ao depoente para que ele realizasse o ato de conferência e validação, tendo sido respeitada a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Todas as depoentes permitiram a divulgação do seu nome na pesquisa e procederam a doação por meio de termo legal para o acervo de História Oral do Centro de Documentação da Escola de Enfermagem Anna Nery, permitindo a criação de fontes orais.

O projeto que deu origem a este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital Federal de Bonsucesso, em 12 de abril de 2010 (Protocolo: CEP-HGB 08/10). As fontes selecionadas foram submetidas à crítica interna e externa e relacionadas ao contexto histórico7. Dessa forma, os procedimentos de análise e interpretação, como classificação e contextualização dos dados, possibilitaram a discussão dos resultados à luz dos conceitos teóricos de apoio.

Buscando melhor compreender as lutas simbólicas entre Irmãs de Caridade, agentes do Hospital do IAPETC e as enfermeiras laicas pela ocupação do espaço social no Hospital do IAPETC, em meados do século XX, a leitura e análise do corpus documental, desse estudo, foram apoiadas em alguns conceitos da teoria do mundo social do sociólogo francês Pierre Bourdieu. Os conceitos selecionados foram: habitus (principalmente o habitus religioso e profissional), campo, capital (cultural, profissional, religioso, social e simbólico), poder simbólico e violência simbólica.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Luta simbólica entre enfermeiras laicas e enfermeiras – Irmãs de Caridade pela chefia do Serviço de Enfermagem do Hospital do IAPETC

O serviço de enfermagem do Hospital do IAPETC ficava a cargo de uma equipe laica de enfermeiras e auxiliares de enfermagem, sendo chefiado, desde sua inauguração, pela Enfermeira e Professora da EAN, Cecília Pecego Coelho, que era sobrinha do então diretor do Hospital, Dr. Osvaldo Correa de Araújo. Foi a Enfermeira Cecília, que antes mesmo da inauguração, organizou e preparou os setores do Hospital para o início de seu funcionamento2.

Ainda, na chefia de Cecília Pecego, ocorreu a primeira iniciativa da ASVP para a ocupação dos espaços do Hospital do IAPETC, em julho de 1948, quando a Irmã Vicência, pertencente à ASVP, assumiu o Serviço de Economato desse Hospital, a convite e apoiada por seus dirigentes6.

A ida dessa primeira Irmã de Caridade, que não era Enfermeira diplomada, para o Hospital do IAPETC foi possível devido ao relacionamento do diretor do Hospital, Dr. Osvaldo Correa de Araújo com a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia, onde trabalhou e onde as Irmãs de Caridade prestavam serviços desde 18522,5. Ademais, Dr. Osvaldo era um católico fervoroso, sobrinho da Irmã de Caridade Helena Duque Estrada, que trabalhava na Santa Casa e apreciava muito o trabalho das Irmãs de Caridade:

Meu tio [Dr. Osvaldo] trabalhou muito tempo na Santa Casa [...] Ele adorava as Irmãs de Caridade. Meu tio era um apaixonado pelas Irmãs, pelo trabalho das Irmãs, é claro [...] Ele estava necessitando de alguém que segurasse mais a questão dos funcionários da copa, cozinha, administração. A questão da rouparia também.

No trecho da entrevista supracitada, observa-se que, estando o serviço de enfermagem já funcionando com Enfermeiras laicas, o interesse do hospital em contratar Irmãs de Caridade não teve como argumento principal a atuação das mesmas no serviço de enfermagem e, sim, no economato. No entanto, apesar da posição de destaque da EAN no campo da enfermagem nacional e de a mesma ter contribuído decisivamente para a implantação do Serviço de Enfermagem do Hospital do IAPETC, a Enfermeira Cecília Pecego reconheceu que, pela vontade do diretor, seriam as Irmãs de Caridade as responsáveis por preparar o Serviço de Enfermagem da instituição:

Creio que ele [Dr. Osvaldo] entrou em contato com as Irmãs da Santa Casa [de Misericórdia do Rio de Janeiro], onde ele trabalhava. Mas elas não tiveram como fazer essa introdução da enfermagem no Hospital por estarem envolvidas com o serviço da Santa Casa.

