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Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental

Print version ISSN 1415-4366On-line version ISSN 1807-1929

Rev. bras. eng. agríc. ambient. vol.7 no.2 Campina Grande May/Aug. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-43662003000200034 

MÁQUINAS AGRÍCOLAS

 

Resistência do solo à penetração, após o tráfego com dois tipos de pneus utilizando-se um equipamento para ensaio dinâmico

 

Soil penetration resistance after the traffic with two types of tyres using the dynamic test equipment

 

 

Alberto K. NagaokaI; Kléber P. LançasII; Pedro Castro NetoIII; Afonso LopesIV; Saulo P. S. GuerraV

ICAV/UDESC. CP 281, CEP 88520-000, Lages, SC. Fone: (49) 221-2211. E-mail: a2akn@cav.udesc.br
IIFCA/UNESP. CP 237, CEP 18603-970, Botucatu, SP. Telefax: (14) 6802-7118. E-mail: kplancas@fca.unesp.br
IIIDEG/UFLA. CP 37, CEP 37200-000, Lavras, MG. Fone: (35) 3829-1669. E-mail: pedrocn@ufla.br
IVFCAV/UNESP. CEP 14870-000, Jaboticabal, SP. Fone: (16) 323-2500. E-mail: afonso@fcav.unesp.br
VFCA/UNESP. CP 237, CEP 18603-970, Botucatu, SP. Telefax: (14) 6802-7118. E-mail: ssguerra@terra.com.br

 

 


RESUMO

Com este trabalho objetivou-se, principalmente, avaliar a resistência do solo à penetração, em função do tipo de pneu (diagonal e radial) e da carga vertical, utilizando-se um equipamento de ensaio de pneu agrícola individual, e verificar os efeitos nas camadas do solo pela passagem do pneu. O equipamento utilizado foi projetado para ser acoplado na traseira do trator e acionado pela tomada de potência afim de realizar ensaios de pneus em condições de campo, sendo ainda, constituído, de uma caixa de transmissão mecânica de trator e instrumentos eletrônicos de medição. Este trabalho foi desenvolvido no Núcleo de Engenharia Rural da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA/UNESP) em Botucatu. Os dados obtidos no experimento foram analisados considerando-se o delineamento experimental em blocos, no esquema de parcelas subdivididas, tendo na parcela os pneus (radial e diagonal) e na subparcelas as cargas (10.000, 13.000, 16.000 e 19.000 N) com cinco repetições. O pneu radial mostrou vantagem em relação ao diagonal, por apresentar menores valores de índice de cone. As cargas mais elevadas provocaram maiores valores de índice de cone e seus incrementos, nas camadas de 0 a 10 e de 10 a 20 cm.

Palavras-chave: índice de cone, compactação do solo, pneu agrícola


ABSTRACT

The main objective of this research was to evaluate the soil cone index results as a function of tyre type (radial and bias tyres) and tyre load using a single wheel testing equipment and verifying the effect on the layers after tyre traffic. This equipment was projected for linking at the rear of a tractor and was activated by the power with the purpose of testing individual tyre under field conditions and constituted of a mechanical transmission box and electronic instruments of measurement. This study was conducted at the Agricultural Tyre Testing Center - NEMPA of Rural Engineering Department, Faculty of Agronomic Sciences, UNESP, Botucatu, SP. The data obtained were analyzed considering a random block experimental design in split plot with tyre in the main plot (radial and bias tyres) and tyre load (10.000 N, 13.000 N, 16.000 N and 19.000 N) in the split plots with five repetitions. The radial tyre showed advantage in relation to bias tyre showing small cone index values. The highest loads provoked largest cone index values and its increments in the layers of 0 to 10 cm and 10 to 20 cm.

Key words: cone index, soil compaction,agricultural tyre


 

 

INTRODUÇÃO

A partir da Segunda Grande Guerra Mundial, o avanço da engenharia contribuiu para o incremento na potência dos tratores e, com isto, os estudos se intensificaram na busca de máquinas e sistemas mais eficientes de tração, como é o caso dos tratores com tração nas quatro rodas. Trabalhos realizados mostraram que o peso e a potência dos tratores têm aumentado ao longo do tempo, embora a relação entre os dois fatores tenha diminuído, resultando em prejuízos ao solo e ao desempenho do trator (Cordeiro, 1994).

