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Escola Anna Nery

Print version ISSN 1414-8145On-line version ISSN 2177-9465

Esc. Anna Nery vol.22 no.4 Rio de Janeiro  2018  Epub Nov 08, 2018

http://dx.doi.org/10.1590/2177-9465-ean-2018-0130 

PESQUISA

Qualidade de vida após o tratamento do câncer do colo do útero

Rafaella Araújo Correia1 
http://orcid.org/0000-0002-1549-8214

Cristine Vieira do Bonfim1  2 
http://orcid.org/0000-0002-4495-9673

Daniela Karina da Silva Ferreira1 
http://orcid.org/0000-0003-1786-7965

Betise Mery Alencar Sousa Macau Furtado3 
http://orcid.org/0000-0001-6344-8257

Heitor Victor Veiga da Costa2 
http://orcid.org/0000-0003-2525-6689

Kéllida Moreira Alves Feitosa4 
http://orcid.org/0000-0003-3358-7461

Solange Laurentino dos Santos1 
http://orcid.org/0000-0002-6405-3959

1Universidade Federal de Pernambuco. Recife, PE, Brasil.

2Fundação Joaquim Nabuco. Recife, PE, Brasil.

3Universidade de Pernambuco. Recife, PE, Brasil.

4Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira. Recife, PE, Brasil.

Resumo

Objetivo:

Identificar a qualidade de vida de mulheres após o tratamento de câncer do colo uterino, de acordo com suas características clínicas e socioeconômicas.

Métodos:

Trata-se de um estudo analítico com mulheres com câncer que foram tratadas com cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Para avaliar a qualidade de vida, aplicou-se o questionário WHOQOL-bref. O teste de Mann-Whitney foi utilizado para investigar associações entre domínios e variáveis.

Resultados:

Houve associações (p < 0,05) entre os domínios do WHOQOL-bref e as variáveis renda, situação conjugal, atividades de lazer e tratamento realizado. Os domínios físico e psicológico foram associados à qualidade de vida global (R = 0,54 e R = 0,63, respectivamente).

Conclusões:

Condições socioeconômicas e o tipo de tratamento influenciaram a qualidade de vida dessas mulheres após o tratamento. É preciso aumentar o alcance do rastreio do câncer de colo do útero entre as mulheres que são menos favorecidas economicamente; e, após o tratamento, oferecer medidas alternativas que minimizam os efeitos secundários.

Palavras-chave: Neoplasias do colo uterino; Enfermagem Oncológica; Qualidade de vida; Saúde da mulher

INTRODUÇÃO

Câncer do colo do útero é uma preocupação em saúde pública ao redor do mundo.1 As estimativas mais recentes indicam que este é o quarto tipo de neoplasia mais diagnosticado e a quarta maior causa de morte entre as mulheres. Países subdesenvolvidos apresentam as maiores taxas de morte (17,5 óbitos para cada 100.000 mulheres) e prevalência (29,9 casos para cada 100.000 mulheres).1

No Brasil, a prevalência dessa neoplasia foi de 19 casos para cada 100 mil mulheres, e a mortalidade foi de 7 para cada 100 mil mulheres em 2012.1 Mais de 16 mil novos casos são esperados para o ano de 2018, e, dentre as regiões do Brasil, Nordeste e Sudeste terão maior incidência (6.030 e 4.420 casos, respectivamente).2

O maior fator de risco para desenvolvimento de câncer do colo do útero é o vírus do papiloma humano (HPV). Essa infecção persistente pelo HPV é considerada uma causa necessária, mas insuficiente para o seu desenvolvimento, o que sugere que outros fatores também estão envolvidos no processo carcinogênico.3 A formação de lesões precursoras de câncer e o próprio câncer se devem a múltiplos fatores, como idade, multiparidade, tabagismo, uso prolongado de contraceptivos, comportamento sexual de risco e coinfecção com outras doenças sexualmente transmissíveis.4 Lesões precursoras não tratadas podem evoluir para câncer do colo do útero a longo prazo.3

Os tipos de terapia disponíveis incluem cirurgia e radioterapia para casos diagnosticados precocemente, ou radioterapia/quimioterapia para casos mais avançados.5 Entretanto, os efeitos secundários e morbidade causados por essas terapias afetam profundamente a qualidade de vida dessas mulheres.

