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Revista de Nutrição

Print version ISSN 1415-5273On-line version ISSN 1678-9865

Rev. Nutr. vol.21 no.5 Campinas Sept./Oct. 2008

https://doi.org/10.1590/S1415-52732008000500001 

ORIGINAL ORIGINAL

 

Tratamento da anemia ferropriva com ferro quelato glicinato e crescimento de crianças na primeira infância1

 

Treatment of iron deficiency anemia with iron bis-glycinate chelate and growth of young children

 

 

Luciana Cisoto RibeiroI; Dirce Maria SigulemII

IUniversidade de São Paulo, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Departamento de Medicina Social. Campus USP, Av. Bandeirantes, 3900, Monte Alegre, 14049-900, Ribeirão Preto, SP, Brasil. Correspondência para/Correspondence to: L.C. RIBEIRO. E-mail: <lcisoto@fmrp.usp.br>
IIUniversidade Federal de São Paulo, Curso de Pós-Graduação em Nutrição. São Paulo, SP, Brasil

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Avaliar a resposta à suplementação diária com ferro quelato glicinato e seu impacto sobre o crescimento linear.
MÉTODOS: Realizou-se um estudo prospectivo com 790 crianças, de 6 a 36 meses, que freqüentavam creches municipais de São Paulo no período de 1999 a 2003. Ao início e ao final do estudo a hemoglobina, o peso corporal e a estatura/comprimento foram coletados. Utilizou-se suplemento contendo ferro quelato glicinato em gotas na dose de 5mg Fe elementar/kg peso/dia, administrado na própria instituição pelo profissional de saúde da creche, por um período de 12 semanas.
RESULTADOS: A suplementação resultou em um significante e positivo efeito sobre os níveis de hemoglobina. A resposta ao tratamento foi positiva em 85,3% das crianças, com um aumento médio de 1,6g/dL nos valores de hemoglobina (p<0,001). Nas crianças de 25-36 meses e naquelas com valores de hemoglobina mais baixas ao início da suplementação, observou-se ganho significantemente maior. Durante o período de intervenção não foi observada nenhuma intercorrência gastrintestinal ou intolerância ao suplemento. Verificou-se também impacto sobre o ganho de estatura e o indicador nutricional estatura/idade (escore-Z) nas crianças com idade acima de 12 meses, porém o mesmo não foi observado em relação ao peso e aos indicadores peso/estatura e peso/idade.
CONCLUSÃO: Os resultados indicam que o ferro quelato glicinato é um suplemento adequado para tratamento da anemia ferropriva em crianças na primeira infância, pela sua excelente tolerabilidade contribuindo também para o ganho de estatura entre crianças acima de 12 meses.

Termos de indexação: Agentes quelantes de ferro. Anemia ferropriva. Crescimento. Pré-escolar.


ABSTRACT

OBJECTIVE: The objective of this study was to evaluate response to daily supplementation with iron bis-glycinate chelate and its impact on linear growth.
METHODS: A prospective study was done with 790 children aging from 6 to 36 months who attended daycare in São Paulo from 1999 to 2003. Hemoglobin levels, body weight and height/length were determined at the beginning and end of the study. Liquid iron bis-glycinate chelate was administered in a dosage of 5mg of elemental iron/kg of body weight/day given by the health provider of the daycare facility for a period of 12 weeks.
RESULTS: Supplementation resulted in a significant, positive effect on the hemoglobin levels of 85.3% of the children with a mean increase of 1.6g/dL (p<0.001). In children aging from 25 to 36 months and in those with lower hemoglobin levels at the beginning of supplementation, there was a significantly higher increase. No gastrointestinal problem or intolerance to the supplement was observed during the intervention period. Supplementation also had an impact on growth and on the height-for-age indicator (z-score) in children older than 12 months but there was no impact on weight and on the weight-for-height and weight-for-age indicators.
CONCLUSION: The results show that iron bis-glycinate chelate is an adequate supplement to treat iron deficiency anemia in young children since it is very well tolerated and promotes growth in children older than 12 months.

Indexing terms: Iron chelating agents. Anemia iron deficiency. Growth. Child preschool.


