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Escola Anna Nery

versão impressa ISSN 1414-8145versão On-line ISSN 2177-9465

Esc. Anna Nery vol.24 no.4 Rio de Janeiro  2020  Epub 29-Jun-2020

http://dx.doi.org/10.1590/2177-9465-ean-2019-0334 

PESQUISA

Significando o trabalho voluntário em casa de apoio oncológica

Significando el trabajo voluntario en casas de apoyo a pacientes oncológicos

Maria Aparecida Salci1 
http://orcid.org/0000-0002-6386-1962

Jéssica Manari Casado1 
http://orcid.org/0000-0003-0723-1760

Julia Wakiuchi1 
http://orcid.org/0000-0003-1605-4743

Marcelle Paiano1 
http://orcid.org/0000-0002-7597-784X

Patrícia Bossolani Charlo1 
http://orcid.org/0000-0002-8262-2086

Catarina Aparecida Sales1 
http://orcid.org/0000-0001-8845-547X

1Universidade Estadual de Maringá. Maringá, PR, Brasil.


RESUMO

Objetivo

Compreender o significado atribuído pelas pessoas que desenvolveram trabalho voluntário em serviço de apoio oncológico.

Método

Trata-se de estudo qualitativo, que teve como referencial teórico o Interacionismo Simbólico, realizado com dez voluntárias em uma casa de apoio oncológica em um Município de médio porte localizado no sul do Brasil. A coleta de dados ocorreu entre junho e agosto de 2016 por meio de entrevistas abertas, organizadas com auxilio do software IRAMUTEQ e realizado analise de conteúdo temática.

Resultados

Como resultados, emergiram três categorias que discorrem sobre a motivação e o desejo de dedicar-se ao outro, os entraves no trabalho voluntario e o crescimento e satisfação pessoal na doação ao outro.

Conclusão e implicações para a prática

O trabalho voluntário envolve questões culturais, crenças, caridade e amor ao próximo, mas pode gerar sentimentos de sofrimento e impotência além de dificuldades financeiras para sua execução. Apesar das dificuldades encontradas, propicia reconhecimento pessoal e profissional a quem o realiza.

Palavras-chave:  Voluntariado; Oncologia; Institutos de Câncer

RESUMEN

Objetivo

Comprender el significado atribuido por las personas que han desarrollado trabajo voluntario en los servicios de apoyo para el cáncer.

Método

Este es un estudio cualitativo, cuyo marco teórico fue el Interaccionismo Simbólico, realizado con diez voluntarios en casas de apoyo a pacientes oncológicos en un municipio de tamaño mediano ubicado en el sur de Brasil. La recopilación de datos tuvo lugar entre junio y agosto de 2016 a través de entrevistas abiertas, organizadas con la ayuda del software IRAMUTEQ y el análisis de contenido temático.

Resultados

Como resultado, surgieron tres categorías que reflexionan sobre la motivación y el deseo de dedicarse a los demás, los obstáculos en el despliegue del trabajo voluntario, el crecimiento personal y la satisfacción de dar a los demás.

Conclusión e implicaciones para la práctica

El trabajo voluntario involucra cuestiones culturales, creencias, caridad y amor por los demás, pero puede generar sentimientos de sufrimiento e impotencia además de dificultades financieras para su ejecución. A pesar de las dificultades encontradas, proporciona reconocimiento personal y profesional a quienes lo realizan.

Palabras clave:  Voluntariado; Oncología; Institutos de Cáncer

ABSTRACT

Objective

Understand the meaning attributed by people who have developed voluntary work in cancer support services.

Method

This is a qualitative study, whose theoretical framework was Symbolic Interactionism, carried out with ten volunteers in an oncology support house in a medium-sized municipality located in southern Brazil. Data collection took place between June and August 2016 through open interviews, organized with the help of the IRAMUTEQ software and thematic content analysis was carried out.

Results

As a result, three categories emerged that discuss motivation and the desire to dedicate themselves to others, obstacles to volunteer work and personal growth and satisfaction in giving to others.