A Irmã Maria Tereza Notarnicola que, posteriormente, foi chefe do serviço de enfermagem do Hospital do IAPETC, corrobora com essa afirmativa: “E quando ele [Dr. Osvaldo] foi [o diretor], a Cecília começou com o Hospital [implantação do Serviço de Enfermagem], mas ele queria gente que sustentasse o Hospital 24 h”.

De fato, a Enfermeira Cecília era cedida pela EAN, o que dava um caráter provisório a sua atuação, e o Hospital poderia, posteriormente, nomear uma enfermeira contratada pelo próprio IAPETC para assumir a chefia de enfermagem. No entanto, havia uma preferência do diretor do hospital por enfermeiras religiosas cuja trajetória de trabalho em hospitais sempre esteve ligada às características dessas mulheres. Principalmente, porque elas eram formadas pelas instituições religiosas para serem abnegadas, obedientes, humildes e subservientes, como prova da sua inclinação e compromisso para a vida cristã5. Além disso, as Irmãs de Caridade residem na instituição em que trabalham e não constituem família, fatos que permitem maior dedicação ao trabalho, trazendo vantagens financeiras para a instituição que as contrata.

Para formalizar a contratação das Irmãs de Caridade com a finalidade de prestação de serviços ao Hospital, foi celebrado um contrato do IAPETC com a ASVP, que garantia a permanência das Irmãs de Caridade na instituição durante as 24 horas do dia6. Para tanto, as religiosas residiam no Hospital, como afirma Irmã Maria Tereza Notarnicola: “Nós morávamos no Hospital para isso; qualquer coisa tinha um sinal [...] quando o sinal tocava tínhamos que atender".

Além disso, o Hospital do IAPETC passou a ser campo de estágio para as alunas da EELM, criada em 1939, conforme o padrão de ensino, cujo modelo era a EAN. Isso possibilitava à Igreja Católica a reprodução de seu habitus religioso; e mais que isso, a incorporação do habitus católico por moças laicas durante a formação acadêmica, para que após a formação pudessem reproduzir a ideologia da ASVP, tanto na vida privada como na pública8.

Vale ressaltar que, à época, a Irmã Matilde Nina era diretora dessa escola religiosa e havia estabelecido uma importante aliança com o diretor do Hospital do IAPETC, haja vista o conteúdo da Ata nº 9, da reunião de antigas alunas da EELM, datada 20 de setembro de 1948, presidida pela referida diretora. Nesse documento depreende-se que: apesar das Irmãs de Caridade da ASVP terem ocupado o campo da enfermagem no Hospital do IAPETC, a partir de março de 1949, a ida das Irmãs enfermeiras para a instituição já estava sendo acertada desde 19486. Diante disso, percebe-se, que, de acordo com a diretora, Irmã Matilde Nina, a formação de um maior número de enfermeiras com habitus profissional religioso era de suma importância para a ocupação desse campo.

Essas providências evidenciam que a Igreja visava conquistar ou preservar um monopólio mais ou menos integral de um capital institucional ou sacramental e que este “constitui um objeto de troca com os leigos e um instrumento de poder sobre eles9:58.” A Igreja, como já comentado, queria o monopólio no campo da saúde e na educação. Portanto, aproveitava cada possibilidade que havia para assegurar de alguma forma o seu espaço nos referidos campos.

A disponibilidade por parte das religiosas era muito vantajosa para o Hospital, que podia contar com os serviços das enfermeiras, professoras e alunas religiosas, cabendo ao IAPETC repassar à ASVP determinado valor em dinheiro e garantir assistência médica, residência e alimentação às Irmãs de Caridade e às alunas que nele, respectivamente, trabalhavam e estagiavam. À ASVP cabia manter um determinado número de Irmãs de Caridade trabalhando no Hospital e supervisionando as alunas, o que garantia uma assistência de enfermagem qualificada dentro dos padrões mais elevados de enfermagem, com redução de custos com pessoal por parte do hospital. Quanto a isso, Irmã Maria Tereza Notarnicola explica: “Nós não éramos funcionárias individualmente do Hospital do IAPETC. Eles [o IAPETC] pagavam à Congregação [ASVP] pelo número estabelecido de Irmãs”.

