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Psicologia: Ciência e Profissão

Print version ISSN 1414-9893

Psicol. cienc. prof. vol.34 no.1 Brasília Jan./Mar. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98932014000100002 

ARTIGOS

 

Preferência musical e busca de sensações entre jovens

 

Music preference and sensation seeking among youngsters

 

Preferencia musicale y la búsqueda de sensación entre jóvenes

 

 

Carlos Eduardo Pimentel*; Valdiney Veloso Gouveia**; Leconte de Lisle Coelho Júnior***; Rebecca Alves Aguiar Athayde****; Tiago Jessé Souza de Lima*****

Universidade Federal da Paraíba

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Este estudo objetivou conhecer a correlação entre preferência musical e busca de sensações, testando modelos de mediação e moderação. Participaram 279 estudantes do ensino médio, com média de idade de 17 anos e igualmente distribuídos por sexo, que responderam a Escala de Preferência Musical, o Inventário de Arnett de Busca de Sensações e questões demográficas. Observou-se correlação da preferência por estilos musicais alternativos (positiva, como, por exemplo, rock, música eletrônica) e convencional (negativa, como, por exemplo, música clássica, música religiosa) com o fator intensidade de busca de sensações. Constatou-se também que as relações entre o fator novidade e os estilos alternativos e convencionais foram mediadas pela busca por intensidade. Testou-se a moderação da busca por novidade na relação entre intensidade e música alternativa, que não foi confirmada. Tais resultados foram discutidos com base na literatura sobre correlatos da busca de sensações, e sugere-se estudos que contribuam para entender seu efeito na preferência musical.

Palavras-chave: Preferências, Música, Percepção, Adolescentes, Sensação, Comportamento de escolha.


ABSTRACT

This study aimed to know the correlation between music preference and sensation seeking, testing models of mediation and moderation. The participants were 279 high school students, mean age of 17 years, equally distributed by gender, who answered the Musical Preference Scale, the Arnett Inventory of Sensation Seeking and demographic questions. It was observed correlation of preferred musical styles alternative (positive, e.g., rock, electronic music) and conventional (negative, e.g., classical music, religious music) with the factor named as intensity of sensation seeking. It was also found that the correlations between novelty factor and the alternative and conventional styles were mediated by the seeking of intensity. We tested the moderation of novelty in the correlation between intensity and alternative music, which was not confirmed. These results were discussed based on the literature about the correlates of sensation seeking, suggesting studies that might contribute to understand its effects on music preference.

Keywords: Preference, Music, Perception, Adolescents, Sensation, Choice Behavior.


RESUMEN

Este estudio investigó la correlación entre preferencia musical y búsqueda de sensaciones, probando modelos de mediación y moderación. Participaron 279 estudiantes de secundaria, con edad promedia de 17 años, distribuidos igualmente por género. Ellos contestaron la Escala de Preferencia Musical, el Inventario de Arnett de Búsqueda de Sensación y preguntas demográficas. Se observó correlación de la preferencia por estilos alternativo (positiva; por ejemplo, rock, música electrónica) y convencional (negativa; por ejemplo, música clásica, música religiosa) con el factor intensidad de búsqueda. También se constató que las correlaciones entre el factor novedad y los estilos alternativo y convencional fueron mediadas por búsqueda por intensidad. Se evaluó la moderación de la búsqueda por novedad en la relación entre intensidad y música alternativa, que no se confirmó. Estos hallazgos fueron discutidos según la literatura sobre los correlatos de búsqueda de sensaciones, sugieriendo estudios que contribuyan para entender su efecto en la preferencia musical.

Palavras clave: Preferência, Música, Percepcion, Adolescentes, Sensación, Conducta de eleccion.


