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Psicologia: Ciência e Profissão

Print version ISSN 1414-9893On-line version ISSN 1982-3703

Psicol. cienc. prof. vol.38 no.1 Brasília Jan./Mar. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1982-3703004042016 

Artigo

Escala de Perspectiva de Futuro Infantil: Evidências de sua Adequação Psicométrica

Childhood Perspective Scale: Evidence of its Psychometric Adequacy

Escala de Perspectiva de Futuro Infantil: Evidencias de su Adecuación Psicométrica

Ana Karla Silva Soares1 

Ana Karla Silva Soares

Professora Adjunta A da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Campo Grande – MS, Brasil.

Email: akssoares@gmail.com

Maria Gabriela Costa Ribeiro2 

Maria Gabriela Costa Ribeiro –

Graduada em Psicologia pela Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa – PB. Brasil.

E-mail: mariagabicr@gmail.com

Alessandro Teixeira Rezende3 

Alessandro Teixeira Rezende

Graduado em Psicologia pela Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa – PB. Brasil.

E-mail: als_tx@hotmail.com

Tátila Rayane de Sampaio Brito4 

Tátila Rayane de Sampaio Brito

Mestranda em Psicologia Social na Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa – PB. Brasil.

E-mail: tatila.rayane@hotmail.com

Valdiney Veloso Gouveia5 

Valdiney Veloso Gouveia

Professor Titular da Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa – PB. Brasil.

E-mail: vvgouveia@gmail.com

1Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, MS, Brasil

2Universidade Federal da Paraíba, PB, Brasil

3Universidade Federal da Paraíba, PB, Brasil

4Universidade Federal da Paraíba, PB, Brasil

5Universidade Federal da Paraíba, PB, Brasil

Resumo

Este estudo teve como objetivo elaborar uma medida de perspectiva de futuro infantil, reunindo evidências de sua validade fatorial e consistência interna. Realizou-se um estudo com 405 estudantes do ensino fundamental de João Pessoa (PB), divididos em dois grupos: Grupo 1 (G1; 203 crianças, Midade = 11 anos e 53% do sexo masculino) e Grupo 2 (G2; 202 crianças, Midade = 11 anos e 54% do sexo feminino). Eles responderam a Escala de Perspectiva de Futuro Infantil e perguntas demográficas. Considerando os participantes do G1, realizou-se uma análise fatorial exploratória que permitiu identificar três fatores: otimismo frente ao futuro (α = 0,69; 5 itens), aspirações por bens materiais (α = 0,67; 5 itens) e aspirações por família (α = 0,67; 4 itens). Posteriormente, tiveramse em conta os participantes do G2, comprovou-se a adequação desta estrutura com três fatores, observando-se indicadores de ajuste meritórios [χ2/gl = 2,21, GFI = 0,91, CFI = 0,89 e RMSEA = 0,078 (IC90% = 0,058-0,097)]. Os coeficientes de homogeneidade e confiabilidade composta para os três fatores foram, respectivamente, como seguem: otimismo frente ao futuro (0,33 e 0,65), aspirações por bens materiais (0,36 e 0,71) e aspirações por família (0,36 e 0,70). Concluindo, existem evidências de validade fatorial e consistência interna desta escala, que poderá ser adequadamente utilizar para medir perspectiva de future em crianças, favorecendo conhecer seus correlatos.

Palavras-chave Perspectiva de Futuro Infantil; Escala; Adaptação; Validade; Precisão

Abstract

This study aimed to elaborate a measure of children's future perspective, gathering evidence of its factorial validity and reliability. It was taken into account 405 students from elementary school in João Pessoa (PB), divided into two groups: Group 1 (G1; 203 children, MAge = 11 years, and 53% male) and Group 2 (G2; 202 children, MAge = 11 years, and 54% female). They answered the Children's Future Perspective Scale and demographic questions. An exploratory factor analysis was carried out with participants of G1, revealing three factors: optimism towards the future (α = .69; 5 items), aspirations for material possessions (α = .67; 5 items) and aspirations for family (α = .64; 4 items). Considering the participants in G2, we test the previous three-factor model, using a confirmatory factor analysis, which showed meritorious fit index [χ2/df = 2.21, GFI = .91, CFI = .89, and RMSEA = .078 (CI90% = .058-.097)]. The homogeneity and composed reliability, respectively, for the three factors were as following: optimism towards the future (.33 and .65), aspirations for material possessions (.36 and .71) and aspirations for family (.36 and .70). In conclusion, there is evidence of factorial validity and reliability of this scale, which is suitable to measure children's future perspective, permitting to know its correlates.