No que se refere à transferência do campo de estágio da EELM para o Hospital do IAPETC, vale ressaltar que o Hospital apresentava vantagens que iam ao encontro dos interesses das Irmãs, uma vez que a EELM tinha que atender às exigências legais do Decreto nº 20.109/1931. Esse Decreto-Lei, no parágrafo único, do artigo 7º, especificava que as escolas que não possuíssem um campo de estágio com todas as especialidades, determinadas por lei, deveriam enviar suas alunas a um hospital apto para oferecer tais experiências de ensino e aprendizagem, que era o caso do Hospital do IAPETC6.

Dessa forma, não só a transferência, como também a chegada da Irmã Matilde Nina, diretora da EELM, propiciou o estabelecimento de uma forte aliança com o diretor do Hospital, visto que a mesma, ao chegar em dezembro de 1948 para assumir a Divisão de Administração do Hospital do IAPETC, consolidou a permanência das Irmãs de Caridade nesse espaço social. Cecília Pecego confirma isto quando diz que: “A Irmã Nina (MATILDE NINA), em julho de 1948, esteve no Hospital do IAPETC com o objetivo de transferir o campo de estágio da EELM da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro para o referido Hospital”.

A respeito disso, Irmã Maria Tereza Notarnicola informa que: “o objetivo das Irmãs, desde o início era ir para lá [para o Hospital do IAPETC] por causa dos estágios para as alunas. Então, o pretexto que elas encontraram para irem foi porque o Dr. Osvaldo ofereceu estágio”.

A princípio, para Cecília Pecego estava claro o que as Irmãs queriam: “O objetivo das Irmãs era ter um estágio para as alunas; era o principal objetivo delas”. Entretanto, Cecília percebeu que não era somente a necessidade de campo de estágio que atraía as religiosas ao hospital: “[...] acredito que nesse primeiro momento [que a Irmã Matilde Nina chegou ao Hospital] ela já tinha como propósito assumir todo o Serviço de Enfermagem”.

Sendo assim, as Irmãs tinham como objetivo maior, mediante a introdução do estágio das alunas da EELM no Hospital do IAPETC, assegurar a sua atuação na administração e na assistência de enfermagem hospitalar. Para isso, as Irmãs procuraram associar o seu capital cultural institucionalizado ao capital religioso. As Irmãs enfermeiras ocupavam espaços sociais no campo da saúde de modo a garantir a continuidade das atividades da ASVP nos hospitais, por ela administrados ou em hospitais que viriam a administrar, mas com um novo habitus profissional religioso, baseado na ideologia cristã9.

Vale dizer que a tentativa do Dr. Osvaldo de inserir Irmãs de Caridade no Hospital do IAPETC foi bem sucedida e representa uma enfática demonstração do uso da violência simbólica referente a chefe do Serviço de Enfermagem, Cecília Pecego. O poder simbólico é um “poder invisível, o qual só poderá ser exercido com a cumplicidade daqueles que não querem saber que lhe estão sujeitos ou mesmo que o exercem10:7-8”. Implica também numa violência simbólica, onde o poder de fazer ver e de fazer crer, de produzir e de impor uma visão, depende da posição ocupada no espaço social10.

Sendo assim, quem detém capital simbólico mais eficiente num dado campo (dirigente do hospital) impõe ao outro (chefe do Serviço de Enfermagem) o que deseja; o que vai ao encontro de seus interesses. Em outras palavras, impõe ao outro um reconhecimento extorquido. Essa violência invisível e silenciosa se exprime por meio das coerções pontuais ou duradouras, a que os dominados se submetem, sem o uso da força física10,11.

