SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.35 issue2Selection of Personnel in PsychologyRomantic Jealousy Scale: Psychometric Evidence for a Brief Version author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Psicologia: Ciência e Profissão

Print version ISSN 1414-9893On-line version ISSN 1982-3703

Psicol. cienc. prof. vol.35 no.2 Brasília Apr./June 2015

https://doi.org/10.1590/1982-370301932013 

Artigos

Produção Científica sobre Família e Comunidade na Base de Dados PePSIC (2002/2012)

Scientific Publications Concerning Family and Community in the PePSIC Database (2002-2012)

La Literatura Científica sobre la Familia y la Comunidad en el PePSIC Database (2002/2012)

Tales Vilela Santeiro1 

Tatiana Machiavelli Carmo Souza2 

Fabio Scorsolini-Comin3 

Fabíola Ribeiro de Moraes Santeiro4 

1Doutor em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas - SP. Brasil. Docente da Universidade Federal de Goiás, Regional Jataí, Jataí - GO. Brasil. E-mail: talessanteiro@hotmail.com

2Doutora em Serviço Social pela Universidade Estadual de São Paulo, Franca - SP. Brasil. Docente da Universidade Federal de Goiás, Regional Jataí, Jataí - GO. Brasil. E-mail: tatimachiavelli@yahoo.com.br

3Doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto - SP. Brasil. Docente da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Uberaba - MG. Brasil. E-mail: fabioscorsolini@gmail.com

4Psicóloga clínica e psicoterapeuta da prática privada. Mestre em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiânia - GO. Brasil. E-mail: fabiolarmsanteiro@hotmail.com


RESUMO

Esta revisão sistemática de literatura teve por objetivo mapear as variáveis relacionadas à produção científica sobre família e comunidade, indexada na base de dados Periódicos Eletrônicos em Psicologia (PePSIC). A busca de informações foi realizada por meio dos vocábulos "família" e "comunidade" e contemplou artigos completos, publicados entre 2002 e 2012 (n = 44). Foi realizado tratamento quantitativo e qualitativo na amostra. No geral, os estudos foram produzidos no sudeste brasileiro, em instituições privadas de ensino superior, com relativo destaque para investigações empíricas e relatos de experiência desenvolvidos por mulheres, e na modalidade de autoria múltipla. A produção foi divulgada em periódicos nacionais, que seguem critérios editoriais reconhecidos pela comunidade acadêmica (Qualis/CAPES). Temáticas sobre infância e adolescência foram priorizadas nos trabalhos, com diversidade de enfoques teóricos da Psicologia. As intervenções psicológicas relatadas abarcaram propostas terapêuticas e não terapêuticas, individuais e grupais, e transcorreram em ambientes institucionais. Análises comparativas, com amostras obtidas em outras fontes de informação, são desejáveis e encontram-se em andamento.

Palavras-Chave: Relações familiares; Pesquisa bibliográfica; Psicologia Comunitária; Bases de dados; Revisão sistemática de literatura

ABSTRACT

This systematic literature review aimed to map the variables associated with the scientific publications about family and community indexed in the database Periódicos Eletrônicos em Psicologia (PePSIC). The search was performed using the keywords "family" and "community" and included articles published between 2002 and 2012 (n = 44). The sample was quantitatively and qualitatively analyzed. Overall, the studies were produced in southeastern Brazil, in private institutions of higher learning, with an emphasis on empirical research and experience reports developed by women with multiple authorship. The publications were published in national journals, following editorial criteria recognized by the academic community (Qualis/CAPES). Childhood and adolescence issues were prioritized, with a wide range of psychological theoretical models. The reported psychological interventions encompassed therapeutic and non-therapeutic, individuals and groups, and passed in institutional settings. Comparative analyses with samples from other sources of information are required, which are in progress.

Key words: Family relations; Community mental health; Community Psychology; Databases; Systematic review of the literature

RESUMEN

Esta revisión sistemática tuvo como objetivo mapear las variables relacionadas con la literatura científica sobre la familia y la comunidad, indexados en la base de datos electrónica Periódicos Electrónicos en Psicologia (PePSIC). La búsqueda de información se realizó mediante las palabras clave "familia" y "comunidad" y artículos publicados entre 2002 y 2012 (n = 44). Se realizó tratamiento cuantitativo y cualitativo en la muestra. En general, los estudios fueron realizados en el sureste de Brasil, en las instituciones privadas de educación superior, con énfasis en la investigación empírica, los informes de experiencias desarrolladas por mujeres y en la forma de la autoría múltiple. La producción fue publicada en revistas nacionales, siguiendo los criterios editoriales reconocidos por la comunidad académica (Qualis / CAPES). Se dio prioridad a los trabajos, sobre la niñez y la adolescencia,, producidos con la diversidad teórica de la Psicología. Las intervenciones psicológicas informaron propuestas enfocadas en lo terapéutico y no terapéutico, individual y en grupo, y realizadas en instituciones. El análisis comparativo con muestras de otras fuentes de información son deseables y están en curso.

Palabras-clave: Relaciones familiares; Investigación bibliografica; Psicologia Comunitaria; Bases de datos; Revisión sistemática de la literatura

O conceito de família vem sendo alvo de diversas discussões que tratam não apenas da dificuldade de se delimitar o que constitui uma família, mas também da complexidade que permeia a família contemporânea em toda a sua diversidade de arranjos. Acuña (2012, p.ix) defende o conceito de família como a "célula primária da sociedade" e, enquanto tal, configura-se como espaço de cuidado e sustento de cidadãos, em todas as fases da vida.

O termo comunidade abrange as formas de relacionamento entre indivíduos e pode ser melhor caracterizado a partir do referencial teórico e/ou da práxis do psicólogo (Gomes, 1999). Campos (2000) define a comunidade como "(...) espaço geográfico, social e econômico, significativo e básico da vida em sociedade" (p. 100). A Psicologia Comunitária busca, assim, o desenvolvimento de linhas de pensamento, bem como de práticas, de uma Psicologia que seja atrelada à realidade social brasileira, a qual pensa o homem a partir das experiências do mundo social e cultural do qual ele é parte integrante. Para esse campo teórico, as relações sociais não são fenômenos neutros ou naturais, mas são sim determinadas pelos modos de produção. Nessa perspectiva, a sociedade não é apenas o lócus de desenvolvimento do homem, mas é ela que possibilita, a partir da historicidade, a constituição e a emancipação dos grupos sociais (Arendt, 1997; Campos, 2000).

Estudiosos de Psicologia Comunitária reconhecem a complexidade envolvida no conceito de comunidade, que não se presta a ser fechado sem riscos (Campos, 2000; Góis, 2003; Sawaia, 1996). Assim, neste momento, serão buscadas produções científicas comprometidas com o estudo das famílias em conexão com esferas sociocomunitárias, como escolas, hospitais, bairros e saúde pública, de modo que extravasem a concepção de comunidade como um "lugar específico". Por essa via, mesmo que determinado estudo contemple um indivíduo de umafamília, eventuais dicotomias presentes nas relações indivíduo-família e/ou indivíduo-comunidade precisam estar devidamente superadas.

Desse modo, o olhar que a Psicologia tem dispensado à família é amplo e tem englobado diversidade epistemológica e teórica; ora ele se foca sobre a família e sua inserção em nível sociocomunitário, ora o faz sobre o modo como seus integrantes se relacionam entre si (Baptista & Teodoro, 2012; Eizirik & Bassols, 2013; Féres-Carneiro, 2011; Wagner, Tronco, & Armani, 2011). Em todos os casos, importa dizer que, em relação às diferentes concepções possíveis sobre o tópico "família", nenhuma delas prescinde da outra rumo a uma compreensão suficientemente abrangente - e necessária - acerca desse complexo sistema humano (Osório, 2013).