Keywords Children's Future Perspective; Scale; Adaptation; Validity; Reliability

Resumen

Este estudio tuvo como objetivo elaborar una medida de perspectiva de futuro infantil, reuniendo evidencias de su validez factorial y fiabilidad. Participaron 405 estudiantes de la enseñanza primaria de João Pessoa (PB), divididos en dos grupos: Grupo 1 (G1; 203 niños, Medad = 11 años y 53% hombres) y Grupo 2 (G2; 202 niños, Medad = 11 años y 54% mujeres). Ellos han contestado la Escala de Perspectiva de Futuro Infantil y preguntas demográficas. Considerando los participantes del G1, se ha realizado un análisis factorial exploratorio que indicó tres factores: optimismo hacia al futuro (α = 0.69; 5 ítems), aspiraciones por bienes materiales (α = 0.67; 5 ítems) y aspiraciones por familia (α = 0.67; 4 ítems). Teniendo en cuenta los participantes del G2, se ha comprobado la estructura con tres factores, que presentó indicadores de ajuste meritorios [χ2/gl = 2.21, GFI = 0.91, CFI = 0.89 y RMSEA = 0.078 (IC90% = 0.058-0.097)]. La homogeneidad y fiabilidad compuesta para los tres factores han sido, respectivamente, como siguen: optimismo hacia al futuro (0.33 y 0.65), aspiraciones por bienes materiales (0.36 y 0.71) y aspiraciones por familia (0.36 y 0.70). Concluyendo, se han observado evidencias de validez factorial y fiabilidad de esta escala, favoreciendo medir la perspectiva de futuro de los infantes, además de conocer sus correlatos.

Palabras clave Perspectiva de Futuro Infantil; Escala; Adaptación; Validez; Fiabilidad

Introdução

Na busca por compreender comportamentos e ações dos indivíduos, é válido assumir uma perspectiva temporal, uma vez que as condutas realizadas no presente sofrem influência do futuro, pois é neste que residem às metas, planos, sonhos, receios e esperanças (Carvalho, Pocinho, & Silva, 2010). Tal dimensão temporal constitui-se de passado, presente e futuro, ao passo que os três são de suma importância para a codificação e armazenamento de informações, ao influenciar nas motivações, atos e formação de expectativas dos seres humanos (Nutin, 2014).

Cada vez mais os cenários presentes na sociedade questionam os caminhos e apresentam as condutas ideais a serem seguidas na vida das pessoas. Essas indagações se expressam por meio das expectativas dos pais, familiares, bem como da escola, que desde cedo recaem sobre os indivíduos para norteá-los a tomar a melhor decisão, de modo a construir uma vida satisfatória e promissora (Carvalho et al., 2010; Nunes, Pontes, Silva, & Dell'Aglio, 2014; Ramos, Seidl-de-Moura, & Pessôa, 2013; Zappe, Moura Junior, & Dell'Aglio, 2015). Dessa forma, estudos mostram que a perspectiva de futuro está relacionada a diversos comportamentos sociais, tais como a preservação da natureza (Coelho, Gouveia, & Milfont, 2006), a valores humanos (Unger, Papastamatelou, Gassemi, & Lu, 2014) e à elaboração de estratégias voltadas para o alcance de objetivos a longo prazo (Keough, Zimbardo, & Boyd, 1999).

Nesta direção, pesquisadores têm se interessado pela compreensão da visão que as pessoas manifestam acerca do futuro e os aspectos subjacentes ao tema. Günther e Günther (1998), por exemplo, realizaram um estudo com intuito de verificar a visão de futuro dos adolescentes, utilizando a renda socioeconômica como uma das varáveis explicadoras. Na pesquisa, os autores adaptaram a escala Perceived Life Changes (Jessor, Donavan, & Costa, 1990) para o contexto brasileiro, e os resultados apontaram que o contexto sociocultural e o escolar se relacionam quanto à percepção do futuro, constatando que os alunos de escolas particulares atribuíram maiores expectativas quanto ao crescimento pessoal e profissional, tais como, possuir um bom emprego, assegurar boas condições de vida para família e ter um imóvel próprio quando comparados a estudantes de escolas públicas.

Oliveira, Pinto e Souza (2003) buscaram investigar as perspectivas de futuro de adolescentes com diferentes níveis sociais. Para tal, as autoras construíram um instrumento composto por seis eixos temáticos (sentimentos e concepções em relação ao futuro, ingresso na universidade, relacionamentos afetivos, emprego, profissão e carreira). A partir dos resultados, foi observado que os adolescentes possuíam visões otimistas e confiantes com o futuro pessoal, como a constituição de uma família, ingresso na universidade e um bom emprego. Concernente a isso, Aguiar e Conceição (2010) objetivaram investigar por meio de uma entrevista composta de três questões (por exemplo, “Neste ano você termina o ensino fundamental e, em 2008, você estará no 1° ano do ensino médio. Quais são suas expectativas para essa nova fase de vida?”) as expectativas de futuro em estudantes na transição para o ensino médio, descobrindo que eles priorizaram uma preparação para a vida adulta e para universidade.

