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Revista de Nutrição

Print version ISSN 1415-5273On-line version ISSN 1678-9865

Rev. Nutr. vol.20 no.6 Campinas Nov./Dec. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-52732007000600002 

ORIGINAL ORIGINAL

 

Estado nutricional e práticas alimentares de trabalhadores acidentados1

 

Nutritional status and dietary practices of injured workers

 

 

Maria Angélica Tavares de MedeirosI, * ; Ricardo CordeiroII; Lia Thieme Oikawa ZangirolaniII; Rosa Wanda Diez GarciaIII

IIPontifícia Universidade Católica de Campinas, Centro de Ciências da Vida, Faculdade de Nutrição. Campus II, Prédio Administrativo, Av. John Boyd Dunlop, s/n., Jardim Ipaussurama, 13060-904, Campinas, SP, Brasil
IIIUniversidade Estadual de Campinas, Faculdade de Ciências Médicas, Departamento de Medicina Preventiva e Social. Campinas, SP, Brasil
IIIUniversidade de São Paulo, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Departamento de Clínica Médica. Ribeirão Preto, SP, Brasil

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Identificar o estado nutricional e as práticas alimentares de trabalhadores acidentados de Piracicaba, SP.
MÉTODOS: Estudo transversal com 600 trabalhadores acidentados, atendidos em um dos 8 serviços especializados do município, entre maio e outubro de 2004. Foram caracterizados a situação socioeconômica, ocupacional, as práticas alimentares e o estado nutricional (peso, altura e circunferência de cintura), verificando médias e desvio-padrão.
RESULTADOS: Os acidentados eram, fundamentalmente, homens (87,33%), operários (55,17%), com idade média de 33 anos. A maioria se inseria no mercado formal (84,17%), em turno diurno fixo (91,00%), e 55,33% possuía trabalho fixo. Aproximadamente a metade deles apresentou sobrepeso (28,26%) ou obesidade (17,89%), sendo maior nos que referiam pouco esforço físico no trabalho (54,90%). Quase 1/3 dos trabalhadores tinha a circunferência da cintura aumentada, indicando risco cardiovascular. O benefício alimentação atendia a 85,33% dos entrevistados. Predominou, na rotina alimentar, a realização de duas grandes refeições, almoço (95,67%) e jantar (94,83%); 24,16% não ingeriam o desjejum diariamente, e 37,50% consumiam alimentos entre as grandes refeições. O arroz e o feijão eram consumidos, diariamente, por 98,67%, as carnes por 90,33% e os farináceos por 81,50%. Os laticínios compunham a alimentação diária de 63,33% dos trabalhadores; 55,17% consumiam verduras e/ou legumes diariamente e 32,67%, frutas. Em contrapartida, 53,00% mencionaram consumo diário de doces e refrigerantes e 38,67% de frituras e salgadinhos.
CONCLUSÃO: A alta prevalência de excesso de peso e os aspectos poucos saudáveis das práticas alimentares corroboram a tendência atual de aumento dessa doença, portanto, uma maior atenção a essas questões deve ser dada no tocante à vigilância à saúde dos trabalhadores.

Termos de indexação: acidentes de trabalho; estado nutricional; estudos transversais; inquéritos nutricionais; programas e políticas de nutrição e alimentação; saúde do trabalhador.


ABSTRACT

OBJECTIVE: To identify the nutritional status and dietary practices of injured workers of Piracicaba, São Paulo, Brazil.
METHODS: Cross-sectional study with 600 injured workers seen at one of the 8 specialized centers of the city, between May and October 2004. The socioeconomic and occupational status, dietary practices and nutritional status (weight, height, waist circumference) were characterized, recording the means and standard deviation.
RESULTS: The injured workers were mostly male (87.33%) factory workers (55.17%) with a mean age of 33 years. Most were formally employed (84.17%) in a fixed day shift (91.00%) and 55.33% had a fixed job. Nearly half of them were overweight (28.26%) or obese (17.89%) and excess weight was more common among those whose work required little physical activity (54.90%). Almost 1/3 of the workers had increased waist circumference, indicating cardiovascular risk. Most of the workers (85.33%) had access to the worker's food program. Most of them had two large meals daily, lunch (95.67%) and dinner (94.83%). Some (24.16%) did not have breakfast and some (37.50%) had snacks in between meals. Rice and beans were consumed daily by 98.67% of the workers, meats by 90.33%, starchy foods by 81.50%, dairy by 63.33%, vegetables by 55.17% and fruits by 32.67%. On the other hand, 53.00% reported consuming sweets and sodas daily and 38.67% reported eating fried and salty snacks daily.
CONCLUSION: The high prevalence of excess weight and the not very healthy aspects of their dietary habits corroborate to the current trend of increasing obesity rates, therefore more attention needs to be given to issues regarding health surveillance of workers.

