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Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental

Print version ISSN 1415-4714On-line version ISSN 1984-0381

Rev. latinoam. psicopatol. fundam. vol.22 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2019  Epub Jan 17, 2020

https://doi.org/10.1590/1415-4714.2019v22n4p909.13 

Articles

Um estudo bibliométrico nos Arquivos de Neuropsiquiatria (1943-1962): descortinando práticas e conhecimentos psicológicos*1

A bibliometric study on the Arquivos de Neuropsiquiatria (1943-1962): Revealing p sychological practices and knowledges

Une étude bibliométrique aux Arquivos de Neuropsiquiatria (1943-1962): Découvrir les pratiques et les connaissances psychologiques

Un estudio bibliométrico en los Archivos de Neuropsiquiatría (1943-1962): desentrañando las prácticas y conocimientos psicológicos

Bibliometrische Untersuchung der Arquivos de Neuropsiquiatria (1943-1962): Eine Enthüllung von psychologischen Praktiken und psychologischem Wissen

Marciana Vieira de Souza Xavier*2 
http://orcid.org/0000-0003-3261-6566

André Barciela Veras*3 
http://orcid.org/0000-0002-4986-7639

Michel Constantino*4 
http://orcid.org/0000-0003-2570-0209

Fernando Andrés Polanco*5 
http://orcid.org/0000-0003-4182-3655

Rodrigo Lopes Miranda*6 
http://orcid.org/0000-0003-3222-7368

*2, 3, 4 ,6Universidade Católica Dom Bosco (Campo Grande, MS, Brasil).

*5Universidad Nacional de San Luís/CONICET (San Luís, San Luís, Argentina).


RESUMO

A profissionalização da Psicologia, no Brasil, ocorreu em meio a embates entre diferentes profissionais envolvidos com suas aplicações, na primeira metade do século XX. Parte desses embates estava circunscrita às aplicações clínicas dos métodos e técnicas psicológicas, elementos que circulavam entre a Psicologia, a Psiquiatria e a Psicanálise. Nessa direção, esta pesquisa lança luz historiográfica a práticas e conhecimentos psicológicos que circularam nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria, entre 1943 e 1962. Os resultados sugerem a presença de métodos e técnicas psicológicas para lidar com quadros clínicos variados, sendo prevalente a apropriação de teorias psicodinâmicas. Nota-se, portanto, apropriações clínicas da neuropsiquiatria que auxiliam em uma compreensão ampliada de embates científico-profissionais quando da regulamentação da formação e da profissão de psicólogo, no país.

Palavras-chave: História da Psicologia; história da Psiquiatria; história da Medicina

ABSTRACT

In Brazil, the professionalization of Psychology is a consequence of debates among different professions involved into its applications during the first half of the 20th century. Part of this debate was limited to the clinical applications of psychological methods and techniques; elements connected to Psychology, Psychiatry, and Psychoanalysis. In this regard, this study highlights psychological practices and knowledges in circulation in the “Arquivos de Neuro-Psiquiatria”, between 1943 and 1962. The results show the use of psychological methods and techniques to address different conditions, and a strong appropriation of psychodynamic theories. Clinical appropriations of Neuropsychiatry that helps to a better comprehension of the scientific and professional debates are noteworthy, connected to the institutionalization of the training and the profession of Psychologist, in the country.

Key words: History of Psychology; history of Psychiatry; history of Medicine

ABSTRACT

Au Brésil, la professionnalisation de la Psychologie s’est produite au milieu des conflits entre différents professionnels de la santé mentale au cours de la première moitié du XXème siècle. Une partie de ces conflits était limitée aux applications cliniques des méthodes et techniques psychologiques qui circulaient entre Psychologie, Psychiatrie et Psychanalyse. Ainsi, cette recherche met en évidence les pratiques et connaissances psychologiques qui ont circulé dans les «Arquivos de Neuro-Psiquiatria» (1943-1962). Les résultats suggèrent l’utilisation de méthodes et techniques psychologiques, principalement de théories psycho-dynamiques, pour traiter différents états cliniques. On remarque donc que des appropriations cliniques de neuropsychiatrie aident à comprendre les conflits scientifiques-professionnels de la réglementation de la profession de psychologue au Brésil.

Mots clés: Histoire de la Psychologie; histoire de la Psychiatrie; histoire de la Médecine

RESUMEN

La profesionalización de la Psicología en Brasil se dio en la primera mitad del siglo XX, en medio de enfrentamientos entre diferentes profesionales involucrados con su aplicación. Parte de estos enfrentamientos se limitaba a las aplicaciones clínicas de los métodos y técnicas psicológicas, elementos que circulaban entre la Psicología, la Psiquiatría y el Psicoanálisis. Teniendo esto en cuenta, esta investigación ilumina historiográficamente las prácticas y los conocimientos psicológicos que circularon en los Archivos de Neuropsiquiatría, entre 1943 y 1962. Los resultados sugieren la presencia de métodos y técnicas psicológicas para manejar cuadros clínicos variados, prevaleciendo la apropiación de teorías psicodinámicas. Se observan, por lo tanto, apropiaciones clínicas de la neuropsiquiatría que ayudan para una comprensión ampliada de los enfrentamientos científico-profesionales en el momento de la reglamentación de la formación y la profesión de psicólogo en el país.

Palabras-clave: Historia de la Psicología; historia de la Psiquiatría; historia de la Medicina

ABSTRACT

Die Professionalisierung der brasilianischen Psychologie ist das Ergebnis von Debatten zwischen Vertretern unterschiedlicher Theorien, die in der ersten Hälfte des 20. Jahrhunderts stattfanden. Ein Teil dieser Debatten betraf die klinische Anwendung psychologischer Methoden und Techniken, sowie Aspekte der Psychologie, Psychiatrie und Psychoanalyse. Die vorliegende Studie beleuchtet die psychologischen Praktiken und das psychologische Wissen, welche zwischen 1943 und 1962 ihren Niederschlag in den „Arquivos de Neuro-Psiquiatria“ fanden. Die Ergebnisse unserer Untersuchung zeigen auf, dass der Einsatz dieser psychologischen Methoden und Techniken zum Ziel hatte, unterschiedliche klinische Krankheitsbilder zu behandeln, wobei psychodynamische Theorien eine bedeutende Rolle spielten. Die Tatsache der damaligen Hinwendung zur Neuropsychiatrie führt ebenfalls zu einem besseren Verständnis des wissenschaftlichen und professionellen Diskurses zur Institutionalisierung der Ausbildung und des Berufes des Psychologen in Brasilien.

