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Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental

versión impresa ISSN 1415-4714versión On-line ISSN 1984-0381

Rev. latinoam. psicopatol. fundam. vol.22 no.1 São Paulo enero/marzo 2019  Epub 30-Mayo-2019

http://dx.doi.org/10.1590/1415-4714.2018v22n1p54.4 

Artigos

O analista em cena: uma clínica da transexualidade mais além do diagnóstico

The analyst on stage: for a transsexual clinic that goes beyond diagnosis

L’analyste en scène: une clinique de la transsexualité au-delà du diagnostic

El analista en escena: una clínica de la transexualidad más allá del diagnóstico

Der Analytiker im Scheinwerferlicht: Eine transsexuelle Klinik, die über die Diagnose hinausgeht

Heloísa Moura Bedê*1 
http://orcid.org/0000-0001-7631-8224

Fábio Roberto Rodrigues Belo*2 
http://orcid.org/0000-0002-5803-1745

*1, 2Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG (Belo Horizonte, MG, Brasil).


RESUMO

As produções psicanalíticas sobre a transexualidade têm crescido exponencialmente, entretanto, resta uma lacuna sobre o que orienta o fazer dos analistas que recebem sujeitos trans em seus consultórios. Partindo da análise crítica de um relato clínico, teceremos uma hipótese, com Butler e Laplanche, relativa ao por que das dificuldades encontradas em nosso fazer teórico e prático sobre a transexualidade. Concluiremos com uma reflexão sobre o potencial ético e político da psicanálise em uma clínica mais além do diagnóstico “trans”.

Palavras-chave: Transexualidade; psicanálise; diagnóstico; clínica

ABSTRACT

Psychoanalytic writings on transsexuality have increased exponentially. However, a gap remains in terms of what guides analytical practice aimed at transsexuals. Based on Butler and Laplanche, we perform a critical analysis of a clinical report and propose a hypothesis on the difficulties that came up during our theoretical studies and practical work with transsexuality. The paper concludes with a reflection on the ethical and political potential of psychoanalysis, advocating a clinic that goes beyond the “trans” diagnosis.

Key words: Transsexuality; psychoanalysis; diagnosis; clinic

ABSTRACT

Les productions psychanalytiques sur la transsexualité connaissent une croissance exponentielle. Cependant, une lacune existe par rapport à ce qui oriente la pratique des analystes qui traitent des sujets transsexuels. Partant de l’analyse critique d’un récit d’un cas médical, nous construisons une hypothèse, avec Butler et Laplanche, sur les difficultés qui se sont manifestées au cours de notre travail théorique et pratique sur la transsexualité. Nous concluons avec une réflexion sur le potentiel éthique et politique de la psychanalyse pour une clinique qui va au-delà du diagnostic «trans».

Mots clés: psychanalyse; diagnostic; clinique

RESUMEN

Las producciones psicoanalíticas sobre la transexualidad han crecido exponencialmente, sin embargo, queda una laguna sobre lo que orienta el hacer de los analistas que reciben sujetos trans en sus consultorios. A partir del análisis crítico de un relato clínico, se teje una hipótesis, con Butler y Laplanche, relacionada al por qué de las dificultades encontradas en nuestro hacer teórico y práctico sobre la transexualidad. Concluiremos con una reflexión sobre el potencial ético y político del psicoanálisis en una clínica más allá del diagnóstico “trans”.

Palabras clave: Transexualidad; psicoanálisis; diagnóstico; clínica

ABSTRACT

Die psychoanalytische Literatur zur Transsexualität hat exponentiell zugenommen, doch was die Praxis der Analytiker und ihre Behandlungsweise von transsexuellen Patienten orientiert bleibt nach wie vor offen. Ausgehend von der kritischen Analyse eines klinischen Berichts stellen wir eine Hypothese auf, welche die Probleme beschreibt, die bei unserer theoretischen und praktischen Arbeit zur Transsexualität aufkamen, basierend auf den Theorien von Butler und Laplanche. Wir schließen mit einer Betrachtung über das ethische und politische Potential der Psychoanalyse für eine Klinik, die über die „Trans“-Diagnose hinausgeht.