As transformações no modo de definir e compreender a instituição familiar têm ampliado possibilidades de discussão. Para Passos (2005), a família contemporânea define-se a partir das rupturas e permanências observadas ao longo do tempo. As rupturas têm aberto espaço para a configuração de novos arranjos e as permanências parecem resguardar ao domínio da família a responsabilidade pela criação e educação dos filhos, pela transmissão de conhecimentos culturais e sociais e pela construção da afetividade e do cuidado. Desse modo, mesmo com as diversas mudanças históricas e societárias, das quais a família é receptáculo e protagonista, observa-se a necessidade de um conceito norteador da entidade familiar, haja vista ela se tratar de uma estrutura que sustenta as próprias transformações (Campos, 2012).

Na contemporaneidade, a família tem passado a abarcar não apenas o universo privado das relações afetivas centralizado no advento do casamento e da parentalidade. A diversidade de arranjos possíveis - famílias monoparentais, casais sem filhos, casais do mesmo sexo, filhos criados por avós, famílias recompostas, recasamentos, entre outros - provoca os pesquisadores na área de família e trazem desafios para a atuação dos profissionais da Psicologia (Scorsolini-Comin & Santos, 2012). Em contextos de atenção comunitária, por exemplo, os psicólogos se deparam com diferentes demandas que os forçam a contemplar a família de modo particular, sua estrutura, características, fontes de apoio e de recursos para as mudanças almejadas. É no cerne da família que essa atenção é realizada, de modo que os conceitos de família e comunidade caminham conjuntamente, compartilhando a necessidade de maior integração na área e da assunção de práticas psicológicas que, de fato, atendam às necessidades dessas famílias em contextos específicos.

A diversidade do campo que compõe a chamada Psicologia da Família (Baptista & Teodoro, 2012) tem instigado pesquisadores e profissionais que atuam com famílias, fomentando exercícios para ordenar a produção científica e a prática na área (Gomes & Rios, 2011; Prati & Koller, 2012). A partir dessa constatação, cabe questionar: como e onde têm se dado as intervenções psicológicas e os estudos na área da família em suas interconexões com aspectos comunitários? Quais temáticas têm sido investigadas quando se considera a família em contextos comunitários e a partir de quais enfoques teóricos isso tem ocorrido? Quais periódicos e com quais características editoriais têm dado visibilidade à produção acadêmica na área? A partir do exposto, este estudo de revisão sistemática de literatura teve por objetivo mapear as variáveis relacionadas à produção científica sobre família e comunidade, indexada na base de dados PePSIC1.

De modo mais específico, os seguintes objetivos foram delimitados: analisar a produção acessada para verificação de experiências, pesquisas e demais contribuições ocorridas nas interfaces entre Psicologia de Família e comunidade, conforme: (a) autoria dos documentos: nome, sexo (feminino, masculino, não identificado), modalidade (única ou coletiva; isolada ou integrada a grupos de pesquisa) e instituição de afiliação (nome, categoria administrativa - pública, privada, região e país de localização); (b) periódicos divulgadores: título, instituição editorial responsável e avaliação pelo Qualis/CAPES da área da Psicologia; (c) temáticas investigadas: parentalidade, família reconstituída, família homoafetiva, conjugalidade, adoção, perdas, entre outras; (d) enquadre teórico dos estudos: psicanalítico, sistêmico, construcionista social, ecletismo, entre outros; (e) tipos de estudos: empíricos, relatos de experiências, revisões de literatura, estudos de caso etc.; e (f) nos casos de estudos que envolvam seres humanos: (f1) caracterização da constituição familiar a partir da matriz parental - casal heterossexual, casal homossexual, monoparentalidade, entre outros); (f2) local de desenvolvimento dos estudos (instituições escolares, instituições de saúde pública, entre outros); e (f3) intervenções psicológicas prestadas (psicoterapias, grupos, aconselhamento psicológico, entre outros).

Método

Tipo de estudo

Trata-se de uma revisão sistemática de literatura científica (Koller, Couto, & Von Hohendorff, 2014;Witter, 1990). Busca-se, de modo geral, contribuir e incrementar debates sobre o que vem sendo produzido e quem tem produzido e disseminado produções sobre família e comunidade, com ênfase na realidade brasileira, porque, como será visto mais adiante, embora a PePSIC atualmente conte com indexação de produções de outras realidades latino-americanas, a produção estrangeira observada foi diminuta.

Amostra e Base de Dados

A amostra foi composta por artigos cadastrados na base de dados eletrônica Periódicos Eletrônicos de Psicologia/PePSIC. De acordo com informações do próprio portal, essa base trata-se de uma fonte da Biblioteca Virtual em Saúde - Psicologia, da União Latino-Americana de Entidades de Psicologia (Periódicos Eletrônicos em Psicologia, n.d.). Lançada em 2005, ela congrega a produção científica de 11 países e pretende contribuir para a visibilidade do conhecimento psicológico e científico gerado nos países da América Latina, a partir da publicação de revistas científicas que utilizam o modelo de acesso aberto (Sampaio & Serradas, 2009).

Procedimento

Coleta de dados

Houve seleção exclusiva de artigos publicados em periódicos indexados na base de dados PePSIC. A busca inicial de informações para a construção docorpus foi executada por meio do cruzamento dos vocábulos "família" e "comunidade", bem como seus correlatos em espanhol e inglês, que foram inseridos cada qual em um dos campos do "formulário básico" e em "todos os campos", em setembro de 2013. A escolha desses descritores deu-se em virtude do estudo tratar-se de pesquisa exploratória, já que os vocábulos definidos não se esgotam em seu campo semântico. Nessa direção, após exclusão de duplicidades em alguns casos, dos 46 artigos acessados, duas exceções foram excluídas: um editorial e uma resenha. Desse modo, nos procedimentos de acesso à informação não se pretendeu empregar outros critérios de exclusão, porque se acreditava que essa medida favoreceria a análise exploratória pretendida2.

Análise dos dados e Juízes

Os dados levantados nos artigos foram dispostos em planilhas do programa Excel, conforme a sequência enumerada nos objetivos. Em seguida, foram tratados quantitativa e qualitativamente. No caso das análises quantitativas, frequências e significância de ocorrências foram estimadas (teste estatístico não-paramétrico Qui-quadrado). Estas subsidiaram as qualitativas, que foram realizadas a partir de artigos constituintes da amostra.

Também para favorecer análises qualitativas, as categorias sobre temáticas investigadas e modelos teóricos, pela complexidade inerente à tarefa, contemplavam necessidade de avaliações coletivas, por juízes. O trabalho de julgamento foi realizado pelos três primeiros autores, que são pesquisadores na área de família e comunidade.

Três procedimentos básicos foram seguidos na atividade de classificação temática: (1) cada artigo era passível de enquadre em uma categoria ou mais; (2) as categorias foram estabelecidas a partir dos enunciados constantes nos títulos, nos resumos e palavras-chave dos artigos; e (3) as categorizações foram discutidas entre os juízes, uma a uma, até a obtenção de consenso. Noquadro 1 são apresentados exemplos do procedimento de categorização temática.

Quadro 1 Exemplos de categorização temática a partir de títulos de artigos. 