Conclusion and implications for the practice

voluntary work involves cultural issues, beliefs, charity and love for others, but it can generate feelings of suffering and helplessness in addition to financial difficulties for its execution. Despite the difficulties encountered, it provides personal and professional recognition to those who perform it.

Keywords:  Volunteering; Oncology; Cancer Institutes

INTRODUÇÃO

Apesar do avanço tecnológico na área da saúde, o câncer ainda continua sendo um problema de saúde pública mundial,1 constituindo a segunda maior causa de mortalidade geral no Brasil nos últimos anos.2 O aumento do número de casos de neoplasias e, a complexidade tecnológica que envolve seu tratamento repercutiu no desenvolvimento de centros terapêuticos regionalizados para oncologia, geralmente localizados em cidades de grande porte, que possuem os recursos necessários para atender tais pacientes.

Além disso, a emergência em receber os pacientes com câncer e suas famílias durante o tratamento antineoplásico, fez com que Casas de Apoio surgissem, na tentativa de abrigar, acolher e suprir as necessidades dessas pessoas, que vivenciam uma fase difícil e desafiadora.3 As Casas de Apoio oferecem assistência sem fins lucrativos, tendo em sua composição funcionários voluntários que oferecem auxílio à instituição e às pessoas em condições de adoecimento.4

O trabalho voluntário tem como função a oferta de ajuda para indivíduos ou comunidades carentes, de forma altruísta e, necessariamente, espontânea.5,6 Além disso, como terceiro setor, o trabalho voluntário é composto pelas pessoas que exercem trabalho de cunho social e que podem alcançar áreas dos diversos serviços que o Setor Público não consegue abranger efetivamente.

Ao redor do mundo, o voluntariado tem evoluído a partir de uma veiculação social que parte de organizações não governamentais e agências de serviços, tornando-se um fenômeno popular, o que aumentou a consciência social para sua realização.6 Mesmo com a expansão cultural de solidariedade na sociedade ao longo do tempo, o trabalho voluntário ainda é uma identidade em construção em nosso meio. Esse tipo de trabalho, segundo estudiosos, encontra-se permeado por motivações, desejos e valores que estão sendo desvelados ao longo do tempo.7

A motivação para realizar um trabalho voluntário abarca diversas dimensões e múltiplas influências, sendo considerada complexa, social, pessoal e subjetiva.7 Esse tipo de atividade permite às pessoas desenvolverem habilidades, aprendizado, conhecimento, preparo para uma futura carreira profissional, desenvolvimento de vínculo e um maior autoconhecimento.

Na oncologia, o trabalho voluntário auxilia no desenvolvimento de habilidades a novos e futuros profissionais, de modo a oportunizar experiência profissional junto a pacientes com câncer, influenciando um cuidado humano e compassivo.8 Mais ainda, o trabalho em Casas de Apoio oncológicas exige preparo físico e emocional por parte dos envolvidos, além de extrema dedicação, haja vista a necessidade de oferta de apoio e cuidado em um momento particularmente especial das vidas dos pacientes e suas famílias.3

Neste contexto, interroga-se sobre os significados que levam a pessoa a iniciar um trabalho voluntário em uma Casa de Apoio Oncológica, levando em consideração as motivações que o mantem nessa função e o tempo de preparo para essa atividade voluntária. Para tanto, o objetivo desta pesquisa consistiu em compreender o significado atribuído pelas pessoas ao iniciarem o trabalho voluntário em Casa de Apoio Oncológica.