Schlüsselbegriffe: Geschichte der Psychologie; Geschichte der Psychiatrie; Geschichte der Medizin

O período transcorrido entre as décadas de 1950 e 1970 foi marcado, em diferentes locais do mundo, por embates entre Psicologia, Psicanálise e Psiquiatria (Buchanan, 2003; Castro & Alcântara, 2011; Klappenbach, 2000). Tais embates podem ser compreendidos como movimentos de cooperação e competição entre os grupos. De maneira geral, havia um cenário em que inexistia uma tradição de psicólogos clínicos interessados no campo da psicoterapia e, portanto, essa seara vinha sendo ocupada pela interconexão Psiquiatria-Psicanálise. Além disso, havia certa desconfiança do campo médico quanto ao estatuto das “doenças mentais” e, também, da “cura pela palavra” como mecanismo terapêutico. Isso, inclusive, levaria ao fortalecimento de alternativas medicamentosas, exatamente nesse período (Ban, 2001). Por fim, havia o incremento de uma Psicologia Aplicada que, gradativamente, aproximava-se da prática clínica em setting psicoterápico. Assim, produzia-se um cenário em que fronteiras e limites precisavam ser estabelecidos entre tais comunidades científico-profissionais, mas com uma dificuldade: nenhuma delas conseguia definir, de maneira clara, o que seria a psicoterapia e, a partir daí, delimitar características (e.g., métodos, técnicas) que permitissem o monopólio da atividade.

O Brasil foi um dos países em que ocorreu o debate entre os diferentes campos Psi que estavam, por sua vez, em um processo de conformação à luz da modernização alardeada entre os três primeiros quartis do século XX. Esse cenário vem sendo estudado por investigadores interessados na História da Psicologia (Rudá, Coutinho & Almeida Filho, 2015), História da Psiquiatria (A. Braga, 2013; Facchinetti & Venâncio, 2018) e História da Psicanálise (Facchinetti, 2012; Oliveira, 2002). Tais estudos analisam as idiossincrasias da conformação de tais campos ao mesmo tempo que salientam movimentos de aproximação e tensionamentos entre eles, no país. Tais movimentos ocorriam em torno de objetos e teorias científicas, bem como de instrumentos de trabalho e campos de atuação. Portanto, eles diziam da apropriação e produção de conhecimentos e práticas psicológicas em um cenário de delineamento de fronteiras e limites de diferentes profissionais da área de Saúde.

Nessa direção, este artigo objetiva descrever e analisar conhecimentos e práticas psicológicas que circularam, nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria, entre 1943 e 1962. Ele se caracteriza como uma ampliação de estudo anteriormente publicado (Xavier & Miranda, 2018), com incremento dos critérios de inclusão e exclusão do corpus documental, bem como do período analisado. O recorte temporal selecionado compreende a) o ano de criação do periódico e b) o período de ímpeto nos embates entre os campos Psi em decorrência dos trâmites da Lei que regulamentaria a profissão e a formação em Psicologia, no Brasil, em 1962 (Lei n. 4.119). Metodologicamente, essa é uma investigação bibliométrica (Klappenbach, 2009) que se insere na interseção entre a História da Psicologia (Rosa et al, 1996) e a História da Psiquiatria (Huertas, 2001). As fontes primárias foram 46 artigos publicados nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria. A partir delas, foram propostas três perguntas gerais, a saber: 1) Quem eram aquelas pessoas que publicavam no periódico? 2) Quais eram as influências intelectuais que circulavam entre tais atores sociais? 3) Quais eram as temáticas de interesse ali presentes? As respostas a tais perguntas compõem os resultados desta pesquisa, sugerindo que, na comunidade médica, a circulação de práticas e conhecimentos psicológicos estava ligada a interesses por métodos, técnicas e teorias psicológicas voltadas ao entendimento do adoecimento mental.

Método

Definição do periódico

O periódico foi escolhido por ser um dos primeiros, no país, vinculado especificamente à Neuro-Psiquiatria. Ele foi criado em 1943 como um veículo de comunicação dirigido à comunidade médica, com a finalidade de divulgar os trabalhos desenvolvidos nas duas clínicas neurológicas de São Paulo: a clínica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e a clínica da Escola Paulista de Medicina (EPM). Segundo seus fundadores, os Arquivos de Neuro-Psiquiatria surgiram devido a uma carência de veículos científicos especializados na área, que pudessem publicar os trabalhos realizados por essas clínicas (Tolosa & Longo, 1943). Eles vêm mantendo suas publicações de forma ininterrupta. Em 1970, o periódico se tornou a revista oficial da Academia Brasileira de Neurologia (ABNEURO), ligada à Federação Mundial de Neurologia.

Definição do corpus documental

Todas as 886 entradas publicadas nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria entre 1943 e 1968 foram tabuladas em um arquivo de Microsoft Excel. A partir disso, foram utilizados os critérios de inclusão apresentados na Figura 1, i.e., inicialmente delimitou-se que os textos deveriam ser artigos originais e não qualquer outro tipo de comunicação, como, por exemplo, resenhas, comunicado de congressos, dentre outros. Em seguida, todos deveriam possuir a seção de referências bibliográficas para que fosse possível uma aproximação das referências intelectuais daqueles atores sociais. Além disso, todos deveriam ter sido escritos em português brasileiro. Além dos já citados, foi aplicado o seguinte critério de exclusão: conter, em seus títulos, elementos que os ligassem ao campo da Neurologia. Assim, ao final, 46 artigos compuseram a amostra analisada neste estudo.

FIGURA 1 

Definição de mecanismos e instrumentos de análise

As fontes foram analisadas de três formas complementares, a saber: 1) uma análise de frequência simples, de forma a organizar a distribuição de determinadas características possíveis de serialização e quantificação. A título de exemplo, aponte-se a distribuição de gênero de autores e localização geográfica, entre outros; 2) por meio de Análise de Conteúdo, com o emprego detécnicas de análise temática e categorial (Bardin, 2009) que permitiu organizar os 46 artigos em unidades de temas recorrentes, a fim de identificar o sentido das comunicações escritas nos artigos e 3) a partir do uso do software IRAMUTEQ (Ratinaud, 2009) que possibilita a realização de análises textuais a partir de similaridades de seus conteúdos por meio de algoritmos baseados na análise de redes conceituais.1 Isso permitiu aprofundar uma Análise Documental das fontes primárias, procurando extrair delas sentidos atribuídos por seus autores (Luchese, 2014).

