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Escola Anna Nery

Print version ISSN 1414-8145On-line version ISSN 2177-9465

Esc. Anna Nery vol.20 no.4 Rio de Janeiro  2016  Epub Aug 25, 2016

http://dx.doi.org/10.5935/1414-8145.20160090 

PESQUISA

Representações sociais de mulheres sobre o cheiro do leite materno

Representaciones sociales de mujeres sobre el olor de la leche materna

Gerlaine de Oliveira Leite1 

Fernanda Demutti Pimpão Martins1 

Michelline Santos de França1 

Bárbara Helena de Brito Ângelo1 

Maria Gorete Lucena de Vasconcelos1 

Cleide Maria Pontes1 

1Universidade Federal de Pernambuco. Recife, Pernambuco, Brasil.

RESUMO

Objetivo:

Analisar as representações sociais de mulheres acerca do cheiro do leite materno.

Métodos:

Estudo qualitativo, realizado em 2015, com 33 mulheres/puérperas em um hospital universitário de Pernambuco, por meio de entrevista individual semiestruturada. Os dados coletados, submetidos ao software IRAMUTEQ, foram interpretados à luz da Teoria das Representações Sociais.

Resultados:

Dentre as representações sociais, a aceitação foi predominante, mesmo quando a percepção olfatória do cheiro do leite era desagradável, prevalecendo a importância desse alimento para a saúde da criança. Outras representações foram o incômodo causado pelo cheiro e os cuidados para amenizá-lo, o apoio do companheiro, o desprendimento no relacionamento interpessoal e a caracterização do olfato/sabor do leite.

Conclusão:

A aceitação foi a mais expressiva entre as representações sociais sobre o cheiro do leite, porém constataram-se percepções desagradáveis, evidenciando que estas particularidades do leite humano devem ser incluídas nas orientações à mulher e à família desde o pré-natal.

Palavras-chave: Leite humano; Percepção olfatória; Teoria Social; Aleitamento materno; Enfermagem

RESUMEN

Objetivo:

Analizar las representaciones sociales de mujeres sobre el olor de la leche materna.

Métodos:

Estudio cualitativo, conducido en 2015, con 33 mujeres/puérperas en un hospital universitario de Pernambuco, por medio de una entrevista individual semiestructurada. Los datos recogidos, sometidos al software IRAMUTEQ, fueron interpretados con base en la Teoría de las Representaciones Sociales.

Resultados:

La aceptación fue predominante mismo cuando la percepción del olfato de la leche era desagradable, prevaleciendo su importancia para la salud del niño. Otras representaciones fueron el incómodo causado por el olor y los cuidados para amenizarlo, el apoyo del compañero, el desprendimiento en el relacionamiento interpersonal, y la caracterización del olfato/sabor de la leche.

Conclusión:

La aceptación fue la más expresiva entre las representaciones sociales, sin embargo se constataron percepciones desagradables, evidenciando que estas particularidades deben ser incluidas en las orientaciones a la mujer y su familia, desde el prenatal.

Palabras clave: Leche humana; Percepción olfatoria; Teoría Social; Lactancia materna; Enfermería

INTRODUÇÃO

As evidências científicas comprovam os benefícios do aleitamento materno à vida dos seres humanos. Apesar disso e dos esforços empreendidos pelos diversos segmentos da sociedade relativos ao incentivo à amamentação, as crianças não estão sendo amamentadas exclusivamente durante os seis primeiros meses de vida1. No mundo, apenas 34,8% dos lactentes receberam somente leite materno nesse período. No Brasil, essa taxa foi um pouco maior (41%) e a região Nordeste apresentou a pior situação do país (37%)2,3.

O aleitamento materno é um fenômeno complexo, uma vez que é influenciado pelo contexto histórico e pelos determinantes sociais e culturais, além de envolver variáveis de natureza fisiológica, psicológica e volitiva. Portanto, não é um ato instintivo e biologicamente natural4.

A valorização dos significados construídos na vivência das mulheres e relacionados ao aleitamento materno pode desvelar as suas reais necessidades e ser um importante caminho para o entendimento desse evento. Isso, contudo, requer uma atuação mais eficaz do enfermeiro, que precisa desfazer dúvidas e resolver problemas que permeiam a prática da amamentação, consolidando ainda mais a assistência prestada a essas mulheres5,6.