Indexing terms: accidents, occupational; nutritional status; cross-sectional studies; nutrition surveys; nutrition programmes and policies; occupational health.


 

 

INTRODUÇÃO

Os acidentes do trabalho têm sido objeto de preocupação de pesquisadores e técnicos do campo da saúde coletiva no Brasil, como um problema de dimensões epidemiológicas. A precariedade do sistema de informações e a subnotificação, somadas às recentes mudanças no mundo do trabalho, como a desregulamentação e a crescente informalização do emprego, são alguns dos aspectos que evidenciam as dificuldades no trata-mento dessa temática1,2.

A investigação das causas de acidentes do trabalho é matéria igualmente complexa, por se inserir na arena dos conflitos entre capital e trabalho, e envolver riscos de diversas naturezas relacionados, não apenas ao ambiente de trabalho, bem como ao meio ambiente mais geral e aos conflitos sociais.

Um dos aspectos que podem interferir na ocorrência de acidentes diz respeito à alimentação do trabalhador que, para o exercício de suas funções, requer a satisfação de suas necessidades nutricionais. A influência do trabalho no estado nutricional e nas práticas alimentares tem sido investigada sob diferentes perspectivas.

Na literatura registram-se abordagens acerca dos efeitos do trabalho em turnos sobre a ingestão nutricional, como o estudo de Lennernas et al.3 que, examinando a influência do trabalho rotativo em três turnos sobre a distribuição cicardiana do consumo alimentar e os níveis de colesterol, de trabalhadores da indústria na Suécia, constataram que refeições do período noturno se relacionaram com níveis de colesterol sérico total mais elevados, apesar da menor ingestão identificada naqueles turnos. Na mesma direção, Assis et al.4, estudando a ingestão dietética de traba-lhadores da coleta de lixo de três turnos, em Santa Catarina, Brasil, verificaram consumo energético maior entre os trabalhadores noturnos, destacando que a carne foi o alimento que mais contribuiu para o aporte energético dos trabalhadores, nos três turnos. Por outro lado, Sudo & Ohtsuka5, em pesquisa com trabalhadoras de uma fábrica de computadores no Japão, concluíram que o trabalho noturno condicionou uma menor ingestão de energia e de nutrientes em geral.

No Brasil, há vários estudos sobre o padrão de consumo alimentar em diferentes perfis de trabalhadores. Pesquisa com metalúrgicos do Rio de Janeiro, relacionando hábitos alimentares, estado nutricional e prática de atividade física, identificou prevalência elevada de sobrepeso nessa população6. Costa et al.7 encontraram associação positiva entre práticas alimentares, caracterizadas pelo consumo elevado de gorduras, e sobrepeso em trabalhadores do pólo petroquímico de Camaçari, BA.

Muito embora a discussão sobre questões alimentares e nutricionais relativas ao trabalho esteja presente na literatura, sua vinculação com acidentes do trabalho parece pouco estudada.

Segundo o princípio de que a vigilância à saúde dos trabalhadores deve contemplar a atenção aos aspectos nutricionais e alimentares, este artigo tem por objetivo caracterizar o estado nutricional e as práticas alimentares de trabalhadores acidentados atendidos em serviço de referência no município de Piracicaba, SP.

