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Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental

Print version ISSN 1415-4714On-line version ISSN 1984-0381

Rev. latinoam. psicopatol. fundam. vol.1 no.1 São Paulo Jan./Mar. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/1415-47141998001009 

ARTIGOS

A trajetória de um autista e suas implicações com a temporalidade

Marília Amaro da Silveira Modesto Santos

RESUMO

Este trabalho se propõe a relatar a longa trajetória de um menino autista, no que diz respeito ao estabelecimento da noção de tempo.

Usando referenciais teóricos winnicottianos, procuro mostrar como o autismo é a evidência de um “não tempo”, de um processo que estagnou para se proteger de vivências terroríficas, vazias de qualquer sentido de significado.

Utilizando histórias que funcionaram durante muito tempo e de várias formas como o único elo de ligação entre nós, Lucas passa da utilização do ritmo (meu ritmo de leitura) a uma utilização do conteúdo para estabelecer dentro de si o tempo. Tempo de processo, tempo de mudança, tempo de vida.

A sua posição diante da vida, muda. Lucas revela interesse pelo seu ambiente. Depende muito de minha adaptação e da minha habilidade para compreendê-lo e dar sentido ao que viver, agora. Num tempo de descobrimento.

RESUMEN

Este trabajo se propone relatar la larga trayectoria de un niño autista en relación al establecimiento de la noción de tiempo.

Usando referenciales teóricos de Winnicott la autora busca demonstrar como el autismo es la evidencia de un “no tiempo”, de un proceso que se estagnó para poder protegerse de vivencias terroríficas, vazias de cualquier sentido o significado.

Cuentos infantiles funcionaron por mucho tiempo y de diversas maneras como el único puente de contacto entre el paciente y su analista. El paciente (Lucas) pasa del uso del ritmo (el ritmo de lectura del analista) al uso del contenido para establecer el tiempo dentro de sí mismo. Tiempo de proceso, tiempo de cambio, tiempo de vida.

La posición del paciente en relación a la vida cambia. Lucas demuestra interés por su ambiente. Depende mucho de la adaptación del analista y de su habilidad para entenderlo y dar sentido a qué vivir ahora en este nuevo tiempo de descubrimiento.

ABSTRACT

This paper presents the long trajectory of an autistic child in relation to the establishment of the notion of time.

Based on the theories of Winnicott, the author seeks to demonstrate how autism is an evidence of “no time”, of a process which stagnated in order to protect itself from terrifying experiences totally devoid of meaning or significance.

Children’s stories represent for a long time and in various manners the only bridge of contact between this patient and his analyst. The patient (Lucas) switches from the use of rythm (analyst’s reading rythm) to the use of content to establish time within himself. Time of process, time of change, time of life.

The patient’s position regarding life changes. Lucas reveals interest toward his environment. He depends very much on the analyst’s capacity to adapt and ability to understand by giving him sense to what is to be lived now during this new time of discovery.

Texto completo disponível apenas em PDF.

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