O aleitamento materno é amplamente estudado, mas informações sobre o cheiro do leite materno devem ser mais investigadas. A compreensão desta particularidade inserida no contexto da amamentação é essencial, visto que o ser humano é olfativo por natureza, interagindo, por meio do olfato, com o ambiente que o cerca a partir das sensações que podem ser agradáveis, desagradáveis, confortáveis ou incômodas7.

As percepções e sensações olfativas têm relevância e significado tanto nas questões relacionadas ao cotidiano da vida dos seres humanos como na prática da Enfermagem. Por isso, entender as emanações odorantes, incluindo o cheiro do leite materno, poderá complementar as ações de estratégias de educação em saúde, realizadas pelo profissional enfermeiro, proporcionando uma assistência mais qualificada, holística e adequada à mulher e à família7.

A olfação do leite materno pode estar permeada por vários tipos de influências, sejam científicas, culturais ou sociais. Todas acabam interferindo no saber de senso comum, nas práticas, atitudes, opiniões, estilos e modos de comportamentos, crenças das mulheres e da sociedade6,7. A Teoria das Representações Sociais possibilita captar esse senso comum, a interpretação pelos próprios participantes da realidade que se almeja pesquisar, permitindo a compreensão das atitudes e dos comportamentos de um determinado grupo social frente a um objeto psicossocial. Dessa maneira, essa teoria favorece o planejamento da assistência de enfermagem que, a partir dela, pode desenvolver intervenções mais eficientes, respeitando as características específicas de cada segmento social8,9.

As discussões e investigações sobre o cheiro do leite materno, com o intuito de relacionar os resultados à prática clínica e social para aprimoramento da assistência prestada, são oportunas, uma vez que esse cheiro pode estar associado a mudanças que influenciam nas atividades rotineiras da mulher e da sua família. Logo, o estudo das Representações Sociais sobre o cheiro do leite materno poderá favorecer a compreensão e o esclarecimento das questões subjetivas referentes a essa realidade.

Portanto, salienta-se a necessidade de investigar e conhecer como se dão, a priori, as representações sociais de mulheres sobre o cheiro do leite materno, para subsidiar estratégias que visem à melhoria da qualidade das orientações compartilhadas pela equipe de enfermagem durante as ações de educação em saúde a esse público específico. Assim, este estudo tem como objetivo analisar as representações sociais de mulheres acerca do cheiro do leite materno.

MÉTODOS

Estudo exploratório, descritivo, conduzido pela abordagem qualitativa, realizado com 33 mulheres/puérperas assistidas no Alojamento Conjunto do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC/UFPE), localizado na cidade de Recife-PE. O tamanho amostral foi estabelecido durante a coleta de dados, no momento em que as informações advindas do conjunto das entrevistas eram redundantes em relação ao objeto investigado, atingindo, dessa maneira, a saturação teórica10. Durante as visitas às enfermarias ocorreu a seleção dessas mulheres de acordo com os critérios de inclusão e exclusão.

As participantes do estudo foram multíparas maiores de 18 anos, com intervalo interpartal de até cinco anos, para evitar-se viés de memória, que conviviam na mesma residência com o marido/companheiro e amamentaram o penúltimo filho por, no mínimo, três meses, independentemente do tipo de amamentação. Foram excluídas mulheres com agravos à saúde e/ou cujos filhos apresentassem quaisquer patologias que tivessem impedido ou dificultado a amamentação.

A coleta de dados ocorreu entre os meses de março e maio de 2015, por meio de entrevistas individuais, guiadas por um roteiro semiestruturado, previamente elaborado, contendo perguntas sobre as características da amostra e questões norteadoras: como a senhora percebe o cheiro do seu leite materno? Você poderia falar do cheiro do seu leite no decorrer das suas atividades diárias? Você poderia falar do cheiro do seu leite no relacionamento entre você e o seu marido?

