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Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental

Print version ISSN 1415-4714On-line version ISSN 1984-0381

Rev. latinoam. psicopatol. fundam. vol.21 no.2 São Paulo Apr./June 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1415-4714.2018v21n2p251.3 

Artigos

Tempo e espaço em Jaspers e Freud

Time and space in Jaspers and Freud

Temps et espace dans Jaspers et Freud

Tiempo y espacio en Jaspers y Freud

Zeit und Raum bei Jaspers und Freud

Ilka Franco Ferrari*1 

*1Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC-Minas (Belo Horizonte, MG, Brasil.

RESUMO

O texto aborda temporalidade e espacialidade, tema que ocupou filósofos e matemáticos importantes, mas também os pensadores Jaspers e Freud. Centra-se em Jaspers delimitando tempo e espaço como asseguradores da interiorização do mundo, e em Freud que, conhecedor da semiologia da clínica psiquiátrica de sua época, por meio de saber que se esconde nas palavras construiu aparelho psíquico mais calcado na temporalidade inventiva da atemporalidade, temporalidade circular e retroativa.

Palavras-Chave: Tempo; espaço; Jaspers; Freud

ABSTRACT

This paper addresses temporality and spatiality, a subject that concerned important philosophers and mathematicians, but also thinkers such as Jaspers and Freud. It focuses on Jaspers who delimited time and space as guarantors of the internalization of the world, and on Freud, who, familiarized with the semiology of the psychiatric clinic of his time and relying on his knowledge of the hidden meaning of words, constructed a psychic apparatus that was rather based on the inventive temporality of timelessness, a circular and retroactive temporality.

Key words: Time; space; Jaspers; Freud

ABSTRACT

Cet article traite de la spatialité et de la temporalité, un thème qui a été l’objet d’étude d’importants philosophes et mathématiciens, mais aussi des penseurs tels que Jaspers et Freud. Il se concentre sur Jaspers, qui délimitait le temps et l’espace comme garants de l’intériorisation du monde, ainsi que sur Freud qui, connaissant la sémiologie de la clinique psychiatrique de son temps, a construit au moyen de sa compréhension du sens caché des mots, un appareil psychique basé sur la temporalité inventive de l’atemporalité, la temporalité circulaire et rétroactive.

Key words: Temps; espace; Jaspers; Freud

RESUMEN

El texto aborda la temporalidad y la espacialidad, un tema que no solamente interesó a importantes filósofos y matemáticos, sino también a pensadores como Jaspers y Freud. Se centra en Jaspers, delimitando el tiempo y el espacio como garantizadores de la interiorización del mundo, y en Freud que, conociendo la semiología de la clínica psiquiátrica de su tiempo mediante el conocimiento que se esconde en las palabras, construyó un aparato psíquico basado en la temporalidad inventiva de la atemporalidad, la temporalidad circular y retroactiva.

Palabras-clave: Tiempo; espacio; Jaspers; Freud

ABSTRACT

Dieser Artikel behandelt Zeitlichkeit und Räumlichkeit, ein Thema welches renommierte Philosophen und Mathematiker seit langem beschäftigt, aber auch Denker wie Jaspers und Freud. Die hier geführte Diskussion konzentriert sich einerseits auf Jaspers, welcher Zeit und Raum als Garanten der Internalisierung der Welt definierte und andererseits auf Freud, welcher aufgrund seiner Kenntnisse der Semiologie der psychiatrischen Klinik seiner Zeit und seines Wissens über den verborgenen Sinn der Wörter einen psychischen Apparat errichtete, der auf der erfinderischen Zeitlichkeit der Zeitlosigkeit beruht, d.h., auf der zirkulären und rückwirkenden Zeitlichkeit.

Key words: Zeit; Raum; Jaspers; Freud

Nos cursos de psicologia do mundo acadêmico brasileiro, é usual o estudo de uma psicopatologia nomeada fenomenológica, e outra denominada psicanalítica. Quando a primeira entra em cena, Karl Jaspers (1883-1969) é autor que não fica fora do palco, trazendo seu valor histórico de humanista que funda a psicopatologia como disciplina fenomenológica independente da psiquiatria. E o faz, ainda que em sua Psicopatologia Geral, como lembra Urquiaga (2014), ele tenha utilizado unicamente parte do método fenomenológico, seu aspecto descritivo, recusando a busca pelas essências, por considerá-la de caráter filosófico ou metafísico, portanto, não científico. Ao entrar em cena, a psicanálise é apresentada por Freud e Lacan. Neste texto, a escrita se centra em Freud (1856-1939), que em meio à taxinomia da clínica psicopatológica existente no final do século XIX e início do século XX, encontrou meios para construir algo totalmente distinto.