Título Autoria 1 2 3 4 5
O Grupo de Trabalho Psicologia da Educação e sua produção entre os anos de 2005 e 2009 Schlindwein & Cordeiro, 2010 Formação profissional e trabalho -- -- -- --
Relações familiares de duas crianças ribeirinhas da Amazônia Silva, Pontes & Silva, 2011 Infância e adolescência Interações sócio-familiares -- --
Estudo sobre a prática da terapia ocupacional no sistema único de assistencial social (SUAS) no município de Belém Araújo, Oliveira & Patrício, 2011 Saúde pública Formação profissional e trabalho Políticas públicas, direitos humanos e sociais -- --
A importância da família na prevenção do uso de drogas entre crianças e adolescentes: papel materno Oliveira, Bittencourt & Carmo, 2008 Infância e adolescência Prevenção, promoção e tratamento de saúde Parentalidade e estilos parentais Drogas de abuso / alcoolismo --
Desafios nas ações de atenção primária: estudo sobre a instalação de programa de visitas domiciliares para mães adolescentes Coin-Carvalho & Esposito, 2012 Saúde pública Formação profissional e trabalho Prevenção, promoção e tratamento de saúde Políticas públicas, direitos humanos e sociais Parentalidade e estilos parentais

Para categorizar a fundamentação teórica dos estudos, registra-se que, neste instante, enquadre ou modelo teórico é entendido como aquelas conceituações que sustentam argumentos e discussões apresentados pelos autores, isto é, suas visões "de homem" e "de mundo", acompanhadas das respectivas bibliografias. Ainda, o ecletismo teórico foi categoria de análise aplicável nos casos nos quais se percebia a utilização de diversidade de autores, com visões de homem e de mundo com sustentação epistemológica distinta (por exemplo, em um único artigo, fundamentação teórica em Michel Foucault, Martin Buber e Paulo Freire).

Para execução dos julgamentos referentes ao modelo teórico, a leitura dos seguintes elementos textuais foi adotada, sendo que quando o primeiro elemento havia sido suficientemente esclarecedor, os demais passavam a ser dispensáveis: (1) os títulos, (2) os resumos, (3) a introdução teórica, (4) a metodologia de análise de resultados e/ou de discussão e (5) as referências. Observa-se que nos casos nos quais o modelo teórico foi avaliado como "não se aplica", os produtores utilizavam documentos e leis, oriundos de instâncias governamentais, como Ministério da Educação, Ministério da Saúde, além de tratar-se de estudos nos quais se buscava investigar concepções teóricas existentes em determinada revisão bibliográfica.

Quando as leituras de elementos textuais não permitiam esclarecimento suficiente, o material respectivo foi classificado como modelo teórico "indefinido". Foram observadas, ainda, situações nas quais diferentes enfoques teóricos eram frequentes uma ou duas vezes e estudos que tinham embasamento em modelos teóricos de áreas afins à Psicologia, motivo de terem sido englobados na categoria "outros" modelos, para evitar-se dispersão de dados. Alguns exemplos sobre como a classificação de modelos teóricos foi feita são fornecidos no quadro 2.

Quadro 2 Exemplos de produções, com especificação de enfoques teóricos e de critérios para classificação. 

Título da Produção Enfoque Teórico Motivo de Classificação Referência
De poeta e louco todo mundo tem um pouco - oficina de poesia Eclético Referências a autores de Psicanálise, da Psicologia sócio-histórica etc. Ervedosa e Matos, 2009
A mobilidade da família: Pesquisa em uma abordagem da Psicossociologia clínica Fenomenológico-Existencial Opção teórica mencionada pelos autores, desde o resumo Moraes e Morato, 2011
A importância dos grupos na atuação junto a familiares de surdos Psicanalítico Referências a autores de Psicanálise (p. ex., Pichon-Rivière) Dias, 2004
La orientación educativa en el desarrollo del rol educativo de la familia en la comunidad Sócio-Histórico Referências à Psicologia sócio-histórica (p. ex., Vigotski) Fandiño, Labrada e Figarola, 2010
Prevenção do abuso sexual infantil: estratégias cognitivo-comportamentais na escola, na família e na comunidade Outros Referências ao modelo cognitivo-comportamental (p. ex., Koller) Pelisoli e Piccoloto, 2010
Valores positivos e desenvolvimento do adolescente: uma perspectiva dos pais Indefinido Impossibilidade de autores obterem consenso Macedo, Kublikowski e Berthoud
Papéis atribuídos à família na produção da loucura: algumas reflexões Não se aplica Pesquisa de revisão bibliográfica Pegoraro, 2009

Resultados e Discussão

Produção Científica sobre Família e Comunidade

A partir do método empregado, os 44 artigos recuperados situaram-se no período temporal compreendido entre os anos de 2002 e 2012. Ao longo desses 11 anos, a média de publicações foi de quatro artigos/ano (DP = 2,14). Considerando esse dado, sete produções foram observadas nos anos de 2008 e 2009, biênio que respondeu pela maior concentração delas (31,8%) (Figura 1).

Figura 1 Ano de publicação dos artigos recuperados (n = 44). 

Convém ressaltar que esse número médio de publicações é passível de ser debatido como pequeno, diante do período considerado englobar 11 anos. Contudo, esse exercício não encontrou respaldo em critérios comparativos, porque estes precisariam considerar que: (a) apesar de existirem trabalhos que adotam esta base de dados como fonte de pesquisa e com metodologia semelhante, no geral eles não a elegem como estudo de caso único (por exemplo, Espote, Serralha & Scorsolini-Comin, 2013; Trindade, Guerra, Bonomo & Silva, 2013); e (b) quando o fazem, as temáticas investigadas não mantêm aproximação direta com família e suas convergências com comunidade (por exemplo,Pinto, Santeiro & Santeiro, 2010;Staliano & Araújo, 2009).

A movimentação da produção analisada ao longo do tempo pode levantar uma série de indagações de caráter social, cultural, histórico e político, por exemplo: algo veiculado na mídia ocorreu neste período, que justificasse um maior interesse dos pesquisadores por estas áreas de estudo? Algum acontecimento com impacto direto, tratado em novelas, programas, eventos que dessem maior visibilidade à família e comunidade? De todas essas questões, talvez as que tenham maior poder explicativo estejam vinculadas ao incremento de políticas públicas que se organizam a partir da centralidade da família, incitando o desenvolvimento de práticas que priorizem o fortalecimento de laços sociais; bem como o constante enfoque que o Conselho Federal de Psicologia tem dado em suas políticas institucionais, ao comprometimento da profissão para com a realidade e as necessidades das camadas populacionais menos favorecidas socioeconomicamente3.

Além do mais, esses resultados provavelmente refletem o fato de os periódicos brasileiros ainda se situarem em um tempo no qual a maioria é generalista quanto às suas políticas editoriais. É recente o movimento de torná-los especializados em subáreas específicas da Psicologia. No caso da PePSIC, em setembro de 2013, dos 77 títulos correntes, e também entre os 19 não-correntes, nenhum periódico indexado ali se propunha à recepção de contribuições específicas sobre as interfaces existentes entre família e comunidade4.

A despeito desta última observação, existem algumas publicações específicas cadastradas na PePSIC com enfoque em Psicologia Social e em Psicologia Grupal, duas áreas onde estudos sobre família e comunidade são usualmente desenvolvidos e publicados. Seriam exemplos de títulos da primeira área Saúde & Transformação Social e Cadernos de Psicologia Social do Trabalho e, da segunda, Revista da SPAGESP eVínculo. Além desses, a revista Psicologia USP, título não-corrente desde dezembro 2009, momento a partir do qual passou a integrar a coleção SciELO, também enfatiza "família" como prioridade editorial. Os periódicos divulgadores dos trabalhos, não necessariamente estes últimos, serão analisados neste estudo (cf. itemPeriódicos Divulgadores).

Autoria dos Artigos Recuperados e Afiliações Institucionais

Em termos da autoria, observou-se evidente predomínio de mulheres pesquisando sobre família e comunidade: elas foram responsáveis por 77,2% da produção analisada, sem que nesse resultado a presença delas em associação com homens seja considerada, o que tornaria a autoria feminina ainda mais visível. Esses achados remetem não apenas ao perfil do psicólogo no Brasil, constituído, em sua maioria, por mulheres (Lhullier, 2013), mas também a uma tendência mais ampla no cenário científico nacional (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, 2013).