Schlüsselwörter: Transsexualität; Psychoanalyse; Diagnose; Klinik

Introdução

Uma literatura relativamente vasta nos indica que o que podemos considerar como transexualidade1 nos dias hoje é, na verdade, o produto de um longo processo histórico. As representações de sujeitos que assumem papéis sociais de gênero diferente daquele designado ao nascimento se estendem desde obras mitológicas até as mais diversas manifestações culturais atuais, como bem ilustra Cossi (2011) em seu livro Corpo em obra. Entretanto, é sob o estatuto de uma entidade patológica que, com os avanços no campo endocrinológico e cirúrgico do século XX (cf. Cossi, 2011, p. 35), pôde-se cunhar o fenômeno do “transexualismo” [sic] propriamente dito.

Com a medicina reparadora do contemporâneo e seus recursos cirúrgicos e bioquímicos (cf. Teixeira, 2012), inaugura-se a possibilidade de o sujeito “escolher” seu sexo,2 a despeito das supostas determinações naturais. Desse modo, tudo passa a ser praticável, desde que tais mudanças se deem sob rubricas patologizantes, como “Transtorno de Identidade de Gênero”, “Disforia de Gênero” e “Transexualismo”. Hoje podemos encontrar uma série de movimentos sociais que buscam desvincular as transexualidades desse viés patológico, que traz consigo uma série de violências (sociais, psíquicas, físicas etc.) que negam o acesso desses sujeitos a direitos humanos básicos, como o de existir fora do registro psicopatológico.

Não é surpreendente, portanto, que encontremos reflexos de todo esse histórico de violências contra os sujeitos trans também dentro do campo acadêmico. Eis algumas posições teóricas de autores reconhecidos a respeito da transexualidade:

uma disforia sexual (Stoller), uma psicose (Alby, Socarides), uma desordem narcísica (Chiland, Oppenheimer), um precursor da homossexualidade (Limentani), o resultado da foraclusão do Nome-do-Pai (Lacan, Safouan, Millot, Czermak), ou simplesmente um fenômeno ligado a fatores socioculturais em que a mídia tem um papel preponderante (Raymond). (Ceccarelli, 2017, p. 42)

Interessa-nos, aqui, discutir algumas produções do campo psicanalítico que se deram nessa esteira de teorizações e que reservam aos sujeitos trans lugares muito específicos, próximos à abjeção.

Os extravios psicanalíticos e a questão trans

Ao importar a noção de gênero de John Money (cf. Cossi, 2011, p. 36) para o campo psicanalítico, Robert J. Stoller inaugura a possibilidade de se tratar questões como a transexualidade também a partir da psicanálise. Compreensivelmente, suas teorizações tiveram grande repercussão, dentre elas, sua obra Sex and Gender (1968), que franqueou um dos mais famosos comentários de Jacques Lacan sobre os sujeitos trans:

A face psicótica desses casos [de transexualidade] é completamente eludida pelo autor [Stoller], na falta de qualquer referencial, já que nunca lhe chegou aos ouvidos a foraclusão lacaniana, que explica prontamente e com muita facilidade a forma desses casos. (Lacan, 1971/2009, p. 30)

Lacan menciona brevemente casos de transexuais atendidas por Stoller em sua obra nos seminários 18 e 19, atrelando-os muito prontamente à psicose. Essa formulação foi feita antes de muitos debates e elaborações dentro e fora da psicanálise sobre a temática, que inauguraram outras leituras possíveis, mais atentas à escuta dos sujeitos trans. Entretanto, quase 50 anos depois ainda percebemos os reflexos dos comentários do autor em certas teorizações e nas orientações clínicas de alguns analistas. Ao que tudo indica, a fala de Lacan destacada acima acabou instaurando uma tradição de leitura dentro da psicanálise que cola, impreterivelmente, transexualidade e psicose. Percebemos isso claramente na obra de autores como Czermak (1982) e Millot (1992).

Não podemos desconsiderar que tal tradição de leitura do fenômeno trans é hoje relativizada por um número significativo de teóricos, seja na tradição laplancheana, como Lattanzio e Ribeiro (2017), ou mesmo na tradição lacaniana, como Kosovski (2016), Cossi (2011), Gherovici (2017) e Jorge e Travassos (2018) e ainda articuladas a outras correntes teóricas, como Ayouch (2015) e Benghozi (2015) e França (2017). O que justifica, então, a persistência de alguns analistas em sustentar tal prontidão diagnóstica? O que leva os analistas, independentemente de sua orientação, a escorregarem de forma insistente nos pronomes com os quais se referem a esses pacientes, chamando mulheres trans de “ele” e homens trans de “ela”? Por que ainda vemos teóricos relativamente atualizados nas problemáticas trans mantendo o sufixo -ismo (que carrega consigo um peso patologizante) ao falar de transexualidade? Por que, afinal, sustentam-se essas condutas que fazem uma espécie de apelo à biologia e à anatomia dos corpos trans? Ao que tudo indica, quando o assunto é transexualidade, algo parece entrar no caminho da escuta do sujeito, que jaz esquecido pelos analistas por trás do rótulo “trans”.

