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Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental

Print version ISSN 1415-4714

Rev. latinoam. psicopatol. fundam. vol.13 no.2 São Paulo June 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-47142010000200001 

EDITORIAL

 

 

Manoel Tosta Berlinck

 

 

Pela primeira vez em sua história de 13 anos, a Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental (RLPF) foi convidada, em maio de 2010, a fazer parte de importante base de dados norte-americana, a EBSCO Publishing Inc, voltada principalmente para um público universitário.

Este é, sem dúvida alguma, um destacado feito internacional que merece ser devidamente comemorado, pois até agora a inclusão em bases de dados vinha sendo feita mediante solicitação da revista. Além disso, a inclusão em bases de dados norte-americanas não é simples e fácil para um periódico científico publicado no Brasil, com trabalhos em português, espanhol, francês e inglês.

Esta marcante conquista deve-se a uma série de fatores que merecem ser lembrados.

A RLPF é órgão oficial de uma sociedade científica internacional - a Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental (AUPPF) - que reúne, atualmente, 58 professores doutores de 28 universidades brasileiras e de universidades da Argentina, da Colômbia, do México, da França e da Inglaterra. Isso, por si só, define a natureza do periódico cujo conteúdo resulta de pesquisas realizadas em universidades, com os tradicionais cuidados éticos cultivados por essa instituição.

Além disso, a natureza científica da RLPF é reconhecida por agências de fomento estatais que a patrocinam: o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) do Brasil, a Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação (MEC) do Brasil e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O exclusivo patrocínio científico de um periódico é possível e reduz, em grande medida, o conflito de interesses e os problemas éticos decorrentes quando se trata de financiamento de fontes não científicas. É claro que, neste caso, os recursos obtidos são proporcionalmente menores. Revistas que contam com o apoio de indústrias, de associações de classes e de outras instituições extrauniversitárias possuem, frequentemente, abundantes recursos financeiros. Porém, sofrem agudos conflitos de interesses e problemas éticos praticamente insuperáveis. Esse arranjo financeiro institucional extracientífico e extrauniversitário limita muitas vezes, com argumentos extracientíficos, como por exemplo a filiação institucional, a aceitação de artigos de reconhecida competência. A RLPF protege-se dessa vulnerabilidade utilizando diversos mecanismos: a detalhada, precisa e pública definição dos requisitos a serem atendidos pelos artigos; aceitação de artigos científicos independentemente de outros critérios como, por exemplo, a filiação institucional e a posição teórica de seus autores; a cuidadosa análise dos artigos por consultores externos selecionados por sua específica capacidade; a restrição do patrocínio a agências de fomento estatais, à contribuição de seus membros e a assinaturas. Finalmente, o Editor Responsável é membro da World Association of Medical Editors (WAME), que fornece uma fundamental contribuição para a responsável política editorial da revista. Dessa forma, é possível à RLPF estabelecer a longa e rica tradição da psicopatologia como discurso sobre o pathos psíquico, levando em conta a subjetividade. Para isso, é necessário, também, afastar-se de práticas como a utilização irrefletida e mecânica de sistemas classificatórios e a apressada e automática receita de medicação.

A existência de um grupo de Editores Associados, pesquisadores de reconhecido nível de excelência, constituindo uma equipe editorial de alto nível científico, que cuida de diversos aspectos da psicopatologia, também garante ao periódico a qualidade almejada do material publicado. A RLPF possui um amplo horizonte psicopatológico que vai desde a "Medicina da Alma", praticada na Antiguidade, até o século XVIII, em plena primeira Modernidade Ocidental, passando pelos "Clássicos da Psicopatologia" no século XIX, pela "História da Psiquiatria", até seções como "Saúde Mental", "Observando a Medicina" e "Resenha de Artigos". Esse amplo horizonte editorial articula-se a artigos originais resultantes de pesquisas clínico-teóricas relevantes e atuais. Os textos publicados vêm sendo citados, por crescente número de pesquisadores, em dissertações, teses, artigos e capítulos de livros. Além disso, vêm sendo utilizados por psicoterapeutas, trabalhadores de saúde mental, psiquiatras e psicanalistas em suas práticas clínicas. A RLPF possui, assim, um crescente índice de impacto, indicando a relevância científica de seu conteúdo.