Em relação ao tipo de autoria, houve equilíbrio entre artigos produzidos individualmente, em duplas, em trios e com mais de três autores. Porém, ao se analisar o conjunto das autorias individuais (n = 13) e múltiplas (n = 31), estas foram significativamente mais frequentes (X2 = 7,35 [X2c = 3,84; p < 0,05, n.g.l. = 1]). Esses dados são detalhados na tabela 1.

Tabela 1 Autoria dos artigos recuperados (N = 44). 

Tipos de Autoria F %
Individual Masculina - -
Feminina 13 29,5
Subtotal Autoria Individual 13 29,5

Dupla Masculina 1 2,3
Feminina 13 29,5
Mista 2 4,5
Subtotal Autoria Dupla 16 36,4

≥ 3 Masculina - -
Feminina 8 18,2
Mista 7 15,9
Subtotal Autoria ≥ 3 15 34,1

Subtotal Autoria Múltipla 31 70,5

Total 44 100

Os 62 produtores dos artigos não declararam estarem vinculados a algum grupo de pesquisa (n = 34; 77,0%), em comparação aos demais (n = 10; 33,0%). Eles estavam afiliados a um total de 48 instituições. Estas, em quase metade dos casos, pertenciam à categoria administrativa particular (n = 23; 47,9%), seguidas por federais (n = 15; 31,3%), estaduais (n = 7; 14,6%), municipais (n = 2; 4,2%) e por organização não governamental/ONG (n = 1; 2,1%) (Tabela 2). Considerando as categorias administrativas particular e pública (respectivamente, n = 23 e n = 24) e desconsiderando-se a categoria ONG, verificou-se não haver diferença significante entre esses resultados (X2 = 0,02 [X2c = 3,84; p < 0,05, n.g.l. = 1]).

Tabela 2 Distribuição dos autores dos artigos em função da filiação institucional (N = 44). 

Instituição de Afiliação dos Autores F %
Universidade Federal de Minas Gerais* 4 8,3
Universidade Federal de Santa Catarina* 3 6,3
Universidade de São Paulo (Ribeirão Preto)** 3 6,3
Universidade de São Paulo (São Paulo)** 2 4,2
Universidade Federal da Bahia* 2 4,2
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo# 2 4,2
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro# 2 4,2
Universidade Federal do Rio de Janeiro* 2 4,2
Universidade de Ribeirão Preto# 2 4,2
Universidade Católica de Salvador# 2 4,2
Universidade de Taubaté# 1 2,1
FEAD-Minas-Centro de Gestão Empreendedora# 1 2,1
Prefeitura Municipal de São Paulo## 1 2,1
Universidade Federal do Pará* 1 2,1
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul# 1 2,1
Universidade Luterana do Brasil-RS# 1 2,1
Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões-RS# 1 2,1
Universidade Nacional de Mar del Plata* 1 2,1
Núcleo de Estudos em Saúde Mental e Psicanálise das Configurações Vinculares# 1 2,1
Universidade Federal do Rio Grande do Sul* 1 2,1
Wainer e Piccoloto Centro de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental-RS# 1 2,1
Universidade Paulista-Goiânia# 1 2,1
Universidade Federal da Paraíba* 1 2,1
Prática clínica privada-SP* 1 2,1
Colégio Fundação Escola de Comércio Alvares Penteado-SP# 1 2,1
Universidade da Fronteira Sul# 1 2,1
Universidade de Brasília* 1 2,1
Universidade Católica de Brasília# 1 2,1
Centro Universitário de Las Tunas* 1 2,1
Universidade Estadual do Rio de Janeiro** 1 2,1
Universidade Gama Filho-RJ# 1 2,1
Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão-RJ# 1 2,1
Universidade Católica de Salvador# 1 2,1
Universidade Estadual do Oeste do Paraná** 1 2,1
Universidade Estácio de Sá-RJ# 1 2,1
Universidade Estadual do Pará* 1 2,1
Ong "Interação" 1 2,1
Centro de Atenção Psicossocial (?)## 1 2,1
Universidade de Carabobo* 1 2,1
Universidade Ibirapuera-SP# 1 2,1
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Assis)** 1 2,1
Universidade de Fortaleza# 1 2,1
Università degli Studi di Firenze* 1 2,1
Secretaria Municipal de Saúde-GO** 1 2,1
Secretaria Estadual de Saúde-GO** 1 2,1
Universidade Federal de Pernambuco* 1 2,1
FRACINET# 1 2,1
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais# 1 2,1

Total 62 100

Símbolos após os nomes das instituições indicam as respectivas categorias administrativas: * federal; ** estadual; #particular; ## municipal; e @ não se aplica.

Nenhuma instituição obteve resultado que demonstrasse concentração de produtores, apesar daqueles vinculados à Universidade Federal de Minas Gerais terem sido relativamente mais frequentes (8,3%), seguidos pela Universidade Federal de Santa Catarina e pela Universidade de São Paulo, campusRibeirão Preto. Também se observa que, no geral, as instituições de afiliação dos autores eram brasileiras (n = 44; 91,7%) e se concentraram na região Sudeste (55,8%), seguidas por aquelas situadas no Nordeste (16,3%), no Sul (14,0%), no Centro-Oeste (7,0%) e no Norte (4,6%), além de ter havido um caso onde a região não pôde ser identificada (2,3%) (Tabela 2).

Será que os dados refletem a realidade da Psicologia brasileira e internacional (considerando os periódicos internacionais)? A frequência das instituições relacionadas pelas regiões brasileiras condizem com a alocação dos programas de pós-graduação? Ou o interesse em pesquisar família e comunidade está relacionado com problemáticas locais de determinadas regiões que levam os pesquisadores e elegerem estas áreas para dar visibilidade a estes problemas? Problematizações como essas, não necessariamente passíveis de respostas neste momento exploratório, serão mantidas em estudos futuros e ampliariam a compreensão dos achados sobre estas variáveis.

Periódicos Divulgadores

Estudos sobre família e comunidade foram detectados em 24 periódicos, que responderam por 34,0% dos títulos correntes que estão indexados à PePSIC. Dentre eles a Revista Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento Humano e Psicologia: Ciência e Profissão (PCP) receberam relativo destaque, por serem os dois veículos que publicaram a maior quantidade (n = 5; 11,0% do total cada uma), seguidas pela Revista Psicopedagogia (n = 4; 9,0% do total) (Tabela 3)."

Tabela 3 Periódicos e instituições responsáveis pela sua veiculação e avaliação pela Qualis/CAPES - área da Psicologia em 2013 (N = 44). 

Título do Periódico Instituição Editora F % Qualis
Revista Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento Humano Faculdade de Saúde Pública, USP-SP 5 11 B1
Psicologia: Ciência e Profissão* Conselho Federal de Psicologia 5 11 A2
Revista Psicopedagogia Associação Brasileira de Psicopedagogia 4 9 B2
SMAD - Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, USP 3 7 B2
Revista da SPAGESP Sociedade de Psicoterapias Analíticas Grupais do Estado de São Paulo 3 7 B2
Revista da SBPH Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar 2 5 B4
Temas em Psicologia Sociedade Brasileira de Psicologia 2 5 B2
Revista do NUFEN Núcleo de Pesquisas Fenomenológicas, Universidade Federal do Pará 2 5 B4
Psicologia Escolar e Educacional* Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional 2 5 A2
Estudos e Pesquisas em Psicologia Instituto de Psicologia, UERJ 2 5 B1
Boletim de Psicologia Associação de Psicologia de São Paulo 1 2 B2
Saúde & Transformação Social Universidade Federal de Santa Catarina 1 2 B4
Interações Universidade Católica Dom Bosco 1 2 B1
Revista Mexicana de Orientación Educativa Centro de Investigación y Formación para la Docencia y Orientación Educativa 1 2 B2
Psicologia USP* Instituto de Psicologia, USP 1 2 A2
Psicologia da Educação Programa de Estudos Pós-graduados, PUC-SP 1 2 B2
Construção Psicopedagógica Instituto Sedes Sapientiae 1 2 B3
Revista Mal-estar e Subjetividade Universidade de Fortaleza 1 2 B1
Boletim da Academia Paulista de Psicologia Academia Paulista de Psicologia 1 2 B2
Revista Brasileira de Terapias Cognitivas Federação Brasileira de Terapias Cognitivas 1 2 B2
Psicologia para América Latina Unión Latinoamericana de Entidades de Psicología 1 2 B4
Aletheia Universidade Luterana do Brasil 1 2 B2
Psicologia: Teoria e Prática Universidade Presbiteriana Mackenzie 1 2 B4
Psicologia Hospitalar Centro de Estudos de Psicologia da Saúde da Divisão de Psicologia, FMUSP 1 2 B4

Total 44 100 -

*Periódicos que também são indexados à base de dados SciELO (setembro de 2013). Psicologia Escolar e Educacionale Psicologia USP tiveram sua indexação na PePsic interrompida em dezembro de 2009.