Esse apagamento do sujeito contradiz a própria forma a partir da qual a psicanálise surge - em oposição à psiquiatria clássica da época de Freud - e sustenta-se. O diagnóstico em psicanálise dá-se sob transferência, de modo a evitar uma operação diagnóstica objetiva, que descreveria a verdade do sujeito. Disso todos sabem; no entanto, a transexualidade é, ainda hoje, lida muitas vezes como índice da estrutura psicótica. Ora, que existam sujeitos trans psicóticos não há discussão - bem como sujeitos cis3 psicóticos. Um dos problemas, a nosso ver, é quando esse tipo de prontidão diagnóstica vem antes da escuta do sujeito. Afinal, atestamos as consequências disso há não muito tempo, com o atrelamento igualmente apressado entre homossexualidade e perversão.

O que sustenta esse tipo de desvio ao longo da história da clínica psicanalítica?4 A partir de Laplanche (1997), podemos localizar um efeito teórico curioso na obra de Freud sempre que este se aproxima do sexual:5 o recurso ao biológico. Essa tendência do psicanalista vienense é denominada por Laplanche (1997) de desvio biologizante. Segundo esse autor, tal desvio distanciou Freud de sua grande descoberta da sexualidade infantil nos “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade” (1905), levando-o a conceder cada vez mais a origem das pulsões ao biológico, ou mesmo ao mito e à filogênese - como em “Totem e tabu” (1913) e “Moisés e o monoteísmo” (1939). Nosso interesse de pesquisa surge precisamente ao notar que certos analistas cometem desvios ao modo de Freud, mas sob uma nova roupagem: ao intimarem constantemente a anatomia dos sujeitos trans de maneira normativa, a despeito da proposta ética da escuta analítica.

Poderíamos pensar que os desvios biologizantes de Freud fornecem-lhe algum tipo de defesa contra algo de insuportável do sexual que sua própria teoria desvela? Acreditamos que sim e que haveria, portanto, uma consonância significativa desse movimento freudiano com o distanciamento tomado pelos analistas no tratamento de sujeitos transexuais. A hipótese desse distanciamento pareceu condizente com nossas pesquisas, uma vez que nos deparamos com um silenciamento significativo de relatos clínicos que envolvessem pacientes trans; fato que não coincide com o crescimento exponencial das produções psicanalíticas sobre a transexualidade. A partir desse incômodo, trabalharemos na próxima seção com um dos poucos relatos psicanalíticos que encontramos sobre essa temática.

Trans: um diagnóstico ou uma clínica?

Antes de iniciarmos nossa leitura do caso narrado no artigo “Transexualismo: uma visão psicanalítica” (Yoshida et al., 2001), cabe justificar nossa escolha por esse texto, relativamente antigo, e também situá-lo cronologicamente dentro do contexto estudado. Isso se deve em parte à escassez de relatos clínicos psicanalíticos sobre pacientes trans e em parte à atualidade dos problemas encontrados nesse artigo. Independentemente dos consideráveis avanços que se deram no cuidado com a população trans, acreditamos que o caso escolhido concentra alguns pontos-chave de formas de resistência que persistem, em maior ou menor grau, na lida com pessoas trans ainda hoje. É importante ressaltar que as críticas elaboradas sobre esse caso não têm por objetivo desmerecer os esforços e a coragem das autoras. Há sempre riscos quando alguém se aventura na tarefa tão difícil de relatar casos clínicos. Sabemos disso desde Freud e, entretanto, é graças a relatos de fracassos como o caso Dora (Freud, 1905/2016) que a comunidade analítica continua a avançar em suas considerações clínicas.