Concomitantemente à transferência do campo de estágio da EELM da SCMRJ para o Hospital do IAPETC, as Irmãs iam assumindo as clínicas juntamente com as enfermeiras laicas, conforme relata Irmã Tereza Nortarnicola:

Em cada clínica trabalhava uma enfermeira laica e uma Irmã de Caridade. À noite também funcionava da mesma maneira: uma enfermeira [laica] e uma Irmã. Além disso, o estágio das alunas no período noturno era acompanhado pelas Irmãs de Caridade que estavam escaladas naquele dia.

Sendo assim, ao tempo em que as Irmãs de Caridade foram aumentando o seu poder, foram ocupando novos espaços e conquistando melhores posições na equipe de enfermagem, fortalecidas por serem portadoras de diferentes tipos de capital, tais como: capital cultural institucionalizado (enfermeiras diplomadas); capital social (apoio do diretor do Hospital e, por conseguinte, do presidente do Instituto); capital simbólico (grande reputação e prestígio). O capital econômico estaria ligado à ASVP, que tinha apoio do governo e de várias outras entidades que colaboravam financeiramente para as suas atividades filantrópicas.

Outros dois fatores que colaboraram para a ocupação do espaço pelas Irmãs e, ainda, formalizaram o apoio dos dirigentes a elas foram: a construção de uma capela no Hospital para que pudessem exercer suas atividades religiosas; e o acesso facilitado da Superiora das Irmãs ao diretor do Hospital do IAPETC, ignorando inclusive a autoridade do médico chefe de clínica, o que ampliava o poder de controle e intervenção desse diretor. Esse acesso facilitado conferido às Irmãs de Caridade pelo organograma do hospital foi descrito pela Irmã Tereza:

A Superiora ia falar com ele [diretor do hospital], nós só íamos quando ele nos chamava, num caso específico da nossa clínica. Quem intermediava era a Superiora que tinha acesso direto ao diretor. Não passava pelo chefe de clínica. As Irmãs conseguiam muitas coisas por ele [o diretor].

Essa perda de espaços e de posições, somada a embates entre enfermeiras laicas e religiosas causados pelas diferenças próprias de seus habitus, dificultava o relacionamento da chefe de enfermagem com o diretor e determinou que Cecília Pecego, enfermeira responsável pela organização e implantação do Serviço de Enfermagem no Hospital do IAPETC, pedisse exoneração de seu cargo de chefe desse Hospital, ainda, em 1949. A constatação de que não tinha condições de permanecer naquele jogo, por não ter força suficiente para jogá-lo, fez com que Cecília Pecego saísse de férias no mês de novembro de 1949, não retornando para dar continuidade às suas atividades no Hospital2.

Portanto, Cecília Pecego não aceitou a violência simbólica exercida pelo diretor do Hospital por acreditar que isso interferia em toda a organização do Serviço de Enfermagem sob a sua responsabilidade, como também afetava sua autoridade, saindo, portanto, do jogo de forças. Isso porque as relações sociais assimétricas são fruto de um embate, de um jogo, no qual os agentes interagem, tendo possibilidade de adquirir e acumular lucros simbólicos ou despender recursos. Os agentes que participam dessas trocas simbólicas, dando (dominado) ou recebendo (dominante), colaboram sem saber com um trabalho de dissimulação (característica do dominado) que visa negar a verdade da troca9. Cecília Pecego, ao compreender o sentido do jogo não aceitou a dominação.

Vale ressaltar que Cecília Pecego, que representava a enfermagem moderna e, portanto laica, sofreu pressões dos dirigentes do Hospital e das Irmãs de Caridade, tendo que travar lutas simbólicas, para continuar assegurando sua posição de poder e prestígio como chefe do Serviço de Enfermagem no referido espaço social. Contudo, como a mesma não dispunha de armas semelhantes, abandonou a luta em novembro de 1949.