 

MÉTODOS

Este trabalho é um desdobramento da investigação "Diagnóstico e Controle de Acidentes do trabalho em Piracicaba" (DIATEP), desenvolvida entre março de 2002 e março de 2005, que se propôs a identificar, por meio de estudo epidemiológico de base domiciliar, a incidência de acidentes do trabalho no município nos setores formal e informal da economia, procurando, assim, estimar a subnotificação desses agravos8.

Os dados aqui analisados foram coletados no Centro de Ortopedia e Traumatologia de Piracicaba (COT), serviço que responde por 42% dos acidentes do trabalho que demandam assistência médica naquele município, constituindo-se em referência no atendimento de traumas9.

Durante todos os dias úteis, compreendidos entre maio e outubro de 2004, foram entrevistados todos os acidentados do trabalho que deram entrada no referido serviço. Duas nutricionistas, que receberam capacitação quanto à aplicação dos questionários e à padronização das medidas antropométricas, entrevistaram os trabalhadores acidentados, sob supervisão dos pesquisadores.

Como critérios de inclusão no estudo foram consideradas as seguintes condições: que durante o atendimento, e a eventual internação, os traba-lhadores acidentados se apresentassem clinicamente habilitados a responder a um questionário; e que concordassem em participar do estudo, mediante assinatura de termo de consentimento livre e esclarecido.

Ao darem entrada no COT, os trabalhadores acidentados, que concordaram em participar da pesquisa, tiveram a glicemia capilar aferida, com a intenção de identificar eventual estado de hipoglicemia, que poderia contribuir para a ocorrência do acidente. Na seqüência, os participantes responderam a um questionário indagando sobre condições ocupacional e socioeconômica, características do acidente sofrido e sobre as práticas alimentares. Informações referentes a esforço no trabalho, ganho ou perda de peso recentes e sua interferência no trabalho, bem como à presença de diabetes e hipertensão arterial, foram coletadas. Foi também verificado o estado nutricional dos entrevistados.

A identificação do tipo de ocupação foi feita de acordo com a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO)10.

Em relação à situação trabalhista, os acidentados foram questionados quanto à inserção no mercado de trabalho, se formal ou informal; se possuíam local fixo de trabalho; sobre a jornada de trabalho diária em horas; os dias trabalhados por semana; o número de horas extras semanais; o tempo de início da ocupação atual e o tipo de turno de trabalho (diurno fixo, alternado, noturno fixo e misto). Foram ainda investigados os tipos de vínculo, se empregado típico, autônomo, doméstico, servidor público, bico, proprietário, estagiário ou temporário.

Para a verificação dos níveis de escolaridade foram definidos os seguintes critérios: escolaridade baixa, correspondendo a menos de 5 anos; escolaridade média, de 5 a 11 anos, e escolaridade alta, compreendendo mais de 11 anos de estudo formal. O esforço no trabalho foi classificado com base nos critérios da Food and Agricultural Organization (FAO)11.

Para a classificação do estado nutricional foram aferidas medidas de peso e altura, para cálculo do índice de massa corporal (IMC), e de circunferência de cintura, para estimativa de risco de doenças cardiovasculares, segundo critérios da Organização Mundial de Saúde12. A aferição do peso foi feita com o uso de balanças de 150kg, com precisão de 0,05kg. As pessoas foram pesadas descalças e vestindo roupas leves. A estatura foi verificada utilizando-se estadiômetros fixados em superfície plana (parede sem rodapés), os trabalhadores foram posicionados de forma ereta, tocando a parede em cinco pontos (calcanhares, panturrilhas, glúteos, ombros e cabeça), e com o olhar voltado para a linha do horizonte. A circunferência de cintura foi obtida mediante a utilização de fita métrica inelástica, posicionada no ponto médio entre a crista ilíaca e a última costela, e a leitura foi feita no momento de expiração12. Foram obtidas três medidas e calculada a média entre elas.

O estudo qualitativo das práticas alimentares dos trabalhadores acidentados buscou identificar a estrutura da alimentação (características das refeições ou das tomadas alimentares), investigando a regularidade e a freqüência de refeições e o consumo de alimentos por grupos13, por meio de um questionário fundamentado no que se considera como a dieta padrão dos brasileiros, na qual o arroz e o feijão são os alimentos básicos das grandes refeições, almoço e jantar; complementados por vegetais e/ou carnes14. O instrumento elaborado (Anexo) continha questões abertas e fechadas, enfatizando tipos e número de refeições consumidas diariamente. A existência de usufruto de programa de alimentação (Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT) por parte dos trabalhadores foi também averiguada.