Quanto à situação cronológica do artigo analisado, é de suma importância lembrar que, à época, tanto o DSM IV (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais), quanto a CID 10 (Classificação Internacional de Doenças), traziam ainda forte patologização do fenômeno trans. A expressão “transtorno de identidade de gênero”, presente no DSM IV, cede lugar, no DSM 5, à “disforia de gênero” e esta é considerada patológica apenas quando há sofrimento e desconforto intensos articulados à condição (cf. American Psychyatric Association, 2014). Na CID 11, as mudanças são ainda mais amplas na medida em que tópicos ligados ao gênero e à orientação do desejo sexual já não são tratados dentro do campo dos transtornos mentais, mas em capítulos dedicados à saúde sexual (World Health Organization, 2018). O artigo avaliado está, portanto, em sintonia com os manuais psiquiátricos de sua época, ainda patologizantes.

As autoras (Yoshida et al., 2001) narram o atendimento de uma menina trans, Ana Luiza, que procura aos 17 anos o Hospital das Clínicas da Unicamp em busca de uma cirurgia de redesignação sexual.6 O atendimento (de viés alegadamente psicanalítico) durou nove meses, entretanto, não localizamos indícios de uma relação transferencial produtiva nesse período:

Desde a primeira sessão, João Luís/Ana Luísa demonstrou que a ideia de ser mulher é mantida e reforçada dia a dia como a única possibilidade de se sentir coerente. A psicoterapia foi vivida apenas como um trampolim para conquistar a cirurgia. Esforçou-se todo o tempo por agir da forma pela qual acreditava que poderia convencer a terapeuta daquilo que pretende - ser física e psicologicamente mulher. O vínculo terapêutico era muito precário, quase inexistente, havendo por parte de João Luís/Ana Luísa mentiras e omissões deliberadas. (Yoshida et al., 2001, p. 103)

Sabemos que a procura por terapia era um dos procedimentos necessários para a autorização da cirurgia de redesignação sexual. Que tal obrigatoriedade interfira no engajamento do sujeito ao tratamento é compreensível, mas, justamente por isso, cabe ao analista lançar mão de estratégias que convidem seu paciente a estabelecer um vínculo terapêutico que passe por outro lugar, que não apenas o da demanda por cirurgia.

Entretanto, no caso em questão, vemos que a própria analista sustenta o sujeito próximo a essa demanda, ao justificar a maioria das ações da paciente a partir do significante “trans”. A impressão recorrente ao ler esse trabalho é que a paciente é usada como um exemplar da categoria “transexual”, em relação à qual o trabalho analítico só poderia ser fadado ao fracasso, uma vez que “o caso estudado sugere que nesse distúrbio a pessoa faz uso de mecanismos egoicos defensivos muito primitivos, que visam protegê-la de uma desorganização psíquica” (Yoshida et al., 2001, p. 92). Como se não bastasse, também “há problemas de identificação sexual, perturbação no esquema corporal e repressão de impulsos sexuais primitivos” (p. 106).

Por mais que as autoras tenham se desviado da armadilha teórica de conceber aprioristicamente a paciente como psicótica, talvez elas tenham sido igualmente violentas ao usarem a noção psiquiátrica de transexualismo como um diagnóstico para ditar a conduta “analítica” do caso: “o paciente também foi submetido a uma avaliação psiquiátrica na qual constatou-se que não apresenta qualquer outro distúrbio psiquiátrico além do transexualismo” (p. 100). A escuta do sujeito em questão é contaminada por esse rótulo, que, de alguma forma, franqueia o caos epistêmico-clínico do artigo.

Deparamo-nos, então, com um problema que ultrapassa aquele do diagnóstico estrutural, uma vez que toma o dizer do sujeito a partir de uma categoria patológica. O diagnóstico psiquiátrico parece servir às autoras como pretexto para não lidar com o sujeito que está por trás do rótulo trans. Isso não é sem consequências. Tal viés patológico dita o tom da resistência da analista, o que inclui referir-se à paciente no masculino ou como “ele/ela” e referir-se a seu quadro como um “distúrbio” (p. 92). Essas formas de tratamento estão articuladas a uma série de outras violências que são perpetradas no atendimento clínico em questão e que consideramos estar relacionadas com o fracasso na transferência do caso. Curiosamente, porém, para as autoras, a resistência é sustentada apenas pela paciente:

Essa falta de compromisso com o vínculo terapêutico, que sentimos como uma pseudopresença no relacionamento terapêutico, é outro aspecto coerente com o que afirma Stoller e tem implicações importantes, pois indica uma impossibilidade de se envolver em uma relação com confiança e sinceridade. (p. 105)