Com a saída de Cecília Pecego da chefia do Serviço de Enfermagem, as enfermeiras laicas também foram se retirando daquele espaço social, porém não de uma só vez. Nesse sentido, os agentes que ocupam posições semelhantes, colocados em condições semelhantes têm toda a probabilidade de terem atitudes semelhantes6. Este parece ter sido o caso das enfermeiras laicas diplomadas pela EAN que trabalhavam no Hospital do IAPETC. Raimunda Becker afirma, em seu depoimento, que ao chegar ao Hospital do IAPETC, em 1951, na condição de aluna da EELM, não encontrou qualquer enfermeira laica do período da gestão de Cecília Pecego (1947-1949).

O fato das enfermeiras diplomadas pela EAN serem, em sua maioria, católicas e desde a sua formação escolar terem estudado em colégio de religiosas pode ter contribuído para a sua retirada do jogo de forças, como o que ocorreu com Cecília Pecego. Quando a chefe do Serviço de Enfermagem pediu exoneração de seu cargo e retirou-se do Hospital, parece que todas as outras seguiram o mesmo caminho, evitando embates com as Irmãs de Caridade. Não obstante, as enfermeiras laicas ficaram sem condições de continuar exercendo suas atividades em um espaço em que ao capital religioso era conferido um peso simbólico distinto. Isso porque a estrutura de um campo, que não é indissociável da relação direta com os seus mandantes ou representantes, determina a tomada de decisões, por intermédio dos constrangimentos e dos interesses que estão ligados a uma posição no campo10.

Após a saída de Cecília Pecego, Nilza Moraes Passos, assumiu a chefia de enfermagem por apenas dois meses, pois foi convidada para chefiar o ambulatório do IAPETEC. Com sua saída, quem assumiu foi Edith Oliveira, que fora deposta do cargo pelo diretor do Hospital, em 19516. A respeito disto, Irmã Maria Tereza Notarnicola comenta:

Eu cheguei no dia da deposição da Dona Edith. Pegaram-me no corredor e falaram: ‘A senhora vai tomar posse’. Eu disse: ‘ De quê? [RISOS] Eu não sei nem andar aqui dentro, como é que vou tomar posse? ‘Mas a gente obedecia a ordem de olhos fechados. Então eu fiquei 24 horas para aguardar a nomeação pela presidência do Instituto. A nomeação não podia ser interna. A Irmã Josefina ficou sendo chefe do Serviço de Enfermagem.

Segundo Irmã Maria Tereza Notarnicola, a ordem para que ela assumisse a chefia do Serviço de Enfermagem por 24 h partiu de sua Superiora, Irmã Matilde Nina, a pedido do Dr. Getúlio José da Silva, diretor do Hospital do IAPETC.

Esse poder de nomeação “representa a forma por excelência da palavra autorizada, palavra pública, oficial, enunciada em nome de todos e perante todos”. Ademais, esses atos são mágicos e bem sucedidos, porque são reconhecidos universalmente10:236. Por este motivo, ninguém recusa o ponto de vista, a visão que estes atos impõem. Assim, conforme o regimento do IAPETC, o diretor do Hospital tinha o poder de nomear e dispensar a chefe do Serviço de Enfermagem.

Com isso, mais uma estratégia da ASVP em aliança com o IAPETC foi viabilizada, qual seja, indicar uma Irmã de Caridade para assumir o cargo de chefe do Serviço de Enfermagem do Hospital do IAPETC. A escolhida foi a Irmã Josefina Filgueiras6.

Em 31 de janeiro de 1951, Getúlio Vargas retornou à presidência da República apoiado por Ademar de Barros, mantendo sua posição anterior, ou seja, favorável à Igreja. Portanto, o pano de fundo contextual da substituição das enfermeiras laicas por enfermeiras religiosas no Serviço de Enfermagem do Hospital do IAPETC é o da gestão do presidente Getúlio Vargas, autoridade político-governamental, cujo discurso era favorável às congregações religiosas católicas, por haver uma conhecida aliança entre o Estado e a Igreja12. Tais alianças garantiam as condições necessárias para preservar a luta pela ocupação de espaços prestigiosos na enfermagem pelas Irmãs de Caridade13 e como a Igreja Católica tentava manter sua hegemonia, as Irmãs de Caridade eram um instrumento necessário para disseminar na sociedade da época, a ideologia do cuidado religioso14.