As modalidades de tratamento causam sequelas ao assoalho pélvico, levando a uma série de disfunções associadas especialmente aos sistemas urinário e genital, assim como a uma interferência na vida sexual.6,7 Ademais, a doença tem impacto psicossocial, o qual, junto ao dano físico, leva a uma deterioração da qualidade de vida.8

Maior sobrevivência e possibilidade de cura ou cronicidade têm levado a um crescimento no interesse pela avaliação da qualidade de vida de pessoas com câncer, com o objetivo de realizar o tratamento a partir de um cuidado humanizado e generalizado.9,10 Qualidade de vida é geralmente definida como "a percepção do indivíduo de sua posição na vida no âmbito do sistema cultural e de valores em que vive, e em relação a suas metas, expectativas, padrões e preocupações".11 O conceito de qualidade de vida como um medidor de desfecho em saúde surgiu como parte de um cenário de prolongação da expectativa de vida por meio do progresso da medicina durante o século XX.12 Medir a forma como as pessoas estavam vivendo esses anos adicionais e com que qualidade, tornou-se necessário.12

Os efeitos secundários ao tratamento do câncer do colo do útero e a própria doença possuem impactos consideráveis. É, portanto, importante avaliar a qualidade de vida de mulheres tratadas dessa neoplasia como desfecho, de modo a considerar as repercussões da doença e seu tratamento.

Assim, com a intenção de adquirir conhecimento para nortear o planejamento de ações que correspondam às reais necessidades dessas pacientes após o tratamento, este trabalho teve como objetivo identificar a qualidade de vida de mulheres submetidas ao tratamento de câncer do colo do útero, de acordo com suas características socioeconômicas e clínicas.

MÉTODOS

Este foi um estudo analítico realizado no Hospital referência para tratamento de câncer, que possui uma unidade de alta complexidade em oncologia(Unacon), assim como um serviço de hematologia.13 Esta instituição pertence ao Sistema Único de Saúde (SUS) e oferece terapia para aproximadamente 60 pacientes por ano, diagnosticadas com câncer do colo de útero.

A população deste estudo foi composta por mulheres submetidas à cirurgia, quimioterapia ou radioterapia como tratamento para câncer cervical entre janeiro de 2015 e dezembro de 2016. As participantes foram abordadas enquanto esperavam para ser atendidas na unidade de ginecologia ou oncologia do hospital, e convidadas a participar na pesquisa. Aquelas que concordaram em participar e que tinham 18 ou mais anos de idade, para quem o tratamento havia terminado até três meses antes, foram incluídas no estudo. As seguintes foram excluídas: aquelas com escala de performance (ECOG; Eastern Cooperative Oncology Group) >2, que, por definição, são pacientes com qualidade de vida comprometida; as com histórico prévio/atual de outros cânceres ou morbidades com danos potenciais à qualidade de vida; e aquelas que estavam sendo tratadas para doenças recorrentes.

Dois instrumentos foram usados (lidos sob a compreensão das participantes selecionadas): 1) um questionário semiestruturado para caracterizar as mulheres de acordo com seus dados sociodemográficos, clínicos e relativos à saúde; 2) WHOQOL-bref para avaliar a qualidade de vida dessas mulheres. WHOQOL-bref é um instrumento genérico para avaliação da qualidade de vida, validado e culturalmente adaptado para a população brasileira. É uma versão curta do instrumento da Organização Mundial de Saúde (OMS), o WHOQOL-100.14 Ele é composto por 26 questões, dentre as quais duas são sobre qualidade de vida global e as outras 24 representam cada uma das facetas do instrumento original.

As questões são organizadas em quatro domínios: "físico" (dor e desconforto; energia e fatiga; e sono e descanso); "psicológico" (sentimentos positivos; pensar; aprender; memória e concentração; autoestima; imagem corporal e aparência; e sentimentos negativos); "social" (relações pessoais; suporte social; e atividade sexual); e "relativos ao meio" (segurança física e proteção; ambiente doméstico; recursos financeiros; saúde e cuidado social; disponibilidade e qualidade; oportunidades para obter novas informações e habilidades; participação e oportunidades de recreação/lazer; ambiente físico, poluição auditiva/climática; e transporte). O escore para cada questão varia de um a cinco pontos.