Além disso, notamos que as autoras recorrem mais à realidade material do que à psíquica, o que consideramos ainda mais sintomático de um processo analítico fadado ao fracasso. Na psicanálise não encontramos - ou ao menos não deveríamos encontrar - respaldo para uma supervalorização da realidade material em detrimento da realidade psíquica. Entretanto, no texto, não faltam exemplos em que são buscadas evidências literais - o que acaba deslegitimando o dizer da paciente frente a uma suposta verdade factual, científica:

Segundo as informações fornecidas nas entrevistas e sessões terapêuticas, João Luís/Ana Luísa sempre se sentiu como uma menina e se vestiu como tal. Solicitamos à “avodrasta” que nos trouxesse fotografias do neto(a) quando criança, mas não conseguimos obtê-las, por isso não pudemos comprovar esses dados. (p. 100; grifos nossos)

Em outros momentos, essa busca por uma cientificidade cai, mas permanece o apego a uma verdade suposta, orientada por uma normatividade, indicando que há uma resistência que insiste:

Algumas mentiras são dirigidas a si mesmo(a): acredita que seu quadril aumenta e diminui, e que o mesmo acontece com seus seios. Também cria fantasias em torno de sua beleza e atratividade: sente-se muito cortejado(a) pelos rapazes e diz ter oportunidades de trabalhar como modelo. (p. 103)

Por que esse recurso a uma realidade material? Poderíamos pensar que, assim como Freud em seus desvios biologizantes, esse recurso à realidade estaria libidinalmente atravessado por alguma resistência? Laplanche nos permite sustentar essa pergunta, já que para ele toda produção teórica está intimamente comprometida com aspectos inconscientes, que perpassam qualquer tipo de fazer teórico-clínico. Essa ideia encontra-se sintetizada na famosa frase do autor: a teoreticogênese - isto é, as produções de saberes e, acrescentaríamos, as orientações clínicas - tende a reproduzir a ontogênese - isto é, os destinos da sexualidade e do inconsciente nos sujeitos (cf. Laplanche, 1997, p. 12). Vejamos, então, com Butler e Laplanche, o que podemos pensar sobre esse debate entre a realidade material e a realidade psíquica, além de seus possíveis desdobramentos.

Butler e Laplanche: o corpo cis e seus atravessamentos

Laplanche (2003/2015a), ao denunciar os desvios biologizantes de Freud, recupera do autor aquilo que constituiria seu maior achado, a sexualidade propriamente infantil, “ampliada”, definindo-a como:

1) uma sexualidade que ultrapassa absolutamente o genital, ou mesmo a diferença sexuada; 2) uma sexualidade ligada à fantasia [fantasme]; 3) uma sexualidade extremamente móvel quanto à meta e ao objeto; e [...] 4) uma sexualidade que tem como regime “econômico”, no sentido freudiano do termo, um regime de funcionamento próprio, ou seja, não sistematicamente a tendência à descarga, mas realmente a tendência ao aumento de tensão, à busca da excitação. Em suma, é a sexualidade à frente, ou além do sexo ou do sexuado. (p. 140)

Encontramos, nessa definição do sexual, a primazia da fantasia sobre a genitalidade. Isso implica dizer que, quando tratamos de um sujeito pelo viés da psicanálise - isto é, um sujeito psíquico, colonizado pelo sexual por excelência -, a realidade material perde seu lugar para a fantasia.

Isto é algo que podemos localizar com clareza ao longo de toda obra freudiana, em textos como “O escritor e a fantasia” (1908/2015) e “A perda da realidade na neurose e na psicose” (1924/2011b). Nesse primeiro texto, Freud (1908/2015) distingue a fantasia do brincar, na medida em que o último encontra respaldo na realidade, diferentemente do primeiro. Com o abandono do brincar, o sujeito teria, então, de abrir mão do apoio em objetos reais e encontrar na fantasia formações substitutivas para o prazer antes obtido na realidade pela brincadeira. Desde cedo, então, na obra freudiana, a realidade perde espaço em favor da fantasia. No segundo texto, Freud (1924/2011b) afirma que a perda da realidade estaria presente tanto na neurose quanto na psicose, de modos distintos: “a neurose não nega a realidade, apenas não quer saber dela; a psicose a nega e busca substituí-la” (p. 218). Freud continua:

A diferença aguda entre neurose e psicose, no entanto, é diminuída pelo fato de também na neurose haver tentativas de substituir a realidade indesejada por outra mais conforme aos desejos. Isto é possibilitado pela existência de um mundo na fantasia, de um âmbito que foi separado do mundo externo real. (p. 220)