Após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, as entrevistas, com duração média de 15 a 20 minutos, foram gravadas em sala reservada no próprio setor hospitalar e transcritas na íntegra, no mesmo dia da gravação, para melhor descrição dos detalhes (risos, pausa, choro, entre outras reações). Em cada enfermaria, foram entrevistadas apenas duas mulheres/puérperas para que, deste modo, as repostas delas não influenciassem a das demais. Logo após a entrevista, foi solicitado à participante que ouvisse a gravação, para conferência de fidedignidade e validação do conteúdo10.

Os dados referentes à caracterização da amostra foram digitados e analisados no software SPSS (Statistical Package for the Social Sciences), versão 21.0, empregando-se técnicas de análise descritivas (mínima, máxima, média e frequência simples). As entrevistas transcritas foram organizadas em um único corpus submetido ao IRAMUTEQ, (Interface de R pour analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionneires), software de análise textual de acesso gratuito. Esse software permitiu a produção da Classificação Hierárquica Descendente (CHD), uma análise estatística que realiza partições no corpus até chegar às classes finais apresentadas pelo dendograma. Esse programa possibilita, ainda, a identificação do conteúdo lexical de cada uma das classes. Além da CHD, foi obtida a associação das palavras às classes por meio da associação de qui-quadrado das palavras11.

Esta análise foi interpretada e discutida à luz do referencial da Teoria das Representações Sociais, que reconhece a subjetividade e os conhecimentos dos indivíduos, adquiridos a partir de sua contextualização. Assim, permite a apreensão e a interpretação das atitudes e condutas referentes ao objeto da representação8,9.

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde/UFPE, conforme parecer nº 1.526.051, e realizada com base nas recomendações da Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012 do Conselho Nacional de Saúde do Brasil12. Para a preservação do anonimato das entrevistadas, as mulheres receberam nomes fictícios escolhidos por elas.

RESULTADOS

As entrevistadas estavam, na época da pesquisa, na faixa etária entre 20 e 42 anos, com média de 29,73 anos de idade. A maioria (72,7%) vivia em união consensual e 27,3% eram casadas. Quanto à escolaridade 51,5% e 18,2% não haviam concluído o ensino fundamental e médio, respectivamente; apenas 9,1% tinham terminado o ensino fundamental; 18,2%, o ensino médio; e 3%, o curso superior. Ressalta-se que 66,3% eram do lar e 33,7% possuíam outros tipos de profissão/ocupação (cabelereira, agricultora, manicure, auxiliar de serviços gerais, atendente, vendedora e pedagoga). No que diz respeito à renda familiar mensal, verificou-se que 24,2% sobreviviam com menos de um salário mínimo; 60,6%, com um a dois; e 15,2%, com três a quatro. Entre as participantes do estudo, 39,4% eram evangélicas; 36,4%, católicas; 21,2% não tinham religião; e 3% declararam-se cristãs.

O número de filhos variou entre dois e 14, com uma média de 3,39 filhos por mulher. A idade dos penúltimos filhos situava-se entre um e cinco anos - a média foi, então, de 3,42 anos. O tempo de amamentação oscilou entre três a 48 meses, apresentando uma média de 14,73 meses. O percentual das que amamentaram exclusivamente nos seis primeiros meses foi de 72,7% e o das que iniciaram o desmame nesse período, com a introdução de outros alimentos, foi de 27,3%.

O corpus textual analisado a partir da CHD foi dividido em 383 segmentos de texto (STs), relacionando-se 1.341 palavras que ocorreram 12.813 vezes. A CHD reteve 77,28% do total de STs, gerando 5 classes. O corpus foi dividido em dois subcorpus que, por sua vez, geraram duas novas subdivisões, uma à direita e outra à esquerda. Após nova divisão, chegou-se as classes 2 e 1, à direita. O subcorpus da esquerda originou a classe 5 e, em oposição, dividiu-se nas classes 4 e 3 (Figura 1). Todos os subcorpus representam os resultados de associação de palavras predeterminadas ao objeto "cheiro do leite materno", que foram consideradas estatisticamente significativas (p < 0,05) após aplicação da prova estatística do qui-quadrado.

Figura 1 Dendograma da Classificação Hierárquica Descendente do corpus sobre o cheiro do leite. Recife-PE, 2015.** p < 0,001; * p < 0,005. 