Os dados foram armazenados e analisados usando o software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 15,0. Na análise descritiva, as variáveis foram representadas por distribuição de frequência e por tendência central e medidas de dispersão. O teste Kolmogorov-Smirnov foi usado para verificar a normalidade das variáveis, e o teste Mann-Whitney foi usado na análise bivariada. Algumas variáveis foram registradas em duas categorias para facilitar a análise bivariada.

Na análise do WHOQOL-bref, calcularam-se os escores de faceta e domínio em uma escala de 0 a 100, em que, quanto mais próximos os escores estivessem de 100, melhor seria a qualidade de vida. A pontuação foi feita de forma independente, considerando a suposição de que qualidade de vida é um construto multi-dimensional.14,15 O coeficiente de correlação de Pearson foi usado para certificar a intensidade das associações lineares que existiam entre os escores das dimensões do WHOQOL-bref (domínios e questões sobre a qualidade de vida global).

O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética. As entrevistas começaram apenas após as participantes concederem seu consentimento ao assinar um termo de consentimento livre e esclarecido, tendo sido realizadas em salas reservadas com tempo médio de quarenta minutos.

RESULTADOS

Em relação à caracterização sociodemográfica, as mulheres afetadas por câncer do colo do útero tinham entre 26 e 69 anos de idade (média = 45,72 anos; DP = 12,49 anos). A maior parte delas havia frequentado a escola por oito anos ou mais (n = 27; 58,70%), sendo predominantemente mestiças (n = 30; 65,22%) e desempregadas (n = 20; 43,48%), e a maioria possuía um cônjuge (n = 27; 58,70%). Além disso, a maior parte delas ganhava até um salário mínimo (n = 37; 80,43%) e vivia em municípios no interior do estado de Pernambuco (n = 25; 54,35%) (Tabela 1).

Tabela 1 Características sociodemográficas e clínicas das mulheres submetidas ao tratamento do câncer do colo do útero  

Variáveis sociodemográficas n (46) %
Anos de escolaridade
Menos de oito anos de escolaridade 19 41,30
Oito anos de escolaridade ou mais 27 58,70
Raça/cor
Mestiça 30 65,22
Branca 11 23,91
Negra 4 8,70
Amarela 1 2,17
Situação conjugal
com cônjuge 27 58,70
sem cônjuge 19 41,30
Situação de trabalho
Desempregada 20 43,48
Trabalhando em casa 11 23,91
Empregada 7 15,22
Em licença médica 5 10,87
Outros 3 6,52
Localização da casa
Recife e sua região metropolitana 21 45,65
Interior do estado de Pernambuco 25 54,35
Renda familiar mensal
Até um salário mínimo 37 80,43
Mais de um salário mínimo 9 19,57
Variáveis clínicas n (46) %
Tipo histológico do tumor
Carcinoma de células escamosas 42 91,30
Adenocarcinoma 3 6,53
Outros 1 2,17
Estágio
Avançado 29 63,0
Inicial 17 37,0
Tratamento realizado
Não cirúrgico (CT/RT) 28 60,88
Cirúrgico + Adjuvante (CT/RT) 9 19,56
Cirúrgico 9 19,56

Em relação às variáveis clínicas, o principal tipo histológico foi o carcinoma de células escamosas (n = 42; 91,30%), diagnosticado já em estado avançado em 29 casos (63,00%). O tratamento inicial mais comum foi a radioterapia associada à quimioterapia (n = 28; 60,88%). O tempo necessário para concluir o tratamento variou de 3 a 20 meses (mediana = 5 meses; Q1 = 3; Q3 = 9) (Tabela 1).

Sobre as características relativas aos hábitos de vida, 36 (78.26%) não consumiam bebidas alcoólicas, 29 (63,04%) não fumavam e 24 (52,17%) relataram algum tipo de comorbidade. As principais atividades de lazer deste grupo de mulheres incluíam atividades recreativas (36,96%) (assistir televisão/vídeos, ouvir música ou usar o computador) e atividades sociais (69,57%) (reunião/encontro com amigos, atividades artísticas em grupo, trabalho voluntário, reuniões de família, dançar/festas e viagens).