A indexação, atualmente em 15 importantes bases de dados, como a Thompson Reuters (ISI) e a SciELO Brasil, amplia consideravelmente a divulgação do conteúdo da RLPF e possibilita o acesso mundial ao material aí publicado.

A existência de um portal (site) de conteúdo administrado pela AUPPF, http://www.fundamentalpsychopathology.org com numerosas informações científicas e com outro órgão oficial, exclusivamente eletrônico, o Latin-American Journal of Fundamental Psychopathology on Line, acrescenta credibilidade ao projeto de produção e difusão do conhecimento psicopatológico e amplia o acesso às pesquisas realizadas. Esse portal contém, também, anais de congressos e de colóquios realizados pela AUPPF, teses de doutorado com vasto material resultante de pesquisas e estudos clínicos. Ele é, hoje, consultado por cerca de 25.000 usuários por mês. A grande maioria é de brasileiros. Entretanto, há usuários da América, da Europa, da África e da Ásia consultando tanto o portal quanto a revista.

O portal da AUPPF está articulado a numerosos grupos de pesquisa denominados Laboratórios (lugar de trabalho): Laboratório de Psicopatologia Fundamental do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Laboratório de Psicopatologia Fundamental da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Laboratório de Psicopathologia Fundamental e Psicanálise da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Laboratório de Psicanálise e Psicopatologia Fundamental da Universidade Federal do Pará (UFPA), Laboratório de Psicopatologia Fundamental Pierre Fédida da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), LIPIS - Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa e Intervenção Social (PUC-Rio); Núcleo de Pesquisa sobre o Moderno e o Contemporâneo - Sephora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Núcleo de Estudos do Desenvolvimento Humano - NEDHU da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Laboratório sobre novas formas de inscrição do objeto - LABIO da Universidade de Fortaleza (Unifor), Laboratório de Psicopatologia Fundamental, Psicanálise e Psicossomática da Universidade Federal Fluminense (UFF).

O portal do Laboratório de Psicopatologia Fundamental do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP) http://www.psicopatologiafundamental.org por exemplo, reúne dissertações, teses e numerosos trabalhos resultantes das pesquisas aí realizadas.

A Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental faz parte, assim, de um grande projeto de produção e difusão de conhecimento psicopatológico que tem, como finalidade precípua, aprimorar a compreensão da atividade clínica e, com isso, contribuir para a prática clínica e para a saúde mental.

Em outras palavras, a revista é uma formação social fazendo parte de uma organização de produção do saber clínico, possuindo imediata aplicação na prática da saúde mental.

A missão da RLPF é clara e precisa: "Dedica-se à publicação de editorial, artigos e resenhas originais de psicopatologia que levam em consideração a subjetividade". Visa, dessa forma, enriquecer e difundir a tradição psicopatológica. Seu fundamento é eminentemente clínico e baseia-se em narrativas denominadas "casos clínicos", derivados de vivências clínicas. Essas narrativas, por sua vez, suscitam aquilo que se denomina de metapsicologia, ou seja, abstrações compreensivas de ampla aplicação clínica, úteis para outras vivências clínicas. A esse procedimento dá-se o nome de "método clínico", ou seja, um procedimento indutivo baseado num caso único.

Colocando na RLPF e nos resultados do ensino e da pesquisa realizados na Universidade, a Psicopatologia Fundamental presta, assim, um relevante serviço para o avanço do conhecimento e para a prática da saúde mental.

Trata-se, em resumo, de uma produção social visando a melhoria das condições de existência humana e o tratamento do sofrimento psíquico.

São estes fatores que fazem da Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, um periódico científico de crescente relevância internacional.