 

 

A preferência musical é uma variável que tem chamado a atenção de pesquisadores na Psicologia, particularmente no âmbito da pesquisa sobre traços de personalidade (Cattell & Saunders, 1954), no qual novas pesquisas têm sido demandadas (Rentfrow, 2004; Rentfrow & Gosling, 2003). Conceitualmente, de acordo com Boer (2009), a preferência musical pode ser compreendida como uma atitude, isto é, como uma avaliação geral em termos de favorabilidade ou de desfavorabilidade em relação a estilos musicais. Essa autora levou em conta a teoria funcional das atitudes para entender a preferência musical, descrevendo as funções avaliação de objeto, ajustamento social, defesa do ego e expressão de valores. Schwartz e Foutz (2003) sugerem que, por meio da preferência musical, a própria personalidade se expressa. De fato, a preferência musical tem estado relacionada com alguns traços ou fatores da personalidade, quer em termos dos cinco grandes (Rawlings & Ciancarelli, 1997; Rentfrow & Gosling, 2003; Pimentel & Donnely, 2008) ou de outros modelos (Mccown, Keiser, Mulhearn, & Williamson, 1997; North, Desborough, & Skarstein, 2005; Pearson & Dollinger, 2004).

Não é somente a traços de personalidade que a preferência está associada. As pesquisas no contexto internacional, por exemplo, têm revelado correlações significativas da preferência musical com orientação política (Fox & Williams, 1974), estilos de vida (North & Hargreaves, 2007), valores (Boer, 2009; Leming, 1987), autoestima (Rentfrow & Gosling, 2006), viés intergrupal (Bakagiannis & Tarrant, 2006), risco de suicídio (Lacourse, Claes, & Villeneuve, 2001), habilidades cognitivas (Rentfrow & Gosling, 2003), problemas familiares, uso de drogas, comportamento sexual de risco e condutas antissociais (Arnett, 1991; Dent et al., 1992; Mulder, Bogt, Raaijmakers, & Vollebergh, 2006; Singer, Levine, & Jou, 1993). No âmbito dos estudos nacionais, é possível encontrar pesquisas que relacionem a preferência musical com valores e identificação grupal (Pimentel, 2004), comportamentos e atitudes antissociais (Pimentel, Gouveia, & Vasconcelos, 2005) e com risco de suicídio (Pimentel, Gouveia, Lima, Chaves, & Rodrigues, 2009).

Apesar do que foi anteriormente comentado, muito há ainda que pesquisar com o fim de conhecer os antecedentes e os consequentes da preferência musical. Nesse sentido, um elemento importante parece potencialmente relacionado com essa variável, sendo tratado como um traço de personalidade, ou seja, o construto busca de sensações (Arnett, 1991; Litle & Zuckerman, 1986; McNamara & Ballard, 1999; Weisskirch & Murphy, 2004). Esse traço tem sido relevante para a explicação de vários comportamentos (Zuckerman, 1994), e pode contribuir igualmente para compreender a preferência musical e, inclusive, a relação desta com outras variáveis. É possível, por exemplo, que a relação entre preferência musical e comportamentos de risco seja mediada ou moderada pela busca de sensações. Demanda-se, pois, entender melhor esse construto.

 

Busca de sensações

A busca de sensações é definida por (Zuckerman 1994; Zuckerman, Bushsbaum, & Murphy, 1980) como um traço, uma disposição que se liga a correlatos de ordem biológica, e que pode ser entendida como uma “tendência para procurar sensações e experiências novas variadas, complexas e intensas, e a disposição para correr riscos com a finalidade de satisfazer tais experiências” (Zuckerman, 1994, p.1). Arnett (1994), por sua vez, define esse traço como um potencial para a tomada de riscos; de acordo com sua teoria da socialização (Arnett, 1992a), os comportamentos de risco são prevalentes na adolescência devido a níveis altos de busca de sensações nessa fase da vida. Esse autor comentou que um grupo de amigos que possua níveis altos de busca de sensações muito provavelmente terá o mesmo objetivo acerca do que fazer um sábado à noite: eles se envolverão em comportamentos de risco para sua saúde e poderão colocar em risco também o bem-estar de outrem.

Arnett (1994) enfatizou, em sua definição de busca de sensações, a qualidade da estimulação sensorial. Segundo esse autor, portanto, a busca de sensações se define principalmente pela busca que envolve intensidade e novidade, estando esses fatores positivamente relacionados entre si. Em termos operacionais, comportamentos que expressam a busca por novidade expressariam o desejo de viajar para países distantes ou de ir para a Lua, por exemplo, e comportamentos relacionados com a busca por intensidade se traduziriam em escutar música em volume alto ou trabalhar melhor sob pressão, por exemplo.