Em uma amostra de jovens estudantes oriundos de classe socioeconômica desfavorecida, Sobrosa, Santos, Oliveira e Dias (2014), utilizando como instrumento questões abertas sobre planos para o futuro dos jovens, motivos para a escolha de cursos técnicos ou universitários e dificuldades percebidas para o prosseguimento dos projetos educacionais e profissionais almejados, constataram que a maioria dos estudantes associam seu futuro profissional ao esforço pessoal, além do desejo que os jovens possuíam de exercer uma profissão que lhes trouxesse satisfação pessoal. Na mesma direção, Oliveira e Saldanha (2010) compararam as expectativas de futuro entre estudantes de escola pública e privada, por meio da escala Como você vê seu futuro (Günther, & Günther, 1998), além de uma questão aberta (Agora, de forma discursiva, descreva como você imagina o seu futuro), observando que os estudantes de ambas as instituições apresentaram uma grande preocupação em concluir os estudos e conseguir um emprego capaz de promover qualidade de vida.

Souza, Pereira, Funck e Formiga (2013), por sua vez, desenvolveram um instrumento para mensurar as expectativas de futuro em adolescentes e adultos. Para realização do estudo, os autores aplicaram a versão inicial do instrumento composta de 33 itens (por exemplo,“Estarei realizado profissionalmente”; “Terei um bom emprego”) a 308 indivíduos da cidade do Rio de Janeiro. A partir da análise de componentes principais, foi verificado a existência de uma estrutura trifatorial. O primeiro fator, denominado de condições da sociedade, referiu-se a crença do indivíduo sobre como seria a sociedade em um futuro próximo; o segundo fator, classificado de sucesso profissional e financeiro, reuniu itens relacionados à crença do indivíduo sobre como seria seu futuro em relação à profissão e sua condição financeira; e, por fim, o terceiro fator foi intitulado de realização pessoal, sendo constituído por itens destinados a medir a crença que o indivíduo tem sobre sua vida em geral.

As distintas formas de mensuração da perspectiva de futuro vêm evoluindo ao longo dos tempos, tendo sido inicialmente consideradas medidas mais indiretas (por exemplo, círculos representativos da relação passado, presente e futuro, tarefas de completar histórias e o Teste de Apercepção Temática – TAT) evoluindo para medidas mais diretas (por exemplo, Time Perspective Questionnaire; Consideration of Future – ZTPI). Dentre os citados, a medida mais conhecida é a ZTPI, utilizada em amostras de adolescentes e adultos (Rahmatian, Famenini, Haghighatgoo, Sar, & Zimbardo, 2013) e em versões reduzidas (Orkibi, 2015).

Nesta direção, procedeu-se uma busca na ferramenta do “Google Acadêmico” (2016) e nas bases de dados Index Psi, Medline, PubMed, PsycINFO e Scopus com as palavras e/ou expressões-chave: “perspectiva de futuro em crianças”, “perspective of future and children”, “escala de perspectiva de futuro em crianças” e “perspective of future and children scale”, não sendo identificada qualquer publicação relacionada à pesquisa empírica de construção ou adaptação de alguma medida que avaliasse a visão que as crianças têm do futuro. Com exceção dos estudos correlacionais apresentados previamente, tais como a proposta por Günther e Günther (1998, Perceived Life Changes) e que também foi empregada por Oliveira e Saldanha (2010); a medida de Oliveira et al. (2003), que é constituída por 36 itens, mas não apresenta estudo que comprove sua adequação psicométrica; a medida de Aguiar e Conceição (2010), que é composta exclusivamente de três questões abertas; e o instrumento de Sobrosa et al., (2014), no qual se consideravam questões abertas e fechadas que investigavam dados sociodemográficos, planos para o futuro dos jovens, motivos para a escolha de cursos técnicos ou universitários e dificuldades percebidas para o prosseguimento dos projetos educacionais e profissionais almejados.