Após análise do dendograma e leitura dos STs referentes a cada uma das classes, estas foram assim nomeadas: Aceitação (Classe 1), Relacionamento com o companheiro (Classe 3), Cheiro do leite (Classe 5), Incômodo/Cuidados para amenizar o cheiro do leite (Classe 2), Relacionamento interpessoal (Classe 4). A seguir, as classes serão descritas, seguindo-se a ordem de partição e de proporção que representam em relação ao corpus total.

A Classe 1, intitulada "Aceitação", representou 22,64% das Unidades de Contexto Elementar (UCE). Essa Classe faz alusão a questões relativas ao sentimento de aceitação do cheiro do leite materno, independentemente da percepção olfatória da mulher, devido à importância que elas atribuíam ao leite para a criança.

Eu me acostumei depois que foi passando. Logo quando a criança nasce, não dá para sentir o cheiro de cru mesmo não. Aí, depois que o peito está mais cheio, tudinho, aí é que você começa a sentir na fralda e tudinho, mas aí você se acostuma..., é normal, já me acostumei já. (F.)

[...] mas é um cheiro que tem que aguentar. Para mim, que sempre achei um pouquinho nojento, tinha que aguentar, porque ela (filha) estava ali e dependia daquele leite pra sobreviver. (C.)

Quando ela (filha) estava cheirando bastante mesmo a esse leite, era satisfação dela está com a barriga cheia e dormindo. Aí até então, é aquela satisfação de dizer assim: "Ela está com a barriga cheia, eu não tenho que me preocupar com mais nada, está tudo certo. (P.)

A Classe 3, com 20,61% das UCE, foi denominada "Relacionamento com o companheiro". Assim como na Classe 1, na Classe 3, os maridos, de acordo com os relatos das mulheres, aceitavam o cheiro do leite materno sem fazer muitas objeções, ou seja, apoiavam a amamentação, reconheciam a importância deste alimento para a saúde da criança e também demonstravam curiosidade e interesse em experimentá-lo.

Ele (marido) sempre me ajudou assim nessa parte pra dar o peito a ela (filha), não mingau. Dar sempre o leite, dar sempre o peito a ela. Ele nunca falou sobre o cheiro. Uma vez, ele experimentou. Experimentou um pouquinho e ele falou que era gostoso, que era docinho. (Â.)

Apesar das percepções desagradáveis das mulheres quanto ao cheiro do leite materno, elas negaram a existência de mudança no relacionamento afetivo e sexual do casal.

Nunca reclamou não, nunca causou diferença entre nós dois não. (M.)

Com relação ao cheiro, nunca reclamou não... normal, não houve nenhuma rejeição da parte dele (marido). Pelo contrário, sabe?A gente sempre teve uma vida ativa, sexualmente falando ou, assim, no nosso contato, nunca da parte dele houve. Eu acho que o incômodo é mais da própria mãe. (R.)

A Classe que recebeu o nome "Cheiro do leite", constituída por 20,27% das UCE, foi a 5, por se referir justamente as características atribuídas ao cheiro do leite materno. A percepção olfatória das participantes variou entre um cheiro considerado normal, comparado a alimentos ou a outros tipos de leites, e a indiferença.

Não sentia diferença não. Normal como se fosse outra comida, um cheiro de comida: um macarrão (pré-pronto), um arroz, um feijão, um macarrão, uma carne (risos). (M.)

Eu sentia o cheiro do leite normal, como se fosse um leite é..., um tipo... Vamos supor, vou fazer um copo de leite (em pó enlatado), por exemplo. (Â.)

Pra mim não era fedorento não, era cheiroso mesmo. O povo diz que é catingoso, mas não é nada. (F.)

Entretanto, na maioria dos relatos, o cheiro foi comparado a odores desagradáveis, caracterizados por expressões, como "peixe cru", ou por adjetivos, como "azedo", "frio", "enjooso", "insuportável", e por vezes associados a sensações repugnantes.

Um cheirinho frio. É um cheirinho como se fosse de peixe, peixe cru, uma coisa assim. (C.)

Para mim eu sentia um cheiro de azedo. Sentia nada normal. Sentia assim aquele cheirinho meio enjoado e normal, um cheirinho bem enjooso. (M.)