Resultados e Discussão

Quem publicava no periódico?

Um primeiro ponto que pode ser observado é o gênero dos autores. Considerando apenas a primeira autoria, nota-se uma quase totalidade masculina (n = 45) que pode estar relacionada a um contexto geral da Medicina ter sido construída e dominada historicamente por homens no Ocidente, ao longo do século XIX e grande parte do XX (Rago, 2000). Do ponto de vista da organização de autoria, observa-se que a autoria singular foi a mais recorrente (n = 33) no recorte temporal estudado. Chama a atenção, ainda, o fato de que apenas 25 autores assinaram os 46 títulos da amostra selecionada e, dentre eles, dez autores assinaram 31 títulos, o que pode sugerir aquilo que a literatura denomina de “colégio invisível” (Meadows, 1999). Esse conceito indica que a produção e a circulação de uma ciência ocorrem de forma condensada, i.e., por meio da formação de um grupo reduzido de pesquisadores que mantiveram um alto grau de produção e comunicação entre si. Embora não se note uma comunicação entre si, a partir das fontes analisadas, percebe-se a concentração de aproximadamente 67% da produção em apenas dez pessoas.

As informações sumarizadas, na Figura 2, auxiliam na visualização da distribuição geográfica das instituições de vinculação dos autores dos artigos. As informações sumarizadas na Figura 2 auxiliam na visualização da distribuição geográfica das instituições de vinculação dos autores dos artigos elecionados. Esse tipo de distribuição pode estar relacionado a três aspectos. Primeiramente, ao passado da institucionalização da Medicina, no país. As duas primeiras escolas de medicina foram instaladas no início do século XIX (1808), na Bahia e no Rio de Janeiro. Em segundo lugar, à própria história da institucionalização da ciência brasileira. Houve maior concentração de instituições científicas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, fato que produziu, ao longo do tempo, desequilíbrios regionais da produção científica até a atualidade (Sidone, Haddad & Mena-Chalco, 2016). Muito possivelmente, essa convergência de instituições tem relação com a concentração de renda oriunda das estruturas advindas, ainda, da República Velha, mas fortalecidas na Era Vargas. Nesse cenário, houve predominância de vinculações a instituições localizadas em São Paulo (n = 24), o que pode estar ligado à motivação da criação dos Arquivos de Neuro-Psiquiatria nesse Estado, i.e., a revista atendia às necessidades da comunidade científica da região. Entretanto, não se pode afirmar que tal padrão de autoria concentrado em São Paulo se deva necessariamente a tais fatores. Estudos futuros precisariam ser realizados, sobretudo com a análise de outros veículos de informações, como, por exemplo, a revista Neurobiologia, criada em 1938 por Ulysses Pernambucano. A partir de tais estudos, poder-se-ia contrastar os padrões de autoria para, então, haver o estabelecimento de uma interpretação robusta.

FIGURA 2 Figura 2 - Autores dos artigos selecionados nos Arquivos de Neuro-psiquiatria (1943-1962) por vinculação institucional e distribuição geográfica. 

País Região Estado Instituição Frequência
Argentina Estrangeiro Estrangeiro Faculdade de Medicina da
Universidade de Buenos Aires
1
Brasil Nordeste BA Faculdade de Medicina da
Universidade da Bahia
4
Brasil Nordeste BA Sanatorio Bahia 2
Brasil Nordeste PE Faculdade de Ciencias Médicas de
Pernambuco
1
Brasil Sudeste MG Instituto Raul Soares 1
Brasil Sudeste RJ Faculdade Fluminense de Medicina 2
Brasil Sudeste RJ Colonia Juliano Moreira Rio de
Janeiro
1
Brasil Sudeste RJ Escola de Medicina e Cirurgia do Rio
de Janeiro
1
Brasil Sudeste RJ Faculdade de Medicina da
Universidade do Brasil
1
Brasil Sudeste SP Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo
13
Brasil Sudeste SP Hospital de Juqueri 8
Brasil Sudeste SP Hospital de Vila Mariana, São Paulo 1
Brasil Sudeste SP Instituto de Aposentadoria
e Pensões dos Industriários
1
Brasil Sudeste SP Manicomio Judiciário do Estado de
São Paulo
1
Brasil Sul PR Faculdade de Direito da Universidade
do Paraná
1
Brasil Sul RS Faculdade de Medicina de Porto
Alegre
2
Brasil Sul RS Clinica Pinel Porto Alegre 2
EUA Estrangeiro Estrangeiro Universidade de Loyola 2
S.R. S.R. S.R. Não apresenta instituição 1
Total 46

No que se refere aos autores ligados às instituições estrangeiras, atenta-se para os Estados Unidos da América (EUA) e a Argentina. No primeiro país, os dois nomes estavam vinculados à Universidade Loyola (Chicago): José G. Albernaz, como bolsista e Ladislas Joseph Meduna, como professor de Neurologia. Na Argentina, relaciona-se ao neuropsiquiatra Eduardo Krapf, professor adjunto da Universidade de Buenos Aires (UBA). Krapf, inclusive, é reconhecido por seu papel no desenvolvimento da Psicanálise na América Latina, além de ter sido o primeiro presidente da Sociedade Interamericana de Psicologia (SIP) (Klappenbach, 2004).

Ao se analisar o padrão de coautoria por instituições a que pertencem os autores da amostra selecionada, pode-se identificar evidências de uma colaboração científica. Esse tipo de colaboração ocorre em diferentes níveis, e.g., entre duas ou mais pessoas, entre departamentos da mesma instituição e entre diferentes instituições, entre outros. Embora a estruturação de escrita em coautoria fosse pouco frequente, na amostra a análise das relações ali estabelecidas sugere a existência de colaborações científicas de nível interinstitucional e intrainstitucional. Assim, da análise dos 46 artigos selecionados, observou-se a ocorrência de 13 artigos com mais de um autor. Observa-se que a maioria das coautorias (n= 10) ocorreu em nível interno às instituições (intrainstitucional), i.e., os autores e coautores eram ligados à mesma instituição. Dentro desse padrão, vê-se que esse tipo de colaboração apareceu, de forma mais intensa, no Hospital do Juqueri (n=3) e as demais sete ocorrências foram distribuídas entre sete instituições, a saber: FMUSP, Instituto Paulista, Instituto Raul Soares, Manicômio Judiciário do Estado de São Paulo, Sanatório Bahia, Sessão de Ortofrenia e Higiene Mental e Universidade de Loyola. Isso pode sugerir que os autores dessas instituições compartilhavam áreas de interesse correspondentes a temas em comum, dentro de uma mesma instituição.