Na análise sobre a qualidade de vida das mulheres após o tratamento, entre os domínios do WHOQOL-bref, aqueles com as melhores médias foram o domínio "social" (63,52 ± 16,69) e o "psicológico" (61,48 ± 14,87); os domínios "físico" e "relativo ao meio" apresentaram os piores escores (56,75 ± 21,32 e 53,06 ± 12,75, respectivamente), conforme indicado na Tabela 2. Os domínios "físico" e "psicológico" tiveram a mais alta correlação entre si (r = 0,57), e também a maior associação com qualidade de vida global (r = 0,54 e r = 0,63, respectivamente) (Tabela 3).

Tabela 2 Escores obtidos para qualidade de vida e nos domínios do WHOQOL-bref entre as mulheres após o tratamento para câncer do colo do útero  

Domínios Média (IC 95%) DP Mediana Mínimo Máximo
Físico 56,75 (50,34-63,15) 21,32 60,71 14,29 100,00
Psicológico 61,48 (57,01-65,95) 14,87 62,50 20,83 83,33
Social 63,52 (58,50-68,53) 16,69 58,33 8,33 91,67
Relativo ao meio 53,06 (49,22-56,89) 12,75 56,25 25,00 81,25
Qualidade de vida global 59,72 (54,48-64,97) 17,45 62,50 25,00 100,00

Tabela 3 Correlação entre os domínios do WHOQOL-bref e entre estes e a qualidade de vida global das mulheres após tratamento para câncer do colo do útero  

Domínios e qualidade de vida global Domínios
Físico Psicológico Social Relativo ao meio
Físico - - - -
Psicológico 0,57* - - -
Social 0,30 0,57* - -
Relativo ao meio 0,25 0,30 0,04 -
Qualidade de vida global 0,54* 0,63* 0,32 0,47*

*p < 0,01;

p < 0,05.

Na correlação dos domínios do WHOQOL-bref com as variáveis sociodemográficas, foram encontradas diferenças estatisticamente significativas (Tabela 4). Renda familiar foi associada ao domínio "físico" (p = 0,04); e situação conjugal foi associada ao domínio "qualidade de vida global" (p = 0,05). Também houve correlação significativa entre os domínios do WHOQOL-bref com hábitos de vida e com as variáveis clínicas (Tabela 5). Atividade de lazer recreativa foi associada ao domínio "social" (p = 0,01); e o tipo de tratamento realizado e comorbidades foram associados ao domínio "relativo ao meio" (p = 0,01 e p = 0,02, respectivamente).

Tabela 4 Avaliação dos domínios e qualidade de vida global em função das variáveis sociodemográficas das mulheres após tratamento para câncer do colo do útero  