A intenção deste escrito, portanto, é facilitar a reflexão crítica sobre a psicopatologia que se constrói sob o foco de dois pensadores muito distintos em suas convicções, de modo a favorecer que cada leitor possa ponderar sua possível atuação clínica. Ademais, as ideias se desenvolvem na crença de que poderão facilitar a vida dos professores, alunos e estudiosos do assunto, circunscrevendo considerações estruturais na diferenciação do modo de pensar, próprio de autores brilhantes, que marcaram época. No texto não há, portanto, intenção comparativa, valorativa.

Os interessados nas críticas de Jaspers a Freud, por exemplo, não terão muito trabalho. Elas já podem ser encontradas dentro de sua Psicopatologia Geral, pois se na época de sua escrita a psiquiatria contava com a forte presença de Emil Kraepelin, também havia a não ignorada existência de Sigmund Freud, logrando difusão e aceitação no meio psiquiátrico. Uma de suas críticas, bem conhecida, para exemplificar, feita de modo contundente, é que Freud, na verdade, tratava da psicologia compreensiva, e não causal, como sustentava fazer. Respostas a ela podem ser buscadas, principalmente em Lacan, inicialmente jasperiano, mas também em leitores de Lacan, todos enfáticos em dizer que a compreensão do paciente é da ordem da impossibilidade, e que Freud não ignorou o fato, pois basta acompanhar a evolução de seus escritos e esta constatação virá. Em seu seminário As psicoses (1955-1956/1992), Lacan não poupa críticas à abordagem da compreensão, feita por Jaspers, até dizendo que se por um lado ela não é falsa por restituir sentido na cadeia dos fenômenos, por outro, é falso conceber que o sentido a que se refere é aquele que se compreende. Para ele, “compreender os doentes” (p. 14) é pura miragem. E exemplifica que quando alguém está triste, diferentemente do que Jaspers dizia, não era porque não se tem aquilo que seu coração deseja. É preciso pensar, refletir que há pessoas que têm tudo que seu coração deseja, ainda que pelo lado pior, e mesmo assim são tristes, porque a tristeza é uma paixão de natureza inteiramente outra. Lá (p. 15) ele diz que quando se dá um tapa numa criança compreende-se que ela chore, mas se recorda de um garotinho que quando recebia um tapa perguntava se ele era carinho ou palmada, chorando quando lhe diziam, dentro das regras do momento, que se tratava de palmada, e ficando encantado quando lhe respondiam que era um carinho...

Embrenhar por assuntos desta ordem resultaria em novo artigo. Aqui um tema específico foi selecionado: tempo e espaço. Ele suscitou e suscita discussões complexas, apaixonantes e não consensuais, ademais de comportar grande importância clínica, e por meio do qual os leitores podem dar asas às suas reflexões, no horizonte onde se vê Freud e Jaspers.

Pensadores importantes, antes de Freud e Jaspers, estiveram às voltas com questão da temporalidade e espacialidade, a exemplo de Platão (427 a.C.-347 a.C), filósofo e matemático; Aristóteles (384 a.C.-322 a.C), aluno de Platão; Arquimedes (287 a.C.-212 a.C.), matemático, físico, engenheiro, inventor e astrônomo grego; Eudóxio de Cnidus (400.a.C-350 a.C.), matemático e astrônomo; o bispo Nicole D’Oresme (1325-1382); o físico Isaac Newton (1643-1727); o filósofo prussiano Immanuel Kant (1724-1804); o filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976); o físico alemão Albert Einstein (1879-1955) e o matemático alemão Hermann Minkowski (1864-1909). Agora é o momento de entrar na especificidade dos autores eleitos para o desenvolvimento do texto.

Jaspers e sua psicologia subjetiva

Jaspers é considerado um autor crítico, que enfatizava a importância dos psiquiatras aprenderem a pensar, diante da excessiva objetividade da psiquiatria francesa de sua época, e a quase exclusiva preocupação da psiquiatria alemã com as articulações teóricas. Suas construções sobre tempo e espaço exemplificam seu cuidado com a reflexão, onde se nota a influência de Kant, por muitos considerado o último grande filósofo dos princípios da era moderna. Para Kant, tempo e espaço “são condições transcendentais da sensibilidade, na forma de intuições a priori da percepção” (Ferrari, Calmon, & Teixeira, 2017, p. 167). Eles determinam a objetividade da experiência sensível, mas não os percebemos, ainda que a percepção de objeto não ocorra sem suas existências.