Diversas pesquisas prévias têm mostrado correlações entre a busca de sensações e comportamentos sexuais arriscados, como não usar preservativo e ter vários parceiros sexuais (Arnett, 1990, 1994; Arnett & Balle-Jensen, 1993; Ledesma, Poó, & Peltzer, 2007), uso de álcool (Andrew & Cronin, 1997), tabaco (Carton, Jouvent, & Widlöcher, 1994; Greene, Krcmar,Walters, Rubin, & Hale, 2000), substâncias psicoativas (Ames, Zogg, & Stacy, 2002; Crawford, Pentz, Chou, Li, & Dwyer, 2003; Dubey & Arora, 2008) e jogos de azar (McDaniel & Zuckerman, 2003). No contexto nacional, tem sido verificada a relação de busca de sensações com valores de experimentação (Vasconcelos, 2004) e comportamentos antissociais e delitivos (Vasconcelos, Gouveia, Pimentel, & Pessoa, 2008). Nesse sentido, o conjunto dessas pesquisas mostra que esse é um traço importante para explicar uma série de comportamentos bem como para entender construtos presumivelmente correlatos, a exemplo de traços gerais de personalidade (extroversão e abertura à mudança) e preferência musical.

 

Preferência musical e busca de sensações

Alguns estudos, não muitos, procuraram conhecer as relações entre preferência musical e busca de sensações. Verificou-se, por exemplo, que os altos buscadores de sensações demonstravam maior preferência por estilos de músicas anticonvencionais ou excitantes, como heavy metal, hard, soft e classic rock (Arnett, 1991, 1992b; Litle & Zuckerman, 1986; McNamara & Ballard, 1999). Litle e Zuckerman administraram a Escala de Busca de Sensações (SSS-Forma V) e uma medida de preferência musical em 82 estudantes estadunidenses, e comprovaram correlações positivas da pontuação total de busca de sensações com os estilos hard rock, soft rock e classic rock, e correlação negativa com trilhas sonoras. Foram verificadas também correlações positivas de fatores de busca de sensações com folk, música clássica, hard rock e solf rock, e negativas com trilhas sonoras e música religiosa. Esses autores observaram que a maioria dos jovens preferiu o estilo rock, e concluíram que esse tipo de música serve a propósitos dos buscadores de sensações no que tange à busca de estimulação sensorial.

Arnett (1991) verificou também correlações entre a preferência musical e a busca de sensações. Os principais resultados mostraram que os adolescentes que têm preferência por heavy metal apresentaram mais busca de sensações. Posteriormente, Arnett (1992b) corroborou essas relações, verificando que os adolescentes que indicaram preferência pelo hard rock e pelo heavy metal apresentaram também os mais altos níveis de busca de sensações. Congruente com sua teoria, Arnett (1993) explicou que níveis altos de busca de sensações em fãs de heavy metal ocorrem em razão de esse tipo de música ser caracterizado por produzir a sensação de intensidade.

McNamara e Ballard (1999) também verificaram relações entre preferência musical e busca de sensações entre estudantes universitários, presumivelmente jovens com maior propensão à busca de sensações. Esses pesquisadores verificaram que o rock alternativo, o rock clássico e o TOP 40 foram os estilos musicais mais preferidos pelos participantes, sendo os menos preferidos a música cristã, o heavy metal e o bluegrass, e observaram ainda que os estilos mais preferidos se correlacionaram positivamente com a busca de sensações, ao passo que os estilos menos preferidos se correlacionaram negativamente com esse fator. Esses resultados deram suporte aos achados empíricos prévios (Arnett, 1991, 1992b, 1993; Litle & Zuckerman, 1986).

Mais recentemente, Weisskirch e Murphy (2004) procuraram conhecer a preferência musical e a busca de sensações entre jovens estudantes universitários. Esses autores verificaram que os jovens que tiveram pontuações mais altas nos fatores de busca de sensações denominados intensidade e novidade (e também na escala total) apresentaram maior preferência por punk e heavy metal, assim como por reggae e ska, e constataram ainda que aqueles que reportaram passar mais tempo ouvindo música punk apresentaram níveis mais altos de busca de sensações.