Portanto, considerando a importância de se avaliar a visão que as crianças possuem do futuro, sobretudo em razão de elas serem boas preditoras de comportamentos e atitudes, justifica-se considerar a elaboração de um instrumento específico para mensurá-las, conhecendo evidências empíricas acerca de suas evidências de adequação psicométrica. Como previamente foi indicado, não se identificou qualquer medida específica cujas informações técnicas estejam disponíveis. Deste modo, os estudos descritos a seguir têm como objetivos principais elaborar e reunir evidências de validade fatorial e consistência interna de uma medida nova sobre perspectiva de futuro para infantes.

Método

A pesquisa possui o delineamento exploratório de caráter quantitativo para verificar a adequação da Escala Perspectiva de Futuro Infantil.

Participantes

Participaram do presente estudo 405 estudantes do ensino fundamental de João Pessoa (PB), com idade média de 11 anos (DP = 0,89; variando de 8 a 13 anos), a maioria do sexo masculino (53%), de escolas privadas (63,1 %) e se declarando classe média (48,4%). Para tanto, contou-se com uma amostra de conveniência (não probabilística), incluindo aqueles que, quando solicitados, se dispuseram a participar da pesquisa. Para a realização das análises exploratórias e confirmatórias, optou-se por dividir a amostra em dois grupos. Os participantes foram escolhidos aleatoriamente, como seguem: G1 (n = 203), com média de idade foi de 11 anos (DP = 1,05), a maioria do sexo masculino (51,7%) e de classe média (46,3%), e G2 (n = 202), formado por participantes com média de 11 anos de idade (DP = 0,93), em sua maioria do sexo feminino (54%) e de classe média (43,1%).

Instrumentos

Os participantes responderam um livreto que incluiu duas partes: Escala de Perspectiva de Futuro Infantil (EPF-I) e perguntas demográficas (por exemplo, sexo e idade). A EPF-I compõe-se de 21 itens, respondidos em uma escala de resposta que varia de 1 (nenhuma importância) a 5 (máxima importância). Os itens desta medida resultaram do estudo realizado por Soares et al., (no prelo), no qual foram consideradas as respostas de 227 estudantes do ensino fundamental que responderam duas questões abertas sobre suas perspectivas de futuro (1. Por favor, diga o máximo de coisas que vêm à sua cabeça ao pensar no seu futuro e 2. Quais as coisas ruins e boas que você acha que vão acontecer com você no futuro?) e foram analisadas por meio do software IRAMUTEQ (Ratinaud, 2009). Os autores realizaram a análise de conteúdo, considerando dois profissionais que avaliaram a pertinência dos mesmos para avaliar o atributo que se pretende mensurar (perspectiva de futuro). E sua validação semântica com um grupo de oito crianças entre 7 e 9 anos de idade. Portanto, contou-se com a versão final, objeto do presente estudo, cuja cópia poderá ser obtida escrevendo a um de seus autores.

Procedimento

Coleta de dados

A EPF-I foi administrada por dois colaboradores aptos que informaram os objetivos da pesquisa que, após consentimento e assinatura do termo de responsabilidade e do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) por parte dos pais ou responsáveis, agendaram o melhor horário para aplicação do questionário e realizam a coleta de dados em ambiente coletivo de sala de aula, mas com participação individual por parte dos estudantes. Em média, 15 minutos foram necessários para concluir a participação.

Análise de dados

Utilizou-se o software SPSS (versão 18) para a análise dos dados, no cálculo de estatísticas descritivas (medidas de tendência central e dispersão, frequência) empregadas na caracterização da amostra, do teste t de Student para averiguar o poder discriminativo dos itens e para checar as evidências de validade (análise fatorial) e precisão (consistência interna) da medida. Além disso, empregou-se a calculadora de Gouveia e Soares (2015), calculou-se a confiabilidade composta (CC), que consiste em um indicador complementar de consistência interna, comparável ao alfa de Cronbach, mas com a diferença de que não se pressupõem a independência de erros de medida e tau equivalência dos itens, sendo valores igual ou superior a 0,60, indicadores de adequação de CC (Fornell, & Larcker, 1981; Škerlavaj & Dimovski, 2009). Por fim, o AMOS (versão 18) foi utilizado para execução da análise fatorial confirmatória, que tomou a matriz de covariância como entrada e o estimador ML (Maximum Likelihood), os seguintes indicadores de ajuste foram considerados (Byrne, 2010; Tabachnick, & Fidell, 2013): χ2 - qui-quadrado2 - ideal valores baixos; χ2/gl recomendável valores entre 2 e 3); Goodness-of-Fit Index; Adjusted Goodness-of-Fit Index – GFI e AGFI (valores variando de 0 a 1, onde índices próximos ou superiores a 0,90 representam um ajuste adequado) (Hooper, Coughlan, & Mullen, 2008); Comparative Fit Index – CFI (recomendando-se valor próximo a 0,90 como indicador de ajuste do modelo); Tucker-Lewis coeficiente – TLI (valores satisfatórios próximo de 1,00, admitindo-se aqueles entre 0,80 e, preferentemente, 0,90); Root-Mean-Square Error of Approximation – RMSEA (valores entre 0,05 e 0,08 são satisfatórios) e Standardized Root Mean Square Residual – SRMR (valores inferiores a 0,10, e de preferência inferior a 0,08, são considerados um bom ajuste).