Retomando a discussão sobre as respectivas políticas editoriais e considerando a amostra total de periódicos, não se observou a existência de um título específico que venha divulgando estudos sobre família e comunidade (M = 1,8 artigos/periódico; DP = 1,27). Os resultados indicaram, por conseguinte, pulverização de publicações sobre família e comunidade em periódicos indexados à PePSIC. Em última instância, isso pode dificultar tanto o trabalho do leitor, que eventualmente esteja em busca de informações sobre temáticas com essa interface, quanto o de autores que desejem dar visibilidade aos seus estudos e que pretendam fazê-lo em um veículo científico com identidade específica. Esse tipo de discussão ressalta a relevância de estudos sistematizados sobre produção científica como recurso para consolidar decisões que também são relativas a políticas educacionais.

Naturalmente, não se pretende dizer que deveria existir um periódico específico em publicações sobre família e comunidade, entretanto, destaca-se uma lacuna observada no mercado editorial de periódicos científicos no âmbito da Psicologia latino-americana, especificamente indexados à PePSIC. Apesar de existirem argumentos a favor da especialização de periódicos, revistas que tratem de campos extensos e que congreguem múltiplos interesses podem ser bastante importantes para a construção de cenários de pesquisa interdisciplinares e intersetoriais nas áreas estudadas. Se esse tópico englobasse outras bases de dados de alcance internacional mais abrangente, certamente o debate proposto não se sustentaria.

Para exemplificação do que vem sendo dito, a base de dados SciELO conta com a indexação, além do já mencionado Psicologia USP, do periódicoPsicologia Clínica, o qual estabelece em sua política a recepção de trabalhos científicos sobre família e casal: estudos psicossociais em psicoterapia, ainda que de modo não exclusivo. Ademais, comparar a realidade da produção analisada com outras, em especial com as de países tidos como desenvolvidos, é algo que neste momento fugiria dos objetivos estabelecidos. Para obtenção de dados com esse direcionamento, indica-se o trabalho Gomes e Rios (2011), no qual focaram os casos dos periódicos nacionais Psicologia Clínica, Psicologia USP e Psicologia em Estudo, e dos estrangeiros Family Process eFamily Relations.

Enfatiza-se que o periódico PCP, um dos que apresentou maior frequência de publicações sobre família e comunidade na amostra, também está indexado à base de dados SciELO. Ali, a busca de informação realizada com parâmetros metodológicos semelhantes ao deste relato resultou em 10 artigos (setembro de 2013), publicados entre 2002 e 2013. Na PePSIC, os produtos recuperados e aqui considerados foram publicados entre 2002 e 2012 e, portanto, se sobrepunham aos da SciELO. Vale dizer que, no PCP, publicações oriundas de intervenções e de pesquisas que se ocupam da inserção da Psicologia em diversas instâncias da saúde pública, o que inclui a inserção nas Unidades de Saúde da Família (USF), têm sido frequentes. O estudo de Couto, Schimith e Dalbello-Araujo (2013) ilustra essa discrepância de resultados encontrados nas distintas bases de dados; nele, os autores descreveram e analisaram experiências de intervenção grupal ocorridas em estágio, em uma USF da capital do Espírito Santo.

O "Qualis Periódicos" da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, n.d.) foi concebido para atender à necessidade de avaliação da produção intelectual dos programas de pós-graduação brasileiros e contém apenas títulos que foram informados como sendo aqueles nos quais foram publicadas produções oriundas de programas de pós-graduação, portanto. A classificação de periódicos empreendida pela Qualis/CAPES é realizada por pares e passa por processo de atualização anual. Cada veículo é avaliado considerando estratos indicativos de sua qualidade editorial, que vão de A1, A2, B1, B2, B3, B4, B5 e até chegar-se ao C, isto é, títulos avaliados como "A1" teriam maior peso qualitativo editorial em comparação àqueles avaliados em direção ao extremo "C". Resguardadas essas observações, considerando a frequência de artigos/periódico, a maior concentração dos estudos ocorreu em revistas Qualis/CAPES A2, B1 e B2 (Tabela 3), indicando que os pesquisadores têm direcionado suas produções a periódicos com seletiva política editorial, o que tende a favorecer a visibilidade e o impacto acadêmico de seus produtos.

Temáticas investigadas e Enquadres teóricos dos estudos

A maioria dos artigos (13,1%) tratava da Infância e adolescência, seguida daqueles que versavam sobre Saúde pública e Educação, necessidades especiais e inclusão. A prova de Qui-quadrado de aderência indicou diferença significativa para as contribuições na área de família e comunidade que priorizam reflexões sobre Infância e adolescência (Tabela 4), resultando em 25,03 (X2c = 21,03; p < 0,05, n.g.l. = 12). Nesta análise, a categoria outras foi desconsiderada porque englobou temáticas observadas com frequência de 1 a 2 produções: processos grupais, subjetividade, mídias sociais, transmissão de valores sociais e intervenções clínicas familiares. Estudos futuros, que incorporarão amostragens ampliadas de artigos, requererão que essas categorias debatidas, ora agrupadas para alcance da leitura estatística proposta (Qui-quadrado), sejam desmembradas. Essa medida favorecerá desejáveis entendimentos qualitativos da produção sobre família ecomunidade.

Tabela 4 Principais temáticas investigadas nos estudos sobre família e comunidade (N = 137). 

Temática F %
Infância e adolescência 18 13,1%
Saúde pública 17 12,4%
Educação, necessidades especiais e inclusão 14 10,2%
Formação profissional e trabalho 13 9,5%
Exclusão, vulnerabilidade social e pobreza 11 8,0%
Violências 9 6,6%
Prevenção, promoção e tratamento de saúde 9 6,6%
Políticas públicas, direitos humanos e sociais 9 6,6%
Vida cotidiana, modos de vida 7 5,1%
Interações sócio-familiares 7 5,1%
Parentalidade e estilos parentais 5 3,6%
Brincadeiras, jogos, arte 5 3,6%
Drogas de abuso/alcoolismo 4 2,9%
Outras 9 6,6%

Total 137 100%

Sobre os modelos teóricos, o ecletismo, que combina uma ou mais teorias na fundamentação de determinado estudo, ocorreu em 10 produções (22,7%). O fenomenológico-existencial foi referido em cinco trabalhos (11,4%), o psicanalítico em quatro (9,1%) e o sócio-histórico em três (6,8%). Foram observados, ainda, diferentes enfoques teóricos, cada um deles frequentes uma ou duas vezes e estudos que tinham embasamento em modelos teóricos de áreas afins à Psicologia, motivo de terem sido englobados na categoria outros(n = 10; 22,7%), como seriam os casos do ecológico, esquizoanalítico, sistêmico, cognitivo-comportamental e o da Fonoaudiologia.