Em suma, considerando que a cultura exerce um papel importante na definição de traços de personalidade (Hofstede & McCrae, 2004) e nas preferências musicais de jovens (Boer, 2009), o presente estudo busca replicar no contexto do Nordeste brasileiro os achados previamente descritos sobre a relação entre preferência musical e busca de sensações. Entretanto, busca-se ir mais além dessas pesquisas, comprovando modelos de mediação e de moderação (Baron & Kenny, 1986) dos fatores de busca de sensações e preferência musical. Embora a preferência musical já tenha sido relacionada com outras variáveis, como com a busca de sensações, é importante conhecer a força dessa correlação em contexto brasileiro, o que possibilita reunir mais evidências empíricas que deem conta da natureza etic dessa relação.

 

Método

Participantes

Participaram voluntariamente desta pesquisa 279 estudantes de duas cidades do Nordeste brasileiro: João Pessoa (PB, n = 108) e Teresina (PI, n = 171), que cursavam o ensino médio e apresentavam idades entre 13 e 38 anos (m = 17,3, dp = 3,47); majoritariamente, eram adolescentes e jovens adultos com idades de até 28 anos (98%), sendo a maioria de escolas públicas (65,7%) e solteira (65,6%), equitativamente distribuídos em relação ao sexo.

 

Instrumentos

Um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, com uma breve descrição do núcleo de pesquisa responsável e dos propósitos gerais do estudo, fazia parte da primeira folha do questionário, que continha três partes:

Escala de Preferência Musical. Com base nessa escala (Pimentel, Gouveia, & Pessoa, 2007) e na Escala Abreviada de Preferência Musical (Gouveia, Pimentel, Santana, Chaves, & Rodrigues, 2008; Rentfrow & Gosling, 2003), elaborou-se um instrumento novo, com 16 itens ou estilos musicais, respondidos em escala de sete pontos, tipo Likert, que variaram de 1 = Detesto a 7 = Gosto muito. De acordo com análise fatorial dos eixos principais (PAF), utilizando-se a análise paralela para decidir acerca do número de fatores a extrair, sem fixar rotação, identificaram-se três fatores (que explicaram conjuntamente 37,2% da variância total): música alternativa (a = 0,68; heavy metal, rap, funk, dance/música eletrônica, pop music, punk, reggae), música de massa (α = 0,78; pagode, forró, samba e sertaneja) e música convencional (α = 0,47; MPB, trilhas sonoras, música religiosa e música clássica).

Inventário de Busca de Sensações de Arnett (AISS; Arnett, 1994). Utilizou-se uma versão abreviada dessa escala, proposta por Gouveia et al. (2010), que era formada por 12 itens (α = 0,56) distribuídos em dois fatores: novidade (α = 0,42; por exemplo, “Eu gostaria de viajar para lugares que são estranhos e distantes”) e intensidade (α = 0,51; “Eu gosto de filmes em que há muitas explosões e perseguições de carros”). Essa estrutura bifatorial recebeu apoio empírico por meio de análise fatorial confirmatória: c2 / g.l. = 1,82, GFI = 0,95, AGFI = 0,92, RMSEA = 0,054 (IC 90% = 0,037-0,071), PCLOSE = 0,326. Cada item é respondido em escala de tipo Likert, de quatro pontos, variando de 1 = Descreve-me muito bem a 4 = Não me descreve totalmente. Quanto maior a pontuação, mais busca de sensações a pessoa apresenta.

Questionário demográfico. Na última página do questionário, constavam perguntas de natureza demográfica (cidade, escola, idade e sexo) que tinham a finalidade de caracterizar melhor os participantes do estudo.