Considerações éticas

Os participantes foram informados acerca do caráter voluntário da participação, garantindo-se o anonimato e o sigilo da participação, tendo o projeto sido previamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (Parecer n° 1.078.333), seguindo-se práticas recomendadas na Resolução do Conselho Nacional de Saúde n° 466/12.

Resultados

Inicialmente, procurou-se identificar o poder discriminativo dos itens, formando os grupos-critério inferior e superior a partir da mediana (Mdn = 99) das pontuações totais da EPF-I. Definidos tais grupos, calculou-se a Manova e observou-se que todos os itens discriminaram na direção esperada [Lambda de Wilks = 0,26, F (21, 163) = 22,11, p < 0,001, η2 = 0,74]. Estes resultados, corroboram que todos os itens discriminaram satisfatoriamente entre os dois grupos, sendo o item 13 o mais discriminativo (η2 = 0,30) e o item 07 o menos discriminativo (η2 = 0,07).

Conhecido o poder discriminativo dos itens, realizou-se a análise fatorial da EPF-I. Desta maneira, procedeu-se uma análise dos componentes principais, sem fixar tipo de rotação ou número de fatores a extrair, tendo este se mostrado um procedimento justificável, KMO = 0,80 e Teste de Esfericidade de Bartlett, χ2 (210) = 1232,13, p < 0,001. A partir de então foi possível identificar uma estrutura inicial formada por nove fatores cujo valor próprio (eigenvalue) foi superior a 1 (Critério de Kaiser) e que no conjunto explicam 33,55 % da variância total. Não obstante, tendo em consideração a fragilidade deste critério e que no manuscrito de Soares et al. (no prelo) os resultados indicaram a presença de três categorias, procedeu-se a uma análise paralela (Hayton, Allen, & Scarpello, 2004), admitindo-se os parâmetros do banco de dados (203 participantes e 21 itens) e efetuando 1.000 simulações. Contrastando os valores próprios observados na CP com os simulados, percebeu-se que o quarto valor próprio empírico (1,33) foi inferior ao simulado (1,35), confirmando a tridimensionalidade da medida. Assim, decidiu-se adotá-la, realizando nova análise com a extração de três fatores e rotação varimax. Com o fim de definir o item como pertencente ao componente, assumiu-se que ele deveria apresentar saturação mínima de |0,30| (Gorsuch, 1983; Pasquali, 2003) e que melhor representasse semanticamente o fator em que saturou. Estes resultados são sumarizados na Tabela 1.

Tabela 1 Estrutura Fatorial e Consistência Interna da EPF-I. 

Itens Conteúdo dos itens I II III
07 No futuro, terminarei meus estudos. 0,81 0,00 0,09
21 Serei respeitado pelas pessoas que me conhecem. 0,61* 0,24 0,04
11 Com meus estudos poderei sustentar e ajudar minha família. 0,57 -0,02 0,32
19 Terei um emprego que me dará satisfação na vida. 0,56 0,34 0,17
01 Penso coisas positivas sobre meu futuro. 0,52* 0,13 0,11
03 No futuro vou conseguir ser um bom profissional. 0,49 0,30 0,19
06 Pensar sobre o futuro me deixa feliz. 0,45* 0,27 0,20
10 Acredito que com os estudos vou conseguir alcançar todos os meus sonhos. 0,44* 0,32 0,15
04 O futuro trará coisas boas. 0,41* 0,18 0,28
17 Terei um bom emprego para poder comprar tudo que quero. 0,14 0,67* 0,02
13 Serei uma pessoa com muito dinheiro. 0,05 0,60* 0,18
12 Quando for adulto terei uma casa grande e bonita. 0,28 0,45* 0,10
09 Acredito que conseguirei entrar em uma universidade. 0,12 0,43 0,17
05 Pensar no futuro me faz bem. 0,15 0,40 0,15
08 Penso que conseguirei um bom emprego. 0,21 0,39* 0,14
20 Vou conseguir comprar uma casa própria. 0,05 0,37* 0,05
15 Futuramente formarei uma família. 0,18 0,07 0,72*
16 Penso que poderei sustentar minha família. 0,15 0,16 0,55*
14 No futuro quero me casar. 0,15 0,13 0,53*
18 Vou ter uma vida feliz com a minha família. 0,04 0,12 0,43*
02 Acho que no futuro vão acontecer coisas boas na minha vida. 0,13 0,11 0,28
Número de itens 5 5 4
Valor Próprio 5,52 1,74 1,61
% de variância 23,32 5,44 4,78
Alfa de Cronbach 0,69 0,67 0,67

Nota:

*Item participante do fator.