Por fim, houve casos nos quais um ou mais modelos teóricos não puderam ser estabelecidos e nos quais essa análise não se aplicava (n = 6; 13,6% cada). Ao considerar o conjunto de resultados, após exclusão das categorias "outros" e "não se aplica" (n = 28), verificou-se não haver diferença significante entre esses resultados (X2 = 5,18 [X2c = 9,49; p < 0,05, n.g.l. = 4]), portanto, nesta amostra não houve algum modelo teórico que recebesse destaque significativo.

Há que se evidenciar essa diversidade de modelos existentes e de técnicas que combinam referenciais teóricos de diferentes tradições epistemológicas. As intervenções com famílias e casais são bastante praticadas na Psicologia e constituem fontes do interesse de pesquisadores, docentes e terapeutas. As chamadas terapias de família e casal, por exemplo, são atendimentos amplamente reconhecidos e discutidos a partir de diferentes referenciais teórico-metodológicos.

Além do mais, a maioria dos atendimentos realizados com famílias no Brasil tem sido realizada a partir das abordagens psicodinâmicas e sistêmica, sendo esses referenciais os mais presentes nas publicações científicas acerca do tema e também nos programas de formação profissional existentes no Brasil (Prati & Koller, 2012). Contudo, esse panorama não pôde ser confirmado neste momento exploratório, o que se explica tanto pelos resultados demonstrados, quanto pela opção metodológica anteriormente descrita.

Ainda em relação ao ecletismo teórico, essa característica haveria de considerar também a dificuldade de, eventualmente, construir modelos que deem conta de cenários que adentram os campos interdisciplinares e intersetoriais, tão logo o pesquisador ultrapasse os campos da Clínica e adentre os da Saúde Pública, dos ambientes institucionais, dos cenários políticos, da pobreza e da vulnerabilidade etc. Assim, o ecletismo pode ser um signo de que os pesquisadores/psicólogos têm atravessado alguns limites próprios de práticas tradicionais.

Tipos de Estudos

Em termos dos tipos de estudos sobre família e comunidade, os empíricos predominaram (n = 16; 36,4%), seguidos pelos relatos de experiências profissionais (n = 10; 22,7%). Em menor quantidade encontramos os estudos teóricos e as pesquisas-ação (n = 6 para cada; 13,6%), além de outros tipos (n = 6; 13,6%), que incluíram estudos cartográficos, etnográficos, estudos de caso familiar e único. A prova de Qui-quadrado de aderência, realizada após exclusão da categoria "outros", indicou não haver diferença significativa para estudos do tipo "empírico", resultando em 7,02 (X2c = 7,82; p < 0,05, n.g.l. = 3).

Salienta-se que boa parte da produção encontrada na área de família no Brasil é produzida por pesquisadores que também atuam na interface com a clínica de família e casal (Féres-Carneiro, 1998;Jablonski, 2005). Os dados aqui considerados não revelaram diferenças significantes entre práticas clínicas, relatos de experiências profissionais etc. Porém, a presença dos diversos tipos de contribuição acerca de família-comunidade parece indicar que a produção de conhecimento na área tem sido construída de modo que integre ciência e profissão. Em última instância, essa movimentação pode ampliar e consolidar teorias existentes, além de criar outras.

Análise de Variáveis em Estudos Envolvendo Seres Humanos

Nos estudos envolvendo seres humanos, as famílias foram caracterizadas quanto à sua constituição, além de se ter considerado o local onde se deram as coletas de dados e as intervenções psicológicas prestadas. Sobre constituição familiar, essa análise não se aplicava na maior parte dos casos (n = 28; 63,6%), porque nos trabalhos, apesar de haver discussões pertinentes ao eixo família-comunidade, não se focalizavam famílias propriamente ditas, mas seus membros de modo isolado. Alguns exemplos dessa situação envolvem: Equipes de Saúde da Família, adolescentes em conflito com a lei, crianças e pacientes oncológicos. Em outros casos, não havia especificação dos modelos familiares (n = 12; 27,3%), isto é, a temática da família era tratada de modo genérico. Houve, ainda, quatro estudos que especificavam a constituição da família estudada (9,1%): monoparental feminina (Martins & Szymanski, 2006), tradicional (Costa & Castillo, 2010; Silva, Pontes & Silva, 2011) e reconstituída (Mello, Vieira, Simpionato, Biasoli-Alves & Nascimento, 2005).

Estudiosos da área vêm sinalizando as novas configurações familiares (Campos, 2012; Passos, 2005), tal como indicado anteriormente. Entretanto, na amostra em análise a especificação da constituição familiar não foi detalhada pelos autores de modo suficiente. Este dado suscita indagações relativas ao que isto poderia significar, como, por exemplo: há possibilidade de que a produção intelectual não venha acompanhando a intensidade e rapidez das mudanças das constituições familiares? Ou ainda: tem havido rigor metodológico e detalhamento suficiente dos participantes quando da redação dos manuscritos? De todo modo, esses dados obtidos na PePSIC, unidos a outros adquiridos em pesquisas com desenhos metodológicos semelhantes, propiciariam a desejável continuidade e aprofundamento no entendimento das variações transcorridas nas constituições das famílias contemporâneas, com sustentação empírica.

Sobre o local de desenvolvimento dos estudos, a maioria foi desenvolvida em instituições educacionais (n = 13; 27,1%), seguida por instituições de saúde pública (n = 10; 20,8%). Houve, ainda, trabalhos ocorridos em instituições comunitárias e em residências (ambos com n = 6; 12,5%), em outros locais (n = 4; 8,3%), como eventos sociais, espaços de lazer, instituições de assistência social e de Direito, e casos onde essa análise não se aplicava, porque eram estudos teóricos (n = 9; 18,8%). A prova de Qui-quadrado de aderência indicou inexistência de diferenças significativas para estudos transcorridos em instituições educativas (3,95 [X2c = 7,82; p < 0,05, n.g.l. = 3]). Para esta análise ser efetivada, as categorias "outros locais" e "não se aplica" foram desconsideradas. Esses resultados, em conjunto, caracterizaram os estudos na interface entre família e comunidade como diretamente relacionados à Psicologia Institucional. As instituições assumem aqui um papel importante tanto no que se refere à abertura para a realização de pesquisas, como campo empírico de aplicação e reflexão sobre a área da família.

A frequência das instituições educacionais, mesmo não significativa do ponto de vista estatístico, pode estar vinculada a discussões que contemplam elos entre família-escola, as quais vêm sendo assumidas de modo prioritário por produtores de ciência no campo da Educação (Nunes & Vilarinho, 2001). Problematizar como a escola está inserida na comunidade e como as famílias participam desse espaço social compreendido pela escola, surge como foco de discussão e como potencialidade para outras investigações.

Sobre as intervenções psicológicas prestadas, constatou-se baixa frequência geral em cada categoria e, por essa razão, neste instante optou-se por não se realizar cálculo de X2. Além disso, nessa análise em alguns estudos houve relato de mais de um tipo de intervenção psicológica (n = 48). Sendo assim, os tipos mais frequentes de intervenções foram: grupos não terapêuticos (n = 5; 10,4%), como os grupos operativos, treinamento e grupos reflexivos; visitas domiciliares no contexto da saúde pública (n = 4; 8,3%); e psicoterapias grupais (n = 3; 6,3%). Também foram observadas 13 "outras" intervenções (27,1%), todas com ocorrências igual a um ou dois, como exemplificado a seguir: intervenções com utilização de livros, reuniões com representantes de instituições locais, reuniões com pais/familiares de adolescentes, atividades esportivas e de lazer, acompanhamento terapêutico, oficinas de poesia, atividades artísticas, orientações a pais e psicoterapia individual. O restante dos casos aglutinou trabalhos nos quais a análise de intervenções psicológicas prestadas não era pertinente (n = 23; 47,9%), ou porque elas não foram utilizadas (como seriam os exemplos de estudos teóricos), ou porque as empreendidas eram de natureza distinta daquelas "psicológicas" (intervenções médicas, de Enfermagem, de Terapia Ocupacional, entre outras).