Qualidade de vida (média ± desvio padrão)
Variáveis sociodemográficas Domínio físico p* Domínio psicológico p* Domínio social p* Domínio relativo ao meio p* Qualidade de vida global p*
Faixa etária
≤ 50 anos (n = 31) 57,62 ± 18,33 0,63 62,23 ± 13,84 0,73 64,17 ± 19,1 0,48 52,19 ± 10,26 0,39 57,92 ± 14,86 0,31
> 50 anos (n = 15) 55 ± 27 60 ± 17,17 62,23 ± 10,86 54,8 ± 16,99 63,34 ± 21,89
Nível de escolaridade
< 8 anos de escolaridade (n = 19) 56,21 ± 20,82 0,82 62,94 ± 10,48 0,96 65,36 ± 10,86 0,77 53,46 ± 13,94 0,68 59,22 ± 19,48 0,94
≥ 8 anos de escolaridade (n = 27) 57,15 ± 22,09 60,42 ± 17,53 62,18 ± 20,04 52,77 ± 12,1 60,1 ± 16,21
Raça/cor
Branca (n = 11) 67,21 ± 19,16 0,09 62,13 ± 13,37 0,94 63,64 ± 20,51 0,94 55,12 ± 13,79 0,68 63,64 ± 19,73 0,59
Não branca (n = 35) 53,37 ± 21,14 61,28 ± 15,51 63,49 ± 15,63 52,39 ± 12,55 58,46 ± 16,78
Situação conjugal após o tratamento
com cônjuge (n = 27) 61,41 ± 21,51 0,08 64,91 ± 14,3 0,07 64,43 ± 17,25 0,45 53,25 ± 11,03 0,63 64,43 ± 16,85 0,05
sem cônjuge (n = 19) 50,38 ± 19,89 56,8 ± 14,72 62,29 ± 16,29 52,8 ± 15,13 53,29 ± 16,59
Situação de trabalho após o tratamento
Trabalhando (n = 7) 63,27 ± 21,6 0,30 67,86 ± 9,84 0,30 70,24 ± 14,32 0,26 58,04 ± 5,37 0,14 66,08 ± 6,1 0,33
Não trabalhando (n = 39) 55,55 ± 21,35 60,31 ± 15,44 62,29 ± 16,98 52,14 ± 13,54 58,56 ± 18,64
Localização da casa
Recife e sua região metropolitana (n = 21) 59,36 ± 22,89 0,37 61,91 ± 17,65 0,56 63,5 ± 17,18 0,82 55,81 ± 12,24 0,21 63,7 ± 17,64 0,22
Interior do estado (n = 25) 54,47 ± 20,08 61,12 ± 12,33 63,55 ± 16,64 50,66 ± 12,97 56,25 ± 16,9
Renda familiar mensal
Até 1 salário mínimo (n = 37) 53,28 ± 20,32 0,04 59,96 ± 15,6 0,28 62,5 ± 17,54 0,47 51,13 ± 12,73 0,06 57,64 ± 17,24 0,15
Mais de 1 salário mínimo (n = 9) 70,64 ± 20,58 67,6 ± 9,95 67,6 ± 12,81 60,77 ± 10,14 68,06 ± 16,67
Qualidade de vida (média ± desvio padrão)
Hábitos de vida Domínio físico p* Domínio psicológico p* Domínio social p* Domínio relativo ao meio p* Qualidade de vida global p*
Consumo de bebidas alcoólicas
Sim (n = 10) 66,08 ± 19,44 0,08 64,17 ± 13,36 0,65 70 ± 13,15 0,20 52,5 ± 13,16 1 61,25 ± 10,95 0,89
Não (n = 36) 54,09 ± 21,35 60,72 ± 15,37 61,67 ± 17,3 53,22 ± 12,83 59,29 ± 19,02
Fumar
Fumante (n = 1) 82,15 ± 0 0,24 75 ± 0 0,29 83,34 ± 0 0,16 31,25 ± 0 0,17 50 ± 0 0,54
Ex-fumante (n = 16) 62,5 ± 14,53 63,81 ± 13,24 66,67 ± 20,42 52,74 ± 10,46 65,63 ± 15,48
Nunca fumou (n = 29) 52,56 ± 23,71 59,68 ± 15,8 61,02 ± 14 54,02 ± 13,64 56,7 ± 18,16
Atividade de lazer recreativa
Sim (n = 17) 60,3 ± 18,73 0,46 61,52 ± 12,11 0,73 72,06 ± 12,48 0,01 49,45 ± 13,5 0,21 59,56 ± 16,85 0,8
Não (n = 29) 54,6 ± 22,82 61,46 ± 16,54 58,34 ± 16,98 55,25 ± 12 59,83 ± 18,12
Atividade de lazer social
Sim (n = 32) 57,26 ± 21,76 0,77 62,77 ± 15,1 0,35 63,45 ± 14,23 0,73 53,63 ± 11,92 0,79 60,49 ± 17,71 0,86
Não (n = 14) 55,62 ± 21,1 58,64 ± 14,48 63,7 ± 21,84 51,79 ± 14,85 58,04 ± 17,41
Atividade de lazer cultural
Sim (n = 5) 52,86 ± 25,93 0,74 55 ± 18,5 0,42 61,67 ± 32,06 0,62 48,13 ± 15,72 0,34 57,5 ± 14,26 0,69
Não (n = 41) 57,24 ± 21,03 62,3 ± 14,44 63,75 ± 14,44 53,68 ± 12,44 60 ± 17,95
Atividade de lazer artesanal
Sim (n = 7) 51,54 ± 26,32 0,52 58,34 ± 18,33 0,66 53,58 ± 24,47 0,21 52,68 ± 12,43 0,81 57,15 ± 15,91 0,63
Não (n = 39) 57,71 ± 20,56 62,07 ± 14,37 65,36 ± 14,57 53,13 ± 12,98 60,2 ± 17,89
Atividade de lazer física
Sim (n = 1) 50 ± 0 0,65 37,5 ± 0 0,15 33,34 ± 0 0,11 53,13 ± 0 0,76 37,5 ± 0 0,21
Não (n = 45) 56,9 ± 21,55 62,03 ± 14,58 64,21 ± 16,24 53,06 ± 12,91 60,23 ± 17,32