O padrão de coautoria interinstitucional ocorreu nos três artigos restantes. Dentre elas, alguns elementos chamam a atenção. Primeiramente, um padrão regional de colaboração. Dois desses textos foram assinados por autores vinculados ao Hospital do Juqueri e ao Manicômio Judiciário do Estado de São Paulo e, o terceiro, em uma colaboração entre a Faculdade de Medicina da Bahia e a Associação Baiana de Medicina. Assim, parece que, mesmo saindo de um padrão de coautoria institucional, a presença de mais de uma instituição aparecia apenas em nível local. Em segundo lugar, os dois artigos oriundos de São Paulo apontam para certa relação dos hospitais psiquiátricos, especialmente do adoecimento mental, com o sistema criminal. Tal fato pode estar relacionado à prevalência do conceito eugenista-higienista de profissionais médicos paulistas, que acreditavam ser necessária uma política de segregação de indesejáveis, i.e., de doentes mentais e criminosos, a qual foi realizada principalmente em São Paulo dentro dos hospitais psiquiátricos (Assumpção Jr., 2003). Tais compreensões eugenistas-higienistas implicavam uma correlação entre características biológicas - sobretudo raciais - e a hierarquização social. Assim, em um cenário de modernização urbano-industrial, médicos e educadores brasileiros produziam discursos e práticas para “educar” e “sanear” os espaços urbanos. Isso se observaria, por exemplo, pela criação da Sociedade Eugênica de São Paulo em 1918, ou mesmo pelos ideários da Liga Brasileira de Higiene Mental, “órgão de doutrina e de combate (...) por onde possam enveredar, crescer e frutificar os ideais de higiene mental e eugenia” (Cupello, 2013, p. 20-21). Nesse cenário, notam-se características de um movimento profilático social que implicava medidas educacionais e sanitárias para a higienização do espaço social.

Sobre o que eles falavam?

A análise lexical do conteúdo dos 46 artigos selecionados identificou a recorrência de 114 palavras (nomes e verbos) que foram usadas, pelo menos, três vezes. A partir da observação da Figura 3, nota-se que as quatro palavras mais recorrentes nesse conjunto foram paciente, caso, forma e psicose. Esses quatro termos podem sugerir certo interesse temático em características do caso investigado, procurando definir a forma como ele se apresentava no paciente. Dentre as possibilidades diagnósticas, nota-se a psicose de forma saliente, o que poderia sugerir certa aproximação com discursos psicodinâmicos. Essa interpretação parece encontrar respaldo, quando se observam outras palavras presentes nessa mesma figura, como conflito, família, mãe, ego, entre outras.

FIGURA 3 

De acordo com alguns autores brasileiros do período, havia mudanças no rumo da Psiquiatria praticada no país, graças à influência de teorias e propostas psicodinâmicas, particularmente da Psicanálise (e.g., Arruda, 1968; Gerscovich, 1966). Nas palavras de Gerscovich (1966):

Quanto maiores conhecimentos de psiquiatria dinâmica tiver o clínico geral tanto melhor poderá tratar o paciente e melhor decidir sobre a conveniência de envia-lo a um especialista. Não há como negar que a psicanálise, como teoria, abriu um mundo novo dentro da medicina através da psiquiatria dinâmica. Seus conceitos e postulados têm sido aplicados com real sucesso, dentro da maioria das especialidades médicas. (p. 92)

Assim, a interpretação que ora se faz dos conteúdos mais frequentes, nas fontes primárias pesquisadas, parece condizer com o contexto geral da Psiquiatria, no país.

FIGURA 4 

Ainda no que se refere à análise do conteúdo dos textos, ele foi organizado em um dendograma, elaborado com base em critérios de co-ocorrência e proximidade da posição dessas palavras, nos textos. Tal dendograma sugere a existência de núcleo de palavras que expressavam temas gerais, com a seguinte distribuição: um núcleo central (Figura 5), acompanhado de dois núcleos periféricos (Figuras 6 e 7). A análise do dendograma volta a sugerir os aspectos relacionados a propostas psicodinâmicas e, em grande medida, à Psicanálise.

FIGURA 5 

FIGURA 6 

FIGURA 7 

O núcleo central (Figura 5), assim denominado por se caracterizar como um aglomerado mais denso de palavras, encontra-se articulado ao redor da palavra paciente, seguida de alguns verbos - falar - e substantivos - análise, processo e relação - que permitem algumas interpretações. Primeiramente, se se considera como referência a interpretação outrora feita sobre a Psiquiatria dinâmica e sua relação com a Psicanálise, pode-se indicar que a condição do paciente era produto de um conflito. Por exemplo,

Em 1929, Pollmow, Petow e Wittkower apresentaram um estudo crítico de 45 casos de asma brônquica tratados psicologicamente por 18 autores diferentes; a conclusão principal estabelece que “não existem dúvidas de que a psicoterapia foi favorável em muitos casos, quando os tratamentos clínicos haviam falhado” (...) Os estudos psicanalíticos permitem compreender, com relativa clareza, o modo de ação dos conflitos emocionais, nos diferentes casos de asma. (Doyle, 1946, p. 27)

Em uma análise dos conteúdos dos artigos, a partir de sua leitura, vê-se elementos que auxiliam em uma interpretação de que propostas psicodinâmicas - especialmente da Psicanálise - seriam uma contribuição aos trabalhos feitos em Psiquiatria. Isso se devia ao fato de que havia componentes psicodinâmicos nas vivências dos pacientes e, também, pelo instrumental técnico de tais propostas para cessar aqueles componentes. Outro exemplo vem do texto “Narcoanálise” (Bastos & Arruda, 1944), em que os autores destacaram o emprego da “psicanálise como meio terapêutico de eficiência indiscutível nos casos indicados” (p. 265) por psiquiatras.