Diante disso, o caminho foi aberto para a ocupação do campo pelas Irmãs de Caridade na chefia do Serviço de Enfermagem e, assim, as alianças anteriores que concediam grande volume de capital acumulado às enfermeiras da EAN foram desfeitas. Portanto, estas perderam espaços para se manterem exercendo a dominação simbólica, devido às fortes alianças entre o Estado e a Igreja, em uma visão macro; e entre o diretor do Hospital e as Irmãs de Caridade, em uma visão micro.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com os dados analisados é possível verificar que a luta simbólica entre as enfermeiras laicas e os agentes sociais do Hospital do IAPETC e as Irmãs de Caridade pela ocupação do espaço social do Hospital do IAPETC foi uma de muitas ações proveniente da aliança entre a Igreja Católica e o Estado.

A divulgação do modelo de enfermeira à época que deveria ser resolutiva e cristã apoiava as enfermeiras que haviam adquirido o habitus profissional religioso, apesar de haver um movimento da enfermagem voltado para uma profissão científica e laica. Diante a isso, o Serviço de Enfermagem do Hospital do IAPETC foi organizado, implantado e funcionou em seus primeiros anos nos moldes da EAN, pois esta contribuiu com a cessão de Cecília Pecego, com a formação de 25 auxiliares de enfermagem e ainda, com a ocupação do campo por dezoito enfermeiras por ela diplomada.

No período em que Cecília Pecego esteve como chefe do Serviço de Enfermagem teve que travar inúmeras lutas simbólicas, tanto com o diretor do Hospital do IAPETC, como com outros agentes sociais vinculados ao IAPETC e, ainda, com as Irmãs de Caridade, que passaram a integrar o campo a partir de 1948, sendo sua primeira estratégia a de assumir a Seção de Economato. Com a chegada de maior número de Irmãs ao Hospital, as enfermeiras laicas passaram a dividir aquele espaço social com as religiosas. Inúmeras estratégias foram criadas pelas Irmãs visando assumir o controle do campo, provavelmente, proveniente da força simbólica exercida pelos representantes da ASVP, que tinham como objetivo a ocupação dos espaços hospitalares.

Apesar de Cecília Pecego ter organizado e implantado o Serviço de Enfermagem do Hospital do IAPETC, não aceitou continuar fazendo parte do jogo de forças que considerava desfavorável à enfermagem e a ela mesma, que fora criada e praticava a religião católica, o que a levou a não conduzir adiante os embates com as religiosas da ASVP. Com isso, as enfermeiras laicas provenientes da EAN começam a perder o poder e o prestígio no campo e foram se retirando aos poucos, dando lugar às enfermeiras religiosas.

O Contrato estabelecido entre a ASVP e o Hospital do IAPETC, apesar de ter sido legalizado somente em 1952, representou uma importante arma legítima no jogo de forças empreendido entre as Irmãs de Caridade, agentes sociais vinculados ao IAPETC e as enfermeiras laicas pela ocupação do campo. Essa foi uma prova de que as alianças já estavam, previamente, estabelecidas; muito provavelmente as religiosas não implantaram o Serviço de Enfermagem naquele Hospital devido ao reduzido número de Irmãs capacitadas para tal empreendimento.

A ocupação do campo da enfermagem pelas religiosas foi determinada pela força de seu capital social e simbólico aliado ao habitus religioso. As Irmãs de Caridade tendem a reproduzir o habitus desejado pela organização religiosa a que estão vinculadas, caracterizando-se como agentes que participam da escolha do papel a ser desempenhado por elas dentro de sua organização religiosa e no interior do sistema de ensino, o que favoreceu o cuidado de enfermagem voltado aos princípios religiosos.

REFERÊNCIAS

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Recebido: 28 de Abril de 2013; Aceito: 21 de Fevereiro de 2014

Autor correspondente: Camila Pureza Guimarães da Silva. E-mail: milacami@ig.com.br

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