 

 

INTRODUÇÃO

A anemia por deficiência de ferro é identificada atualmente como o maior problema de saúde pública existente no mundo, afetando principalmente lactentes, crianças pré-escolares, adolescentes, mulheres em idade fértil e gestantes1,2.

No Brasil as informações disponíveis não diferem das estimativas mundiais para os países em desenvolvimento. No município de São Paulo, estudos probabilísticos nas últimas três décadas apontam elevação de mais de 60% na prevalência da anemia entre crianças menores de 24 meses3,4. Elevada prevalência também é descrita em estudos com pré-escolares que freqüentam creches municipais5-7.

Uma vez que a deficiência de ferro está associada a déficits cognitivos, prejuízos no crescimento e no desenvolvimento psicomotor, e também à morbidade e mortalidade infantil, é primordial a adoção de medidas preventivas1,2,8-10. A suplementação com sais de ferro é a mais comum em nosso meio, usada principalmente em grupos de risco1,2,9. Atualmente, novos compostos com ferro são utilizados na terapêutica da anemia ferropriva, visando melhorar a tolerabilidade e minimizar os efeitos indesejáveis com o uso do medicamento. Dentro desta perspectiva, um crescente número de estudos foi publicado considerando as propriedades do ferro quelato no tratamento da carência de ferro, sob a forma de medicamento (tabletes, soluções), como também para fortificação de alimentos11,12, e entre as principais vantagens descritas estão a menor toxicidade e a melhor tolerabilidade, se comparado a outros sais de ferro13,14. Assim, diante da alta prevalência de anemia na primeira infância e de sua repercussão negativa, desenvolveu-se este estudo para avaliar a resposta à suplementação medicamentosa com dose diária de ferro quelato glicinato, e seu impacto sobre o crescimento linear em crianças anêmicas de creches municipais.

 

MÉTODOS

O estudo foi desenvolvido em 8 creches municipais da regional de Vila Mariana/Jabaquara, São Paulo, nos anos de 1999 a 2003. Foram acompanhadas 790 crianças de 0 a 36 meses que freqüentavam regularmente estas instituições (Figura 1). Destas, 566 crianças (71,6%) foram autorizadas pelos pais ou responsáveis a realizarem dosagem de hemoglobina e serem incluídas na suplementação com ferro. Das 279 crianças diagnosticadas anêmicas, 265 completaram o tratamento, e as demais foram desligadas por motivo de falta. As crianças cujos pais não autorizaram a avaliação de hemoglobina (n=224) participaram do acompanhamento antropométrico. O protocolo de pesquisa (CEP nº 179/99) foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

 

 

Dosagem de hemoglobina (Hb): Foi executada na própria creche, pela pesquisadora e por equipe habilitada com o equipamento. Coletou-se sangue através de punção digital e a mensuração da hemoglobina foi feita por meio de hemoglobinômetro digital portátil (HemoCue - β Hemoglobin photometer) antes e após a intervenção. A resposta ao tratamento foi avaliada segundo o grupo etário: (A) 6-12 meses, (B) 13-24 meses e (C) 25-36 meses. O critério de diagnóstico da anemia foi o valor de concentração de hemoglobina menor que 11,0g/dL e consideraram-se os valores inferiores a 9,5g/dL como casos de maior gravidade2.

Suplementação com ferro: Todas as crianças anêmicas receberam suplemento contendo ferro quelato glicinato por via oral (5mg Fe elementar/kg peso corporal/dia), administrado diretamente na boca da criança, uma vez ao dia, uma hora antes da refeição principal (almoço), sem necessidade de diluição em sucos ou água, por 12 semanas. Avaliaram a tolerância ao fármaco e a ocorrência de qualquer intercorrência gastrintestinal a partir de anotações diárias da equipe de saúde da creche. Os casos sem resposta à terapêutica com ferro foram encaminhados para um serviço especializado para investigação.