Na construção de uma psicopatologia como disciplina que considera a explicação causal dos fenômenos e a compreensão das vivências subjetivas, para Jaspers o enfermo deve ser estudado a partir de sua múltipla e diversificada relação com o mundo, porque vida é existência em seu mundo, como se pode ler no volume 1 de seu livro Psicopatologia geral (1959). E tempo e espaço importam, ao modo de Kant, porque são vivências universais presentes na sensibilidade, anteriores à experiência, mas asseguradoras da interiorização do mundo, na vida psíquica normal ou anormal.

Ele defendia que à sua psicopatologia interessava uma psicologia de horizonte mais largo que a psicologia de sua época, um objeto de estudo que considerasse os fenômenos psíquicos reais, suas condições, causas e consequências, e a existência de uma unidade íntima entre o psíquico e o somático. O que ocorria, entre psicopatologia e psicologia, em suas palavras, era como se “um continente desconhecido fosse investigado por dois lados, mas as expedições de investigação nunca se encontrassem” (Jaspers, 1959, p. 15). A psicologia nos caminhos do estudo da vida psíquica normal, nos processos elementares que, em geral, não apresentam as enfermidades mentais, e a psicopatologia buscando o homem como um todo, em sua enfermidade psíquica ou psiquicamente determinada.

A temporalidade e espacialidade que formaliza está, portanto, no traço de tudo que é objetivo, embora em si mesmas não possuam objetividade, pois só existem, são reais, por meio dos objetos que as preenchem e delimitam, o que é visível em sua semiologia descritiva das alterações de tempo e espaço, trabalhadas em seu livro e também em Semiologia da temporalidade e da espacialidade (Ferrari, Calmon, & Teixeira, 2017). Vazios, tempo e espaço possuem caráter quantitativo, abrangendo dimensões, homogeneidade, continuidade e ilimitabilidade. Preenchidos tornam-se qualitativos, como os apreendidos a partir do centro do corpo em movimento, contando com o toque e o olhar, e o espaço perceptível do mundo tridimensional em que a pessoa se movimenta. O saber do espaço e a matemática dos espaços não euclidianos supõem construção do pensamento, portanto, são objetos não intuitivos.

Jaspers considerava que toda psicopatologia é forçada a fazer metodologia, pois onde se contesta é preciso defender e esclarecer. Os métodos praticados, por sua fenomenologia, de modo a determinar o que os pacientes experimentam, considerando o fenômeno psíquico patológico consciente como objeto de estudo, são: a imersão nos comportamentos e movimentos expressivos; a exploração por questionamento direto feito ao paciente e por meio da avaliação que eles fazem de si mesmos; e autodescrições escritas. Jaspers (1912/2005) acreditava que “desenvolver uma ciência psicológica supunha reconhecer que seu ideal é uma compreensão plenamente consciente dos fenômenos mentais, de um tipo que possa ser apresentada por meio de terminologias e formas definidas” (p. 773). E nesse intuito lhe interessava pensar o processo temporal da vida biológica na objetividade do tempo vital das espécies, o relógio de cabeça determinando, de modo extra consciente o fim do sono, a distinção do tempo vivido (o horário ou tempo do relógio, cronológico) e do tempo histórico (a historicidade da existência do homem), compondo um saber do tempo, que conta com objetividade e avaliação do mesmo, correta, falsa ou delirante. A consciência total do tempo se localiza no que chamou de vivência do tempo, de grande interesse para sua psicopatologia, mas o humano apresenta, ainda, uma forma de tratar o tempo, que se refere à consciência biográfica de sua vida.

A forma própria do destino de cada um se estabelece, segundo Jaspers, de acordo com o modo como são preenchidas, no presente global, a espacialidade e a temporalidade. Nesse caso, no entanto, ambas são apenas roupagem cuja significação adquire importância pela atitude assumida. Não é, portanto, como vivência específica que tempo e espaço se convertem em uma linguagem e estrutura da alma, mas como significado. Vivência de espaço que lhe aparece como uma multiformidade da mesma espécie, e do tempo como um processo sem espaços, que ao serem considerados como estado de diferenciação do ser, ser distanciado de si mesmo, o espaço é o que é contíguo, e o tempo o sucessivo. Jaspers chega, no entanto, a um ponto de dúvida declarada e afirma, sem tanta convicção, que na vivência interior destituída de objeto pode-se até dispensar a espacialidade, mas o tempo estará sempre presente, ainda que possa ser rompido, ou seja, haver vivências atemporais, tal como os místicos atestam, a experiência de eternidade as justifiquem, e no sonambulismo se presencie passado e futuro tornando-se presentes. Espacialidade e temporalidade lhe interessam, assim, enquanto vivenciadas.