[...] fedorento, insuportável, cheiro de cru! (F.)

Ah... era um cheiro muito ruim, fedorento. Era um cheirinho assim de cobra choca, sei lá..., um cheiro de cobra choca. Ah um cheiro velho enjoado... um leite como que está azedo. (R.)

Também é interessante registrar que, mesmo possuindo uma percepção negativa do cheiro do seu leite, houve uma entrevistada que revelou curiosidade em experimentá-lo. Assim, foi-lhe possível perceber que a característica atribuída ao sabor era idêntica à do cheiro.

Foi horrível! O gosto é um gosto de leite azedo. Eu achei meio azedo. Eu ainda... eu acho azedinho. É um cheiro de azedinho e um gosto de azedinho. (J.)

As mulheres ainda expressaram opiniões sobre o significado do cheiro para os seus filhos. Na visão delas, o leite materno deve possuir um odor agradável devido às atitudes que os lactentes apresentam ao entrarem em contato com esse cheiro.

Para o bebê, é sempre bom porque ele (filho) já sente o cheiro... antes de chegar, eles já estão sentindo. (J.)

Eu acho que deve ser muito gostoso pra ele (filho), porque, quando ele chega perto, já abre a boca, já fica querendo. (R.)

É só sentir o leite, ele (filho) já começa a esfregar o rosto em mim, começa a se alimentar através do cheiro (risos), começa a esfregar o rosto no meu peito [...] (J.)

A Classe 2, composta por 18,92% de UCE, foi nomeada "Incômodo/Cuidados para amenizar o cheiro do leite". Esta Classe expressa cuidados que as mulheres tinham para minimizar o incômodo que esse odor lhes causava, uma vez que é natural a sua propagação devido ao vazamento do leite no decorrer do dia.

Agora também tem que ter higiene, ter cuidado. Estar sempre lavando em cada mamada o peito. Deixar sempre limpinho. (D.)

Aí o peito, quando começava a fazer..., me melava toda. Aquele patetê medonho que era cheiro de peixe cru. [...] foi normal [...]tinha que lidar mesmo. (Ana)

[...] fica muito incomodada por causa do cheiro! A gente pensa que é o quê!? Que matou um peixe, colocaram ali no peito da gente. A primeira vez, quando eu tive minha menina, eu sentia isso. (M.)

Também citaram a importância da limpeza corporal para a saúde da criança, relacionando os cuidados adotados a partir da experiência com a amamentação. Elas enfatizaram cuidados, como: higienização das mamas após ofertar o leite à criança, tomar banho para suavizar o cheiro do leite e secar bem a região da mama para não deixá-la úmida.

[...] agora, já como eu já tenho experiência, toda vez quando a menina mama, eu limpo para não ficar fedendo. Até cheirando a menina, a gente sente o cheiro de peixe cru. O importante para gente é a limpeza, porque, se a gente não limpar o local que a menina mama, vai prejudicar ela e vai prejudicar a gente [...] O importante é a limpeza, a menino precisa de saúde. (M.)

Aí tinha que tomar banho tudo de novo, assim: dar de mamar, depois lavar o peito, enxugar, essas coisas. Normal. Foi normal, porque, assim, você, quando é mãe, tem que ter habilidade com as coisas do neném e as suas coisas do dia a dia. (D.)

A Classe 4, denominada "Relacionamento interpessoal", representou 17,57% das UCE e reporta ideias das mulheres sobre a relação entre o cheiro do leite e o convívio com as outras pessoas. Segundo elas, os indivíduos mais próximos das entrevistadas não faziam menção ao cheiro do leite, porém não tinham certeza de que esse silêncio era verdadeiro ou fundamentava-se na tentativa de não magoá-las. Entretanto, as mulheres frisaram que não deveriam se ater à opinião alheia sobre o cheiro do leite, pois isso poderia prejudicar o processo de aleitamento materno.

[...] tem a minha família, a família do meu esposo também que mora perto de mim e nunca causou problema entre a gente não. Também se causava..., ficava calado, ninguém nunca falou nada. (D.)

O povo diz que é fedorento, mas, se a gente for pensar nisso, não vai dar de mamar a nenhum. (F.)