Todavia, não parece que tal compreensão da Psicanálise ocorria sem conflitos. Uchoa (1950), assevera:

estamos apenas iniciando tal labor e no início da estrada defrontamo-nos com obstáculos difíceis de transpor, infundindo desânimo e pessimismo entre fortes baluartes do movimento psicanalítico. Será essa a posição justa? Poderá a psicanálise oferecer à psiquiatria alguma coisa de positivo e eficiente no campo prático da terapêutica? Assim pensamos, mas é lógico que, em se tratando de um novo campo, com novo tipo de material, entrevê-se a necessidade de fundas modificações técnicas, sem todavia nos ser possível abandonar os princípios básicos, graças aos quais foi possível à psiquiatria progredir tanto na compreensão e tratamento de pacientes neuróticos. (p. 131)

Esta reflexão de Uchoa remete ao que Buchanan (2003) sinalizou ter ocorrido com a Psiquiatria estadunidense, quando das controvérsias com a Psicologia e a Psicanálise, também na década de 1950. Nas palavras desse autor:

Psiquiatras debatiam internamente sobre a discordância quanto à importância da psicoterapia e no reconhecimento legal da Psicologia Clínica. Psiquiatras que defendiam um modelo biomédico tradicional suspeitavam da “cura pela palavra” (...) Todavia, psiquiatras psicodinâmicos, “progressistas”, argumentavam que deveria haver algum valor na cooperação com psicólogos, apesar de haver certas reservas. (p. 230; tradução nossa)

Assim, a chave-de-leitura, proposta por Buchanan (2003), auxilia a ver que, apesar de haver indícios de existir influência de propostas psico-dinâmicas, notadamente psicanalíticas, na área da Neuro-Psiquiatria que circulava naquele periódico, havia certas resistências ou, ao menos, certa desconfiança quanto ao método psicanalítico. Considerando a reflexão de Uchoa, a Psicanálise teria contribuições para a Psiquiatria, mas ela precisaria de “modificações técnicas” para não levar ao “abandono” de princípios básicos que haviam permitido ao campo “progredir.”

Caminhar do núcleo central para os dois núcleos periféricos também sugere elementos passíveis de interpretação. O primeiro núcleo periférico (Figura 6) tem como palavra central caso, ladeada por palavras como fenômeno, causa, estudar, sintoma e fator. Essa associação de termos parece remeter à relação em que o caso é estudado a partir dos sintomas apresentados pelo paciente. Esse caso apareceria a partir de fatores que poderiam auxiliar na compreensão de sua casuística como fenômeno psi. Chama a atenção o uso do termo fenômeno, que poderia aparecer apenas como uma noção relacionada ao sintoma, mas que também se vincularia a conceitos da Fenomenologia. Nesse cenário, a Fenomenologia pode ser compreendida como uma forma de contraposição aos padrões deterministas estabelecidos pela psiquiatria para as “doenças mentais” (Holanda, 1998). No Brasil, o pensamento fenomenológico apareceu no início da década de 1910, porém ganhou destaque somente a partir da década de 1940, alicerçado na tese de Nilton Campos (1945), “O método fenomenológico na psicologia”. Assim, a Fenomenologia pôde progredir no campo da Psiquiatria, a partir da apropriação de seus conceitos pela psicopatologia, com o uso da “fenomenologia descritiva” dos estados psíquicos apresentados pelos pacientes (Holanda, 2012, 2016). Apesar dessa possibilidade de interpretação, nossas fontes não nos permitiram avançar em uma compreensão da presença de aspectos da Fenomenologia, na Psiquiatria em circulação nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria. Novos estudos precisariam ser realizados a fim de se observar se a hipótese da existência de tal influência se fez válida.

O segundo núcleo periférico (Figura 7) está organizado a partir da palavra quadro, associada aos termos psicose, aspectos, diagnóstico e clínica. Essa associação de termos remete à noção de que o quadro do paciente permitiria a sua clínica, por um lado e, por outro, do diagnóstico da condição apresentada, a partir de aspectos que se manifestavam. Por exemplo, na fonte primária (Levy Junior, 1950), lê-se:

Quando, pois, em presença de uma esquizofrenia, pensar na interposição de componentes maníacos e fazer o diagnóstico de psicose mista? Devemos -- como sempre, no diagnóstico diferencial - levar em conta os seguintes elementos: 1) sintomatologia (corte transversal da psicose); 2) decurso (corte longitudinal da psicose); 3) personalidade pré-mórbida; 4) estudo heredológico. Os dois primeiros itens referem-se às manifestações mórbidas; os dois últimos fornecem os elementos de confirmação da suspeita clínica. (p. 68)

Fica assim ressaltada a grande influência positiva da percepção das cores sobre a produtividade e a qualidade das respostas. Esta diferença, a nosso ver, indica um elemento de sintonização afetiva estranho à esquizofrenia, o que viria confirmar a suspeita clínica de tratar-se, no caso, de uma hebefrenia com componentes maníacos. Essa suspeita havia sido levantada pelo fato de a excitação psicomotora, com inquietude, logorreia, risos e euforia, ter aspecto um tanto mais sintônico que o das verdadeiras esquizofrenias; particularmente suas risadas eram comunicativas, bastante simpáticas. Afora isso, o quadro mental era hebefrênico. (p. 70)

A análise do conteúdo de algumas das fontes utilizadas permite que ele vá ao encontro da Psicologia como complementação da intervenção médica, psiquiátrica. Assimilando a evidência de interesses no diagnóstico de patologias, foi possível identificar um grupo de artigos cujos autores abordaram o emprego de testes psicológicos como método auxiliar de diagnóstico. Nesse contexto, destaca-se o emprego de testes psicológicos na identificação precoce de patologias. Por exemplo, Levy Junior sinaliza o teste de Rorschach “[...] como método auxiliar de grande valor” (p. 69) para a Psiquiatria. Outro exemplo é o texto de Carvalho (1951), em que o autor, ao abordar aspectos educacionais para sujeitos com atraso no desenvolvimento intelectual, sinalizava o uso de testes como métodos de identificação preventiva a determinadas patologias (ortofrenia). Nessa seara, parece surgir uma função social da Psiquiatria e, em conjunto, de métodos psicológicos, como ferramentas do trabalho médico. Uma parte dos artigos analisados sinalizava influências higienistas-eugenistas, e.g., o uso dos métodos psicológicos - testes - permitiriam diagnósticos mais precisos e isso produziria, por sua vez, práticas segregacionistas. Fernandes e Alves Tavares (1953), dizem:

O censo de crianças desajustadas nas escolas públicas do Recife, realizado pela Secção de Ortofrenia e Higiene Mental no ano de 1951, constitui o primeiro empreendimento desta natureza entre as atividades do Departamento de Saúde Pública do Estado de Pernambuco. Cumprindo sua missão de prevenir ao invés de curar, de “conservar normal a criança normal”, mas também sem esquecer a face corretiva da Higiene Mental, a Secção de Ortofrenia estudou sob aspecto médico-psicológico. (p. 247)

Dessa maneira, os autores indicaram a existência de uma relação entre a Medicina e a Psicologia, na face corretiva da Higiene Mental. Mais especificamente, vê-se que psiquiatras empregavam os testes ora como ferramenta de diagnóstico, ora para identificar uma patologia, ora para confirmar a sua “cura”. Essa interpretação vai ao encontro de certo debate do período, qual seja: a Psicologia deveria ser um campo profissional auxiliar ao campo médico. Esse debate, inclusive, estava presente no Brasil (Pereira & Pereira Neto, 2003) e alhures (Buchanan, 2003; Klappenbach, 2000). Mais ainda, a leitura de tal material pode auxiliar na compreensão de movimentos de higienização do espaço social em uma direção potencialmente eugenista.

O que eles liam?

A descrição e análise do que aqueles autores citavam pode ajudar a hipotetizar que tipo de material eles liam e, a partir daí, observar conhecimentos psicológicos que influenciavam suas práticas. Todavia, há uma limitação na abordagem dessa informação: não era prática corriqueira, na ciência brasileira à época, fazer citações claras e estabelecer um campo “referências” (Mota & Miranda, 2017; Nunes et al., 2013). Assim, a análise que ora se faz está vinculada às 1.028 referências utilizadas nos 46 artigos que compõem o corpus documental desta investigação. Isso não permite generalizar as informações para o cenário da psiquiatria brasileira à época, mas auxilia na compreensão da influência de determinados autores e teorias sobre aquele conjunto de atores sociais que circulavam nos Arquivos da Neuro-Psiquiatria. A identificação das influências permite, ainda, conhecer como ocorreu a comunicação científica entre os autores da amostra. Dessa forma, pode-se construir um mapa que revela teorias e influências recorrentes (Moravcsik & Murugesan, 1975).

A análise das referências identificou uma característica premente, que é a prática de autocitação, i.e., o autor citar a si mesmo. A autorreferenciação pode ter como causas o egocentrismo do autor, uma tentativa de estabelecimento de reconhecimento intelectual ou estabelecer ligações com trabalhos anteriores (Aksnes, 2003). Contemporaneamente, tal prática tem sido questionada, por sugerir manipulação das métricas do fator de impacto (Bartneck & Kokkelmans, 2010). Porém, tal premissa não se aplicava à produção científica daquela época, já que os indicadores ainda não estavam presentes, no Brasil, até meados da década de 1960 (Spina França, 2002). De toda sorte, a análise dos casos de autorreferenciação indicou que a maioria dos autores que se autorreferenciaram utilizaram trabalhos anteriores sobre o mesmo assunto. Nesse contexto, destacou-se Anibal Silveira, que apresentou o maior número de autorreferências (n = 27). Indique-se, por exemplo, que, somente no artigo “Caracterização da patologia cerebral, da psicopatologia e da heredologia psiquiátrica na doutrina de Kleist”, ele referenciou 16 trabalhos anteriores de sua autoria, sobre o pensamento de Kleist. Para além deste padrão, considerando o vínculo autor-autor referenciado, nota-se que 27 autores foram referenciados por, pelo menos, três artigos publicados nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria.

Quando se visualiza o impacto desses autores referenciados, de acordo com a frequência das citações recebidas, distingue-se a centralidade de alguns nomes. Isso se torna relevante porque se presume que um autor muito referenciado seria importante por ter influenciado muitos atores sociais (Braga et al., 2014). Analisando, percebe-se que os seis autores mais citados se tornaram referência e delimitaram determinados campos do conhecimento, e.g., Sigmund Freud, Emilio Mira y Lopes e Eugen Bleuler. Além de uma análise dos autores e obras mais citados, pode-se observar o estabelecimento de vínculos entre os atores que publicaram os 46 artigos componentes de nossa amostra. Esse vínculo não necessariamente apareceria na colaboração científica, como analisou-se anteriormente, mas poderia aparecer pela proximidade havida entre dois atores, a partir de autores e obras que citavam. Essa proximidade pode ser compreendida como uma rede social (Egghe & Rousseau, 1990; Moravcsik & Murugesan, 1975), i.e., uma rede de relacionamentos e de conexões entre atores sociais. No mapeamento da rede de autores-autores referenciados, foram encontradas quatro comunidades que, no grafo representado na Figura 8, aparecem com as cores roxo, azul, verde-claro e laranja. Essas comunidades estão conectadas por referências em comum. No mesmo grafo, vê-se outras duas comunidades - em rosa e verde-escuro - que se encontram isoladas das demais, por não possuírem conexões autor-autor de referência compartilhadas com autores das demais comunidades.