Foi realizada uma análise exploratória dos dados, para a qual se utilizaram modelos estatísticos freqüentistas, verificando medidas de posição central e de dispersão (médias e desvios-padrão - DP).O tratamento dos dados foi feito como o auxílio do programa estatístico The SAS System for Windows versão 8.0.

O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de Botucatu, da Universidade Estadual Paulista - UNESP/Botucatu (processo nº 445/2004 - CEP).

 

RESULTADOS

Foram analisados 600 trabalhadores acidentados, a maior parte do sexo masculino (87,33%), com 33 anos de idade, em média, variando entre 15 e 60 anos (DP=11 anos) e apresentando escolaridade média de 7,7 anos (DP=3,19). Quanto à ocupação, verificou-se uma maior presença de trabalhadores na condição de operários (55,17%). Observa-se, na Tabela 1, uma grande concentração de acidentes entre trabalhadores jovens, já que 42,51% deles ocorreram na faixa de 20 a 29 anos.

 

 

As causas imediatas dos acidentes se relacionaram, mais freqüentemente, a máquinas e equipamentos (23,67%), a quedas de objetos (23,67%) e a esforço excessivo ou peso (13,00%).

As lesões decorrentes disso foram agrupadas em contusões (46,67%), entorses (14,83%), ferimentos corto-contusos (10,33%) e fraturas (9,00%), tendo como partes atingidas do corpo as mãos (36,50%), os pés (18,50%), os membros superiores (14,67%) e inferiores (14,00%) e a coluna (9,33%).

Os entrevistados, em sua maioria, pertencem ao mercado formal (84,17%), são trabalhadores típicos (86,00%) e 55,33% deles têm trabalho fixo, em turno, predominantemente, diurno fixo (91%), perfazendo uma jornada diária média de 9 horas (DP=1,5 horas) e cumprindo uma média de 4 horas extras de trabalho semanais (DP=7) (Tabela 1).

O exame da distribuição dos trabalhadores acidentados segundo a escolaridade mostrou uma maior freqüência naqueles com nível médio, correspondendo a 67,2% da amostra. Os trabalhadores com idades mais avançadas, em média 39,9 anos (DP=11,5), apresentaram grau de instrução mais baixo. A média de idade daqueles com nível alto de escolaridade foi de 31,5 anos (DP=9,4) e a dos com escolaridade média foi de 29,5 anos (DP=9,4).

No que se refere ao tempo de início da ocupação sob a qual os trabalhadores foram vitimados pelo acidente, detectou-se uma média de 4,06 anos (DP= 8,3). Observada relativamente à escolaridade, os que referiram menor grau exibiram uma média maior de anos do início da ocupação (5,35 anos, DP=7,96).

A duração média da jornada de trabalho foi de 9 horas (DP=1,5), sendo menor nos acidentados com nível de escolaridade alta (7,7 horas, DP=1). Para os de baixa e média escolaridade não houve variação na duração da jornada de trabalho (9,2, DP=1,6 e 9,1, DP=1,4, respectivamente). O mesmo se observou em relação à média de horas extras trabalhadas por semana (4,1 horas, DP=7,6 horas), também menor para aqueles com alta escolaridade (2,9, DP=7 horas), comparativamente aos demais (baixa escolaridade, 4,4 horas, DP=8,8, e média escolaridade 4,1, DP=6,9 horas extras trabalhadas).

Foram identificados sobrepeso em 28,26% e obesidade em 17,89% dos trabalhadores acidentados (Tabela 2). Risco (moderado e alto) de doenças cardiovasculares foi encontrado em 29,43% da população estudada.