MÉTODO

Trata-se de um estudo qualitativo, descritivo e exploratório, que teve como referencial teórico o Interacionismo Simbólico (IS), considerado uma das abordagens mais adequadas para analisar processos de socialização e ressocialização, por ser uma abordagem sociológica trazida dos significados particulares do indivíduo, em oposição ao funcionalismo e às regras sociais pré-estabelecidas. Dessa forma, o IS irá além das ações sociais condicionadas às normas da sociedade9. A base do significado está presente na conduta social, em que emergem os símbolos significantes. Só quando o indivíduo se identifica com tais símbolos é que se torna consciente o significado. Os processos mentais têm relação com esse significado das coisas, e a mentalidade reside na capacidade do organismo para indicar aquele elemento do ambiente que responde às suas reações, a fim de poder controlar tais reações de várias maneiras. E, o controle é possibilitado pela linguagem, que emerge o campo da mente daquilo que é vivido e experienciado.10

O desenvolvimento do estudo ocorreu junto às pessoas que realizavam trabalho voluntário em uma Casa de Apoio Oncológica, instituição localizada em um município de médio porte no sul do Brasil. A referida instituição atende pacientes com câncer, em qualquer faixa etária, comprovadamente sem condições financeiras, residentes em municípios de pequeno porte, que precisam se deslocar de suas cidades de origem para realizarem tratamento.

O local disponibiliza serviços de enfermagem, fisioterapia, psicologia, farmácia, assistência social e assessoria jurídica, conforme as demandas de cada usuário. Conta ainda, com o apoio de pessoas voluntárias que exercem atividades de visitas domiciliares, entrega de cestas básicas, atividades manuais, campanhas de arrecadação de recursos financeiros entre outras atividades que tenham maior afinidade.

Os participantes deste estudo foram 10 pessoas voluntárias que prestavam serviço nesta instituição no período da coleta de dados que ocorreu de junho a agosto de 2016. O total da amostra obedeceu aos princípios de saturação teórica. Os critérios de inclusão dos sujeitos foram: possuir idade igual ou superior a 18 anos, prestar trabalho voluntário na referida Casa de Apoio em atividades que demandassem contato direto com os pacientes. Foram excluídos os voluntários penais que prestavam serviços na instituição, pelo entendimento de que estas pessoas estavam cumprindo uma obrigatoriedade penal e não o voluntariado compreendido como um ato de escolha; o que poderia apresentar simbologias que não atenderiam ao objeto da pesquisa.

Foi utilizada a entrevista aberta e individual para a coleta de dados, com a seguinte questão norteadora: “Como você significa o trabalho voluntário realizado nesta Casa de apoio oncológica?”. Outras perguntas também foram realizadas com o intuito de aprofundar a temática, as quais compreenderam: “Quais as dificuldades enfrentadas para o desenvolvimento deste trabalho?”, e “Para você, quais os benefícios na realização desta atividade?”.

As entrevistas foram realizadas individualmente em uma sala reservada da Casa de Apoio Oncológica, a qual preservava a privacidade dos participantes. Todas as entrevistas foram gravadas em áudio e tiverem duração media de 45 minutos. Depois, foram transcritas na íntegra e analisadas. Para a análise dos dados foi utilizado o software IRAMUTEC (Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires), que se constitui em importante ferramenta de apoio ao processamento de dados qualitativos,11 permitindo diferentes processamentos e análises de textos produzidos, tais como: estatística textuais clássicas, pesquisa de especificidades de grupos, classificação hierárquica descendente, análise de similitude e nuvem de palavras.12

Neste estudo, para o processamento dos dados, utilizou-se a nuvem de palavras. Entretanto, o uso do software não conclui a análise, apenas instrumentaliza e auxilia esta etapa, sendo a interpretação dos dados uma etapa essencial e de responsabilidade dos pesquisadores.13

Para a construção das categorias, realizou-se convergência entre as palavras de maior frequência identificadas pelo software e a análise de conteúdo, modalidade temática, em três etapas: 1- pré-análise, momento da realização da leitura flutuante das entrevistas, com exploração do material, e leitura exaustiva dos dados, destacando e agrupando os pontos emergentes; 2- codificação das mensagens para apreenderam os núcleos de sentido, os quais foram compilados, gerando-se as categorias temáticas; 3- inferência a partir dos dados obtidos e o referencial teórico adotado. Nesta fase, analisou-se o contexto da linguagem, e também a condição do emissor e suas significações.14

Da associação dos resultados encontrados na análise da nuvem de palavras (Figura 1) e de conteúdo, emergiram três categorias temáticas: “Significando o desejo de dedicar-se ao outro”; “Sentindo-se impotente ante o câncer: dificuldades no trabalho voluntário”; “Crescimento e satisfação: beneficiando-se na doação ao outro”.