Tabela 5 Avaliação dos domínios e qualidade de vida global em função dos hábitos de vida e variáveis clínicas das mulheres após tratamento para câncer do colo do útero  

Qualidade de vida (média ± desvio padrão)
Variáveis clínicas Domínio físico p* Domínio psicológico p* Domínio social p* Domínio relativo ao meio p* Qualidade de vida global p*
Estágio
Avançado (n = 29) 57,91 ± 23,78 0,70 61,02 ± 14,8 0,73 64,59 ± 17,66 0,33 52,8 ± 14,77 0,92 62,5 ± 18,01 0,18
Inicial (n = 17) 54,84 ± 17,04 62,26 ± 15,42 61,77 ± 15,33 53,5 ± 8,9 55,15 ± 15,98
Tratamento realizado
Cirúrgico (n = 9) 56,75 ± 15,82 0,90 65,75 ± 10,99 0,45 65,75 ± 11,37 0,66 56,6 ± 9,04 0,01 56,95 ± 14,13 0,82
Não-cirúrgico (CT/RT) (n = 28) 56,35 ± 24,93 60,96 ± 15,26 63,28 ±18,09 55,44 ± 12,97 61,12 ± 19,72
Cirúrgico + Adjuvante (CT/RT) (n = 9) 57,94 ± 15,13 58,8 ± 17,61 62,04 ± 18,22 42,37 ± 10,26 58,34 ± 13,98
Tempo transcorrido entre o fim do tratamento e a entrevista
≤ 9 meses (n = 36) 55,52 ± 22,99 0,54 60 ± 16,12 0,33 61,67 ± 17,65 0,16 52,5 ± 13 0,65 58,58 ± 18,64 0,37
> 9 meses (n = 10) 61,08 ± 14,14 66,67 ± 7,86 70 ± 11,25 55 ± 12,35 63,75 ± 12,44
Comorbidades
Algumas comorbidades (n = 22) 56,11 ± 22,68 0,98 60,42 ± 15,84 0,56 62,85 ± 19,35 0,98 58,08 ± 8,94 0,02 61,46 ± 18,03 0,5
Nenhuma comorbidade (n = 24) 57,49 ± 20,21 62,7 ± 13,98 64,29 ± 13,48 47,33 ± 14,2 57,74 ± 17

DISCUSSÃO

As características sociodemográficas das mulheres tratadas de câncer do colo do útero foram similares ao que havia sido previamente identificado em outros estudos em relação a idade, raça/cor, situação conjugal e escolaridade.16,17 Tem sido observado mais frequentemente que mulheres afetadas possuem níveis mais baixos de escolaridade.16,17 Baixo nível de escolaridade, considerado um indicador de estratificação social, tem sido relacionado a hábitos de vida não saudáveis18 e comportamento sexual de risco,19 que são determinantes para ocorrências dessa neoplasia.

A idade média de 45 anos corrobora as atuais recomendações para realização de exames preventivos em mulheres que têm entre 25 e 64 anos de idade (população alvo).20 Mulheres mestiças com baixa renda e baixo nível de escolaridade que estão desempregadas são mais vulneráveis a doenças como o câncer do colo do útero, dado que condições econômicas e sociais decisivamente influenciam as condições de saúde.21 O câncer do colo do útero é associado a condições de vida precárias22 e a programas de prevenção ineficientes, pois a triagem com Papanicolau não é muito efetiva para alcançar mulheres em situação de exclusão social ou para melhor conscientizá-las.23

Os achados deste estudo, que identificou o carcinoma como o principal tipo histológico e constatou que a doença foi diagnosticada em estado avançado, estão de acordo com os resultados de outros trabalhos.16,17 Mulheres em situação de pobreza têm menos acesso aos serviços de saúde e, portanto, recebem menos diagnósticos. Ademais, há obstáculos que as impedem de receber tratamento especializado em tempo oportuno.24 O principal tratamento é uma consequência de diagnóstico tardio, uma vez que, para doenças em estado avançado, a principal estratégia terapêutica consiste em usar radioterapia associada à quimioterapia, para obtenção de melhores resultados terapêuticos.5