A movimentação de veículos e máquinas agrícolas, geralmente bastante pesados, e o preparo intensivo do solo, têm contribuído para a formação de camadas compactadas (Ferreira, 1993; Camargo & Alleoni, 1997; Torres et al. 1998; Castro Neto et al. 1999). Essas camadas, além de provocarem erosão superficial do solo, refletem na produtividade agrícola devendo, portanto, haver uma importante relação entre solo/máquina/planta. Ao pesquisador cabe a função de investigar os efeitos causados pelo uso da máquina, comparar e recomendar o uso correto para que os equipamentos tenham o máximo rendimento com mínimo prejuízo.

Ao realizarem um levantamento de solos no Estado do Rio Grande do Sul, Souza et al. (1988) encontraram as camadas adensadas em profundidades que variaram entre 10 e 30 cm, sendo as principais diferenças destas em relação às outras camadas do perfil do solo, as maiores densidades e resistência à penetração. Os mesmos autores enfatizaram que as conseqüências mais imediatas do aparecimento dessas camadas são a redução da capacidade de infiltração da água das chuvas, maior resistência à penetração das raízes das plantas, excesso de umidade acima da camada nos períodos chuvosos e deficiência de água nos períodos secos.

Marshall & Raney (1960) definem as zonas compactadas do solo como sendo o resultado da deterioração da sua estrutura, tendo como principal conseqüência a diminuição da porosidade nas camadas logo abaixo da profundidade de trabalho dos órgãos ativos das máquinas. Os autores classificaram os solos com pouca matéria orgânica ou estrutura "fraca", como mais susceptíveis à compactação pelo tráfego e ação das máquinas e implementos.

Apesar das limitações, segundo Lanças (1991), a resistência à penetração é freqüentemente usada para a indicação comparativa do nível da compactação, em solos de mesmo tipo e mesmo teor de água, devido à facilidade e rapidez com a qual numerosas medidas podem ser realizadas. Os resultados são normalmente expressos em termos de força por unidade de área do cone de dimensões padronizadas, instalado na ponta da haste do penetrômetro ou penetrógrafo.

A avaliação da resistência mecânica do solo à penetração de uma haste é uma maneira rápida e fácil de medir a resistência à penetração a várias profundidades, sendo esta metodologia muito utilizada para se avaliar, entre outros fatores: a resistência ao rolamento (Brixius, 1987) e a compactação em diferentes sistemas de preparo do solo (Ortolani et al., 1992), predizer a força de tração de máquinas (Wolf et al., 1996) e relacionar fatores de resistência do solo à elongação radicular (Camargo & Alleoni, 1997).

Lanças & Santos (1998) construíram um penetrômetro hidráulico-eletrônico para a determinação da resistência à penetração do solo. O sistema tem como elementos básicos um pistão hidráulico, uma célula de carga, uma haste de aço contendo uma ponteira cônica de ângulo sólido de 30º, com diâmetro de 19,05 mm. O sistema hidráulico do trator ("controle remoto") foi utilizado para obtenção da pressão necessária para cravar o cone na direção normal (perpendicular) ao solo. A velocidade constante de 1820 mm min-1, independentemente da resistência do solo, foi obtida pela instalação de uma válvula de controle de vazão no circuito hidráulico. A obtenção, o registro e o armazenamento dos dados de resistência à penetração do solo foram possíveis pela utilização de sistema eletrônico formado pelos seguintes componentes: sensor de força (célula de carga), potenciômetro utilizado como sensor de profundidade, sistema de aquisição e armazenamento de dados ("Micrologger"), microcomputador e programa para análise dos dados ou planilha eletrônica. Recentemente, este penetrômetro foi adaptado para ser acoplado na traseira do chassi do trator, por Castro Neto (2001).