 

Procedimento

Inicialmente, contataram-se os diretores de escolas públicas e privadas do ensino médio de João Pessoa e Teresina. Após seu consentimento, os questionários foram aplicados de modo coletivo em sala de aula, mas as respostas foram individuais. Dois bolsistas de Iniciação Científica do curso de Psicologia de uma universidade pública na Paraíba e uma psicóloga colaboradora da pesquisa no Piauí foram responsáveis pela coleta de dados. Estes se identificavam como participantes de uma equipe de pesquisa interessada em saber como os jovens pensam e se comportam no cotidiano. Os aspectos éticos para se realizar a pesquisa com seres humanos foram salvaguardados, o que incluiu a participação voluntária e anônima, o direito ao sigilo e a informação de que a pesquisa não oferecia risco ao respondente. Todos foram informados que poderiam interromper sua participação na pesquisa a qualquer momento, sem que isso acarretasse prejuízo, e que os resultados da pesquisa seriam usados unicamente com fins científicos. Em média, 20 minutos foram necessários para realizar essa atividade.

 

Análise dos dados

A digitação e a análise dos dados foram realizadas no SPSS 15, e incluíram análises descritivas (média, desvio-padrão, percentuais) e inferenciais. Esse programa permitiu obter correlações de Pearson e análise multivariada de variância (MANOVA). O AMOS 7 foi empregado para testar os modelos de mediação (Kenny, 2010a), tendo sido considerados os seguintes indicadores de ajuste (Byrne, 2001; Garson, 2003):

Razão c2 / g.l. O qui-quadrado do modelo é dividido por seus graus de liberdade, recomendando-se como indicação de adequação do modelo valores entre 2 e 3 (ou menos), mas podem ser aceitos até 5.

GFI e CFI. Os Goodness-of-Fit Index (GFI) e Comparative-Fit Index (CFI) são índices que falam do ajuste do modelo, devendose se situar próximos de 1, acima de 0,90 preferencialmente.

RMSEA. Este índice, Root-Mean-Square Error of Approximation, deve ser mais próximo de zero para considerar o ajuste adequado; o ponto de corte é 0,05 ou menos, mas são aceitos valores de 0,10.

ECVI, CAIC e Teste de Diferença entre Quiquadradosc2). O Expected Cross-Validation Index (ECVI) e o Consistent Akaike Information Criterion (CAIC) são utilizados para comparar modelos rivais. O modelo com menores valores de ECVI e CAIC pode ser considerado o mais adequado. Quanto ao Δc2, se for significativo, indica melhor ajuste do modelo com menor valor de c2.

 

Resultados

Estatísticas descritivas

Inicialmente, calcularam-se estatísticas descritivas para cada estilo musical e os fatores de busca de sensações. Os estilos musicais preferidos pelos jovens foram: forró (m = 5,24, dp = 2,09) e dance/ música eletrônica (m = 5,14, dp = 2,09). Considerando o ponto central da escala de resposta (4 = Tanto faz), os seguintes estilos são medianamente preferidos: trilhas sonoras (m = 4,62, dp = 1,19), pop music (m = 4,47, dp = 2,01), pagode (m = 4,36, dp = 2,21), música religiosa (m = 4,22, dp = 2,12), rock(m = 4,08, dp = 2,26), funk (m = 4,03, dp= 2,12) e samba (m = 4,02, dp = 2,08), e, finalmente, eles parecem preferir menos os seguintes: MPB (m = 3,86, dp = 1,90), reggae(m = 3,72, dp = 2,13), rap (m = 3,45, dp = 2,20), sertaneja (m = 3,42, dp = 1,98), música clássica (m = 2,94, dp = 1,95), punk(m = 2,76, dp = 1,94) e heavy metal (m = 2,70, dp = 1,98). Quanto às pontuações nos fatores de busca de sensações, observaramse as seguintes médias: novidade (m = 2,53, dp = 0,57), intensidade (m = 2,52; dp = 0,55) e pontuação total (m = 2,53; dp = 0,44). Considerando a mediana da escala de resposta, situada entre 2 (Não me descreve muito bem) e 3 (Descreve-me um pouco), percebe-se que os respondentes se situaram próximo ao centro da distribuição.

Em suma, os jovens participantes desta pesquisa gostam mais de forró e menos de heavy metal. Isso sugere que apresentam pontuações não tão altas em busca de sensações, o que foi observado, portanto, são jovens que cumprem padrões normativos e apreciam estilos musicais mais de massa, com menos probabilidade de se envolverem em comportamentos de busca de sensações.