 

 

Ao serem indagados sobre mudança de peso nos últimos 12 meses, 53,00% (n=318) dos entrevistados relataram ganho ou perda de peso nesse período, conforme mostra a Tabela 2. Desses, 189 (59,43%) trabalhadores afirmaram ganho de peso, e o maior percentual ocorreu entre aqueles com sobrepeso, que ganharam, em média, 7,64kg (DP=17,38). Entretanto, chama a atenção o fato de os eutróficos também terem ganhado peso no período de um ano e, ainda, a média alta de ganho nos trabalhadores com obesidade de graus I e II (Tabela 3).

 

 

De acordo com a Tabela 3, os valores médios de glicemia capilar se situaram na faixa de normalidade, embora se possa constatar um gradiente consistentemente crescente ao transitar da condição de eutrofia para a de obesidade II.

O IMC foi considerado em relação ao nível de esforço despendido no trabalho, tendo-se observado que o sobrepeso ou a obesidade atingiram 54,92% dos que faziam pouco esforço, contra 42,06% dos que referiram atividades de esforço médio e 45,42% dos que despendiam muito esforço. Essas diferenças, contudo, não se mostraram estatisticamente significantes (Tabela 4).

 

 

Da pesquisa sobre o benefício alimentação (PAT) constatou-se que a maioria dos entrevistados (85,33%) referiu receber algum auxílio. O percentual de recebimento desse benefício, analisado segundo nível de escolaridade, não diferiu entre trabalhadores com escolaridade alta (73,77%) e média (72,04%), mas foi menor nos de baixa escolaridade (61,24%).

O consumo de bebidas alcoólicas foi referido por pouco mais da metade da população entrevistada (58,17%), sendo que a cerveja foi a bebida com maior freqüência de relatos (92,26%, considerando n=349). A média de consumo foi de 1,77 doses (DP=2,69) e o número de vezes por semana apresentou média de 1,17 (DP=1,52). O hábito de fumar foi mencionado por 32,17% (193) dos acidentados, perfazendo 7,73 cigarros diários, em média (DP=11,31). Declarados como ex-fumantes se encontraram 13,17% (79) da amostra.

Os trabalhadores foram, ainda, indagados se eram portadores de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão arterial. Somente 17 (2,83%) responderam ter diagnóstico clínico de diabetes, distribuídos, de acordo com o estado nutricional, como segue: 7 (41,8%) trabalhadores com sobrepeso, 6 (35,29%) com obesidade I, 02 (11,76%) com obesidade II e 2 eutróficos (11,76%).

Já a hipertensão arterial foi referida por 59 (9,83%) entrevistados, acometendo 25 (42,37%) acidentados com sobrepeso, 14 (23,73%) com obesidade I, 10 (16,95%) com obesidade II e 10 (16,95) eutróficos.

No que tange às práticas alimentares, a maioria dos trabalhadores afirmou realizar as duas grandes refeições, almoço (95,67%) e jantar (94,83%), porém 24,16% deles disseram não tomar café da manhã diariamente. Boa parte dos sujeitos almoçava no próprio local de trabalho, seja levando comida de casa (29,67%), seja porque ali se fornecia refeição (34,33%). Apenas 4% referiram comer lanche no horário do almoço, em substituição a uma refeição típica. O jantar, por sua vez, era consumido, geralmente, em casa (89,17%), já que são trabalhadores cujo turno é, na maior parte, diurno, conforme o mencionado. Nesse caso, observou-se, também, o predomínio de refeição típica (85%) no lugar de lanches.

O consumo de alimentos entre as principais refeições (café da manhã, almoço e jantar) foi mencionado por somente 37,5% dos sujeitos.

Constatou-se um consumo diário de verduras ou legumes por 55,17% dos trabalhadores, e de frutas por 32,67%. Já o hábito de ingerir diariamente arroz e feijão, combinação típica da dieta do brasileiro, foi referido por 98,67%, e o de alimentos classificados como pães e farináceos, por 81,50%. O leite e seus derivados também eram consumidos diariamente por mais da metade dos trabalhadores (63,33%) e as carnes por 90,33%. Por outro lado, 53% mencionaram prática de consumo diário de doces e refrigerantes e 38,67% de frituras e salgadinhos (Tabela 5).

 

 

DISCUSSÃO

A idéia central deste trabalho foi descrever o perfil social, ocupacional e nutricional de trabalhadores acidentados de Piracicaba, sendo esta uma etapa preliminar relevante para o aprofundamento do processo analítico em estudos epidemiológicos.