Fernandes (1996) realizou uma pesquisa com máquinas de exploração florestal com a finalidade de avaliar a compactação do solo causada pelo tráfego e determinar os dias potencialmente úteis para o trabalho. Utilizando-se um penetrógrafo manual para obter os dados de compactação do solo; o autor avaliou as diferenças entre a resistência à penetração pela fórmula:

Y = D - A

em que:

Y - diferença entre as resistências (MPa)
D - resistência à penetração depois do tráfego (MPa)
A - resistência à penetração antes do tráfego (MPa)

Este autor verificou, ainda, que o maior incremento da resistência à penetração, devido ao tráfego das máquinas pesquisadas, ocorreu para a profundidade de 0 a 15 cm.

Seraut (1990) estudou o pneu 20.8R38, suportando 39 kN, inflado com pressão de 80 e 160 kPa e constatou que a pressão na superfície do solo é semelhante à pressão de inflação do pneu e, ainda, que a pressão dentro do solo, a 30 cm, tem relação direta com aquela usada no pneu.

Devido à disposição das lonas nos pneus radiais, ocorre redução da deflexão das garras e, por outro lado, aumenta-se a deformação lateral do pneu, resultando numa área maior de contato com o solo. Utilizando-se pressão e carga correta neste tipo de rodado, aumenta-se a deformação lateral sem comprometer sua vida útil, reduzem-se os efeitos de vibrações ou saltos ("power hop") para tratores com tração nas quatro rodas (Deere, 1993 e Goodyear Tire & Rubber, 1994).

Ngunjiri & Siemens, citados por Al-Adawi & Reeder (1996), estudaram o efeito do tráfego de um trator com 8,5 t em quatro tratamentos de compactação: sem tráfego, com tráfego nas entrelinhas, com tráfego nas linhas e com tráfego em toda a área. Os autores concluíram que a produção de milho na área com tráfego em toda a área foi significativamente menor que a produção nos demais tratamentos.

Ferreira (1998) também pesquisou a compactação do solo por tráfego de máquinas de colheita no plantio florestal e concluiu que a resistência à penetração do solo foi maior para profundidade entre 5 a 15 cm e, também, ocorreu um incremento de aproximadamente 55% na resistência à penetração do solo, entre a fase de pré-colheita e pós-colheita, variando de 1075,2 kPa para 1666,4 kPa, respectivamente.

O objetivo deste trabalho foi avaliar a resistência do solo à penetração em função do tipo de pneu (diagonal e radial) e da carga vertical, verificando-se o efeito nas camadas do solo pela passagem do pneu utilizando-se um equipamento de ensaio de pneu agrícola individual.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Os ensaios de campo foram realizados na Pista de Ensaio do NEMPA, localizado na Fazenda Experimental Lageado, da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Universidade Estadual Paulista (UNESP) nas coordenadas geográficas 22º 49'latitude Sul e 48º 25'longitude Oeste de Greenwich, com altitude média de 770 m. O solo da área experimental foi classificado como Latossolo Roxo (Cordeiro, 2000).

A avaliação da resistência do solo à penetração antes do tráfego foi realizada em três áreas representativas do experimento, obtendo-se cinco parcelas para cada área (a média de 2 pontos amostrais constituiu uma parcela). Os valores de resistência do solo à penetração foram analisados em quatro camadas do solo (0 a 10, 10 a 20, 20 a 30 e 30 a 40 cm) separadamente, considerando-se o delineamento experimental em blocos. Para avaliar a resistência do solo à penetração após o tráfego como um indicativo da compactação do solo, foram determinados os valores de seis pontos amostrais para cada passagem do pneu (cuja média dos seis pontos constituiu uma parcela) sob 5 níveis de cargas em 4 camadas do solo. Os índices de cone, obtidos no experimento, foram analisados considerando-se o delineamento experimental em blocos, no esquema de parcelas sub-subdivididas, tendo-se na parcela os pneus (radial e diagonal), na subparcela as cargas (0, 10.000, 13.000, 16.000 e 19.000 N) e na sub-subparcela as camadas (0 a 10, 10 a 20, 20 a 30 e 30 a 40 cm) com cinco repetições (Figura 1).