Figura 1  Nuvem de palavras fornecida pelo software IRAMUTEC 

Ressalta-se que para o desenvolvimento da pesquisa foram respeitados todos os preceitos éticos e legais regulamentados pela Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde – Ministério da Saúde. Obteve-se aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa envolvendo Seres Humanos da Universidade Estadual de Maringá, conforme parecer no 1.666.380 e CAAE 57741316.0.0000.0104. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Para garantir o sigilo e o anonimato os participantes foram identificados pela letra V de voluntário, seguido de um número que correspondeu à sequência da inclusão no estudo, como por exemplo, (V1, V2,... e V10).

RESULTADOS

Participaram do estudo dez voluntárias de uma Casa de apoio oncológica, todas do sexo feminino, com idades entre 25 e 90 anos. Duas possuíam o ensino médio e oito o ensino superior completo, sendo que, destas últimas, três eram pós-graduadas. No que se refere à situação ocupacional das entrevistadas, duas estavam desempregadas, duas aposentadas e seis exerciam trabalho remunerado. Cinco das participantes declararam já ter realizado trabalho voluntário em outro local e com outra população, conforme apresentado no Quadro 1.

Quadro 1 - Caracterização dos voluntários da Casa de Apoio Oncológica de Maringá, Paraná. 

Sexo Idade Grau de instrução Profissão Trabalho voluntário realizado anteriormente Atividades realizadas como voluntária na Casa de Apoio Oncológica
Feminino 38 Mestrado em Saúde Pública Culinarista Sim (Instituições e Associações) Visita domiciliar; auxílio ao setor de notas fiscais e ao setor culinário
(V1)
Feminino 64 Mestrado em Psicologia Psicóloga Sim (Igreja, Famílias carentes) Visita domiciliar; auxílio à Diretoria; atendimento como Psicóloga em grupos de apoio a mulheres com câncer
(V2)
Feminino 46 Graduada Desempregada Não Visita domiciliar; distribuição de cestas básicas; artesanato; auxílio para arrecadação de recursos financeiros
(V3) Psicologia
Feminino 37 Mestrado em Psicologia Organizacional Desempregada Não Visita domiciliar
(V4)
Feminino 25 Graduada Psicóloga Não Atendimento psicológico clinico individual (paciente, família, adulto e crianças)
(V5)
Feminino 90 Ensino médio Aposentada Sim (ajudando os doentes na comunidade) Visita domiciliar e auxílio a administração
(V6)
Feminino 61 Graduada Aposentada e autônoma Não Visita domiciliar
(V7)
Feminino 27 Graduada Psicóloga Não Atendimento psicológico, aconselhamento e escuta terapêutica
(V8) Psicologia
Feminino 31 Ensino médio Secretária Sim (distribuição de presentes para crianças carentes e sopão para moradores de rua) Atividade recreativa (bingo) para os pacientes hospedados; auxílio ao setor de notas fiscais; auxílio para arrecadação de recursos financeiros
(V9)
Feminino 25 Graduada Financeiro de escritório Sim (em uma instituição para idosos) Atividade recreativa (bingo) para os pacientes hospedados; auxílio para arrecadação de recursos financeiros
(V10)

Fonte: dados das pesquisadoras, 2016.

Em relação ao trabalho voluntário, são várias as atividades executadas pelas entrevistadas, como: visitas domiciliares, entrega de cestas básicas, realização de artesanato, campanhas de arrecadação de recursos financeiros; e, para as voluntárias que eram psicólogas, ofertavam atendimento psicológico para pacientes e familiares.

As voluntárias compartilharam os significados existentes ao serviço desenvolvido, assim, como as razões que incitam sua continuidade, além dos percalços enfrentados no cotidiano desse tipo de trabalho. De acordo com a nuvem de palavras (Figura 1), as palavras mais frequentes estavam diretamente relacionadas aos significados que os participantes atribuíram ao trabalho voluntário, dando sustentação às categorias identificadas na análise dos dados, as quais permitiram conhecer a experiência dos participantes na realização do trabalho voluntário na oncologia, as dificuldades vivenciadas, os benefícios e aprendizagens proporcionadas neste contexto.