Considerando os aspectos anteriormente assinalados, os componentes identificados podem ser descritos como seguem:

Componente I: Reuniu cinco itens com saturações variando de 0,61 (Item 21. Serei respeitado pelas pessoas que me conhecem) a 0,41 (Item 4. O futuro trará coisas boas), com valor próprio de 5,52, correspondendo à explicação de 23,32% da variância total. Considerou-se adequado defini-lo como otimismo frente ao futuro. Quanto à sua consistência interna, calcularam-se os valores de alfa de Cronbach (α = 0,69), a homogeneidade, correlação média inter-itens, ri.i = 0,30, variando de 0,24 (Itens 4 e 10) a 0,38 (Itens 10 e 21).

Componente II: É constituído por cinco itens com saturações variando de 0,67 (Item 17. Terei um bom emprego para poder comprar tudo que quero) a 0,37 (Item 20. Vou conseguir comprar uma casa própria), apresentou valor próprio 1,74 e explicando 5,44% da variância total. Nesta direção, parece justificável denominá-lo interesses por bens materiais. Sua consistência interna foi avaliada por meio do Alfa de Cronbach (α = 0,67) e da correlação média inter-itens (ri.i = 0,28), variando de 0,19 (Itens 8 e 20) a 0,45 (Itens 13 e 17).

Componente III: É composto por quatro itens cujas saturações variam de 0,72 (Item 15. Futuramente formarei uma família) a 0,43 (Item 18. Vou ter uma vida feliz com a minha família), apresentando valor próprio de 1,61, que explica 4,78% da variância total. Sua consistência interna também foi mensurada (α = 0,67; ri.i = 0,34, variando de 0,21 – itens 14 e 16 a 0,50 – itens 14 e 15). Foi denominado de aspirações para constituir família.

Análise fatorial confirmatória

Diante dos achados oriundos da análise exploratória, testou-se a estrutura multifatorial da EPF-I. Entretanto, apesar de nas análises anteriores terem sido reunidos cinco itens para os dois primeiros fatores e quatro para o terceiro, por questão de parcimônia, optou-se por restringir este número a quatro, selecionando-se aqueles que representavam semanticamente melhor o fator.

Assim, procedeu-se à análise fatorial confirmatória, considerando a matriz de covariância e adotando o estimador Máxima Verossimilhança (ML) para testar a estrutura composta pelos três componentes identificados anteriormente. Os resultados reuniram índices de ajuste que podem ser aceitos, como seguem: χ2 (51) = 112,73, p < 0,01, χ2/gl = 2,21, GFI = 0,91, AGFI = 0,86, CFI = 0,89, TLI = 0,86, SRMR = 0,081, RMSEA = 0,078 (IC90% = 0,058-0,097) e Pclose = 0,11.

Figura Estrutura Fatorial da EPF-I. 

Todos os itens apresentaram saturações (lambdas) estatisticamente diferente de zero (λ≠ 0; z > 1,96, p < 0,001), com valores variando de 0,36 (Item 20. Vou conseguir comprar uma casa própria) a 0,75, (Item 15. Futuramente formarei uma família). Deste modo, em geral, os indicadores de ajuste admitem apoio para a estrutura tridimensional da medida de perspectiva de futuro infantil.

Consistência interna, confiabilidade composta e validade convergente

Quanto aos indicadores de consistência interna, calcularam-se o alfa de Cronbach (α1 = 0,66; α2 = 0,70; α3 = 0,67), a homogeneidade (correlação média inter-i tens, F1ri.i = 0,33; F2ri.i = 0,36; F3ri.i = 0,36) e a Confiabilidade Composta (CC1 = 0,65; CC2 = 0,71; CC3 = 0,70) para cada fator, corroborando, conjuntamente, as evidências de consistência interna da medida.

Ademais, quanto à validade convergente da EPF-I, foi mensurada por meio da correlação entre a perspectiva de futuro e a percepção de chances na vida, avaliada com a medida de Günther e Günther (1998, PLC – Perceived Life Chances). Como é possível observar na Tabela 2, os fatores da EPF-I se correlacionam significativamente (p < 0,001) com a maioria dos itens que compõem a PLC.