 

Correlações entre fatores de busca de sensações e preferências musicais

A pontuação total de busca de sensações apresentou correlação positiva com a preferência pelos seguintes estilos musicais: rock (r = 0,24, p < 0,001), pop music (r = 0,19, p < 0,01), rap (r = 0,19, p < 0,01), dance/música eletrônica (r = 0,15, p < 0,05) e reggae (r = 0,12, p < 0,05), e o fez negativamente com a preferência pelos estilos de música religiosa (r = -0,19, p < 0,01) e música sertaneja (r = -0,14, p < 0,05). Quanto aos fatores específicos de busca de sensações, suas correlações com a preferência pelos estilos foram os seguintes: (1) intensidade se correlacionou com rap (r = 0,27, p < 0,001), música religiosa (r = -0,24, p < 0,001), pop music (r = 0,21, p < 0,001), música sertaneja (r= -0,18, p < 0,01), música clássica (r = -0,15, p < 0,05), dance/música eletrônica (r = 0,14, p < 0,05), reggae (r = 0,14, p < 0,05) e funk (r = 0,13, p <0,05), e novidade somente o fez com rock (r = 0,17, p < 0,05).

Tendo em conta os fatores de preferência musical, verificaram-se as seguintes médias: música de massa (m = 4,26, dp = 1,62), música convencional (m = 3,91, dp = 1,22) e música alternativa (m = 3,78, dp = 1,15). A música alternativa se correlacionou positivamente com o fator intensidade (r = 0,29, p < 0,001) e com a pontuação total do AISS (r = 0,28; p < 0,001); em direção oposta, observou-se que o fator intensidade se correlacionou negativamente com música convencional (r = -0,20, p < 0,01).

 

Análises de mediação e moderação

Antes de proceder à análise de mediação com a amostra total, por meio de uma MANOVA, verificou-se não haver diferenças nos fatores de preferência musical e busca de sensações em relação às cidades João Pessoa e Teresina (Lambda de Wilks = 0,957, F = 2,243, p < 0,05), portanto, procedeu-se ao teste de análise de mediação com o conjunto total de participantes, uma vez que o tamanho da amostra é uma característica importante para essa estatística, sendo recomendados ao menos 200 sujeitos (DiStefano & Hess, 2005; Weston & Gore, 2006). Essa análise procurou saber se a busca de sensações prediz a preferência musical, testando modelos de mediação. Inicialmente, verificou-se esse modelo tendo como variáveis antecedentes os fatores de busca por novidade e intensidade (correlacionados entre si) e consequentes a preferência por músicas dos tipos alternativa e convencional.

Considerando os modelos de efeitos diretos, o Modelo 2 com os fatores de busca de sensações correlacionados entre si apresentou melhores índices de ajuste aos dados do que o Modelo 1, com o qual tais fatores não estavam correlacionados. Na Figura 1, são apresentadas as relações entre as variáveis do Modelo 2, que apresentou pesos de regressão estatisticamente diferentes de zero (p < 0,001), com exceção da predição da música alternativa pelo fator de busca de sensações denominado novidade.

 

 

Com o propósito de verificar os efeitos indiretos, testaram-se quatro modelos por meio de bootstrap (reamostragem) paramétrico, com o método bias-correct confidence intervals (Cheung & Lau, 2008), que tem sido recomendado para testes desse tipo de análise (Hayes, 2010; Kenny, 2010a). Utilizaram-se 2.000 amostras simuladas e intervalo de confiança de 90% para se verificar os efeitos diretos e indiretos. Os resultados principais são mostrados na Tabela 1 (Modelos 3 a 6).