Jaspers, portanto, ao postular uma psicologia subjetiva com objetivo de separar o que chamava de compreensão estática ou descrição fenomenológica, da compreensão genética dos fatos psíquicos e de suas relações causais, no exercício empático de apreender as conexões psíquicas, como todo pensador que ousa inovar, sofreu inúmeras críticas.

Entre elas, e sem intenção de esgotá-las, incluem-se certas confusões possíveis nas formas de adoecer psíquico por ele estabelecidas — reação, processo, desenvolvimento —, sobre o uso da filosofia na psiquiatria, a ponto de ser criticado pelos psiquiatras por fazer muita filosofia, e pelos filósofos pelo mau uso dos conhecimentos atribuídos ao campo filosófico. Incluíam, ainda, os equívocos introduzidos a respeito de compreender o paciente na operação de colocar-se em seu lugar, e por deixar a realidade psíquica no plano da consciência, crítica feita principalmente por aqueles que conheciam a psicanálise. Outros diziam que ele considerava o homem uma totalidade, unidade psicofísica que busca superar o dualismo cartesiano corpo-alma, tão querido pela psicologia racional eliminadora do psíquico, até se convertendo em fisiologia, mas propunha estudo de funções psíquicas em separado, compartimentando o humano para depois tentar observar sua totalidade, pois uma função psíquica nunca está isolada, ou seja, tempo e espaço podem se relacionar com problemas de memória, atenção, problemas orgânicos... Pior ainda, para alguns, sua busca de objetividade contaminou certos profissionais que começaram a fazer perguntas diretas sobre que dia é hoje, onde você está agora, testando temporalidade e espacialidade, e que sua semiologia favoreceu o uso de questionários de avaliação psíquica objetivante...

Justas ou injustas, às críticas somaram-se o que a psicanálise tinha a dizer, a partir do tempo e espaço como categorias discursivas, estabelecendo outro modo de praticar e, consequentemente, novas teorizações.

Freud: nova e decisiva orientação no mundo e na ciência

Homem bem informado sobre sua época, Freud, a exemplo de Jaspers, também tinha suas insatisfações com o que acontecia no espaço científico de então, e também foi muito criticado por aquilo que subverteu na ordem do conhecimento. Ele próprio (1916-1915/1969a) dizia que duas de suas hipóteses, na base da construção da psicanálise, eram insulto ao mundo inteiro, ganhando antipatia: os processos mentais em si mesmos são inconscientes, e a pulsão sexual existe. O mundo, a partir daí, haveria de contar com processos mentais que não fazem laços com o tempo, pois existem na ‘atemporalidade’ que supõe a ‘temporalidade circular’ do circuito pulsional. E também com um aparelho psíquico com espacialidade que conta com um ponto de obstáculo, uma barreira que denominou recalque, separando o inconsciente (Ics) do Pré-consciente/consciente (Pcs/Cs), defendendo o sujeito, ao impedir ou dificultar que essas recordações se tornem conscientes.

No espaço do aparelho psíquico, que considera o libidinal, erótica que lhe é própria, a barreira do recalque cria obstáculo para a realização de desejo inerente ao movimento do inconsciente, podendo levar à existência e até exigência de caminhos tortuosos, gozosos, entre representantes repletos de desejo e o objeto buscado, desconsiderando que, na afirmação euclidiana, a reta é o caminho mais curto entre dois pontos. O neurótico obsessivo, por exemplo, ensina como fazer o objeto inacessível, vivendo o desejo como impossível, a histeria acerca do desejo insatisfeito com o objeto se deslocando para outra posição no espaço, quando consegue ter acesso a ele, e a fobia também construindo seus obstáculos na vivência do desejo precavido. Por isso, como lembra Pierre-Gilles Guéguen, citado por Miller (2005, p. 259), segundo Freud o tratamento deveria levantar a defesa para introduzir o sujeito na cronologia, calçando-o em sua história.