Mais da metade das mulheres diagnosticadas moravam em municípios no interior do estado de Pernambuco. Isso pode ser explicado pelo menor alcance de ações preventivas em municípios no interior e/ou pela dificuldade de acesso ao diagnóstico e a unidades de tratamento entre a população que vive fora dos centros urbanos.25 Além disso, foi mostrado que, no Brasil, o declínio da mortalidade associada ao câncer do colo do útero tem sido maior entre as mulheres que vivem em capitais de estados do que entre aquelas que vivem em algum outro lugar destes mesmos estados. Isso reforça a hipótese de inequalidade de acesso aos serviços.25

Em relação aos hábitos de vida, uma grande porção das mulheres declarou não consumir bebidas alcoólicas e não fumar. Dentre as atividades de lazer, atividades recreativas e sociais foram aquelas relatadas mais frequentemente. É sabido que o estilo de vida possui uma grande influência sobre a qualidade de vida de mulheres tratadas de câncer do colo de útero26 e que atividades de lazer promovem melhoras nesta, pois proporcionam a manutenção da saúde e do bem-estar.27

A qualidade de vida das mulheres tratadas de câncer do colo do útero no presente estudo sofreu maior influência dos domínios físico e psicológico. Resultados semelhantes foram encontrados por outros autores ao estudarem a qualidade de vida de pacientes tratados por meio de quimioterapia.28 De fato, quanto maiores os danos físicos e psicológicos causados pela doença e pelo tratamento, pior a qualidade de vida.8

O domínio "físico", que apresentou o menor escore médio total, é representado no WHOQOL-bref por facetas que se referem a dor, desconforto, energia e fatiga, sono e descanso, dependência em medicamentos e dependência no tratamento, dentre outras. Os escores mais baixos nestas facetas mostram o impacto físico causado pelo tratamento, que pode inclusive continuar por vários anos após o fim deste.29 Por sua vez, os escores menores no domínio "relativo ao meio" podem ser explicados pelo fato de a amostra ser predominantemente composta por mulheres vivendo em condições de pobreza. Nessas situações, a falta de recursos financeiros pode tornar as condições de lazer, vida e saúde precárias. É sabido que dificuldades econômicas se relacionam a escores menores para qualidade de vida.30

As associações evidenciadas pelas variáveis socioeconômicas (renda, atividades de lazer e situação conjugal), por aquelas relativas à saúde (comorbidade) e pelas variáveis clínicas (tipo de tratamento realizado) em relação aos domínios do WHOQOL-bref reafirmam a ligação entre a qualidade de vida das mulheres após o tratamento e sua situação socioeconômica e clínica.26,30,31

Os seguintes fatores apresentaram relação negativa com qualidade de vida entre as mulheres tratadas de câncer do colo do útero: situação conjugal (suporte social é um fator protetivo e recuperativo para saúde, pois auxilia o enfrentamento das doenças e seu tratamento);32 piores condições socioeconômicas;30 falta de oportunidades para lazer (o lazer possibilita o alívio da tensão, promovendo assim efeitos benéficos à qualidade de vida);33 associações entre câncer e outra condição crônica pré-existente; e submeter-se a tipos de terapia que incluem radioterapia (desfechos físicos, funcionais e sociais piores foram correlacionados com radioterapia).31

CONCLUSÕES

A qualidade de vida das mulheres estudadas neste trabalho foi associada a suas condições clínicas, socioeconômicas e de saúde. Além disso, foi também associada ao tipo de tratamento a que elas foram submetidas (diagnóstico tardio refletiu em tratamento com radioterapia e quimioterapia). Assim, é imperativo que se tenha consciência da importância do diagnóstico precoce mediante triagem eficaz, especialmente entre mulheres em condições econômicas menos favoráveis. Ademais, é importante incluir medidas de qualidade de vida na prática clínica, pois estas podem ser cruciais na avaliação de certas intervenções terapêuticas e nas consequências da doença na vida dessas mulheres. Por meio da medição da qualidade de vida, pode ser possível oferecer alternativas para atenuar os efeitos secundários do tratamento.

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Recebido: 28 de Abril de 2018; Aceito: 06 de Setembro de 2018

Autor correspondente: Cristine Vieira do Bonfim. E-mail: cristine.bonfim@uol.com.br

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