Tabela 2 Validade convergente entre os fatores da EPF-I e itens da PLC. 

Fatores da EPF-I Concluíra o segundo grau? Entrará na universidade? Terá um emprego que lhe garantirá boa qualidade de vida? Terá sua própria casa? Terá um trabalho que lhe dará satisfação? Terá uma vida familiar feliz? Manter-se-á saudável a maior parte do tempo? Será feliz por morar no Brasil? Os dirigentes do Brasil serão confiáveis? Será respeitado pela comunidade? Terá amigos que lhe darão apoio?
Fator 1 (Otimismo) 0,42** 0,21** 0,26** 0,13 0,29** 0,34** 0,44** 0,22** 0,02 0,32** 0,18*
Fator 2 (Bens materiais) 0,27** 0,15* 0,27** 0,30** 0,33** 0,25** 0,33** 0,14 0,01 0,12 0,17*
Fator 3 (Família) 0,25** 0,25** 0,26** 0,20** 0,26** 0,39** 0,37** 0,09 -0,05 0,26** 0,21**

*p < 0,05;

**p < 0,001.

O caso do fator 1, (otimismo frente ao futuro) correlaciona-se mais fortemente com itens como: Concluíra o segundo grau? (r = 0,41), Manter-se-á saudável a maior parte do tempo? (r = 0,44) e Será respeitado pela comunidade? (r = 0,32). O fator 2 (interesses por bens materiais) com Terá um trabalho que lhe dará satisfação (r = 0,33), Manter-se-á saudável a maior parte do tempo? (r = 0,33) e Terá sua própria casa? (r = 0,30). E o fator 3 (aspirações para constituir família) Terá uma vida familiar feliz? (r = 0,39), Manter-se-á saudável a maior parte do tempo? (r = 0,37) e Será respeitado pela comunidade? (r = 0,26).

Discussão

O objetivo geral do presente estudo foi elaborar e reunir evidências psicométricas de adequação da Escala de Perspectiva de Futuro Infantil (EPF-I), conhecendo suas evidências de validade (fatorial e convergente) e precisão (alfa de Cronbach, homogeneidade e confiabilidade composta). Considera-se que este objetivo tenha sido alcançado.

Partindo para os principais achados da pesquisa, foram observadas evidências de adequação psicométrica da EPF-I. Ressalta-se que todos os seus itens foram discriminativos, isto é, são capazes de diferenciar indivíduos com pontuações próximas (Pasquali, 2012). A estrutura fatorial que emerge sem restrições não é sustentada empiricamente nem teoricamente, pois o critério robusto da análise paralela (Garrido, Abad, & Ponsoda, 2013) e o estudo teórico que fundamentou a elaboração da medida (Soares et al., no prelo1) demonstram que a estrutura trifatorial é adequadamente ajustada, corroborando os resultados da presente pesquisa. Além do mais, foram calculados indicadores de precisão da medida por meio do seu alfa de Cronbach, que foi superior ao ponto de corte comumente adotado para fins de pesquisa (0,70; Pasquali, 2012), endossado pela homogeneidade, que possui média das correlações inter-itens superiores ao recomendado como aceitável (0,20; Clark, & Watson, 1995) nos três componentes. Como medida complementar de consistência interna, avaliou-se a Confiabilidade Composta, sendo seus valores igual ou superior a 0,60 tidos como aceitáveis pela literatura (Valentini, & Damásio, 2016).

A dimensão otimismo frente ao futuro agrupou itens que representam uma expectativa de que o futuro trará coisas boas e promissoras. A esse respeito, Sobrosa et al. (2014) constataram que os jovens são otimistas em relação ao futuro e esperam conquistar sucesso em vários âmbitos da vida pessoal. No estudo em questão, os autores verificaram que a maioria dos estudantes pensa a respeito de seu futuro profissional, estando esses pensamentos relacionados ao esforço pessoal para conquistar sucesso na vida profissional (Zappe, et al., 2015).

No que diz respeito à dimensão interesse por bens materiais, esta reuniu itens que estavam relacionados a possibilidade de ter um bom emprego para conseguir adquirir bens materiais, tais como comprar uma casa própria e carro. Tal resultado dá suporte aos achados presente na literatura (Aguiar & Conceição, 2010; Danemark, Englund, Germundsson, & Ratinaud, 2014; Ramos et al., 2013) que indicam que existe uma íntima relação entre perspectiva de futuro e a consequente vontade de ser financeiramente independente. Em outras palavras, o trabalho, a formação acadêmica e a aquisição de bens materiais são considerados elementos primordiais nos projetos de vida de inúmeros jovens.