Já em Freud se pode perceber o que Lacan continuou e Miller (2005) enfatizou: na histeria do que se trata é da continuidade temporal do desejo, suspendendo o gozo de modo a se continuar na insatisfação, ou seja, nesses casos há estratificação erótica do tempo, constatada claramente na frigidez e na eternização do amor insatisfeito. No caso do neurótico obsessivo, mesmo na psiquiatria isso está descrito, há vocação para procrastinar, postergar ao máximo a realização de desejo, gozando nessa posição. Nessa neurose, portanto, suspende-se o gozo não o anulando, produzindo o efeito de fazer surgir o tempo de espera que presentifica o futuro antes que seja registrado como passado. O Homem dos lobos, tratado por Freud como um obsessivo, e aqui não entrando em questão sobre esse diagnóstico, o levou a manobrar o tempo de análise, marcando seu final para esse paciente que considerava procrastinar. Segundo Freud, com isso houve uma aceleração do tempo da experiência analítica. Sobre a neurose fóbica, pode-se dizer que seu tempo era o da infância, neurose infantil, placa giratória nas palavras de Lacan em seu Seminário 16, para dizer que ela não é uma entidade clínica, um tipo clínico da neurose, mas uma placa que conduz ao sujeito, a partir de uma posição perversa, do perverso polimorfo, a uma posição neurótica.

Atemporalidade que conhece o tempo

O leitor atento constata, sem esforço, que a obra freudiana é repleta de preocupações com a temporalidade cronológica, a linearidade discursiva, histórica, na ordenação daquilo que lhe contavam seus pacientes, e até mesmo na organização de suas próprias recordações, principalmente no início de suas descobertas. A título de exemplo, e sem a intenção de esgotar a possibilidade de achados, em “Estudos sobre a histeria” (1895-1893/1969b) é possível encontrar Freud buscando o tempo do acontecimento traumático, factual, nos casos clínicos de Anna O., Emmy von N., Lucy R., Katharina, Elisabeth von. R. No texto “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade” (1905/1969c) ele cuida das etapas da sexualidade infantil, sem que se possa dizer que Freud é desenvolvimentista. Sua correspondência com o médico alemão, Wilhelm Fliess (1858-1928), que resultou no livro A correspondência completa de Sigmund Freud para Wilhelm Fliess (Masson, 1986), em época do início da construção da psicanálise, a riqueza de detalhes temporais é surpreendente. Lá está Freud, por exemplo, advertindo sobre a existência de lembranças encobridoras, bem como sobre o fato de que neuroses, perversões e psicoses supõem certa cronologia nas vivências sexuais traumáticas, ocorridas na primeira infância.

O leitor mais impaciente com a reconstrução de informações pode encontrar em “Inibição, sintomas e angústia” (1926-1925/1969d), fundamental no ensino freudiano, a afirmação crucial de que toda neurose obsessiva parece ter sedimento inferior de sintomas histéricos, formados muito cedo. Isso significa vivência desprazerosa primária, de natureza passiva, e tal afirmação, inquestionavelmente, diz de coordenadas de espaço e tempo. Preocupado com o diagnóstico diferencial nesse texto, Freud mostra, mais que tudo, o parentesco entre histeria e neurose obsessiva, já que os coloca compartilhando da mesma etiologia. A diferença entre os tipos clínicos reside no fato de que a condição da histeria repousa em vivência desprazerosa primária, de natureza passiva, ocorrida muito cedo na infância, enquanto a neurose obsessiva é resultado de vivência sexualmente ativa, com prazer, em tempo mais tardio, embora antes da puberdade.

A Carta 52 é primorosa em temporalidade cronológica, mas especialmente importante por introduzir as bases de uma nova temporalidade, a ‘temporalidade em retroação’: “[...] um evento sexual ocorrido numa fase determinada, atua sobre a fase seguinte como se fosse um evento atual e, por conseguinte, não é passível de inibição” (1896/1969e, p. 320). A defesa patológica “somente ocorre contra um traço de memória de uma fase anterior, que ainda não foi traduzido” (p. 319), ou seja, retroativamente, recordando a inscrição originária de uma satisfação sexual inaceitável para a consciência. Freud descobre, portanto, um tempo que funciona em uma ‘cronologia que comporta dois sentidos’: o que progride e o que retroage. O tratamento, que conta com a interpretação e a localização cronológica desse tempo esquecido, leva à dissipação dos sofrimentos. No período compreendido entre 1905- -1915, segundo Pierre-Gilles Guéguen (2005), a questão da temporalidade é bastante enfatizada, pois se fazia necessário reafirmar a sexualidade infantil na etiologia da neurose, contrapondo às considerações de Jung sobre os arquétipos.