Quando se medita sobre estes últimos resultados e aqueles referentes aos ambientes institucionais terem se destacado como locais onde os estudos relatados foram desenvolvidos, realça-se a multiplicidade de possibilidades na atuação do psicólogo. Estas características, aliadas à desejável prática interdisciplinar, são entendidas como propícias e coerentes quando se pondera sobre a produção analisada.

Considerações Finais

Este estudo mapeou variáveis relacionadas à produção científica sobre família e comunidade, indexada na base PePSIC. Os achados descritos sinalizaram importantes movimentos em relação à produção sobre família e comunidade. No entanto, como a amostra fundamentou-se numa única fonte de informação, é importante considerar os seus limites. Ainda que a base de dados adotada não seja uma fonte que recupere exclusivamente estudos nacionais, mas de outros 11 países, há que se considerar a possibilidade de futuras análises comparativas com outras amostras.

A divulgação de estudos sobre família e comunidade tem se ampliado ao longo dos 11 anos aqui considerados e na base PePSIC, embora de modo inconstante e com média de produção/ano que provavelmente não refletiu o cenário mais amplo de produções acadêmicas brasileiras e latino-americanas. Pode-se destacar que a maior parte dos estudos foi produzida na região sudeste do país, em instituições privadas de ensino superior e em periódicos com padrão editorial reconhecido pela comunidade acadêmica (avaliação Qualis/CAPES). Foi observado relativo destaque para as pesquisas empíricas e os relatos de experiências profissionais, desenvolvidos, sobretudo, por mulheres e na modalidade de autoria múltipla.

Os estudos analisados foram desenvolvidos com diversidade de modelos teóricos e de tipos de intervenções, terapêuticas e não terapêuticas, nas modalidades individuais e grupais, por produtores engajados na prática com essas famílias, em atendimentos transcorridos, principalmente, em ambientes institucionais. A produção do conhecimento na área, desse modo, parece revelar uma tentativa de articulação com a prática profissional da Psicologia e com as necessidades da população.

Após a análise exploratória descrita, e também considerada a literatura especializada, acredita-se que os pesquisadores venham incorporando em suas agendas a inclusão de aspectos comunitários e contextuais em suas investigações. Supõe-se a existência de rupturas com o ideário de estudos de família centralizados no casal heterossexual, com filhos e atendido em terapia de casal, todavia, novos estudos são necessários para se consolidar esse argumento, posto que neste trabalho perceberam-se lacunas quanto à especificação das constituições familiares investigadas.

As transformações pelas quais a família vem passando têm atingido os estudos científicos que buscam não apenas compreender, como também intervir,com e nessas famílias. Almeja-se que o exercício realizado nesse estudo possa ser motivo de inspiração para pesquisadores da Psicologia da Família e da Psicologia Social-Comunitária, bem como para profissionais da Psicologia que atuam nas interfaces família-comunidade. Muito vem sendo produzido sobre esses encontros e, nesse instante, procurou-se ordenar uma parcela deles, porém há sinais de que investimentos sistemáticos permanecem necessários. Ademais, em última instância a apropriação progressiva da relevância destas produções e do quanto elas podem impactar seus leitores, potencializa compreensões relativas às transformações nas realidades de famílias e de comunidades.

Referências

Acuña, D. A. R. (2012). Prefácio. In M. N. Baptista, & M. L. M. Teodoro (Orgs.), Psicologia de família: Teoria, avaliação e intervenção (pp. ix-x). Porto Alegre, RS: Artmed. [ Links ]

Araújo, L. S., Oliveira, T. S, & Patrício, T. A. S. (2011) . Estudo sobre a prática da terapia ocupacional no sistema único de assistencial social (SUAS) no município de Belém.Revista do NUFEN, 3(2), 69-96. [ Links ]

Arendt, R. J. J. (1997). Psicologia comunitária: Teoria e metodologia. Psicologia Reflexão e Crítica, 10(1), 7-16. [ Links ]

Baptista, M. N., & Teodoro, M. L. M. (Orgs.) (2012).Psicologia de família: Teoria, avaliação e intervenção. Porto Alegre, RS: Artmed. [ Links ]

Campos, D. C. (2012). Saudade da família no futuro ou o futuro sem família? In M. N. Baptista, & M. L. M. Teodoro (Orgs.), Psicologia de família: Teoria, avaliação e intervenção (pp. 74-86). Porto Alegre, RS: Artmed. [ Links ]

Campos, R. H. F. (Org.) (2000). Psicologia social comunitária: Da solidariedade à autonomia. Petrópolis, RJ: Vozes. [ Links ]

Coin-Carvalho, J. E., & Esposito, F. C. F. (2012). Desafios nas ações de atenção primária: estudo sobre a instalação de programa de visitas domiciliares para mães adolescentes. Aletheia,37, 149-161. [ Links ]

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico [CNPq]. (2013). Número de mulheres cientistas já iguala o de homens. Recuperado em 13 de agosto de 2013, de http://www.cnpq.br/web/guest/noticiasviews/-/journal_content/56_INSTANCE_a6MO/10157/905361 [ Links ]

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior [CAPES] (n.d.). Qualis Periódicos. Brasília, DF: CAPES. Recuperado em 18 de agosto de 2013, de http://www.capes.gov.br/avaliacao/qualis [ Links ]

Costa, M. C. S., & Castillo, C. O. (2010). Consumo de álcool em uma comunidade venezuelana: pesquisa etnográfica. SMAD - Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas, 6(esp.), 514-535. [ Links ]

Couto, L. L. M., Schimith, P. B., & Dalbello-Araujo, M. (2013). Psicologia em ação no SUS: a interdisciplinaridade posta à prova.Psicologia: Ciência e Profissão, 33(2), 500-511. [ Links ]

Dias, T. R. S. (2004). A importância dos grupos na atuação junto a familiares de surdos. Revista da SPAGESP,5(5), 44-49. [ Links ]

Eizirik, C. L., & Bassols, A. M. S. (Orgs.) (2013). O ciclo da vida humana: Uma perspectiva psicodinâmica. Porto Alegre, RS: Artmed. [ Links ]

Ervedosa, A. C., & Matos, M. L. (2009). De poeta e louco todo mundo tem um pouco - oficina de poesia. Revista do NUFEN,1(2), 96-117. [ Links ]

Espote, R., Serralha, C. A., & Scorsolini-Comin, F. (2013). Inclusão de surdos: Revisão integrativa da literatura científica.Psico-USF, 18(1), 77-88. [ Links ]

Fandiño, L. B., Labrada, A. R. G., & Figarola, Y. M. (2010). La orientación educativa en el desarrollo del rol educativo de la familia en la comunidad. Revista Mexicana de Orientación Educativa, 7(19), 44-49. [ Links ]

Féres-Carneiro, T. (1998). Casamento contemporâneo: O difícil convívio da individualidade com a conjugalidade. Psicologia: Reflexão e Crítica, 11(2), 379-394. [ Links ]

Féres-Carneiro, T. (Org.). (2011). Casal e família: Conjugalidade, parentalidade e psicoterapia. São Paulo, SP: Casa do Psicólogo. [ Links ]

Góis, C. W. L. (2003). Psicologia comunitária. Universitas: Ciências da Saúde, 1(2), 277-297. [ Links ]

Gomes, A. M. A. (1999). Psicologia comunitária: Uma abordagem conceitual. Psicologia: Teoria e Prática, 1(2), 71-79. [ Links ]

Gomes, I. C., Rios, M. G. (2011). Família e casal: Alguns periódicos americanos e nacionais em análise. In T. Féres-Carneiro (Org.), Casal e família: Conjugalidade, parentalidade e psicoterapia (pp. 61-78). São Paulo, SP: Casa do Psicólogo. [ Links ]