Além disso, a Classe 4 revela o sentimento de medo das mulheres quanto a gerar percepções olfatórias desagradáveis do leite ao se aproximarem de outras pessoas.

No começo foi barra, porque eu mesma sentia o cheiro em mim. Aí eu ficava com medo de chegar perto. Ninguém chegou a falar nada e, se quisesse falar, não podia fazer nada, é aceitar. (P.)

Mais uma vez, percebe-se a representação de aceitação. Nessa Classe, esse sentimento vincula-se à aceitação das representações que outras pessoas do convívio diário das entrevistadas possuíam em relação ao cheiro do leite. Dessa maneira, a percepção olfatória desagradável poderia ser transformada em possível obstáculo para o desenvolvimento dos relacionamentos interpessoais.

DISCUSSÃO

As informações dadas pelas entrevistadas remetem ao cheiro do leite materno como elemento envolto por fortes contextos e significados. Ao caracterizarem-se as Representações Sociais dessa temática, toma-se como objetivo acessar o conhecimento de senso comum desse cheiro para, assim, compreender-se a relação dele com as práticas cotidianas das mulheres que amamentam e as implicações na vida delas.

A representação do cheiro do leite mais evidenciada pelas mulheres foi a de aceitação, mesmo quando a percepção olfatória lhes era desagradável. Isso porque, segundo elas, são muitos os benefícios da amamentação à saúde da criança. Esta aceitação diz respeito ao complexo representação/ação - tratado pela Teoria das Representações Sociais -, segundo o qual cada indivíduo desenvolve uma maneira de agir frente ao objeto de representação13.

Aspectos epidemiológicos demonstram que a oferta do leite humano à criança ultrapassa a esfera biológica, alcançando a dimensão psicológico-afetiva, o que promove o fortalecimento do vínculo entre mãe e filho. Além disso, esta prática confere vantagens às mães e à sociedade como um todo1. Além do somatório de sentimentos e desejos adequados e estimuladores à lactação, as mulheres reforçam a importância da amamentação e priorizam-na em detrimento de outras questões da vida, do seio feminino14 ou mesmo, conforme se viu neste estudo, do mau cheiro do leite materno.

A presença do cheiro do leite na criança, segundo as informantes do estudo, significava que o seu filho se encontrava bem alimentado, o que as deixava satisfeitas, capazes de suportar, ou até mesmo de acostumarem-se e aceitar esse odor. A representação deste contentamento decorrente do ato de aleitar revela realização, gratificação e prazer, sentimentos que ajudam na mudança de atitude e/ou comportamento frente à ação de amamentar15.

Os companheiros também aceitavam o cheiro do leite, conforme declararam as mulheres (Classe 3). Eles não manifestavam opiniões sobre o odor, evitando comentários que poderiam ser indelicados. Ao invés de rejeitarem, apoiavam a prática do aleitamento devido aos benefícios desse leite para a vida dos filhos. Isso significa que os pais o reconhecem como imprescindível para o desenvolvimento do bebê, percebem as inúmeras vantagens e o consideram-no o alimento mais completo para a criança16.

No relacionamento afetivo e sexual, as mulheres revelaram não ter havido mudanças, tampouco rejeição por seus companheiros em decorrência do odor do leite. As entrevistadas é que disseram sentir-se incomodadas com esse cheiro. Isto pode ocorrer devido ao fato de as percepções olfatórias a uma dada substância odorante diferirem de pessoa para pessoa. Assim, o que é ofensivo para um indivíduo pode ser aceitável para outro17. Em outras culturas, ao contrário dos resultados deste estudo, alguns homens evitam ter relações sexuais com suas esposas no período da amamentação por conta das percepções olfatórias desagradáveis sobre o cheiro do leite materno18. Essas crenças construídas a partir do senso comum podem influenciar o comportamento sexual do casal, visto que cada indivíduo terá uma experiência olfativa única e individual17.

O apoio paterno à amamentação também foi enfatizado dentre as representações sociais das mulheres, mesmo quando o cheiro do leite foi considerado inconveniente. Isso consolida o vínculo entre mãe, pai e bebê, e encoraja a mulher a manter, por mais tempo, o aleitamento, pois a aprovação do pai a essa prática é primordial para o sucesso dela18.