Não é difícil compreender que a noção de trauma, estabelecida por Freud, é regida por essa lógica retroativa de temporalidade, pois um acontecimento só é traumático quando é subjetivado, a posteriori. Isto quer dizer que uma vivência de assédio sexual não é, em si, traumática, visto que o sentido da vivência só é alcançado num segundo momento, a partir da puberdade. O caso Emma, publicado na Parte II de seu “Projeto para uma psicologia científica”, escrito em 1895 (1950-1895/1969f) é muito comentado quando se trata de exemplificar o que aqui se diz.

Freud esclarece que na época Emma achava-se dominada pela compulsão de não poder entrar em lojas sozinha, e considerava que o motivo disso era explicado por uma cena recordada:

CENA 1 – Aos 12 anos entrou numa loja para comprar algo, viu dois vendedores (recorda-se de um deles) rindo juntos, saiu correndo tomada por uma espécie de susto. Concluiu que riam de suas roupas, e lembrou-se que sentiu atração sexual por um deles.

Freud reflete sobre a questão e afirma que as lembranças evocadas não explicavam nem o caráter compulsivo de Emma, nem a determinação do sintoma que apresentava. No curso do tratamento surgiu uma segunda lembrança, que Emma assegurava não haver recordado, quando lhe contou a cena 1.

CENA 2 – Aos 8 anos, entrou numa confeitaria para comprar doces, e o proprietário, sorrindo, tocou-lhe os genitais por sobre sua roupa. Voltou à confeitaria uma segunda vez, depois do ocorrido, e recriminava-se por isso, pois era como se estivesse querendo provocar novo toque.

Ao combinar cena 1 e 2, entende-se a cena 1, por meio de um vínculo associativo entre as duas, que Emma localiza no ‘riso’: o riso dos vendedores evocando o riso do proprietário da confeitaria, de forma inconsciente, e nas duas cenas ela estava desacompanhada. O tempo em que ocorreu a cena 2 supunha estado de espírito diferente, afirma Freud, porque nessa ocasião Emma já contava com as mudanças próprias da puberdade. Mas a lembrança que causou evocou o que em outro tempo não estava apta para sentir, ou seja, uma liberação sexual produzida, que se transformou em angústia, fazendo-a temer que os vendedores pudessem repetir o que lhe havia feito o proprietário da confeitaria. Aos 12 anos sentiu-se atraída por um dos vendedores da loja, o que fez com que o sexual entrasse em sua consciência, mas expresso pela preocupação com suas ‘roupas’, dizendo que a cena 1 reteve-se representada em seu inconsciente, e pôde ser manifestada por meio de uma lembrança aparentemente inocente, lembrança encobridora, nas palavras de Freud.

Suas formalizações sobre o aparelho psíquico, que supõe a defesa do recalque separando os sistemas, são importantes para que se avance no entendimento de suas propostas sobre tempo e espaço, já que na espacialidade de seu aparelho psíquico há temporalidade no Pré-consciente–consciente, e atemporalidade no inconsciente. Pode ser útil falar um pouco mais sobre ele.

Freud ao se referir ao inconsciente continuamente usava a expressão ‘hipótese de inconsciente’. Hipótese, porque sua existência não é empírica, mas constatada a partir de inferências, deduções, formas de apresentação, ou seja, por meio dos sonhos, parapraxias, chistes e sintomas, formas de satisfação substituta, capaz de produzir efeitos fora do conhecimento do sujeito. Por meio dos sonhos, por exemplo, encontrou falsas orientações temporais e funcionamento por meio de condensação e deslocamento. Por meio dos sintomas observou, entre outras coisas, a ausência dos efeitos da passagem do tempo para o neurótico que vive de reminiscências, e a existência de fixações neuróticas, supondo comportamentos regressivos, a exemplo do que ocorreu com Emma. Dentro do que chamou de parapraxias (1916-1915/1969g), é bem conhecido o exemplo do atormentado Presidente da Câmara que deveria dizer “declaro aberta a sessão” e diz “declaro encerrada a sessão”, em seu desejo de que ela não acontecesse, apressando o tempo.

Seu inconsciente é um “lugar psíquico” (Freud, 1915/1969h, p. 204), portanto conhecedor do espaço, de uma cartografia específica denominada sistema e, assim sendo, não anatômico. Nele são encontrados os representantes pulsionais ideacionais, carregados de desejo, representantes de coisas, afastados e mantidos à distância por provocarem desprazer, sentimentos de vergonha e de dor, já que censurados pelo sistema pré--consciente–consciente: “suprimir o desenvolvimento do afeto constitui a verdadeira finalidade do recalque”. O afeto é o outro representante da pulsão e permanece no sistema pré-consciente–consciente, portanto, não é recalcado. Vale mencionar que Freud não utiliza a expressão subconsciente, que lhe pareceu “enganosa e incorreta” (Freud, 1915/1969h, p. 196), trazendo em si a noção de uma instância abaixo da consciência, consciência inconsciente, induzindo a identificação do inconsciente com as profundezas da consciência.