 

 

No momento em que foi realizada a obtenção da resistência do solo à penetração, foram coletadas amostras de solo em oito pontos da área experimental, estratificada de 0 a 15 e de 15 a 30 cm de profundidade. As amostras foram coletadas com auxílio de um enxadão e uma pá de jardinagem, e colocadas em latinhas de alumínio, com identificação, as quais foram transportadas imediatamente para o Laboratório de Física do Solo do NEMPA, onde foi realizada a análise do teor de água do solo, seguindo-se a metodologia da EMBRAPA (1979). Avaliaram-se a resistência do solo à penetração, em função das variáveis estudadas, e os incrementos do índice de cone, seguindo-se a metodologia de Fernandes (1996) e Castro Neto et al. (1999).

Os resultados do experimento foram interpretados estatisticamente por meio da análise de variância, adotando-se o nível de significância de 5%, e pelo teste de comparação de médias de Tukey, conforme recomendação de Gomes (1987) e Curi (1997).

Para o levantamento dos dados utilizou-se um equipamento para ensaio dinâmico de rodado agrícola individual, um trator SLC-John Deere1  modelo 6600, com tração dianteira auxiliar, potência de 89 kW no motor e massa de 5110 kg sem lastro, acoplado ao equipamento, devidamente regulado e instrumentado, além de um sistema de aquisição de dados "Micrologger"CR23X (Figura 2), balança eletrônica, penetrômetro hidráulico-eletrônico (Figura 3) e dois tipos de pneu de tração (Figura 4) do tipo radial (620/75 R30(23.1-R30) e diagonal (23.1-30) (Tabela 1).

 

 

 

 

 

 

 

 

Utilizou-se um penetrômetro hidráulico eletrônico montado no trator, desenvolvido por Castro Neto (2001), e um sistema de processamento de dados elaborado por Castro Neto et al. (1999) para importar os dados coletados no sistema de aquisição de dados do penetrômetro, efetuar a consistência e obter valores de índice de cone do solo.

O equipamento utilizado permite que se avalie o desempenho dinâmico de rodados pneumáticos de tração, em condições de solo agrícola e em pista asfáltica; permite, também, comparar-se diferentes pneus em função da pressão de inflação, velocidade, patinagem, raio de rolamento e carga no rodado, e verificar o efeito da passagem do pneu no solo, conforme as condições desejadas na pesquisa. A Figura 5 apresenta o equipamento utilizado neste experimento.

 

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os ensaios foram realizados na pista de ensaio sobre solo solto, utilizando-se pneus radial e diagonal em condições diferentes de lastragem. O teor de água do solo no momento da avaliação era de 15,57% na profundidade de 0 a 15 cm e de 17,60% na profundidade de 15 a 30 cm.

A análise do índice de cone do solo antes do tráfego (carga = 0 N), em três áreas amostradas está apresentada na Tabela 2, na qual se verifica que não houve diferenças significativas entre as áreas, nas camadas do solo de 0 a 10, 10 a 20, 20 a 30 e 30 a 40 cm; portanto, para se comparar a resistência do solo à penetração antes e depois do tráfego, considerou-se a média dos valores das três áreas como o índice de cone para carga 0 N.

 

 

Verifica-se, na Tabela 3, que o tipo e a carga no pneu, a profundidade da camada e a interação desses fatores influenciaram nos valores de índice de cone, indicando variação na resistência do solo à penetração, devido ao tráfego dos pneus e à profundidade do solo.

 

 

Observa-se, na Tabela 4, que o índice de cone, depois do tráfego com pneu diagonal, foi maior que com pneu radial. Essas diferenças confirmam os resultados encontrados pela John Deere (1993), Goodyear Tire & Rubber (1994) e Seraut (1990). Ressalta-se que, de acordo com as recomendações do fabricante, a pressão de inflação do pneu diagonal (124 kPa) foi maior que a pressão do pneu radial (110 kPa).

 

 

Todas as cargas modificaram a condição inicial do solo, sendo que a carga de 13.000 N causou menor compactação do solo, como verificado por Marshall & Raney (1960); já as camadas de 20 a 30 e de 30 a 40 cm apresentaram maiores valores de índice de cone, seguidas das camadas de 10 a 20 e de 0 a 10 cm, confirmando os resultados obtidos por Souza et al. (1988).

