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Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental

Print version ISSN 1415-4714On-line version ISSN 1984-0381

Rev. latinoam. psicopatol. fundam. vol.1 no.1 São Paulo Jan./Mar. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/1415-47141998001002 

ARTIGOS

Tenor de la terapêutica

Jorge J. Saurí

RESUMEN

Uno de los tópicos centrales de la práxis psiquiátrica es el relativo a la terapéutica, especialmente cuando esta palabra es objeto de usos y abusos, teniendo especial importancia intentar establecer, lo más precisamente posible, su tenor, o sea, su constituición firme y estable. Partiendo de su etimologia, terapéutica designa una actividad de preocupación y cuidados en el contexto del amor y de mantener un determinado órden. El malestar esperanzoso, la demanda y la aceptación la tornan una tarea compartida. Pueden distinguirse en ella dos momentos estructurales: uno constitutivo, con la búsqueda de significaciones compartidas entre terapeuta y paciente y, otro, operativo, con el salmo, el fármaco y el acompañamiento.

El salmo evoca la protección amorosa que no actua en lo somático y, sí, al nivel interpersonal afectado por el daño.

El pharmakon abarca por lo menos cuatro significaciones: droga, tintura, escritura y objeto numinoso. Como droga, podemos notar sus virtudes ambivalentes: si, por un lado, puede luchar contra el mal a favor de la vida, por otro, puede también provocar la muerte. Como tintura modifica la apariencia, haciendo que una cosa parezca otra. Como escritura favorece la recordación, pero incita al olvido. Como objeto numinoso, pharmakos desempeña un papel expiatório.

Pero el salmo y la prescripción de un fármaco no son suficientes: para que la terapéutica sea eficaz es necesario que exista el acompañamiento.

Son estos, pués, los ejes en torno de los cuales se estructura la terapéutica, transformándola más que en un servicio destinado a la cura, en un camino acompañado de aprofundamiento de la existencia.

RESUMO

Um dos tópicos centrais da práxis psiquiátrica é o relativo à terapêutica, especialmente quando esta palavra é objeto de usos e abusos, tendo especial importância tratar de estabelecer o mais acuradamente possível seu teor, ou seja, sua constituição firme e estável. Terapêutica, a partir de sua etimologia, designa uma atividade de preocupação e cuidados no contexto do amor e na manutenção de um determinado ordenamento. O mal-estar esperançoso, a demanda e a aceitação, fazem dela uma tarefa compartilhada. Pode-se nela distinguir dois momentos estruturais: um constitutivo, com busca de significações compartilhadas entre terapeuta e paciente e, outro, operativo, com o salmo, o fármaco e o acompanhamento.

O salmo evoca a proteção amorosa que não atua no somático e, sim, ao nível interpessoal afetado pelo dano.

O pharmakon abarca não menos do que quatro significações: droga, tintura, escritura e objeto numinoso. Como droga, podemos notar suas virtudes ambivalentes: se, por um lado, pode lutar contra o mal em favor da vida, por outro, pode também provocar a morte. Como tintura, modifica a aparência, fazendo com que uma coisa pareça outra. Como escritura, favorece a lembrança, mas incita o esquecimento. Como objeto numinoso, pharmakos desempenha um papel expiatório.

Mas o salmo e a prescrição de um fármaco não são suficientes; para que a terapêutica seja eficaz, faz-se necessário um acompanhamento.

São estes, pois, os eixos em torno dos quais se estrutura a terapêutica, fazendo dela mais do que um serviço destinado à cura, um caminho acompanhado de aprofundamento da existência.

ABSTRACT

One of the most important aspects of psychiatric praxis concerns therapeutics.

This is so mainly because the term is not only used but also abused, becoming thus extremely important to try to establish, as accurately as possible, its content, that is, its stable and firm constitution. Etimologically, therapeutics constitutes an activity of concern and care in a context of love as well as an activity destined to maintain a certain order. Hopeful discontent, demand and acceptance make it a task to be shared. It manifests two structural moments: a constitutive moment which entails a search for significations shared by both patient and therapist, and an operative moment which entails the psalm, pharmakon and accompaniment.

The psalm evokes loving protection which does not operate on the somatic level but, on the interpersonal level affected by the harm.

The pharmakon comprises at least four different meanings: drug, tincture, script and numinous object. As drug, we could point out its ambivalent virtues: if, on the one hand, it can struggle against ailments in favor of life, on the other, it may also provoke death. As a tincture, it modifies appearance, making one thing seem another. As script it enhances remembrance, but it can also lead to forgetting. As numinous object, pharmakos plays an expiatory role.

But the psalm and the perscription of a pharmakon are not sufficient : therapeutics requires accompaniment to become effective. These are, then, the axes around which therapeutics is structured, transforming it not only in a service destined to cure but also a path accompanied by a possibility of adding more depth to existence.

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