FIGURA 8 

Uma aproximação ao grafo representado na Figura 8 permite observar alguns elementos de forma mais pormenorizada. Inicialmente, considerando a comunidade identificada pela cor laranja, ela é formada somente por dois autores, a saber: Bernardo Blay Neto e David Zimmerman. Eles apresentaram, como referenciais comuns, textos escritos pelos seguintes autores: Alcyon Baer Bahia, Jacob Klapmann, Louis Wender, Nathan W. Ackerman, Samuel Richard Slavson, Siegmund Heinrich Foulkes e Wilfred Ruprecht Bion. A maior parte dos trabalhos citados por Blay Neto e David Zimmerman relacionava-se à psicoterapia, merecendo destaque o uso de referências de pioneiros das técnicas de terapia de grupo, tais como: Wender, Bion, Foulkes e Slavson. Isso, provavelmente, demonstra uma ligação com o movimento de expansão teórica da terapia de grupo, ocorrido nos EUA e em diferentes países europeus, nas décadas de 1950 e 1960 (Bechelli & Santos, 2004) e que, no Brasil, estava ligado às teorias humanistas que influenciaram a Psicologia e que foram importantes na divulgação das técnicas de terapia de grupo no país (Gomes, Holanda & Gauer, 2004). Todavia, é curioso observar que os autores citados por Blay Neto e Zimmerman operavam com conceitos psicodinâmicos e, particularmente, psicanalíticos. Assim, novamente, encontra-se um filtro teórico pelo qual os conhecimentos e as práticas psicológicas passavam quando de sua apropriação por aqueles médicos. Essa prevalência por concepções psicodinâmicas também apareceu em outra parte da rede, qual seja, aquela sinalizada pela cor azul e composta por Iracy Doyle, Eduardo Krapf e Durval Marcondes. As referências de seus textos transitaram por estudos da influência das emoções sobre doenças como a asma e a hipertensão e, entre os referenciais mais comuns, identificam-se figuras importantes da Psicossomática, como Helen F. Dunbar e Edoardo Weiss. O interesse no tema psicossomático teria ocorrido a partir da década de 1940, com um dos focos no Estado de São Paulo, de acordo com a literatura (De Marco, 2003).

A influência psicodinâmica, com contornos psicanalíticos, fica ainda mais saliente quando se observam as referências que conectam os atores, identificados no grafo da Figura 8 pela cor roxa. Essa rede é composta pelos seguintes atores: Fernando de Oliveira Bastos, Marcelo Blaya, Heitor Carrilho, Tasso Ramos de Carvalho, Maurício Levy Junior, Walderedo Ismael de Oliveira, Nelson Pires, Francisco Tancredi, Napoleão Teixeira e Darcy de Mendonça Uchôa. As temáticas de interesse que advêm das referências citadas nos sugerem narcoanálise, psicoterapia, psicanálise, psiquiatria clínica, testes mentais e tratamento da esquizofrenia. Ainda ao se observar a Figura 8, observar-se-á que os pontos de conexão mais consistentes no grupo são as citações a textos de Sigmund Freud - conectando Marcelo Blaya, Maurício Levy Junior, Nelson Pires e Darcy de Mendonça Uchôa - e Eugen Bleuler - ligando Marcelo Blaya, Maurício Levy Junior, Darcy de Mendonça Uchôa, Francisco Tancredi e Walderedo Ismael de Oliveira. Chama atenção a centralidade ocupada por Emilio Mira y Lopez, autor que conectava Heitor Carrilho, Tasso Ramos de Carvalho, Nelson Pires, Francisco Tancredi e Napoleão Teixeira. Essa característica poderia chamar atenção em um primeiro momento, já que a produção do referido autor se centralizou no campo da Psicologia Aplicada ao contexto do trabalho (Jacó-Vilela & Rodrigues, 2014). Todavia, vale ressaltar que a formação inicial de Mira y Lopez foi a Psiquiatria e, ainda em solo espanhol, foi um vetor de circulação do trabalho de Freud (Roudinesco & Plon, 1998). De toda sorte, novos estudos poderiam ser produzidos de forma a compreender melhor a influência de Mira y Lopez em parte da Psiquiatria brasileira no período.

A presença de autores com referências pouco ligadas à psicodinâmica, também se fez presente em outra rede de atores, identificada pela cor verde--claro, no grafo da Figura 8. Essa rede, composta pelos autores José G. Albernaz, Antonio B. Lefèvre, José Longman, Isaías H. Melsohn, Aníbal Silveira, Roberto Tomchinsky e Spartaco Vizzotto, tem como características comuns o uso de referências que abordavam as causas de algumas patologias, tais como a afasia, a esquizofrenia e outras psicoses degenerativas. Merece destaque, ainda, a conectividade encontrada entre os autores, quando citaram uns aos outros, nas referências utilizadas por eles, i. e., a citação de textos de Aníbal Silveira por José Longman, Isaias H. Melsohn, Roberto Tomchinsky e Spartaco Vizzotto; trabalhos de K. Kleist referenciados por Isaías H. Melsohn, Aníbal Silveira, Roberto Tomchinsky, Spartaco Vizzotto e José Longman; textos de Spartaco Vizzotto citados por Isaías H. Melsohn, Aníbal Silveira, Roberto Tomchinsky e a referenciação dos escritos de J. M. Nielsen por José Longman, Spartaco Vizzoto, José G. Albernaz e Antonio B. Lefèvre. Assim, verificaram-se indícios da existência de um relacionamento intelectual consistente entre Isaías H. Melsohn, Aníbal Silveira, Roberto Tomchinsky, Spartaco Vizzotto e José Longman, com uma transição de ideias, dentro do grupo, provavelmente assinalando a existência de uma rede intelectual de relacionamento.

A falta de conectividade da comunidade formada por Ladislas J. Meduna e Gonçalves Fernandes (Figura 8 - cor verde-escuro) pode ser explicada pela utilização de referências que abordavam estudos alusivos a conceitos fisiopatológicos, afastando-se dos interesses dos autores das outras comunidades. Fenômeno semelhante foi encontrado na comunidade formada por Jarbas M. Portela (Figura 8 - cor rosa), cuja produção baseou-se em temas muito específicos, que não encontraram eco na produção de outros autores da amostra. As referências usadas por Jarbas M. Portela reportam-se ao uso de neurolépticos, no tratamento de doenças mentais por psiquiatras. Em suma, era um autor cujos referenciais teóricos diferiam dos demais.

Considerações finais

Esta pesquisa apontou para elementos que responderam às três perguntas que a direcionaram: Quem eram aqueles atores que circulavam no campo da psiquiatria? Sobre o que eles falavam? O que eles liam? A pesquisa mostrou o predomínio do gênero masculino, refletindo uma realidade social da época, quanto ao acesso restrito do gênero feminino ao meio científico no Brasil. A investigação também mostrou uma mudança nos padrões de autoria, inicialmente com autores produzindo individualmente e, gradativamente, passando a produções em coautoria, indicando uma institucionalização científica, no país, vinculada às instituições às quais pertenciam os autores. Isso se tornou visível com a pouca participação de autores ligados a instituições estrangeiras. Quanto à localização geográfica das instituições, a pesquisa apontou o predomínio das regiões Sudeste e Nordeste, podendo se justificar o fato por essas regiões terem recebido as primeiras instituições medicas e, assim, terem contribuído para a institucionalização da ciência. A predominância de São Paulo é um exemplo dessa institucionalização, uma vez que, nesse Estado, foi criado o periódico Arquivos de Neuro-Psiquiatria, como um veículo científico para divulgar a produção de duas importantes faculdades de medicina, a FMUSP e a EPM.