Significando o desejo de dedicar-se ao outro

Ao significarem o desejo de desenvolverem o trabalho voluntário em Casa de Apoio Oncológica, os participantes do estudo apontaram os motivos que as levaram a realizar esta atividade, as quais tiveram influências de vários aspectos, com destaque para a família e para a religiosidade.

[...] veio desde criança, de um estímulo/incentivo dos meus pais. Pois, meus pais trabalham muito com a questão voluntária dentro da igreja católica. Desde criança eu já soube que tinha que realizar trabalho voluntário, isso me foi ensinado desde criança. [...] (V5).

A experiência de já ter vivenciado um câncer, também se mostrou como uma forma de despertar o desejo por auxiliar outras pessoas, no sentido de que reconhecer a situação pela qual o outro está passando traz um maior significado na ação desenvolvida com o trabalho voluntário na área escolhida.

No meu caso eu já passei por um câncer, há seis anos eu tive um câncer de mama, foi um momento difícil para mim. Então, hoje eu estar curada e podendo dar um suporte para quem está passando por esse momento é muito gratificante. [...] (V3).

Além de motivações pessoais, a oferta de recrutamento em redes sociais pela Casa de Apoio levou as voluntárias a refletirem sobre a realização do trabalho e à busca de informações para realizá-lo. O incentivo de colegas também se mostrou importante para a motivação das voluntárias, que demonstraram interesse pelo trabalho após a recomendação de outras pessoas.

Eu ouvia muito falar dessa Casa de Apoio e eu vi um anúncio na rede social que eles estavam com o recrutamento para novos voluntários, aí eu vim, achei interessante. [...] (V1).

[...] eu ouvi falar do trabalho voluntário, mas nuca tinha tido contato, aí uma amiga minha que é enfermeira falou: “olha, está tendo recrutamento, você quer participar e ver como é?”. Aí eu vim! (V3).

Foram várias as motivações pessoais que influenciaram o desenvolvimento do trabalho voluntário, em síntese: a família, a religiosidade, a experiência de ter vivenciado um câncer, a divulgação nas redes sociais e o estímulo de amigos.

Sentindo-se impotente ante o câncer: fragilidades no trabalho voluntário

O trabalho voluntário na área oncológica pode trazer algumas dificuldades, como a manifestação de sentimentos de sofrimento e impotência frente a situações de terminalidade, iminente em muitos casos de câncer.

A dificuldade é, às vezes, você se sentir impotente, porque a gente não tem o poder da cura. (V4).

[...] as perdas dos pacientes. Realizo visita domiciliar aos pacientes na terminalidade [...]. A gente sente, cada morte é dolorida. [...] (V1).

Outro percalço referido pelas participantes foi relatado pelas voluntárias psicólogas, que vivenciam a falta de valorização do seu trabalho junto aos pacientes, que muitas vezes, não dão continuidade aos atendimentos. Para elas, o abandono e as faltas dos pacientes podem se dar tanto pelo caráter gratuito do tratamento, quanto pela falta de importância dada a psicoterapia.

[...] tem uma dificuldade na questão do compromisso que as pessoas têm com o tratamento. Acredito que por ser um atendimento de graça, ocorra mais falta e abandono do tratamento. Você agenda e a pessoa não vem. (V5).

Uma dificuldade que encontro é a de não ter uma continuidade do tratamento, eles iniciam, mas não voltam. Eu vou como psicóloga para fazer psicoterapia com os pacientes oncológicos, mas na verdade, não é assim que funciona. Eles não voltam. (V8).

A falta de recursos financeiros disponíveis para compra de insumos ou medicamentos para os pacientes também se constitui como entrave para o trabalho, dificultando a oferta de cuidado e ainda, causando um impacto emocional para alguns voluntários.