Os representantes ideacionais, carregados de desejos, convivem no inconsciente sem se excluírem. Isso porque, ali há a isenção de contradição mútua, há atemporalidade que se aproxima da lógica Aristotélica — em que o tempo permanecia dependente do movimento, nesse caso movimento entre os sistemas do aparelho psíquico — e substituição da realidade externa pela psíquica. Os processos inconscientes, por não terem qualquer referência ao tempo, não se alteram com seu transcorrer. Trata-se, portanto, de inconsciente que desmente a teoria do tempo absoluto de Newton, e a filosofia de Kant que supunha o tempo e o espaço como formas necessárias de nosso pensar. Em “Além do princípio de prazer” (1920/1969i) Freud diz encontrar-se em posição de se empenhar no “estudo do teorema kantiano segundo o qual tempo e espaço são formas necessárias de pensamento” (p. 43), mas pelo visto não concordou com tal afirmação. Por sua vez, a ideia de representantes pulsionais carregados de desejo permite dizer, desde então, de uma erótica presente no aparelho psíquico.

A energia existente no sistema inconsciente é livre, diz Freud, própria do que denominou processo primário, favorecendo o deslocamento de uma representação para outra e condensação de várias em uma delas, na busca de descarga rápida e direta, tal como exige o princípio do prazer que o rege. Isso, ainda que a descarga seja dificultada, trata-se de inconsciente saber, frequentemente pensado como uma memória, passado ativo no presente, com o efeito de repetição do traumático anulando o tempo, pois a temporalidade do mecanismo da repetição é sempre a da primeira vez. Ela não modifica o que repete. De forma irônica Miller (2005) escreve que enquanto nos arrebentamos na espuma dos dias, o inconsciente descansa comodamente em sua poltrona, em seu automatismo de repetição, e não nos diz que já fizemos aquilo várias vezes.

Na segunda parte do texto A interpretação dos sonhos Freud afirma que quando se trata do aparelho psíquico que construiu, a ordem temporal tem mais importância que a espacial.

[...] os sonhos se originam do passado em todos os sentidos. Não obstante, a antiga crença de que os sonhos preveem o futuro não é inteiramente desprovida de verdade. Afinal, ao retratarem nossos desejos como realizados, os sonhos decerto nos transportam para o futuro. Mas esse futuro, que o sonhador representa como presente, foi moldado por seu desejo indestrutível à imagem e semelhança do passado. (Freud, 1900/1969j, p. 660)

Vê-se, nessa citação, que o sonho realiza o desejo, mas ao fazê-lo coloca o pensamento no presente, atualiza os representantes ideacionais encenando-os, vivenciando-os de forma alucinatória. Nesse caso, alucinação tal como vigente em sua época, falsa percepção vivida com caráter de realidade, certeza. O desejo onírico é alucinado e, “como uma alucinação, encontra-se com a crença na realidade de sua satisfação” (Freud, 1917-1915/1969l, p. 261).

Para Freud, a mais curiosa peculiaridade dos sonhos era sua capacidade de transformar pensamentos, constituídos por representações de palavras, em imagens, principalmente visuais, ou seja, novamente em representações de coisas. Essa capacidade figurativa, imaginária, inclusive alucinatória, o levou a introduzir, em A interpretação dos sonhos, a noção de regressão para explicá-la. Para Freud a alucinação própria do sonho surge do fato de que a excitação que chega ao aparelho psíquico não se transmite para a extremidade motora do mesmo — modelo do Arco-reflexo —, de modo a descarregar-se. Sofre processo temporal de retroação, mobilizando o sistema de recordações constitutivos do sistema inconsciente, o que chamou de regressão tópica, ancorada no fato de que durante o sono a censura entre pré-consciente e inconsciente fica muito reduzida, tornando fácil a comunicação entre esses sistemas. Torna fácil algo difícil, pois o funcionamento do pré-consciente se dá pelo princípio da realidade e sua energia é ligada. Mas depois do rigor em estabelecer demarcações próprias dos dois sistemas, Freud adverte que os psicanalistas devem estar preparados para encontrar, nos seres humanos, possíveis condições patológicas sob as quais eles se alteram, permutam seu conteúdo e características, o que também acontece nos sonhos.