Foi possível identificar, também, o interesse por estudos psicodinâmicos relacionados à Psicanálise; o interesse dos autores em estudos de casos de patologias que, até então, não apresentavam uma etiologia ou terapêutica adequada ao caso, mas que eram vistas pelo viés da fenomenologia e, por fim, os testes psicológicos como ferramentas auxiliares ao diagnóstico de determinados quadros, patologias ou comportamentos. No estudo das citações, a pesquisa revelou que a autocitação estava presente em alguns autores. Em relação aos autores mais citados nas referências - e.g., Sigmund Freud, Emílio Mira y Lopes, Aníbal Silveira, Eugen Bleuer, Karl Kleist e Kurt Schneider -, percebe-se uma mescla de autores cujos fundamentos se baseavam em teorias psicodinâmicas e/ou organicistas. A pesquisa revelou, ainda, a formação de seis comunidades em torno dos autores que escreveram, no período, e das referências utilizadas por eles. Quatro delas estavam conectadas por referências comuns e duas se apresentavam isoladas das demais. Entre as que estavam conectadas, houve um interesse por técnicas psicoterápicas - especificamente a terapia de grupo - e conceitos psicodinâmicos relacionados a conceitos psicanalíticos e, por fim, a psicossomática de base psicanalítica.

Assim, pode-se dizer que os achados desta pesquisa mostraram o uso de teorias, métodos e técnicas psicoterápicas diretamente ligadas à Psicanálise, entre os autores que publicaram nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria entre as décadas de 1943 a 1962. Essa vinculação à Psicanálise, na circulação de práticas e conhecimentos psicológicos entre os autores, apontou que os embates para a profissionalização da Psicologia podem ter sido um ponto de debate entre os médicos psicanalistas (clínicos) e as pessoas que produziram intervenções clínicas, em Psicologia.

Por fim, necessita-se destacar algumas limitações metodológicas deste trabalho, como a utilização de um único periódico médico brasileiro, dentro de um recorte temporal de duas décadas. Desta maneira, a pesquisa não pode ser utilizada para a compreensão do cenário médico ou da Neuro-Psiquiatria brasileiros no período estudado. Também se ressalta que os critérios de seleção das fontes primárias, nesta pesquisa, podem ter conduzido a uma não inclusão de materiais que permitiriam uma compreensão mais acurada de como circulavam as práticas e os conhecimentos psicológicos, dentro do coletivo médico, i.e., estava presente a utilização de teorias, métodos e técnicas psicológicas ao entendimento e à terapêutica de diferentes quadros patológicos, porém nem sempre se relacionavam ao adoecimento mental. Assim sendo, outros estudos precisam ser elaborados, a fim de observar, com mais detalhes, a relação entre Psicologia, Psicanálise e Psicologia Clínica e, com isso, contribuir com elementos que clarifiquem os aspectos dos debates entre a Medicina e a Psicologia, durante o período de trâmite da Lei 4.119 (de 1962, que dispõe sobre os cursos de formação em Psicologia e regulamenta a profissão de psicólogo)

Financiamento/Funding: Este trabalho não recebeu apoio / This work received no funding.

1O IRAMUTEQ permite a produção de nuvens de palavras, redes sociais, gráficos de palavras associadas, dentre outro. Ele também permite visualizar os núcleos conceituais do desenvolvimento temático estudado a nível geral, central e periférico. Ele vem sendo amplamente utilizado para a análise de questionários abertos (de Oliveira Salvador et al., 2018; Silva Soares et al., 2018), bem como para a análise de discursos e documentos históricos (Justo & Camargo, 2014; Tomicic & Berardi, 2017).

*1Este artigo faz parte da dissertação Explorando práticas e conhecimentos psicológicos nos Arquivos de Neuropsiquiatria (1943-1962) produzida pela primeira autora, sob orientação do último autor. A pesquisa foi realizada junto ao Grupo de Estudos e Pesquisas em História da Psicologia (GEPeHP) da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), e a dissertação dela derivada foi defendida junto ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia dessa instituição em 2019.

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Recebido: 05 de Julho de 2019; Revisado: 04 de Setembro de 2019; Aceito: 19 de Setembro de 2019

Editora/Editor: Profa. Dra. Ana Maria Galdini Raimundo Oda

Conflito de interesses/Conflict of interest: Os autores declaram que não há conflito de interesses / The authors declare that there is no conflict of interest.

Marciana Vieira de Souza Xavier

Mestre em Psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Católica Dom Bosco - UCDB (Campo Grande, MS, Br)

marcianaxavier@gmail.com

https://orcid.gov/0000-0003-3261-6566

André Barciela Veras

Doutor em Psiquiatria pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ (IPUB-UFRJ) (Rio de Janeiro, RJ, Br); Professor do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Católica Dom Bosco - UCDB (Campo Grande, MS, Br); Professor do curso de Medicina da Universidade do Estado de Mato Grosso do Sul - UEMS (Campo Grande, MS, Br).

barcielaveras@hotmail.com

nttps://orcid.gov/0000-0002-4986-7639

Michel Constantino

Doutor em Economia pela Universidade Católica de Brasília - UCB-DF (Brasília, DF, Br); Professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Local da Universidade Católica Dom Bosco - UCDB (Campo Grande, MS, Br).

michel@ucdb.br

https://orcid.gov/0000-0003-2570-0209

Fernando Andrés Polanco

Doutor em Psicologia pela Universidad Nacional de San Luis - UNSL (San Luís, Argentina); Professor do Programa de Graduação e Pós-Graduação em Psicologia e Ciências da Educação da mesma Universidade.

fernandoapolanco@gmail.com.

https://orcid.gov/0000-0003-4182-3655

Rodrigo Lopes Miranda

Doutor em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG (Belo Horizonte, MG, Br); Professor do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Católica Dom Bosco - UCDB (Campo Grande, MS, Br).

Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Católica Dom Bosco - UCDB Av. Tamandaré 6000, Jd. Seminário

79117-010 Campo Grande, MS, Br

rlmiranda@ucdb.br

https://orcid.gov/0000-0003-3222-7368

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