Em ambos os textos encontramos a realidade longe de ser completamente determinada por elementos materiais, factuais, anatômicos - ainda que eles tenham consequências psíquicas. Tal objetividade é turvada pela fantasia, que funciona como um filtro a serviço dos desejos do sujeito, que faz suplência a uma realidade insatisfatória. Isto é, o desejo do sujeito psíquico se infiltra na realidade. Disso extraímos a importância de se preservar, na clínica, a dimensão da fantasia em detrimento da realidade, afinal, é pela via da fantasia que podemos acessar algo do sujeito em questão. Desde A interpretação dos sonhos (Freud, 1900/2001), o inconsciente “é a verdadeira realidade psíquica” (p. 517).

Assim, podemos retomar nossa crítica ao relato de caso trabalhado na seção anterior. Acreditamos que o recurso à realidade material é um duplo equívoco. Vimos o primeiro equívoco acima: quando tratamos do sujeito psíquico, a fantasia vicária, ocupa o lugar da realidade, sendo descabida uma pergunta sobre uma objetividade do ser. O segundo equívoco seria o de desconhecer que a própria realidade material é construída e reiterada libidinalmente. Isso inclui, a nosso ver, a “realidade” do corpo cis, que aparece implicitamente no artigo (Yoshida et al., 2001) - bem como em muitas outras produções teóricas - como um dado confiável e concreto, em oposição ao corpo trans, desviante. Sabemos, com Butler e Laplanche, que esse “rochedo biológico” do corpo é da ordem de uma ficção. Seria possível, assim, dar um passo a mais e pensar que o corpo trans denuncia justamente essa ficção, na medida em que aponta para os atravessamentos contingenciais que constituem toda tradução de gênero (seja ela cis ou trans)?

Em “O gênero, o sexo e o sexual”, Laplanche (2003/2015b) sustenta a seguinte proposição: “O Sexual é o resíduo inconsciente do recalque-simbolização do gênero pelo sexo” (p. 155, grifos do autor). Isso quer dizer que, segundo o autor, o sexo (binário, da reprodução sexuada) é um suporte sobre o qual o gênero se apoia e se organiza (em seu modo tradicional, isto é, binário) para tentar simbolizar, recalcar o sexual e toda sua disruptividade. Trata-se de um código de tradução - tradução cis, poderíamos acrescentar - que faz coincidir, num sujeito, sua identidade de gênero com o gênero designado pelo outro sexual a partir do que é tomado como seu sexo biológico. Tal operação, que fixa o gênero ao sexo, tenta fazer esquecer o sexual; entretanto, sua dimensão perversa e polimorfa sustenta-se como resto dessa equação, isto é, permanece como a verdade recalcada do gênero.

Notamos, então, como essa teoria desenvolvida por Laplanche (2003/2015b) ilustra, de certo modo, a estrutura da cisgeneridade, isto é, quais códigos traduzem e sustentam os corpos cis. Porém, vimos que essa tradução exige um recalcamento constante do sexual, que, mesmo fora de cena, atravessa inevitavelmente a constituição dos corpos. Seria isso que os sujeitos trans viriam denunciar? Seus corpos apontam para as contingências que sustentam esses códigos tradutivos, uma vez que interrogam a coincidência entre sexo e gênero e, nisso, fazem vacilar o recalque que recobre o sexual, revelando a dimensão fantasística das construções normativas vigentes. Onde há recalcamento há tensão libidinal, diria Freud (cf. Belo & Marzagão, 2011). Seria essa uma causa possível para a tensão que os sujeitos transexuais geram tanto em âmbito social quanto em nosso fazer teórico e clínico?

Desde os “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade” (1905), Freud rascunha uma metodologia, até hoje muito cara à psicanálise, que parte daquilo que foge à norma para pensar e denunciar a constituição dessa própria norma. Butler (1993) também segue uma linha de pensamento semelhante, que considera o abjeto como aquele que denuncia a norma. Tais sujeitos-abjeto, nas palavras da autora:

não concordam com as categorias que naturalizam e estabilizam esse campo dos corpos para nós nos termos das convenções culturais vigentes. Consequentemente, é o estranho, o incoerente, o que está “fora” da lei, que nos dá uma maneira de compreender o mundo inquestionado da categorização sexual como um mundo construído, e que certamente poderia ser construído diferentemente. (Butler, 1990/2015, p. 191)

Acreditamos ser possível pensar as transexualidades nessa direção, uma vez que, ao colocar em cena algo que escapa à constituição normativa, elas podem apontar justamente para o caráter contingente de corpos naturalizados, como os cisgêneros, e para a possibilidade de outras construções. Afinal, para a autora, toda construção de gênero “é em si um processo temporal que opera através da reiteração de normas”7 (Butler, 1993, p. 10).