Antropometria: As creches possuem rotina de cuidados básicos de saúde, que inclui avaliação antropométrica periódica e acompanhamento do crescimento de todas as crianças matriculadas, independentemente da participação nesta pesquisa. Os dados de peso foram obtidos com balança eletrônica digital, com precisão de 100g e a estatura foi aferida com antropômetro horizontal de madeira (crianças menores de 24 meses) ou fita métrica inextensível de madeira (crianças maiores de 24 meses) com precisão de 0,1cm. O ganho mensal de peso e estatura foi calculado utilizando-se a seguinte fórmula:

Comparou-se o ganho de peso/estatura das crianças que receberam suplementação com o ganho de peso e estatura de crianças nas mesmas faixas etárias, que freqüentavam as mesmas creches, mas que não tiveram hemoglobina dosada, nem receberam suplemento com ferro. Tais crianças (n=224) foram autorizadas a participar somente do acompanhamento antropométrico. Para comparação neste estudo, este grupo foi denominado controle.

O estado nutricional foi avaliado ao início e final da intervenção, utilizando-se os indicadores antropométricos peso/idade, estatura/idade e peso/estatura, expressos em escore-Z, de acordo com o padrão de referência do National Center for Health Statistics (NCHS)15, calculados pelo programa Epi Info 6,04.

Estatística: As análises estatísticas dos dados foram elaboradas com os programas SigmaStat for Windows version 2.0, 1995 e Epi Info 6,04. Os dados são apresentados em médias, desvios-padrão e medianas. Consideraram-se valores de p<0,05 como indicativo de diferença estatística significante. Testou-se a normalidade das variáveis com teste de Kolmogorov-Smirnov. As diferenças entre médias foram avaliadas utilizando-se teste t de Student para dados com distribuição normal e Teste de Mann Whitney para aqueles sem distribuição normal. Utilizou-se teste t pareado para avaliar a resposta à suplementação com ferro dentro de cada grupo etário estudado. Os valores finais de hemoglobina entre os grupos etários foram avaliados por análise de variância, complementado pelo Teste de Tukey para determinar as diferenças entre eles.

 

RESULTADOS

Entre as 265 crianças anêmicas que completaram o tratamento, verifica-se que não houve diferença significante (p=0,355) entre os valores iniciais de hemoglobina segundo grupo etário (Tabela 1). Observa-se, ao final do período de 12 semanas de suplementação com ferro quelato glicinato, que os níveis médios de hemoglobina elevaram-se significantemente em todos os grupos etários. Entretanto, os valores médios finais diferiram significantemente entre si (p<0,05), com maior média no grupo etário de 25-36 meses, grupo que também apresentou o maior ganho médio. No grupo definido com anemia de maior gravidade, observou-se um ganho médio significantemente maior que o grupo com hemoglobina média inicial igual ou superior a 9,5g/dL.

 

 

Em relação à resposta ao tratamento, das 265 crianças anêmicas, 226 (85,3%) responderam positivamente ao tratamento. Destas, 165 (73,0%) apresentaram ganho de 1g/dL ou mais nos valores de hemoglobina. O nível de hemoglobina inicial das crianças que responderam ao tratamento não diferiu das que não apresentaram incrementos positivos (p=0,090). As crianças com resposta positiva apresentavam idade mediana (20,6 meses) significantemente maior (p=0,002) que as crianças que não apresentaram ganhos nos níveis de hemoglobina (idade mediana de 15,41 meses).

Durante todo o estudo não foram observadas e relatadas intercorrências gastrintestinais decorrentes do uso do ferro quelato glicinato medicamento ou mesmo intolerância a ele.

Não se observou diferença estatística na distribuição das crianças segundo sexo (p=0,102). Entre as crianças anêmicas suplementadas com ferro (n=265), 133 (50,2%) eram do sexo masculino. E no grupo controle (n=224), 57,6% das crianças eram do sexo masculino (n=129).

Os valores iniciais de peso e estatura (Tabela 2) das crianças suplementadas com ferro quelato glicinato e das crianças do grupo controle não apresentaram diferenças significantes, exceto no grupo etário de 13-24 meses, cujas crianças suplementadas eram mais leves e menores. O crescimento linear avaliado pelo ganho de peso (g/mês) não foi diferente entre os grupos, mas o ganho de estatura (cm/mês) foi maior no grupo suplementado, nas faixas etárias de 13-24 meses e de 25-36 meses. Não houve diferença entre o ganho de peso e a estatura avaliada segundo resposta à suplementação com ferro quelato glicinato.