A dimensão denominada de aspirações para constituir família foi formada por itens que mediam perspectivas de futuro quanto à formação de uma família, tais como casar e ter filhos. De acordo com Valore e Viaro (2007), a pertença e constituição de uma família são considerados fatores de suma importância para o futuro dos jovens, influenciando questões como o estabelecimento de metas e objetivos a serem alcançados a longo prazo.

No que concerne à análise fatorial confirmatória, foi verificada a adequação da estrutura trifatorial. Este resultado ofereceu indicadores de ajuste aceitáveis, mesmo que alguns estiveram abaixo do que é sugerido na literatura. Por exemplo, o CFI e o AGFI não alcançaram o 0,90 esperado (Byrne, 2001). Entretanto, Garson (2003) indica que mesmo um CFI abaixo do preconizado pode ser admitido em virtude de os resultados na área aceitarem valores de, por exemplo, 0,70. Ademais, pede-se atenção para o fato de que, neste âmbito, a avaliação de ajuste de um modelo deve ser realizada no conjunto, o que sustenta a posição de adequação da estrutura teórica da medida. Teoricamente, a EPF-I deve se correlacionar-se com medidas que avaliem a perspectiva ou visão que os indivíduos possuem do futuro, pois o construto “perspectiva de futuro” reflete estas dimensões. Essa relação foi confirmada visto as correlações positivas e significativas dos fatores da EPF-I e a medida empregada por Günther e Günther (1998), a Perceived Life Chances. Por exemplo, o fator 2 da EPF-I que está relacionado a aspectos familiares apresentou maior correlação com o item terá uma vida familiar feliz, sendo estes achados indicadores preliminares de validade convergente da medida.

Considerações finais

Embora os resultados tenham sido alcançados, é pertinente destacar algumas potenciais limitações deste estudo, ressaltando que estas não invalidam os resultados ora apresentados. Primeiramente, destaca-se o fato de a amostra utilizada ser de conveniência (não probabilística), isto é, contou-se com a colaboração daqueles que, voluntariamente, se dispuseram a responder a pesquisa. Este aspecto restringe a generalização destes achados ao contexto de estudo. Além disto, consideraram-se predominantemente estudantes de instituições privadas de ensino, fato este que já vem demonstrando influência no que se refere ao estudo da temática.

Entretanto, destaca-se que o propósito último deste estudo não foi exatamente diferenciar o construto entre estes grupos, mas sim, construir e verificar as evidências de adequação psicométrica de uma medida que permitirá, no futuro, avaliá-lo. Ainda destaca-se como potencial limitação o emprego de medidas de autorrelato (tipo “lápis e papel”) que, apesar de serem as mais utilizadas em pesquisas nas ciências sociais, apresenta algumas desvantagens, a exemplo da possibilidade dos participantes falsearem suas respostas ou destas respostas serem resultado da influência da desejabilidade social (tendência de respostas na direção do que se considera socialmente desejável). Futuramente, espera-se considerar outras formas de medida que permitam reduzir estes vieses, tais como as medidas implícitas.

Uma outra limitação desse estudo foi o fato de que foram apresentadas diferentes expectativas quanto ao futuro para os infantes indicarem suas chances de alcançá-las e, desta forma, não foi possível compreender quais significados os jovens atribuem a cada expectativa. Estes significados podem variar amplamente, pois, por exemplo, ter uma casa própria, ou ter um emprego que garanta boa qualidade de vida, são afirmações genéricas que admitem ampla variedade de interpretações pessoais, o que poderia ser melhor investigado em estudos qualitativos.

Por fim, sugere-se a possibilidade de realizar estudos futuros para ampliar as evidências de validade e precisão da medida. Especificamente, sugere-se estudos com amostra mais representativas da população, a análise aprofundada de sua validade convergente (por exemplo, correlacionando-a com medidas de satisfação com a vida ou outras medidas que avaliam disposições sobre o futuro nos indivíduos), diversificar a amostra quanto à idade e tipo de escola (pública/privada), conhecer sua estabilidade temporal (teste-reteste), avaliando em que medida o construto perspectiva de futuro é afetado pelo tempo e sua relação com aspectos psicológicos (por exemplo, valores humanos e personalidade).

1Soares, A. K. S., Mendes, L. A. M., Gouveia, R. S. V., Ribeiro, M. G. C., Teixeira, A. R., & Gouveia. V. V. (no prelo). Análise textual com o freeware IRAMUTEQ: Compreendendo perspectivas de futuro em crianças. Revista Interamericana de Psicologia.

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Received: October 31, 2016; Revised: July 04, 2017; Accepted: August 29, 2017

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