 

 

 

De acordo com essa tabela, embora não tenha apresentado os melhores indicadores de ajuste, o Modelo 4, que indica mediação completa da preferência musical pela busca de sensações, apresentou valores aceitáveis, com todos os pesos de regressão estatisticamente diferentes de zero (p < 0,001). Destaca-se que todas as relações se deram na direção esperada. Além de efeitos diretos de intensidade nos fatores de preferência musical, comprovaram-se também efeitos indiretos padronizados de novidade em música convencional (IC 90% = -0,18; -0,05, p< 0,001) e em música alternativa (IC 90% = 0,08; 0,23, p <0,001). Isso sugere que, quanto mais os jovens buscam novidade e intensidade, mais preferem música alternativa e menos música convencional. O conjunto dessas relações é retratado na Figura 2.

 

 

Os Modelos 5 e 6 mostraram que o fator novidade predisse direta e positivamente a preferência por música convencional. Mesmo que esses modelos, no geral, tenham apresentado índices melhores do que o anteriormente descrito, a relação previamente indicada não era esperada, portanto, recomenda-se tratá-los com alguma cautela.

Por fim, buscou-se verificar se o fator novidade moderaria as relações entre intensidade e música alternativa, seguindo-se o procedimento recomendado na literatura especializada (Miles & Shevlin, 2001; Kenny, 2010b). Inicialmente, verificou-se a predição dos fatores intensidade (zIntensidade) e novidade (zNovidade) na música alternativa, que apresentaram pesos de regressão padronizados de 0,28 e 0,04, respectivamente. Entretanto, a moderação não pôde ser confirmada, pois a entrada do termo de interação (variável moderadora [zNovidade] x variável independente [zIntensidade]) não mudou tais relações, permanecendo as direções e as magnitudes previamente descritas.

 

Discussão

Na presente pesquisa, procurou-se conhecer as correlações entre a preferência musical e a busca de sensações entre adolescentes e jovens adultos. Nesse contexto, o fator intensidade foi mais preponderante. Porém, além de tais correlações, comprovaram-se ainda padrões de mediação, considerando os fatores de busca por novidade e intensidade e os de música alternativa e música convencional. Tratados em conjunto, esses resultados corroboram a teoria psicológica de busca de sensações (Litle & Zuckerman, 1983; Zuckerman, 1994), especificamente no que se refere à busca de intensidade na estimulação sensorial (Arnett, 1994). Destacase ainda que achados previamente descritos apoiam pesquisas que descrevem correlações entre a preferência por estilos musicais considerados excitantes (por exemplo, rap, rock) e a busca por sensações (Arnett, 1991, 1992b, 1993; Litle & Zuckerman, 1983; McNamara & Ballard, 1999; Weisskirch & Murphy, 2004).

Uma contribuição importante da presente pesquisa diz respeito às correlações da dance music com fatores de busca de sensações. Por exemplo, a preferência por esse estilo musical se relacionou positivamente com o fator intensidade com o fator geral de busca de sensações. De modo semelhante, intensidade se correlacionou com a preferência por pop music, rock e funk, sendo que o rock o fez também com o fator novidade. No estudo de Weisskirch e Murphy (2004), que também usaram o AISS, o heavy metal foi o estilo que se correlacionou com intensidade, novidade e a pontuação total de busca de sensações. Por outro lado, constatou-se uma correlação negativa entre a preferência por música religiosa e o fator intensidade. Isso poderia ser esperado, de acordo com o que se presume na literatura (Singer, Levine, & Jou, 1993; Zuckerman, 1994).

 

Análises de mediação

Quanto às análises de mediação, utilizou-se procedimento recentemente recomendado na literatura (Cheung & Lau, 2008; Hayes, 2010; Kenny, 2010a). Verificou-se que a relação entre busca por novidade e preferência por música alternativa e música convencional é mediada (mediação completa, isto é, Modelo 4) pela busca por intensidade. Esse modelo foi testado com diversos modelos alternativos, como tem sido sugerido (DiStefano & Hess, 2005; Weston & Gore, 2006). Nesse sentido, Arnett (1993) explicou que a preferência por heavy metal leva à busca de intensidade na estimulação sensorial, o que é corroborado na presente pesquisa com a inclusão de outros estilos musicais excitantes em um fator chamado de música alternativa. Segundo Arnett (1994), o fator intensidade pode expressar-se em comportamentos relacionados com a música, como escutá-la em volume alto, o que é comum quando se trata de estilos alternativos.

