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Psicologia: Ciência e Profissão

Print version ISSN 1414-9893

Psicol. cienc. prof. vol.31 no.1 Brasília  2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98932011000100017 

HOMENAGEADO

 

 

 

Sylvia Leser de Mello

Sylvia Leser nasceu em São Paulo, em 8 de abril de 1935. Seu caminho acadêmico começou com o curso de Filosofia na USP, concluído em 1961. Mas foi na França que seus passos se cruzaram com o caminho da Psicologia social, a partir de um estágio na então chamada École Pratique des Hautes Études (EPHE). De volta ao Brasil, começou a lecionar na Universidade de São Paulo (USP), no curso de Pedagogia da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, em momento no qual a USP passava por uma reforma universitária Era o ano de 1970, e o Brasil vivia sob o comando militar. Um dos efeitos da reforma foi o enfraquecimento dos grupos de oposição política, que foram dispersos em faculdades distintas. A de filosofia, por exemplo, que antes abrigava diversos cursos, incluindo o de Psicologia, foi dividida em vários departamentos, alocados em prédios separados.

Com a separação, foi criado o Instituto de Psicologia em 1970, no qual Sylvia passou a ministrar aulas. Com a criação do Instituto se iniciou a discussão em torno da definição do curso como uma disciplina da ciência biológica ou humana,. Em seus trabalhos, Sylvia Leser fugiu dessas dicotomias, mesclando e criando a partir da relação entre a Psicologia e as diferentes áreas do saber, como a Literatura e a Filosofia. Em 72, defendeu sua tese de doutorado, com o tema “As atividades profissionais e o psicólogo em São Paulo”.

Entre suas publicações na Psicologia social, estão as que tratam da relação do trabalho com o homem. “O trabalho é central na vida dos homens. Essa atividade concentra grande parte da sua vida útil, ela define o lugar que ele ocupa na sociedade” afirma Sylvia. Entre os livros que publicou, está o chamado “Trabalho e sobrevivência: mulheres no campo e na periferia de São Paulo”. Nesta publicação, do ano de 1988, Sylvia Leser trata da relação das mulheres com o trabalho. Por meio da narrativa, há uma tentativa de compreensão da forma como as mulheres, empregadas domésticas, se situam a partir das suas atividades profissionais. Para compor o texto, a autora se reuniu com diversas mulheres do campo e da periferia de São Paulo. O resultado foi um relato sensível, em que vida e trabalho se entrelaçam na narrativa destas brasileiras.

As relações familiares são outro assunto constante em seus textos. No artigo Classes populares, família e preconceito, de 1992, Sylvia revela novas formas de percepção da vida familiar dos oprimidos, tentando retirar o estigma de desorganização que os acompanha “Não é razoável falar-se de desorganização, com o sentido claramente estigmatizante que a palavra adquiriu na literatura educacional e psicológica, quando estamos, de fato, diante de formas diferentes de organização. Quando o pesquisador se liberta do modelo, liberta-se, portanto, do preconceito e pode ver as famílias como elas são e não como deveriam ser”, afirma Sylvia no artigo. Seu interesse sobre as famílias levou à criação do Laboratório de Estudos da Família, Relações de Gênero e Sexualidade do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da USP, em que estão presentes pesquisa, ensino e extensão. O Laboratório, desde o início, abrigou a formação do NEPAIDS, Núcleo de Estudos e Pesquisas em Prevenção à AIDS.

Em 2003, Leser recebeu do Conselho Regional de Psicologia da 6ª. Região (São Paulo) o título de reconhecimento pelo seu compromisso social com a psicologia no Brasil. Possui diversos artigos publicados, livros e apresentações em congressos. Atualmente Sylvia leciona na pós-graduação da USP. Entre as aulas que ministra está a que trata do escritor Franz Kafka. Nela, Sylvia promove a intersecção entre literatura e a psicologia. Além disso, é coordenadora acadêmica da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade de São Paulo (ITCP-USP). Iniciado em 1998 e atualmente presente em 40 universidades brasileiras, o ITCP é um programa de extensão universitária interdisciplinar que envolve professores e alunos em atividades de economia solidária que auxiliam na geração de renda de populações marginalizadas.

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