Quando eu percebo que a casa passa por dificuldades financeiras, às vezes para a compra de remédios, de fraldas e de alimentos para poder suprir as necessidades dos pacientes, me dói! Dói ver que a gente não tem o necessário para dar o suporte adequado aos pacientes. (V1).

Por outro lado, os voluntários também enfrentam dificuldades pessoais para a realização do trabalho, como a distância da instituição até as casas dos pacientes, assim como os gastos com deslocamento, considerando que se trata de um trabalho que não envolve pagamento ou auxílio com transporte.

[...] mas o custo de ir e voltar é um custo muito grande. [...] (V2).

As dificuldades que eu vejo é a distância que eu moro da instituição, pois se eu morasse mais perto poderia realizar mais visitas e poderia repassar o relatório das visitas pessoalmente e com mais frequência. (V7).

A visita domiciliar é uma atividade realizada pela Casa de Apoio Oncológica há muito tempo, entretanto, a aceitação dessa atividade por parte das pessoas com câncer nem sempre ocorre, como revela o depoimento:

Outra dificuldade é de as pessoas não quererem nos receber em suas casas, pois eles recebem benefícios da instituição e eu acho que eles pensam que com a visita nós iremos ver que eles têm condições e assim terão seu benefício cortado. (V7).

As dificuldades enumeradas pelos participantes descrevem o cotidiano do trabalho voluntário dentro de uma perspectiva de dificuldades e entraves que envolvem esta atividade. Tais questões, apesar de dificultarem o exercício do voluntariado, não os impedem de continuarem em suas atividades que envolve o cuidado ao outro, e sim demonstram como as pessoas lidam com as fragilidades encontradas, encorajando-as a continuidade do processo do trabalho voluntário.

Crescimento e satisfação: beneficiando-se na doação ao outro e lidando com as fragilidades

Apesar das dificuldades existentes na realização do trabalho voluntário, a execução do mesmo agrega benefícios individuais a quem o realiza, sendo significado por sentimentos de gratidão, satisfação e reconhecimento, como foi demonstrado pelos participantes.

Para mim o benefício que tenho com esse trabalho é a gratificação pessoal. (V4).

[...] gratificação pessoal, pois quando eu vou ali eu não recebo nada em troca, em termos financeiros. Mas, só de você estar indo ali e ver que está ajudando alguém é um benefício enorme. (V8).

O benefício para mim é pessoal! É muito bom e gratificante ser voluntário [...]. Eu me sinto bem em realizar esse trabalho [...] (V10).

O trabalho voluntário pode refletir no crescimento individual das pessoas que o realizam, uma vez que eles manifestam em seus depoimentos satisfação, aprendizado, crescimento e reconhecimento pessoal e profissional ao exercerem sua função.

[...] faz bem para o próximo, isso é muito bom! A gente cresce muito como pessoa, você valoriza outras coisas. Eu vejo que eu mudei, hoje tenho um olhar um pouco diferente do que eu tinha antes para as coisas, sei lá, a gente cresce muito. (V2).

Esse trabalho me mantém ativa profissionalmente, me mantém conhecida. Me faz perceber reconhecimento pelo trabalho, permite que eu coloque em prática o que aprendi. E ainda me permite conhecer pessoas fascinantes. [...] (V5).

Os benefícios advindos da realização do trabalho voluntário evolvem aspectos afetivos e positivos à vida das pessoas. Observou-se que esse tipo de trabalho é capaz de despertar a humanização a quem o realiza, permitindo um aprendizado profissional e uma ressignificação pessoal.

DISCUSSÃO

A realização do trabalho voluntário em uma Casa de Apoio Oncológica se desvelou como um processo de reflexão, motivações, desafios e gratidão, que permeiam a luta diária por um cuidado digno e humano as pessoas com câncer fora de seu lar e longe do convívio com seus familiares. O entorno das vivências do trabalho voluntário se traduz como uma oportunidade para exercer profissionalmente o cuidado, assim como o desenvolvimento de habilidades solidárias e filantrópicas.