As Figuras 6 e 7 mostram, com maiores detalhes, o comportamento do índice de cone com o tipo de pneu e com as cargas aplicadas no pneu de 0 a 40 cm de profundidade.

 

 

 

 

A Tabela 5 mostra diferenças significativas nos valores de índice de cone entre as camadas do solo com tráfego de pneu radial e, também, com o pneu diagonal. Observa-se que o tipo de pneu utilizado influenciou nos valores de índice de cone para a camada de 20 a 30 cm.

 

 

Nota-se, na Tabela 6, que a camada de 20 a 40 cm sofreu maior compactação do solo para ambos os pneus; no entanto, na camada de 20 a 30 cm, o pneu diagonal ocasionou maior compactação. Seraut (1990) afirmou que a pressão na superfície do solo é semelhante à pressão de inflação do pneu e que a pressão dentro do solo, a 30 cm, tem relação direta com aquela usada no pneu, cujos resultados encontrados confirmaram a observação feita pelo autor.

 

 

Os valores de índice de cone foram maiores na camada de 10 a 20 cm que na camada de 0 a 10 cm, para ambos os pneus.

A Tabela 7 mostra que, em todas as camadas do solo estudadas, os valores de índice de cone foram influenciados pelas cargas utilizadas no pneu, além de diferenças significativas nos valores de índice de cone entre as cargas, nas camadas de 10 a 20 e 20 a 30 cm.

 

 

Observa-se na Tabela 8 que, nas camadas de 0 a 10 e de 30 a 40 cm, a carga utilizada não influenciou nos valores de índice de cone, mas nas camadas de 10 a 20 cm a compactação do solo foi maior para a carga de 16.000 e 19.000 N. Para a camada de 20 a 30 cm, todas as cargas compactaram o solo após o seu tráfego, com exceção da carga de 13.000 N.

 

 

Nas camadas de 0 a 10, 10 a 20 e de 20 a 40 cm, os valores do índice de cone foram maiores, respectivamente, para todas as cargas no pneu.

Para melhor visualização das variações da compactação do solo após o tráfego do pneu em função da carga aplicada, calculou-se o incremento do índice de cone para cada camada com o pneu radial e com o pneu diagonal. Pode-se observar, nas Figuras 8A e B, que os maiores incrementos na compactação ocorreram nas camadas de 0 a 10 e 10 a 20 cm, para ambos os pneus, concordando com os resultados obtidos por Ferreira (1998) e Fernandes (1996).

 


 

Comparando-se os pneus nota-se (Figura 8) que o tráfego com o pneu radial provocou maiores incrementos na camada superficial e menores incrementos na camada inferior. Para a carga de 16.000 N observa-se que o incremento do índice de cone foi maior para o pneu radial. A resposta para este incremento pode estar relacionada com variações nos valores de força, torque, velocidade, resistência ao rolamento e tração líquida entre os pneus.

A partir dos resultados obtidos com o equipamento, pode-se estudar o comportamento do pneu para cada condição de trabalho, melhorar o desempenho do trator, aumentar a capacidade de trabalho do conjunto, evitar alterações indesejáveis na estrutura do solo, aumentar a vida útil do pneu, melhorar a qualidade do serviço executado e reduzir o custo.

 

CONCLUSÕES

1. Os valores de índice de cone foram maiores na camada de 10 a 20 cm que na camada de 0 a 10 cm, para ambos os pneus.

2. O tipo de pneu utilizado apresentou influência significativa na compactação do solo, mostrando que, na média dos valores obtidos, o índice de cone com o pneu diagonal (2.510 kPa) foi maior que com o pneu radial (2.380 kPa).

3. As cargas utilizadas no experimento modificaram a condição inicial do solo, apenas nas camadas de 10 a 20 e de 20 a 30 cm. As camadas do solo de 0 a 10 e de 10 a 20 cm, sofreram maiores incrementos no índice de cone.

 

LITERATURA CITADA

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Protocolo 82 - 14/6/2002
Aprovado em 10/6/2003

 

 

Parte da Tese de Doutorado do primeiro autor apresentada à FCA/UNESP, Botucatu, SP

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