Na sequência de seus achados, em 1915, no texto “Suplemento metapsicológico à teoria dos sonhos” (1917-1915/1969l) Freud diz que suas investigações sobre os estados psiconeuróticos o levavam a ressaltar o que se conhece por “regressões temporais”, ou seja, “a quantidade de recessão de desenvolvimento que lhe é peculiar” (p. 253). Desenvolve a existência de duas regressões dessa ordem, possíveis de constatação nos sonhos. Uma que afeta o desenvolvimento do ego resultando em regressão que leva à etapa da satisfação alucinatória dos desejos no encontro com o objeto perdido, momento em que o inconsciente submerge na indeterminação do tempo. E outra que afeta o desenvolvimento da libido, restaurando o narcisismo primário, o egoísmo do eu. Todos os sonhos são egoístas, portanto, no sentido de que o desejo de dormir esforça-se por absorver todas as catexias transmitidas pelo ego, estabelecendo um narcisismo absoluto, e promovendo realização de desejo inconsciente que conduz à satisfação sexual.

Segundo Freud, no frigir dos ovos, o inconsciente rechaça o tempo, sobretudo porque porta a sabedoria de que não se trata de tempo infinito, mas de tempo finito. Por isso não parece equivocado dizer que com ele é possível falar de uma atemporalidade que conhece o tempo, que conhece a angústia de castração, associada à angústia de morte. Deparar-se com a finitude temporal leva o humano, cada qual a seu modo, a se deparar com a própria morte, consequentemente, com a angústia de castração.

Em “Reflexões para os tempos de guerra e morte” (1915/1969m, p. 327), escritas em 1915, poucos meses após o início da Primeira Guerra Mundial, Freud nos ensina que a representação da morte se coloca sempre do lado do narcisismo do eu e daí a impossibilidade de imaginar a própria morte. Aquele que o tenta percebe que o faz como espectador, pois “no inconsciente cada um de nós está convencido de sua própria imortalidade”.

“Sobre a transitoriedade” (1916-1915/1969n, p. 345) é texto escrito na mesma época, e ali o leitor encontra Freud passeando com dois amigos, um deles um poeta que não extraía alegria alguma da beleza que a natureza lhes oferecia, já que fadada ao desaparecimento, à extinção. Freud se dispõe a conversar com o poeta, não concordando com a ideia de que a transitoriedade do que é belo implica perda de seu valor. Para ele é o contrário, aquilo que é belo tem seu valor aumentado pela transitoriedade: “o valor da transitoriedade é o da escassez no tempo”. No que se refere à natureza pode-se até dizer, se comparada aos humanos, que sua beleza é eterna, já que renovada a cada ciclo, a cada ano. A exigência de imortalidade, por sua vez, “por ser tão obviamente um produto de nossos desejos, não pode reivindicar seu direito à realidade”.

Então?

Diante desta pergunta que se formula, vale render armas a qualquer narcisismo, ponderando ideais a partir do que esses dois importantes homens deixaram como legado.

Se cada qual de nossos profissionais constrói seu caminho, melhor é que saiba suas balizas e obstáculos, não desconhecendo que sempre há algo não sabido, que é da ordem do impossível, por exemplo, presente na linguagem jasperiana ao dizer do limite da compreensão levando à explicação, e do inconsciente colocando barreiras para o sujeito acessar à sua verdade, presente em Freud. Daí, não dá para “ficar” com um ou com outro desses autores ao mesmo tempo, diferentemente do que a vida tem pregado para uso nas relações humanas. O profissional haverá que decidir, entre um ou outro, dadas suas diferenças fundamentais e irreconciliáveis.

Referências

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Financiamento/Funding: A autora declara não ter sido financiada ou apoiada / The author has no support or funding to report.

Recebido: 8 de Outubro de 2017; Aceito: 5 de Janeiro de 2018

Editores do artigo/Editors: Profa. Dra. Ana Maria Rudge e Profa. Dra. Sonia Leite.

Conflito de interesses/Conflict of interest: A autora declara que não há conflito de interesses / The author has no conflict of interest to declare.

Ilka Franco Ferrari

Doutora em psicologia, Programa de Pós-graduação em Psicologia, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC-Minas (Belo Horizonte, MG, Br). Rua Itaú, 525 – Dom Cabral, 30535-012 Belo Horizonte, MG, Br. francoferrari@terra.com.br, ilka@pucminas.br.

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