De acordo com os resultados do estudo, são vários os motivos que impulsionaram as pessoas a realizarem um trabalho voluntário. A motivação familiar se pauta no estímulo a atividades solidárias oriunda dos pais ou familiares, visando a manutenção da tradição e, construção de crenças e valores humanitários que são levadas à vida adulta. Esse processo familiar pode ser observado como uma transmissão de sabedorias entre o grupo familiar, havendo um processo histórico e cultural envolvido, que faz parte de uma construção social no meio em que vivem.7

Já a religiosidade, quando capaz de estimular a prática de um trabalho voluntário, traz imbuída sentimentos de altruísmo, que se traduz em uma atitude de amor ao próximo, que envolve auxílio, renúncia e comprometimento em prol do outro. Ressalta-se o caráter intrínseco da motivação do trabalhador voluntário ao exercer tal função, em que essas pessoas se dedicam ao cuidado pensando no bem estar dos pacientes que receberão sua atenção, sendo esse o impulso principal para o seu trabalho.15

Outro aspecto diretamente relacionado às motivações para a realização de um trabalho voluntário é reconhecido pela própria identidade do papel da pessoa que o exerce. Uma justificativa comum para a realização do trabalho voluntário se origina na experiência individual da pessoa, que se percebe em uma situação mais vantajosa do que aqueles que irão receber sua assistência.16 Assim, as experiências vivenciadas anteriormente pelos voluntários se constituem em um fator que estimula o desenvolvimento dessa ação, motivando-os a buscar meios para executá-lo.

Neste estudo, além dos motivos já citados, o recrutamento pela rede social e incentivo de colegas também foi mencionado. Salienta-se a importância da comunicação como importante ferramenta de promoção e divulgação, com alto poder de influenciar pessoas em qualquer área. Esse tipo de influência é utilizada pelos seres humanos como um estímulo para angariar pessoas a participarem de causas que acreditam.17 Já como uma ferramenta tecnológica, as redes sociais contribuem para a divulgação e disseminação de conteúdos importantes, fazendo parte do cotidiano da população.

No que se refere ao cotidiano do trabalho voluntário, também foram apontadas dificuldades pelos participantes deste estudo, que variam desde questões específicas da área oncológica, como o sentimento de sofrimento, impotência e luto ao conviver com situação de terminalidade, até a falta de recursos financeiros da instituição e da própria pessoa, e a limitação física relacionada a distância entre o domicílio do voluntário até a Casa de Apoio.

Trabalhar com pessoas com câncer pode desencadear sofrimento para o trabalhador voluntário, que passa a lidar com sentimentos antes pouco experienciados, fazendo com que as pessoas despertem mecanismos de defesa, como a negação. Estudo com voluntários que trabalhavam junto a crianças com câncer identificou que, a evolução da doença da criança para a morte gerava angústia para os trabalhadores, que sentiam a perda do paciente de forma significativa.18

Em relação aos percalços econômicos reconhecidos pelos participantes da pesquisa, como a falta de recursos financeiros e apoio governamental para custear as atividades da instituição, ressalta-se que, em outro estudo realizado com voluntários foi observado que, muitas vezes, o voluntário se coloca no lugar do poder público, no sentido de prover condições adequadas para as pessoas que recebem seus cuidados.16 Por conta disso, a frustração e o sentimento de impotência, muitas vezes, podem fazer parte do cotidiano do voluntário, que se vê incapaz de prestar auxílio efetivamente aos seus pacientes.

Outro percalço na realização do trabalho voluntário, reconhecido pelas participantes psicólogas, foi a falta de adesão ao atendimento psicológico oferecido às pessoas da instituição. Isso porque, referiram que as pessoas têm dificuldades em aceitá-lo e em manter a continuidade do tratamento após iniciado. Na opinião das voluntárias, este comportamento pode estar relacionado à facilidade na oferta do tratamento, como por exemplo, a gratuidade estabelecida pelo voluntariado.