Segundo Butler (1993), a concepção do sexo enquanto um elemento neutro, pré-discursivo, não passa de uma aparência. Essa matéria dos corpos apresenta-se como imutável apenas na medida em que é sustentada por um processo temporal de reiteração de normas. Em Butler (1993), portanto, a matéria não é tomada “como local ou superfície, mas como um processo de materialização que se estabiliza ao longo do tempo para produzir o efeito de fronteira, de fixidez e de superfície, que chamamos de matéria”8 (p. 9; grifos da autora).

Conceber a constituição de corpos desse modo (como um processo e não como um dado) é fundamental para que possamos pensar em soluções singulares para cada um, que não necessitem estar reduzidas a uma forma determinada para serem vivíveis. Com a psicanálise, sabemos ser impossível desconsiderar que os sujeitos devem se haver com seu corpo, é preciso que se dê um destino à anatomia. Poderíamos pensar, como coloca Belo (2015), que a anatomia é o destino do pulsional, “é uma via facilitadora para o recalcamento do caráter disruptivo do sexual” (p. 71). Isso é válido para pessoas, tanto trans quanto cis, justamente na medida em que, no nível da pulsão, não há um saber pronto ou uma forma final à qual o sujeito deve aceder. Portanto, a importância dada a esse processo de construção corporal deve valer, na clínica, para todo sujeito. Cabe ao analista fornecer ao paciente, qualquer que seja, condições mínimas para que este possa rascunhar para si um corpo, uma solução singular, mesmo sabendo que esta sempre será imperfeita e fadada ao mal-estar.

Considerações finais

Elaboramos, neste trabalho, a hipótese de que as transexualidades, ao denunciarem a suposta fixidez constitutiva dos corpos cis, acabam expondo algo da dimensão fantasística das construções normativas vigentes. Tal denúncia faz vacilar uma tradução direta, naturalizada, do gênero pelo sexo, revelando algo da ordem do sexual. As transexualidades, portanto, podem nos convidar a pensar arranjos generificados que sejam menos recalcantes. Tal convite parece muito próximo a uma formulação de Laplanche (2003/2015b), na qual o autor diz que, em psicanálise, nos posicionamos do lado de “modelos de simbolização mais flexíveis, mais múltiplos, mais ambivalentes” (p. 171).

Eis a importante tarefa da psicanálise para Laplanche (1997): sustentar o sexual em seu aspecto perverso e polimorfo. Entretanto, sabemos que tal tarefa não é nada fácil, afinal, somos levados a perder de vista essa dimensão sempre que ela se aproxima. É o que vimos com os desvios biologizantes de Freud e o que acreditamos acontecer nas produções psicanalíticas trabalhadas no presente artigo, de modo geral. Consideramos possível que as transexualidades - tomadas aqui em seu potencial de revelar algo do sexual recalcado por arranjos de gênero normativos - convoquem, em alguns casos, formações reativas (ou melhor, teorizações e práticas reativas, como o recurso à realidade material), em defesa frente ao sexual.

Diante dos desvios de Freud, Laplanche retoma o sexual em toda sua potência política e teórica, apontando sua importância para a psicanálise, na medida em que a centralidade desse conceito nos franqueia um lugar diferente, subversivo. Confrontados com o que também consideramos um desvio, isto é, com elaborações e práticas clínicas que desconsideram a escuta dos sujeitos trans, vimo-nos em uma situação semelhante. Uma vez atentos à importância do sexual e à sua capacidade de ser um guia possível para arranjos subjetivos menos recalcantes, acreditamos possível tomar as transexualidades, em sua heterogeneidade, menos como ameaça e mais como um lembrete dessa dimensão do sexual, difusa e disruptiva que, segundo Lima & Belo (2018), em artigo ainda inédito, “faz ruído nos performativos de gênero, os quais se pretendem claros e distintos como forma de tentar ofuscar a opacidade que assombra o sujeito”.9