Foi encontrada uma maior proporção de incidência de acidentes em adultos jovens do sexo masculino, o que vai ao encontro do perfil de aci-dentados em Piracicaba, verificado em estudos anteriores8,9, coincidindo, ainda, com os dados de investigações em outros municípios brasileiros15, o que sugere que esse tipo de agravo ocorre, provavelmente, em ocupações predominantemente masculinas.

A existência de 59,72% de operários entre os acidentados parece indicar maior risco de sofrer acidentes no setor industrial. Registros recentes sobre a distribuição de acidentes do trabalho em Piracicaba, por ramo de atividade, com base nas estatísticas oficiais (Comunicação de Acidentes de Trabalho - CAT), contabilizaram 52,10% de ocorrências no setor da indústria, apesar da alta incidência também identificada no setor de ser-viços (47,00%)9. O achado do atual estudo chama a atenção, frente às mudanças no mundo do trabalho, com o crescimento vertiginoso do setor de serviços e a retração do setor industrial no País. Ainda que estejam em discussão resultados de um estudo epidemiológico de base hospitalar, a expressiva proporção de acidentes do trabalho localizada no setor secundário da economia poderia falar em favor da importância econômica do município de Piracicaba. Todavia, estudos mostram que, malgrado o encolhimento industrial, esse setor ainda produz índices mais elevados de acidentes do trabalho16, possivelmente, por concentrar maiores riscos.

Embora os trabalhadores, em sua maioria, pertençam ao mercado formal (84,17%) e possuam trabalho típico (86,00%), somente 55,33% disseram ter trabalho fixo. Ou seja, a provável mobilização dos mesmos é mais um dado que reflete o cenário atual das condições de trabalho. A reestruturação produtiva, iniciada na década de 80 e acentuada nos anos 90, além de levar a um deslocamento da capacidade de absorção de mão-de-obra do setor secundário da economia para o terciário, e expandir as ocupações no segmento não-organizado do mercado de trabalho, estabeleceu novas formas de contratação, ampliando o trabalho temporário17.

Outra questão que pode ser pensada a partir deste resultado, de 55% de acidentados no setor formal, diz respeito à subnotificação dos agravos com trabalhadores informais, que chegam aos serviços sem o registro da CAT. Nesse sentido, a proposição de um sistema de vigilância, cujo ponto de partida foi implantar o Relatório de Atendimento ao Acidentado do Trabalho (RAAT), como produto da pesquisa DIATEP, anteriormente citada, faculta o registro de ocorrências dos setores formal e informal da economia. O RAAT vem cumprir, portanto, papel fundamental na superação da subnotificação, uma vez que foi implantado em todos os oito serviços de referência de atendimento de acidentados do trabalho de Piracicaba, formados por cinco pronto-socorros municipais e três hospitais privados8.

Em que pese a baixa freqüência de diabetes e hipertensão arterial referida pela população alvo, certamente, expondo os limites do método de coleta dessas informações, não se pode esquecer que as mesmas compõem o quadro de complicações metabólicas favorecidas pelo excesso de peso. Recentemente, em investigação com metalúrgicos de São Paulo identificou-se uma prevalência de 24,7% de hipertensão e de 11,5% de diabetes. O IMC, a hipercolesterolemia e a hipertrigliceridemia apresentaram associação positiva com essas enfermidades18.

Em relação à política de alimentação para o trabalhador, 85,33% dos entrevistados eram beneficiados, conforme o esperado, uma vez que a grande maioria pertencia ao mercado formal, e a cobertura desse benefício se circunscreve a esse setor. Verificou-se, também, que o acesso ao PAT para os trabalhadores com menor escolaridade foi bem inferior, relativamente àqueles com maiores níveis, o que coincide com outros estudos19,20.