Jablonski, B. (2005). Atitudes de jovens solteiros frente à família e ao casamento: Novas tendências? In T. Féres-Carneiro (Org.), Família e casal: Efeitos da contemporaneidade (pp. 93-110). Rio de Janeiro, RJ: PUC-Rio. [ Links ]

Koller, S. H.; Couto, M. C. P. P.; Von Hohendorff, J. (2014).Manual de produção científica. Porto Alegre, RS: Penso. [ Links ]

Lhullier, L. A. (Org.). (2013). Quem é a psicóloga brasileira?: Mulher, Psicologia e trabalho. Brasília, DF: Conselho Federal de Psicologia. [ Links ]

Macedo, R. M. S., Kublikowski, I., & Berthoud, C. M. E. (2006). Valores positivos e desenvolvimento do adolescente: uma perspectiva dos pais.Revista Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento Humano,16(2), 38-52. [ Links ]

Martins, E., & Szymanski, H. (2006). Brincadeira e práticas educativas familiares: Um estudo com famílias de baixa renda.Interações, 11(21), 143-164. [ Links ]

Mello, D. F., Vieira, C. S., Simpionato, E., Biasoli-Alves, Z. M. M., & Nascimento, L. C. (2005). Genograma e ecomapa: Possibilidades de utilização na Estratégia de Saúde da Família. Revista Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento Humano, 15(1), 78-91. [ Links ]

Moraes, T. F., & Morato, H. T. P. (2011). A mobilidade da família: Pesquisa em uma abordagem da Psicossociologia Clínica. Boletim de Psicologia, 61(134), 79-92. [ Links ]

Nunes, D. G., & Vilarinho, L. R. G. (2001). "Família possível" na relação escola-comunidade. Psicologia Escolar e Educacional, 5(2), 21-29. [ Links ]

Oliveira, E. B., Bittencourt, L. P., & Carmo, A. C. (2008). A importância da família na prevenção do uso de drogas entre crianças e adolescentes: papel materno. SMAD - Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas, 4(2). Recuperado em 20 de julho de 2013, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-69762008000200003&lng=pt&nrm=iso [ Links ]

Osório, L. C. (2013). Como trabalhar com sistemas humanos: Grupos, casais e famílias, empresas. Porto Alegre, RS: Artmed. [ Links ]

Passos, M. C. (2005). A família não é mais aquela: Alguns indicadores para pensar suas transformações. In T. Féres-Carneiro (Org.),Família e casal: Arranjos e demandas contemporâneas (pp. 13-25). Rio de Janeiro, RJ: PUC-Rio. [ Links ]

Pegoraro, R. F. (2009). Papéis atribuídos à família na produção da loucura: algumas reflexões. Boletim da Academia Paulista de Psicologia, 29(2). Recuperado em 20 de agosto de 2013, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-711X2009000200004&lng=pt&nrm=iso [ Links ]

Pelisoli, C., & Piccoloto, L. B. (2010). Prevenção do abuso sexual infantil: Estratégias cognitivo-comportamentais na escola, na família e na comunidade. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas,6(1), 108-137. [ Links ]

Periódicos Eletrônicos em Psicologia (PePSIC) (n.d.).PePSIC. Recuperado em 17 de julho de 2014, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php. [ Links ]

Pinto, F. P., Santeiro, T. V., & Santeiro, F. R. M. (2010). Produção científica sobre psicoterapias na base de dados PePsic (1998/2007).Fractal: Revista de Psicologia, 22(2), 411-430. [ Links ]

Prati, L. E., & Koller, S. H. (2012). Práticas de terapia familiar no Brasil. In M. N. Baptista, & M. L. M. Teodoro (Orgs.),Psicologia de família: Teoria, avaliação e intervenção (pp. 264-280). Porto Alegre, RS: Artmed. [ Links ]

Sampaio, M. I. C., & Serradas, A. (2009). O movimento de acesso aberto, os repositórios e as revistas científicas. In A. Z. P. Sabadini, M. I. C. Sampaio, & S. H. Koller (Orgs.), Publicar em psicologia: Um enfoque para a revista científica (pp. 75-86). São Paulo, SP: Associação Brasileira de Editores Científicos de Psicologia. [ Links ]

Sawaia, B. (1996). Comunidade: A apropriação científica de um conceito tão antigo quanto a humanidade. In R. H. F. Campos (Org.),Psicologia social comunitária: Da solidariedade à autonomia(pp.35-53). Petrópolis, RJ: Vozes. [ Links ]

Schlindwein, L. M., & Cordeiro, M. H. B. V. (2010). O Grupo de Trabalho Psicologia da Educação e sua produção entre os anos de 2005 e 2009.Psicologia da Educação, 31, 53-64. [ Links ]

Scorsolini-Comin, F., & Santos, M. A. (2012). Conjugalidade, substantivo plural: Mudanças, transições e permanências nos estudos sobre casais. In E. Santos, & J. A. Ferreira (Orgs.), Mudanças e transições: Pessoas em contexto (pp. 309-324). Viseu, Portugal: PsicoSoma. [ Links ]

Silva, D. G., Pontes, F. A. R., & Silva, S. S. C. (2011). Relações familiares de duas crianças ribeirinhas da Amazônia.Psicologia: Teoria e Prática, 13(3), 139-151. [ Links ]

Staliano, P., & Araújo, T. C. C. F. (2009). Estudos e pesquisas em Psico-Oncologia: Levantamento realizado no Portal PePSIC. Revista da SBPH, 12(2), 54-68. [ Links ]

Trindade, Z. A., Guerra, V. M., Bonomo, M., & Silva, R. D. M. (2013). Research in social psychology: Methodological strategies of the Brazilian production. Estudos de Psicologia (Natal),18(1), 47-55. [ Links ]

Wagner, A., Tronco, C., & Armani, A. B. (2011). Os desafios da família contemporânea: Revisitando conceitos. In A. Wagner (Org.),Desafios psicossociais da família contemporânea: Pesquisas e reflexões (pp. 19-35). Porto Alegre, RS: Artmed. [ Links ]

Witter, G. P. (1990). Pesquisa bibliográfica, pesquisa documental e busca da informação. Estudos de Psicologia,7(1), 5-30. [ Links ]

1 Como este relatório é parte inicial de um projeto guarda-chuva que está em andamento nos próximos três anos, a partir dele, pretende-se refinar condições teórico-metodológicas para execuções ampliadas da pesquisa, realizando-a em outras bases de dados referenciais da Psicologia brasileira e estrangeira.

2 Um ano depois de feita a busca relatada, esses resultados se alteraram completamente, o que ilustra o dinamismo das bases de dados científicas eletrônicas e reforça a necessidade de que o tipo de pesquisa relatado opere a partir da delimitação de critérios próprios de uma busca de informação sistemática (Witter, 1990).

3 "O papel do(a) psicólogo(a) no mundo contemporâneo - família, sociedade e trabalho" foi o título do debate on-line proposto pelo CFP quando da comemoração do Dia do Psicólogo de 2014, e ilustra parcialmente o que foi dito.

4 Para o leitor entender de modo mais específico o quanto a movimentação na PePSIC tem sido dinâmica, em 27 de agosto de 2014, a lista de títulos correntes passou a ser de 66 e a de não-correntes, de 26 (total de 92 periódicos).

Recebido: 13 de Setembro de 2013; Revisado: 29 de Julho de 2014; Aceito: 02 de Setembro de 2014

Endereço para envio de correspondência: Universidade Federal de Goiás, Curso de Psicologia da Regional Jataí. Prédio de Ciências Humanas e Letras. Rodovia BR-364. Cidade Universitária. 75801615 - Jataí, GO - Brasil.

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.