Embora as mulheres deste estudo tenham relatado que os companheiros não se manifestaram sobre o cheiro do leite materno, elas afirmaram que houve a curiosidade do cônjuge em conhecer o sabor, definido por ele como "gostoso e docinho". Esse interesse em experimentar o leite também surgiu nas próprias mulheres. De fato, no período puerperal, as mulheres lidam com as modificações no corpo e na sexualidade. Nesse momento, pode acontecer o desejo de o cônjuge em provar o leite de sua companheira. A sexualidade não está, limitada à relação sexual ou à reprodução, mas integra a vida do indivíduo em todos os âmbitos, passando por transformações à medida que o indivíduo vivencia novos momentos19.

O gosto do leite pode estar atrelado à percepção olfatória à qual as mulheres atribuíram diferentes características. Algumas consideraram um cheiro "normal", semelhante a certos alimentos ou a outros tipos de leite. Porém, na maioria dos casos, as falas remeteram às percepções olfatórias desagradáveis, como: peixe cru, azedo, enjoado, frio, fedorento, insuportável, "cobra choca". Afirmaram também haver mudança desse cheiro no decorrer do processo de amamentação.

Essa percepção não é ilusória, visto que o leite materno é extremamente variável em teor de nutrientes, sabor e cheiro, de dia para dia e de refeição para refeição, dependendo do estágio da lactação materna, do estado metabólico da nutriz, e do volume de leite consumido20. Soma-se a isso a interferência da dieta da mulher durante o período do aleitamento materno, pois os alimentos ingeridos e metabolizados pelo organismo podem alterar o odor e o gosto do leite21.

Também houve menção ao significado do cheiro do leite para os filhos, enfatizando-se como esse odor chama a atenção da criança. O estímulo causado pelo cheiro do leite apresenta vantagens para o recém-nascido quanto à maturação e evolução da sucção22. Além disso, há considerações sobre a estimulação sensorial (cheiro, toque, olhar) do recém-nato que acontece durante o contato íntimo da amamentação, a qual promove o envolvimento entre a mulher/mãe e seu filho, e a formação do vínculo afetivo23.

Nas falas das mulheres, constataram-se dois processos indissociáveis da Teoria das Representações Sociais: objetivação e ancoragem. A objetivação relaciona uma ideia não familiar à realidade, tornando-a verdadeira essência da realidade. Já ancorar é classificar, dar nome a algo24.

A partir desses conceitos, percebe-se que a mulher tem em mente que, durante o ciclo gravídico-puerperal, uma das experiências a ser vivida é a oferta de leite materno ao seu filho. Entretanto, quando finalmente o bebê nasce, chega esse momento novo e real, com todas as situações e sentimentos que permeiam a prática da amamentação, inclusive o cheiro do leite. Ao sentir esse odor, a mulher classifica-o e nomeia-o. Porém, na busca de superar a resistência causada pelo cheiro do leite, ela coloca-o em determinada categoria, dando-lhe um rótulo, o rótulo de odor que faz parte do alimento mais rico que pode ser ofertado aos seus filhos, tornando-o conhecido e passando a aceitá-lo.

No processo de ancoragem, as pessoas passam a transformar o estranho e perturbador em comum e familiar24. A permanência do cheiro do leite no corpo da mulher pode representar incômodo, entretanto, na tentativa de amenizar essa sensação causada por esse odor, as mulheres passam a aceitá-lo, realizando os cuidados de higiene corporal (Classe 2), auxiliando, consequentemente, na manutenção da saúde de seus filhos. Essas representações de desconforto causado pelo cheiro do leite materno e a ação de aderir a esses hábitos - higienização das mamas antes de amamentar e banhos para minimizar o odor -, são significados construídos durante a vivência da amamentação, que podem estar embasados em ensinamento e aprendizado social, advindos das relações coletivas17,25-27.

Nesse sentido, a Enfermagem pode contribuir com orientações, como manter roupas pessoais, principalmente as da mãe, e de cama limpas e sem leite, lavando-as adequadamente e trocando-as com uma maior frequência. Deve-se informar, também, que determinados alimentos precisam ser evitados ou reduzidos na dieta da mulher, pois possuem a capacidade de modificar o cheiro do leite materno. Dessa forma, esse odor se tornará mais agradável e deixará de ser um fator desencadeante de incômodo.