Quanto ao tipo de benefício alimentação recebido, mais da metade dos trabalhadores (58,78%) deste estudo tem acesso às modalidades vale-refeição/alimentação e cesta de alimentos, o que se aproxima da proporção nacional. A cobertura do PAT no País, é de 9.329.234 trabalhadores, dos quais 12,25% são beneficiados por serviços de alimentação próprios do local de trabalho; 18,56% recebem alimentação de serviços terceirizados e 4,20% recebem refeições transportadas (marmita). A proporção de trabalhadores beneficiados por cesta de alimentos é de 17,08%, sendo que 22,07% têm acesso a tíquete refeição e 25,83% a tíquete alimentação, totalizando, estas três últimas modalidades, 64,98%21.

Observou-se uma expressiva prevalência de excesso de peso entre os trabalhadores acidentados (em torno de 46%, somando sobrepeso e obesidade), confirmando a tendência atual de aumento desse agravo entre adultos. Resultado semelhante foi encontrado por Savio et al.20 que, em estudo transversal, com 1.044 usuários do PAT do Distrito Federal, encontraram excesso de peso em 43% deles.

Quando se localiza risco de doenças cardiovasculares, de moderado a alto, em 29,4% da população alvo, tem-se mais um indício de uma situação merecedora de cuidado. A constatação de uma média alta de ganho de peso nos últimos 12 meses, entre os acidentados (4,91), especialmente considerando que são adultos jovens, reitera a necessidade de vigilância.

Por outro lado, a relação entre esforço no trabalho e estado nutricional, ainda que, à primeira vista, sugira que quanto maior o esforço mais próximo da eutrofia se encontra o IMC, pode falar em favor de diferenças na composição corporal dos dois segmentos de trabalhadores, os que fazem um esforço médio e os com grande esforço no trabalho. Ou seja, mesmo apresentando um IMC menor que aqueles mais sedentários no trabalho, o valor do IMC dos que fazem maior esforço pode corresponder a uma massa muscular mais desenvolvida.

O crescimento da obesidade é um fenômeno contemporâneo, que afeta populações de países desenvolvidos ou não, e se relaciona com mudanças de diversas naturezas, envolvendo automação crescente do mundo da produção, novos padrões e comportamentos alimentares, influenciados pelo crescimento da indústria de alimentos, pelo ritmo urbano dos fast food e, até mesmo, pela patente violência urbana que invade o cotidiano, obrigando as pessoas a exercer cada vez menos atividades que consomem energia, como ir a pé ao trabalho ou se deslocar com os próprios pés.

No caso brasileiro, estudos relatam a tendência crescente da obesidade, em adultos e crianças, ao longo das últimas décadas22, que acompanha o aumento da prevalência de doenças crônicas, como hipertensão arterial e diabetes. Pesquisas realizadas com trabalhadores beneficiados pelo PAT18,23 corroboram essa constatação.

Estudos internacionais com trabalhadores têm, igualmente, encontrado elevados índices de obesidade, inseridos no cenário geral de doenças crônicas não transmissíveis3,5,24.

Quanto às práticas alimentares dos trabalhadores acidentados, a preservação das duas grandes refeições, almoço e jantar, conforme os resultados, sinaliza para a manutenção do consumo de preparações que podem contribuir para uma alimentação saudável, exceto pelos acrés-cimos que estão incorporados. Cotejando estes resultados com o estudo qualitativo da freqüência alimentar, verifica-se que o predominante, nas grandes refeições, é a mistura arroz e feijão, acrescida da carne, compondo a refeição de mais de 90% dos trabalhadores. Tal dado foi também descoberto em estudo que avaliou o almoço servido a usuários do PAT do Distrito Federal20, o que fala em favor da permanência de um padrão de dieta típico do brasileiro.

Os vegetais também estão presentes na alimentação dos entrevistados, todavia, para um pouco mais da metade. Por sua vez, as frutas fazem parte da rotina alimentar de apenas um terço dos trabalhadores, ou seja, parecem não ser alimentos tão valorizados e/ou incorporados à alimentação cotidiana. Tais achados se aproximam dos valores identificados em estudo recente, que verificou um consumo diário de vegetais de adultos brasileiros de 41% sendo um percentual ainda menor, 30%, de consumo de frutas25.