Os resultados demonstram ainda que o trabalho voluntário propicia benefícios a quem o realiza, significando-os como uma experiência gratificante, satisfatória, e que promove o crescimento pessoal e profissional. A satisfação do voluntariado por sua contribuição pessoal no processo de trabalho se constitui em motivação ímpar à continuidade do ofício ou, até mesmo, em missão objetivada neste meio.15

Indiferente das percepções ou opiniões acerca do voluntariado, a execução deste ofício deve ser benéfica tanto para a pessoa que o realiza como para a sociedade, sendo esse o principal objetivo dessa modalidade de atenção.6,19 Estudos apontam que esse tipo de atividade promove um benefício considerado recíproco na vida do ser humano, ou seja, é benéfico para quem o recebe e para quem o executa.20,21 Além disso, o trabalho de doar-se encontra-se ancorado na consciência de estar prestando serviço à sociedade, ao próximo, cumprindo o papel de cidadão e experimentando o potencial transformador que tais atitudes representam para o crescimento interior do próprio indivíduo.22

Nesse sentido, de maneira individual, o trabalho voluntário pode proporcionar experiência profissional, crescimento individual e mudanças no olhar para a vida. Esse tipo de aprendizagem é direcionado ao crescimento, no sentido de mudança no ser humano, a fim de que ele melhore como pessoa. Assim, o resultado final do voluntariado é mais complexo do que apenas o resultado final do trabalho6: ele afeta de maneira individual e única cada pessoa que se dedica ao outro de forma humanitária e gratuita. Além disso, constitui-se em fonte de apoio e conforto às pessoas que vivenciam o tratamento para o câncer.23,24

CONCLUSÃO E IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA

O trabalho voluntário em uma Casa de Apoio Oncológica é envolto por múltiplos significados e diversas motivações, as quais envolvem crenças, caridade, amor ao próximo e até mesmo uma questão cultural, sendo sua compreensão complexa e particularizada. Constatou-se também que esse tipo de trabalho pode trazer alguns percalços, como a presença de sentimentos de sofrimento e impotência relacionados às especificidades do câncer; às dificuldades financeiras da instituição e das pessoas voluntárias; e à delimitação física, quando a mesma impede as pessoas de executá-lo.

No entanto, o estudo também identificou que esse tipo de atividade propicia múltiplos benefícios a quem o realiza, incluindo satisfação, gratificação e até mesmo reconhecimento pessoal e profissional, que são considerados sentimentos positivos para o ser humano.

Tendo em vista a humanização preconizada pelo Ministério da Saúde, aprofundar estudos com esta temática como a motivação para ações de solidariedade e cidadania é primordial. Assim, dar continuidade a novos estudos com esta temática pode estimular praticas de humanização nos diversos cenários da saúde.

Como limitação do estudo pontua-se que foi realizado somente em uma instituição e com uma população delimitada. Contudo, a crescente área do trabalho voluntário reflete a necessidade de se desenvolver mais estudos nesse contexto.

REFERÊNCIAS

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Recebido: 02 de Dezembro de 2019; Aceito: 01 de Abril de 2020

Autor Correspondente: Patrícia Bossolani Charlo E-mail: patbcs20@gmail.com

CONTRIBUIÇÕES DOS AUTORES: Desenho do estudo. Aquisição, análise de dados e interpretação dos resultados. Revisão crítica do manuscrito. Aprovação da versão final do artigo. Responsabilidade por todos os aspectos do conteúdo e integridade do artigo publicado. Patrícia Bossolani Charlo. Desenho do estudo. Concepção do estudo. Análise de dados e interpretação dos resultados. Revisão crítica do manuscrito. Aprovação da versão final do artigo. Responsabilidade por todos os aspectos do conteúdo e integridade do artigo publicado. Marcele Paiano, Maria Aparecida Salci e Catarina Catarina Aparecida Sales. Coleta de dados. Revisão crítica do manuscrito. Aprovação da versão final do artigo. Responsabilidade por todos os aspectos do conteúdo e a integridade do artigo publicado. Julia Wakiuchi, Jéssica Manari Casado.

EDITOR ASSOCIADO: Antônio José de Almeida Filho

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