Quanto ao relacionamento interpessoal, as entrevistadas informaram que as pessoas mais próximas, na maioria das vezes, não faziam quaisquer referências ao cheiro do leite. Entretanto, isso não significa a ausência de percepções olfatórias desagradáveis desse cheiro, mas o silêncio necessário para evitarem-se transtornos nos relacionamentos interpessoais, ou até mesmo na relação mãe e filho. A amamentação pode ser visualizada pela sociedade como prática natural, contudo o processo do aleitar e, em particular, o cheiro do leite, envolvem diversas situações que norteiam os sentimentos das mulheres15.

Isso pode decorrer das representações que a sociedade compartilha a respeito do odor do leite materno. Algumas situações presentes durante a lactação, dentre elas as mudanças no cotidiano e no corpo da mulher, e o desconforto causado pelo cheiro do leite materno podem gerar dificuldades para a amamentação15.

As representações das mulheres acerca do cheiro do leite auxiliam na melhor compreensão dos significados, concepções e visões que a convivência com este odor durante a lactação proporcionou a elas. Ademais, colabora para aprofundar o entendimento da subjetividade que envolve a amamentação. Essas representações podem contribuir com o desenvolvimento de práticas educativas promovidas pela equipe de enfermagem, de forma que sejam mais adequadas às necessidades deste público específico, para que possa lidar de maneira mais confortável com o cheiro do leite28,29.

CONCLUSÃO

O cheiro do leite foi representado por odores de alguns alimentos ou considerado desagradável, porém predominou o sentimento de aceitação desse cheiro em função dos benefícios do leite à saúde do filho. No sentido de minimizar esses odores de características variadas que levam ao incômodo, as lactantes cuidam da higiene corpórea com mais frequência, para que o seu aroma seja representado pelo cheiro do próprio corpo. As mulheres demonstraram desprendimento em relação aos julgamentos das outras pessoas sobre o cheiro do leite materno, de modo a não interferir na amamentação, o que favorece o relacionamento interpessoal. Segundo elas, a relação afetiva e sexual do casal não sofreu modificações, visto que os cônjuges aceitavam o cheiro do leite, apoiavam a prática à amamentação, reconheciam a importância desse alimento para a saúde do filho, e a presença do leite despertou o interesse de experimentá-lo, tanto por parte do homem quanto da mulher.

Portanto, é necessária a formulação de novas estratégias de atenção em saúde que abordem uma visão ampliada da amamentação, incluindo aspectos relacionados ao odor do leite materno. Isso porque conhecer essas questões olfatórias pode contribuir para o planejamento de ações em saúde e de Enfermagem mais condizentes com as necessidades das mulheres-mães que vivenciam a amamentação, com o objetivo de amenizar o desconforto causado pelos odores do leite e auxiliar na manutenção da prática de aleitar, do vínculo entre mãe e filho, dos relacionamentos interpessoais e no bem-estar da mulher.

As limitações deste estudo consistem na realização de entrevistas com um grupo específico de mulheres/mães em uma determinada realidade e, portanto, os resultados não podem ser generalizados. Assim, recomenda-se o desenvolvimento de pesquisas cujos participantes sejam os homens/companheiros e/ou outros membros da rede social da mulher para acrescer o conhecimento acerca das representações sociais sobre o cheiro do leite materno. Além disso, urge investigar mais essa temática, tendo-se em vista a constatação de percepções olfatórias desagradáveis sobre o cheiro do leite materno e a possível interferência dessas percepções no cotidiano de vida da mulher. Ademais, o reduzido número de publicações encontradas demonstra que são imperativos maiores investimentos na produção científica para aprofundar o conhecimento nessa área e, assim, subsidiar ações de saúde e de Enfermagem mais condizentes com as necessidades desse público.

REFERÊNCIAS

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Recebido: 01 de Maio de 2016; Aceito: 06 de Julho de 2016

Autor correspondente: Fernanda Demutti Pimpão Martins. E-mail: fhernandapimpao@yahoo.com.br

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