 

 

Em relação ao estado nutricional inicial (Tabela 3), também não se observou diferença significante no indicador nutricional inicial peso/estatura. Os escores-Z iniciais de estatura/idade e peso/idade nas crianças do grupo controle eram mais elevados que das crianças suplementadas, porém todas as crianças avaliadas (grupo suplementado com ferro e controle) apresentaram estado nutricional indicativo de eutrofia.

 

 

DISCUSSÃO

A suplementação medicamentosa diária com ferro quelato glicinato por 12 semanas elevou significantemente os níveis de hemoglobina (inicial versus final), indicando que a população estudada apresentava deficiência de ferro16. Inicialmente os valores médios de hemoglobina foram similares entre os grupos etários (p=0,355), entretanto, após o período de tratamento, os níveis médios diferiram entre eles (A<B<C) apontando que as crianças nas faixas etárias maiores respondem melhor à terapia com ferro, com maior ganho nos valores de hemoglobina17. Tais achados incitam questionamentos sobre demais fatores que podem influenciar na resposta à suplementação com ferro em cada faixa etária, incluindo a melhor densidade de ferro na dieta de crianças mais velhas e a menor incidência de morbidade7,18 entretanto, tais determinantes não foram avaliados neste estudo.

Segundo a World Health Organization2 a elevação de 1g/dL nos níveis de hemoglobina após 1 ou 2 meses de suplementação oral com ferro indica deficiência de ferro. Na população estudada, observou-se que 73% das crianças com resposta positiva elevaram, ao menos, 1g/dL seus níveis de hemoglobina. Além disso, sabe-se que a incorporação de ferro é inversamente proporcional ao estado de deficiência do organismo19,20, assim é esperado que crianças com maior depleção, quando tratadas, apresentem incrementos maiores, devido a uma absorção aumentada do mineral, corroborando os resultados observados no grupo de crianças com hemoglobina inicial inferior a 9,5g/dL, no qual o incremento foi significantemente superior.

Não há duvidas sobre os benefícios da suplementação com ferro, principalmente entre as populações deficientes, entretanto, as altas prevalências de deficiência persistem e diversos autores referem que os insucessos são, em parte, devido aos efeitos colaterais derivados do tratamento, seja pelas altas doses ingeridas ou por sua longa duração, que resultam em baixa aderência e esquecimento da administração do suplemento2. No estudo de Szarfarc et al.21, os autores justificam a ineficácia do programa de suplementação principalmente pela desorganização dos serviços de saúde, especialmente em relação à puericultura, que não consegue motivar as mães de forma suficiente para que valorizem o acompanhamento mensal no Centro de Saúde. Além da questão operacional, outro fator também identificado como limitante foi a recusa na administração freqüente do suplemento, pois apenas 30,8% ofereceram regularmente o ferro. Entre as justificativas para a interrupção da profilaxia, mais de 50% do grupo o fez por intercorrências gastrointestinais e intolerância ao medicamento utilizado, o sulfato ferroso.

No presente estudo não foram observados os efeitos colaterais comuns nas terapêuticas com ferro oral (diarréia, constipação intestinal, vômitos ou náuseas), o que contribuiu para a adesão total e a continuidade do tratamento, o que o diferencia claramente de outros estudos relatados na literatura nos quais as queixas e as intercorrências são apontadas como limitantes neste tipo de intervenção21. A elevada adesão, fator identificado na literatura como restritivo ao sucesso das terapêuticas com ferro, foi garantida com a administração na própria creche, como parte da rotina de cuidados diários já existente na instituição, podendo também se prolongar quando necessário, sem o risco de recusa na administração por parte dos pais ou responsáveis.