Vimos que a transexualidade adentra o campo acadêmico como uma entidade patológica e que isso influenciou as produções psicanalíticas sobre o assunto. Ainda hoje os sujeitos transexuais são colocados em uma posição estrangeira, bastando um deslize para que sua anatomia seja convocada, dando fim ao debate. Para além disso, apostamos em uma postura ética, que não deixa de ser também política, da psicanálise. Trata-se de não atuar a serviço de resistências e de considerar as soluções singulares de cada sujeito, mais além da norma e do diagnóstico “trans”, pois “as transexualidades ultrapassam em muito a ideia comum do ‘transexual oficial’ e não se deixam reduzir sem restos a nenhuma teoria” (Lattanzio & Ribeiro, 2017, p. 80). Nossa prática está do lado de soluções menos comprometidas com aspectos mortíferos inconscientes, isto é, soluções menos rígidas, que permitam um trânsito mais fluido entre categorias de identidade.

1Referimo-nos aqui aos sujeitos que não se reconhecem no gênero ao qual foram designados pelo meio social e familiar ao nascerem.

2É preciso lembrar que sexo e gênero são termos correlatos, porém não sinônimos. Em geral, prefere-se o termo sexo para designações do campo biológico (genético, anatômico, fisiológico), enquanto gênero é um termo mais ligado ao campo da cultura e das representações subjetivas e sociais de feminilidade e masculinidade. No contemporâneo, haveria certa primazia da identidade de gênero sobre o sexo anatômico, permitindo conceber, via medicina, uma adequação do corpo que se tem ao gênero que se é. No entanto, vale observar que Butler (1990/2015) vai além disso ao inserir uma suspeita acerca dessa distinção binária entre sexo e gênero, que reproduziria aquela entre natureza e cultura. A autora buscará pensar as formas pelas quais a própria noção de sexo e de biologia são culturalmente estabelecidas.

3Sujeitos que se identificam com o gênero que lhes foi atribuído ao nascerem pelo meio familiar e social.

4Cabe ressaltar que existem leituras patologizantes e comprometidas com certos atravessamentos políticos questionáveis em outras abordagens além da psicanálise. Tratamos aqui da clínica psicanalítica por uma questão de recorte.

5Sexual tomado aqui em seu sentido ampliado, da sexualidade infantil: múltiplo e polimorfo, que ultrapassa a genitalidade, uma vez que se liga à fantasia. Nas palavras de Laplanche (2003/2015a): “é a sexualidade à frente, ou além do sexo ou do sexuado” (p. 140). Retomaremos essa definição mais adiante.

6Procedimento cirúrgico no qual alteram-se as características genitais de um sujeito, de modo a aproximarem-nas de sua identidade de gênero reivindicada.

7No original: “Construction […] is itself a temporal process which operates through the reiteration of norms”.

8No original: “matter, not as site or surface, but as a process of materialization that stabilizes over time to produce the effect of boundary, fixity, and surface we call matter”.

9Lima, V. M. & Belo, F. R. R. (no prelo). Gênero, sexualidade e o sexual: o sujeito entre Butler, Foucault e Laplanche. Psicologia em estudo.

Financiamento/Funding: Este trabalho recebeu apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq-PIBIC (Brasília, DF, Br)/ This work was supported by the Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq-PIBIC (Brasília, DF, Br).

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Recebido: 16 de Setembro de 2018; Revisado: 26 de Novembro de 2018; Aceito: 18 de Dezembro de 2018

heloisa.bede@gmail.com

fabiobelo76@gmail.com

Editora da entrevista/Editor: Profa. Dra. Ana Maria G. R. Oda e Profa. Dra. Sonia Leite.

Conflito de interesses/Conflict of interest: Os autores declaram que não há conflito de interesses / The authors declare that there is no conflict of interest.

Heloísa Moura Bedê

Graduanda em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG (Belo Horizonte, MG, Br); Pesquisadora na área de Psicanálise; Bolsista de iniciação científica pelo PIBIC-CNPq.

Av. Presidente Antônio Carlos, 6627 - Pampulha

31270-901 Belo Horizonte, MG, Br.

https://orcid.org/0000-0001-7631-8224

Fábio Roberto Rodrigues Belo

Professor adjunto do Depto. de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG (Belo Horizonte, MG, Br); Doutor em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG (Belo Horizonte, MG, Br).

Av. Presidente Antônio Carlos, 6627 - Pampulha

31270-901 Belo Horizonte, MG, Br.

https://orcid.org/0000-0002-5803-1745

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