Em contrapartida, os refrigerantes expandiram sua participação na mesa dos trabalhadores, pois 53% o consomem diariamente, o que tem sido demonstrado em pesquisas de consumo alimentar14,22. Refeições à base de frituras e salgadinhos também têm expressiva participação, considerando que seu consumo diário alcança quase 40% do grupo estudado. Pode-se supor que, mesmo mantendo algumas práticas alimentares tradicionais, consideradas saudáveis, o acréscimo energético advindo de itens como refrigerantes, salgadinhos e de preparações que utilizam muito óleo, como as frituras, justificaria a alta prevalência de sobrepeso ou obesidade entre os trabalhadores acidentados.

Levy-Costa et al.26, ao investigarem a distribuição domiciliar de alimentos no Brasil, a partir dos dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) de 2002-2003, verificaram que o grupo formado por legumes, verduras e frutas contribui com apenas 2,3% do valor energético total da dieta dos brasileiros, enquanto que os alimentos essencialmente energéticos, incluindo as gorduras, os refrigerantes e o açúcar, representam 28,0%.

A supressão do desjejum por 24,17% dos trabalhadores merece destaque, e como desdobramento deste trabalho, será possível investigar se a freqüência mais baixa de desjejum não se relacionaria com os acidentes do trabalho nesta população. Atenção deve ser dada, também, ao fato de 62,50% dos trabalhadores não se alimentarem entre as grandes refeições, já que o fracionamento da dieta constitui medida preventiva da obesidade.

O consumo de álcool pelos trabalhadores talvez tenha sido subestimado, dadas as circunstâncias em que foram coletados os dados desta pesquisa (no momento do atendimento médico ao acidentado), que podem ter inibido as respostas. Essa foi uma dificuldade também relatada em estudo com metalúrgicos do Rio de Janeiro6.

A reflexão sobre as práticas alimentares, à luz da referência de ganho de peso recente pelos sujeitos avaliados, configura um alerta para os formuladores de políticas de alimentação e nutrição voltadas aos trabalhadores. Indica que esta população está ganhando peso, tanto os eutróficos como os que já apresentam excesso. Em outras palavras, pode-se dizer que estes trabalhadores ou estão a caminho do excesso de peso ou mesmo agravando seu estado de sobrepeso ou obesidade, o que revela a necessidade de investimentos em medidas preventivas.

 

CONCLUSÃO

Ainda que os trabalhadores acidentados preservem rotinas alimentares estruturadas, naquilo que se considera como o padrão dietético dos brasileiros, o que favoreceria uma alimentação balanceada, a interferência de práticas pouco saudáveis, com a ingestão de alimentos mais energéticos, é objeto de cuidado, sobretudo quando se constata uma alta prevalência de sobrepeso ou obesidade. Portanto, a vigilância à saúde dos trabalhadores deve contemplar a atenção aos aspectos nutricionais, sendo necessário investir em programas de educação alimentar preventivos da obesidade, e que também incentivem a prática do desjejum pelos trabalhadores, buscando implementar, ainda, outras tomadas alimentares no meio do dia sem, todavia, aumentar o consumo energético.

COLABORADORES

M.A.T. MEDEIROS participou da concepção do trabalho, da análise e da discussão dos resultados. R. CORDEIRO coordenou a pesquisa e participou da análise e da discussão dos resultados. L.T.O. ZANGILORANI participou da análise dos resultados e da discussão. R.W.D. GARCIA participou da concepção do trabalho e da discussão dos resultados.

AGRADECIMENTOS

Ao apoio financeiro concedido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Às nutricionistas Aline Maria Guizo, Kelly Cristina Coan e Rafaela Rossi Francisco, pelo apoio na coleta de dados.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido em: 4/5/2007
Versão final reapresentada em: 16/10/2007
Aprovado em: 31/10/2007

 

 

* Correspondência para/Correspondence to: M.A.T. MEDEIROS. E-mail: <angelicamedeiros@puc-campinas.edu.br>
1 Artigo elaborado a partir da tese de M.A.T. MEDEIROS, intitulada "Riscos alimentares e nutricionais para acidentes do trabalho em Piracicaba, SP, Brasil". Universidade Estadual de Campinas; 2007. Apoio: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp, processo nº 00/13719-3).

 

 

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