Durante o período de estudo observou-se ganho de peso e estatura nas crianças, o que era esperado pelo crescimento normal. Entretanto, verificou-se que a velocidade de crescimento em estatura foi significantemente maior no grupo suplementado com ferro, com crianças de idade superior a 12 meses, quando comparado ao grupo controle. Todavia, não se verificou o mesmo efeito da suplementação sobre o ganho de peso, que foi similar em ambos (suplementados com ferro e controle), independentemente do grupo etário. Cabe ressaltar que todas as crianças freqüentavam instituições públicas, com mesma rotina de cuidados, estimulação e alimentação.

O impacto da suplementação com ferro sobre o crescimento linear é um tema controverso na literatura. Estudos demonstram efeito positivo da suplementação com ferro sobre a velocidade de crescimento linear tanto de peso22-24 como de estatura22,25-27, e também resultados inexpressivos com a suplementação28. Entretanto Bhandari et al.29, em uma revisão da literatura, afirmam que a suplementação de um único micronutriente tem mínimo ou nenhum efeito sobre o crescimento linear e especificamente em relação ao ferro, o impacto da suplementação é mais observado em crianças anêmicas.

Como no presente estudo, Angeles et al.25, Rosado26 e Rivera et al.27 também observaram maior ganho de estatura entre as crianças suplementadas, quando comparado ao controle, porém a população estudada por esses autores apresentava estado nutricional inicial indicativo de algum grau de déficit de estatura (estatura/idade menor que 1,3 escore-Z). Além disso, o suplemento oferecido continha outros micronutrientes, o que poderia colaborar para o aumento da taxa de crescimento linear, pois em populações desnutridas, deficiências concomitantes de zinco e vitamina A podem limitar a resposta à suplementação com ferro28. Neste estudo o escore-Z inicial de estatura/idade apresentava-se dentro da normalidade, apesar de ser mais baixo entre as crianças suplementadas. Assim, pode-se afirmar que a suplementação com ferro teve um impacto positivo no ganho de estatura, pois o desempenho em unidades de escore-Z foi significantemente maior entre os suplementados, quando comparado ao controle.

Diversos autores afirmam que a suplementação com ferro pode resultar em um duplo efeito positivo, influenciando tanto os níveis de hemoglobina quanto a taxa de crescimento. Hipoteticamente, a redução da anorexia, freqüentemente observada na anemia por deficiência de ferro, poderia melhorar o apetite30 e a ingestão de alimentos. Outra hipótese relaciona a redução da morbidade nas populações suplementadas, com um efeito positivo sobre o crescimento25, ou ainda que a normalização dos níveis de enzimas ferro dependentes poderia facilitar a utilização dos nutrientes para o crescimento24, entretanto ainda não está claro como isto ocorre.

É inquestionável a eficácia da suplementação com ferro para crianças anêmicas. O tratamento diário com ferro quelato glicinato apresentou impacto significante e positivo sobre os níveis de hemoglobina nos grupos etários avaliados, com a vantagem de não provocar efeitos colaterais, indicando que este tipo de ferro é adequado para a suplementação em crianças na primeira infância. A maior velocidade de crescimento entre os suplementados indica que mesmo crianças com bom estado nutricional, caracterizado pelo escore-Z, podem se beneficiar da suplementação de ferro. Assim, é importante que se desenvolvam mais estudos prospectivos para avaliar o real papel da deficiência de nutrientes, e em particular do ferro, sobre o crescimento tanto de populações com deficiências nutricionais como entre aquelas aparentemente saudáveis, dando subsídios para ações efetivas de combate a este sério problema de saúde pública.

 

AGRADECIMENTOS

Aos funcionários das creches, pelo apoio no desenvolvimento desta pesquisa.

COLABORADORES

L.C. RIBEIRO participou de todas as etapas do trabalho, desde a concepção da pesquisa, a coleta de dados até as análises e a elaboração final do manuscrito e D.M. SIGULEM contribuiu com a concepção da pesquisa, as análises e a elaboração final do manuscrito.

 

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Recebido em: 15/5/2007
Versão final reapresentada em: 8/1/2008
Aprovado em: 28/5/2008

 

 

1 Artigo elaborado a partir da tese de L.C. RIBEIRO, intitulada "Anemia por deficiência de ferro: suplementação terapêutica e profilática em creches". Universidade Federal de São Paulo; 2005.

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