O Modelo 2, em que a busca de sensações predisse diretamente a preferência por estilos musicais alternativos e convencionais,apresentou índices de ajuste satisfatórios, e, nesse sentido, pode ser considerado equivalente ao Modelo 4 no que diz respeito a sua plausibilidade (McDonald & Ro, 2002), porém a virtude daquele reside nas relações de mediação.

Considerando o fator música alternativa e sua relação com intensidade, possivelmente se fosse observada preferência alta por músicas desse estilo teria sido verificado efeito direto maior de busca de sensações. Nesse ponto, destaca-se que o efeito direto da busca por novidade na música convencional não era esperado, pois deu-se em direção contrária ao observado nas correlações, aspecto que demandará estudos futuros.

 

Limitações da pesquisa

Apesar de cumpridos os objetivos desta pesquisa, é necessário pensar acerca de suas limitações potenciais. No caso, contar com amostra não aleatória sugere restrição quanto à generalização dos resultados, contudo, pondere-se que os achados descritos são consoantes com pesquisas prévias. Outro aspecto importante é que não foi possível verificar propriamente preferência (no sentido de favorabilidade ou de atitudes positivas) com relação a alguns estilos musicais, como o heavy metal, estilo que tem sido relacionado com a busca de sensações, sendo que, no presente estudo, verificouse que se trata do estilo menos preferido pelos adolescentes e jovens adultos, talvez indicando a natureza emic da preferência musical, entendendo-se essa terminologia a especificidade cultural e temporal dessa preferência. A propósito, no estudo de Litle e Zuckerman (1983), realizado no contexto estadunidense, o estilo musical preferido foi o rock, assim como ocorreu naquele descrito por McNamara e Ballard (1999). No estudo de Weisskirch e Murphy (2004), porém,o reggae foi o preferido, enquanto Arnett (1993, 1991, 1992b) identificou número expressivo de fãs de heavy metal. No presente estudo, entretanto, preferiu-se o forró, que é típico do Nordeste, mas que vem ganhando destaque no cenário nacional.

 

Considerações finais

De acordo com o levantamento realizado, esta é a primeira pesquisa em país de língua portuguesa que verifica a relação entre preferência musical e busca de sensações. Os resultados foram coerentes na maioria das relações encontradas. Espera-se que este estudo instigue replicações no contexto em que esta pesquisa se desenvolveu e em outras regiões do País. É importante que se verifique essa relação em fatores e níveis distintos de busca de sensações, considerando grupos que valorizam tanto estilos musicais alternativos como convencionais. A avaliação de possíveis moderadores e mediadores (Baron & Kenny, 1986) dessa relação, como a religiosidade (Arnett, 1998) e o sexo (Roberti, 2004) dos participantes, deve ser incentivada. Do mesmo modo, devem-se considerar outros traços de personalidade, diferentes idades e fases do desenvolvimento, visando a contribuir para a explicação da preferência musical (Rentfrow & Gosling, 2003).

 

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Endereço para correspondência
Carlos Eduardo Pimentel
Universidade Federal da Paraíba, Centro de Ciências Humanas Letras e Artes, Campus I, Departamento de Psicologia
Cidade Universitária, Castelo Branco. CEP: 58051-900. João Pessoa, PB.
E-mail: carlosepimentel@bol.com.br

Recebido 10/05/2010
Aprovado 25/05/2012.

 

 

* Doutor em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações pela Universidade de Brasília e Professor Adjunto do Departamento de Psicologia da Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa – PB – Brasil. E-mail: carlosepimentel@bol.com.br
** Doutor em Psicologia Social pela Universidade Complutense de Madri e Professor Titular da Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa – PB – Brasil. E-mail: vvgouveia@gmail.com
*** Doutor em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo e Professor da Faculdade Maurício de Nassau, Campina Grande – PB – Brasil. E-mail: lecontey@yahoo.com.br
**** Doutoranda em Psicologia Social na Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa – PB – Brasil. E-mail: bekinhacfa@hotmail.com
***** Doutorando em Psicologia Social na Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa – PB – Brasil. E-mail: tiago.souzalima@hotmail.com

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